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O Corte Costa Gravas é um diretor versátil e com faro para assuntos polêmicos. Em Z, de 1969, Gravas fez sucesso com um thriller político que abordava o golpe militar na Grécia e as facetas cruéis dessa transição. Com ele, ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro e os prêmios da National Society of Film Critcs e do New York Film Critcs Circle. Em Amém, de 2002, usou como tema a relação entre a igreja católica e o nazismo, conquistando o César de melhor roteiro e o Lumiere Award de melhor filme. Em O corte, Gravas comprova sua versatilidade como diretor e roteirista e apresenta um filme de humor negro e de críticas ao capitalismo.

O filme conta a história de Bruno Davert, um químico da indústria de papel que após 15 anos de dedicação é demitido em um corte de funcionários. Sempre elogiado por ter as melhores idéias, nutre uma mistura de raiva e admiração pela empresa, o que acaba atrapalhando na busca por novos empregos (o que gera um confronto hilário numa entrevista). Depois de dois anos sem conseguir uma vaga, ele decide recuperar a sua posição na indústria de papel. Disposto a voltar para o antigo cargo ao invés de enfrentar um recomeço, e sem entender o que pode haver de errado no seu currículo, Davert decide registrar uma caixa-postal e colocar um anúncio fictício no jornal. Ele recebe dezenas de cartas e começa a analisar os candidatos. No meio do seu estudo, decide que a melhor maneira de recuperar a vaga é assassinar o dono dos melhores cinco currículos e o homem que ocupou sua vaga na empresa. O método é um tanto inusitado, mas Davert só quer superar a concorrência. Um pensamento comum para todos nós, ou não?

O grande mérito do filme é mostrar o absurdo com naturalidade. Quando o surreal passa a fazer parte da realidade não há como deixar de pensar no absurdo em que vivemos. Olhar para o lado e enxergar concorrentes na luta pela sobrevivência é uma paranóia que Davert compartilha com muitos de nós, seja no ambiente de trabalho ou em nossos projetos pessoais. Os idealismos também são criticados. Não por acaso, as rotinas da indústria só aparecem em propagandas na televisão e em sonhos. Certamente a TV aproxima-se mais do mundo dos sonhos do que da vivência diária. A questão não é se Davert gostava ou não do que fazia, mas a lembrança idealizada. É por isso que ele luta, por um pedaço da sua vida, mais do que pelo emprego em si. Mesmo sem saber dos assassinatos, a família de Davert compactua com seu comportamento e dá apoio irrestrito. Aos poucos descobrimos que sua esposa, filho e filha (família clássica) também tendem à loucura. Cada um com a sua mania ou comportamento duvidoso, os personagens do filme usam do rompimento com a realidade permitido pela comédia para fortalecer a sua diegese crítica.

Misturando um toque sutil de pastelão e a essência do humor negro, Gravas nos faz torcer por um assassino antipático, sem peso na consciência e muito criativo nos seus métodos. A pessoa ideal para chegar ao topo do mundo corporativo e conquistar seus objetivos.

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  1. [...] ferrenha, mordaz, por vezes letal, como o cinegrafista grego Costa-Gavras exibiu em seu cinema, O Corte. Os melhores alunos são aqueles que, desde cedo, empreendem e desenvolvem as competências [...]