maguarras17.jpg

maguarras16.jpg

maguarras15.jpg

maguarras14.jpg

maguarras13.jpg

maguarras12.jpg

maguarras11.jpg

maguarras10.jpg

maguarras09.jpg

maguarras08.jpg

maguarras07.jpg

maguarras06.jpg

maguarras05.jpg

maguarras04.jpg

maguarras03.jpg

maguarras02.jpg

maguarras01.jpg

 

Por que uma montanha do filme de Ang Lee?

Dentro da calmaria das duas horas e tanto acabou me chamando atenção o conceito da montanha que  dá nome ao filme e serve de cenário para o romance quase platônico dos cowboys. O primeiro instinto foi buscar cenários diferentes que pudessem agregar novos valores. Pensei em um hotel brokeback, baseado em uma das cenas do filme, a primeira escapadela. Depois resolvi tirar do campo, dessa história de cowboys e ovelhas e levá-los para a cidade grande brokeback. O que a montanha traria de especial que outras opções não trariam? A fotografia é resposta recorrente, mas isso seria negar a existência da linguagem cinematográfica, mesmo em um filme morno, porém angustiante como a obra do Ang Lee costuma ser.


Supostamente a figura máscula mítica do cowboy já impede algumas pré-definições. A masculinidade dos personagens que incomodou por fugir de estereótipos. Pensei então na ida do personagem Jack ao México, quando ele some com um garoto de programa pela escuridão, contraste com a clareza e o clima sempre bom da montanha Brokeback. Mesmo com a neve (tempo ruim) o que vemos é branco, claro, reflexivo.

Ao arrumar uma paisagem clara, sem limites, o diretor extrapola o sentido de prisão, destrói o conceito de barreira de parede de motel barato, e traz o romance para dentro do coração de ambos os personagens. Por isso não podemos usar um motel, o motel esconde e o que deve ser escondido em Brokeback é a vida, o “intervalo” de 4 meses entre os encontros. As vidas públicas são prisões, são espaços apertados, sufocantes. O segredo não está guardado a sete chaves ou entre quatro paredes. O desejo é natural e livre, guardada está a conseqüência. Em uma cidade grande o conceito de liberdade e prisão já está misturado demais. Não sabemos quando somos livres sonhadores ou prisioneiros da realidade. Os sonhos se misturam em boates, se separam nas esquinas, se perdem na mesa do escritório, retornam no piscar de olhos de alguém. A densidade esmagaria a história.

Pegando a vida de Ennis. A sua casa é apertada. Ele está sempre em bares. Quando o vemos na rua, se enfia embaixo de uma ponte. Ennis guarda os sentimentos, guarda pesadelos de criança. Os sonhos são perigosos por causa desses pesadelos. Sua esposa guarda o mesmo segredo que ele. Ambos se sufocam com isso. A liberdade para ele vem através da montanha.

Jack, na outra ponta, aceita bem os sentimentos e consegue sonhar, aproximar a realidade do sonho, busca alguém para montar uma fazenda, criar seus animais, tocar a vida. O vemos sempre em cenas abertas, ao ar livre, ele é peão de rodeio, Twist! Sua esposa é espalhafatosa, tem ambição, corre atrás. Jack sabe se adequar às situações, mesmo sem muito gosto. Para ele brokeback é uma extensão da sua vida, o que poderia ser a ponte com o que sonha e sente próximo, e não simplesmente um momento de liberdade.

Mas esse impedimento que o real projeta no sonho afeta Brokeback. Os momentos lá são perfeitos, mas acabam. E essa beleza perfeita da montanha, esse cenário absurdamente simpático e impecável aos olhos extrapola o real e se transforma em fantasia, no inatingível, uma espécie de Terra do Nunca que não suporta Peter Pans. Perfeição demais não existe, parece querer dizer a montanha Brokeback e seu desfile de ovelhinhas.

 

 

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

 

editoria: cine-vídeo, edicao_0001, em 13/6/2006

 

 

 

 

MinC

 

 

RSS

design © Vigna-Marú

Este site utiliza o AdSense do Google. Clique aqui para saber mais sobre a sua política de privacidade.