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Piratas do Caribe: O baú da morte

A continuação de Piratas do Caribe: A maldição da peróla negra poderia se chamar o Baú do tio Patinhas. Em uma semana, o filme obteve receita mundial de US$ 536 milhões e provavelmente irá superar a marca total de US$ 653 milhões do anterior. Cumprindo bem sua função, O baú da morte funciona como um grande trailer para o último episódio da trilogia. Enquanto o primeiro apostava no formato “início, meio e fim”, esse não começa nem acaba, simplesmente segue durante duas horas e meia, uma sina dos episódios do meio, com mais efeitos especiais do que roteiro.

Piratas do Caribe: O baú da morteÉ possível dividir o filme de diversas maneiras. A mais tradicional é usar Johnny Depp como ponto de análise. Há as partes com Depp e há o resto. O diretor Gore Verbinski disse que dessa vez não queria o ator como a atração principal e que iria apostar mais nos efeitos especiais. A promessa foi cumprida. Temos pelo menos uma hora de filme com correrias, tribos canibais perdidas no meio de ilhas (alguém pensou em King Kong?) e monstros marinhos gigantes. Tudo para achar um motivo que colocasse os personagens de Orlando Bloom e Keira Knightley de volta ao mar. O filme só se encontra quando Bill Nighy aparece como David Jones. O demônio tem a barba feita de tentáculos de polvo, um braço de garra de lagosta e a aparência de quem passou tempo demais debaixo d’água.

A história, enfim, é essa. O capitão Jack Sparrow, personagem de Depp, prometeu sua alma em troca de 13 anos no comando do navio Pérola Negra. O tempo passou e cá está o demônio para cobrar sua dívida. Junto com ele, diversos marujos em formato de tubarão, mexilhões, ostras e um variado cardápio de frutos do mar irão atormentar a vida dos protagonistas. Sparrow, porém, conta com um trunfo. Antes de virar demônio, David Jones arrancou seu coração, trancou num baú e enterrou. Para escapar do demônio, o pirata passa o filme atrás do coração, pensando em usá-lo como moeda de troca. Infelizmente, o lendário coração pulsante é um artigo disputado e o que não falta é gente procurando por ele.

Para fazer a conexão com o filme anterior, os roteiristas Ted Elliott e Terry Rossio apresentaram o pai de Will Turner e trouxeram de volta alguns piratas, a arara falante, o macaco morto-vivo e a bússola encantanda de Jack.

Orlando Bloom se confirma como uma sombra de luxo, papel desempenhado em Tróia e involuntariamente em Cruzada. Mesmo a atriz Keira Knightley, que passou em branco no primeiro filme, já consegue dar alguma dignidade à personagem Elizabeth, protagonizando tiradas cômicas e lutas bem coreografadas com os demônios marinhos. Talvez Will Turner se destaque na terceira parte e Bloom consiga convencer como bom ator, o que é bem improvável se considerarmos a surpresa na última cena.

No final das contas, o saldo é positivo. Verbinski não é um grande diretor, mas será lembrado como o responsável pelos melhores filmes de pirata já feitos por Hollywood.

 

 

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

 

editoria: cine-vídeo, edicao_0002, em 25/7/2006

 

 

 

 

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