O destino em Mana Bernardes
Mana Bernardes está presa em um destino. Se depender dela, nós também. Na sua instalação de setembro/06 do Paço Imperial, o texto manuscrito feito em papel quadriculado, de arquitetura, constrói um caminho de palavras que seguimos.
Exemplo das palavras: “uma memória de onde o amor gera flores minha bisavó com elas enfeitava as suas tortas de nozes”. Ou: “esta cidade que destrói o infinito verde para construir edificações fadadas a tombar.”
A idéia de que haja um infinito, idealizado, em algum ponto do passado, reforça o fechamento do caminho que faz a volta na sala para terminar perto de onde começou. O presente urbano, moderno e cosmopolita não serve, o bom era um “antes”.
Ela é designer de jóias, faz produtos para vender. O destino portanto seria o do consumo, repetido e repetido, pois entre os materiais que usa estão os restos de um consumo já ocorrido, como garrafas e plásticos de envólucros. Sem notar, ela apresenta na instalação o dilema do mundo em que vive e que está morto: junto com o caminho de palavras manuscritas no rÃgido suporte quadriculado há vÃdeos mostrando seus objetos, em looping, enquanto uma voz monótona lê o que está escrito e numera as frases.
Creepy stuff, man.
Elvira Vigna é escritora e crÃtica de arte, com formação em letras e arte, e mestrado em teoria da significação pela UFRJ. Último livro publicado: "Deixei ele lá e vim", 2006, Companhia das Letras.



















