Festival de Cinema do Rio de Janeiro para iniciantes
Não importa como começou, o Festival de cinema do Rio de Janeiro é hoje um dos cinco mais importantes do mundo. Para quem não sabe, toda última semana de setembro e a primeira de outubro, os cinemas de arte (ou cults, ou de filmes cabeça, como preferir) e alguns cinemas populares do Rio de Janeiro se reúnem para exibir mais de 300 filmes dos quatro cantos do planeta. É mais ou menos assim, em cada sessão um filme diferente. Você sai do filme canadense, compra o ingresso do filme chinês, debate o coreano e se pergunta como não conhecia ainda o cinema da Bósnia. O importante é variar. Existem diversos pontos altos:
- Uma mostra voltada para os grandes filmes que ainda não estrearam. Volver e Babel são dois exemplos desse ano. Tem quem prefira ver todos de uma vez no festival, mas como eles tem exibição garantida, talvez seja melhor procurar alguns mais “raros”.
- Mostra brasileira. Existe um grande problema de distribuição de filmes no Brasil. Não é difícil apenas captar dinheiro para a realização dos longas. As salas de cinema ainda são um funil injusto e antidemocrático (lembre-se que a maioria dos grandes exibidores aqui no Brasil são estrangeiros). Aproveite então para conhecer os grandes filmes do cinema nacional. Todo ano ocorre uma premiação entre os nossos longas.
- Curtas. É tão raro ver curtas no Brasil. De um mondo geral, os curtas produzidos aqui e além das fronteiras são muito bons. Infelizmente, os cinemas preferem passar comerciais chatíssimos em vez de estimular o gosto pela cultura dos espectadores. O festival cria vários pacotes com curtinhas. Você escolhe a sessão e vê montão deles. Não perca a oportunidade.
- País convidado. Todo ano, um país recebe um foco especial. É a chance de ter acesso a filmes que nunca veríamos no circuito comercial. A Índia esteve presente ano passado com seus filmes enormes (mais de 3h30 geralmente) de Bollywood. Você sabia que lá os cinemas vivem lotados, com filas dando voltas no quarteirão? Esse ano, a estrela é o Canadá. São produções bem interessantes, vale uma espiada.
- A chamada Mostra Expectativa reúne filmes diversos, de diretores estreantes e de nomes consagrados. Ao meu ver, é o ponto forte do festival. Procure filmes com legenda eletrônica ou legenda em inglês. Pode ter certeza de que eles nunca mais passarão por aqui. Pense em um país. Garanto que há um filme dele para ver. Destaque para a Finlândia e o México, com forte presença. Escolha o filme sem medo, conhecendo um mínimo, esteja aberto ao novo.
- Mostra diretor. Como acontece com o país, geralmente um diretor recebe uma atenção diferenciada. Esse ano é a vez de Luchino Visconti. Quem nunca ouviu falar de Rocco e seus irmãos (com o lendário Alain Delon) e Morte em Veneza? Quem só viu na televisão, não pode deixar passar a chance.
Esse é o espírito do festival. Até onde for possível, democrático. Esqueça as dicas e as críticas. Listas de outras pessoas não valem. Faça a sua lista de filmes, monte o seu horário e adentre esse universo. Nem só de Estados Unidos vive o cinema mundial.
Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.



















