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Youtube você também

Parece que o Youtube veio para ajudar as gigantes do entretenimento. Depois de muito batalhar pelo fim da mp3, as empresas descobriram que podiam vender música nesse formato. O CD se transformou em um pacote, o papel de presente, e os clientes têm a liberdade de escolher as músicas individualmente. Lutar contra a tecnologia é impossível, até (ou principalmente) o garotinho de 6 anos que passa 4 horas por dia em frente ao computador e aprendeu a ler mais rápido por causa de legendas nos DVDs sabe disso. O que foi visto como ameaça era na verdade uma dica. Os consumidores estavam gritando para quem quisesse ouvir quais eram as suas necessidades, “esse produto tem demanda”, diziam.

Beck

O mercado de música começa a se recuperar com as vendas online. Espera-se que um dia os encartes possam ser personalizados, as músicas tenham sua amostra grátis online, e depois disso o consumidor monte o cd com o que gostou mais, de preferência remixando ao seu estilo (Beck deu esse passo, criando o cd infinito). O próprio artista poderia dar as dicas de suas faixas prediletas. Formadores de opinião e pessoas desconhecidas fariam o mesmo. As gravadoras seguiriam seu modo de palpitar, conhecido como “música de trabalho” ou “single”.

Como era fácil prever, o mesmo aconteceu com a imagem. Houve uma época em que ninguém acreditava que as pessoas comuns poderiam manter um computador em casa. Alguns também duvidaram que a mp3 e os vídeos pudessem escapar dos hard disks. E lá veio a geração “player”, com ipods que passam videoclipes, seriados transmitidos por celulares. A geladeira dos filmes de ficção que mostra a previsão do tempo e o telejornal está cada vez mais próxima. Se o melhor meio de conservação de alimentos já inventado foi o avião, o meio de transporte mais rápido é a internet.

Com uma quantidade incrível de vídeos surgindo, e com medo de processos de direitos autorais, o Youtube resolveu se legalizar. Firmou uma parceria com a Warner, que disponibilizará os videoclipes de seus artistas pelo site e liberará suas músicas como trilha sonora para os vídeos caseiros. Isso quer dizer que se o seu curta mostrando os passarinhos na janela tiver como fundo uma música da Madonna, você não corre mais tanto risco de ser processado.

A era digital, isso vale para o som e para a imagem, trouxe duas grandes dúvidas intensificadas pela TV digital:

  1. Podendo criar seu próprio conteúdo, por que os consumidores optariam pelos modelos já prontos de seriados e afins?
  2. O que levará as pessoas a comprar um conteúdo que pode ser facilmente pirateado?

O raciocínio pode ser complicado, mas as respostas estão se mostrando cada vez mais simples.

 

 

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

 

editoria: cine-vídeo, edicao_0003, em 28/9/2006

 

 

 

 

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