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Deite comigo

Sexo, como tudo que as pessoas conhecem menos do que deveriam, é um assunto polêmico. Deite comigo faz jus à polêmica que vem causando ao tratar o sexo despudorado de forma quase bucólica. O filme é uma adaptação do romance erótico de Tamata Faith Berger e foi chamado de O último tango em Paris com papéis trocados. Nele, acompanhamos a vida de Leila (Lauren Lee Smith), uma jovem que tem seu foco de prazer não só no ato sexual, mas no poder que surge dele. É ela quem dita o ritmo, avisa quando o parceiro deve começar e terminar. Seja dominando pelo voyeurismo, sacando camisinhas da bolsa ou realmente na cama, o simbolismo de seu poder está sempre presente.

Deite Comigo

A situação muda quando Leila conhece David (Eric Balfour). Ele amplia seus valores sexuais, acrescentando na fórmula sentimentos ambíguos, mas de modo nenhum – e esse é o ponto forte do filme – esvaziando o valor do ato físico, carnal. Entre os dois acontecem os flertes e cenas de sexo que movem a história até o fim. É interessante perceber que ao colocá-lo em cena, o roteiro perpassa a armadura de Leila e começa a acompanhar histórias paralelas de seus pais e de sua prima. Todos conseguem ser incrivelmente humanos e reais, apesar de participações ínfimas sempre ao lado da protagonista, e em nenhum momento deixam de alimentar a essência da história e a força de Leila. São novos olhares, voltados para novos personagens, mas que dizem respeito unicamente à personagem central.As cenas de nu frontal masculino e feminino são tão constantes quanto seriam na intimidade de um casal. A dedicação integral dos atores e a câmera inquieta do diretor Clement Virgo dão a Deite Comigo (Lie with me, no original, com seus diversos sentidos) um charme particular, quase neo-realista, recriando aquela mágica que leva a ficção para a cadeira ao lado e a liberta da tela do cinema. Mas quem vai atrás de sexo pop, esqueça. Aqui, os diálogos são raros, as falas cedem espaço para pensamentos ocasionais e a linguagem cinematográfica transforma-se na linguagem do corpo de Lauren e Eric. É essa a verdadeira comunicação. Flertes, danças e sexo como palavras sem legenda.

 

 

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

 

editoria: cine-vídeo, edicao_0003, em 29/9/2006

 

 

 

 

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