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ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

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12/10/2006

Literatura online

Faz tempo que o Google deixou de ser apenas uma ferramenta de busca. Além de pesquisa de imagens, pesquisa em blogs, programa de chat e e-mail, orkut, blog, agenda pessoal e Youtube, uma aposta importante da empresa é a pesquisa de livros.

É difícil colocar direitos autorais e internet em uma mesma frase sem usar a palavra polêmica. Foi assim com a música, com vídeos e está sendo com os livros. A idéia do Google é digitalizar livros e colocar seu conteúdo disponível em ferramentas de busca. As obras livres de direitos autorais estariam disponíveis na íntegra, e caso contrário, o usuário teria acesso a partes dos textos.

O Google Book Project conta com parceiros de peso, como a Biblioteca Pública de Nova Iorque, a Universidade Complutense de Madrid, o que significa ter livros em inglês, espanhol, alemão, francês, italiano e latim.

Para alguns pode ser novidade desprender o conteúdo do papel, talvez com ecos no e-book, que um dia foi cogitado como uma grande ameaça ao mercado editorial, mas não ganhou a força esperada.

O duelo entre tradicionalismo e tecnologia, entretanto, dispersa informações importantes. A polarização do debate destaca o preto e o branco e oculta o cinza, a área mais rica em argumentos e questões. Vale a pena, por exemplo, trazer o conceito de pocket book para a discussão. Feito em papel de menor qualidade, tamanho reduzido e com custos menores, o pocket desafia o conceito de livro-objeto e explora o papel como mero transporte de conteúdo. Um pocket pode custar 50% mais barato do que seu equivalente em formato tradicional. Qual livro você preferiria? Um com capa mais elaborada, melhor diagramação – com a visão se acomodando melhor durante a leitura – e que brilhasse no escuro ou o formato pocket? Isolando questões de custo e qualidade e pensando apenas no tamanho, qual o livro preferencial de uma população que tem como tempo livre o percurso de casa até o trabalho, dentro do ônibus e do metrô? É mais provável que o leitor compre o livro que não pesa na bolsa ou a vontade de ler não encontra barreiras no peso?

Acrescente o livro gratuito nessa equação. Pense também na venda pela Internet, a venda em bancas de jornal, postos de conveniência, formato e-book e audiolivro.

A tendência – como em qualquer área de negócios – é ganhar novos adeptos conforme o processo se consolide. A palavra polêmica aos poucos se transforma no sinônimo debate, pois onde há lucro, há negociação. A virtualização é um processo contínuo, uma conseqüência prática do hipermodernismo. O site Second Life está aí para confirmar a teoria.

Por fim, é importante separar o conceito da busca virtual em livros com a idéia do “livro para todos”. Por mais que a mecânica da Internet seja democrática, o acesso a ela ainda não é.

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

Literatura online



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