Quando o palco vira um circo
Imagine se Mulher Maravilha trabalhasse no Cirque du Soleil e berrasse como o Marilyn Manson uma espécie de recital dos Teletubbies. Assim é o Yeah Yeah Yeahs, atração EMO do Tim Festival. Muito se fala da performance da vocalista Karen O e muito pouco sobre o seu talento como cantora. Isso não é por acaso. Cobrir a cabeça com panos e cuspir pro alto talvez seja mesmo uma apresentação visceral, já que parte de suas vÃsceras devem estar no palco até agora. Karen O está muito além da banda. É seu “talento” que move o sucesso do grupo, com dois CDs lançados, Fever to tell e Show your bones. Não é raro que durante a apresentação, apesar do barulho ensurdecedor, nenhum dos integrantes esteja tocando os instrumentos. A voz de Karen O também é inaudÃvel, até que ela resolva berrar desesperadamente ou interagir com seu público de réplicas mirins falando “Fiesta Tonight”.
O rock EMO divide atualmente as rádios americanas com os rappers. Aqui no Brasil, tem fãs incontestáveis que usam os cortes de cabelo e roupas idênticos e se comportam de forma similar, sem muito interesse no que acontece no restante do mundo.

O Yeah Yeah Yeahs é considerado a grande promessa do futuro. Talvez seja como o Brasil, o paÃs do futuro que nunca chega. Se o grupo já encontrou seu perfil de atitude, é hora de entender que a música deve ser mais importante que o penteado, e evitar correr o risco de virar uma Britney Spears de gel e piercing. Pensando bem, o piercing a Britney já tem. Só falta o gel.

Por fim, uma injustiça deve ser corrigida. Grupos como o Yeah Yeah Yeahs não têm nada de atitude punk. O punk rock ganha em ideologia, atitude e qualidade musical desse estilo EMO de ser, um subgênero do hardcore, ligeiramente alterado para ser palatável às rádios e às massas.
Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.



















