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Houve uma época em que Moby era sinônimo de underground. Os fãs não beiravam os milhões, mas tinham admiração legítima pelo artista que gravava no estúdio de fundo de quintal, lançava encartes defendendo a natureza e aparecia o mínimo possível. Quem não gostava muito da história era o Moby, que queria ser ouvido por mais do que um grupo de amigos e uns doidos que compravam cd importado nos outros continentes.

Moby Go

No cd Play, Moby realizou o seu sonho. Disponibilizou todas as músicas para comerciais e era impossível mudar de canal sem esbarrar em um “porcelain” aqui, “why does my heart feel so bad” ali. É claro que o artista foi criticado, mas conquistou o público que queria. Depois, foi só fazer a manutenção, repetir a fórmula em 18 e fazer um trabalho entediante em Hotel. Com 15 anos de carreira, estava mesmo na hora de uma coletânea (ou para os mais sarcásticos: época de Natal, época de coletânea caça-níquel). O problema de GO: The Very Best of Moby é a seleção de faixas. Praticamente um double pack de Play e 18, ignorando cds inteiros do músico, um terço da carreira. Ausências como a de “That’s when I reach for my revolver”, “into the blue”, “hymn” e o remix de “voodoo child” apagam parte importante dessa existência, e fazem Moby parecer um criador de jingles de comercial.