Acionistas de Viena
Eu nunca fui muito fã de performances1 na arte, nem de happenings2 e instalações3, muito embora conheça e goste bastante de algumas coisas em arte conceitual4 (O trabalho do norte-americano Sol LeWitt5, por exemplo, é bastante interessante!). Reconheço também que nunca estudei muito fundo a respeito, conhecendo só o-básico-do-básico, mas acho que é sempre porque nunca me atraiu mesmo.
A maioria absoluta das coisas que eu já vi (E olha que não foram poucas, nessa minha vida “andante” e nesses meus anos de estrada, 20 deles já formada…) é vazia, sem sentido (Idiota mesmo…) e só visa chocar mesmo. Só que eu não vejo muito sentido nisso. Nem mesmo na existência de proposta de *provocação de reflexão*, que é o que a maioria declara. Mas, por essa proposta, de reflexão, respeito o trabalho de alguns artistas, embora ache outros, como o do austrÃaco Rudolf Schwarzkogler6 (Que morreu em 1969 após ter amputado seu próprio pênis em um ato performático…) de uma incontestável, completa e absoluta insanidade (E o “cara” é VENERADO na arte contemporânea!).
Ontem, em uma aula na Unicamp, por causa da apresentação de um trabalho de uma colega, pude conhecer mais sobre o trabalho dos “Acionistas de Viena7″, ou “Ativistas de Viena” como também são chamados (Dá uma “geral” no Google com o termo “Wiener Aktionismus8″ que você acha bastante coisa e se você, como eu, não lê em alemão, pesquise por “Viennese Actionism9″.), que são a “inspiração” dela.
A proposta do trabalho da colega é, na minha insignificante opinião, absurdamente vazia. Quase um plágio mesmo… Ela apresentou um vÃdeo de uma performance anterior dela, onde meio que reproduzia a proposta dos Ativistas de Viena, sem, no entanto, propor algo além de dizer que *gosta* (???) daquilo. Uma seqüência de “meu trabalho”, “minha obra”, “minha proposta”, “minha cidade”, “minha famÃlia”, “meus pais”, enfim, um amontoado de auto-referências, meio egocêntrico, meio esquizofrênico, onde a única coisa que ficou bem clara é o profundo desprezo dela pela universidade em geral, pela academia e pela pesquisa acadêmica, declarado verbalmente, várias vezes, durante a mostra do vÃdeo.
O que não entendi, especificamente (E ela não soube explicar nem mesmo quando questionada…) é por quê, se tem tanto desprezo pela academia, ela quer cursar um mestrado (Entrou na seleção deste ano, em poéticas visuais.) e pretende seguir a carreira acadêmica (Que foi o que ela disse que quer: ser professora universitária)! Deve ser alguma “motivação masoquista”, vai entender… Muitas das performances de BodyArt10 são mesmo nessa linha que eu, embora respeite como manifestação artÃstica, não admiro nem gosto.
Como eu evito ter qualquer tipo de preconceitos com arte, mesmo que, a princÃpio a “coisa” me cause desconforto e estranhamento, resolvi pesquisar mais na Internet para conhecer mais a proposta original dos vienenses e, quem sabe, entender o trabalho da moça.
Os principais artistas, segundo a Wikipédia11, são Günter Brus12, Otto Mühl13, Hermann Nitsch14 e Rudolf Schwarzkogler (Sim, o “lunático” que arrancou o próprio pênis. Ele mesmo.). Ou seja, eu não estava tão “longe” assim “dos caras”, já que o tal adepto da auto-castração eu já conhecia…
As performances do grupo, iniciadas nos anos 60 causavam (E ainda causam!) asco, revolta, repulsa. Eles misturam sexo, manifesto polÃtico e muita coisa “estranha” (Mas muita mesmo!) com escatologia. Fezes, urina, vômito, junto com pornografia, sexo e sacrifÃcios de animais… No fim, conseguem o que, eu creio que, seja a proposta: ninguém fica indiferente. Ou você gosta, ou detesta.
No site UbuArt15 tem os vÃdeos das performances. Mas já aviso, quem tem estômago “fraco” ou é impressionável, não assista.
Como eu já disse, os “anos de estrada” já me fizeram ser meio ‘refratária’ à qualquer tipo de maluquice, ou seja, não é muita coisa que me abala ou tira do sério, não, e o trabalho do referido grupo tem seu valor estético, mesmo que seja a estética do grotesco, e deve ter sido de algum significado na época, deve ter feito parte de uma necessidade, de um momento, sei lá, mas, depois de ler muito sobre suas referências, continuei com a mesma opinião sobre a proposta da colega: nada.
Por quê uma linha de pós-graduação da Unicamp aprova um trabalho de pesquisa auto-referente e vazio de significados e sentidos, desenvolvido por uma pessoa que se mostra frontalmente avessa à academia e que, declaradamente, se recusa a desenvolver as atividades propostas pelos professores da disciplina, declarando que sua arte (sic) “é superior a tudo isso” e que “a obra vale mais do que qualquer coisa que se escreva ou pesquise sobre ela”? Tem algum professor-doutor de arte ai que pode me responder? “Derrepente” sou eu quem não entende nada de arte mesmo, né? Vai saber! hehe
Jurema Sampaio é Mestre em Artes Visuais, especialista em Ensino e Produção de Arte, licenciada em Arte-Educação, Desenho e Artes Plásticas (PUC-Campinas). Atualmente cursa Doutorado. Professora Universitária.



















