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Acessos possíveis

As instalações Acessos possíveis, montadas no Parque Lage em 25 e 26 de novembro de 2006, foram feitas pelos alunos de Iole de Freitas, professora da instituição, e resultaram em uma bem humorada revisitação do casarão do Jardim Botânico.

Alguns destaques:

Salto triplo, de Sonia Távora O Salto triplo de Sonia Távora brinca com a noção de cofre, lugar de guardar dinheiro, e prisão: o dinheiro também pode prender você. Em um jogo de espelhos, você se vê dentro do cofre, no subsolo.

Receita de memória, de Lídia Peychaux Lídia Peychaux põe retratos da infância na parede, como em qualquer casa burguesa. Mas ao repetir o formato do suporte das fotos em quadrados vazios, traz a formatação para a própria memória, como ela é montada e remontada por nós. O título, apropriadamente, é Receita de memória.

Desconstruindo Pollock, de Marilda Rezende Desconstruindo Pollock, de Marilda Rezende Marilda Rezende e o seu Uma das melhores e mais engraçadas é a Desconstruindo Pollock, onde Marilda Rezende substitui os famosos - e masculinos, decididos, gestuais - respingos de tinta por um emaranhado de femininos fios de lã. Obedecendo à mesma construção que dá ao expressionista americano a noção de profundidade em seus quadros, Rezende também faz o seu emaranhado em vários planos … e todos eles acabam entrando pelo ralo!

Plugando o sub, de Célia Cotrim Célia Cotrim consegue uma rara mudança de ambientação em sua Plugando o sub. Em uma das salas velhas, marcadas pela umidade, ela pôs quatro caixas de backlight com imagens de um fundo de piscina. No verão carioca, entrar na sala de teto alto, fresca, silenciosa e com as imagens de água, faz com que você de fato entre na instalação.

Cleone Augusto Cleone Augusto E no alto da escada de acesso, Cleone Augusto montou uma estreita passagem com chão de pó de carvão e paredes cavernosas. A entrada do casarão, em piso de mármore, dá para o pátio interno, aberto, luminoso e amplo. A falsa entrada é seu antônimo e Augusto quer que lembremos ser ele sempre possível.

(*) Comentário de Lidia Peychaux enviado por email em 29/11/06: Estou muito grata pelo teus comentários e a apresentação da obra no site. Não tenho tido a oportunidade de conversar com você, gostei muito do site, aproveito esta para acrescentar alguns dados sobre a obra: se trata de 5 projetos, um deles é a memórias das fotografias familiares cujo processo foi a queima de 7 fotos sendo a metáfora: apagar com fogo as memórias de ancestrais, o processo artístico consiste em fotografar as cinzas respeitando o formato das fotos que já no existem mais, como o resto das cinzas fiz uma tinta e com caneta também herança de familia, escribi em forma de declaração júridica descrevendo o conteúdo visual das mesmas, registrado posteriormente em cartório legitimando no circuito do sistema um fato artístico. Todo o trabalho completo: o vento da memoria, memoria das fotografias familiares, receita da memória, vídeo: memória e tempo, e memórias de Bayauca, um projeto de arte etnográfica denunciando 602 povoados em riesgo de desaparicão na Argentina, estão disponiveis num CD com breve texto explicativo.

Marilda Rezende: “Elvira Vigna, agradeço a atenção dada ao meu trabalho ‘Desconstruindo Pollock’ na EAV do Parque Lage. Abraços

 

 

 


Elvira Vigna é escritora e crítica de arte, com formação em letras e arte, e mestrado em teoria da significação pela UFRJ. Último livro publicado: "Deixei ele lá e vim", 2006, Companhia das Letras.

 

editoria: contemporânea, edicao_0004, em 26/11/2006

 

 

 

 

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