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O curta Curupira leva o espectador para uma fazenda, onde homens impiedosos estão caçando além da conta. Para defender a natureza, os diretores Fábio Mendonça e Guilherme Ramalho convocam a figura folclórica do Curupira, que ganha vida com a animação 3D de Guilherme Alvernaz. Distante da imagem do matreiro enganador, a criatura lembra um elemental da natureza, sem falas, é só uma força primordial e se aproxima mais do instinto do que da razão (teoricamente domínio do homem). O curta lida bem com a questão do imaginário, explorado na figura de uma criança. Apesar disso, o clima predominante é o do terror, um passo acima do conteúdo infantil.

Curupira

Na parte técnica, Curupira possui diversos méritos: o som mantém constante o clima angustiante, sem exageros e sem esvaziar a dramaticidade, e a iluminação e a fotografia são precisas, colaborando muito para o suspense e o lado soturno. Para o duelo final, a casa foi transformada num verdadeiro labirinto. Usando ângulos claustrofóbicos, os diretores preparam a chegada do Curupira (e a revelação de sua imagem), momento em que o papel de caça e caçador se inverte para a vingança da criatura dos cabelos de fogo.