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Jair de Oliveira

Quando Jair de Oliveira lançou o álbum Simples, a palavra de ordem foi menos é mais. Fiquei desconfiado com o joguete verbal de imprensa inspirada, pois a musicalidade de Jairzinho se faz exatamente no experimentalismo, na vontade de extrair algo além e no jeito de colocar a voz a serviço dos instrumentos, integrando tudo na mesma batucada. É uma concepção Nietzschiana. A música, como o humano e o personagem da tragédia, existe em um ponto entre Apolo e Dionísio, e Jair opta pelo dionisíaco. Jair de OliveiraEsse mix de sonoridades já havia sido testado em dis’ritmia, seu primeiro cd, e aprimorado em 3.1, que uniu saxofones, rhodes, trombones e trompetes em faixas como A ladeira leva e Todo mundo famoso. Felizmente, Simples, não é uma versão rasa de trabalhos anteriores, pelo contrário, continua complexo e demonstra evolução. A base instrumental, agora de cordas e percussão, mostra resultado já em Braços de Iemanjá, que recria o som do berimbau numa roda de capoeira multisciente. Outro ponto alto é Casa da Dor. Com direito a cavaquinho e violão de 7 cordas, Jair de Oliveira canta uma tristeza típica de Cartola nos versos:

“O tanto tempo que o amor demora
Para reabrir um coração ferido
O tanto tempo que é tempo sofrido
Onde cada segundo parece hora”

Apesar de ser divulgado como um cd de samba, nem sempre a ginga malandra combina com o visual nova-iorquino de Jair, que se sai melhor ao despir-se de títulos. Como foi tema de novela, Tiro onda é a faixa mais conhecida até o momento, mas ainda há muito o que se garimpar em Simples.

Destaque para a música que dá nome ao cd (a letra fala que amar é simples como escrever um best-seller e fazer gols iguais aos do Pelé) e para Au Niveau du Bar, parceria com Otto, que brinca com palavras francesas e traz o clichê bem-vindo do musette.

 

 

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

 

editoria: edicao_0005, música, em 14/1/2007

 

 

 

 

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