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ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

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08/03/2007

Borat

Borat se tornou um fenômeno mundial, com exceção talvez do Cazaquistão. Com o custo estimado em US$18 milhões, deve ultrapassar US$260 milhões de bilheteria em breve, colocando a carreira de Sacha Baron Cohen em um novo patamar. Sacha é a voz de Julien em Madagascar. Ele fez diversos episódios de TV com o personagem Borat e também como Ali G, sua encarnação rapper, que aparece no clipe de Music (Madonna) e no filme Ali G Indahouse.

Em Borat – o segundo melhor repórter do glorioso país Cazaquistão, acompanhamos o personagem em uma viagem pelos Estados Unidos, onde ele deve aprender o que fez dos EUA uma grande nação, e depois ensinar tais valores e virtuosidades ao seu país de origem. Durante a jornada, nem tudo sai como planejado, o dinheiro aperta, a recepção americana não é muito amistosa, os costumes são deveras diferentes, e para melhorar, Borat se apaixona por Pamela Anderson (depois de assistir Baywatch) e decide mudar o roteiro da viagem para conhecê-la e pedi-la em casamento.

Relembrando. Sacha é um ator branco, com bigodão falso, um sotaque britânico carregado, que força os erros de pronúncia como “um imigrante do Cazaquistão” e usa um terno impecável com calça na canela. Tudo que – propositalmente – pesa contra um perfil realista do povo turcomano cazaquistanês.

O filme se desenvolve desde o roteiro até a direção mantendo um flerte constante com a linguagem do documentário. Buscar autenticidade através do fake foi um risco que deu certo. Mesmo sabendo que não há uma câmera invisível, que o equipamento envolvido não é amador, que a iluminação, o posicionamento de atores e a história foram cuidadosamente calculados, o espectador acredita que as pessoas no filme expressam uma reação natural. A graça surge exatamente dessa suposta espontaneidade da situação. Por ela, Borat contesta valores clássicos americanos como o capitalismo desenfreado que tenta se adaptar a qualquer situação e cliente, a situação absurda das pregações religiosas, o conservadorismo preconceituoso texano e por aí vai.

No affair com a prostituta vivida por Luenell conhecemos uma mulher adorável. No trailer de jovens de classe média americana, nos deparamos com bêbados sem princípios e moral. No diálogo com negros, humor legítimo. Na entrada de um hotel luxuoso, a rejeição pelo que não é igual e não está no padrão aceitável de comportamento.

Uma das graças do filme, não intencional porém bem-vinda, é prestar atenção nos “atores” que não se agüentam e começam a rir no meio das situações escabrosas criadas por Borat. As cenas com o casal de velhinhos judeus e o culto religioso estão repletas desses risos incontidos.

A manipulação da estrutura documental é sempre um assunto delicado, pois diminui a capacidade de distinção entre o que é a realidade e o que é ficção. Felizmente, aqui o exemplo é uma comédia.

Sacha Baron Cohen volta às telas em breve em Madagascar 2, estará em 3 filmes atualmente em produção e os direitos pelo seu novo personagem (um gay austríaco do mundo da moda) foi disputado até o último dólar pelos estúdios hollywoodianos.

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

Borat



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