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ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

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02/04/2007

Entrevista: Zucca Produções

Em cinco anos, a produtora Zucca Produções realizou oito espetáculos teatrais badalados, um lançamento de CD, dois curtas metragens e um festival de dança. Acaba de receber o prêmio Zilka Salaberry de teatro infantil nas categorias de melhor texto (João Falcão) e melhor espetáculo, e promove um curso de produção cultural que já soma 200 alunos em pouco mais de um ano. Pilotada pelo produtor Júlio Augusto de Oliveira Silva – ou Júlio Augusto Zucca – e pela atriz Gisela de Castro, responsável pela direção e qualidade artística dos projetos, a produtora tem conseguido consolidar uma marca no mercado cultural que associa credibilidade e qualidade artística. E prova que o mercado da arte e cultura é viável para quem tem disponibilidade ao trabalho, dedicação e generosidade. Na pequena sala da produtora, os dois falaram ao Aguarrás.

Aguarrás: Como surgiu a campanha “Primeira Ida ao Teatro”?

O Pequenino Grão de AreiaJúlio Augusto: Essa idéia surgiu em 2004, quando a gente estava preparando o projeto de “O pequenino grão de areia”. Achamos na internet uma pesquisa que falava que tinha um percentual alto de jovens que nunca tinham ido ao teatro, e a pesquisa fazia uma outra pergunta: “dentre essas atividades culturais (festas, shows, etc.) que você nunca foi, se você tivesse a oportunidade de ir, qual você escolheria conhecer?” O teatro era o segundo colocado numa lista de dez ou quinze itens. O segundo colocado nas atividades que as pessoas mais tinham vontade de conhecer e, ao mesmo tempo, o primeiro que as pessoas nunca tinham visto. Ela [Gisela de Castro] estava lendo isso para mim e caiu a ficha: porque a gente não faz um projeto para trabalhar exatamente essa necessidade e essa vontade das pessoas, aliada a essa deficiência cultural da sociedade? As pessoas não vão ao teatro mas elas querem ir ao teatro. A campanha não nasceu como ação social, o objetivo não é inclusão de comunidades mais carentes, exclusivamente. Cumpre esse objetivo porque acabamos achando grupos que nunca foram ao teatro nessas classes sociais. Mas o objetivo era fazer uma inclusão do teatro como produto cultural. No final das contas é um projeto de formação de platéia.

Aguarrás: O que, para quem trabalha com teatro e cultura, é uma necessidade de primeira ordem, não?

Júlio Augusto: Isso faz parte de uma filosofia nossa. A gente não fica sentado, esperando que o público bata na porta do teatro. Todas as nossas produções, desde a primeira em 2003 até a última, procura buscar quem é o público e vai atrás. Então isso faz parte dessa filosofia de mercado. Se a gente vive de teatro, se é o nosso produto, independente de patrocínio – a gente já fez oito peças e só três tiveram patrocínio –, nosso mercado é o público que vai consumir nosso produto. Nada mais natural do que promover ações que aumentem esse público, que criem novos públicos, que criem novos hábitos de consumo.

Ana Carina Santos e Gisela de CastroAguarrás: Acha que há uma certa preguiça no meio artístico-cultural de correr atrás desse público?

Júlio Augusto: Não diria que é uma preguiça, não. Porque todo mundo que trabalha nessa área, trabalha muito. É uma falta de foco. As pessoas estão muito preocupadas em desenvolver seus projetos artísticos, em realizar seus trabalhos artísticos, e esquecem que estamos inseridos numa sociedade de mercado. Então um produto sem ter consumidor não é produto, não acontece.

Gisela de Castro: Acho que as peças têm realmente o seu público alvo. Quando a gente preenche aqueles formulários e bota “público alvo”, sempre acha um pouco chato. Porque é óbvio: todos são meu público alvo. Mas na verdade não é bem assim. Existe, sim, um público específico, um direcionamento. A “Greve de Sexo”, por exemplo, era uma peça feita por jovens e a gente acreditava que o público alvo era esse. Era um teatro a céu aberto, na UFRJ, era uma comédia, muito descontraída, um texto grego bem traduzido e talvez as pessoas mais velhas se sentissem um pouco desconfortáveis de estar ali, na arquibancada. Tinha esse caráter de informalidade, então era para os jovens. A gente focou nisso.

Aguarrás: Então o primeiro ponto é saber para que público você vai falar?

Gisela de Castro: Ou saber o público preferencial. Não necessariamente um público fechado. Porque depois, se a peça é boa, a gente já viu que o boca a boca é que leva o público ao teatro.

Júlio Augusto: Foi assim que surgiu o “Primeira Ida ao Teatro”, uma idéia natural de você formar e atender a uma lacuna que a gente percebeu que existia e tentar estimular que outras produções fizessem isso, que outras ações dessa natureza acontecessem, que isso aumentasse aos poucos, a médio prazo. Acabou que essa ação gerou outros desdobramentos. Como eu falei, ela não surgiu com uma intenção de ser uma contrapartida social, mas funciona muito bem para isso. O projeto vai acontecer sempre que for possível, mas com as crianças ele tem um caráter extra. Tem um caráter não só de formação de platéia, mas de formação de indivíduo, de uma pessoa mais bacana. Uma pessoa que consome arte tende a ser uma pessoa mais interessada em questões mais importantes da vida. Eu acredito nisso.

Gisela de CastroAguarrás: E uma pessoa que produz e trabalha com arte deve ter esse foco nas “questões mais importantes da vida”?

Júlio Augusto: Não necessariamente, acho que cada um busca atender suas necessidades.

Aguarrás: E para vocês dois?

Júlio Augusto e Gisela de Castro:
Para a gente é importante.

Júlio Augusto: A gente se preocupa com o nosso conteúdo artístico, mas como não sou artista, não venho da área artística, a minha participação na produtora é mais de mercado: a Gisela cuida mais do artístico, eu cuido mais do mercado. Para mim, o produto artístico está inserido dentro de um contexto que tem vários aspectos: os que dão resultados a curto prazo, tem aspectos que dão a médio prazo, a longo prazo; tem os que contribuem para a construção de uma marca da produtora, uma marca que gere credibilidade, reconhecimento pela qualidade do trabalho que produz. A gente acredita que construir valores em cima de uma produtora é importante para dar credibilidade nos produtos, para dar confiabilidade nas coisas que a gente faz, para facilitar nosso acesso a parceiros, para facilitar a divulgação de nossos projetos. Estamos vendo resultados claros disso acontecendo. Por exemplo, em “O Pequenino Grão de Areia” agora, na segunda temporada, a gente não precisa de assessoria de imprensa. A mídia divulga.

Gisela de Castro: A peça já se tornou bem falada.

Júlio Augusto:
Sai coisa no jornal que a gente não mandou, que ninguém mandou. No último dia do Clara Nunes saiu quase meia página, uma foto de um quarto de página. Acho que isso é fruto não só da peça, é fruto de um posicionamento que a gente adota em todas as produções. As pessoas já conhecem, dão crédito aos assuntos que chegam da Zucca.

Gisela de Castro:
Ah, sim. Mas porque a peça também está concorrendo ao prêmio [Zilka Salaberry de teatro infantil. Venceu nas categorias melhor texto e melhor espetáculo no dia seguinte à entrevista]. Acho muito importante quem lida com cultura fazer esse tipo de ação, não por uma mera questão filantrópica, não é isso, mas para criação de mercado. Se você não tem um público consumidor de teatro e você não forma essa platéia, não só de crianças e jovens, mas até de adultos também, aquilo não cria o hábito. Infelizmente a maioria dos teatros está na Zona Sul ou no Centro do Rio, tem pouco teatro na periferia. Criar o hábito da pessoa ir ao teatro é diferente de levar o teatro à comunidade, de levar o teatro a uma escola que, muitas vezes, nem tem uma infra-estrutura de verdade, não tem refletor, não monta o cenário como deveria.

Aguarrás: Estruturalmente esse tipo de campanha é complicada ou só precisa de vontade?

Gisela de Castro: Não acho complicado não. O transporte é sempre uma logística, você tem que ver esse custo, contratar pessoas…

Júlio Augusto ZuccaJúlio Augusto: A gente já tentou fazer essa campanha sem fornecer transporte. Eles não aparecem porque você tem que romper uma inércia inicial das pessoas. Achamos importante facilitar ao máximo para que as pessoas não tenham desculpas. E essa coisa que ela estava falando, de levar as pessoas para o teatro e não a peça para fora do teatro, é importante não só para as crianças que estão indo ver, pois há toda uma magia no teatro, mas para que os pais se acostumem também a levar as crianças para o teatro, para os pais também saírem do comodismo. É o pai sair de casa, preparar a criança, botar no carro, estacionar o carro, levar a criança, pagar ingresso. É uma disponibilidade que, a gente estimulando, a própria criança em casa vai continuar esse trabalho com o pai, vai criar esse hábito.

Gisela de Castro: É uma questão de hábito: se pega um ônibus, um trem para ir até o Maracanã, até a praia. Por que não ir até o teatro? E muitas vezes existe esse grau de desconhecimento de ser cidadão. A pessoa não sabe que ela pode, que tem o direito de ir ao teatro. Às vezes a peça custa um real, às vezes é de graça. Mas ela não vai porque ela acha que não faz parte daquilo. Eu, no “Greve de Sexo”, via a galera na arquibancada bebendo cerveja, comendo biscoito globo, sabe? Eu ficava tão feliz, me sentia, assim… eu queria que teatro fosse Maracanã. (risos)

Aguarrás: Quem produz cultura hoje tem clareza do foco, do que está produzindo?

ArtorquatroJúlio Augusto: O que eu tenho visto é muitos artistas envolvidos na produção e isso tem um efeito colateral que é o das pessoas se preocuparem muito mais com o produto, com a arte em si, do que com a questão de mercado: para quem estão produzindo, se está inserido dentro de uma categoria, se é pertinente àquele espaço. É natural, porque a função do artista é essa. O artista tem o direito e tem o papel de trazer a arte sem nenhuma preocupação mercadológica. Se todo mundo fizer arte pensando num mercado, ninguém vai querer fazer peça experimental, de desenvolvimento de linguagem, as companhias de teatro não existiriam na sua essência. O que falta nas produções é alguém que estude esse produto artístico e pense se existe mercado, qual o mercado, aonde esse produto pode ser melhor apresentado, como trazer o público para vir assistir, que público é esse. Acho que falta uma visão de mercado na produção, não nos artistas.

Aguarrás: Mas hoje se os artistas não se produzirem, não realizam seus projetos pessoais.

Júlio Augusto: É verdade, mas para isso eles têm que se capacitar, se preparar.

Aguarrás: Artista e produtor. É uma dupla?

Júlio Augusto: É complicado o artista pensar em arte e pensar em mercado para o seu produto. Não que isso não exista. Tem muitos artistas que são ótimos vendedores dos seus produtos. Mas normalmente existe um empresário, um produtor associado a esse artista.

detalhe do escritório da Zucca ProduçõesGisela de Castro: Tem muita gente que faz acreditando que a produção vai se manter, e a bilheteria é uma forma de manter a peça em cartaz, e aí funciona bem. Tem gente séria trabalhando nesse sentido. Por um outro lado, e aí é até um pouco perigoso o que eu vou dizer, às vezes essa coisa de patrocínio atrapalha um pouco. Porque a gente vê produções que não estão preocupadas com o lado artístico do produto, que conseguem um patrocínio e então dizem: “ah eu consegui aqui essa grana” e faz qualquer coisa, de qualquer jeito.

Júlio Augusto: Não só faz qualquer coisa como, o que eu acho mais grave, as pessoas com a produção paga, com os artistas pagos pelo patrocínio, dizem: “se não tiver público, não tem problema. Se a peça não for bem de bilheteria, não importa”. Isso é mais grave.

Aguarrás: Não acha que essa falta de conteúdo é um mal que assola a nossa época e não só o teatro?

Júlio Augusto e Gisela de Castro: Ah, com certeza. Em todas as áreas.

Júlio Augusto: É uma busca mais fútil, mais imediatista, mais impaciente. Quer esse resultado imediato para tudo o que se faz, todo mundo quer o sucesso antes de trabalhar, quer reconhecimento antes de conquistar, antes de fazer por merecer. Em todas as áreas, nas empresas, nas artes, na política. Acho que a política, inclusive, é o que puxa (risos). É o causador desse mal.

Aguarrás: Dentro do mercado de produção cultural a prática é de uma atitude muito fechada, o produtor não abre seu quinhão. A postura da Zucca é oposta a isso. Acredita que uma postura fechada trava o mercado?

Júlio: É uma questão estratégica.

Aguarrás: Que estratégia é essa?

Gisela de Castro e Júlio Augusto ZuccaJúlio Augusto: Isso eu aprendi trabalhando em empresas. Existem os profissionais nas empresas que desenvolvem determinado trabalho ou são responsáveis por uma determinada tarefa que não contam como se faz aquilo de jeito nenhum para ninguém. Acham que se contarem vão perder o emprego assim que aparecer alguém que saiba fazer aquilo por menos dinheiro. Mas é justamente o contrário. As pessoas que evoluem são as pessoas que abrem os seus conhecimentos, que não têm segredos sobre como que aquilo funciona. Eu penso da mesma forma. Se estou formando produtores eu vou estar de certa forma formando concorrentes. Quem é bom se estabelece. A qualidade dos trabalhos melhora à medida que a competição melhora, ter pessoas que você formou e instruiu bem posicionadas no mercado, fazendo coisas corretas, só aumenta a sua reputação e a credibilidade. Isso tem se provado uma verdade absoluta.


Aguarrás: E humaniza esse mercado, com profissionais que assumem a postura dividir.


Júlio Augusto:
Desde que eu comecei a dar aula, a gente não percebeu nenhuma situação de ameaça dos alunos, com relação a nossos produtos e projetos, e só tenho tido respostas positivas. Um aumento da credibilidade da empresa, um aumento da minha credibilidade pessoal, como profissional de cultura.

Gisela de Castro:
E tem somado parcerias que aparecem.

Aguarrás: Tem muito artista fazendo esse curso?

Júlio Augusto: No início eram quase só artistas. O curso foi pensado para esse público de artistas que querem se produzir. Mas hoje já é misto. São pessoas que estão querendo traçar o caminho que eu fiz, por exemplo. Vêm de outro mercado, para conhecer o mercado e identificar se é um bom negócio, se é uma boa oportunidade de trabalho, se é um mercado com espaço para trabalhar.

Aguarrás: A palavra mercado foi muito nesta entrevista. O que é o Mercado Cultural?

Júlio Augusto:
É o mercado formado pelos consumidores de produtos de arte, de todas as formas de expressão de arte. É o mercado de pessoas que vão ao cinema, que vão ao teatro, que se interessam por artes plásticas, que lêem e compram livros, são as pessoas que dão crédito a novas formas de arte. Acho que o mercado cultural, no final das contas, são os consumidores. Só que esse mercado é formado pelos consumidores, pelos intermediários, pelos viabilizadores. Os produtores fazem parte do mercado como intermediários ou viabilizadores. Os artistas fazem parte desse mercado como produto final a ser consumido.

Gisela de Castro:
É importante saber o que isso gera na sociedade. É importante você ter na área cultural um mercado, um capital circulando. Você tem profissionais envolvidos e é importante que o profissional seja remunerado, do ator ao técnico, ao diretor, todo mundo. A importância de implementar um mercado significa isso, que as pessoas estejam vivas e capazes de consumir na sociedade. O mercado cultural é uma opção de movimentação financeira, sim. E quanto mais diversidade e pluralidade a gente tiver, melhor para o meio.

Júlio Augusto: A gente acredita na cultura como conceito, que a cultura é ou pelo menos deveria ser um dos itens da cesta básica da população, assim como a alimentação, transporte, educação. Cultura deveria fazer parte dessa cesta básica e ser vista por quem detém a capacidade de ditar regras ou de financiar coisas como tão importante quanto. A cultura se replica em várias situações. Me dá orgulho de ter montado uma empresa e ter entrado nessa história, estar criando postos de trabalho e fomentando pessoas, e empurrando a carreira das pessoas, disseminando trabalho e movimentando a economia. As pessoas trabalhando, consomem e devolvem para a economia esse dinheiro, que circula. Isso que faz um mercado melhorar em determinada região. Se você fomenta essa cadeia, tudo melhora. Toda vez que alguém me fala que está fazendo um trabalho que foi fruto de uma coisa que começou com a gente me dá a sensação de que estou contribuindo positivamente para o mercado cultural.

Aguarrás: Tem percebido retorno dessa postura aberta como princípio profissional?

Júlio Augusto: Eu tenho tido retornos diretos e positivos. Esse curso de produção eu criei para atender a uma demanda que percebi no mercado. Pessoas me ligando para pedir ajuda para fazer projetos e para aprender essa história de como funcionam as leis de incentivo. E eu vi que era muito pouco eficiente fazer uma consultoria para todo mundo e cobrar. E aí falei para a Gisela “vamos juntar essas pessoas todas, já tem três, quatro que me ligaram essa semana. Vamos tentar juntar essas pessoas”. Eu tive quatorze interessados na primeira turma. Agora, é a décima terceira turma que começa. E o que esse curso já me gerou? consultorias bem remuneradas de pessoas que fizeram o curso, o interesse do Sesc nacional em um curso no mesmo formato, via vídeo conferência, para 24 estados. O público desse curso são os técnicos de arte e de cultura de cada estado.

Aguarrás: Como vêem a imagem da Zucca hoje no mercado?

Greve de sexoJúlio Augusto: Acho que a gente está traçando um caminho bacana. Estamos conseguindo uma coisa que é super difícil em marketing: criar uma marca. Acho que esse que era o grande desafio. A gente está conseguindo isso e essa marca hoje tem credibilidade, é razoavelmente conhecida, um dos instrumentos que são impulsionadores disso é o nosso mailling eletrônico, nosso “spam do bem”. Divulgamos nossos projetos por email, é um mailling muito bem cuidado, muito trabalhado, dificilmente a gente repete envio para quem pediu para sair, só se for uma falha técnica, mas é muito raro isso acontecer. Nossos emails têm nosso nome, nosso telefone, e eles servem como meio de divulgação da nossa marca e de nossos projetos. Fora isso tem o boca a boca de nossos produtos, tem a repercussão dos projetos que a gente faz. A gente tem um lado, que faz parte da minha formação, que é trabalhar também mercado de empresas, não só o lado de consumidores de arte.

Aguarrás: A Zucca matém o foco mais forte no teatro?

Júlio Augusto: Estou fazendo uma migração estratégica para a área de cinema. Quero trabalhar esse mercado. Principalmente documentários. Já fiz dois curtas, um documentário e um ficção. Estou finalizando o de ficção.

Aguarrás: quais os projetos para este ano?

Gisela de Castro:
O “Dança” é uma forte parceria. Foi um produto do curso.

Júlio Augusto: Uma pessoa que fez o curso, a Regina Levy, produzia como pessoa física um festival de dança e aí ela me chamou para ser um parceiro dela no primeiro ano. Entrei para cuidar de determinados aspectos da produção. Esse ano eu assumi o projeto pela produtora, e aí a gente entrou também no “Dança em foco”, um festival de vídeo dança que ela desenvolvia há alguns anos.

Aguarrás: Tem como sobreviver sem parcerias em cultura?

Julio Augusto: Existem patrocinadores que são parceiros independente de terem isenção fiscal do patrocínio. Daria para trabalhar, já montei um planejamento de trabalho que, com mais dificuldades e com prazo maior, a gente conseguiria descobrir formas de ganhar dinheiro e sobreviver sem patrocínio, por exemplo. Mas é mais difícil. A parceria vem naturalmente quando você conquista credibilidade, se mostra como uma pessoa que faz coisas legais de uma forma honesta, com base no trabalho. O resultado fala por si. Temos a preocupação com o conteúdo artístico das coisas que a gente faz, a Gisela é a responsável pela qualidade artística. No final das contas, o que interessa é o resultado produto final.

O Aguarrás agradece a atenção de todos os profissionais da Zucca Produções.

 


Ana Carina Santos é jornalista, atriz e produtora teatral. Mestre em Literatura Brasileira pela UFRJ.

Entrevista: Zucca Produções



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