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ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

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05/04/2007

Diana Kacso & Gabriel Panny

Anteontem, 03 de abril de 2007, certamente entrará para a história musical da cidade de São Paulo. Radicada há décadas nos Estados Unidos, a pianista Diana Kacso fez um retorno triunfal aos palcos brasileiros. A grande surpresa foi o fato de estar dividindo a noite do recital, na Faculdade de Artes Santa Marcelina, com seu filho Gabriel Panny, jovem violoncelista de 14 anos.

Diana é a pianista brasileira detentora de maior número de prêmios em Concursos Internacionais de Piano. Destacam-se os primeiros prêmios dos Concursos Tereza Careño e Viña del Mar (Venezuela e Chile), os segundos prêmios nos Concursos de Leeds e Gina Bachauer (Inglaterra e Estados Unidos), assim como o 2º lugar e prêmio medalha de ouro do Concurso Arthur Rubinstein de Israel, sendo que a medalha lhe foi conferida pelo próprio Rubinstein.

Já Gabriel, com a pouca idade que tem, não é mais uma promessa, e sim um fato. Membro do Spectrum Quartet e da Sinfônica Jovem de Nova York, apresenta-se no Carnegie Hall.

Na noite desta terça-feira o duo abriu o programa interpretando a Ãria das Bachianas Brasileiras nº 2 de Villa-Lobos. Esta obra serviu como um aquecimento para o que ainda estava por vir. Em seguida Gabriel interpretou a Suite II de Bach, violoncelo solo. As Suites para violoncelo de Bach são uma das obras mais importantes e difíceis para este instrumento. É raro escutar um Bach interpretado com tamanha autoridade, mais raro ainda é acreditar que o belíssimo e robusto som vem de um rapaz, ainda menino.

A esta altura, a platéia já começava a entender o altíssimo nivel musical com que seria brindada na noite.

Na sequência foi a vez de Diana tocar solo. Há mais 20 anos ela protagonizou um fato inédito: tocou os 12 Estudos Transcendentais de Liszt em um único recital. Haja energia.

Diana Kacso & Gabriel PannyDesta vez, ela interpretou os 4 últimos da série. “Ricordanza” soou com uma plasticidade rara, uma imensa riqueza de toques. “Allegro Molto Agitato” elevou a platéia às alturas, tamanha energia e disposição técnica. “Harmonies du Soir” encontrou na intérprete uma artista à altura. Com seu início que, talvez, soe como um “avant première” do impressionismo, artista – compositor – instrumento pareciam estar em perfeita comunhão. É um estudo especial, de beleza ímpar, e logo o ar impressionista foi dando espaço aos virtuosismos lisztianos, um dos habitats da artista. Para finalizar, “Chasse Neige”, onde a pianista não poupou o uso de todos seus recursos técnicos e sonoros. Resultado: foi ovacionada por uma platéia quase incrédula com o que estava assistindo. A intensidade de Diana é rara, e, se como o próprio título da obra sugere, o fato foi que Diana realmente transcendeu. E como transcendeu…

Retornando após breve intervalo, mãe e filho interpretaram o “Contemplativo” de Villani-Côrtes, belíssima obra, uma pequena jóia musical.

Para terminar a apresentação, mais uma obra de fôlego para o repertório violoncelo/piano: a Sonata em sol menor, op. 19, de Rachmaninoff. Comentar cada movimento seria extenso, mas com a maturidade e garra de Diana, aliadas à juventude e virtuosismo de Gabriel, o recital fechou com chave de ouro.

Merece nota especial a postura de Gabriel que, por sua pouca idade, ainda tem muito chão pela frente. Entretanto, sua juventude não fica em primeiro plano, uma vez que, ao pegar o arco, aos primeiros sons percebemos que é um artista de raro quilate, já enfrentando os palcos com a mesma magia e eficiência dos grandes violoncelistas.

Aos que não puderam comparecer, guardem esses nomes. Ambos ainda reservam grandes surpresas!

 


Marcelo de Alvarenga é pianista erudito.

Diana Kacso & Gabriel Panny



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