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ISSN 1980-7767

ano 5
edição atual: número 26, julho & agosto de 2010

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12/5/2007

José Eduardo Barros

Entrar na UFRJ para ver a exposição do fotógrafo José Eduardo Barros, no seminário sobre a barbárie, pode não ser das tarefas mais simples (eu sempre me perco no Fundão) mas sem dúvida alguma vale o esforço.

As fotografias de José Eduardo Barros são impactantes sem cair no óbvio, sem cheirar a Unicef e, ao mesmo tempo, sem precisar fazer um dramalhão mexicano para emocionar. Este é um equilíbrio muito difícil de conseguir, vocês não imaginam o quanto.

“Sob o cobertor” - fotografia de José Eduardo BarrosComo espectadora, eu gostaria que as fotografias fossem maiores. “Sob o cobertor” fala com muita delicadeza de toda a população marginal, invisível, excluída e coloca sobre ela um olhar doce, colocando em foco o Humano. José Eduardo Barros fala mais do que não é visto em suas composições do que seria possível se trouxesse à mostra o que o cobertor esconde. As fotografias merecem uma exposição maior.

Cada fotógrafo tem a sua linguagem. Sebastião Salgado mostra, com drama. José Eduardo Barros induz, com poesia. É através da poesia (literária ou não) que somos capazes de emocionar. E, apenas através da emoção, conseguiremos reverter este cenário de barbárie em que afundamos.

“Sob o cobertor” - fotografia de José Eduardo BarrosSe, ao invés da fotografia, José Eduardo Barros optasse por uma carreira em música, tenho certeza de que se uniria a Nelson Cavaquinho: Quero ter olhos para ver / A maldade desaparecer.

O mérito do fotógrafo está mais em sua linguagem do que na técnica. E isto é sempre um elogio: técnicas evoluem, mudam, se adaptam, enquanto uma boa linguagem só é possível com o amadurecimento profissional e muita, mas muita, estrada.

 


Carolina Vigna-Marú é a editora do Aguarrás, além de ilustradora, designer e diretora de arte.