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“Valsa nº 6″, de Nelson Rodrigues, no SESC Campos, dias 29 e 30/6, com entrada franca

Valsa nº 6Fragmentos de memórias são evocados em cena: sabe-se que Sônia foi assassinada, aos 15 anos, por seu médico enquanto tocava a “Valsa nº 6″, de Chopin. Sônia era apaixonada por Paulo e sonhava com o dia em que ele beijaria a sua boca. Mas, ao mesmo tempo, ela repudiava o contato físico com qualquer homem. Nelson Rodrigues trabalha a contradição como uma marca da passagem, da transição. Sônia está entre a menina que foi e a mulher que será. Mas a Sônia que se vê em cena, lembrando-se do seu assassinato, também está numa transição entre a vida e a morte. Este é o fio da meada da peça “Valsa nº 6″, atração teatral do SESC Campos dos próximos dias 29 e 30/6, às 20h, com entrada franca. A direção é de Antonio Guedes.

O diretor Guedes tem a carreira identificada com a obra de Nelson Rodrigues: seu espetáculo de maior repercussão foi “A serpente” – que lhe valeu duas indicações para o Prêmio Shell em 1998. Além disso, foi convidado para fazer a apresentação do volume 4 da nova edição de ‘Obras Completas de Nelson Rodrigues’, e participou do seminário ‘Nelson Rodrigues e a cultura brasileira’, realizado no Festival Recife do Teatro Nacional.

Valsa nº 6

A montagem

A atriz Mariana Oliveira possui uma escala de nuances extremamente ampla o que, associado às suas características físicas, permite que esta atriz, de 26 anos, se assemelhe a uma adolescente, tendo, ao mesmo tempo, a experiência e a maturidade necessárias para compreender as camadas de sentidos que tecem este texto.

O espaço terá várias telas que, às vezes, criarão espaços translúcidos e às vezes, delimitarão planos na cena, recortando o espaço. Buscando concretizar a idéia de uma Sônia que se multiplica, trabalha-se com a projeção de sombras, multiplicando, para o público, a imagem da atriz. O monólogo, assim, será, repentinamente, povoado de imagens, criando um movimento que tomará todo o espaço cênico.

“Valsa nº 6″ é uma das peças que instauram a modernidade no teatro brasileiro, propondo uma ruptura com o teatro tradicional. E traz questionamentos fundamentais para o debate a respeito da dramaturgia contemporânea. A dramaturgia vem sendo objeto de estudos, atualmente, no mundo todo e considerada como uma inesgotável variedade de tendências.

Ficha técnica
Direção: ANTONIO GUEDES
Cenário: DORIS ROLLEMBERG
Figurino: MAURO LEITE
Com MARIANA OLIVEIRA

“VALSA Nº 6″
SESC CAMPOS – Rua Alberto Torres 397 – Tel: 22-2725-1209
Dias 29 e 30/6
20h
Classificação 14 anos
Entrada franca

(texto: Paulo Gramado)