Paris, eu te amo
Paris, eu te amo reúne 22 diretores em 20 curtas de 5 minutos em uma homenagem à cidade do amor. As histórias são todas independentes, mas foram editadas de modo que a última cena de uma se encaixe na primeira da outra, dando a idéia de conexão e permitindo que o espectador perceba as mudanças em momentos diferentes. É possível sair de um romance conturbado de um casal cinqüentão e, dobrando o beco, esbarrar em uma vampira apaixonada, ou presenciar uma morte tristíssima e, uma quadra depois, encontrar uma turista perdida no parque, com um sotaque de fazer chorar. Do mesmo modo que enriquece a leitura e a experiência de quem assiste, põe à prova a capacidade dos diretores de impor seu próprio ritmo e ambientação, principalmente se considerarmos que o cenário e o amor não podem variar.
Além das histórias, vale muito a pluralidade das linguagens. Diretores de estilos completamente diferentes tendo que compartilhar um espaço em comum.
Como é possível imaginar, um quebra-cabeça desse tipo dificilmente se encaixa com perfeição. A qualidade dos curtas varia muito. Alguns diretores olham para Paris e deixam seu estilo de lado, outros mantêm firme o estilo e colocam a cidade de pano de fundo e uma boa parte se perde no meio do caminho. Walter Salles não se arrisca muito e segue a linha mensagem social. Seu curta mostra uma imigrante latina que, depois de deixar o filho na creche, vai para o casarão de sua patroa. Os Irmãos Coen continuam firmes na comédia, usando um turista que sofre contratempos no metrô ao não seguir com exatidão que o está escrito no manual de viajantes e encarar um casal de namorados. Gérard Depardieu se arrisca na direção com um diálogo de um velho casal que se reencontra para decidir, finalmente, pela separação. Rolam alfinetadas comentários sobre os namorados mais novo e piadas do tipo. As frases sarcásticas e rápidas fazem em 5 minutos o resumo de uma relação de anos e anos.Vincenzo Natali, autor do cult O Cubo, decidiu explorar com cores de cartoon noir o amor entre um turista e uma vampira fantasmagórica. Um dos pontos altos pela fuga do lugar comum e pelo visual roubado de Sin City. Tom Tykwer volta aos tempos de Lola e conta o amor entre um cego e uma atriz. Com seu jeito particular de dirigir, ele usa cenas aceleradas que voam pelo cotidiano, tirando a imagem do centro das atenções. Bom pela trilha sonora e pelas frases que se repetem com pequenas modificações e alteram todo o rumo dos sentimentos e da história do casal. Gus Van Sant é o único a optar por um romance homossexual e aproveita a diferença entre idiomas para expor problema da comunicação em um relacionamento. Tudo muito rápido, simples, feito em cima de um monólogo, praticamente.
Paris, eu te amo é um filme para se aproveitar aos pedaços. Tirando a média dos altos e baixos, a nota é média mesmo. Se estiver na dúvida, lembre-se de que não é todo dia que um time desses aparece na mesma sessão de cinema. Nas partes ruins, feche os olhos, reflita sobre a continuidade existencial após o caos no aeroporto ou pense no preço da pipoca. Pelo menos em três curtas (um deles desperdiçando Willem Dafoe e Juliete Binoche na mesma tacada) garanto que a dica será útil.
Aqui, a lista dos diretores:
Olivier Assayas (Irma VEP, Demonlover)
Fréderic Auburtin
Emmanuel Benbihy
Gurinder Chadha (Bride and Prejudice)
Irmãos Coen (O Homem que não estava lá, Fargo, Matador de Velhinhas)
Isabel Coixet (My life without me)
Wes Craven (Pânico e A Hora do Pesadelo)
Alfonso Cuarón (Grandes Expectativas, E tua mãe também, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban)
Gérard Depardieu (você certamente já ouviu falar dele)
Christopher Doyle
Richard Laravesese
Vincenzo Natali (O Cubo)
Alexander Payne (Sideways, About Schmidt)
Bruno Podalydès
Walter Salles (Abril Despedaçado, Central do Brasil, Terra Estrangeira)
Oliver Schmitz
Noguhiro Suwa
Tom Tykwer (Perfume, Corra Lola Corra)
Gus van Sant (Last Days, Drugstore Cowboy, Elephant)
Sylvain Chomet (Les Triplettes de Belleville).
Alguns atores:
Bob Hoskins, Elijah Wood (Senhor dos Anéis), Natalie Portman (V de Vingança), Gérad Depardieu, Gena Rowlands, Willem Dafoe (A Sombra do Vampiro, Homem Aranha, O Aviador), Juliete Binoche, Nick Nolte (48 Horas, Hotel Rwanda) , Leonor Watling (Má Educação, Minha mãe gosta de mulheres), Steve Buscemi (Fargo, Big Fish).
Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.


















