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Saneamento Básico – o Filme é uma comédia que critica as políticas sociais e culturais do Brasil. Fala da comunidade de Linha Cristal, uma pequena vila na serra gaúcha, que não agüenta mais sentir o cheiro de esgoto da região. Eles se reúnem para montar a proposta de construção de fossa, com orçamento, prazos e comissão de acompanhamento, que será encaminhada para a prefeitura. Só há um pequeno problema: a prefeitura está sem dinheiro. Não há um centavo para obras de saneamento naquele ano. A única verba disponível é para um projeto de cinema em pequenas cidades patrocinado pelo governo federal.

Os concorrentes precisam filmar um curta de ficção de dez minutos e entregar o vídeo, projeto e roteiro na prefeitura. O vencedor leva R$10.000 de prêmio. Caso ninguém se inscreva no projeto e ganhe o concurso, a verba será devolvida para Brasília. Como todos acham um absurdo devolver dinheiro para Brasília, e a Linha Cristal precisa de verba para construir a fossa, os moradores decidem filmar um curta ecológico para ganhar o prêmio e dar um jeito no esgoto.

Saneamento Básico - fotografia de Fabio Rebelo Saneamento Básico lembra o estilo de Meu tio matou um cara. É uma comédia leve, com clima de sessão da tarde, quase uma peça de teatro, com cenas isoladas que não mantêm o fluxo da narrativa. Não há nada que lembre os trabalhos anteriores de Jorge Furtado, como Houve uma vez dois verões, O homem que copiava ou o curta Ilha das Flores.

A história, simplória demais, deixa a impressão de que só renderia um curta e não um longa. Do mesmo modo que vemos os personagens enrolando nas filmagens para que o curta chegue a dez minutos, nos sentimos enrolados com cada diálogo espremido até a última gota, sem que nenhuma informação relevante seja transmitida.

Falta ainda um pouco de ironia e sarcasmo nas tiradas que deveriam fazer rir. São raros os momentos que ultrapassam a área segura do politicamente correto, a maior parte deles com a personagem de Camila Pitanga. A atriz foi a única a achar o tom certo para a personagem, fugindo do estereótipo de pessoa tacanha que não mora em cidade grande. Apesar das alfinetadas em políticos e piadas sobre o processo de criação, Saneamento Básico não disse a que veio.

O filme conta também com Fernanda Torres, Wagner Moura, Bruno Garcia, Lázaro Ramos e Paulo José, entre outros.