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ISSN 1980-7767

ano 5
edição atual: número 27, setembro & outubro de 2010

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24/9/2007

A Jamaica Brasileira

Há uma falta de verba crônica. Conseguir orçamento é uma jornada de paciência em qualquer área artística no Brasil. No cinema, que tem lá seus custos, a coisa não é diferente e isso fica claro em A Jamaica Brasileira – Parte I, do diretor Gleyser Azevedo. Gleyser dribla as fragilidades encontrando um modo bem-humorado de tratar do tema pretendido: a difusão do Reggae em São Luís do Maranhão.

O curta utiliza depoimentos de donos de radiolas que comandam as festas por lá, tocando reggae a noite inteira com a pista lotada. Há histórias como a de um “DJ” que veio do exterior com tantos discos, mas tantos discos, que a polícia federal não acreditou que fosse coleção pessoal e cobrou uma taxa altíssima de importação. Ou ainda uma crítica à transformação da música em produto, apontando a era digital como o vilão que enfraqueceu a qualidade musical e o romantismo por trás das festas.

Jamaica Brasileira é bem-sucedido ao mostrar a importância do reggae na vida dos habitantes de São Luís e falar do ritmo como uma filosofia de vida, de convivência pacífica e celebração festiva.

O ponto alto fica por conta de Serralheiro, 65 anos, dono de uma das radiolas mais conhecidas do Maranhão. O senhor, que é semi-analfabeto, diverte em cada um dos relatos de busca por músicas novas pelo mundo, incluindo 17 viagens para a Jamaica e 26 pra Londres sem saber falar inglês. Ele confessa, inclusive, que raspava os rótulos dos discos para nenhum concorrente descobrir o que ele estava tocando. Destaque para o relato de Serralheiro perdido na Tower Records porque não conseguia achar a saída. Ele é um personagem vivo e sabe disso, mas acima de tudo, é um amante da boa música.

Jamaica Brasileira levou o prêmio de Melhor Vídeo Maranhense no 28º Festival Guarnicê de Cine e Vídeo 2005. A sessão no Oi Futuro foi a primeira fora de São Luís.

A abertura ficou por conta do Medusa Dreads, grupo de reggae brasileiro do cenário independente que está voltando à ativa. Foi um pocket show de aquecimento para a gravação do dvd e cd ao vivo. Agradou em cheio.

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.