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ISSN 1980-7767

ano 5
edição atual: número 26, julho & agosto de 2010

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24/10/2007

Roseli Ribeiro Moutinho

A OSB Jovem é um projeto da fundação OSB composta por jovens de até 25 anos. É um dos mais importantes investimentos nos jovens talentos musicais. Domingo passado, dia 21, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro assisti o Concerto para Flauta e Orquestra em Sol Maior de Mozart K.313, com a orquestra OSB Jovem e a solista Roseli Ribeiro Moutinho.

Roseli Ribeiro Moutinho, no camarim do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 21 de outubro de 2007Em 2006, eu, Roseli e Paula Martins, também flautista, apresentamos algumas vezes o Trio para Piano e duas Flautas Op.119 de Kuhlau. Naquela época conheci o talento fantástico e a rara musicalidade das duas.

Mozart nunca é fácil. É música nua e pura, desprovida de disfarces ou distrações. É onde o intérprete mais se expõe, uma verdadeira prova de fogo para qualquer musicista.

O que aconteceu no Municipal foi maravilhoso: Roseli mostrou toda sua palheta de timbres, toda a sua gama de dinâmicas, além de musicalidade e fraseado refinados. O acabamento foi perfeito, não havia nada de bruto, impulsivo ou impensado. Ao contrário, tudo foi cuidadosamente polido e lapidado, e o resultado foi assombroso. A cadência do primeiro movimento foi um resumo de tudo: ali Roseli mostrou que não é mais uma estudante, mas sim uma profissional competente. Todos puderam contemplar a dimensão do seu talento incomum.

A orquestra, sob a firme batuta de Marcos Arakaki, esteve a todo momento pronta para acompanhar perfeitamente a solista. A harmonia entre as duas foi essencial para o resultado sonoro obtido. Ficou evidente a concepção clássica de um concerto para solista e orquestra.

A comoção na platéia foi geral: havia os que riam de felicidade, havia os que choravam de emoção, mas uma coisa em especial me chamou a atenção: à minha frente, um senhor de meia idade não se conteve e disse a todos os presentes para que guardassem aquele momento na memória. Aquele momento, para mim, mais do que a realização que vem em reconhecimento a todo o esforço e a dedicação de Roseli, foi o passo inicial de uma carreira brilhante.

Lembrei-me da história de Nelson Freire quando após apresentar-se em um colégio, ainda criança, uma religiosa disse às alunas para guardarem bem aquele momento em suas memórias, pois aquele menino seria amplamente reconhecido no futuro.

Aproveitando o exemplo de Nelson Freire, digo, então, a todos os que foram ao concerto (tendo certeza de que minhas palavras carregam um vaticínio): guardem com carinho a lembrança daquele momento. Roseli é um talento raro, uma imensa promessa. Para ela, desejo sorte e reconhecimento.

 


Pedro Taam é pianista e estudante de Física Médica.