Piano Solo
Acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo o Piano Solo. Sob a direção artística do pianista Eduardo Monteiro, o projeto – pode-se assim chamar – traz ao público carioca e paulistano quatro apresentações da mais alta classe – pode-se assim certamente chamar. A programação está distribuída de forma vairada, eclética de estilos e de compositores, o que sugere uma liberdade íntima dos intérpretes para com seus programas, o que coloca, sem dúvida, um valioso canal através do qual o artista expõe ao público figuras de sua estirpe: o momento de suas carreiras, seus trabalhos, os compositores ou estilos de maior dedicação, seus focos. Não é, portanto, um evento segmentado a este ou a aquele estilo ou compositor, como é muito comum nos grandes eventos e séries. Há os títulos menos conhecidos e os consagrados pelo público.
O Piano Solo se faz em quatro apresentações, na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, no Theatro Municipal de São Paulo e no Espaço Promon, ambos os últimos na capital paulista. A primeira apresentação se deu em outubro trazendo Nelson Freire, um gigante que definitivamente já está na História, e no Panteão, dos grandes músicos deste país.
Como é da característica do evento, abrindo a apresentação do artista principal, será dado ao público a oportunidade de conhecer jovens talentos, destaques preciosos da cena musical emergente. Bela iniciativa.
Ainda haverá três apresentações até dezembro. A próxima, será nos dias 8 e 9 de novembro, respectivamente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Tocará nestes dias a brilhante Diana Kacso, pianista brasileira, erradicada nos EUA, há algum tempo ausente dos palcos locais, e talvez menos conhecida por isso. Diana tem se apresentado em palcos brasileiros há qualquer coisa em torno de um ano e meio. O sucesso tem sido espetacular. Mais que aclamada, Diana tem sido comentada pelo público (efeito sempre difícil de conseguir: é sempre mais fácil arrancar as palmas do que os ecos da platéia, é sempre uma característica dos grandes).
Restam, depois, duas apresentações. A terceira caberá a Cristina Oriz, num programa instigante dedicado a Ravel e Rachmaninoff. A última apresentação ficará a cargo de Eduardo Monteiro, em mais uma de suas imperdíveis apresentações, sempre com um repertório bastante variado, sem jamais perder unidade, num programa verdadeiramente internacional, não apenas estrangeiro.
O projeto é muito positivo, e espera-se confiantemente que não seja apenas pontual. E não falo apenas deste projeto específico falo do público, que deve prestigiar, dos grande artistas que podem se apresentar e de empresários que acertam em apostar em iniciativas de sucesso, em todos os sentidos. Vale registrar que a série Piano Solo faz sinais de que esta possa ser apenas a primeira temporada de muitas. Oxalá.
Há muitos eventos de resgate – como é comum dizer nos círculos culturais – de compositores e estilos. Mas aqui está a oportunidade de fazer um resgate de algo que está no fim e no princípio. É recolocar o público no território fértil das grandes apresentações, à volta dos virtuoses e da excelência musical constante. É, no fundo, resgatar o próprio público. Já não é de hoje que bato nesta tecla. Todos têm a ganhar com isso.
Mais informações sobre o Piano Solo (datas, bilheteria, pianistas, patrocinadores) em: http://www.pianosolo.com.br
Fillipe Trizotto


















