Balada Literária
Aconteceu de 15 a 18 de novembro o Balada Literária 2007, evento idealizado por Marcelino Freire e organizado por ele e Maria Alzira Brum Lemos. Aproveitando o mês da consciência negra, um dos encontros reuniu Ana Paula Maia, Xico Sá, Ferréz e o moçambicano Rogério Manjate para debater a literatura da periferia ou a representação do que é periférico na literatura. Alguns dos comentários:
“A literatura é uma margem entre as artes”, Xico Sá.
“Sempre fui da turma que fez recuperação às terças e quintas”, Ana Paula Maia.
“O país foi construído pelos negros e pelos índios e hoje não há uma dedicação a essas pessoas”, Ferréz.
“Na padaria eu vivia escrevendo, fazia poesia no papel do pão e guardava no bolso”, Ferréz.
“Sou ator. A literatura veio por via do teatro”, Rogério.
“Sim, há uma influência (de Mia Couto). Mas a tarefa dele é escrever, não abrir portas. Ele não tem culpa se deixa os outros na sombra”, Rogério.
“Nunca senti preconceito pela minha literatura”, Ana Paula Maia.
“Falar de literatura é muito difícil. Não é igual ao rock que você pega a guitarra e toca”, Ferréz.
“Na Suíça, foram 15 minutos de aplausos após o espetáculo… e eles não entendiam a língua”, Rogério.
“Eu nunca subi o morro, não falo disso. (Minha literatura) não é urbana, não se passa na favela. Meus personagens estão mais a margem que a margem”, Ana Paula Maia.
“É fácil jogar a culpa nos políticos e esquecer a classe média que é o motor disso tudo”, Ferréz.
“Em Moçambique a reclamação hoje é que não há literatura urbana. Mesmo Mia Couto, que é da cidade, escreve sobre o ambiente rural. O imaginário ainda é todo rural”, Rogério.
“Só lendo muito será possível chegar lá”, Ana Paula Maia (respondendo por que não há escritores de periferia fazendo literatura fantástica).
“- Por isso pedimos, de joelhos pedimos: tirem-nos tudo… mas não nos tirem a vida, não nos levem a música!”, trecho da poesia de Noémia de Sousa lida por Rogério no fim do debate.
A Balada Literária já terminou, mas ainda dá tempo de pegar a Ressaca Literária no dia 8 de dezembro, 17 horas, no Centro Cultural b_arco com Luis Fernando Veríssimo. A entrada é franca.
Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.


















