maguarras16.jpg

maguarras15.jpg

maguarras14.jpg

maguarras13.jpg

maguarras12.jpg

maguarras11.jpg

maguarras10.jpg

maguarras09.jpg

maguarras08.jpg

maguarras07.jpg

maguarras06.jpg

maguarras05.jpg

maguarras04.jpg

maguarras03.jpg

maguarras02.jpg

maguarras01.jpg

 

Sweeney Todd

Antes de ser um filme de Tim Burton ou um filme com Johnny Depp, Sweeney Todd é um musical com dois estilos que caminham paralelos: o humor negro e o romance açucarado. Quem não estiver no clima do gênero vai considerar as músicas irônicas um momento de alívio muito curto e sofrerá com as canções melosas na voz dos atores adolescentes. Por mais depressivo e estranho que tenha ficado o resultado (e isso é um elogio), pense bem neste aspecto antes de comprar o ingresso, afinal a locadora da esquina tem títulos como Big Fish, A lenda do cavaleiro sem cabeça e Noiva Cadáver esperando para serem revistos.

Sweeney Todd A história de Sweeney Todd é simples e irrelevante: Havia um barbeiro lindo e jovem, apaixonado por uma mulher loirinha igualmente bela. Eram um casal de dar inveja, com sua filha recém-nascida no carrinho e um belo sol dourado sobre a cabeça. Tanta beleza atraiu os olhares de um juiz poderoso e sem caráter, que mandou prender o barbeiro para tentar seduzir a pobre mulher. Ela, sozinha com uma filha pequena, resistiu o quanto pôde e não teve lá um final muito feliz. Quinze anos depois, o barbeiro volta para Londres com o pseudônimo Sweeney Todd disposto a se vingar. E que melhor maneira de um barbeiro se vingar do que cortar o pescoço do juiz (ou fazer a barba mais rente de sua vida, nas palavras do personagem)? Ao voltar ao local onde morava sua amada, Todd descobre que ela morreu envenenada depois do juiz desonrá-la. Quem canta essa parte da história é a dona da loja de bolinhos que fica no andar debaixo da casa, uma loja quase fechada, cheia de baratas e poeira, que sofre com o alto preço da carne no mercado. A mulher (Mrs. Lovett - Helena Bonham Carter) convence Todd a se instalar no quarto e voltar a trabalhar até que possa se vingar do juiz. Faz isso cheia de segundas intenções, já que sempre teve uma queda por ele. Como o caminhar da vingança não vai muito bem, Todd se enfurece e decide ampliar seus planos, se vingando de todos os cidadãos londrinos. Todos são culpados e ponto final. É aí que começa o festival de gargantas cortadas que dá graça ao filme, com o sangue de um vermelho plástico esguichando sem parar. Para temperar ainda mais o humor negro, os corpos que Todd degola servem de fonte protéica para a loja de Mrs. Lovett, que volta a fazer sucesso com suas tortas de carne e derruba a concorrência. A música em que os dois analisam que profissões teriam os melhores sabores é de longe a mais interessante do filme.

Com isso já deu até para esquecer que existe uma parte entediante, não? Mas não se preocupe. Estou aqui para ajudar a lembrá-la.

Todd foi recolhido no mar por um garoto chamado Anthony Hope, um marinheiro que também estava indo para Londres. Depois de se despedir do estranho amigo, Hope começa a vagar pela cidade até que pára na janela de uma mansão que mais parece um presídio. Lá na janela, loirinha a cantar como um rouxinol, está Johanna (Jayne Wisener em seu primeiro papel). É claro que Hope se apaixona pelo triste olhar da menina e resolve salvá-la daquela vida terrível. Não por acaso, Johanna é a filha de Todd, que foi adotada pelo juiz Turpin, responsável por toda a desgraça do barbeiro. Hope então terá que driblar o esquema de segurança de Turpin se quiser se encontrar com a princesa encantada. A história dos dois (que não acrescenta nada ao filme) seria indolor se não fossem as musiquinhas. Da décima vez que Hope entoa em agudos o nome de Johanna, o tilintar da navalha de Todd passa de ameaçador a reconfortante.

Sobre os atores.

Apesar do papel sem graça de Hope, Jamie Campbell Bower é o que se sai melhor no musical, com a voz afinada e boa impostação.

Jayne Wisener, infelizmente, segue a linha de atuação “carisma zero”. Ela consegue ter a mesma cara trancada no quarto, cantando, apanhando do bedel ou trancada em um manicômio. E pior, também canta. Como em Hollywood tudo é possível (Keira Knightley foi indicada ao Oscar!), quem sabe Wisener não mostra uma atuação mais inspirada da próxima vez?

Ed Sanders (o garoto Toby), apesar da pouca idade e participação, tem uma ótima atuação. Consegue cantar sem fazer cara de “decorei o texto, gravei no estúdio e agora estou dublando”. Considerando a carga dramática geral de seu papel e de seu último gesto no filme (que supera em muito à do casal adolescente), Sanders começou muito bem a carreira.

Alan Rickman, o juiz Turpin, dispensa comentários. Seja em grandes produções como Harry Potter (ele é o professor Snape) ou em filmes menores como Snow Cake, sua atuação é muito precisa e passa longe de trejeitos estereotipados.

Helena Bonham Carter também vai bem, mas nada que impressione. Apesar da cara de mais do mesmo, ela tem o toque certo de esquisitice que comumente cerca seus papéis no cinema. Sua melhor atuação continua sendo a Ari, de Planeta dos Macacos (lembra que Mark Wahlberg dá um beijo na macaca? É ela!).

Sacha Baron Cohen, o Borat, faz uma participação especial perfeita como um falso barbeiro que concorre com Todd vendendo um tônico para crescer cabelo. É engraçado e trágico na medida, durando o necessário.

Johnny Depp foi indicado ao Oscar de ator principal pelo papel, provavelmente pela dificuldade de interpretar um personagem antipático, vingativo, sem nenhum sentimento no coração ou brilho nos olhos que não o reflexo de suas navalhas. Entre romances, humores e relances, sua história é trágica do início ao fim e Depp se saiu bem nesse padrão diferente de psicopata, mas nada marcante. Depois de três Piratas do Caribe e cinco filmes de Tim Burton, fica a pergunta se não é hora de um novo Donnie Brasco ou O último portal para variar o currículo.

Resumo da ópera (ou do musical no caso): Sweeney Todd é muito mais um filme da equipe do que do diretor. Seu toque especial está na imensa equipe de figurinistas, iluminadores, diretores de fotografia e outras funções técnicas que acompanha o diretor e que no filme roubam a cena. Tim Burton mostrou pouco de sua engenhosidade peculiar e errou ao se prender demais ao roteiro de John Logan. Para efeito de comparação, ele é roteirista de oscarizáveis como O Aviador e Gladiator e de bombas como Morcegos, Star Trek: Nemesis e O último Samurai.

Com orçamento em torno de US$50 milhões, falta pouco para Sweeney Todd ultrapassar a marca de US$100 milhões que define um blockbuster, feito corriqueiro para Tim Burton desde os tempos de Batman.

Sweeney Todd

 

 

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

 

editoria: cine-vídeo, edicao_0011, em 12/2/2008

 

 

 

MinC

 

 

RSS

design © Vigna-Marú

Este site utiliza o AdSense do Google. Clique aqui para saber mais sobre a sua política de privacidade.