Estatísticas de uso de Tecnologias e MDI em EaD no Brasil
Conforme levantado por vários artigos e publicações em Fóruns do setor de TI., sobre a utilização das tecnologias em EaD, várias estatísticas foram registradas tanto pelo Anuário Brasileiro Estatístico de Educação a Distância quanto por artigos publicados na Folha on-line referente ao mesmo assunto. A seguir um compêndio dos dados principais apontados nessas pesquisas.
Há uma estimativa razoável de que ao menos 84,2% do que acontece neste planeta em termos de educação a distância usa como base o material didático impresso (MDI). A educação a distância no Brasil ainda é dominada por esta mídia, geralmente na forma de apostilas, fascículos e livros didáticos distribuídos pelo sistema dos Correios aos alunos de EaD. Isso é o que mostra o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância 2006. Um resumo dos dados levantados pode ser conferido no link.
Atualmente todas as Universidades Federais estão autorizadas ao menos em caráter experimental – por dois anos – para atuar em Educação a Distância superior, por autorização do Ministério da Educação, através da Portaria nº 873, publicada no Diário Oficial da União de 11/04/2006. Predominam os cursos de graduação da área de humanas: direito, administração, pedagogia. A maior parte das instituições utiliza o material impresso como mídia predominante (84%). A internet vem crescendo, e ocupa o segundo lugar, com 63% de instituições que a utilizam em EaD. Verifica-se a predominância da mídia impressa em todos os tipos de ensino oferecidos a distância: 81,3% das instituições com credenciamento federal, que oferecem cursos de nível superior, utilizam o papel, contra 73,4% do e-learning. Já as instituições com autorização em âmbito estadual, com cursos de educação básica e técnica, utilizam a mídia impressa em 93,9% dos casos, ante 39,4% do e-learning.
Dois especialistas (Roberto Palhares e o coordenador do anuário Fábio Sanchez) afirmam que a tendência a curto e médio prazo é o material impresso virar um apoio ao sistema virtual, e isso já está acontecendo. Embora o avanço do aprendizado via internet, dependa, porém do maior acesso ao computador e às conexões de rede no país.

O auxílio mais oferecido como suporte e atendimento aos alunos é o e-mail, com 87%; na seqüência vem o telefone, com 82%; depois se destaca o auxílio do professor presencial, com 76%; e do professor on-line (via chat ou fórum), com 66%. Alternativas como o fax, chegam a 58%; cartas enviadas por correio tradicional chegam a 50%; reuniões presenciais, a 45%; e reuniões virtuais, por último, com 44%. Outros recursos atingem a marca de 23%, de acordo com a Avaliação do Ensino Superior a Distância no Brasil por José Manuel Moran (Disponível em: www.eca.usp.br).
AbuSabha, Peacock e Achterberg (1997) relatam que 55% dos participantes de um curso que utilizava teleconferência como mídia principal, solicitaram que mais material impresso fosse incluído nos próximos cursos, dadas as dificuldades de se reter o conteúdo somente com apresentações em vídeo ou transmissão simultânea.
De acordo com os resultados da pesquisa do IBGE (2006) apenas 16% da população tem acesso a internet, que é a segunda tecnologia de maior abrangência nas iniciativas de EaD. Embora, segundo os levantamentos mais atuais do Gartners Group (publicados pela revista InfoExame e pelo portal IDGnow em Janeiro de 2007) esses 16% representam mais de 10 milhões de computadores conectados à internet de banda larga e mais outros 5 milhões de máquinas com outras modalidades de conexão (por exemplo: conexão discada, rádio, cabo). Entretanto ainda é baixa a presença do computador no país se comparado com outros países mais avançados em termos de adesão à tecnologia, segundo a Pnad 2006 (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios do IBGE, que pode ser conferida no link), apenas 21,5% dos domicílios do país têm computador e desses somente 16% possuem internet. Contra 16,3% de posse de computador em casa e 12,2% de acesso a internet em 2004, o que representa grande crescimento no intervalo de apenas dois anos (2004 para 2006). Estes dados significam que por um bom tempo o MDI para EaD será a principal ferramenta utilizada, mas tenderá a perder terreno para o crescente uso das mídias digitais.
Antigamente, com o advento do microcomputador supunha-se que o volume de papel impresso cairia. Na prática, o que aconteceu foi que o volume cresceu, porque as pessoas estão acostumadas e gostam de ler textos em papel e não no monitor. Concluindo, este levantamento estatístico demonstra a penetração do MDI, sua aceitação e melhor eficiência no transporte de conteúdo aos alunos de EaD, mesmo com o crescimento de novas tecnologias de comunicação sendo aplicadas a este método de ensino.
Observações sobre a produção de MDI para EaD
O planejamento é fundamental na elaboração do MDI, que tem seu início no atendimento dos requisitos base da sustentação de todo o trabalho. Ao produzir o MDI é preciso levar em conta: a promoção dos objetivos do curso; as metas de aprendizagem a serem atingidas com seu estudo; a coerência pedagógica; a apresentação dos conteúdos de maneira clara e bem definida; as atividades de auto-avaliação; as sugestão de leituras complementares etc. Portanto, o planejamento é a primeira e indispensável etapa do processo de criação e produção de material instrucional para EaD.
Um dos problemas encontrados com freqüência nos materiais didáticos, diz respeito ao tratamento dos conteúdos. Muitas vezes não há preocupação em trazê-los para o cotidiano do aluno, levando-o a encontrar dificuldade em relacionar o que está estudando com as questões da sua realidade, seja pessoal ou profissional. O SENAI/RJ (1998) enfoca esse aspecto: “Para o educando, quase sempre o MDI parece falar de outro mundo, longínquo, totalmente afastado daquele onde ele vive, o que o faz perder a noção de aplicabilidade do conhecimento em seu cotidiano – ou seja, se o MDI não for motivante, o aluno não entenderá porque é necessário aquele conhecimento, se nem para que ele serve.”
É importante que os materiais didáticos sejam concebidos levando em conta a aprendizagem significativa, que favoreçam o estabelecimento de relações com as questões cotidianas do aluno. Na EaD, considerando a separação física entre o aluno e o docente, tal cuidado torna-se ainda mais relevante: o processo de ensino/aprendizagem é mediado pelo material didático e este deve trazer os temas abordados para a vida real. De que adianta, por exemplo, tratar teoricamente o tema meio ambiente, sem promover a relação dos conceitos apresentados com o dia-a-dia do aluno? Sem levá-lo a pensar e agir sobre o seu entorno? Sem incentivar a sua ação cidadã? Novas propostas para a educação à distância devem privilegiar a construção do conhecimento pelo aluno e, assim, não podem ignorar a contribuição das pesquisas sobre a forma como aprendemos. Litwin (2001) aborda a questão: “A psicologia cognitiva e suas derivações no campo da didática enfatizaram que as práticas rotineiras, descontextualizadas dos problemas autênticos, dificilmente possibilitam o desenvolvimento da capacidade de reflexão. Trata-se de ensinar problemas reais, e não selecionar para o ensino ‘problemas de mentira’, ‘pedagogizados’, os quais não implicam um desafio para o estudante e este se habitua a resolvê-los aplicando fórmulas prontas. Os problemas autênticos não costumam ter respostas unívocas ou facilmente previsíveis, envolvendo, na maioria dos casos verdadeiros desafios cognitivos.” A linguagem e os conteúdos devem instigar a curiosidade, a experimentação e a ação do aluno sobre as questões que pertencem à sua realidade, ajudando-o a desvendá-la, a entender o mundo a partir daquilo que faz sentido para ele.
Para que o aluno adquira autonomia em seus estudos, o material deve ser bem elaborado, diferenciando-se dos livros tradicionais no que diz respeito às questões de linguagem e do formato de apresentação das informações. A mídia impressa deve ser um veículo utilizado para estabelecer a comunicação entre os professores e alunos. Existe a necessidade de que o material impresso seja bem formulado e redigido em uma linguagem dialogada que, na ausência física do professor, possa garantir um certo grau de compreensão e comprometimento com o estudo. A linguagem coloquial reproduzindo mesmo, em alguns casos, uma conversa entre professor e aluno tornando a leitura leve e motivadora podem contribuir para este comprometimento e estimular a reflexões.
A frase de Isabel Solé, em “O Construtivismo na Sala de Aula”: “(…) se um aluno não conhece o propósito de uma tarefa e não pode relacionar esse propósito às suas próprias necessidades, muito dificilmente poderá realizar aquilo que o estudo envolve em profundidade”; ilustra muito bem a necessidade de contextualização do conteúdo, não só em MDI mas na educação.
Já as questões de design do MDI (o design instrucional), ao contrário do que acreditam alguns artistas pós-modernos, a forma jamais irá se sobrepor ao conteúdo, ou seja, por mais visualmente bem elaborado que seja o MDI, com fundamentações teóricas heterogêneas, proporcionando o contraditório e o embasamento para pesquisas, se o material não levar em conta os aspectos específicos de cada região, de cada assunto abordado, de cada cultura e comunidade, não haverá a potencialização do aproveitamento dos conteúdos, uma vez que o distanciamento e a impossibilidade de realização de analogias entre a teoria e a realidade de cada grupo de pessoas (traduzido nas diferentes formas de agrupamento) pode acabar gerando a ineficácia do MDI.
“Misanchuck (citado por Willis, 1996), sugere uma série de cuidados ao elaborar material impresso para cursos a distância, considerando o estilo do texto, a organização do conteúdo, a diagramação do texto, a inclusão de questões e indicações claras da localização dos itens (sinalização visual). Os indicativos de localização devem estar claros não apenas no que se refere ao material impresso, mas também em relação às demais mídias utilizadas no curso.” Fonte
A elaboração de um MDI é antes de tudo um ato de criação. O material tem que ser atrativo, e desta forma, exige do criador o conhecimento do público alvo: quem é este público, seus hábitos, suas necessidades. Trata-se aqui de uma relação de análise deste público, para que seja atingido o objetivo que se pretender alcançar no projeto pedagógico como um todo.
Pontos positivos da utilização do MDI em EaD
O material impresso é um dos meios mais utilizados em EaD devido à suas características, um grande número de barreiras e requisitos de acesso são eliminados, com isso, pode atender a um público numeroso, disperso e de culturas diferentes.
As principais vantagens do MDI são:
1. Fácil adaptação à complexidade da sociedade moderna;
2. Oferece flexibilidade de espaço, tempo e ritmos de aprendizagem;
3. O aluno é estimulado a se tornar sujeito de sua aprendizagem;
4. Tem abertura a uma diversidade e amplitude de oferta de cursos e, através dos sistemas de distribuição logística, o MDI pode alcançar qualquer local do país ou do mundo;
5. Pode realizar a formação permanente no campo profissional e pessoal, para dar continuidade à formação recebida formalmente;
6. Permite economia na produção em escala;
7. É familiar, razoavelmente compreensível e aceito pelos alunos de diversas partes do país e do mundo;
8. Favorece ao aprendizado autônomo, por ser adaptável ao ritmo dos alunos, permitindo a releitura, a leitura seletiva, o maior ou menor aprofundamento do que se lê;
9. Pode ser “navegado” com facilidade. O acesso aleatório a partes específicas é rápido e conveniente.
10. O MDI oferece independência, pois os alunos não precisam de suporte, equipamento nem assistência para utilizar. Pode ser lido em qualquer lugar e acessado a qualquer momento, permitindo ao aluno maior flexibilidade no acesso ao conteúdo didático;
11. Não requer nenhum horário específico para sua utilização (o aluno não precisa estar em um lugar e hora específicos);
12. Não requer equipamento específico para ser utilizado;
13. Também não requer nenhum treinamento para que seja usado com eficiência;
14. Oferece portabilidade e é facilmente transportável;
15. É um meio “transparente”, permitindo à mensagem ser transmitida sem distração ou interferência da tecnologia de entrega;
16. O material impresso é a tecnologia que os alunos estão mais familiarizados com a linguagem, formato e manuseio;
17. É uma alternativa de baixo custo e de alta durabilidade;
18. A visualização do conteúdo através da mídia impressa estimula a percepção e a cognição. O MDI concentra a atenção do aluno por longos períodos de tempo;
19. Oferece a sequenciação de idéias e conteúdos. Possibilita a transmissão eficiente de grandes quantidades de conteúdo e se integra a outros meios facilmente.
20. De acordo com a elaboração do seu conteúdo o MDI pode estabelecer a Relação teórico-prática, facilitando a compreensão dos conceitos;
21. Permite a reflexão e auto-avaliação do conhecimento.
22. Oferece grande capacidade de armazenamento de informações e aceita toda e qualquer expressão gráfica (imagens, textos, gráficos, diagramação, etc.).
O MDI revela sua importância quando age como ferramenta contra a segregação educacional, uma vez que a possibilidade de utilizar material impresso acarreta em mais liberdade em termos de tempo e espaço. Com a utilização do MDI como uma das muitas ferramentas do ensino à distância, ganhamos todos, pois enriquecemos as formas e ampliamos os conteúdos, como diria Guilherme Orozco, estudioso da recepção humana, “a variedade de meios também enriquece os conteúdos, por mais similares que sejam estes”.
Pontos negativos do uso de MDI em EaD
Embora o MDI seja amplamente difundido e aplicado na EaD, há limitações e desvantagens no seu uso:
1. Logística complexa, tanto para armazenamento quanto para estabelecer a quantidade exata de reproduções, com menor perda;
2. Alta perecibilidade, os conteúdos podem perder a validade facilmente. A vida útil de um material depende também do tema, um curso sobre história ou matemática com certeza poderá ser reeditado e/ou consultado mais vezes do que um material sobre informática ou outra área que esteja em constante mudança;
3. Não oferece possibilidade de manutenção de seu conteúdo, uma vez impresso e encadernado, não há como refazer;
4. O material impresso é pouco interativo. Possibilita apenas a visão de uma dimensão estática, sem o recurso de mostrar com clareza uma seqüência de ações como por exemplo o vídeo;
5. A interação aluno/professor via material impresso não permite respostas imediatas e depende de outras mídias para estabelecer o contato direto entre professores e alunos;
6. A informação é apresentada por meio de uma cadência de leitura (seqüencial) e não é possível ter acesso a ela globalmente, de modo imediato;
7. Intimida um número grande de alunos. Há um número significativo de aprendizes que não sabem fazer uso adequado do material impresso, com dificuldades de interpretação de textos e decodificação da leitura; especialmente, ao que parece, a geração educada assistindo mais à TV do que lendo livros, seja por desinteresse, hábito ou baixa escolaridade;
8. É mais difícil alcançar a motivação para o estudo fazendo uso somente de MDI;
Conclusão
Os dados que comprovam a grande penetração dos impressos revelam a sua eficiência e aceitação do público: educadores e alunos. Mas as mídias digitais podem modificar este quadro rapidamente. Por várias razões:
1. Muitos séculos se passaram até que o material impresso se tornasse tão difundido, enquanto poucas décadas fazem das tecnologias digitais igualmente penetrantes. O que comprova a maior velocidade de adaptação das tecnologias digitais, seu rápido amadurecimento e aceitação.
2. Impressos são comodamente produzidos e oferecidos como principal meio de distribuição de conteúdo em EaD, principalmente pela sua facilidade de criação, produção e distribuição. O custo de se criar um manual didático é um só. Depois é só replicá-lo e distribuí-lo (custo de produção e distribuição são infinitamente menores em relação ao custo de criação). Porém, a mídia digital ainda ganha neste sentido, uma vez que tanto sua criação, produção e distribuição são realizadas em processos mais rápidos e unificados. Por exemplo ao se criar um texto, colocá-lo na internet e informar a seus usuários, se fecha todo o círculo de geração do material.
3. Outro grande ponto negativo do material impresso, que parece ser negligenciado por muitos é o erro do material. Ao se cometer um erro na revisão, na impressão, ou em qualquer etapa de produção, há uma imensa perda material, enquanto que na mídia digital basta refazer e republicar. Seja esta mídia um site de internet, uma comunicação por e-mail, um arquivo para download, um PDF. Assim, o digital reduz consideravelmente os danos causados por erros. A mídia digital nos permite errar enquanto o impresso revela e ressalta nossas falhas.
4. Uma vez que o público de EaD procura um curso nesta modalidade buscando principalmente flexibilidade de tempo/espaço e interatividade, o estudo em livros que podem se defasar e oferecer o conteúdo de maneira estática, pesam em favor da utilização da mídia digital, pois esta não se defasa, ela evolui indefinidamente e abre a comunicação entre todas as partes envolvidas, sem que o aluno tenha que usar duas plataformas para isso (ex.: impresso + telefone, ou impresso + fax, ou impresso + correio, etc.) pode-se estudar e comunicar via mídia digital simultaneamente.
O que leva uma empresa a criar material impresso para distribuir conhecimento (folders, manuais, livretos, etc.)? Trata-se inicialmente de sua estratégia de marketing, em seguida o baixo custo e a escala de produção atraem muitos adeptos, podendo oferecer penetração em um público definido e segmentado, isto no âmbito comercial. Agora, em iniciativas de EaD o impresso é considerado mais eficiente por abranger melhor o conteúdo do curso, oferecer a centralização das informações, tornar o aprendizado didático e ao mesmo tempo autônomo para o aluno seguí-lo de forma linear ou não-linear e ainda permitir alcançar os objetivos com base em um plano de ação que fica nas mãos do estudante. Esta tecnologia ainda é usada por convenção, por ser hábito de estudantes consultarem livros, este hábito se perpetua no estudo a distância.
As seguintes questões básicas são levadas em consideração ao se optar por este material como meio principal de aprendizagem em um curso: objetivos do curso, tipo de conteúdo, hábitos do público alvo e custos operacionais. Os objetivos do curso determinam como e o que abordar no impresso: seu escopo, os assuntos e atividades que vai cobrir. O tipo de conteúdo define se o impresso é mesmo o melhor meio para transmitir as idéias, este conteúdo norteia a produção do impresso, seu design e sua pré-produção (se fotos, ilustrações, diagramas, infográficos, com cor, sem cor, etc.). O estudo do público a que se destina revela os hábitos dos consumidores o que determina a acessibilidade ao material, a melhor linguagem para se comunicar com ele e sua forma de utilização (norteando também a futura divulgação do curso). Já o aporte de verba para implementação de um curso de EaD afeta os custos, que pesam diretamente na qualidade final do produto: em seu acabamento (ex.: se preto e branco ou colorido, o tipo de papel a ser impresso, etc.), no volume de produção e na forma como vai ser distribuído. Todas estas questões pesam consideravelmente no produto final do MDI para EaD.
O impresso é a mídia principal quando o guia dos estudos do conteúdo parte dele. E a partir dele são oferecidas as demais atividades, usando ou não outras tecnologias. Ele pode ser uma mídia secundária quando outra mídia guia o aprendizado e o MDI passa a ser, por exemplo, apenas um caderno de exercícios, um compendia de resumo ou um índice remissivo.
Segundo IBAÑEZ (1990) e SEBASTIÁN RAMOS (1990), apesar das tecnologias de comunicações à disposição hoje no mundo, a maior parte dos cursos de Educação a Distância utiliza o material impresso como principal via de comunicação e de estudo em seus cursos, pois é a ele que o aluno dedica mais tempo e o material escrito ainda supera em muito os demais meios na Educação a Distância. Já no texto de Regina Averbug: “Material didático impresso para EaD – tecendo um novo olhar”, nos diz: “A escolha do(s) recurso(s) didático(s) em educação a distância deve levar em conta que na educação presencial, o material didático é recurso de apoio à ação docente, podendo até ser suprimido; na EaD é o principal canal de comunicação com o aluno, confundindo-se, muitas vezes, com o próprio curso”.
Por fim, para concluir esta análise coloco um trecho do texto de José Manuel Moran: “As mídias na educação” – que pode ser acessado no endereço: link
“As crianças e jovens se acostumaram a se expressar de forma polivalente, utilizando a dramatização, o jogo, a paráfrase, o concreto, a imagem em movimento. A imagem mexe com o imediato, com o palpável. A escola desvaloriza a imagem e essas linguagens como negativas para o conhecimento. Ignora a televisão, o vídeo; exige somente o desenvolvimento da escrita e do raciocínio lógico. É fundamental que a criança aprenda a equilibrar o concreto e o abstrato, a passar da espacialidade e contigüidade visual para o raciocínio seqüencial da lógica falada e escrita. Não se trata de opor os meios de comunicação às técnicas convencionais de educação, mas de integrá-los, de aproximá-los para que a educação seja um processo completo, rico, estimulante. A escola precisa observar o que está acontecendo nos meios de comunicação e mostrá-lo na sala de aula, discutindo-o com os alunos, ajudando-os a que percebam os aspectos positivos e negativos das abordagens sobre cada assunto.” Enfim, o MDI não é a única solução para a EaD, embora seja a mais usada, é preciso experimentar outros recursos tecnológicos.