SOBRE “ABISMO ANHUMAS”
Numerosas gotas chovem onde estou… e não me molho
Conto os pingos e a soma é seca
Não é a chuva soma de seus pingos, suor de nuvens
Uma gota apenas, é pouca coisa ou não
É um lago inteiro, é uma explosão de gotículas suspensas
Desmembrando o discreto, explodindo o unido, somando pingos no transfinito me engajo
Constato que estas operações implicam mudanças de estado, delas e de nós
Fazem sons, alteram a percepção
Faz calor e da amarrotada roupa dispo-me
Nu, passo a ferro dobras e vincos…
da minha pele transpiro um sem número de gotas, chovo-me.
Vou a sala ao lado, nua ou apenas vestida de portas, janelas, quadros
Nela chovem todas as gotas e mesmo assim ela está seca
Não há na sala escoamento, e mesmo assim não transborda
Eu no entanto, transbordo, transpiro a sala chove-se.
Dois
metálicos lacrimários
desconta gotas
uma a uma se juntando em uma só flor
agouro divinatório
unidade improvável, um pingos .
Tunga, 2008
Exposição Abismo Anhumas, Marta Jourdan
17 de abril a 17 de maio 2008Galeria Mercedes Viegas
rua joão borges, 86 gávea rio de janeiro tel/fax 21 22944305
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