Entrevista com Danilo Corci da Mojo Books
01. Para quem ainda não conhece o site, qual a melhor definição de um Mojobook?
Um MOJO Book é uma série de livros digitais que parte da seguinte premissa: “Se um disco fosse literatura, que história contaria?”.
02. E a filosofia por trás da editora Mojobooks? Vocês provavelmente são amantes da boa música…
A MOJO é uma editora 100% embebida em música, mas não só. Somos também amantes da literatura e adoramos cultura pop. A música é, atualmente, nossa diretriz, nos permite viajar em projetos diferenciados e conectar todos que gostam dela. Mas novidades estão chegando…
03. A Internet de certo modo reposicionou a linguagem escrita como representante da comunicação global, papel que era da linguagem falada na era do telefone, rádio e novela. Pensando então em mídias digitais, é possível imaginar que caminho a literatura deve seguir no futuro? Iremos todos ler PDFs no celular?
Ao mesmo tempo em que a literatura tem um desafio gigante pela frente – que é lidar com a oferta gigantesca de interatividade e interligações de diversas mídias –, ainda é possível perceber que existe uma demanda grande pelo texto “escrito”, ou seja, o suporte literário não irá se esgotar, talvez precise de algumas mudanças básicas, mas isso é questão de gerações. Hoje um jovem já não entende um iPod como tecnologia, um iPod é simplesmente um iPod, como para mim uma TV é uma TV, não um treco de tecnologia. E esses jovens chegarão ao mercado de trabalho em breve, tendo outras visões, outras maneiras de pensar, então, é claro, tudo sofrerá algum tipo de mudança. Não dá para prever qual será efetivamente, mas experiências de leitura – e escrita – unindo diversos suportes já pipocam pela internet. E sim, a migração para o celular já é uma realidade, no Japão os keitais são uma febre gerando mais de US$ 100 milhões de lucros. Agora falar se será em PDF é apenas olhar o presente, existem inúmeras tecnologias surgindo, como o Silverlight, da Microsoft, que ainda farão muita diferença no futuro.
04. Quais são os livros da MojoBooks com maior apelo de público? Já dá para eleger um grande hit no catálogo?
Quando não lançado por algum autor já conhecido, os MOJOs seguem a mesma tendência do mercado da música. Os Beatles têm mais apelo que o New Order. O New Order tem mais apelo que Josh Rose e assim por diante. Mas o grande campeão da MOJO até agora é a Pitty, impressionante o sucesso. Na semana de lançamento, foram 20 mil livros baixados. Hoje, quase 8 meses de seu lançamento, já atingiu mais de 80 mil. O bom disso é que, gostando ou não (e o livro tem bastante qualidade), o livro baseado em Anacrônico, escrito pela Carla Mendes, de apenas 18 anos, gerou um boom de propostas de adolescentes, ou seja, até agora já contabilizamos mais de 200 propostas escritas por menores de 18 anos! Acho que nenhum professor de redação de qualquer escola conseguiu um feito tão notável.
05. A literatura costuma ser um alimento constante para o cinema. Acha que as artes deveriam interagir mais de um modo geral?
Este é um caminho sem volta. A palavra da moda é interdisciplinaridade e não à toa. As referências estão todas aí, fazem parte do cotidiano de qualquer artista. Pegue como exemplo Cabeça Tubarão, livro de Steven Hall, lançado pela Companhia das Letras em 2007. O cara faz um texto sensacional, usando a lingüística como base, mas está tudo lá, tem Happy Mondays, Casablanca, internet…
06. E no caminho inverso, consegue pensar em algum livro que mereça virar ou ganhar uma trilha sonora?
Ah, vários! Aliás, a MOJO surgiu disso. Em meados da década de 90, eu e o Ricardo tínhamos uma banda, o Toward the Cathedral (nome retirado de um poema de TS Elliot). Nossa grande brincadeira era traduzir livros para música, então tinha James Joyce, Kafka, Poe, Camus, tudo lá. A banda acabou em 98 e quando pensamos em retomá-la, sugeri fazermos justamente ao contrário, lançar livros baseados em discos. Daí veio a MOJO… Mas particularmente, adoraria ver um Bob Dylan fazer uma versão de Ulisses, do Joyce. Ou os Sex Pistols tocando Clube da Luta, do Chuck Palahniuk.
07. Quais são os passos a seguir para quem quer ser um escritor da Mojobooks?
É não ter medo de escrever. Todos os discos, músicas, vertem em nossas cabeças através de suas séries de significados (no sentido semiótico mesmo). É juntar esse quebra-cabeça imagético e transformá-lo em palavras. Não é tão difícil, vide que temos bastantes histórias já publicadas. É pensar em “romance”, em “conto” mesmo, deixar a criatividade flutuar, vale terror, vale ficção, vale história de amor. Só não vale o “esse disco significa pra mim”. E quem não tem tarimba de escritor pode ficar sossegado, nós aqui da MOJO ajudamos todo mundo a deixar a história o mais profissional e interessante possível.
Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.


















