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ISSN 1980-7767

ano 5
edição atual: número 27, setembro & outubro de 2010

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26/5/2008

Cia. Étnica de Dança

A Cia. Étnica de Dança é uma das mais importantes companhias de dança do Brasil. Sob a batuta da coreógrafa Carmem Luz, apresenta no SESC Copacabana o espetáculo “Danças do Coração”.

O espetáculo em si não é simples, e isso é refletido na estrutura: além da coreógrafa, outras doze pessoas na equipe de pesquisa e criação de movimento. Onze bailarinos.  Mais doze pessoas entre construção e criação do cenário, figurino e dos objetos utilizados.

Toda essa formação foi favorecida por um teatro muito propício em forma de arena.

No cenário inicial, com um coração no centro, foram simulados os movimentos de sístole e diástole, um moto perpétuo.

O cenário seguinte é composto por maçãs que durante a dança aparecem como figuras de poder, tentação e desejo. Numa das formas desse cenário, em formato de coração se organizam em quatro quadrantes, belamente assimétricos, de modo que nos quadrantes inferiores duas figuras femininas e uma masculina e nos superiores um casal, o que demonstra apenas uma pequena parte dos sinais ali descritos.

Com uma linguagem cheia de sinais, ritmos e cores, o espetáculo conseguiu representar muito bem batidas do coração. Sonoras, através de estalos com a boca por um dos integrantes que durou cerca de dez minutos, emocionais dando crescente emoção no público, com respirações ritmadas por outros, palmas organizadas durante o espetáculo, misturados com movimentos que representam as formas do amor e formatos do coração. “Danças do Coração” fala da busca tantalizadora pelo desequilíbrio e unidade. O ponto médio entre o equilíbrio e o desequilíbrio, as representações do amor, da divindade, do desejo. As reações do coração às emoções, como o espelho das alegrias e das angústias do ser humano, traduzidas pela mudança de ritmo, andamento e intensidade de suas batidas.

Na dança o que está bem fundo em nosso inconsciente é revelado, o desejo da realização de um clímax, de resolver as tensões e ao mesmo tempo o desejo de continuar em movimento, de novas tensões, novos desafios.

O espetáculo foi marcado pelas simetrias, sempre representando um quadro de diversidade e complementaridade entre o feminino e o masculino, o carnal e o espiritual, o humano e o divino.

Nas simetrias toda a elaboração da equipe e do cenário contribui para uma crescente simplicidade, onde as indumentárias, as mais simples possíveis. O cenário, cheio de símbolos, espartanamente representados. Os infláveis, cheios de significado, nada mais que  pedaços de plástico.

A Cia. mostrou a interseção do coração físico com o coração espiritual (o amor, o espírito, a essência), e a forma como ao longo da dança os corações dos dançarinos vão se unindo até a forma de que o coração é não um só, mas a união do masculino com o feminino, de Deuses e humanos, de espírito e carne.

Recomendo a todos descobrirem por si só os significados e sinais ali formados e participarem dessa maravilhosa experiência com a Cia. Étnica de Dança.

 


Jessica Almeida é violinista e estudante de música.