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Questões da arte contemporânea, todas lá. Novidades mesmo, poucas. O 12° Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Casa das Rosas, juntou os novos da vez.

Falo do que gosto:

Ana Zveibil no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

Ana Niski Zveibil fez colagens de fotos urbanas com o mérito de, ao se olhar, a integração ser tão grande que a idéia de colagem é uma segunda idéia. A primeira é que aquela confusão de janelas, prédios e as curvas do célebre edifício Copam de Niemeyer são aquilo mesmo que se vê. Então, a sua colagem é uma acentuação sutil. E não um delírio a se apoiar no real para chegar em alguma coisa esquisita, do tipo “essência”.

Juliana Gouveia no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

Juliana Gouveia faz o tradicional uso do PB para emprestar “realismo” a suas fotos. O ponto positivo é que não centraliza, não estetiza muito, só um pouquinho. O cachorro, por exemplo, está cortado.

Francis Farago no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

Francis Farago é outra obra de montagem de pedaços urbanos, como a de Zveibil. Aqui, a montagem não se atém aos quatro limites de um retângulo, saindo para fora, desajeitada, deixando aparente o que é: uma montagem.

Walter Miranda no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

Walter Miranda bate na tecla ecológica, esse engano da arte atual, com sua Réquiem em Gaia. Aqui, o ponto é negativo: a obra brilha, é bem cuidada, gasta recursos que seu conteúdo pede para economizar.

Vitor Mizael no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna Vitor Mizael no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

Vitor Mizael faz uma instalação com uma camisa de enormes braços, cansados, caindo pelo chão da galeria, uma imagem muito boa e, o que gosto, usando ironia. Vi o massacre provocado por atividades profissionais de pouco sentido: todas aquelas que são feitas com camisa social. Mizael fez óleos também, com o mesmo tema. Também gostei do título: Auto-retrato.

Angelita Conte fez a melhor instalação da mostra com seus vultos fugidios, fora de foco, de passantes, a imagem mesmo do nosso olho desatento, sombras que passam, no más. O som que acompanha a série de imagens é também boa: os barulhos de uma rua, os mesmos para os quais também pouca atenção se dá.

Ana Nitzan no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

Ana Nitzan traz a questão de gênero, também uma constante na arte atual, com seu enorme vestido feito de veludo, cabelos. Chama-se Pele do avesso.

Ana Prata no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

Ana Prata pintou um carro e o que se vê da janela frontal de um carro, que é o nada. Já vi iguais mas não me impediu de gostar desse nada específico.

T. Antunes no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

T. Antunes traz uma das poucas presenças tridimensionais da mostra. Chama-se Percepção do passante II, uma escultura suscinta, com algumas áreas em textura, as áreas entrecortadas, fragmentadas, de um todo que é liso, no qual o olho escorrega, sem ver.

Amanda Mei no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna

Amanda Mei pegou portas. O bom, aqui, é que a porta é incrustrada na parede. É a parede que, de repente, vira uma porta que, por ser incrustrada, pouca utilidade tem. Bom.