Aguarras 35 Aguarras 34 Aguarras 33 Aguarras 32 Aguarras 31 Aguarras 30 Aguarras 29 Aguarras 28 Aguarras 27 Aguarras 26 Aguarras 25 Aguarras 24 Aguarras 23 Aguarras 22 Aguarras 21 Aguarras 20 Aguarras 19 Aguarras 18 Aguarras 17 Aguarras 16 Aguarras 15 Aguarras 14 Aguarras 13 Aguarras 12 Aguarras 11 Aguarras 10 Aguarras 09 Aguarras 08 Aguarras 07 Aguarras 06 Aguarras 05 Aguarras 04 Aguarras 03 Aguarras 02 Aguarras 01.jpg

ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

Facebook Twitter RSS
14/08/2008

Minha Mãe é uma Peça

A Elvira diz, sobre stand-up comedy que “se apóia em uma situação muito simples: quanto pior a sociedade, mais papéis o indivíduo tem de desempenhar para viver dentro dela. Desmascarar esses papéis nos faz rir. Rimos quando somos pegos. Tem a ver com constrangimento (nós) ou desfaçatez (as fotos dos jornais)“.

O teatro Miguel Falabella, no Norte Shopping é uma iniciativa interessante: com um auditório maior do que, por exemplo, o teatro do planetário da Gávea, mas ainda assim pequeno o suficiente para que todos os lugares sejam bons, é um dos poucos teatros localizados no subúrbio, com horários e preços convidativos, tanto para estudantes quanto para quem trabalha.

O texto de “Minha Mãe é uma Peça” é um excelente apanhado de lugares comuns e clichês, coisas que toda mãe fala, já falou ou vai falar. E muitas vezes nós -filhos – não sabemos (porque não somos mães, caspita).

Depois de assistir à peça, minha mãe me contou que, tal qual o ator, também fica repetindo frases como “Não vai, ah, ele pensa que vai, mas não vai. Não vai… NÃO VAI!”, sozinha em casa, na falta de alguém com quem brigar.

O ator, que também escreveu o texto, é fantástico. Paulo Gustavo sustenta, sozinho, com pouquíssimos recursos e um só cenário, um monólogo de duas horas sobre os dramas de uma mãe, divorciada, professora do estado aposentada, com dois filhos, uma tia chata, a nova mulher do ex-marido e as vizinhas. Nenhum deles aparece: os conhecemos através da mãe.

Não é uma obra prima em termos de profundidade, mas não se propõe a isso: se propõe a fazer rir, com pequenas coisas que as mães fazem e falam. E não só aos filhos, elas mesmas riem a beirar o escândalo. A frase mais sussurrada entre o público foi “É assim mesmo!”, com as variantes “Caraca, a minha mãe é assim!”, ou, mais raro “Caraca, eu falei isso hoje mesmo!”.

Devo dizer que saí do teatro uns vinte quilos mais leve, embora com uma leve – e agradabilíssima -  dor no abdôme.

 


Pedro Taam é pianista, graduando em Física Médica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e editor do Aguarrás.

Minha Mãe é uma Peça



tags:


artigos relacionados