007 – Quantum of Solace
Essa é uma resenha curta, porque chega um ponto em que é impossível dissecar certos filmes para falar algo novo, e o repetido você encontra por aí, basta usar o Google. Talvez o mais interessante de Quantum of Solace, o novo filme de James Bond, seja o fato de ele ser uma continuação direta do anterior e deixar pontas soltas para os próximos. Se falarem que você não precisa ver o primeiro para entender esse, não acredite. Existe, claro, uma história independente dentro da trama maior. Investigando os responsáveis pela morte de Vesper (Eva Green) em Cassino Royal, James Bond (Daniel Craig) esbarra com um defensor do meio ambiente picareta que na verdade é peça de um grande esquema global de manipulação de governos e caça de fontes de energia e futuros potes de ouro.
Os olhos se voltam para a América Latina. Para quem é de fora deve ter um sabor exótico. Aquele papo de influência dos Estados Unidos nas eleições, Cia corrupta, escolha do presidente e/ou ditador que convém no momento. Para quem é daqui, tudo soa velho. Aturamos Evo Morales e Hugo Chávez, o tempo inteiro, problema atrás de problema, conversinha mole em todos os pronunciamentos. Com vizinhos assim, qual a graça de ver Mathieu Amalric fazendo papel de homem que pode tudo? Seria muito mais assustador ver o presidente do Paraguai pulando de bungee jumping na usina de Itaipu gritando “a energia é nossa, aha, uhu”.
Mas não quero passar a idéia de que não gostei do filme. Na verdade gosto de 007 desde que reiniciaram a franquia. Saiu o circo, entrou tanta sobriedade quanto possível. Daniel Craig é bom ator o suficiente para ir do cínico ao soturno sem perder a pose e 90% do atrativo é esse. A ucraniana Olga Kurylenko (vulgo Bond Girl) é morena o suficiente para se passar por latino-americana que perdeu a família de uma forma cruel que não me lembro qual. Geralmente personagens fortes latinos perdem a família ou dizimada por doença ou assassinada pela gangue rival. Não muda muito.
Tem também a Judi Dench, como a M., claro. É o tipo de atriz que qualquer participação especial já vale um ingresso. Menos em Crônicas de Riddick, por favor, que mau gosto tem limite. Giancarlo Giannini também é um excelente ator canastrão. Parei de dizer que ele valia um ingresso depois que vi Piazza delle cinque lune, passem longe.
O diretor é o Marc Foster, de Mais estranho que a ficção, Em busca da Terra do Nunca e o Caçador de Pipas, esse último adaptação do Best-seller que nem li nem vi. Dos outros dois gosto bastante. São filmes meio estranhos, caminham entre o real e o imaginário, uma boa bagagem para se levar para Quantum of Solace.
Os roteiristas merecem um parágrafo também. Robert Wade e Neal Purvis escreveram Die another day e The world is not enough, e ajudaram também em Cassino Royal. Paul Haggis escreveu Cassino Royal, Cartas a Iwo Jima, Crash, Garota de ouro, A conquista da honra. Tem 2 Oscars na coleção e mais 30 prêmios. É uma boa combinação. Talvez por isso o filme não seja para dumbs. Não repete a informação duas vezes. Quem entendeu ótimo, quem não entendeu vê de novo.
Ah. Tem as cenas de ação. Excelentes. Muito sangue. Muita briga. Cenários de toda parte do mundo. Fotografia caprichada. O James Bond levou aquele papo de licença para matar a sério demais, está meio enfezado, bate em todo mundo que vê pela frente. Dizem no filme que ele não dorme desde que a Vesper morreu. Se é verdade, a maquiagem para olheira deve ser muito boa.
Diz-se que o orçamento estimado do filme é de US$225 milhões. Em uma semana Quantum of Solace arrecadou US$188 milhões. Para efeitos de comparação, Cassino Royal, que é muito melhor, custou US$150 milhões e arrecadou US$594 milhões de bilheteria total. Parece que o salário de alguém teve um aumento considerável.
Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.







































