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ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

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15/11/2008

Qual o seu vazio?

Quando nos deparamos com a idéia de arte nos confrontamos com a herança do que é aquilo que nomeamos como sendo arte. A idéia romântica adotada pelos pintores e herdada pela comunidade, não dão conta de todos os desenvolvimentos que aconteceram e acontecem de forma vigorosa em nosso tempo.

Teremos, como meros espectadores, a capacidade de discernir entre um fato e outro?

Que tipo de arte nos estabelece um contato maior?

Aquela que nos atinge no âmago, ao percebermos elementos que ativam os gatilhos de nossa percepção, transformando as imagens em formas capazes de serem digeridas, e essa digestão se estabelece pelo desenvolvimento do observador.

Volto ao ponto do observador, mas nos trabalhos sobre o vazio são fundamentais os conhecimentos prévios em uma pequena sentença:

O que percebo é diferente daquilo que você percebe, e aquilo que eu imagino que você perceba não corresponde à realidade que eu percebo, e depende de todas as suas vivências, dessa forma sou incapaz de concluir o que é a percepção.

Maurice de Merleau-Ponty, foi extremamente mais coerente ao escrever o resultado de minha divagação acima. Mas posso resumir que tudo o que percebemos depende de nossa observação, do que existe e daquilo que entendemos individualmente.

A compreensão não parte então da idéia de algo?

Do espaço como algo que se toma emprestado para uso e comodidade do olho?

Sim, mas seria pequeno imaginar que o vazio como forma de representação não contém mais que a ausência de uma idéia.

O vazio não se afasta da idéia, não compreende o nada, o nada é a ausência de algo que nunca sequer esteve, é a ausência de algo que se tornou ele mesmo: Vazio.

O desejo, a idéia, a cor, a forma, tudo pode ser vazio, e ao ser vazio contempla tudo.

Estranho imaginar tudo em algo vazio?

Mas esse algo é delimitado, pelo olhar e pela intenção do observador, que como escrevi observa e percebe de forma individual. O meu vazio nunca será a ausência de algo, mas o vazio de algo que ali poderia estar. É apenas uma ausência? Não se ausente de uma observação mais incontida, observe sua própria herança e perceba nela o seu vazio.

Qual o seu vazio?

Não seria essa a questão aqui?


fotografia: Yves Klein. Saut dans le vide (Salto no Vazio), 1960.

 


Alan Cichela

Qual o seu vazio?



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