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A arte é uma forma de alimentar a alma.

Existem algumas linhas de pensamento que dizem que para se ver a arte em toda sua plenitude é necessário estar alimentado fisicamente para poder digerir e apreciar cada nuance do ver-arte. Outras tentam justificar que a sensação de “ausência” não apenas colabora, como amplifica a sensação do ver.

Estaria então o observador preparado para o ato de ver?

Não podemos deixar de interpretar que o ver depende do ser, e como tal depende da constituição do mesmo.

É independente da arte a questão do ser, é independente do ser a questão da arte.

Arte é um conceito que ultrapassa a questão do ser. Como vida, morte, arte.

Anteriormente explanei sobre o vazio. Que é a ausência de algo que nunca sequer esteve.

Existe a idéia, existe a arte. E existiu Platão.

Temos a idéia. Algo que abrange nosso ser, em níveis de alta performance do pensamento superior, inato e abstrato. A idéia é a perfeição. A idéia é a primeira coisa que o artista perde ao lançar-se em seu trabalho, seja ele abstrato ou figurativo. A questão da idéia é tão contemporânea, afinal transmitir uma idéia é estar saltando em campo livre, alcançando qualquer observador e levando apenas a idéia.

A idéia é a arte perfeita, sem máculas, prejuízos ou trabalho, é a capacidade de transmitir algo sem precisar explicar em pormenores, é a beleza pura e simples de algo que pode ser alcançado por qualquer um, em qualquer lugar, porque intimamente ele também esteve nesse lugar, ele ainda está, ele nunca irá sair. Ali ele observa a melhor das obras de arte e ela não lhe é estranha, pelo contrário, ela é sua. Nada pode mudar o que é a arte em terreno que é apenas arte. Na idéia não existe ausência, a idéia é tudo, ela não afasta a idéia de ser, está na arte porque a arte é a suprema idéia do ser. Enquanto o alimento suporta o ser físico a arte alimenta o ser espiritual.

Se o vazio é a ausência de algo que nunca sequer esteve, a idéia é algo que nunca se ausentará, pois parte dela toda criação.

A melhor forma de se entender uma idéia, o conceito, é imaginar o melhor doce de sua infância.

Aquele insuperável.

Aquele que se derrete. Que transmite cada sensação única e intransferível a cada sentido. Você pode ter outras lembranças do doce, mas a idéia, aquele sentimento, aquele estar bem, a saciedade que ele produz, a saliva, o cheiro, o gosto, é insuperável. Porque ele é a sua idéia de doce. A sua, e apenas a sua. E por que isso acontece?

Porque é apenas uma lembrança. Lembranças são como idéias. Fazemos com elas à mesma coisa quando usamos um fato para aconselhar outros, nos limpamos todas as coisas ruins que tivemos que passar para chegar aquele momento, mudamos alguns fatos, colocamo-nos como heróis, “limpamos nossa barra”, esquecemos dos vacilos, lembramos apenas da sensação irrecuperável, do momento sublime de ter em nosso poder algo que superava qualquer outra coisa no mundo.

A idéia é isso. Mas sem a parte de limpeza. Pois ela vem antes disso.

A idéia é apenas a idéia.

One Trackback/Pingback

  1. By Novo artigo! « Alan Cichela on 09 Dec 2008 at 4:37 pm

    [...] Aguarrás [...]