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ISSN 1980-7767

ano 5
edição atual: número 24, março & abril de 2010

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13/3/2009

O Santo e a Porca

Que a cultura brasileira é bastante diversificada, todos sabemos. São costumes da região sul que diferem dos da região nordeste. Tradições nortistas pouco conhecidas no sudeste. E por aí vai… Mas o que há de comum a todas essas regiões culturais do Brasil é a língua. Todos falamos português e conseguimos nos entender muito bem!

Aí entra, então, a aplicação dessa língua. São vários os tipos de linguagem e inúmeros os meios de comunicação. Assim, o norte se aproxima do sul, o sudeste do nordeste e do centro-oeste. Mesmo sem nunca ter estado no sertão nordestino, conheço o clima, as dificuldades, as pessoas, os costumes. Graças aos jornais, à literatura, ao teatro, ao cinema, já estive lá sem nunca ter saído de casa.

O Santo e a PorcaOntem mesmo estive no sertão. Conheci pessoas muito espirituosas, um senhor avarento e um rapaz tortinho que me fez rir demais! Contaram-me uma história que eu já conhecia, mas só no papel. Pois a tiraram do papel e encenaram tudo, deram vida ao que eu já tinha lido e o fizeram de forma primorosa!

Quem quiser ver ou rever essa história não precisa ir até o nordeste. Bastar virar a esquina e entrar no Teatro Villa-Lobos, em Copacabana (RJ). Lá estarão Élcio Romar, Gláucia Rodrigues, Armando Babaioff, Marcio Ricciardi, Nilvan Santos, Duaia Assumpção e Janaína Prado, todos prontos para recebê-los com O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna, dirigido por João Fonseca.

Ahhhh… Mas o texto já estava pronto! E um texto do Suassuna não tem como ficar ruim. Ahhhh, tem sim! Tem gente que consegue estragar até pizza!

Mas não foi o caso. A peça foi um espetáculo! Não sou de dar risadas gratuitamente. Acho que as pessoas (eu!!!) têm o péssimo hábito de associar o gênero comédia a peças que discutem relações conjugais e outros assuntos cotidianos usando gírias e expressões moderninhas, fazendo apelos sexuais excessivos, essas coisas. Deve ser por causa do grande número de peças que usa esses recursos, achando que assim ficarão engraçadas. Fiquei traumatizada. Mas a peça As centenárias veio amenizar meus problemas. Peça que, vale lembrar, também aborda essas tradições nordestinas. E agora, com O Santo e a Porca, sinto estar curada.

O jeito de falar dos personagens, o clima nordestino no cenário, na música, no figurino, tudo isso partindo de um texto bem escrito por um dos maiores dramaturgos brasileiros, tudo bem pensado, dirigido e encenado. Isso faz a gente pensar que a cultura popular nordestina, quando bem trabalhada, dá muito pano pra manga. E não é qualquer pano, não… É tafetá, linho, seda!

O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna.
Direção de João Fonseca.
Realização Limite 151 Cia. Artística.
Reestréia no Teatro Villa-Lobos – Av. Princesa Isabel, 440.

 


Juliana Porto Fontes é formada em Letras pela UFRJ, com especialização em Literatura Brasileira e mestrado em Estudos de Literatura, ambos pela PUC-Rio.