Sempre Vale a Pena
Cada vez que vou ao teatro me dou conta do infinito número de atores e atrizes que procura mostrar seu talento pelos palcos da cidade. São milhares de peças simultaneamente em cartaz no Rio de Janeiro, compostas por artistas que, na maior parte das vezes, ainda não conheço. Quero dizer que poucas vezes conheço o trabalho anterior desses artistas. O que não é mau… Para tudo há uma primeira vez, e o bom da primeira vez é que as comparações perdem espaço para a neutralidade, para a imparcialidade.
Em cartaz até o dia 21 de maio de 2009, no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, a peça Sempre Vale a Pena, dirigida por Márcio Vieira, produzida e escrita por Maria Fernanda Gurgel, conta com as atuações de Flávio Carriço, Carla Pompilio, Ângela Britto e Windemberg Melo, atores que ilustram muito bem o quadro que esbocei, do grande número de artistas de teatro que, por não contarem com um veÃculo de comunicação tão poderoso como a TV, têm menos facilidade em tornar seus nomes conhecidos. Mas com talento tudo se consegue, e hoje tive a agradável surpresa de conhecer quatro talentosos atores com um grande potencial, que souberam muito bem como trabalhar o texto a seu favor.
A peça é composta por cinco quadros independentes, ligados apenas pela temática, que diz respeito à s relações humanas, sejam elas amorosas, sejam elas familiares, etc. Um desses quadros, que certamente merece destaque, relata os distúrbios da vida a dois, a difÃcil convivência de um casal perturbado por… roncos! Pode parecer bobo, mas a comicidade do esquete está justamente na simplicidade do tema. É como a série de filmes Pantera cor-de-rosa ou até mesmo Chaves, que consegue arrancar risadas das coisas mais ingênuas. Os atores se saem muito bem e colaboram com o texto, que pede atuações mais caricatas e divertidas, beirando o infantil, mas muito, muito longe do ridÃculo! Tão longe que nem sei o porquê de eu ter citado essa palavra.
Evidenciando o que tem de melhor no texto de Maria Fernando Gurgel e neles mesmos, é fácil perceber que a veia cômica desses atores está pulsante, em pleno vapor. O destaque do segundo quadro fica também por conta do equilÃbrio no tempo de duração. Nem curta e superficial, nem longa e cansativa. Simplesmente na conta. Tomando-o como modelo, os outros esquetes poderiam ser mais enxutos, o que não comprometeria o desenvolvimento das histórias e diminuiria a sensação de “não acaba nunca!!”, que por vezes invade nossos pensamentos.
O encarte da peça aponta quatro atores no elenco, mas, durante o espetáculo, surge um personagem, que interpreta um porteiro em um dos esquetes. Por algum motivo, o nome deste rapaz não aparece no folheto, provavelmente por erro de digitação, porque se ele é alguma espécie de auxiliar de palco ou um contra-regra que fez uma ponta, já está contratado para os próximos espetáculos!
Sempre vale a pena!
Texto e produção: Maria Fernanda Gurgel
Direção: Márcio Vieira
Cenografia: Derô Martins
Figurino: Jerry Fernando
Iluminação: Jorge Raibot
Teatro Ipanema
Rua Prudente de Morais, 824 CEP 22420-040
Telefone (021) 2523-9794
Juliana Porto Fontes é formada em Letras pela UFRJ, com especialização em Literatura Brasileira e mestrado em Estudos de Literatura, ambos pela PUC-Rio.



































