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ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

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11/05/2009

Entrevista com Carol Bensimon

01. Para começar, queria que você falasse um pouco do Pó de Parede e como você foi parar na Não Editora.

Eu estava com o Pó de parede quase pronto quando recebi uma bolsa da Funarte para escrever o Sinuca embaixo d’água. E eu queria muito que o Pó de parede fosse meu primeiro livro. Não faria sentido publicá-lo depois do romance, eu acho. Entrei em contato com a Não Editora porque já conhecia o Antônio Xerxenesky, um dos sócios. Os livros eram bonitos, eu poderia me envolver no processo (escolha da capa, essas coisas) e lançá-lo em pouco tempo. Enfim. Pareceu um bom jeito de começar.
Mesmo tendo sido lançado por uma editora pequena do sul do país, o livro teve uma ótima repercussão: resenhas bem positivas em jornais e revistas, mas também gente comentando em seus blogs, e outros me mandando e-mails elogiando, ou então querendo saber como comprá-lo.

02. Na época em que resenhei o Pó de Parede, uma característica marcante foi o seu cuidado com a estrutura narrativa. Nada está lá por acaso. Como você chegou nesse ‘formato’ de escrita? Foi instintivo ou você decidiu que era um caminho a seguir, foi lá e fez?

Acredito que um livro não pode ter acasos. É claro que, durante o processo de escrita, o autor pode sim ir descobrindo coisas e, enfim, ver que detalhes surgem do processo, ou que caminhos antes descartados, ou simplesmente não percebidos, podem ser interessantes. Quanto ao produto final, esse tem que ser um todo coerente.
Geralmente, faço muitas anotações antes de começar a escrever. Sobre os personagens, os lugares, a trama. Tenho uma crença, talvez boba, de que não posso começar a escrever se eu não estiver já muito segura em relação ao que quero contar, e por que quero contar. Sempre acho que vou arruinar toda a ideia se eu correr para o computador. E, bom, o resultado disso é que eu não descarto muita coisa do que escrevo. O que acontece é eu reescrever o texto muitas e muitas vezes, mudando palavras, ordem de frases, pontuação, ou mesmo adicionando elementos. Mas sei de gente que escreve dez páginas para aproveitar uma. É um outro método.

03. Já dá para saber como a vivência na França influenciará seu trabalho e que tipo de ecos trará?

Ainda não está bem claro. O que eu sei é que muitas coisas estão mudando em mim, não há dúvida, e que então isso deve respingar de alguma maneira no meu trabalho. Ah, posso adiantar também que meu terceiro livro vai se passar em Paris. A história não está totalmente definida, mas já tenho alguns contornos dos protagonistas, e sobretudo a atmosfera que quero dar ao romance.

04. É comum que se diga que o mercado de literatura contemporânea brasileira não existe ou está estagnado. Como você vê essa situação?

Não concordo com isso. Há coisas acontecendo e autores surgindo, dentro das possibilidades de um país que, bem, é pobre, e que portanto tem índices vergonhosos de leitura. Ainda assim, há pessoas que podem ler e que querem ler. É claro que a maioria delas não vai optar por autores contemporâneos, porque certamente é mais seguro ler os consagrados. De qualquer forma, os consagrados passaram pela mesma situação: já foram novos autores. E a literatura é lenta, muito lenta.
Por último, digo que eu, pessoalmente, não posso reclamar muito. Vou publicar meu segundo livro por uma grande editora, a Companhia das Letras, o que significa que fui, de certa maneira, absorvida pelo mercado.

05. Você tem uma boa presença na rede, com site e blog. Acha que em algum momento a Internet mudará a literatura como a mp3 mudou a indústria musical?

Acho que já está mudando, porque é a porta de entrada para muitos novos autores. O consumo da literatura também muda, uma vez que você pode comprar livros de qualquer parte do mundo e etc. Mas você disse bem: o mp3 não mudou a música em si, mas a indústria musical. Com a literatura, deve ser parecido, mas mais lento (repito que a literatura é lenta) e mais discreto (condizente com a importância que ela tem na vida da maioria das pessoas).

06. Poderia antecipar algo sobre o próximo livro? Será o Sinuca embaixo d’água?

Sim, será. Sai em setembro desse ano. Vou estar no Brasil para lançá-lo.
Sinuca embaixo d’água é um romance, meu primeiro romance. É uma história na qual se alternam três narradores principais, e mais alguns que fazem rápidas aparições. No centro de tudo, está a morte de uma menina de vinte e poucos anos, Antônia, num acidente de carro. Todos os personagens foram afetados por esse episódio, em maior ou menor grau, e agora precisam lidar com isso. Há o melhor amigo dela, Bernardo, que tenta entender a noite do acidente. O irmão de Antônia, Camilo, que é um cara cuja grande diversão é fazer farra e mexer em carros velhos. E Polaco, dono de um bar, que, através da morte da Antônia, vai ter que reviver algumas questões do seu passado.

 


Eric Novello é escritor e roteirista, formado no Instituto brasileiro de audiovisual - Escola de cinema Darcy Ribeiro.

Entrevista com Carol Bensimon



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