O espetáculo “Psycho“, em cartaz no FESTLIP 2009, é interpretado pelas atrizes Lucilene Mota e Milanka Vera Cruz, da Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde – Cidade de Mindelo).
“Psycho” é um texto de Valódia Monteiro, tem a direção de Herlandson Lima Duarte e, como está na sinopse, trata-se de uma peça que “vive de expressão corporal e da aquilo que o corpo juntamente com a voz pode transmitir”. Tive a oportunidade de assistir outra peça de Cabo Verde, ano passado, no mesmo FESTLIP, e notei que a expressão corporal também era bem marcante. Porém, isto pode ter sido apenas coincidência.
O cenário de “Psycho“, que simula o espaço de um quintal, é composto basicamente por uma escada, dois portais, um cubo vazado, uma bacia e uma corda, e o figuro é composto por malhas que permitem a expressão corporal proposta na sinopse.
Aparentemente uma personagem é o complemento da outra, pelo menos, suas falas são complementares. A interpretação é graciosa e as atrizes se entrelaçam, se misturam, dando a entender que podem ser também o desdobramento uma da outra. Interagem com a platéia e nessa interação parecem querer despertar certa maldade nos espectadores, mostrando que talvez as pessoas ali presentes tenham algum lado obscuro. No fundo, querem compartilhar conosco essa fobia que sentem em relação aos outros seres humanos. Uma delas diz que conhece as pessoas, sabe quem é quem e, justamente esse excesso de conhecimento, gera essa repugnância. Se soubessem menos, talvez conseguissem conviver em sociedade.
As personagens demonstram ojeriza por outros homens, representada principalmente pela aversão ao sexo. Outro momento marcante é quando dizem que o que as angustia são as pessoas sentadas, vendo outras sofrerem, não fazerem nada, e quando dizem que um louco é um ser julgado diferente por ver a mais, por ver além.
São personagens prenhas de sofrimento que dão voz a um texto aflito. De forma geral, é uma montagem interessante que ganhou muito com a interpretação das atrizes. O texto, que trata de fobias, é bom e tem uma sonoridade especial graças ao sotaque caboverdiano, o que o transforma numa bela melodia. Essa leitura aflita, bem de acordo com o tom do texto, é ótima e a expressão corporal é habilmente conseguida.
Texto e Concepção: Valódia Monteiro
Direção e Encenação: Herlandson Lima Duarte
Companhia de Teatro Solaris: fundada em agosto de 2004, por iniciativa de um grupo de jovens recém formados no IX Curso de Iniciação Teatral no Centro Cultural Português do Mindelo / ICA. È dirigida pelo jovem encenador Herlandson Lima Duarte.
Elenco: Lucilene Mota e Milanka Vera Cruz
Cenografia: Herlandson Lima Duarte e Nuno Costa
Figurino: Lucilene Costa e Milanka Vera Cruz
Iluminação: Edson Fortes