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ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

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13/07/2009

Cortiços

O Brasil foi muito bem representado no FESTLIP 2009 pela Cia de Teatro Luna Lunera (Brasil – Belo Horizonte). O espetáculo “Cortiços”, baseado na obra O Cortiço de Aluísio Azevedo, é uma ótima leitura feita pela Cia. Luna Lunera e Tuca Pinheiro, com a direção do mesmo Tuca Pinheiro, responsável também pela maravilhosa trilha sonora.

A sinopse diz o seguinte: “Estalagem São Romão: naquele chão encharcado, naquela umidade quente e lodosa, um aglomerado pulsante de gente. O espetáculo recorta a obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, para dela extrair corpos, garrafas e líquidos que atravessam os inúmeros cômodos da alma do homem em seu estado bruto.” Porém, a peça foi muito mais do que isso.

É um espetáculo bem popular, com referências bem brasileiras. As letras das músicas se encaixam perfeitamente no texto. O cenário é composto por um tablado de madeira em cima do palco, um pouco acima do chão, cercado por garrafas pets, cheias de líquido, ou de sabão, por todos os lados, uma escada, um quadro negro e uma tina com água corrente. Este cenário, somado ao barulho da água, à ótima iluminação e à música, formaram o ambiente perfeito para que os atores começassem o show. O texto um pouco desconexo diz mais do que um texto perfeitamente coeso. Há também cenas lindíssimas, como, por exemplo, do ato amoroso entre Bertoleza e João Romão, que foi brilhantemente representada.

São cinco atores: duas mulheres (Débora Vieira e Júlia Guimarães) e três homens (Cláudio Dias, Marcelo Souza e Silva e Rômulo Braga), que fazem interpretações majestosas e apresentam uma ótima expressão corporal. Eles são várias personagens de destaque e são também as lavadeiras. Esses cinco atores parecem uma multidão em cena, estão sempre presentes no palco e ocupados, a maior parte do tempo trocando as garrafas de lugar, o que da uma movimentação impressionante à peça, ou em conversas paralelas que não atrapalham em nada a atuação principal, pelo contrário, dão justamente o clima confuso apropriado. Destaco o ator que interpretou Bertoleza e Rita Baiana. Todos são ótimos, mas ele foi incrível. Destaco também o ator que interpretou Jerônimo, também muito bom.

Iluminação boa, interpretações ótimas, trilha sonora perfeita. Só tenho elogios. Eu estava um pouco ansiosa para saber quem estava nos representando. Não assisti a outra companhia brasileira, mas fiquei tranqüila depois que assisti a esse espetáculo. Tenho certeza que nossos irmãos de língua foram embora com uma ótima impressão.


Texto original: Aluísio Azevedo

Concepção: Cia. Luna Lunera e Tuca Pinheiro

Direção: Tuca Pinheiro

Cia. Luna Lunera (Brasil – Belo Horizonte) é composta por atores formados pelo Curso de Teatro do CEFAR – Centro de Formação Artística do Palácio das Artes. Constitui-se oficialmente em 2001 e já recebeu vários prêmios.

Elenco: Cláudio Dias, Débora Vieira, Júlia Guimarães, Marcelo Souza e Silva e Rômulo Braga.

Assistência Dramatúrgica: Zé Walter Albinati, Odilon Esteves e Marcelo Souza e Silva.

Treinamento Corporal: Tuca Pinheiro

Preparação Vocal: Helena Mauro

Oficina de Samba: Juliana Macedo

Cenografia: OSLA Arquitetura – Ed Andrade

Cenário: Artes Cênicas Produções – Joaquim Pereira

Figurino: Juliana Macedo

Iluminação: Felipe Cosse e Juliano Coelho

Trilha Sonora: Tuca Pinheiro

 


Jarcélen Ribeiro é formada em Letras pela UFRJ, com especialização em Literatura Brasileira e mestrado em Estudos de Literatura, ambos pela PUC-Rio.

Cortiços



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