Os Difamantes
Os Difamantes, texto de Martha Mendonça e Nelito Fernandes, com direção de Ernesto Piccolo, traz o problema da qualidade dos programas televisivos e questiona os atributos das celebridades instantâneas.
Beatriz e Maurício, representados por Maria Clara Gueiros e Emílio Orciollo Netto, nos mostram como o tédio de um casamento pode torna-se inspiração. O Pillow Talk Show: mais um programa ruim na televisão que tem sucesso garantido.
Maurício fica obcecado pela chance de ficar famoso. Bia ainda consegue ser mais resistente. No fim, decidem não entrar para esse mundo e percebem que não há aventura mais louca do que o próprio casamento.
A peça não trata apenas de questões ligadas às celebridades, são narradas também histórias de relacionamentos e detalhes do comportamento de homens e mulheres, apontando a graça do cotidiano. O público se identifica com o texto e ri não somente dos atores, mas de si mesmo.
Ver as reclamações do casal é realmente cômico. A TPM de Beatriz é absurdamente engraçada, por exemplo. Ou a leitura comentada da revista Caras, com suas manchetes que nada dizem.
Os atores parecem se divertir muito durante o espetáculo. A troca entre os dois é ótima. Eles, mesmo depois de algum tempo em cartaz, ainda conseguem rir das piadas e deles próprios.
Maria Clara Gueiros é hilária. Capaz de contar a piada sobre português mais antiga e nos fazer rir. Já sabia que ela tinha habilidade para comédia, mas é mais do que isso. Eu poderia falar muito sobre ela, porém, reconheço que para a peça ser tão boa contou com o talento de todos os envolvidos.
Atores habilidosos e um texto agradável geraram um ótimo resultado. Receita simples, mas que, devido aos múltiplos acertos, conseguiu construir uma peça de qualidade.
Texto: Martha Mendonça e Nelito Fernandes
Direção: Ernesto Piccolo
Elenco: Maria Clara Gueiros e Emilio Orciollo Netto
Temporada: Até 20 de dezembro.
Teatro dos Grandes Atores. Shopping Barra Square. Rio de Janeiro.
O Bem do Mar
Estreou no Teatro do Leblon, sala Fernanda Montenegro, Rio de Janeiro, neste último dia 15, o musical “O Bem do Mar”, com direção de Antonio De Bonis. São 14 atores em cena e 7 músicos interpretando 68 músicas de Dorival Caymmi.
Em “O Bem do Mar”, procura-se levar ao palco elementos das letras de Caymmi, compondo cenas tipicamente baianas e mostrando com competência a cultura brasileira cantada por Dorival, em que o cotidiano servia de inspiração para as suas composições, retratando tudo com simplicidade e talento bem peculiares.
São 120 minutos de espetáculo, com 10 minutos de intervalo. Ao que deram a denominação de Bloco I – Lembranças, se comparado aos demais blocos, não é muito convidativo. Porém, nas outras partes (Bloco II – Copacabana By Night, Anos 50 e Bloco III – Histórias de Pescadores), o espetáculo melhora consideravelmente.
As músicas, muitas vezes compondo um pout-pourri, são bem interpretadas, a movimentação no palco também é interessante e, tranqüilamente, nos transportam para a Bahia de Dorival Caymmi. Destaco o bom jogo de luzes e os probleminhas no áudio, que, provavelmente, serão corrigidos para as próximas apresentações.
Os atores cantam e dançam bem. Algumas vozes, inclusive, são graciosas e há partes muito boas do musical que, com certeza, se destacam. De modo geral, não é um espetáculo impecável, mas realiza bem a proposta.
Bom. Um bom espetáculo. Tudo dentro do esperado, mas nada de surpreendente.
Músicas: Dorival Caymmi
Concepção e Direção: Antonio De Bonis
Roteiro: Antonio De Bonis e Douglas Dwight
Direção Musical e Arranjos Vocais: Ricardo Rente
Elenco: Ana Velloso; Dandara Mariana; Daúde; Dério Chagas; Fábio Ventura; Fael Mondego; Flavia Santana; Gabriel Tavares; Izabella Bicalho; Lilian Valeska; Marcelo Capobiango; Marcelo Vianna; Patrícia Costa e Thiago Thomé.
Músicos: Alfredo Machado, violão; Rodrigo Villa, contrabaixo; Fernando Pereira, bateria; Firmino, percussão; Flávia Chagas, violoncelo; Luiz Flavio Alcofra, violão e Ricardo Rente, sopros.
Temporada: até 20 de dezembro.
Por um fio
Assisti ontem, dia 23 de julho, no Teatro SESC Ginástico, a estréia no Rio de Janeiro de “Por um fio”, peça baseada no livro, com o mesmo título, do médico Drauzio Varella. Os atores Rodolfo Vaz e Regina Braga, esposa de Drauzio, narraram, como é explicado previamente na sinopse, onze das histórias contadas no livro pelo médico, com a direção de Moacir Chaves. (more…)
Cortiços
O Brasil foi muito bem representado no FESTLIP 2009 pela Cia de Teatro Luna Lunera (Brasil – Belo Horizonte). O espetáculo “Cortiços”, baseado na obra O Cortiço de Aluísio Azevedo, é uma ótima leitura feita pela Cia. Luna Lunera e Tuca Pinheiro, com a direção do mesmo Tuca Pinheiro, responsável também pela maravilhosa trilha sonora. (more…)
O Homem Ideal
O espetáculo “O Homem Ideal” trazido ao FESTLIP 2009 pelo Grupo M’Bêu (Moçambique – Maputo), tem texto e direção de Evaristo Abreu e as atuações de Yolanda Fumo, Isabel Jorge e Eliot Alex. (more…)
Lindos Dias
A Cia Teatral Primeiros Sintomas (Portugal – Lisboa) trouxe para a segunda edição do FESTLIP, sob a direção de Bruno Bravo, “Lindos Dias” (Happy Days), um texto de Samuel Beckett reconhecido pela dificuldade de leitura teatral e foi isso mesmo que aconteceu: vimos a dificuldade da montagem desse texto. Aparentemente a Companhia caiu na própria armadilha. Uma pena. (more…)
Mar me quer
A Cia TIJAC (Moçambique, Maputo / Ilha da Reunião), está se apresentando no FESTLIP 2ª Edição com um texto do Mia Couto. O espetáculo chama-se “Mar me quer” e conta com a direção Mickael Fontaine e as ótimas interpretações de Branquinho Adelino, Graça Silva, Leonardo Nhavoto e Zango Candido Salomão. (more…)
Psycho
O espetáculo “Psycho“, em cartaz no FESTLIP 2009, é interpretado pelas atrizes Lucilene Mota e Milanka Vera Cruz, da Companhia de Teatro Solaris (Cabo Verde – Cidade de Mindelo). (more…)
Sobreviver em Tarrafal
Este ano, o Grupo de Teatro Horizonte Nzinga Bandi (Angola- Luanda), participa do FESTLIP com a peça “Sobreviver em Tarrafal“. Um texto de Antônio Jacinto, com direção de David Enoque Caracol e Adelino Caracol. (more…)
Por que você não disse que me amava?
Estreou no Rio, neste dia 5 de junho, a peça “Por que você não disse que me amava?”, texto de Vera Karam, com atuações de Cristina Pereira e Rafael Ponzi e direção de Paulo Betti.
Uma mesa, duas cadeiras, um pôster com a imagem dos noivos no casamento, galhos e troncos secos, assim como o relacionamento do casal que terá sua história contada – ou será a falta de história? – é o cenário que ambienta a peça. (more…)
Rock’n’roll
A peça “Rock’n'roll”, do premiado Tom Stoppard, começou uma nova temporada no Teatro Villa Lobos, no Rio de Janeiro, até 26 de julho. A montagem é dirigida por Felipe Vidal e Tato Consorti e no elenco estão Otávio Augusto, Thiago Fragoso, Gisele Fróes e Bianca Comparato, entre outros.
Nesse espetáculo temos o recurso do vídeo, apropriado e muito utilizado ultimamente, a combinação de sombras e a sobreposição de imagens. O cenário, de Sergio Marimba, é muito prático, mas não muito atraente. As cenas são intercaladas pelos vídeos e ganham muito com a iluminação de Tomás Ribas. (more…)
Clownssicos
“Clownssicos”, em cartaz no Teatro Nelson Rodrigues até 3 de maio, é um espetáculo da Cia do Giro e tem a direção e roteiro de Daniela Carmona. São seis atores em cena, num cenário simples, mas funcional, composto basicamente por três cortinas e dois painéis. Várias peças de roupas, uma sobre as outras, compõem o figurino e, claro, narizes de palhaço. (more…)
Renato Russo, o musical
Está em cartaz no Teatro Miguel Falabella, no Norte Shopping, até 1º de março, o musical Renato Russo. Se eu não me engano, essa peça estreou aqui no Rio em 2006, entrou em turnê nacional e tem sido um grande sucesso desde então. Bom que tenha vindo para a Zona Norte do Rio. É uma ótima oportunidade para quem está procurando momentos de entretenimento com qualidade.
O musical-monólogo, que tem direção de Mauro Mendonça Filho – prêmio Shell de Melhor Direção -, é uma adaptação do livro Renato Russo, o trovador solitário, do jornalista Arthur Dapieve, feita por Daniela Pereira de Carvalho.
A interpretação fica por conta do ator Bruce Gomlevsky, que tem uma impressionante presença de palco, atua e canta muitíssimo bem. Acompanhado da banda Arte Profana, Bruce executa ao vivo as belas canções de Renato Russo e nos faz relembrar, com um bom texto, os momentos marcantes da trajetória artística e pessoal do cantor.
A figura marcante de Renato é habilmente recomposta pelo ator. Para mim, que não tive a sorte de assistir a um show da Legião Urbana, foi um ótimo momento. Só as músicas já valeriam a pena, mas somadas àquela bela atuação resultou num espetáculo absolutamente perfeito.
O cenário retrata o palco de um show e em segundo plano vemos uma espécie de estúdio onde fica a banda ou são projetas imagens diversas que ajudam a compor as cenas. Isso somado a um excelente jogo de luzes.
Tudo é muito articulado. Um show começa, mas um problema no som impede seu andamento, fazendo Renato tomar a iniciativa de entreter o público falando da sua vida. Seus gostos, suas preocupações, seus sonhos, são narrados e intercalados com as músicas. E nada melhor do que a letra de suas músicas para demonstrar suas inquietações.
Várias fases da sua vida são encenadas. A fase da adolescência em que conviveu com uma rara doença óssea, a epifisiólise, que o manteve preso à cadeira de rodas. O álbum dos Beatles que mudou sua vida – aliás, ele teve ótimos ídolos que o inspiraram e seu gosto literário é impressionante. A fase mais metaleira que viveu em Brasília. A escolha do nome da primeira banda – Aborto Elétrico. As drogas. A rebeldia adolescente. Sua sexualidade. Seus problemas com a bebida. O fim do Aborto Elétrico, por ser um músico incompreendido. A opção de seguir carreira solo. A escolha de seu nome artístico. O momento em que sentiu falta de uma banda. E a partir daí já sabemos o resultado: o início da Legião Urbana.
A convivência com o sucesso, a solidão, a falta de um amor, sua posição política, o problema num show que o leva a perceber a vontade de sair do país, a viagem a Nova York, o encontro de um grande amor, as drogas injetáveis, o Renato apaixonado que canta em italiano, a volta ao Brasil. O episódio em que assume a paternidade de Juliano, após a morte da mãe do bebê, que despertou também sua vontade de assumir publicamente a homossexualidade. Sua relação com os pais, a ida para o hospital, a descoberta da doença que o levou a morte e, por tratar-se de uma doença terminal, o tempo que teve para se despedir. Mas essa despedida não é dramática, é poética. Tudo muito bem realizado.
Enfim, muitas fases foram representadas. As letras das músicas se encaixaram perfeitamente no texto. Foram seu complemento e direção também. Renato Russo fez dos momentos de dor inspiração para belas músicas e de suas preocupações conteúdo para outras tantas. Uma pena que não esteja mais por aqui. Ele poderia não resolver nossos problemas, mas com certeza continuaria a fazer ótimas músicas sobre a nossa caótica situação.
Não posso deixar de comentar também a participação da platéia em vários momentos. É uma peça convidativa, todos ficam à vontade para participar, cantar, bater palmas. Muito bom mesmo.
Trata-se simplesmente de uma peça impecável que vale a pena ser assistida.
Texto: Daniela Pereira de Carvalho
Direção: Mauro Mendonça Filho
Encenação: Bruce Gomlevsky
Direção musical: Marcelo Afonso Neves
Participação: Banda Arte Profana
Teatro Miguel Falabella – Norte Shopping
Av. Dom Helder Câmara, 5332 – loja 3805
De quinta à sábado às 21h e domingos às 20h
Tel: 2595-8245 / 2597-4452
Hotel Lancaster
Está em cartaz, até 27 de novembro, na Sala Multiuso do Espaço Sesc, em Copacabana, Hotel Lancaster, que não é apenas uma peça sobre drogas, usuários e traficantes, mas um texto sobre o drama dos dependentes químicos, capazes de tudo para sustentar seus vícios, de quem lucra com esse vício e sobre as relações humanas, tão modificadas por esse drama. (more…)
Outras palavras
Outras palavras (Otras palabras), primeiro livro de Diana Araújo Pereira, editado pela 7Letras, nos é apresentado numa bela edição bilíngüe, diferente das que costumo encontrar, em que as traduções aparecem ao lado da versão original. Aqui, não. O formato do livro lembra um dicionário bilíngüe português/espanhol e é convidativo desde o formato, de 18cm por 14cm. O livro não tem contra-capa, são duas capas, uma com o título em português, outra em espanhol, em posição invertida, ambas com a imagem “O poeta / xamã”, de Bené Fonteles. Talvez fosse mais interessante que a parte em espanhol acompanhasse a inversão da capa. Porém, a organização se dá apenas em ordem inversa, o último poema em português é o primeiro em espanhol e essa disposição se mantém até o fim. (more…)
Os Estonianos
A Cia. Casa de Jorge, formada por Ana Kutner, Julia Spadaccini e Jorge Caetano, estréia seu segundo espetáculo, Os Estonianos, no Teatro de Arena do Espaço SESC, em Copacabana, e fica em cartaz até nove de novembro. O texto é de Julia Spadaccini e a direção de Jorge Caetano. No elenco estão Ana Kutner (Marília), Jorge Caetano (Pedro), Thais Tedesco (Lívia), Pedro Henrique Monteiro (Fred) e Ana Baird (Suely). (more…)
O funcionário e a música
Zé Al – José Alberto Salgado – trabalha com música em práticas diversas e também em áreas acadêmicas. É professor e pesquisador da Escola de Música – UFRJ. Publicou poemas e letras em A Fumaça do Caipira, pela 7Letras, em 1997, e composições musicais no cd Zarpar. Agora, em 2008, também pela 7Letras, volta a publicar poesias com o livro O funcionário e a música – com capa dele mesmo. (more…)
Rumor da Casa
A poetisa Telma Scherer, autora também de Desconjunto, Mestre em Literatura Comparada pela UFRGS, publicou esse ano, pela 7Letras, Rumor da Casa. A casa de Telma Scherer é o espaço da tessitura da sua escrita. A poetisa tece os poemas – “Nessa casa há porão e nem saída, / e as agulhas ainda dançam na minha mão.” – como a personagem do livro Vó Elza tece a vida. O lápis, ou algo do gênero, é a sua agulha e o fazer poético é intimamente ligado ao rumor: “Penetram-me / palavras / mais que todas / no pulso / sons / sobre muros / de silêncio / e olho / sons / sobre o mundo / e dentro: / dentro de mim / há o soco / do som”. (more…)
objeto algum
objeto algum, de Rodrigo Guimarães, publicado pela 7letras, recebeu agora em 2008, junto com Érico Nogueira - O Livro de Scardanelli, o Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura, na categoria Poesia. O psicólogo Rodrigo Guimarães, mestre em Psicologia Social e doutor em Literatura Comparada, é poeta e ensaísta. Publicou na área de Psicologia Social os livros Ação e vida e Aids: olhares plurais. Em poesia, publicou Olhares, Vestindo águas (menção honrosa no concurso Redescoberta da Literatura Brasileira) e Celacanto (Prêmio Nacional Vereda Literária Uni-BH). Atualmente, é pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). (more…)
De sombras e vilas
De sombras e vilas, publicado pela 7letras, é o primeiro livro de Cláudio Neves. O texto da contra-capa é do conceituado Marco Lucchesi e o prefácio, em que há uma clara explicação sobre a métrica dos poemas, é do Paulo Henriques Britto. Cláudio Neves nos proporciona sua escrita pela primeira vez em um livro, mas já é um autor premiado e tem alguns poemas publicados em revistas, jornais e antologias. Além de poeta, é ficcionista, ensaísta e crítico literário. Trabalhou como ilustrador e redator em agências de propaganda e, atualmente, atua no magistério. (more…)
Cordélia Brasil
A peça ‘Cordélia Brasil’ (re)estreou ontem no Espaço SESC Arena, em Copacabana, onde ficará em cartaz até 12 de outubro. Trata-se de um texto de Antônio Bivar, escrito no final dos anos 1960. Essa montagem tem a direção de Gilberto Gawronski e o elenco é composto por Maria Padilha, Cadu Fávero e George Sauma. (more…)
Ele Precisa Começar
Assisti a estréia de ‘Ele Precisa Começar’, com o ator Felipe Rocha, que está começando como autor e dividindo a direção com Alex Cassal. Já vi alguns espetáculos na sala Multiuso do Espaço SESC, mas nunca a tinha visto tão bem aproveitada. Dividiram a platéia em quatro blocos de cadeiras, sendo que a segunda fileira foi posta em um tablado possibilitando uma visibilidade perfeita de qualquer lugar escolhido. O cenário foi composto de forma que algumas cadeiras da platéia ficassem dispostas entre os objetos cenográficos. O ambiente é basicamente formado por mesinhas, abajures, luminárias que pediam do teto, uma secretária com um laptop, peças de roupas pelo chão e várias xícaras de café espalhadas. O som – a trilha sonora é do próprio Felipe – e as luzes – a iluminação é de Tomas Ribas – são controlados pelo ator enquanto encena. Tudo bem articulando já insinuando o tom da peça. (more…)
A Soma de Nós
A Soma de Nós, em cartaz até cinco de outubro no Teatro Vannucci, é uma adaptação, feita por Flávio Marinho, do texto “The sum of us“, do autor australiano David Stevens.
Num cenário que imita uma casa antiga precisando de reformas é representada a história que gira em torno da personagem Henrique. Viúvo desde que o filho era pequeno, Henrique é um pai amoroso e compreensivo, que tem prazer em dividir o lar com seu filho, Jeff, um jovem assumidamente gay. O dia-a-dia de pai e filho é retratado com a máxima normalidade, é uma rotina comum. O pai logo no início nos explica que o filho é gay, os dois aceitaram isso de forma natural e continuaram vivendo juntos, que seria puro preconceito se agisse de outra forma, pois Jeff é um ótimo rapaz, trabalhador e seu melhor amigo. O diálogo entre os dois é inacreditavelmente aberto. Falam de tudo. Como amigos da mesma idade. Não há cobranças, não há barreiras. São confidentes um do outro.
TPM – Terapia Para Mulheres
Está em cartaz até 2 de novembro, no Teatro Cândido Mendes, a nova comédia da Palco Cia de Teatro, “TPM – Terapia Para Mulheres”, que faz parte da trilogia de Paula Giannini, junto com as peças “Casal TPM”, em cartaz em São Paulo, e “Tratamento para Machos”, ainda inédito. (more…)
Lampadário
Em Lampadário, a poeta carioca Denise Emmer, faz uma sinfonia abordando temas diversos. São poemas reluzentes. Ela, sem dúvida, usa a língua portuguesa a seu favor. Transforma luz em verbo, e faz dele poesia. As sensações que trazem, permanecem no leitor. Se a luz tem som, os sons são parecidos com estes poemas. (more…)
Ensina-me a viver
Essa adaptação do texto de Colin Higgins não tinha como dar errado. Texto bom, equipe boa: peça boa. Glória Menezes dispensa comentários. E não concordo que seja um texto sobre uma história de amor improvável. Qualquer um se apaixonaria por Maude. Improvável é ver algo provável ser tão bem explorado. O bom é ver uma montagem com qualidade, que, além do esperado, ainda arruma tempo para surpreender.
Aquarelas do Ary
Está em cartaz no teatro Maison de France o musical Aquarelas do Ary, sobre a vida e obra de Ary Barroso. O texto de Marcos França, com direção de Joana Lebreiro, é estrelado pelo próprio Marcos, pela graciosa Claudia Ventura e por Alexandre Dantas.
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Sonhos de uma noite de São João
O espetáculo, a céu aberto, Sonhos de uma noite de São João, inspirado na peça Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare, foi uma boa surpresa. Adaptado e dirigido por Anderson Cunha, e com supervisão de Paulo Betti, a peça simplesmente pegou a essência da história de Shakespeare e a transportou para a nossa cultura das Festas Juninas – nisso incluo todas as festinhas caipiras, julhinas, agostinas etc. Sabe aquela historinha interpretada numa boa quadrilha junina? Só que, desta vez, foi uma história baseada na de William que foi encenada. Simples, mas inacreditavelmente bem feito. (more…)
Cine-Teatro Limite
Assisti, no Teatro Glória, à comédia Cine-Teatro Limite, de Pedro Brício. A história é ambientada no ano de 1944, portanto, durante a Segunda Guerra Mundial, na cidade do Rio de Janeiro. A peça começa, com as cortinas ainda cerradas, com a fala de uma espécie de narrador ou apresentador. Ele se apresenta e diz que é o protagonista de sua própria história. E, a partir, de um questionamento – “O que acontece com nossas memórias quando a gente morre?” – inicia-se o desenrolar da trama.
Uma geral no Festlip
O Rio de Janeiro foi palco, entre os dias 4 e 15 de junho, da 1ª edição do FESTLIP – Festival de Teatro da Língua Portuguesa. Evento produzido pela Talu Produções, que reuniu grupos de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Brasil.
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As Filhas De Nora
O grupo moçambicano Mutumbela Gogo trouxe ao Festlip o espetáculo As Filhas da Nora, uma adaptação do texto “Casa de Bonecas”, do norueguês Henrik Ibsen, feita pelo sueco Henning Mankell – “que faz uma leitura a partir da experiência moçambicana. No texto original, a protagonista Nora abandona o marido e suas três filhas ao descobrir que sempre fora tratada como uma boneca, e não como uma mulher. É um escândalo para a sociedade. A versão de Mutumbela Gogo trata das filhas que foram deixadas pela mãe. O que terá acontecido com elas? A partir desta questão, são debatidas as contradições e relações de afeto entre os indivíduos.”
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Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada
O grupo Etu-Lene apresentou-se no Festlip com o espetáculo “Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada”, no Espaço Sesc Sala Multiuso – apenas com um pano branco ao fundo compondo o cenário. Trata-se da história de um ancião que persuadiu seu filho, Caetano, a não se casar com Celina, e sim com Madó, uma menina que lhe parece a nora ideal, porque o trata muito bem. Katy-Ngotè investiu tudo na formação do único filho e, como uma espécie de gratidão por esse ato, se vê no direito de interferir na vida afetiva de Caetano – “Me orgulha ter um filho que toma as decisões conforme a minha vontade”.
Caetano mantém um relacionamento com as duas moças concomitantemente e seu pai acompanha os romances de perto, faz interferências, comentários – como quando Celina vira as costas e ele a insulta de várias formas. É gentil em sua presença, mas na ausência é bem crítico. Dando, com isso, um tom cômico à peça.
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Mulheres com H maiúsculo
Na Sala Multiuso do Espaço SESC, o grupo de teatro moçambicano Gungu, apresentou o espetáculo Mulheres com H maiúsculo, que se propõe a abordar a discussão dos papéis do homem e da mulher na sociedade.
Realmente trata-se um espaço multiuso. No início, senti falta do palco, ou, pelo menos um tablado removível. Para ter a certeza que se tratava apenas de uma primeira impressão, não quis me sentar na primeira fileira de cadeiras. Quis ter a real noção de que a ausência de um palco não seria um problema para uma humilde espectadora de 1,63 cm de altura. Não foi. Umas chegadinhas para os lados deram conta desse problema de visualização e a sala se revelou um ótimo espaço.
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Luto Clandestino
A peça Luto Clandestino, de Jacinto Lucas Pires, representada no calçadão de Copacabana pelo grupo português O Bando, é uma experiência teatral inesquecível.
Adquirimos os ingressos na bilheteria do SESC da Domingos Ferreira e nos juntamos ao grupo da Festlip, reunido na calçada, junto aos prédios, entre a Santa Clara e a Figueiredo Magalhães. Trocamos nossos documentos de identidade por MP3 Playeres e começamos a entender como iremos participar do espetáculo.
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O doido e a morte
Infelizmente não conheço esse texto de Raul Brandão, mas, pelo menos, posso afirmar que a peça cumpre o que propõe na sinopse: “o texto trata de dois personagens: um político poderoso e um homem que adentra seu gabinete com uma bomba de grande impacto embaixo do braço. Uma representação da revolta de um indivíduo perante a crueldade, a incongruência e a degradação do mundo moderno.”
Diante de um cenário simples, mas que ganha vida com o jogo de luzes, uma platéia bem agitada, composta por vários adolescentes, acredito que em excursão escolar, assistiu a segunda apresentação, no Festlip, do espetáculo O doido e a morte, no confortável, e desta vez barulhento, Teatro SESC Ginástico.
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Côncavo e Convexo
Representada por um casal do grupo teatral angolano Henrique Artes, a peça Côncavo e Convexo emociona. São 50 minutos que comovem. Impossível não partilhar do drama das personagens e da cidade de Luanda.
De forma surpreendente o texto aborda a situação política, econômica e social da capital de Angola. Como nos revela a sinopse, trata-se de “uma obra recheada de drama, pois, a reflexão e a nota dominante do espetáculo é a utilização de signos através de velas, latas vazias de cervejas, baldes coloridos, mobílias velhas e cansadas. Os signos estão à espera do público que se propõe a ser a vítima desse espetáculo.” Boa sinopse, pois sabemos exatamente o que nos espera: seremos vítima de um drama. Quem passou os olhos nela, não entrou desavisado.
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Dom Quixote das Ilhas & Duas Sem Três
No Espaço SESC Arena, assisti duas performances consecutivas do dramaturgo e músico caboverdiano Mário Lúcio Sousa, executadas por integrantes da Companhia de Teatro e Dança Contemporânea Raiz di Polon, também de Cabo Verde.
A peça Dom Quixote das Ilhas se propõe a uma leitura do original de Miguel de Cervantes sob uma perspectiva regional. O Dom Quixote em questão surge, com muito barulho, da sucata de uma espécie de carrinho de algum brinquedo de parque de diversão. Ao bater na lataria ele parece estar rompendo a casca de um ovo e nascer diante a platéia, ou despertar de um sono que só vai embora após a lavagem do rosto.
Unindo balé, uma dança bem expressiva, uma sonoplastia chamativa, um belo jogo de luzes e música, o bailarino move-se pela arena, rasga textos que se encontram espalhados pelo chão e cobre as costas com um livro, agasalhando-se com a palavra, elemento que ganha destaque no espetáculo. (more…)































