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	<title>Aguarras &#187; Juliana Porto Fontes</title>
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		<title>Abuela Grillo, Anima Mundi 2010</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jul 2010 23:11:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0026]]></category>
		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras26.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0026" /><br/>A edição 2010 do Anima Mundi estreou no Rio de Janeiro no dia 16 de julho. Hoje, passados quatro dias, resolvi assistir às novidades da animação nacional e internacional, aproveitando que em dia de semana tudo fica mais vazio e tranqüilo. As duas primeiras sessões em cartaz no Unibanco Arteplex eram Panorama 7 e Panorama [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras26.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0026" /><br/><p>A edição 2010 do <a  title="Anima Mundi" href="http://www.animamundi.com.br/" target="_blank">Anima Mundi</a> estreou no Rio de Janeiro no dia 16 de julho. Hoje, passados quatro dias, resolvi assistir às novidades da animação nacional e internacional, aproveitando que em dia de semana tudo fica mais vazio e tranqüilo.</p>
<p>As duas primeiras sessões em cartaz no Unibanco Arteplex eram Panorama 7 e Panorama 1. Os panoramas são as sessões de curtas produzidos recentemente que não participam da competição proposta pelo Festival. Cada sessão Panorama apresenta uma média de oito curtas e tem duração de uma hora. Quem quiser pode até trocar o almoço por um panorama, já que a primeira sessão é ao meio dia.</p>
<p>Dos 17 curtas a que assisti – <a  title="Abuela Grillo" href="http://abuegrillo.blogspot.com/" target="_blank">Abuela Grillo</a> (Dinamarca), Seed Light (Coreia do sul), De outro mundo (Brasil), Rytual (Polônia), Conectados (Brasil), Nuvole, Mani (França), Munaralli (Finlândia), En el insomnio (Espanha), Theatre Patouffe (Holanda), Yulia (França), Sagan om denille dockpojken (Suécia), Suculenta (Brasil), A arte de se afogar (Canadá), How to make a baby (EUA), Glover (Reino Unido) e The flower (EUA) – apenas 7 iriam para a segunda etapa do meu concurso pessoal e o vencedor, sem enfrentar concorrência perigosa, seria Abuela Grillo. De longe!</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><object width="500" height="281"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11429985&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=1&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=11429985&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=1&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="500" height="281"></embed></object>
</p>
<p>A parte mais triste da minha passagem pelo Festival hoje foi o fato de justamente Abuela Grillo ter sido o primeiro curta do dia, o que criou em mim grandes expectativas em relação aos demais. À medida que os curtas iam passando eu percebia que nada superaria a Abuela, pelo menos no dia de hoje. Diria que foi uma enorme injustiça terem exibido Seed Light, uma produção sul-coreana sci-fi ultra high-tech, com direito a Photon6, um robô intergaláctico, que luta para salvar o planeta com clichês, logo após Abuela Grillo. Péssimo!! A Abuela teria chorado se visse essa animação.</p>
<p>Pelo que pude averiguar, esse curta maravilhoso baseia-se em um mito indígena boliviano, que narra a relação do povo com a Abuela, uma espécie de encantadora das águas. Quando canta, faz-se a água. Com sua ajuda, controla-se a seca, o crescimento das plantações, toca-se a vida rural.</p>
<p>Nesse curta, a vovó passa dia e noite cantarolando no campo. Por onde anda, a chuva cai, as plantações são saudáveis, a colheita abundante. É sempre bem vinda e festejada por onde passa. Até que um dia um fazendeiro irrita-se com a chuva logo ao amanhecer e expulsa a boa senhora do campo. Na cidade grande, homens mal intencionados descobrem seu dom e a escravizam. Fazem da água uma fonte de dinheiro, um grande comércio e acabam por monopolizá-la, tudo às custas da sofrida cantoria de Abuela Grillo. No campo, o solo, as plantações e as bocas secam. Agora todos pagam caro por aquilo que, antes, Abuela Grillo oferecia alegremente.</p>
<p>É mesmo um tema bastante atual. Reflexões sobre ecologia, monopólio e capitalismo são inevitavelmente evocadas. De forma bastante poética, o curta nos faz pensar em questões sérias, como as relações de consumo e o futuro do planeta, mas sempre embalados pela melodia suave e reconfortante entoada pela encantadora das águas.</p>
<p>A forma como a animação é desenvolvida parece apurar a beleza da narrativa original: um cenário tipicamente boliviano, composto por cores fortes e contrastantes; a cantoria singela e harmoniosa, que varia de intensidade e de tom, a depender do momento da narrativa; personagens de traços arredondados ou quadrados, de acordo com sua índole; e, ainda, as expressões faciais e corporais sutis, porém complexas dos personagens. São tantas informações audiovisuais, que nem damos falta da fala.</p>
<p>A produção, desenvolvida a partir de uma parceria entre Dinamarca e Bolívia, tem como animadores os artistas Alejandro Salazar, Joaquín Cuevas, Susana Villegas, Cecilia Delgado, Mauricio Sejas, Román Nina, Miguel Mealla e Salvador Pomar. A voz de Abuela Grillo é emprestada por Luzmila Carpio, cantora de música indígena boliviana e embaixadora da Bolívia na França, e os músicos que embalam sua voz são Josué Córdova, Saúl Callejas, Luis Gutiérrez e Pablo Pico.</p>
<p>Agora, imagine, depois de uma experiência emocionante e tocante como essa, sentindo ainda aquele misto de angústia e alegria provocado pelo curta&#8230; Então, chegamos ao ano de 2059 e somos invadidos pelo Demônio Negro, um cyborg gigante que quer roubar a Semente da luz!</p>
<p>É muito doloroso, mas vale a pena.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  href="http://aguarras.com.br/author/juliana/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>A janela de esquina do meu primo</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 12:58:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0026]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras26.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0026" /><br/>Quem não domina a língua alemã, só pode ler o conto de Hoffmann (1776-1822), “A janela de esquina do meu primo”, nesse ano de 2010, mais precisamente a partir de maio, data de lançamento do livro pela COSAC NAIFY em português, no Brasil. Lançado postumamente em 1822, ano da morte do autor, o conto revela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras26.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0026" /><br/><p>Quem não domina a língua alemã, só pode ler o conto de Hoffmann (1776-1822), “A janela de esquina do meu primo”, nesse ano de 2010, mais precisamente a partir de maio, data de lançamento do livro pela COSAC NAIFY em português, no Brasil.</p>
<p>Lançado postumamente em 1822, ano da morte do autor, o conto revela o olhar de um personagem autobiográfico sobre as várias facetas que dão vida a uma praça movimentada no centro de Berlim. Com muita perspicácia, esse Hoffmann disfarçado de doente inválido, escritor impossibilitado de escrever, observa com cuidado as nuances da sociedade berlinense, traçando um panorama elaborado a partir dos tipos sociais que acompanha de sua janela durante as manhãs de feira.</p>
<p>Da narrativa, constituída basicamente de um longo diálogo entre dois personagens, primos, emergem reflexões sobre as mudanças sociais observadas na cidade desde o período que antecede o domínio napoleônico até o encerramento desse ciclo. Discutem-se também o crescimento e urbanização da cidade, o convívio das grandes massas e a mistura de classes sociais em um ambiente apinhado de gente e confuso, passível de testemunhar grandes conflitos a qualquer momento.</p>
<p>Pouco a pouco, são decifradas as vidas por trás dos pontinhos insignificantes que compõe a pintura vista da janela do primo doente. De início, como uma pintura, a vista é estática. Mas, aos poucos, analisada individualmente, ganha vida. Cada passante leva uma história decifrada ou imaginada pela mente criativa desse observador que, estático, transforma a pintura em movimento.</p>
<p>No embalo das pinturas, a edição da COSACNAIFY traz em suas páginas ilustrações de Daniel Bueno, que são como colagens representativas de algumas passagens do texto. Além disso, a capa dura e as notas de pé de pagina oferecem, respectivamente, um ar mais sofisticado ao livro e mais informações ao leitor. Tudo isso justifica os R$45 reais pagos pelo livro, o que, em princípio, é salgado para um livro de um conto. Em princípio.</p>
<p><em> </em></p>
<p style="padding-left: 30px;">Livro desta resenha:<em><br />
</em>“<em>A janela de esquina do meu primo</em>”, de E.T.A Hoffmann<br />
 Tradução: <a  href="http://editora.cosacnaify.com.br/Autor/1368/Maria-Aparecida-Barbosa.aspx" target="_blank">Maria Aparecida Barbosa</a><br />
 Projeto gráfico: Maria Carolina Sampaio e Paulo André Chagas<br />
 Ilustração: <a  href="http://editora.cosacnaify.com.br/Autor/81/Daniel-Bueno.aspx" target="_blank">Daniel Bueno</a> <br />
 Posfácio: <a  href="http://editora.cosacnaify.com.br/Autor/968/Marcus-Mazzari.aspx" target="_blank">Marcus Mazzari</a> <br />
 Ed. COSACNAIFY</p>
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		<title>Barroco Tropical, de José Eduardo Agualusa</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2010/05/24/barroco-tropical-de-jose-eduardo-agualusa/</link>
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		<pubDate>Mon, 24 May 2010 19:36:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras_25.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0025" /><br/>O último romance de José Eduardo Agualusa, chamado Barroco Tropical, publicado recentemente, é uma pérola. De início, é intrigante. Em seguida, perturbador. E, finalmente, emocionante. A narrativa é bastante surpreendente, criativa, diferente. Tudo parte do romance de uma cantora angolana de grande sucesso internacional, chamada Kianda, com o amante, o escritor Bartolomeu Falcato. Em torno [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras_25.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0025" /><br/><p>O último romance de <a  rel="nofollow" title="José Eduardo Agualusa" href="http://www.agualusa.info/" target="_blank">José Eduardo Agualusa</a>, chamado <em>Barroco Tropical</em>, publicado recentemente, é uma pérola. De início, é intrigante. Em seguida, perturbador. E, finalmente, emocionante.</p>
<p>A narrativa é bastante surpreendente, criativa, diferente. Tudo parte do romance de uma cantora angolana de grande sucesso internacional, chamada Kianda, com o amante, o escritor Bartolomeu Falcato. Em torno dessa história bastante tocante e instável emocionalmente, principalmente por parte da cantora, que mantém vícios um tanto quanto comuns no meio artístico, ganham espaço outras questões políticas, que revelam, por exemplo, tradições muito contestáveis em relação a tratamentos de saúde em Angola, falcatruas políticas, assassinatos, propinas, enfim, todo o campo semântico ligado à palavra “política”. Por outro lado, vem à tona também uma história muito curiosa a respeito de anjos. Anjos negros. Em princípio, essa parece ser uma faceta fantástica da narrativa. Mas apenas parece, porque ao mesmo tempo em que são relatadas aparições de anjos negros num capítulo, num clima bem misterioso, revolvido por simbolismos, em outra parte da narrativa discute-se sobre confecção de asas, sobre militantes políticos que em certa altura da guerra colonial se vestiam de anjos, ou seja, situações mais realistas, que fazem crescer no leitor curioso a vontade de devorar o livro para saber o que está por trás dos benditos anjos negros.</p>
<p>Outro ponto do texto que chama nossa atenção é a quantidade de referências que ele carrega. São dezenas de referências de todos os níveis: histórico, cultural, social, político; e para todos os públicos, gostos, classes, nacionalidades, etc. Até a Marília Gabriela dá o ar de sua graça! O que me faz lembrar de ressaltar que Agualusa é figurinha fácil no Brasil. Volta e meia vem participar de eventos literários por aqui. Talvez por isso, por conhecer bem o país, principalmente o Rio de Janeiro (ao que me parece), seus personagens transitam pela região, passeiam no Leblon, visitam o Real Gabinete Português de Leitura, curtem Caetano e Gil e adoram a Bahia.</p>
<p>É bom ressaltar também que o texto permite uma leitura menos profunda, por parte de leitores que não tenham grande conhecimento sobre a guerra colonial, sem prejuízo algum. Nesse sentido, o autor é bastante cuidadoso ao esclarecer alguns pontos históricos que considera mais importantes para a compreensão do texto, sem o peso de um livro de história ou de uma tese de doutorado. Assim, o leitor pode entrar no misterioso universo dos anjos negros e desfrutá-lo satisfatoriamente. Contudo, acredito que seja bem mais tranqüilo e menos trabalhoso embarcar no romance trazendo na mochila algum conhecimento prévio sobre a história de Angola, porque a base de tudo, no final das contas, é Angola e seus intermináveis problemas resultantes da colonização, que, em <em>Barroco Tropical</em>, são retratados de forma bastante negativa (ou realista), uma vez que o romance se passa em 2020 e não há nem sombra de progresso.</p>
<p>Resumindo, quanto ao enredo, é instigante, emocionante, hipnotizante. Quanto à escrita, esta é leve, corrida, com traços de ironia, o que a torna boa mesmo de ler. Não posso deixar de mencionar que o escritor ainda não está usando a nova ortografia da língua portuguesa. Parece que só nós, brasileiros, estamos ligando para essas mudanças&#8230;</p>
<p><em>Barroco Tropical, José Eduardo Agualusa, 2009, Companhia das Letras</em></p>
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		<title>A Geração Trianon</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 11:59:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras21.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0021" /><br/>A peça A Geração Trianon estreou no dia 22 de outubro de 2009, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema (RJ). Com direção de Luiz Antonio Pilar e Cristina Bethencourt, a produção é uma remontagem do texto de Anamaria Nunes, premiado em 1988, ano de sua primeira montagem, dirigida por Eduardo Wotzik e representada pelo Grupo Tapa. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras21.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0021" /><br/><p>A peça <em>A Geração Trianon</em> estreou no dia 22 de outubro de 2009, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema (RJ). Com direção de Luiz Antonio Pilar e Cristina Bethencourt, a produção é uma remontagem do texto de Anamaria Nunes, premiado em 1988, ano de sua primeira montagem, dirigida por Eduardo Wotzik e representada pelo Grupo Tapa.</p>
<p>A remontagem atual conta com 14 atores &#8211; Licurgo, Marília Medina, Marta Paret, Marcio Vito, Rogério Barros, Rubens Camelo, Tracy Segal, Marcos Damigo, Rodolfo Mesquita, Rael Barja, Julia Deccache, Antonio Alves, Alex Reis, André Rocha e o pianista Christian Bizotto – que dão vida às histórias dos bastidores de uma companhia teatral da década de 20, no tradicional Teatro Trianon, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Por ser patrocinada pela Eletrobrás, a peça foi apresentada na Casa de Cultura Laura Alvim, imóvel doado (por Laura Alvim) ao Governo do Estado em meados de 1980. Como grande parte dos bens públicos é precária, gostaria de ressaltar o desconforto do balcão do teatro, cujos assentos são tão altos que deixam a pessoa mais saudável do mundo com gangrena nas pernas. Além disso, um dos ilustres espectadores da estréia era um morcego. (Isso mesmo, o mamífero voador). Outro ponto desagradável foi o atraso de 40 minutos para a abertura das portas do teatro. Sendo assim, só pude me encontrar com o morcego às 21:40, e não às 21h, como combinado. Espero que ele não tenha se chateado.</p>
<p>Voltando à peça&#8230; Foi boa. Uma peça que aborda a produção de uma peça, e a peça em si (para quem curte nomenclaturas, metateatro), é sempre interessante, ainda mais quando se trata de um texto já premiado. Horrível não poderia ser. Contudo, não passa de uma peça boa. Como pontos altos, o <em>jingle</em> da sapataria Mota (e todas as partes que o dono da sapataria Mota aparece), que merece boas risadas; e o vôo do morcego que, já impaciente, resolveu dar uma voltinha quase no final do espetáculo&#8230; Momento de muita tensão!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim<br />
</em><em>Av. Vieira Souto, 176, Ipanema/RJ<br />
</em><em>Tel: 21 2332-2015<br />
</em><em>Horários: 5ª, 6ª e sábado às 21h; domingo às 20h<br />
</em><em>Temporada: até 20 de dezembro</em></p>
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		<title>No teu deserto</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 15:40:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras21.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0021" /><br/>Acabo de descobrir que Miguel Sousa Tavares, o escritor e jornalista português, é filho de Sophia de Mello Breyner Andresen. Uma surpresa e tanto para mim, admiradora de sua obra poética, uma vez que ia justamente comentar que, após ter lido uma seqüência de romances de autores africanos de língua portuguesa, senti uma enorme diferença [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras21.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0021" /><br/><p>Acabo de descobrir que <a  rel="nofollow" title="Miguel Sousa Tavares" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Sousa_Tavares" target="_blank">Miguel Sousa Tavares</a>, o escritor e jornalista português, é filho de <a  rel="nofollow" title="Sophia de Mello Breyner Andresen" href="http://cvc.instituto-camoes.pt/figuras/smellobreyner.html" target="_blank">Sophia de Mello Breyner Andresen</a>. Uma surpresa e tanto para mim, admiradora de sua obra poética, uma vez que ia justamente comentar que, após ter lido uma seqüência de romances de autores africanos de língua portuguesa, senti uma enorme diferença entre os textos destes e o de Sousa Tavares &#8211; <em><a  rel="nofollow" title="No teu deserto" href="http://companhiadasletras.com.br/web_store.cgi?details=12886&#038;buy=yes&#038;cart_id=6231938.23644&#038;product=Livro&#038;pg_pesq=0&#038;slink=1" target="_blank">No teu deserto</a></em> – lançado em setembro de 2009, pela Companhia das Letras. Estava já habituada àquela escrita bem poética e reflexiva dos africanos, por isso senti um certo impacto com a leitura do Sousa Tavares.</p>
<p>Não quero comparar os africanos com o português, muito menos dar a entender que, por ser filho de poetisa, Miguel Sousa Tavares deva ser poeta. Aliás, seu nome é Miguel Andresen de Sousa Tavares. Se não tivesse preterido o sobrenome “Andresen”, talvez tivesse imaginado sua filiação muito antes!</p>
<p>Mas isso não importa, o que interessa é que, filho ou não de Sophia (a mesma que teve seus versos introduzindo alguns capítulos de <em>Antes de Nascer o Mundo</em>, do Mia Couto), seu último romance, que dá conta de uma travessia do deserto do Saara e das implicações dessa aventura na vida do protagonista, um jornalista português, e de seu relacionamento com a companheira de viagem, uma garota bem mais jovem que ele, não é uma viagem perdida.</p>
<p>O que há de curioso para se observar é a diferença de comportamentos entre os dois, tendo em vista os significativos quinze anos de idade que os separam, o modo como um enxerga e interpreta as ações do outro, os objetivos profissionais e pessoais do jornalista, a falta de objetivos da jovem garota e o aprendizado da mesma durante esses dias de aventura. Na realidade, é curioso até o momento em que nos damos conta de que já conhecemos essa história, e percebemos que a narrativa não pretende nem nos surpreender nem nos encantar com a simplicidade de uma história banal, como muitas vezes acontece, de uma história ser bonita por ser simples.</p>
<p>Assim, sem muitos rodeios nem grandes descobertas, guiados por uma linguagem simples e objetiva, atravessamos o deserto e entramos na África. Percebemos a existência de um possível romance entre o jornalista e a garota, refletimos rapidamente sobre o silêncio do deserto e a impossibilidade, na atualidade, com todos os avanços tecnológicos relacionados à comunicação, de lidarmos com o silêncio. A era das comunicações, da tecnologia e da popularidade teria nos tornado incapazes de suportar a solidão e o silêncio. O deserto seria, portanto, o último destino procurado pelos viajantes dos dias de hoje. Não posso deixar de ressaltar que essa parte do texto, que começa na página 116 e, tão rapidamente, termina na página 117, é realmente fascinante. É o que oferece sentido à travessia do romance. Discussões sobre o silêncio e a solidão sempre rendem muitas reflexões e, em <em>No Teu Deserto</em>, a naturalidade e a fluidez que caracterizam essas divagações as afastam de qualquer possibilidade de serem apenas tentativas desesperadas de filosofar.</p>
<p>Outro ponto positivo é o fato de o romance ser curto, o que o poupa de ser cansativo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>No teu deserto <br />
</em><em>Miguel Sousa Tavares<br />
</em><em>Companhia das Letras<br />
</em><em>1ª Edição – 2009<br />
</em><em>(128 pgs.)</em></p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/author/juliana/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Animais Literários, de Sofia Porto</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/09/14/animais-literarios-de-sofia-porto/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 15:24:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras21.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0021" /><br/>O eixo Rio-São Paulo recebe a maior parte das mostras internacionais de artes plásticas, cinematográficas, entre outras, e também grande parte das exposições dos grandes artistas nacionais. Só para ilustrar, as obras de Vik Muniz ficaram no MASP, em São Paulo, por um bom tempo, e depois vieram para o MAM, no Rio de Janeiro, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras21.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0021" /><br/><p>O eixo Rio-São Paulo recebe a maior parte das mostras internacionais de artes plásticas, cinematográficas, entre outras, e também grande parte das exposições dos grandes artistas nacionais. Só para ilustrar, as obras de Vik Muniz ficaram no MASP, em São Paulo, por um bom tempo, e depois vieram para o MAM, no Rio de Janeiro, onde permaneceram por cerca de três meses. Outro exemplo foi a <em>Virada Russa</em>, exposição de 123 obras do movimento artístico da 1ª fase da Revolução Russa, que passou pelo CCBB do Rio, e que certamente passou ou passará pelas outras capitais em que há um Centro Cultural do Banco do Brasil (São Paulo e Brasília, apenas).</p>
</p>
<p>A visibilidade cultural lançada sobre Rio e São Paulo é uma herança histórica que se manteve graças às políticas culturais desses estados que nunca se dispuseram a abrir mão da notoriedade que outrora conquistaram, e graças, também, à sorte, no caso da capital fluminense. No que diz respeito a São Paulo, o estado continua sendo o centro financeiro do Brasil. Por outro lado, o Rio, outrora capital do país, pouquíssimo conserva, em termos político-econômicos, dessa época. Se não fosse pela arquitetura do centro da cidade, mantida a duras penas, e pelo fato de a família real ter se instalado por aqui durante um tempo, hoje o Rio de Janeiro não passaria de um balneário para turistas que curtem sol, praia e turismo sexual.</p>
<p>Muitos estados nordestinos, como o Rio Grande do Norte, por exemplo, que não teve oportunidade de ser capital e nem foi objeto de interesses políticos para tornar-se centro financeiro, vão aos poucos tentando desvencilhar-se do paradigma que os caracterizam: exploração sexual infantil, turismo sexual, ou qualquer outra forma de lazer ilegal relacionada ao sexo.</p>
<p>Há alguns anos, vêm se observando o crescente interesse pelo desenvolvimento no âmbito da gestão cultural em Natal. O número de casas de cultura da cidade é notável e os artistas que surgem na capital começam a ganhar destaque nos principais meios de comunicação da cidade, o que certamente aumenta a motivação dos artistas e, também, a satisfação dos moradores da cidade, que recebem mais alternativas de lazer cultural.</p>
<p>Um exemplo é a <a  rel="nofollow" title="Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte)" href="http://www.natal.rn.gov.br/funcarte/" target="_blank">Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte)</a> que, sob a gestão da prefeitura de Natal, foi restaurada e hoje funciona como um centro de cultura que abriga lojas de artesanato, espaço para exposições e palco para apresentações artísticas.</p>
<p>No momento, a Funcarte apresenta, até 25 de outubro de 2009, a exposição <em>Animais Literários</em>, da artista plástica Sofia Porto, uma carioca-potiguar, que uniu sua paixão pelos animais ao amor pela literatura em obras que exaltam a natureza e o lirismo que ela evoca nos seres humanos. Com uma idéia simples, mas criativa, Sofia inova ao transpor sua imaginação para o papel, partindo de fotografias de insetos, animais e outros vestígios de natureza que ainda encontra numa capital em crescimento.</p>
<p>Assim como a cidade em que vive, Sofia Porto é uma promessa, e o que se espera é que a cidade de Natal acompanhe o ritmo de crescimento da artista. E que não seja imprescindível deixar Natal rumo ao Rio ou a São Paulo para ganhar o mundo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Animais Literários</em>, por Sofia Porto<br />
Fundação Capitania das Artes<br />
Av. Câmara Cascudo, 434.<br />
Tel: (84) 3232-4956 / 3232-4946<br />
Natal &#8211; RN</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/author/juliana/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Sutura</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 13:51:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras21.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0021" /><br/>Até outubro de 2009 fica em cartaz no Oi Futuro do Rio de Janeiro a peça Sutura, texto do escocês Anthony Neilson, dirigido por Felipe Vidal e interpretado por Cristina Flores e Lucas Gouvêa. Em princípio, a peça aborda o transtornado relacionamento de um casal jovem, com dificuldades de comunicação, problemas com o passado e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras21.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0021" /><br/><p>Até outubro de 2009 fica em cartaz no <a  rel="nofollow" title="Oi Futuro" href="http://www.oifuturo.org.br/" target="_blank">Oi Futuro</a> do Rio de Janeiro a peça <em>Sutura</em>, texto do escocês <a  rel="nofollow" title="Anthony Neilson" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anthony_Neilson" target="_blank">Anthony Neilson</a>, dirigido por Felipe Vidal e interpretado por Cristina Flores e Lucas Gouvêa.</p>
<p>Em princípio, a peça aborda o transtornado relacionamento de um casal jovem, com dificuldades de comunicação, problemas com o passado e dúvidas em relação ao futuro. Num teatro diferente, em que são duas as platéias, e que ficam uma de frente para a outra, podendo o palco ser um mero obstáculo para a comunicação entre os espectadores, os primeiros momentos são de expectativa, uma vez que o tema e o ambiente são incompatíveis: uma história batida num espaço novo.</p>
<p>No decorrer da peça, contudo, o tema ganha novos contornos, a começar pelo jogo temporal, que requer muita atenção e certa familiaridade com esse tipo de recurso, já que o vaivém abrange não só presente e passado, mas também um possível futuro.</p>
<p>A partir daí, o texto torna-se surpreendente e o palco (que na verdade são dois, já que uma cortina semitransparente o divide em duas metades) transfigura-se em parte essencial da peça. Tudo vai bem, então, rumo ao ponto alto do texto, que em muito se assemelha aos <em>Contos de terror, mistério e morte</em>, de <a  rel="nofollow" title="Edgar Allan Poe" href="http://books.google.com.br/books?ei=-UmuSv3AIImkNc-widYN&#038;q=Edgar+Allan+Poe&#038;btnG=Pesquisar+livros" target="_blank">Edgar Allan Poe</a>.</p>
<p>Em determinado ponto, para mim o auge, momento em que há uma tensa discussão entre o casal, que culmina numa cena grotesca (que não é possível descrever!), um misto de choque, terror e contentamento tomam conta do teatro. Eis a hora mais indicada para o encerramento do texto. Como ficar melhor que isso, ou como manter tal nível de euforia perturbada que domina a platéia? Impossível! Se fosse um dos contos de <em>terror, mistério e morte</em> teria terminado por aí, com uma platéia de espectadores muito surpresos.</p>
<p>Mas&#8230; A peça continua e acaba voltando para a calmaria inicial, para a discussão do relacionamento amoroso e toda aquela história. De todo modo, quem gosta dos contos de Poe vai, seguramente, aproveitar a experiência, ainda que os enfraquecidos minutos finais causem certo desânimo.</p>
<p style="padding-left: 60px;" align="left"><em>Sutura</em><br />
Texto: Anthony Neilson<br />
Direção: Felipe Vidal<br />
Elenco: Cristina Flores e Lucas Gouvea<br />
Até outubro de 2009.<br />
Teatro do OI Futuro<br />
(Rua Dois de Dezembro, 63 &#8211; Flamengo/RJ)</p>
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		<title>Antes de Nascer o Mundo, de Mia Couto</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/08/25/antes-de-nascer-o-mundo-de-mia-couto/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/08/25/antes-de-nascer-o-mundo-de-mia-couto/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 10:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras20.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0020" /><br/>Seguindo a linha dos escritores africanos que procuram de alguma forma semear reflexões sobre as guerras coloniais e seus efeitos nas sociedades contemporêneas, Mia Couto, moçambicano cuja produção ficcional contempla sete romances até o momento, vem afinando sua escrita e sua criatividade ao publicar, com uma periodicidade incrível, novas produções, entre poesias, romances, crônicas e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras20.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0020" /><br/><p>Seguindo a linha dos escritores africanos que procuram de alguma forma semear reflexões sobre as guerras coloniais e seus efeitos nas sociedades contemporêneas, <a  rel="nofollow" title="Mia Couto" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mia_Couto" target="_blank">Mia Couto</a>, moçambicano cuja produção ficcional contempla sete romances até o momento, vem afinando sua escrita e sua criatividade ao publicar, com uma periodicidade incrível, novas produções, entre poesias, romances, crônicas e contos.</p>
</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/08/miacouto.jpg" class="thickbox no_icon" title="Antes de Nascer o Mundo, de Mia Couto"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9580" title="Antes de Nascer o Mundo, de Mia Couto" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/08/miacouto-80x118.jpg" alt="Antes de Nascer o Mundo, de Mia Couto" width="80" height="118" /></a>Seu último romance, <em>Antes de Nascer o Mundo</em> (2009), publicado pela Companhia das Letras, mantém algumas das características que acompanham sua escrita há algum tempo como, por exemplo, a sugestividade dos nomes dos personagens, que nunca são apenas nomes, mas sim parte da personalidade, da história passada e do futuro dos mesmos (<em>p.e.</em> Dulcineusa, de Um Rio chamado tempo, uma casa chamada terra, Bartolomeu Sozinho, de Venenos de Deus, Remédios do Diabo, e Dordalma, de Antes de Nascer o Mundo).</p>
<p>Por outro lado, outros elementos, que oferecem novos ares a escrita de Mia Couto, podem ser ressaltados nesse novo romance. A densidade poética conquistada pelo autor, bem como o aprofundamento do tema abordado, conferem ao texto mais que um simples encontro da atualidade com o passado histórico. Num tom suave, como quem recita uma poesia, o autor abrange assuntos tais como a violência contra as mulheres, as quais dedica um capítulo inteiro (“Os papéis da mulher”), e o impacto sofrido com a chegada da globalização num país desestruturado como Moçambique. Num tom crítico, mas poético e carregado de ironia (“Quem sabe os estrangeiros privados são os novos deuses?”), suas palavras oferecem às questões mais sérias e violentas a suavidade e a harmonia necessárias para denunciar uma série de situações intensas sem, no entanto, ter como resultado algo como um texto jornalístico, documental, objetivo e seco. É interessante destacar que cada capítulo é iniciado com um poema-epígrafe, na grande maioria das vezes de autoria de Sophia de Mello Breyner Andresen e Hilda Hilst, que funcionam como uma introdução ao que está por vir, como uma espécie de mote, a que se seguem as estrofes.</p>
<p>Em <em>Antes de Nascer o Mundo</em>, passado e presente &#8211; tempos indissociáveis – se refletem nas feridas ainda abertas deixadas pelo passado colonial e nos inúmeros problemas sociais enfrentados pelo país. O futuro é um tempo ausente, uma vez que as elucubrações voltam-se para a dissolução de uma série de conflitos internos que caracterizam o passado dos personagens, todos fechados em si mesmos, isolados do mundo e da vida, e assim definidos: “Neste mundo existem os vivos e os mortos. E existimos nós, os que não temos viagem.” (p.54)<strong></strong></p>
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		<title>Diário de um louco</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/08/13/diario-de-um-louco/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 17:49:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0020]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras20.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0020" /><br/>Quando um sapato social de óculos escuros é o chefe de seção do seu trabalho, quando um pincel de gravata borboleta é um criado, quando cinco garrafas plásticas enfiadas numa caixa de sapatos é um cachorro que, além de escrever cartas, é um político notável, quando um regador de plantas coberto por uma estopa é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras20.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0020" /><br/><p>Quando um sapato social de óculos escuros é o chefe de seção do seu trabalho, quando um pincel de gravata borboleta é um criado, quando cinco garrafas plásticas enfiadas numa caixa de sapatos é um cachorro que, além de escrever cartas, é um político notável, quando um regador de plantas coberto por uma estopa é um judeu, e quando você consegue manter um diálogo com todas essas <em>pessoas</em>, você só pode estar louco.</p>
</p>
<p><a  rel="nofollow" title="Claudio Tovar" href="http://www.dicionariompb.com.br/verbete.asp?tabela=T_FORM_A&#038;nome=Claudio+Tovar" target="_blank">Claudio Tovar</a> encena <em>Diário de um louco</em>, conto de <a  rel="nofollow" title="Nikolai Gogol" href="http://books.google.com.br/books?as_auth=Nikolai+Gogol" target="_blank">Nikolai Gogol</a>, em curta temporada no Teatro do Leblon, no Rio de Janeiro.</p>
<p>A narrativa que se inicia no dia 3 de outubro, se perde no dia 86 de martubro e termina num dia sem data e sem ano conta a história do funcionário público que foi nomeado rei da Espanha secretamente, uma vez que apenas ele mesmo sabia que havia sido nomeado. A crescente loucura do funcionário público, que inicialmente se revela sob forma de tara pela filha do diretor, é seguida pela obsessão por uma cachorrinha que troca cartas com sua amada, e termina (não termina!) com a secreta nomeação régia.</p>
<p>Ao longo do espetáculo, a metamorfose do personagem, de levemente louco à insanamente fora de si, é sutil, mas agressiva. Alternando temperamentos, o funcionário público &#8211; ora delicado, ora hostil &#8211; transtornado com a sociedade a sua volta, principalmente no que diz respeito à política, poder e discriminação social, é dominado por um estado de loucura que, aos poucos, o afasta da sociedade.</p>
<p>Trajes sujos e esfarrapados, cenário em tons de bege e de dourado, móveis maltratados, muitas tralhas e personagens coadjuvantes artesanais montados pouco a pouco pelo próprio louco ao longo da narrativa compõem o ambiente que acomoda os pensamentos, os movimentos e as falas confusas e dramáticas do enlouquecido funcionário público.</p>
<p>Com uma incrível naturalidade, o que me faz pensar que todos somos um pouco loucos, Claudio Tovar traz à cena seriedade e drama, conseguindo extrair da trágica vida do personagem, uma essência cômica, mas embalada pela tristeza e pela fragilidade do louco que, incompreendido, sofre, ainda que não tenha consciência do sofrimento pelo qual passa e nem dos motivos pelos quais é rechaçado pelas pessoas a seu redor.</p>
<p>Exemplo da instabilidade de temperamento, da inconsciência e da loucura generalizada que se instaura no homem, é o fechamento da narrativa. Já no hospício, debruçado sobre seu próprio corpo, o louco chora pela mãe, pela condição de órfão, pelo solitário homem que foi e que é. Ao que se segue um abrupto salto, um nariz de palhaço e a alegre exclamação: “O rei da Argélia tem uma verruga no nariz!”.</p>
<p>Com direção de Alexandre Bordallo, o <em>Diário de um louco</em> fica em cartaz até 06 de setembro de 2009, em reapresentação, às quartas e quintas, às 21h. Imperdível!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro do Leblon<br />
Sala Tônia Carrero<br />
Rua Conde Bernadotte, 26. Leblon / RJ<br />
Tel: (21) 25297700<br />
</em></p>
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		<item>
		<title>O Língua Solta</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/07/24/o-lingua-solta/</link>
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		<pubDate>Fri, 24 Jul 2009 19:08:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0020]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras20.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0020" /><br/>Apresentado sob forma de item através de livros didáticos do ensino médio, Bento Teixeira passa despercebido quando o assunto é literatura. Apontado por alguns estudiosos como o poeta que tentou copiar Os Lusíadas, sua obra, geralmente reduzida à poesia Prosopopéia, costuma ser desvalorizada sendo, portanto, apenas citada superficialmente nos livros escolares. Sem querer culpar os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras20.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0020" /><br/><p>Apresentado sob forma de item através de livros didáticos do ensino médio, Bento Teixeira passa despercebido quando o assunto é literatura. Apontado por alguns estudiosos como o poeta que tentou copiar <em>Os Lusíadas</em>, sua obra, geralmente reduzida à poesia <em>Prosopopéia</em>, costuma ser desvalorizada sendo, portanto, apenas citada superficialmente nos livros escolares.</p>
</p>
<p>Sem querer culpar os formuladores desses livros pelo meu desconhecimento sobre a vida e a obra do poeta, mas me questionando até que ponto as pessoas que escrevem esses manuais escolares pesquisaram e investigaram o processo criador e a história de Bento Teixeira, penso que, simplesmente pelo fato de ter sido o primeiro poeta do Brasil, ele já merece algum crédito. Afinal, é querer demais que em 1601, data da publicação da mencionada poesia, um poeta brasileiro, além de ser o primeiro, ainda revolucione a escrita do país que, diga-se de passagem, ainda era colônia! Se Mário de Andrade tivesse vivido no século XVII, ele certamente não pensaria em nada parecido com o que foi o Modernismo.</p>
<p>Tudo é um processo e, mesmo sem ainda conhecer a obra de Bento Teixeira, acredito que sua importância possa ser direcionada para o fato de ter sido o marco inicial de um longo e árduo processo que, finalmente, culminaria no que é a literatura brasileira hoje. Nada nasce pronto.</p>
<p>Apesar de ainda não conhecer todo o trabalho poético de Bento Teixeira, graças ao texto de Miriam Halfim, produto de vasta pesquisa, pude conhecer a vida do poeta, que foi também professor (mestre-escola), dada a sua erudição, fruto da educação recebida dos jesuítas, em Pernambuco. A história de sua vida, as desavenças das quais foi fundador e também vítima, sua tagarelice e suas críticas à Inquisição, seus crimes cometidos, sua relação com a igreja, enfim, sua biografia é apresentada ao público com muita destreza por Isaac Bernat que, além de Bento Teixeira, é também sua esposa Filipa, entre outros.</p>
<p>Dirigida por Xando Graça, a peça <em>O Língua Solta</em>, em cartaz no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF) até 10 de setembro de 2009, é mesmo imperdível. Divertida, informativa e muito bem produzida, é possível perceber a dedicação oferecida à realização do trabalho. A iluminação e o cenário revelam a sobriedade dos ambientes e situações que integram a narrativa, como uma igreja, uma taberna, um espaço de escrita e reflexão, um assassinato, uma discussão, um julgamento. A trilha sonora remete à época dos acontecimentos, século XVI, e a atuação de Isaac Bernat reflete o talento e o empenho do ator.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro do Centro Cultural Justiça Federal </em><em></em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Av. Rio Banco, 241 / Cinelândia &#8211; RJ tel: 21 3212 2550</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Horários</em><em>: 4ªs e 5ªs, às 19h</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>De 22 de julho até 30 de setembro de 2009</em></p>
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		</item>
		<item>
		<title>O Brasil na África, a África no Brasil</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/07/15/o-brasil-na-africa-a-africa-no-brasil/</link>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2009 15:19:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0020]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras20.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0020" /><br/>Há algum tempo, desde o ano passado pelo menos, venho observando que, tanto nos jornais e revistas quanto na televisão, muitas notícias sobre a África vêm sendo veiculadas. São artigos e reportagens que procuram ressaltar os laços que unem o Brasil ao continente africano, especificamente aos países africanos de língua portuguesa, e especialmente a Angola [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras20.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0020" /><br/><p>Há algum tempo, desde o ano passado pelo menos, venho observando que, tanto nos jornais e revistas quanto na televisão, muitas notícias sobre a África vêm sendo veiculadas. São artigos e reportagens que procuram ressaltar os laços que unem o Brasil ao continente africano, especificamente aos países africanos de língua portuguesa, e especialmente a Angola e Moçambique. E isso é ótimo porque contribui para a dissolução daquela terrível e antiga idéia de que a África é feita de elefantes, leões e tribos primitivas.</p>
</p>
<p>Do ponto de vista cultural, o intercâmbio entre o Brasil e a África torna possível, e cada vez mais freqüente, o encontro entre nós, brasileiros, e africanos como <a  rel="nofollow" title="Mia Couto" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mia_Couto" target="_blank">Mia Couto</a> e <a  rel="nofollow" title="Ondjaki" href="http://www.kazukuta.com/ondjaki/ondjaki.html" target="_blank">Ondjaki</a>, dois escritores conceituados que certamente têm muito a compartilhar. Eventos como a FLIP, que nesse ano (2009) pôde contar também com a presença de <a  rel="nofollow" title="Alberto da Costa e Silva" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Alberto_da_Costa_e_Silva" target="_blank">Alberto da Costa e Silva</a>, um dos maiores especialistas brasileiros em assuntos africanos, têm demonstrado preocupação em estreitar as relações entre o Brasil e o continente africano. Outro exemplo é o FESTLIP, festival de teatro de países de língua portuguesa que, em sua segunda edição (2009), trouxe ao Rio de Janeiro 80 profissionais de teatro de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Portugal para onze dias de espetáculo. Do outro lado do oceano, a Casa de Cultura Brasil-Angola, em Luanda, desenvolveu esse ano o projeto &#8220;Sopa de Letrinhas&#8221;, que teve como objetivo apresentar a literatura infantil brasileira ao público angolano.</p>
<p>Não é tão difícil perceber um certo empenho de ambas as partes em restabelecer o contato enfraquecido passado o período da escravidão. Agora num contexto positivo, em que nenhum país planeja devastar o outro para se estabelecer, o momento é de cooperação. Que Angola e Moçambique são países em fase de desenvolvimento econômico e de reestruturação social, sabemos (o Brasil não é muito diferente). Como resultado de décadas de devastação por conta da colonização portuguesa, esses países enfrentam hoje um complexo processo que visa à reconstrução da nação. Desde o início do século XIX, quando ainda se encontravam sob o domínio português, observa-se, contudo, um crescente desejo de desvelamento daquele substrato africano perdido devido à imposição da cultura do colonizador. Nesse sentido, a literatura, tanto em Angola como em Moçambique, ocupou papel central como impulsionador dos movimentos pró-independência e como responsável pelo resgate das tradições culturais desses países.</p>
<p>Muitos autores que hoje têm suas obras circulando pelas livrarias brasileiras, como Mia Couto, <a  rel="nofollow" title="Pepetela" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pepetela" target="_blank">Pepetela</a> e <a  rel="nofollow" title="Luandino Vieira" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Luandino_Vieira" target="_blank">Luandino Vieira</a>, por exemplo, fazem parte de uma geração cheia de ideais, que lutou, através das palavras, pela independência de seus países. No entanto, depois de conquistada, a independência evidenciou muitos contrastes, criou novos problemas e revelou que o processo de reconstrução do país seria mais difícil do que se imaginava. Em sua ficção, esses autores procurar compartilhar essas dificuldades e as utopias que nortearam seus países durante muitos anos.</p>
<p>Menos conhecida por aqui, mas tão essencial quanto, é a obra de <a  rel="nofollow" title="Boaventura Cardoso" href="http://www.uea-angola.org/noticia.cfm?ID=283" target="_blank">Boaventura Cardoso</a>. Conterrâneo de Pepetela e nascido na mesma década deste, em 1944, o escritor participou dos movimentos pela libertação de Angola, além de ter sido membro-fundador da <a  rel="nofollow" title="União dos Escritores Angolanos" href="http://www.uea-angola.org/" target="_blank">União dos Escritores Angolanos (UEA)</a>, responsável pela publicação de textos de escritores angolanos após a independência, em 1975. Desde então, teve seis livros publicados: <em>Diza</em><em>nga dia Muenhu</em> (1977), <em>O Fogo da Fala</em> (1978), <em>A Morte do Velho Kipacaça</em> (1987), <em>O Signo do Fogo</em> (1992), <em>Maio, Mês</em> <em>de Maria</em> (1997), <em>Mãe, Materno Mar</em> (2001).</p>
<p>Autor de contos e romances de peso, Boaventura Cardoso, que também ocupou o cargo Ministro da Cultura de Angola de 2002 a 2008, inscreve-se no <em>hall</em> dos mais representativos escritores daquele país. Tem muitas passagens pelo Rio de Janeiro, onde costuma contribuir como palestrante em encontros sobre as literaturas africanas de língua portuguesa promovidos por universidades e casas de cultura.</p>
<p>Seu último romance, <em>Mãe, Materno Mar</em>, revela-se um mergulho profundo na temática angolana, em todos os níveis. Através de seus personagens, da linguagem adotada e da forma como desenvolve suas narrativas conhecemos histórias de lutas, de silenciamento e de violência que marcaram o passado recente de Angola; conhecemos situações e personagens que representam as tradições, as religiosidades e as práticas políticas da atual sociedade angolana. O imaginário do país e todas as implicações que uma longa e turbulenta colonização pode suscitar são trabalhados de forma sensacional nesse romance que, mais que entretenimento, é uma aula sobre a sociedade e a cultura angolanas.</p>
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		<title>De corpo presente</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Jun 2009 15:08:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras19.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0019" /><br/>A Fagundes Produções Culturais apresentou nessa quarta-feira, 3 de junho de 2009, a peça De corpo presente, com texto e direção de Mara Carvallio e atuações de Cristina Prochaska, Blota Filho, Carlos Martin, Patricia Batitucci, Alexandra Martins, Murilo Salles e Mariana Bassoul (stand in) e da própria diretora. O espetáculo fica em cartaz até o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras19.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0019" /><br/><p>A Fagundes Produções Culturais apresentou nessa quarta-feira, 3 de junho de 2009, a peça <em>De corpo presente</em>, com texto e direção de Mara Carvallio e atuações de Cristina Prochaska, Blota Filho, Carlos Martin, Patricia Batitucci, Alexandra Martins, Murilo Salles e Mariana Bassoul (stand in) e da própria diretora. O espetáculo fica em cartaz até o dia 30 de agosto, no <a  rel="nofollow" title="Solar de Botafogo" href="http://www.solardebotafogo.com.br/" target="_blank">Teatro Solar de Botafogo</a>, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Na ocasião da estréia, Cristina Prochaska foi substituída por Mara Carvallio, que por sua vez teve seu papel entregue a Mariana Bassoul&#8230; que, diga-se de passagem, foi o ponto alto da peça.</p>
</p>
<p>Propondo uma discussão sobre relacionamentos familiares em vida, e também após a morte, a peça, permeada pela crença espírita, cumpre seu papel. Uma série de conflitos, como uma paternidade precoce, uma filha que se revela lésbica, um casamento infeliz, a existência de uma amante e uma filha problemática são revelados no decorrer da trama, sem prometer grandes novidades.</p>
<p>A profusão de conflitos oferecidos ao espectador poderia gerar outras 600 peças. Cada uma delas, então, se concentraria em um ou dois desses conflitos. Se assim fosse, poderíamos encontrar o foco do texto, que no caso de <em>De corpo presente</em> ficou bem perdido.  Quero dizer que todos os episódios apresentados recebem muita atenção, de modo que todos se tornam igualmente importantes e acabam permanecendo no mesmo nível, o que faz com que seja uma tarefa difícil encontrar o porquê do texto, a motivação principal da peça.</p>
<p>Para evitar reflexões exaustivas a esse respeito, elejo a personagem argentina judia como o grande tema da peça. Em vez de tentar achar e ser tocada pela dramaticidade do texto, se coubesse a mim classificar o espetáculo, este seria comédia. E das boas! A argentina é bem humorada, engraçada mesmo, cínica, irônica&#8230; Só essa personagem já renderia uma peça. Atuação impecável de Mariana Bassoul. As risadas estão garantidíssimas! Difícil imaginar outra atriz desempenhando esse papel.  Escrevo isso sem querer desmerecer as outras atuações, que foram ótimas. O que faltou mesmo foi só o estabelecimento de prioridades, talvez uma dica do propósito da peça, um foco.</p>
<p>Não posso deixar de mencionar o cenário de Antônio Marmo e Igor Santos, bem bolado e sombrio (refiro-me às &#8220;portas&#8221; de entrada e saída dos atores, meio plásticas, diria orgânicas até), e a iluminação de Maneco Quinderé, que em harmonia com o esfumaçado do ar, compõe o clima da peça, que se desenrola em sua maior parte num funeral.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>De Corpo Presente<br />
Teatro Solar de Botafogo<br />
Rua General Polidoro, 180 &#8211; Tel: (21) 25435411</em><em><br />
De 03/06 a 28/07 &#8211; Terças e Quartas 21h<br />
De 07/08 a 30/08 &#8211; Sextas e Sábados 21:30 e Domingos 20:30h.</em></p>
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		<title>O sonho de uma noite de verão</title>
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		<pubDate>Fri, 08 May 2009 17:59:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0019]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras19.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0019" /><br/>A Cia do Giro apresenta até o próximo domingo, 10 de maio, no Teatro Nelson Rodrigues da Caixa Cultural, no Rio de Janeiro, o espetáculo O sonho de uma noite de verão, montagem do clássico de Shakespeare, que conta as histórias que antecedem o casamento de Hipólita e Teseu, numa floresta de fadas e elfos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras19.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0019" /><br/><p>A Cia do Giro apresenta até o próximo domingo, 10 de maio, no Teatro Nelson Rodrigues da Caixa Cultural, no Rio de Janeiro, o espetáculo <em>O sonho de uma noite de verão</em>, montagem do clássico de Shakespeare, que conta as histórias que antecedem o casamento de Hipólita e Teseu, numa floresta de fadas e elfos.</p>
<p>Prometendo manter 90% do texto original, a <a  rel="nofollow" title="Cia do Giro" href="http://www.ciadogiro.com.br/" target="_blank">Cia do Giro</a> se supera.</p>
</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/05/sonho.jpg" class="thickbox no_icon" title="O sonho de uma noite de verão - fotografia de Alex Ramirez gentilmente cedida pela divulgação do espetáculo para publicação no Aguarrás - www.aguarras.com.br"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9309" title="O sonho de uma noite de verão - fotografia de Alex Ramirez gentilmente cedida pela divulgação do espetáculo para publicação no Aguarrás - www.aguarras.com.br" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/05/sonho-80x53.jpg" alt="O sonho de uma noite de verão - fotografia de Alex Ramirez gentilmente cedida pela divulgação do espetáculo para publicação no Aguarrás - www.aguarras.com.br" width="80" height="53" /></a>Com um cenário composto por panos fluidos, redes de folhas secas e vegetações acastanhadas penduradas do alto de uma pedra, que funciona como o leito de Titânia, rainha das fadas, a atmosfera onírica é evocada de forma sublime. Com simplicidade e leveza, a expressividade do cenário traz à tona o tom feérico relativo ao mundo mágico dos seres mitológicos que habitam a floresta.</p>
<p>A leveza se dá também no movimento corporal das fadas, que se penduram em panos e balanços suspensos, e com movimentos ágeis, mas lentos, fazem acrobacias que oferecem a sensação de liberdade, numa atmosfera lírica e encantadora, que embala as paixões de casais que se formam na onírica noite de verão.</p>
<p>O figurino colabora com tudo isso à medida que se compõe por tons pastéis, cores acastanhadas, com leves toques de brilho nos trajes de Titânia, rainha das fadas, e de Hérmia, prometida de Demétrio, mas apaixonada por Lisandro, com quem foge para a floresta. Os rudes artesãos, com seus trapos, também em tons de marrom, ensaiam, na floresta, a peça que apresentarão no casamento de Teseu e Hipólita. Desse modo, o figurino faz com que todos os personagens dialoguem com a floresta, camuflando-se nela como se dela fizessem parte.</p>
<p>A composição musical completa o espetáculo, alternando o cantarolar das fadas, com canções instrumentais reais que introduzem o grande herói grego, Teseu, além de silvos e grunhidos comuns aos bosques e florestas.</p>
<p>Com atuações magníficas de Adriano Basegio, Álvaro Rosacosta, Arlete Cunha, Daniela Carmona, Fernanda Nascimento, Franscisco de los Santos, João Pedro Madureira, Larissa Sanguiné, Laura Leão, Leo Maciel, Luiza Ollé, Rafael Kerber, Tássia Pfeifer, Tatiana Vinhais, Ticiana Bernardon, a Cia do Giro não deixa a desejar ao trazer aos palcos um clássico de Shakespeare. Mais do que isso, apresenta com perfeição todas as nuances do texto e consegue captar e transmitir sensações muito difíceis de serem transpostas da escrita para os palcos.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Caixa Cultural Rio de Janeiro</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro Nelson Rodrigues &#8211; Av. Chile, 230.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>De 7 a 10 de maio (quinta a domingo), às 19:30.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Direção e Roteiro: Adriano Basegio e Daniela Carmona</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: William Shakespeare</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Composição Musical: Adriano Basegio e Álvaro Rosacosta</em></p>
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		<title>Sempre Vale a Pena</title>
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		<pubDate>Fri, 01 May 2009 11:28:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0019]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras19.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0019" /><br/>Cada vez que vou ao teatro me dou conta do infinito número de atores e atrizes que procura mostrar seu talento pelos palcos da cidade. São milhares de peças simultaneamente em cartaz no Rio de Janeiro, compostas por artistas que, na maior parte das vezes, ainda não conheço. Quero dizer que poucas vezes conheço o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras19.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0019" /><br/><p>Cada vez que vou ao teatro me dou conta do infinito número de atores e atrizes que procura mostrar seu talento pelos palcos da cidade. São milhares de peças simultaneamente em cartaz no Rio de Janeiro, compostas por artistas que, na maior parte das vezes, ainda não conheço. Quero dizer que poucas vezes conheço o trabalho anterior desses artistas. O que não é mau&#8230; Para tudo há uma primeira vez, e o bom da primeira vez é que as comparações perdem espaço para a neutralidade, para a imparcialidade.</p>
</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/05/valeapena2.jpg" class="thickbox no_icon" title="Sempre Vale a Pena"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9286" title="Sempre Vale a Pena" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/05/valeapena2-80x60.jpg" alt="Sempre Vale a Pena" width="80" height="60" /></a>Em cartaz até o dia 21 de maio de 2009, no <a  rel="nofollow" title="Teatro Ipanema" href="http://www.teatroipanema.com.br/" target="_blank">Teatro Ipanema</a>, no Rio de Janeiro, a peça <em>Sempre Vale a Pena</em>, dirigida por Márcio Vieira, produzida e escrita por Maria Fernanda Gurgel, conta com as atuações de Flávio Carriço, Carla Pompilio, Ângela Britto e Windemberg Melo, atores que ilustram muito bem o quadro que esbocei, do grande número de artistas de teatro que, por não contarem com um veículo de comunicação tão poderoso como a TV, têm menos facilidade em tornar seus nomes conhecidos. Mas com talento tudo se consegue, e hoje tive a agradável surpresa de conhecer quatro talentosos atores com um grande potencial, que souberam muito bem como trabalhar o texto a seu favor.</p>
<p>A peça é composta por cinco quadros independentes, ligados apenas pela temática, que diz respeito às relações humanas, sejam elas amorosas, sejam elas familiares, etc. Um desses quadros, que certamente merece destaque, relata os distúrbios da vida a dois, a difícil convivência de um casal perturbado por&#8230; roncos! Pode parecer bobo, mas a comicidade do esquete está justamente na simplicidade do tema. É como a série de filmes <em>Pantera cor-de-rosa</em> ou até mesmo <em>Chaves</em>, que consegue arrancar risadas das coisas mais ingênuas. Os atores se saem muito bem e colaboram com o texto, que pede atuações mais caricatas e divertidas, beirando o infantil, mas muito, muito longe do ridículo! Tão longe que nem sei o porquê de eu ter citado essa palavra.</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/05/valeapena1.jpg" class="thickbox no_icon" title="Sempre Vale a Pena"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9285" title="Sempre Vale a Pena" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/05/valeapena1-80x60.jpg" alt="Sempre Vale a Pena" width="80" height="60" /></a>Evidenciando o que tem de melhor no texto de Maria Fernando Gurgel e neles mesmos, é fácil perceber que a veia cômica desses atores está pulsante, em pleno vapor. O destaque do segundo quadro fica também por conta do equilíbrio no tempo de duração. Nem curta e superficial, nem longa e cansativa. Simplesmente na conta. Tomando-o como modelo, os outros esquetes poderiam ser mais enxutos, o que não comprometeria o desenvolvimento das histórias e diminuiria a sensação de &#8220;não acaba nunca!!&#8221;, que por vezes invade nossos pensamentos.</p>
<p>O encarte da peça aponta quatro atores no elenco, mas, durante o espetáculo, surge um personagem, que interpreta um porteiro em um dos esquetes. Por algum motivo, o nome deste rapaz não aparece no folheto, provavelmente por erro de digitação, porque se ele é alguma espécie de auxiliar de palco ou um contra-regra que fez uma ponta, já está contratado para os próximos espetáculos!</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Sempre vale a pena!</em></p>
<p style="padding-left: 30px;">Texto e produção: Maria Fernanda Gurgel</p>
<p style="padding-left: 30px;">Direção: Márcio Vieira</p>
<p style="padding-left: 30px;">Cenografia: Derô Martins</p>
<p style="padding-left: 30px;">Figurino: Jerry Fernando</p>
<p style="padding-left: 30px;">Iluminação: Jorge Raibot</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro Ipanema</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Rua Prudente de Morais, 824 CEP    22420-040</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em> Telefone (021) 2523-9794</em></p>
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		<title>Cidades Furtivas</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/04/07/cidades-furtivas/</link>
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		<pubDate>Tue, 07 Apr 2009 16:00:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0018]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/>O Centro LABAN-Rio e a Casa da Glória apresentaram nos dias 03 e 04 de abril de 2009 o Ateliê Coreográfico no espetáculo Cidades Furtivas, uma idealização de Regina Miranda, que conta com a direção da mesma e com a colaboração de Adriana Bonfatti, Ana Bevilaqua, Camila Fersi, Elisabete Reis, Lourival Prudêncio e Marina Salomon [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/><p>O <a  rel="nofollow" title="Centro LABAN-Rio" href="http://www.centrolaban-rj.org/" target="_blank">Centro LABAN-Rio</a> e a <a  rel="nofollow" title="Casa da Glória" href="http://www.casadagloria.com.br/" target="_blank">Casa da Glória</a> apresentaram nos dias 03 e 04 de abril de 2009 o Ateliê Coreográfico no espetáculo <em>Cidades Furtivas</em>, uma idealização de Regina Miranda, que conta com a direção da mesma e com a colaboração de Adriana Bonfatti, Ana Bevilaqua, Camila Fersi, Elisabete Reis, Lourival Prudêncio e Marina Salomon para a realização do projeto.</p>
</p>
<p>Através da construção de um diálogo entre a obra <em>Cidades Invisíveis</em>, de <a  rel="nofollow" title="Ítalo Calvino" href="http://www.pensador.info/autor/Italo_Calvino/" target="_blank">Ítalo Calvino</a>, e <em>O Jardim das Delícias</em>, de <a  rel="nofollow" title="Hieronymus Bosch" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hieronymus_Bosch" target="_blank">Bosch</a>, a proposta de Regina Miranda é muito bem sucedida à medida que consegue criar um ambiente que integra o movimento, o caos, a desordem e a fragmentação próprios das grandes cidades, aos sentimentos humanos mais complexos e profundos, como a loucura, a volúpia e o desconcerto instaurados pelo ritmo acelerado da vida moderna.</p>
<p>O grande diferencial fica por conta da forma como essa associação de idéias é oferecida ao público. Espalhados estrategicamente pelo espaço da Casa da Glória, bailarinos/atores compõem cenas, por vezes solitários, por vezes em conjunto, que vão sendo observadas pelo público conforme sua caminhada. Ou seja, pelos cantos do jardim, pela área da piscina, num quintal mais reservado ou numa escadaria, os artistas são posicionados e cada um, solitariamente, ou cada grupo, independentemente do outro, representa seu papel. Bem como acontece na nossa vida. O individualismo crescente num mundo em que as pessoas cada vez mais se isolam é explorado de forma perturbadora. E não é só isso. O público, enquanto caminha, pode observar os gestos, as falas, os movimentos corporais e assim vai percebendo as angústias e os desejos de cada personagem, que afinal de contas, se complementam e se dissociam num piscar de olhos, fazendo dessas &#8220;miradas nômades&#8221;, como define Regina Miranda, uma estratégia de observação que propõe reflexões sobre situações corriqueiras e efêmeras, mas de grande intensidade. São como fragmentos complementares que aos poucos se unem no imaginário do público, formando infinitas possibilidades de interpretação, suscitando uma série de indagações sobre a vida, a sociedade e o mundo.  Além disso, há ainda a possibilidade de poder eleger o ângulo sob o qual se vai observar uma cena, já que da janela do piso superior, do jardim ou das escadarias, é possível ver o que acontece na piscina, por exemplo. Essa possibilidade de não só observar o comportamento e os sofrimentos dos bailarinos/atores, mas também de escolher o ponto de vista, aponta claramente para a vigilância contínua a que estamos submetidos atualmente, para a falsa sensação de liberdade da qual desfrutamos.</p>
<p>Numa espécie de <em>voyeurismo</em>, acompanhamos a loucura desses personagens que exalam sensações arrepiantes, como é o caso de uma mulher, totalmente fora de si, que discute loucamente consigo mesmo sobre acontecimentos de sua vida. Entre falas e movimentos corporais perturbadores, essa personagem representa o que percebo como o último estágio da loucura e do descentramento que a sociedade moderna pode provocar numa pessoa. Apesar da distância física que separa os bailarinos, seus movimentos e falas se encontram no espaço, causando uma caótica polifonia que destaca a desordem que nos rodeia diariamente.</p>
<p>Uma experiência muito inspiradora e reflexiva, ainda mais quando embalada por composições musicais que se integram harmonicamente ao que é oferecido, numa sintonia sem igual, que faz da trilha sonora não só um complemento, mas uma peça essencial do trabalho.</p>
<p>Como o folder do espetáculo omite a informação, perguntei sobre a origem das músicas que ouvia, de modo que vale a pena informar que a trilha sonora é constituída por composições de outros projetos de <a  rel="nofollow" title="Regina Miranda" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Regina_Miranda" target="_blank">Regina Miranda</a>, que foram compiladas e incorporadas perfeitamente ao espetáculo.</p>
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		<title>O filho da mãe</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Apr 2009 12:15:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/>Uma peça que trata do relacionamento entre uma mãe divorciada e seu filho, que aborda a influência da figura materna no processo de transição da adolescência para a fase adulta, pode enveredar por vários caminhos, isto é certo. Mas se o gênero eleito para a representação for a comédia, o cuidado deve ser redobrado. Em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/><p>Uma peça que trata do relacionamento entre uma mãe divorciada e seu filho, que aborda a influência da figura materna no processo de transição da adolescência para a fase adulta, pode enveredar por vários caminhos, isto é certo. Mas se o gênero eleito para a representação for a comédia, o cuidado deve ser redobrado.</p>
</p>
<p>Em cartaz até o dia 31 de maio de 2009, no Teatro Ipanema, no Rio de Janeiro, estará a peça <em>O filho da mãe</em>, com direção do estreante João Camargo, texto e interpretação de Regina Antonini e Pedro Nercessian.</p>
<p>O que pode ser rapidamente notado é que a peça, que promete &#8220;radiografar a universalidade da relação entre mãe e filho, desde seus aspectos cômicos aos mais poéticos&#8221;, se desvia num piscar de olhos desse objetivo e dá início a outro projeto que poderia ser identificado como um quadro do Zorra Total.</p>
<p>O lugar-comum é o grande astro da peça. Onipresente, se encaixa em todas as falas, em todos os momentos. Do relacionamento entre mãe e filho são destacados todos os episódios mais clichês que poderiam existir, como a preocupação da mãe com a sexualidade do garoto, a insatisfação com o recente casamento do ex-marido com uma mulher mais jovem, o zelo excessivo com o filho adolescente e a preocupação com a solidão e com a velhice que inevitavelmente cruzará o caminho da mãe divorciada.</p>
<p>O pior, no entanto, não é nem é o lugar-comum, mas o tratamento que este recebe. Humor fino, comédia inteligente, sacadas geniais com referências que enriquecem o texto: infelizmente, não é isso o que acontece! O oposto disso tudo é o que recebemos. Em quase duas horas de peça, uma comédia super ordinária tomou conta de um tema que poderia render um espetáculo. Piadas baratas e batidas, como aquela desgastada comparação entre uma saia curta e um cinto, além de piadas prontas, das mais óbvias, como uma avó, referida como &#8220;Vó Gina&#8221;, tentaram impor à peça o tal tom cômico, que para mim nunca chegou.</p>
<p>Em alguns momentos, interrompendo bruscamente essa seqüência de piadas rasteiras, vem a tentativa de nos empurrar goela abaixo uma seriedade e um tom sentimental embalados por música suave, luz baixa e a intragável metamorfose da mãe, de Lady Kate a Ernst Fischer, iniciando uma frase com algo do tipo &#8220;a função da arte&#8230;&#8221;. Pausa para o café!!! Preciso de alguns segundos para processar a cena&#8230; Mas não tenho tempo, porque o clima supostamente sentimental e sério da cena é interrompido pelo resgate da voz esganiçada da personagem da mãe e seu empenho contínuo em transformar absolutamente tudo em piada barata. A superficialidade e a inconsistência, que são o ponto de partida e de chegada do texto, são perseguidas arduamente e alcançadas sempre com sucesso.</p>
<p>O saldo é que a peça não consegue se enquadrar nem no cômico, nem no poético. Muito menos nos dois. Mas consegue um lugar muito privilegiado no limbo, ao lado de outras &#8220;comédias&#8221; do tipo que, convenhamos, existem e se proliferam às pencas! E que têm seu público, disso ninguém duvida.</p>
<p>Meus aplausos, ao final da peça, são integralmente direcionados a Paulo Severo, responsável pela direção musical, que agraciou meus ouvidos com uma trilha muito boa, principalmente por conta daquela espécie de surf music tocada nos intervalos entre uma cena e outra.</p>
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		<title>Maria Stuart</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Mar 2009 20:10:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/>Texto de Friedrich Schiller, tradução de Manuel Bandeira e direção de Antonio Gilberto, a peça Maria Stuart fica em cartaz no teatro do CCBB do Rio de Janeiro até 17 de maio de 2009. Com Clarice Niskier como Rainha Elizabeth I e Julia Lemmertz como Maria Stuart, a montagem inspirada no drama de Schiller, explora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/><p>Texto de <a  rel="nofollow" title="Friedrich Schiller" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Schiller" target="_blank">Friedrich Schiller</a>, tradução de <a  rel="nofollow" title="Manuel Bandeira" href="http://www.revista.agulha.nom.br/manuelbandeira.html" target="_blank">Manuel Bandeira</a> e direção de Antonio Gilberto, a peça <em>Maria Stuart</em> fica em cartaz no teatro do CCBB do Rio de Janeiro até 17 de maio de 2009. Com <a  rel="nofollow" title="Clarice Niskier @ A Alma Imoral, no Aguarrás" href="http://aguarras.com.br/2007/02/20/a-alma-imoral/">Clarice Niskier</a> como Rainha Elizabeth I e <a  rel="nofollow" title="Julia Lemmertz @ IMDB" href="http://www.imdb.com/name/nm0501412/" target="_blank">Julia Lemmertz</a> como Maria Stuart, a montagem inspirada no drama de Schiller, explora o embate dramático entre as duas rainhas, denuncia a corrupção moral e ressalta os valores de uma época. Finalizada em 1800, a peça, que tem como substrato a rivalidade entre a igreja católica e o protestantismo, traz à tona a forte ligação entre Estado e Igreja, as relações de poder aí inseridas e os conflitos provocados pela sede de poder.</p>
<p>Durante os 15 minutos de intervalo (o espetáculo tem 3 horas de duração), inevitavelmente, pude ouvir muitas opiniões ao meu redor. Houve quem questionasse o figurino. Houve quem dissesse &#8220;xii, tá tudo errado&#8221;. Houve ainda quem pensasse que o texto perdia muito com a linguagem rebuscada.</p>
</p>
<p>Partindo dessas opiniões, com as quais discordo, gostaria de dizer que, em primeiro lugar, é fundamental estar ciente de que o texto de Schiller é a criação de um drama baseado na relação conflituosa entre duas rainhas regentes. A tradução para o português por Manuel Bandeira, apesar de se tratar de uma tradução, já modifica o texto original: alguma marca, mínima que seja, do tradutor fica impressa no texto, principalmente em relação à escolha das palavras, uma ação muito pessoal, que certamente insere a tradução no estatuto da semelhança e não do idêntico.</p>
<p>Quaisquer montagens feitas a partir da tradução de Manuel Bandeira são, portanto, a interpretação da tradução da criação de Schiller, que, aliás, não deve fidelidade nenhuma à história verdadeira de Elizabeth I e Maria Stuart.</p>
<p>Pergunto-me, portanto, o que poderia estar errado. Existe certo ou errado na arte?</p>
<p>Em segundo lugar, a proposta da montagem deve ser observada. A produção propunha uma releitura diferente, inovadora, pós-moderna ou uma montagem nos moldes clássicos, considerando-se, portanto, os trajes, a linguagem e os valores da época? A Maria Stuart que pude assistir optou pelo clássico. Contudo, há de se convir que uma interpretação abra brechas para algumas modificações, que não necessariamente afastarão a peça de sua proposta inicial.</p>
<p>Refiro-me, aqui, ao figurino. Elizabeth I, de calças e sobretudo vermelhos de veludo, vestindo botas de couro. Como um homem, tanto no vestuário quanto nas ações e movimentos, a rainha da Inglaterra, austera e insensível, busca afirmar sua força evidenciando sua face masculina a fim de se impor num ambiente preenchido por homens. Bem colocado. O veludo utilizado ressalta a distinção social da corte de Elizabeth I, a que se destinava o consumo luxuoso.</p>
<p>Do outro lado, Maria Stuart, rainha da escócia. Mais jovem e movida por emoções, a rainha católica exala os encantos da mocidade através de seus discursos carregados de ideais ligados à liberdade e ao amor, e de seus gestos, mais exaltados e expansivos. Seus trajes, também masculinizados, mas simples e em tonalidades de cinza, simbolizam a condição de prisioneira a que está sujeita e a tristeza que invade seu espírito.</p>
<p>O figurino do restante dos personagens, bem como o das rainhas, dispensou pedrarias, ouros e outros materiais preciosos. São trajes simples, cujo tipo de tecido e sua cor foram os únicos responsáveis pela sistematização da hierarquia monárquica e do poder atribuído a cada personagem. Simples como o figurino, é o cenário. Uma cortina preta ao fundo faz contraste com os objetos de cena: uma caixa de madeira, que é um baú real; uma cadeira de traços retos, que é um trono; e uma bancada, que é ora uma mesa, ora uma montanha, ora um patamar. Os adornos ficam por conta da nossa imaginação. Pode ser bom, pode ser ruim. Depende do ponto de vista. Na minha opinião, funcionou, uma vez que a simplicidade que imperou no cenário e no figurino procurou destacar as atuações, as falas, o texto.</p>
<p>Quanto à linguagem rebuscada, bem, trata-se de um texto clássico, traduzido por alguém comprometido em manter a linguagem clássica, levado à cena por alguém que propõe a montagem clássica da peça. Não vejo de que forma a substituição de palavras, de tempos verbais e de pronomes de tratamento por uma linguagem mais &#8220;fácil&#8221; poderia contribuir em alguma coisa, senão para transformar o texto em algo parecido com <em>Os Lusíadas em prosa para crianças</em>. Que, aliás, existe.</p>
<p>Das atuações, é preciso destacar Mario Borges como Barão de Burleigh, que tem uma das melhores vozes que já ouvi para o teatro; as rainhas, Julia e Clarice, pela gestualidade expansiva da primeira e pela dureza inglesa da outra, características opostas que sinalizam a morte física de uma e a morte emocional da outra; e a dupla <a  rel="nofollow" title="Ednei Giovenazzi" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Edney_Giovenazzi" target="_blank">Ednei Giovenazzi</a> e <a  rel="nofollow" title="Amelia Bittencourt" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Am%C3%A9lia_Bittencourt" target="_blank">Amelia Bittencourt</a>, o mordomo e a ama de Maria Stuart, que oferecem consolo e serenidade à rainha católica frente à inevitável morte.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Maria Stuart</em><br />
 <em>Direção de Antonio Gilberto</em><br />
 <em>CCBB &#8211; Rua Primeiro de Março, 66.</em><br />
 <em>Em cartaz de quarta a domingo, até 17 de maio.</em></p>
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		<title>Óidipous, filho de Laios – A história de Édipo Rei pelo avesso</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Mar 2009 19:18:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/>Muitas vezes, um texto insosso vira um espetáculo quando encenado. Outras vezes, o contrário acontece. Quem não conhece a história do Rei Édipo, por exemplo? Não digo que seja popular, mas uma vez ou outra na vida alguém já fez referência ao complexo de Édipo, seja na faculdade, seja na mesa do bar. Afinal, trata-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/><p>Muitas vezes, um texto insosso vira um espetáculo quando encenado. Outras vezes, o contrário acontece.</p>
<p>Quem não conhece a história do <a  rel="nofollow" title="Rei Édipo" href="http://www.scribd.com/doc/2573780/Rei-Edipo" target="_blank">Rei Édipo</a>, por exemplo? Não digo que seja popular, mas uma vez ou outra na vida alguém já fez referência ao complexo de Édipo, seja na faculdade, seja na mesa do bar. Afinal, trata-se de uma história intrigante, que inspira reflexões sobre a natureza e as relações humanas. Dentre as sensações despertadas por esse texto figuram a ojeriza, decorrente da possibilidade de relacionamento sexual entre pai e filho; a identificação por parte de alguns, nunca se sabe; mas, principalmente, a sensação de que não se pode controlar tudo nessa vida. Basta o menor dos imprevistos para que o controle que o homem pensa ter sobre si vá por água abaixo.</p>
</p>
<p>Quais as chances de um texto como esse, <em>Édipo Rei</em>, de <a  rel="nofollow" title="Sófocles" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3focles" target="_blank">Sófocles</a>, se transformar em algo aquém do esperado quando encenado? Recriado como <em>Óidipous, filho de Laios</em>, em cartaz no SESC Copacabana (RJ) até 05 de abril de 2009, o que pude sentir foi um grande vazio de sensações.</p>
<p>A releitura de <em>Édipo Rei</em> proposta por Antonio Quinet, responsável também pela direção da peça, tropeçou em algumas montanhas. Que a história estava lá, ninguém pode negar. Entre um clichê proferido sem emoção &#8211; &#8220;você é a causa de seus próprios males&#8221; &#8211; e um provérbio digno do <em>Rei Leão</em> &#8211; &#8220;uma vez desvelada, a verdade não pode ser negada&#8221;-, percebemos um jogo corporal bonito até, como uma dança dramática, numa atmosfera enigmática, mas que, sinceramente, nada contribuiu para o andamento da peça. Faltou, principalmente, harmonia. Não só entre os atores, mas também entre as cenas. Os cortes eram abruptos demais. Como se tocasse uma sineta que anunciasse a hora do recreio, os corpos se contorciam, dançavam, rastejavam. De repente, nova sineta! Surge um telão ao fundo do palco, super iluminado&#8230; Adeus, mistério! Agora vemos uma mãe amamentando um bebê. Entendo a idéia que se quis passar: a amamentação é uma intimidade entre mãe e filho, que gera uma ligação forte entre os dois. Tem a ver, mas além de não acrescentar nem informações e nem um diferencial à peça, cortou totalmente o clima criado anteriormente. Em muitos casos, uma idéia é ótima como idéia apenas.</p>
<p>##</p>
<p>Talvez se quisesse criar uma releitura modernizada, como uma instalação transposta ao teatro, e o Édipo tenha sido apenas um pretexto para isso. Entendo que a atualidade de uma peça não está na época a que ela se refere, e sim na forma como é contada, mas acredito que a forma utilizada não contribuiu muito para esse fim, se é que houve essa intenção. O que me faz pensar se a peça tinha, de modo geral, alguma intenção. Entreter, inovar, emocionar&#8230;?</p>
<p>Os atores despiram-se de todas as emoções em casa. Chegaram ao palco inexpressivos, sem conseguir transmitir as angústias, o sofrimento, a dor que diziam sentir. O texto, muitas vezes floreado, tornava difícil a atribuição de sentido ao que estava sendo dito. Isso pode ter colaborado para a falta de emoção. Talvez nem os próprios atores tenham compreendido o que diziam, apenas decoraram a fala.</p>
<p>Enfim, uns batuques daqui, umas falas de lá, uma Jocasta ao chão tentando se lamuriar.</p>
<p>Fazer rimas não é difícil. O desafio é transformá-las em poesia.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Óidipous, filho de Laios &#8211; A história de Édipo Rei pelo avesso.<br />
</em><em>Transcriação do texto e direção de Antonio Quinet.<br />
</em><em>Realização da Cia. Inconsciente em Cena .<br />
Espaço Sesc  &#8211; R. Domingos Ferreira, 160 &#8211; Mezanino.<br />
De 13 de março a 05 de abril de 2009.</em></p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/author/juliana/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>O Santo e a Porca</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/03/13/o-santo-e-a-porca/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Mar 2009 15:15:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0018]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/>Que a cultura brasileira é bastante diversificada, todos sabemos. São costumes da região sul que diferem dos da região nordeste. Tradições nortistas pouco conhecidas no sudeste. E por aí vai&#8230; Mas o que há de comum a todas essas regiões culturais do Brasil é a língua. Todos falamos português e conseguimos nos entender muito bem! [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras18.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0018" /><br/><p>Que a cultura brasileira é bastante diversificada, todos sabemos. São costumes da região sul que diferem dos da região nordeste. Tradições nortistas pouco conhecidas no sudeste. E por aí vai&#8230; Mas o que há de comum a todas essas regiões culturais do Brasil é a língua. Todos falamos português e conseguimos nos entender muito bem!</p>
<p>Aí entra, então, a aplicação dessa língua. São vários os tipos de linguagem e inúmeros os meios de comunicação. Assim, o norte se aproxima do sul, o sudeste do nordeste e do centro-oeste.  Mesmo sem nunca ter estado no sertão nordestino, conheço o clima, as dificuldades, as pessoas, os costumes. Graças aos jornais, à literatura, ao teatro, ao cinema, já estive lá sem nunca ter saído de casa.</p>
</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/03/duaia.gif" class="thickbox no_icon" title="O Santo e a Porca"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9194" title="O Santo e a Porca" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/03/duaia-80x57.gif" alt="O Santo e a Porca" width="80" height="57" /></a>Ontem mesmo estive no sertão. Conheci pessoas muito espirituosas, um senhor avarento e um rapaz tortinho que me fez rir demais! Contaram-me uma história que eu já conhecia, mas só no papel. Pois a tiraram do papel e encenaram tudo, deram vida ao que eu já tinha lido e o fizeram de forma primorosa!</p>
<p>Quem quiser ver ou rever essa história não precisa ir até o nordeste. Bastar virar a esquina e entrar no Teatro Villa-Lobos, em Copacabana (RJ). Lá estarão Élcio Romar, Gláucia Rodrigues, Armando Babaioff, Marcio Ricciardi, Nilvan Santos, Duaia Assumpção e Janaína Prado, todos prontos para recebê-los com O <em>Santo e a Porca</em>, de <a  rel="nofollow" title="Suassuna, Bispo e o 16 de junho  @ Aguarrás" href="http://aguarras.com.br/2006/06/16/suassuna-bispo-e-o-16-de-junho/">Ariano Suassuna</a>, dirigido por João Fonseca.</p>
<p>Ahhhh&#8230; Mas o texto já estava pronto! E um texto do Suassuna não tem como ficar ruim. Ahhhh, tem sim! Tem gente que consegue estragar até pizza!</p>
<p>Mas não foi o caso. A peça foi um espetáculo! Não sou de dar risadas gratuitamente. Acho que as pessoas (eu!!!) têm o péssimo hábito de associar o gênero comédia a peças que discutem relações conjugais e outros assuntos cotidianos usando gírias e expressões moderninhas, fazendo apelos sexuais excessivos, essas coisas. Deve ser por causa do grande número de peças que usa esses recursos, achando que assim ficarão engraçadas. Fiquei traumatizada. Mas a peça <em>As centenárias</em> veio amenizar meus problemas. Peça que, vale lembrar, também aborda essas tradições nordestinas. E agora, com <em>O Santo e a Porca</em>, sinto estar curada.</p>
<p>O jeito de falar dos personagens, o clima nordestino no cenário, na música, no figurino, tudo isso partindo de um texto bem escrito por um dos maiores dramaturgos brasileiros, tudo bem pensado, dirigido e encenado. Isso faz a gente pensar que a cultura popular nordestina, quando bem trabalhada, dá muito pano pra manga. E não é qualquer pano, não&#8230; É tafetá, linho, seda!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O Santo e a Porca, de Ariano Suassuna.<br />
 </em><em>Direção de João Fonseca.</em><em><br />
 Realização Limite 151 Cia. Artística.<br />
 Reestréia no Teatro Villa-Lobos &#8211; Av. Princesa Isabel, 440.</em></p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/author/juliana/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Meu Caro Amigo</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/02/14/meu-caro-amigo/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 11:30:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/>Não é preciso estar morto para ser homenageado. Partindo deste princípio, Felipe Barenco, responsável pelo texto do musical Meu Caro Amigo e, diga-se de passagem, estreante na profissão (e muito talentoso), presenteia o público do Rio de Janeiro com um clima nostálgico e emocionante que pode ser sentido até por objetos inanimados. Amantes ou não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Não é preciso estar morto para ser homenageado.</p>
<p>Partindo deste princípio, <a  rel="nofollow" title="Felipe Barenco" href="http://www.dramadiario.com/" target="_blank">Felipe Barenco</a>, responsável pelo texto do musical <em>Meu Caro Amigo</em> e, diga-se de passagem, estreante na profissão (e muito talentoso), presenteia o público do Rio de Janeiro com um clima nostálgico e emocionante que pode ser sentido até por objetos inanimados.</p>
</p>
<p>Amantes ou não de Chico, isso é totalmente irrelevante, o público sente-se acarinhado pela voz aveludada de Kelzy Ecard, que interpreta Norma Aparecida, uma professora de história fanática por <a  rel="nofollow" title="Chico Buarque" href="http://www.chicobuarque.com.br/" target="_blank">Chico Buarque</a>.</p>
<p>Falando assim, parece uma pecinha super clichê! Quantas mulheres não são loucas pelo Chico? Pelo menos foi o que pensei quando li o texto de apresentação da peça, na revista programa. Não me pareceu ser nenhuma novidade.</p>
<p>Talvez o jornalista não tenha sido tão efusivo quanto eu gostaria, talvez tenha poupado demais nas palavras, talvez não tenha assistido à peça, ou talvez a sinopse seja essa mesmo e eu é que estou fantasiando, querendo achar que a peça é muito mais que isso.</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/caroamigo.jpg" class="thickbox no_icon" title="Meu Caro Amigo - fotografia de Juliana P. Fontes © Aguarrás"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9122" title="Meu Caro Amigo - fotografia de Juliana P. Fontes © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/caroamigo-80x53.jpg" alt="Meu Caro Amigo - fotografia de Juliana P. Fontes © Aguarrás" width="80" height="53" /></a>Bom, tem a Norma e tem o Chico. Ela é fã dele. Enquanto Norma conta sua história, Chico canta a história dela. Talvez seja a &#8220;cumplicidade&#8221;, numa via de mão única, já que o compositor nem sabe quem é Norma, talvez seja o modo como cada música do compositor se encaixa perfeitamente, tanto na vida pessoal da personagem, como no momento político em que se encontra o país. Ou talvez seja apenas o fato de o texto ter sido muito bem escrito, bem amarrado e bem encenado, e as músicas bem selecionadas e bem interpretadas.</p>
<p>Meu deu até vontade de reler livros sobre a história do Brasil. Admito lembrar mais da Era Vargas. E a Era Chico começa depois disso. Que história boa! A do Brasil, a do Chico e a da Norma também.</p>
<p>Esse é o segredo! São três boas histórias, juntas. A da Norma, que viveu na ditadura, tinha um pai repressor com quem ficou sem falar, participou de movimentos estudantis e era apaixonada pelo Chico. A do Brasil, que sofreu grandes transformações ao longo das últimas décadas, se livrou da ditadura, adotou eleições diretas. E a do Chico, que entre uma música e outra, foi preso, exilado, que participou, ainda que inconscientemente, da vida dos milhares de Normas do Brasil e, conscientemente, da história política do país.</p>
<p>Uma atuação emocionante de Kelzy Ecard, que tem uma voz e tanto; um pianista &#8211; João Bittencourt &#8211; de primeira; músicas muito bem selecionadas (o que deve ser tarefa difícil, já que a maioria das composições de Chico são boas), enfim, um deleite!</p>
<p>O que me faz pensar naquela velha desculpa de que não se vai ao teatro porque o ingresso é caro. Conversa pra boi dormir. Pelo valor camarada de 15 reais (estudante paga meia), é possível assistir a essa peça tão boa! Cara-de-pau é o vizinho, que tem um Honda Civic na garagem, que diz que não vai ao teatro porque a entrada é um absurdo&#8230; A verdade é que o espaço cultural anda bem democrático mesmo. São centenas de peças em cartaz, muitos eventos gratuitos pela cidade, exposições&#8230; É só escolher bem. <em>Meu Caro Amigo</em> é garantia de bom programa.</p>
<p><em> </em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: Felipe Barenco</em><em><br />
Direção: Joana Lebreiro<br />
</em><em>Atuação: Kelzy Ecard<br />
</em><em>Direção Musical: Marcelo Alonso Neves<br />
</em><em>Piano: João Bittencourt<br />
Centro Cultural Correios<br />
Rua Visconde de Itaboraí, 20.<br />
De 5ª a domingo, até 5 de abril.</em></p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/author/juliana/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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