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	<title>Aguarras &#187; edicao_0007</title>
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		<title>prof. Parafuso</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Aug 2007 11:44:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AGUARRÁS TV</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Professor Parafuso, da Abadá Capoeira, mostra para o Aguarrás TV a tradição oral na capoeira, com as músicas e ladainhas que contam a sua (nossa) história.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Professor Parafuso, da Abadá Capoeira, mostra para o Aguarrás TV a tradição oral na capoeira, com as músicas e ladainhas que contam a sua (nossa) história.</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/yD728mcwzXg" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/yD728mcwzXg" wmode="transparent"></embed></object></p>
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		<title>Roberto Lima</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jul 2007 22:34:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AGUARRÁS TV</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[AGUARRÁS TV]]></category>

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		<description><![CDATA[Roberto Lima é bailarino clássico do Municipal desde 1977, diretor artístico da Companhia de Ballet de Niterói (RJ), professor, pós-graduado em teatro e coreógrafo da escola de samba Porto da Pedra. Roberto gentilmente encontrou espaço em sua apertada agenda e nos concedeu esta entrevista, gravada em 22 de junho, no final da temporada do espetáculo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Roberto Lima é bailarino clássico do <a title="Theatro Municipal do Rio de Janeiro" href="http://www.theatromunicipal.rj.gov.br/" target="_blank">Municipal</a> desde 1977, diretor artístico da <a title="Cia. de Ballet de Niterói" href="http://www.aaccbn.org/" target="_blank">Companhia de Ballet de Niterói (RJ)</a>, professor, pós-graduado em teatro e coreógrafo da escola de samba Porto da Pedra.</p>
<p><a title="Roberto Lima - AGUARRÁS TV no Youtube" href="http://www.youtube.com/watch?v=NTTELKqydHs" target="_blank"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/07/rlima01.jpg" alt="Roberto Lima, entrevista ao Aguarrás TV" /></a></p>
<p><a title="Roberto Lima - AGUARRÁS TV no Youtube" href="http://www.youtube.com/watch?v=NTTELKqydHs" target="_blank"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/07/rlima02.jpg" alt="Roberto Lima, entrevista ao Aguarrás TV" /></a></p>
<p>Roberto gentilmente encontrou espaço em sua apertada agenda e nos concedeu esta entrevista, gravada em 22 de junho, no final da temporada do espetáculo <em>CHOROS E VALSAS &#8211; um tributo a Pixinguinha</em>.</p>
<p><a title="Roberto Lima - AGUARRÁS TV no Youtube" href="http://www.youtube.com/watch?v=NTTELKqydHs" target="_blank"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/07/choros_foto1.jpg" alt="espetáculo Choros &amp; Valsas - fotografia: LETICIA VINHAS (divulgação do espetáculo)" /></a></p>
<p><a title="Roberto Lima - AGUARRÁS TV no Youtube" href="http://www.youtube.com/watch?v=NTTELKqydHs" target="_blank"> <img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/07/choros_foto2.jpg" alt="espetáculo Choros &amp; Valsas - fotografia: LETICIA VINHAS (divulgação do espetáculo)" /></a></p>
<p><a title="Roberto Lima - AGUARRÁS TV no Youtube" href="http://www.youtube.com/watch?v=NTTELKqydHs" target="_blank"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/07/choros_foto3.jpg" alt="espetáculo Choros &amp; Valsas - fotografia: LETICIA VINHAS (divulgação do espetáculo)" /> </a></p>
<p>Confira, divulgue, cole no seu blog:</p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="425" height="350" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="wmode" value="transparent" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/NTTELKqydHs" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350" src="http://www.youtube.com/v/NTTELKqydHs" wmode="transparent"></embed></object></p>
<p><em>fotografias do espetáculo de LETICIA VINHAS (divulgação)<br />
stills da entrevista de DAVID LEHMANN (equipe Aguarrás) </em></p>
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		<title>Paula Toller &#8211; sónós</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jun 2007 01:49:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[Sónós de Paula Toller e sua festa de sonoridades é um álbum redondo. É cool e pop no que os termos possuem de concreto, fugindo do caricato. Ao longo das 14 músicas fica a sensação orgânica, de que tudo pode ser repetido ao vivo, de que estamos participando do registro de um show, onde os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Sónós</em> de <a title="Paula Toller" href="http://www.paulatoller.com/" target="_blank">Paula Toller</a> e sua festa de sonoridades é um álbum redondo. É cool e pop no que os termos possuem de concreto, fugindo do caricato. Ao longo das 14 músicas fica a sensação orgânica, de que tudo pode ser repetido ao vivo, de que estamos participando do registro de um show, onde os músicos tocam entrosados na troca de olhares. O cd está além do mero empilhamento de instrumentos e programações digitais, o que faz, paradoxalmente, que o cool seja um lugar aquecido e aconchegante.
</p>
<p>
<em>&#8220;O legal de esperar entre um cd e outro é que você tem uma outra vida para contar. Nesse eu olhei para dentro de mim. Gosto de falar do que é universal, do que dá trabalho. Como diz Fausto Fawcett, falar do básico&#8221;</em>.</p>
<p>Músicas como O que é que eu sou e Você me ganhou de presente são bons exemplos da opção pela simplicidade que dispensa malabarismos. Paula Toller segue o estilo de letras do <a title="Kid Abelha" href="http://www.kidabelha.com.br/" target="_blank">Kid Abelha</a>, tomando um cuidado especial com a poesia, pequenos recitais musicados, que se encaixam na voz melódica da cantora.</p>
<p>Em <em>Sónós</em>, ela se une a diversos compositores nacionais e internacionais. Tudo graças a essa ferramenta mágica chamada internet. Estão na caixinha musical Kevin Johansen, Jesse Harris e Nenung (compositor de Meu amor se mudou pra lua, primeiro single).</p>
<p><em>&#8220;O cd tem uma proposta diferente da mp3, é um trabalho artístico. As vendas vão diminuir, mas ele não vai sumir. Imagina você dar de presente um link. A música, como toda forma de arte, reflete e a ponta. Ela reflete a sua época, mas deve estar à frente&#8221;.</em></p>
<p>Tudo se perdeu é uma versão de Vicious World do cantor Rufus Wainwright, tido como um dos grandes nomes da música contemporânea. O casamento funciona na feminilidade e melancolia das letras, mas falta algo do delírio de Rufus. &#8220;Caiu com Maysa na fossa&#8221;, diz a letra mais triste do cd.</p>
<p>Erasmo Carlos assina O que é que eu sou, canção filosófica e reflexiva. Em Pane de Maravilha Paula Toller assume-se Rio de Janeiro e canta um tempo ainda agradável da cidade (maravilhosa e coração do Brasil). A letra também tem a mão de Fausto Fawcett, dando ao Rio um toque de fênix, mas distante do purgatório de Fernanda Abreu. A melodia de Dado Villa-Lobos deixa de lado o agito carioca e estica os pés na beira da praia. Boa por sacadas como &#8220;Michê do meu cartão postal / Desipanemeço total&#8221;. Só faltou a água de coco.</p>
<p>Outros bons momentos são All Over, um dueto com Donavon Frankenreiter que beira a surf music e À noite sonhei contigo, versão de Anoche soñe contigo de K.Johansen. Essa, boa pela letra e pela melodia para cima. &#8220;Que lindo que é sonhar, e não te custa nada mais que tempo&#8221;.</p>
<p>O grande destaque é Barcelona 16, feita para o filho da cantora, que começa a sair de casa para viajar e estudar fora.</p>
<blockquote><p><em>Solta da minha mão</em><br />
<em>leva o seu violão</em><br />
<em>dentro do mochilão</em><br />
<em>leva também o meu coração</em><br />
<em>Eu não sabia que existia</em><br />
<em>esse outro parto de partir</em><br />
<em>de me deixar na beira do cais</em><br />
<em>filho sempre meu não mais</em><br />
<em> &#8211; Barcelona 16. </em></p></blockquote>
<p><em>Sónós</em> é um cd que mira o mundo. Como dito no release, as fronteiras se quebraram como vidro, os países não mais nos explicam. Quando termina a primeira audição, fica a impressão de que no bis do show vamos ouvir Pintura Íntima e Fixação, para animar a festa.</p>
<p><em>&#8220;A turnê começa com shows pequenos em lugares intimistas. A estréia oficial é em agosto em Porto Alegre. Fazer show sem o Kid Abelha é a possibilidade de ter uma nova estréia depois de 25 anos de carreira&#8221;.</em></p>
<p align="center"><a  title="Paula Toller - fotografia de Christian Gaul" rel="toller" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/paula04.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/paula04.thumbnail.jpg" alt="Paula Toller - fotografia de Christian Gaul" /></a> <a  title="Paula Toller - fotografia de Christian Gaul" rel="toller" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/paula03.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/paula03.thumbnail.jpg" alt="Paula Toller - fotografia de Christian Gaul" /></a> <a  title="Paula Toller - fotografia de Christian Gaul" rel="toller" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/paula01.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/paula01.thumbnail.jpg" alt="Paula Toller - fotografia de Christian Gaul" /></a> <a  title="Paula Toller - fotografia de Christian Gaul" rel="toller" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/paula02.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/paula02.thumbnail.jpg" alt="Paula Toller - fotografia de Christian Gaul" /></a></p>
<p align="center"><em>fotografias de Christian Gaul </em></p>
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		<title>Eu não tenho onde morar</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jun 2007 01:40:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswaldo Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Dorival Caymmi prima pela simplicidade de suas composições. Os versos enxutos, acompanhados de um ritmo exato, são exemplo para muitos que escrevem. Qualidade do escrever é ser, além de preciso, sobretudo, significativo. Qualidade que sobra em Caymmi. O significativo não é, entretanto, dizer o que seja passível de entendimento imediato, fosse assim, a música não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Dorival Caymmi" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dorival_Caymmi" target="_blank">Dorival Caymmi</a> prima pela simplicidade de suas composições. Os versos enxutos, acompanhados de um ritmo exato, são exemplo para muitos que escrevem. Qualidade do escrever é ser, além de preciso, sobretudo, significativo. Qualidade que sobra em Caymmi. O significativo não é, entretanto, dizer o que seja passível de entendimento imediato, fosse assim, a música não criaria comunicação. O que se está entendendo como significativo é exatamente o oposto do imediato processo de comunicação que o cotidiano nos oferece. Significativo aqui significa um ir além da comunicação, uma interseção de sentidos que resultem em algo novo. O ato criador, ao superpor dois ou mais sentidos, criando sentidos outros, transforma-se em invenção.</p>
<p>
As canções de Caymmi &#8211; sejam elas as que expressam o ritmo, a paisagem humana e física, sejam as que fazem comentários acerca do cotidiano &#8211; são sempre exatas. Dizem o que dizem, sem uma vírgula a mais ou a menos. A belíssima <a title="Maricotinha, de Caymmi" href="http://dorival-caymmi.letras.terra.com.br/letras/559081/">Maricotinha</a>, gravada por Maria Bethânia recentemente, pode ser tomada como um dos inumeráveis exemplos do cancioneiro Caymminiano. O que nos diz a música é simples. &#8220;Se fizer bom tempo, eu vou, mas, se por acaso chover, não vou&#8221;. O que a música diz é só isso, essa economia fundamental que força o ouvinte/leitor a ilações, percepções e recepções as mais interessantes. O que a música não diz, dizendo, é toda uma percepção sociológica do brasileiro, permitida pela ilação que se pode fazer a partir das pausas musicais que sublinham e alinham os versos e o canto.</p>
<p>Compare-se, ao acaso, com a pintura. Uma pessoa, ao observar um quadro qualquer, pode dar-se conta do processo de composição que levou à composição final do quadro e à ilusão que ele provoca. Raramente observam-se as cores, os substratos que levaram tal quadro a ser tal quadro e não outro e a ele emprestam-se significados retirados imediatamente da realidade. Os retirantes de Portinari sofrem essa interpretação, o sorriso enigmático de <a title="La Gioconda" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mona_Lisa" target="_blank">Gioconda</a> também a sofre.</p>
<p>Ouvir Caymmi, observar um bom quadro, ler um bom livro requer uma outra atitude. Uma atitude crítica, instauradora, na qual um dos agentes do processo &#8211; o leitor/ouvinte/observador &#8211; deve participar da composição dos significados. Cabe ao ouvinte ouvir, mas não apenas ouvir. Ao ouvinte cabe perceber os significados ocultados pela maestria do compositor. Isso se pode fazer com qualquer composição, com qualquer quadro, qualquer livro. Entretanto, há aqueles que não obrigam o receptor a este exercício de interpretação, são tão evidentes que nada resta deles para dizer, como há outros que inquietam o receptor e subvertem o sentido imediato da comunicação, para tornarem-se invenção. Não há nestes uma imprecisão sequer, mas que, por serem tão precisos, exigem do receptor a ativação do que nessa precisão se esconde.</p>
<p>A música de Caymmi, incrustada na sensibilidade do ouvinte brasileiro &#8211; por pertencer ao cancioneiro que se domina desde que se nasce, por assim dizer &#8211; é um caso raro em que a expressão do popular se alia à maestria da invenção da arte. Caymmi captou e expôs, nas possibilidades da arte, do périplo sempre inquieto e inconstante, que é o motivo pelo qual a arte se faz, a capacidade de dizer as complexidades humanas, com o mínimo de expressão e o máximo de simplicidade, no que elas possuem de mais intenso.</p>
<p>Ao colocar nos aparelhos que tocam música &#8211; são tantos hoje em dia &#8211; o cancioneiro de Dorival, o ouvinte não só reconhecerá a si mesmo como descobrirá em si mesmo outros que ainda não havia percebido ser.</p>
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		<title>Alphadog</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jun 2007 01:35:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Alphadog de Nick Cassavetes fala da decadência dos valores morais diante de um culto cada vez mais disseminado à bandidagem travestida de cultura hip-hop americana, que já extrapolou fronteiras e dialoga com o cotidiano de diversos países, inclusive o nosso. Ao invés de abordar a hipocrisia da classe média, Cassavetes usa a história real de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Alphadog" href="http://www.alphadogmovie.com/" target="_blank"><span style="font-style: italic">Alphadog</span></a> de <a title="Nick Cassavetes" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nick_Cassavetes" target="_blank">Nick Cassavetes</a> fala da decadência dos valores morais diante de um culto cada vez mais disseminado à bandidagem travestida de cultura hip-hop americana, que já extrapolou fronteiras e dialoga com o cotidiano de diversos países, inclusive o nosso. Ao invés de abordar a hipocrisia da classe média, Cassavetes usa a história real de um traficante americano ligeiramente disfarçada devido a problemas judiciais (quando estava terminando de filmar, o bandido foi preso no Rio de Janeiro vivendo como playboy). </p>
<p>No filme, ele é Johnny Truelove (Emile Hirsch), que vive num casarão e tem a proteção (quase parceria) do pai (Bruce Willis) em seus negócios. Johnny e seus comparsas/amigos levam a vida sem grandes ambições, com muito tempo para gastar com drogas, armas, mulheres e festas regadas a bebidas. As coisas complicam quando Mazursky, cliente de Truelove, não arruma dinheiro para pagar o que deve e é ameaçado. Ao contrário dos amigos de Truelove que baixam a cabeça pra tudo, Mazursky não recebe bem as ameaça<br />
s e reage. No meio das provocações de um lado e do outro, Truelove decide seqüestrar o irmão de Mazursky até que ele pague a dívida. Zack, o tal irmão, é o ponto de interrogação do filme. Mais do que qualquer outro personagem, é ele o elemento que faz o espectador pensar que há algo de errado na ordem mundial. Na companhia de Frankie (Justin Timberlake), Zack conhece os amigos de Truelove, anda em carrões, ouve música, perde a virgindade, participa de festas na piscina e acaba se tornando um parceiro do grupo ao invés de refém (pelo menos do seu ponto de vista e de Frankie). A família de Zack (que não sabe onde ele está) chama a polícia, e para fugir da acusação de seqüestro, Truelove manda um dos amigos metralhar o garoto em um terreno afastado da cidade. Prático assim.</p>
<p>Chama atenção a quantidade de testemunhas contabilizadas pelo diretor na duração do seqüestro. Todos que conheceram Zack e souberam que ele era refém, ao invés de ajudá-lo ou ligar para a polícia acharam a situação excitante. Outro dado importante é a conivência dos pais, sempre em orgias, alucinados com ecstasy ou coisa parecida, pouco interessados nas atitudes e problemas dos filhos.</p>
<p>A versão carioca seria a filha rica que vai morar no morro com namorado bandido que a ama e tem um fuzil &#8220;da hora&#8221;. Ficam de fora as mansões, as bebidas e os corpos malhados. A versão de Londres, que tem se tornado um sério problema na cidade, são grupos de jovens saindo de noite para atirar nos outros e experimentar &#8220;o poder de tirar a vida de alguém&#8221;. Eles não roubam, não precisam de dinheiro, só querem mesmo atirar. Qualquer semelhança com o espancamento da doméstica é mera coincidência.</p>
<p><a  title="Alphadog" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/alphadog.jpg"></a></p>
<p style="text-align: center"><a  title="Alphadog" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/alphadog.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/alphadog.thumbnail.jpg" alt="Alphadog" /></a></p>
<p>Como o filme é baseado em fatos reais, não há surpresas no final. Nick Cassavetes ainda não achou o ponto certo para seu estilo de direção e roteiro. Alphadog ficaria bem melhor com quarenta minutos a menos, por isso deve funcionar melhor em DVD.</p>
<p>Vale pela perplexidade diante da frieza de Truelove e da inocência de Zack, achando que é melhor fazer parte da gangue sem limites do que voltar para a mãe (Sharon Stone) em casa, e também pela frustração de não poder mudar o final do filme e da história real.<br />
Destaque para as boa atuação de Justin Timberlake.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Repercussivo</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2007/06/24/repercussivo/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2007/06/24/repercussivo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 24 Jun 2007 14:05:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Enquanto rabisco não penso em nada&#8221;, diz Antonio Bokel recuperando um automatismo à la Breton que há muito tempo ninguém assumia. Claro, o surrealismo, com sua valoração de um inconsciente não-individualizado, apontava para uma religiosidade das mais burras. Um corpo versus alma primitivo, que se exprimiria, esta última, quando a mente imperfeita dos humanos estivesse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Enquanto rabisco não penso em nada&#8221;, diz <a title="Antonio Bokel" href="http://www.antoniobokel.com.br/" target="_blank">Antonio Bokel</a> recuperando um automatismo à la <a title="André Breton" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Andr%C3%A9_Breton" target="_blank">Breton</a> que há muito tempo ninguém assumia.</p>
<p>Claro, o surrealismo, com sua valoração de um inconsciente não-individualizado, apontava para uma religiosidade das mais burras. Um corpo versus alma primitivo, que se exprimiria, esta última, quando a mente imperfeita dos humanos estivesse dormindo ou, pelo menos, distraída com outra coisa. Tal anti-racionalismo esteve fora de moda até explodir, literalmente, há alguns anos.
</p>
<p>
Só que não há nada de distração ou alheamento na exposição do espaço <a title="Repercussivo" href="http://www.repercussivo.com/" target="_blank">Repercussivo</a>, da Barra da Tijuca (RJ). Então, não deve ser automatismo, em que pese a declaração do artista que, inclusive, complementa desconfiar que o que guia sua mão é uma voz superior, algum deus &#8211; grafado em seu folheto com todas as letras maíusculas.</p>
<p>O que se vê é o contrário disso. Não só nas obras de Bokel como nas dos dois outros artistas da coletiva: Marcos Dias Corrêa &#8211; que é também o galerista &#8211; e <a title="Bruno Lyra" href="http://www.blyra.com/" target="_blank">Bruno Lyra</a>.</p>
<p>Eles vendem tinta.</p>
<p align="center"><a title="Antonio Bokel" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/bokel.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/bokel.thumbnail.jpg" alt="Antonio Bokel" /></a> <a title="Marcos Dias Corrêa" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/correa.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/correa.thumbnail.jpg" alt="Marcos Dias Corrêa" /></a> <a title="Bruno Lyra" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/lyra.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/lyra.thumbnail.jpg" alt="Bruno Lyra" /></a></p>
<p>E são excelentes comerciantes. No folheto e no site da galeria há expressões marqueteiras como merchandising, apresentação de produtos, pessoal especializado &#8220;para orientar a aquisicão de trabalhos a preços acessíveis&#8221; etc. Nenhuma alma aqui, só negócios.</p>
<p>Mas, nos três casos expostos, a venda e a tinta vendida têm uma contraposição radical. Ou não, se lembrarmos que o mercado tudo absorve, mesmo o que o ataca. E há um ataque.</p>
<p>Bokel rabisca tudo, tela, cubos de madeira e a parede que está por perto. Lyra cobre com lagos de tinta diluída textos e números que ficam, assim, ilegíveis. Corrêa &#8220;estraga&#8221; pinturas caprichadas de ícones de nosso tempo &#8211; carros, computadores, foguetes da Nasa &#8211; jogando por cima delas respingos e borrões raivosos de tinta encorpada.</p>
<p>A tinta vendida, portanto, não é conformista, é destrutiva/criativa.</p>
<p>Esta destruição/criação não é às cegas, autômata ou guiada por algum deus. É um espelho exato do espaço estreito e do tempo, curto, onde vivem os jovens artistas e galeristas frente a um mercado que os aniquila e em cuja superfície vivem.</p>
<p>Surrealistas, afinal. A espontaneidade radical apenas é mostrada, aqui, em seu processo, ao deixarem aparente a superfície anterior, bem comportada e lógica, onde ela se manifesta.</p>
<p>Os preços são um segundo ataque a partir de dentro, ou sobre. Telas grandes a mil e pouco reais, peças menores a hilários &#8220;R$ 299,00&#8221;. Não são os preços do mercado de arte. São os preços de quem faz quadros para quem quer pôr quadro na parede do sofá, sem ser, necessariamente, o sofá do Gilberto Chateaubriand.</p>
<p>Na época dos surrealistas, havia a assertiva de que as artes plásticas tinham um apelo instantâneo e de apreensão simultânea, ao contrário da música que seria uma arte de percepção consecutiva, temporal. Depois, essa dicotomia caiu ao se descobrir que ambas as percepções se acumulam e se modificam a cada instante e que ver uma imagem é tão temporal quanto escutar uma música. Que nada ou ninguém escapa ao tempo e que é o tempo, tanto quanto o espaço, que produz a experiência estética em qualquer meio.</p>
<p>(Ou época.)</p>
<p>Os artistas do Repercussivo fizeram uma experiência interessante. A galeria, muito ampla, tem três janelões atrás dos quais se apresentou, na abertura da exposição, o grupo <a title="Bonde Som" href="http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&amp;friendID=177205023" target="_blank">Bonde Som</a>. Vê-los tocando, emoldurados como se quadros fossem, pelo batente dos janelões, ao lado dos quadros reais expostos, foi uma experiência estética que, esta, não pode ser vendida por preço algum.</p>
<p>A galeria tem outro detalhe que soma. Além dos três janelões internos, há três janelinhas, basculantes na verdade. A galeria é em um subsolo. As janelinhas, de vidro fosco, ficam ao alto da parede e na altura da calçada lá fora. Você vê essa arte que se atraca, e ataca, e, ao mesmo tempo, vê o que ela ataca e em que se atraca: a entrada de um shopping center. A entrada e as pessoas que por lá passam aparecem em sombras, bem, surrealistas, quando iluminadas pelos faróis dos carros.</p>
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		<title>Erasure</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2007/06/21/erasure/</link>
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		<pubDate>Fri, 22 Jun 2007 01:14:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[O Erasure é uma das instituições do tecnopop, ritmo consagrado nos anos 90 (que nasceu em meados de 80). Em sua história, Vince Clark e Andy Bell acumularam um punhado de hits como: Blue Savannah, A little respect, Star, Oh L&#8217;amour, I love to hate you, Always, Freedom. No Brasil, são mais lembrados pelas faixas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <a title="Erasure" href="http://www.erasureinfo.com/" target="_blank">Erasure</a> é uma das instituições do tecnopop, ritmo consagrado nos anos 90 (que nasceu em meados de 80). Em sua história, Vince Clark e Andy Bell acumularam um punhado de hits como: Blue Savannah, A little respect, Star, Oh L&#8217;amour, I love to hate you, Always, Freedom.
</p>
<p>
No Brasil, são mais lembrados pelas faixas de melodias alegres, que seguem o pop eletrônico de fácil digestão. Suas músicas introspectivas e lentas ficaram mais restritas ao circuito europeu, sem deixar, entretanto de se destacar por lá.</p>
<p>Após experimentar programações de teclado mais complexas no álbum Erasure, o grupo voltou ao formato tradicional em <em>Cowboy</em>, que não teve muito impacto apesar das boas faixas. Um ano depois, Andy Bell descobriu ser portador de HIV. A notícia (obviamente) impactou sua relação com a arte, e a melancolia ficou evidente em <em>Loveboat</em>, desviando o grupo do estilo original.</p>
<p>Para a retomada, Vincent e Andy resolveram gravar um cd de covers e reencontrar a identidade musical do Erasure através de músicas de outros artistas. A idéia deu certo e o Erasure voltou ao top 10. O grupo lançou <em>Nightbird </em>e logo em seguida o cd acústico <em>Union Street</em>, excursionando pela primeira vez com uma banda completa e revisitando seus clássicos e lados b.</p>
<p>Esse imenso histórico de vivências, impactos, altos e baixos e flertes musicais fez o Erasure expandir seu universo de sonoridades e criar o competente Light at the end of the world. Todos os caminhos trilhados até aqui se refletem nas 10 faixas do cd.</p>
<p>Storm in a teacup e suas lembranças conturbadas de infância mostram que a melancolia não precisa vir aprisionada a uma balada sufocante, a melhor música do álbum. Sunday girl, tecnicamente apurada e voltada para as pistas de dança, retoma as letras simples e para cima, fazendo sucesso nas versões remixadas. Para quem curte dor de cotovelo, há Fly away, algo no estilo meu amor se foi, sem nenhum grande diferencial. I could fall in love with you segue o caminho inverso, é complexa sonoramente e cheia de mensagens positivas. Tem sido muito elogiada pela crítica americana por atualizar o som do grupo e não dever nada aos antigos hits. Vale a pena conhecer.</p>
<p>Zippies que não querem esperar pelas rádios podem passar no <a title="Erasure @ MySpace" href="http://www.myspace.com/erasureofficial">MySpace</a> para ouvir os singles lançados e a antiga Breath (de <em>Nightbird</em>). Na janela do <a title="Erasure @ youtube" href="http://www.youtube.com/user/erasureinfo" target="_blank">youtube</a>, a versão acústica de Sunday Girl e um clip de I could fall in love with you com vários casais se beijando.</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Blinded by the vision</em><br />
<em>I turn and face my back to the wall</em><br />
<em>&#8216;Cause I&#8217;m locked up in a rhythm</em><br />
<em>The prism of a big glitter ball</em></p>
<p><em>She loves the night</em><br />
<em>And all that glitters</em><br />
<em>Her name in lights</em><br />
<em>Around the city</em><br />
<em>Don&#8217;t you mess your life up Sunday girl&#8221;</em><br />
<em> &#8211; Sunday Girl</em></p></blockquote>
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		<title>Ungaretti</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jun 2007 16:29:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswaldo Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Ungaretti Para Lucia Leão O poeta italiano escreveu um dos poemas mais emblemáticos de toda a literatura ocidental. Mattina. Dele conheço duas traduções para o português, a de Sérgio Wax e a de Haroldo de Campos. O poema de Ungaretti: Mattina M&#8217;illumino d&#8217;immenso A tradução de Sérgio Wax: Manhã Ilumino-me de imenso A tradução de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Giuseppe Ungaretti" href="http://www.ungarettionline.it/" target="_blank">Ungaretti</a></p>
<p><em>Para Lucia Leão</em></p>
<p>O poeta italiano escreveu um dos poemas mais emblemáticos de toda a literatura ocidental. <em>Mattina</em>. Dele conheço duas traduções para o português, a de Sérgio Wax e a de <a title="Haroldo de Campos" href="http://www.haroldodecampos.com.br/" target="_blank">Haroldo de Campos</a>.
</p>
<p>
O poema de Ungaretti:</p>
<blockquote><p><em>Mattina</em></p>
<p><em>M&#8217;illumino</em><br />
<em>d&#8217;immenso</em></p></blockquote>
<p>A tradução de Sérgio Wax:</p>
<blockquote><p><em>Manhã</em></p>
<p><em>Ilumino-me</em><br />
<em>de imenso</em></p></blockquote>
<p>A tradução de Haroldo de Campos:</p>
<blockquote><p><em>Manhã</em></p>
<p><em>Deslumbro-me </em><br />
<em>de imenso</em></p></blockquote>
<p>A transcrição das duas traduções não tem o desejo da comparação. Entre iluminar-se e deslumbrar-se há pouca, mas séria divergência. Nos dois verbos a noção de luz, contida no original, se mantém intacta. Lume é ressonância sonora e semântica tanto em iluminar quanto em deslumbrar. O que, por hora, diferencia as duas traduções é o acento tônico no fonema nasal da tradução de Haroldo. A adequação que o poeta brasileiro constrói em relação ao acento em italiano é significativa e não mero capricho, pois o sentido de deslumbrar-se afirma uma interpretação do poema praticada pela tradução.</p>
<p>Percebe-se que a interferência semântica constrói de modo claro uma percepção do sujeito em relação à manhã, que ativa o deslumbramento do qual a vítima é o eu-lírico, reforçada, de resto, pela primeira pessoa e pela reflexibilidade do verbo. Deslumbrar-se a si mesmo &#8211; iluminar-se a si mesmo &#8211; traz ao poema uma ação que está contida no sujeito, que é capaz de iluminar-se/deslumbrar-se a partir da luz jorrada pela manhã. Desta forma, tanto é impressionado pela luz da manhã quanto em si mesmo percebe esta impressão e a empresta à manhã, criando um jogo de duplicidade semântica e de perceptiva. Não se pode afirmar que o sujeito determina o real ou é por ele determinado.</p>
<p>Se a escolha semântica e fonética de Haroldo de Campos reflete esta duplicidade com maior fidedignidade, interpreta o poema. Há quem prefira as brumas do original, mantida na tradução de Sérgio Wax, há quem prefira a aproximação de Haroldo. As preferências estão a cargo de cada leitor, o que não está na escolha do leitor é justamente a fundação do real promovida pelo poema; esta não se pode deixar de ler e é a partir dela que se vai perceber que o poema é um poema, na sua mínima inscrição e, por isso, exemplar de toda e qualquer poesia.</p>
<p>Ao lermos o deslumbramento do sujeito/manhã, da manhã/sujeito as diferenças entre o que se percebe da manhã e o que da manhã se faz perceber desaparecem, tornam-se unas. Nesta unidade reside a percepção do todo, do que não era e passou a ser &#8211; integração e movimento (sugerido pela sonoridade do poema) no qual o homem se torna natureza e a natureza se humaniza. A indivisibilidade do sujeito e do objeto, criada pelo poema, nos faz perceber de imediato &#8211; antes de qualquer raciocínio &#8211; a impossibilidade de falar sobre a vida, senão através do fazer poético. Por isso a poesia é algo mais que o discurso sobre o mundo, é sua própria instauração.</p>
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		<title>A garota de Cassidy</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2007/06/21/a-garota-de-cassidy/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Jun 2007 16:14:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma boa solução para quem acha que os livros estão caros é pesquisar os pockets nacionais. L&#38;PM, Martin Claret e a Cia. das Letras têm abastecido o mercado com gêneros, autores, épocas e estilos variados, que possuem a vantagem de não pesar nem na bolsa nem no bolso. A garota de Cassidy (lançado aqui pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma boa solução para quem acha que os livros estão caros é pesquisar os pockets nacionais. <a title="L&amp;PM" href="http://www.lpm-editores.com.br/" target="_blank">L&amp;PM</a>, <a title="Martin Claret" href="http://www.martinclaret.com.br/" target="_blank">Martin Claret</a> e a <a title="Cia. das Letras" href="http://www.companhiadasletras.com.br/" target="_blank">Cia. das Letras</a> têm abastecido o mercado com gêneros, autores, épocas e estilos variados, que possuem a vantagem de não pesar nem na bolsa nem no bolso.</p>
<p><em>A garota de Cassidy</em> (lançado aqui pela L&amp;PM) foi escrito em 1951 por <a title="David Goodis" href="http://en.wikipedia.org/wiki/David_Goodis" target="_blank">David Goodis</a> e, segundo a contracapa, é um romance noir sobre o amor e a sordidez.
</p>
<p>
O livro conta a história de Cassidy, um motorista de ônibus totalmente bêbado e fracassado que mantém uma relação conturbada com Mildred, uma linda mulher de caráter duvidoso. Cassidy chega em casa e percebe que Mildred deu uma festa na sua ausência, e que seus amigos, para variar, quebraram tudo, sujaram a cozinha e comeram sua comida. Para deixar claro que esse é um relacionamento diferente, David Goodis emenda em uma briga de tirar sangue e fazer a mobília voar. Depois da pancadaria e do estranho ritual de reconciliação, Mildred lembra ao &#8220;marido&#8221; que deu a festa porque estava fazendo aniversário, sai de casa e vai para o bar.</p>
<p>É um começo desnorteador que deixa o leitor sem saber em que terreno está pisando e o que pode encontrar pela frente. Um artifício inteligente por motivar o leitor e equivocado por criar expectativas que não consegue cumprir.</p>
<p>Cassidy, obviamente, decide afogar as mágoas no mesmo bar. Lá, somos apresentados aos amigos de Cassidy que não gostam de Mildred, o dono do bar e bêbados em geral Entre eles, destacam-se Haney, um sujeito com grana que é apaixonado por Mildred, e Doris, uma espécie de coma alcoólico ambulante, em quem Cassidy vê um anjo perdido na terra.</p>
<p>O desenrolar desse quadrado move a história até o fim, sem nada de muito interessante. No meio do livro, David Goodis faz uma virada de trama tão sem sentido que é difícil não se perguntar o que ele bebeu antes de escrever. Nem mesmo o passado misterioso de Cassidy consegue compensar os vazios narrativos.</p>
<p>Pontos positivos:</p>
<blockquote><p>Assim como os personagens, o leitor nunca sabe quais provocações são reais e quais fazem parte do jogo amoroso do casal. O amor e o ódio convivem mais próximos do que de costume.</p>
<p>Doris é uma personagem bem diferente dos arquétipos convencionais, totalmente enamorada do uísque e apática para a vida.</p></blockquote>
<p>Pontos negativos:</p>
<blockquote><p>Apesar de a escrita fluir bem, o livro passa longe da atmosfera densa que consagrou o noir.</p>
<p>A trama é vaga demais e os personagens não evoluem psicológicamente, terminando do mesmo jeito que começaram. É a típica diversão passageira, recomendada para quem acha que existe um poço mais fundo do que o retratado por <a title="Charles Bukowski" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Charles_Bukowski" target="_blank">Bukowski</a>.</p></blockquote>
<p>David Goodis nasceu na Filadélfia e chegou a ter algum reconhecimento em vida. A fama veio mesmo após a morte em 1967. Atire no pianista foi adaptado para o cinema por ninguém menos que <a title="François Truffaut" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7ois_Truffaut" target="_blank">François Truffaut</a>.</p>
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		<title>Tiago Judas</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jun 2007 18:15:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Não dá para não ser pessoal. Por mais distanciamento bem comportado que se assuma, acabam sempre entrando as implicâncias e simpatias de cada um. Eu, por exemplo. Ou melhor, o concretismo, por exemplo. Tiago Judas expõe a opinião dele sobre o concretismo na Galeria Vermelho (SP). Dá nome a tudo, a começar pela exposição, chamada [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-10143" title="Tiago Judas @ Galeria Vermelho" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/divjorn0426b.jpg" alt="Tiago Judas @ Galeria Vermelho" width="213" height="283" />Não dá para não ser pessoal. Por mais distanciamento bem comportado que se assuma, acabam sempre entrando as implicâncias e simpatias de cada um.</p>
<p>Eu, por exemplo.</p>
<p>Ou melhor, o concretismo, por exemplo.</p>
<p> Tiago Judas expõe a opinião dele sobre o concretismo na <a title="Galeria Vermelho" href="http://www.galeriavermelho.com.br/" target="_blank">Galeria Vermelho</a> (SP). Dá nome a tudo, a começar pela exposição, chamada de <em>Matiz Vertical</em>. E continua nomeando: a história em quadrinhos se chama <em>Infinito-D</em>; as aquarelas, <em>Sangue e Clorofila</em>. É o que ele acha a respeito da autonomia da representação em relação ao referente.</p>
<p>A peça com maior destaque é um duplo.</p>
<p>Lado a lado, na parede, há uma construção concreta feita com uma colagem em madeira. Sem fundo/figura, seus campos vermelho e verde se igualam na simetria da composição enquanto se agridem na complementaridade cromática. Nenhuma contaminação pessoal do artista aqui. A obra se impõe como perfeito produto desvinculado de qualquer experimentação fenomenológica, livre de historicidades.</p>
<p>A seu lado, um vídeo. Nele, o artista está sentado em uma cadeira mas não se sente bem, não se mostra relaxado. Sai, então, e dá voltas, inclusive andando pela parede, e tenta várias posições até voltar, suado, à posição inicial. Faz assim, com seu corpo, esse inimigo do concretismo, toda uma pesquisa geométrica (o corpo se dobra em vértices, retângulos) na busca de alguma coisa, o estar-no-mundo perfeito. Ao lado, em uma mesinha, frutas em uma fruteira fazem o papel de frutas em uma fruteira, como se estivessem em uma natureza-morta.</p>
<p>Ri sozinha na galeria.</p>
<p>E rindo continuaria.</p>
<p>O <em>Infinito-D</em> vai pelo mesmo caminho. O Zé é personagem desenhado sem nenhuma linha reta e com o traço sujo característico do gênero. Ele procura, segundo o texto, um alto grau de meditação. Consegue. É o vazio. Texto do último quadrinho: O Zé virou zero.</p>
<p>Duas linhas retas, bem, meio retas, se cruzam no chão. São dois “tênis” costuradinhos de forma a ficarem bem compridos, meio gordinhos e desajeitados, em forma de X. Detalhe, os cadarços estão desamarrados. É o <em>Caminho interno</em>, onde cada pé vai para um lado, mas sempre em linha reta.</p>
<p><em>Painéis de Comando</em> faz lembrar a arte cinética daqueles tempos, luzinhas, espirais rodando. Mas tudo meio mambembe, de madeira pintada.</p>
<p>Em <em>Sangue e clorofila</em>, pessoas carregadas de objetos complicadíssimos passam perto de árvores. São notepads, televisões portáteis, benjamins de eletricidade que caem do bolso e das mãos. Um cara está com dois relógios. As árvores, estas, parecem não ter problemas em segurar suas folhas.</p>
<p>E em <em>Kipá</em>, bonés tampam buracos na cabeça.</p>
<p>Bem, é hilário.</p>
<p>Ou sou eu que também não tenho muita paciência com os concretos.</p>
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		<title>Toulouse Lautrec</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jun 2007 18:06:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[gráficas/design]]></category>

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		<description><![CDATA[Nada desagradava mais ao aristocrático Toulouse Lautrec do que as boas maneiras da arte dos museus e salões. Sua primeira obra foi um cartaz publicitário para um show da amiga La Goulue. É impossível, hoje, recuperar as condições de recepção da Paris na época. Mas as diferenças entre publicidade e arte se mantêm, embora uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada desagradava mais ao aristocrático Toulouse Lautrec do que as boas maneiras da arte dos museus e salões. Sua primeira obra foi um cartaz publicitário para um show da amiga La Goulue.</p>
<p>É impossível, hoje, recuperar as condições de recepção da Paris na época. Mas as diferenças entre publicidade e arte se mantêm, embora uma e outra mudem a cada instante. O que pretende uma é o antônimo da outra. Isso não muda.
</p>
<p><p style="text-align: center"><a  title="Toulouse Lautrec @ MASP" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/divjorn0427.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/divjorn0427.thumbnail.jpg" alt="Toulouse Lautrec @ MASP" /></a></p>
<p>É uma questão de inclusão-exclusão.</p>
<p>No discurso publicitário, os &#8220;outros&#8221; ocupam espaços bem determinados.</p>
<p>São negados e estão totalmente ausentes no que é mostrado.</p>
<p>São incluídos como exemplo de bom mocismo, ao desejarem ou se exultarem com a inclusão.</p>
<p>(A inclusão é identificada sempre como o consumo de algum bem ou serviço.)</p>
<p>São incluídos como contraste, como um negativo fotográfico dos que têm/sabem/usam.</p>
<p>A publicidade se deseja ver como agente socializador. Como um ator que, ocupando um espaço de poder, transmite não só a rede de hábitos socializantes de determinada cultura mas também tem o papel de incentivar a inclusão, ao exercer a função de premiar ou castigar o indivíduo durante o curso de sua adaptação no processo de socialização. Não é. É profunda, intrínsica e necessariamente conservadora. Sua ação socializadora parte de parâmetros estratificados e tem por meta estes mesmos parâmetros. É para algo já sedimentado e detentor de um poder que ela dirige seus esforços e sua socialização.</p>
<p>Agora, o Lautrec.</p>
<p>Não se trata de ressaltar aqui o sempre louvado tema do artista, as mulheres de cabaré, os excluídos sociais.</p>
<p>Vamos para a estrutura, a maneira como, porque é aí que não se mente.</p>
<p>Tem a questão das pernas. As figuras de Lautrec raramente têm pernas. A psicologia diz da impossibilidade do artista em retratar o que o destruiu, o duplo acidente das pernas quebradas, que o tornou disforme. A sociologia diz da impossibilidade das figuras em ir em frente, ter sucesso.</p>
<p>Loïe Fuller tem, para propagandear, suas pernas. É bailarina. Loïe Fuller é mulher de cabaré. Tem, para propagandear, o erotismo. Mas Lautrec a retrata de cima. Um círculo. Um ponto fechado em si mesmo. Algo que existe apesar do seu em torno, do que está em sua volta.</p>
<p>A Condessa, mãe de Lautrec, não tem o rosto que anunciaria uma classe social que a diferencia das outras mulheres. Cabelos cobrem o que a caracterizaria.</p>
<p>Em O divã, o móvel toma conta de quem nele senta a ponto de, de quem dele se levanta, se ver cortado pelo artista. A mulher em verde simplesmente não cabe no quadro. As que ficam se integram no vermelho que o estofado expande.</p>
<p>Publicidades não cortam a figura humana a não ser que a intenção seja ressaltar o pedaço que fica, o que não é o caso aqui.</p>
<p>Na publicidade, as figuras são sempre perfeitas.</p>
<p>O que Lautrec faz é desfamiliarizar seu tema. Mesmo partindo da premissa de que o que iremos ver são os excluídos, ele ainda assim dá um jeito de não dar o que esperamos. Ele desautomatiza a visão. Ainda hoje. É este o seu mérito. É aí que ele se põe em uma posição antagônica ao discurso publicitário, em que pese sua carreira, feita principalmente de cartazes de espetáculos.</p>
<p>Sua ênfase não está no reconhecimento de algo que se apresenta como desejável. A ênfase está na percepção. Reconhecimento é confirmar algo esperado por antecipação. A percepção é sempre nova e é uma ação de resistência à integração passiva ao já existente.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dicionário de Pequenas Solidões</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jun 2007 17:56:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Dicionário de pequenas solidões é uma coleção de contos de Ronaldo Cagiano. O material, como explica a nota de edição, é édito e já foi publicado em livros anteriores: Concerto para arranha-céus e Dezembro indigesto, mas passou por algumas modificações. Cagiano, que é mineiro, já transitou pela poesia e trouxe um resquício poético para seu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Dicionário de pequenas solidões</em> é uma coleção de contos de <a title="Ronaldo Cagiano" href="http://www.revista.agulha.nom.br/rcagiano.html" target="_blank">Ronaldo Cagiano</a>. O material, como explica a nota de edição, é édito e já foi publicado em livros anteriores: <em>Concerto para arranha-céus</em> e <em>Dezembro indigesto</em>, mas passou por algumas modificações. Cagiano, que é mineiro, já transitou pela poesia e trouxe um resquício poético para seu trabalho, apesar de não se apropriar do ritmo lírico. Seu dicionário trata de um sentimento universal. A solidão é democrática e atinge a todos, por outro lado não pode ser confinada a definições, já que é deveras pessoal e os mecanismos que a despertam variam de indivíduo para indivíduo. Ela pode despertar de uma fala, do ruído do mar, um olhar atravessado no meio da rua, da cena da morte no valão da estrada, elementos bem aproveitados pelo autor. Aliás, nada mais solitário do que andar em meio às multidões, e os personagens desse Dicionário possuem um mundo inteiro de figurantes ao redor do seu universo particular.</p>
<p>Ciente dessa amplitude, Cagiano aborda o sentimento de focos diferentes. Há abuso sexual, festas em família, o isolamento da cultura, entremeados de classes sociais.</p>
<p>Em Solidão, acompanhamos Rosalía e seu dia a dia de mulher da vida, as nuances de falsa moral da sociedade que deslocam a personagem para a margem, mesmo que ela sirva de centro para muitas pessoas. Quem já passou por isso sabe o quanto dói. Todos sabem de você, mas fingem que não. Ser você só para si e para os demais, um outro.</p>
<blockquote><p><em>&#8220;Todo mundo sabia que ela se engraçava com o português do armazém. Não havia dia de chuva ou sol que não passasse em frente ao Empório do Alentejo e jogasse seu charme, seus olhares enviesados, ou um veneno, se visse dona Hormenzinda no balcão. A velha tinha desconfiança, mas nunca deu flagrante. Nunca&#8221;. </em></p></blockquote>
<p>Há também a solidão da idade, de um distanciamento (i)natural de quem estaciona em um ponto do tempo e recusa-se a girar com o resto do planeta. A solidão nem sempre é imposta pelo externo, pode vir de dentro como opção ou conseqüência de decisões cotidianas (nem sempre claras, apesar de constantes). Essa fuga simbólica do futuro é mais evidente no conto Pavlov, em que uma velha só tem a companhia de seu cachorro (bem mais solitário do que ela, um tipo de companheirismo vitimado).</p>
<blockquote><p><em>&#8220;A velha monologava seus mistérios, seus mundos estranhos, suas paranóias (&#8230;) o cão sofria os diabos, a duras penas conseguia viver naquele mesmo espaço, entre os delírios de Bratislava e suas rabugices&#8221;. </em></p></blockquote>
<p>Tecendo com sutileza as tramas, Cagiano sabe trabalhar com a ausência, usar o que é dito nas páginas para revelar o que falta no mundo de cada um de seus personagens. O interessante do livro não está em como o autor os isola na história, mas de onde ele evoca a angústia literária e a transfere para o leitor.</p>
<p>Destaque também para encontros, com Kafka passeando por Cataguases.</p>
<p>Vale comentar ainda o capricho da <a title="Editora Língua Geral" href="http://www.linguageral.com.br/" target="_blank">Editora Língua Geral</a> com suas publicações. O acabamento bem planejado torna as páginas mais do que um mero veículo do texto, sem, entretanto, competir com a literatura que apresenta.</p>
<p><a  title="Dicionário de Pequenas Solidões" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/dicionario.jpg"></p>
<p style="text-align: center"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/dicionario.thumbnail.jpg" alt="Dicionário de Pequenas Solidões" /></p>
<p></a></p>
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		<title>Claudio Dauelsberg e Ney Conceição</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jun 2007 17:51:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No próximo dia 21 de junho, às 20h30, Claudio Dauelsberg, piano, e Ney Conceição, contrabaixo, se apresentam na Fundação Eva Klabin, na Lagoa, dentro do projeto Quintas com Música. No repertório, Heitor Villa-Lobos, Tom Jobim, Maurice Ravel, Johannes Brahms, Cláudio Santoro e do próprio Claudio Dauelsberg. Antes da apresentação do concerto, haverá visita guiada pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a  title="Claudio Dauelsberg e Ney Conceição @ Eva Klabin" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/dauelsberg.gif"><img style="clear: both; float: left; margin-right: 8px" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/dauelsberg.thumbnail.gif" alt="Claudio Dauelsberg e Ney Conceição @ Eva Klabin" /></a><br />
No próximo dia 21 de junho, às 20h30, <strong>Claudio Dauelsberg</strong>, piano, e <strong>Ney Conceição</strong>, contrabaixo, se apresentam na <strong>Fundação Eva Klabin</strong>, na Lagoa, dentro do projeto <strong>Quintas com Música</strong>. No repertório, Heitor Villa-Lobos, Tom Jobim, Maurice Ravel, Johannes Brahms, Cláudio Santoro e do próprio Claudio Dauelsberg. Antes da apresentação do concerto, haverá visita guiada pela Fundação Eva Klabin, às 19h, e um coquetel no belo jardim da casa-museu, o que propicia a interação entre música, artes plásticas e a convivência social entre os freqüentadores.</p>
<p align="center"><em>[texto de Marcos Noronha] </em></p>
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		<title>destaques da programação SESC Rio</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jun 2007 13:48:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
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		<description><![CDATA[MARAT OU A HORA EM QUE PERDEMOS A CABEÇA 23/6 &#8211; Internos de um hospital psiquiátrico se apropriam de personagens que viveram os terríveis acontecimentos da Revolução Francesa de 1789 e representam o assassinato e fim de Jean Paul Marat, líder popular, sanguinário, defensor da carnificina e do terror. Com a Nonada Cia. de Arte, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>MARAT OU A HORA EM QUE PERDEMOS A CABEÇA<br />
23/6 &#8211; Internos de um hospital psiquiátrico se apropriam de personagens que viveram os terríveis acontecimentos da Revolução Francesa de 1789 e representam o assassinato e fim de Jean Paul Marat, líder popular, sanguinário, defensor da carnificina e do terror. Com a Nonada Cia. de Arte, texto e direção de Fabio Cordeiro. 20h. R$ 4 (com.), R$ 8. 16 anos. <strong>Sesc São João de Meriti</strong></p>
<p><em>leitura de peças</em></p>
<p>OS CONTOS DE CANTUÁRIA<br />
22/6 &#8211; Contos da oralidade medieval, fantasias ousadas, desatinadas ou moralizantes, nas quais o cancioneiro, trovador ou poeta mendicante denuncia os desmandos dos soberanos. O texto de Geoffrey Chaucer, escrito no século 14, é uma gama rica de comportamentos ancestrais, ainda vigentes e de grande atualidade, apesar de transcorridos mais de 600 anos. Direção de Marcos Henrique Rego. 15h. Grátis. 12 anos. <strong>Sesc São João de Meriti </strong></p>
<p>MÚSICA</p>
<p>SOM PAN-AMERICANO<br />
22/6 &#8211; O Grêmio Musical Paquequer apresenta uma amostra do estilo musical característico dos países que participam dos Jogos Pan-americanos. 16h às 18h. R$ 2,50 (com.), R$ 5 (est., id.), R$ 10. Livre. <strong>Sesc Teresópolis </strong></p>
<p>VITRINE MUSICAL<br />
22/6, 20h &#8211; Sergio Ricardo mostra repertório de MPB. 12 anos. 29/6, 20h &#8211; Pierre Gaioni apresenta o CD MPB, Sim. 14 anos. 20h. R$ 5 (com.) e R$ 10. <strong>Sesc Madureira</strong></p>
<p>COISAS NOSSAS<br />
24/6 &#8211; Bambas do samba e seus convidados contam histórias e cantam as melhores composições desse gênero. Este mês: Gisa Nogueira, Rafael de Moraes e o grupo Pano Pra Manga apresentam canções de Noel Rosa, Cartola e Chico Buarque de Hollanda. Participação do ator Bruno Salgueiro e direção artística de Cauê Harada. 17h. Grátis. Livre.<strong> Sesc Tijuca</strong></p>
<p>DANÇA<br />
23/6 &#8211; Formado por três bailarinos cadeirantes e três sem deficiência física, o grupo Ciranda Sobre Rodas demonstra que todos podem usar a dança para explorar e demonstrar seu gesto, bem como as diversas possibilidades que uma cadeira de rodas traz enquanto movimentação. Direção da dançarina e fisioterapeuta Adakrishna Sampaio Saraiva de Oliveira. 21h. R$ 2 (com.), R$ 4 (est., id.), R$ 8. Livre. <strong>Sesc Teresópolis</strong></p>
<p>TERÊ PRO ROCK<br />
23/6 &#8211; Ana Zélia e Carrt são as bandas teresopolitanas que se encontram com as cariocas Catchside, Planar, R. Sgma e Kaza 17. Coordenação de Marcela Lahaud Pinheiro e Aloísio Moraes. 16h às 22h. R$ 3 (com.), R$ 6 (est., id.), R$ 12. 16 anos. <strong>Sesc Teresópolis</strong></p>
<p>FESTA JUNINA<br />
Música, quadrilhas, co-midas típicas, brincadeiras e grupos de forró animam aquela que é nossa festa mais popular. Sesc Três Rios &#8211; 2/6, 18h às 24h. R$ 1 (com.), R$ 2. Sesc Barra Mansa &#8211; 14 a 17/6, 18h às 24h. R$ 1 (com.), R$ 2. Sesc Engenho de Dentro &#8211; 16/6, 15h às 20h. R$ 3 (com.), R$ 6. Sesc Petrópolis &#8211; 16/6, 6h às 19h. R$ 0,50 (com.), R$ 1. <strong>Sesc São Gonçalo</strong> &#8211; 16/6, 16h. Grátis. <strong>Sesc Madureira</strong> &#8211; 23 e 24/6, 14h às 22h. Grátis.</p>
<p>ENCONTRO DAS ARTES<br />
As mais variadas mani-festações artísticas e seus desdobramentos reunidos em um evento multicultural. Este mês: homenagem a Noel Rosa. 19/6 -18h &#8211; Abertura: Apresentação artística da Cia de Dança Lídio Freitas &#8211; Jaime Aroxa; 19h &#8211; Palestra: A Crônica e o Samba em Noel Rosa &#8211; com Marcos Antônio de Azevedo, mestre em Semiologia pela UFRJ; 20h &#8211; Encerramento: Dançando com Noel &#8211; Apresentação artística da Cia. de Dança Lídio Frei-tas &#8211; Jaime Aroxa. 20/6 &#8211; 19h &#8211; Espetáculo musical: Rosas de Noel &#8211; com Marcos Novato, voz e vi-olão, acompanhado da Orquestra Vira Lata. Grátis. <strong>Sesc Tijuca</strong></p>
<p align="center"><em>[texto original de Paulo Gramado, editado]</em></p>
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		<title>Teoria e Literatura</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jun 2007 18:52:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswaldo Martins</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Em seu último livro, História. Ficção. Literatura. (Cia. das Letras. 2006), Luiz Costa Lima aborda as relações entre a história, a ficção e a literatura. Como um dos objetivos de sua indagação não é verificar a especificidade de cada um dos discursos, embora a especificidade de cada um seja fundamental para o que se afirma, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em seu último livro, <em>História. Ficção. Literatura.</em> (Cia. das Letras. 2006), Luiz Costa Lima aborda as relações entre a história, a ficção e a literatura. Como um dos objetivos de sua indagação não é verificar a especificidade de cada um dos discursos, embora a especificidade de cada um seja fundamental para o que se afirma, o conceito de ficção, que se desenvolve, tanto serve para iluminar o que é específico à história quanto para a o que é pensar a literatura.</p>
<p>
A partir da afirmação central de que os dois discursos se aproximam e se afastam, um procurando negar o ficcional, o outro a querer dar a si o estatuto da ficção, o leitor perceberá que, a balizar as noções da percepção do mundo, emprega, para delas dizer, para delas se aproximar, a noção de um saber naturalizado, que não se percebe como ficção. Chamar atenção para este saber vem a ser um dos inúmeros méritos do livro.</p>
<p>A abordagem que o teórico da literatura faz das outras formulações discursivas pressupõe o domínio dos conceitos que analisa. A preocupação, neste sentido, de ter, como contraponto ao objeto de indagação, diversa grade discursiva, faz com que o teórico da literatura fale a partir de uma grade própria, isto é, mesmo que o teórico invista no conhecimento da filosofia, da história, da antropologia, e deve fazê-lo, a consideração que se deve levar em conta é a do conhecimento/indagação do estatuto do literário.</p>
<p>A questão que se levanta tem uma função didática, pois a abordagem de outros discursos facilmente poderia ser vista como tábua de salvação para o analista e, com essa intromissão, salvar o analista da literatura da tematização teórica, fazendo com que ele se atenha apenas ao discurso que não é o literário.</p>
<p>A questão que Luiz Costa Lima nos coloca tem como pano de fundo exatamente a intercessão discursiva entre a História, a ficção e a literatura. O cuidado, com que Costa Lima trata do tema, busca não só a teorização do que é o literário, mas aponta para os limites da utilização seja da história, seja da filosofia. Observar essa preocupação como centro de seus estudos evita que, por exemplo, a literatura seja submetida a outra discursividade e dela se faça um apoio para análises historiográficas, sociológicas ou filosóficas.</p>
<p>A formulação do discurso literário como determinador do real e não como seu reflexo pressuporia o fio da indagação teórica da literatura, ou por outra, a indagação do que é a literatura permitiria ao homem, que se relaciona com o seu mundo, uma visualidade diferente e menos afeita, ou afeita de modo diferente, aos discursos dominantes acerca da definição da realidade.</p>
<p>O como se, a desimportância com que o discurso da ficção trata da verdade, não permitiria só que se verificasse, no discurso que toma a suspensão deste critério, uma possibilidade de extensão do real para fora de sua determinação primeira, dada pelas discursividades que se atrelam a busca de uma verdade.</p>
<p>A formulação da ficção como lugar de onde deriva o saber e o dizer deste saber é, pois, fundamental para que se verifiquem as intersecções entre os discursos e suas especificidades. O que Costa Lima oferece em sua obra ao leitor e estudioso da literatura está na radicalidade e no rigor com que aborda as fronteiras e os limites a partir dos quais se deve e se pode pensar a literatura.</p>
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		<title>Valsa nº 6</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jun 2007 18:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Valsa nº 6&#8243;, de Nelson Rodrigues, no SESC Campos, dias 29 e 30/6, com entrada franca Fragmentos de memórias são evocados em cena: sabe-se que Sônia foi assassinada, aos 15 anos, por seu médico enquanto tocava a &#8220;Valsa nº 6&#8243;, de Chopin. Sônia era apaixonada por Paulo e sonhava com o dia em que ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Valsa nº 6&#8243;, de Nelson Rodrigues, no SESC Campos, dias 29 e 30/6, com entrada franca</p>
<p><a  title="Valsa nº 6" rel="valsa6" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/valsa2.jpg"><img style="clear: both; float: left; margin-right: 8px" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/valsa2.thumbnail.jpg" alt="Valsa nº 6" /></a>Fragmentos de memórias são evocados em cena: sabe-se que Sônia foi assassinada, aos 15 anos, por seu médico enquanto tocava a &#8220;Valsa nº 6&#8243;, de Chopin. Sônia era apaixonada por Paulo e sonhava com o dia em que ele beijaria a sua boca. Mas, ao mesmo tempo, ela repudiava o contato físico com qualquer homem. Nelson Rodrigues trabalha a contradição como uma marca da passagem, da transição. Sônia está entre a menina que foi e a mulher que será. Mas a Sônia que se vê em cena, lembrando-se do seu assassinato, também está numa transição entre a vida e a morte. Este é o fio da meada da peça &#8220;Valsa nº 6&#8243;, atração teatral do SESC Campos dos próximos dias 29 e 30/6, às 20h, com entrada franca. A direção é de Antonio Guedes.</p>
<p>O diretor Guedes tem a carreira identificada com a obra de Nelson Rodrigues: seu espetáculo de maior repercussão foi &#8220;A serpente&#8221; &#8211; que lhe valeu duas indicações para o Prêmio Shell em 1998. Além disso, foi convidado para fazer a apresentação do volume 4 da nova edição de &#8216;Obras Completas de Nelson Rodrigues&#8217;, e participou do seminário &#8216;Nelson Rodrigues e a cultura brasileira&#8217;, realizado no Festival Recife do Teatro Nacional.</p>
<p><a  title="Valsa nº 6" rel="valsa6" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/valsa1.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/valsa1.thumbnail.jpg" alt="Valsa nº 6" /></a></p>
<p><strong>A montagem</strong></p>
<p>A atriz Mariana Oliveira possui uma escala de nuances extremamente ampla o que, associado às suas características físicas, permite que esta atriz, de 26 anos, se assemelhe a uma adolescente, tendo, ao mesmo tempo, a experiência e a maturidade necessárias para compreender as camadas de sentidos que tecem este texto.</p>
<p>O espaço terá várias telas que, às vezes, criarão espaços translúcidos e às vezes, delimitarão planos na cena, recortando o espaço. Buscando concretizar a idéia de uma Sônia que se multiplica, trabalha-se com a projeção de sombras, multiplicando, para o público, a imagem da atriz. O monólogo, assim, será, repentinamente, povoado de imagens, criando um movimento que tomará todo o espaço cênico.</p>
<p>&#8220;Valsa nº 6&#8243; é uma das peças que instauram a modernidade no teatro brasileiro, propondo uma ruptura com o teatro tradicional. E traz questionamentos fundamentais para o debate a respeito da dramaturgia contemporânea. A dramaturgia vem sendo objeto de estudos, atualmente, no mundo todo e considerada como uma inesgotável variedade de tendências.</p>
<p>Ficha técnica<br />
Direção: ANTONIO GUEDES<br />
Cenário: DORIS ROLLEMBERG<br />
Figurino: MAURO LEITE<br />
Com  MARIANA OLIVEIRA</p>
<blockquote><p><em>&#8220;VALSA Nº 6&#8243;</em><br />
<em>SESC CAMPOS &#8211; Rua Alberto Torres 397 &#8211; Tel: 22-2725-1209</em><br />
<em>Dias 29 e 30/6</em><br />
<em>20h</em><br />
<em>Classificação 14 anos</em><br />
<em>Entrada franca</em></p></blockquote>
<p align="right"><em>(texto: Paulo Gramado)</em></p>
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		<title>Conexões Literárias</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jun 2007 18:32:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
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		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

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		<description><![CDATA[Ferreira Gullar e convidados participam de roda de leitura no SESC Rio, com entrada franca, dias 22 e 29 de junho Na programação, destaque para o encontro com Adriana Calcanhotto O poeta Ferreira Gullar é o homenageado do projeto &#8220;Conexões literárias&#8221; do SESC Rio e participa de rodas de leitura, com artistas convidados, nas unidades [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ferreira Gullar e convidados participam de roda de leitura no SESC Rio, com entrada franca, dias 22 e 29 de junho</p>
<p>Na programação, destaque para o encontro com Adriana Calcanhotto</p>
<p><a  title="poeta Ferreira Gullar" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/gullar.jpg"><img style="clear: both; float: left; margin-right: 8px" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/gullar.thumbnail.jpg" alt="poeta Ferreira Gullar" /></a>O poeta Ferreira Gullar é o homenageado do projeto &#8220;Conexões literárias&#8221; do SESC Rio e participa de rodas de leitura, com artistas convidados, nas unidades de Madureira (22/6) e da Tijuca (29/6). Os convidados do escritor serão o poeta Salgado Maranhão, além da cantora Adriana Calcanhotto. Sempre com entrada franca. As rodas de leitura terão temas específicos. Com o poeta Salgado Maranhão, no SESC Madureira (22/6), será sobre a criação poética, com leitura de poesias por Marcela Moura (atriz) e Leandro Wirz (poeta). Encerrando a série, Ferreira Gullar e a cantora Adriana Calcanhotto protagonizam roda de leitura no SESC Tijuca (29/6) sobre letra e música &#8211; e a leitura das poesias será feita pela cantora e compositora.</p>
<p>A programação inclui também contação de história. &#8220;Brinquedo Poético&#8221; aborda a literatura infantil de Gullar: os livros &#8220;Um gato chamado gatinho&#8221;, &#8220;Um rei que mora no mar&#8221;, &#8220;Doutor Urubu&#8221; e outros serão contados. O projeto propõe traçar um painel da personalidade e da literatura de Ferreira Gullar, aproximando o artista dos seus leitores.</p>
<p><strong>Rodas de Leitura</strong></p>
<blockquote><p><em>22/6<br />
19h<br />
Ferreira Gullar e o poeta Salgado Maranhão.  Leitura de poesias por Marcela Moura e Leandro Wirz.<br />
SESC Madureira &#8211; Rua Ewbanck da Câmara 90 &#8211; Tel 3350-7744</em></p>
<p><em>29/6<br />
18h<br />
Ferreira Gullar e a cantora Adriana Calcanhotto.  Leitura de poesias pela cantora.<br />
SESC Tijuca &#8211; Rua Barão de Mesquita 539 &#8211; Tel 3238-2434 </em></p></blockquote>
<p><strong>Contação de histórias</strong></p>
<blockquote><p><em>28/6 </em><br />
<em>15h </em><br />
<em>SESC Tijuca &#8211; Rua Barão de Mesquita 539 &#8211; Tel 3238-2434 </em></p></blockquote>
<p><strong>Mostra de Vídeos</strong></p>
<p>Trechos de entrevistas e filmes traçam o perfil do poeta.</p>
<blockquote><p><em>27/6 </em><br />
<em>15h </em><br />
<em>SESC Tijuca &#8211; Rua Barão de Mesquita 539 &#8211; Tel 3238-2434 </em></p></blockquote>
<p align="right"><em>(texto: Paulo Gramado)</em></p>
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		<title>Cartas</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jun 2007 18:27:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

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		<description><![CDATA[Espetáculo &#8220;Cartas&#8221;, dia 22/6, às 20h, no SESC CAMPOS, com entrada franca As relações humanas vistas sob a ótica da troca de correspondência O Grupo Quatro, através do espetáculo &#8220;CARTAS&#8221;, traz à tona o universo que povoa as relações humanas. E que trazem em si o sabor de grandes lições, através de correspondências sobre estética, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Espetáculo &#8220;Cartas&#8221;, dia 22/6, às 20h, no SESC CAMPOS, com entrada franca</p>
<p><strong>As relações humanas vistas sob a ótica da troca de correspondência</strong></p>
<p><a  title="Espetáculo Cartas @ SESC CAMPOS - Rua Alberto Torres 392" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/cartas_-_danielle_brandao_e_nathalia_pecanha_2.jpg"><img style="clear: both; float: left; margin-right: 8px" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/cartas_-_danielle_brandao_e_nathalia_pecanha_2.thumbnail.jpg" alt="Espetáculo Cartas @ SESC CAMPOS - Rua Alberto Torres 392" /></a>O Grupo Quatro, através do espetáculo &#8220;CARTAS&#8221;, traz à tona o universo que povoa as relações humanas. E que trazem em si o sabor de grandes lições, através de correspondências sobre estética, política, viagens, sentimentos, vida e função do artista no Brasil dos anos 30, 40 e 50. O espetáculo, com entrada franca, estará em cartaz no teatro do SESC CAMPOS, no próximo dia 22/6, às 20h. Com textos de Clarice Lispector, Fernanda Montenegro, Fernando Pessoa, Fernando Sabino, Márcio Vassalos, Martha Medeiros, Maury Gurgel, Pero Vaz de Caminha e Aucilene Freitas. A direção é da atriz Jane Rangel</p>
<p>Nessa leitura de &#8220;CARTAS&#8221;, sem trocadilho, o grupo reforça que destinatário e remetente, autor e leitor de cartas, são homens que diariamente revezam suas funções e emoções. Mas que ambos anseiam por notícias e por um interminável diálogo de (re)transmissão da vida em prol da memória que se transforma em letras e palavras, consequentemente.</p>
<p>&#8220;Quem escreve; para quem escreve; por que escreve; como escreve; quando escreve; e em que contexto histórico escreve&#8221;. São indagações que desejamos alcançar para afirmar que &#8220;narrar é resistir&#8221;, como já disse Guimarães Rosa. Num cenário lírico e instigante, o Grupo Quatro propõe, com o espetáculo CARTAS, o entrelaçamento da literatura com o teatro proporcionando, assim, ao espectador, momentos saudosos de encontro e troca com arte.</p>
<blockquote><p><em>Espetáculo &#8220;Cartas&#8221;<br />
dia 22/6<br />
20h<br />
SESC CAMPOS &#8211; Rua Alberto Torres 392<br />
Tel &#8211; 22-2725-1209<br />
Entrada franca</em></p></blockquote>
<p align="right"><em>(texto: Paulo Gramado)</em></p>
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		<title>Essencial</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jun 2007 16:36:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Dois caras-de-pau históricos começaram suas obras com uma mesma frase. Cosa non detta in prosa mai ne in rima é de Ariosto em Orlando Furioso. Em uma tradução literal, cem anos depois, vem Things unattempted yet in Prose or Rhyme, de Milton, em Paraíso Perdido. Em ambos, o orgulho de ter feito algo nunca feito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Dois caras-de-pau históricos começaram suas obras com uma mesma frase.</p>
<p>Cosa non detta in prosa mai ne in rima é de <a title="Ludovico Ariosto" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ludovico_Ariosto" target="_blank">Ariosto</a> em <a title="Orlando Furioso" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Orlando_furioso" target="_blank">Orlando Furioso</a>. Em uma tradução literal, cem anos depois, vem Things unattempted yet in Prose or Rhyme, de <a title="John Milton" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Milton" target="_blank">Milton</a>, em <a title="Paraíso Perdido" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Para%C3%ADso_Perdido" target="_blank">Paraíso Perdido</a>. Em ambos, o orgulho de ter feito algo nunca feito antes. Em ambos, a ambição de apresentar um caminho novo tanto a seus contemporâneos quanto às gerações vindouras.</p>
<p><a  title="Essencial, fotografia de Elvira Vigna" rel="essencial" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/essencial3.jpg"><img style="clear: both; float: left; margin-right: 8px" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/essencial3.thumbnail.jpg" alt="Essencial, fotografia de Elvira Vigna" /></a>Hoje também os temos, os que enchem o peito para dizer &#8220;nunca antes&#8221;, mas não nas artes. Nas artes, o nunca antes é onde labutamos todos, portanto é inútil explicitá-lo.</p>
<p>A peça <em>Essencial</em>, de Demétrio Nicolau, no <a title="Oi Futuro" href="http://www.oifuturo.org.br/" target="_blank">Oi Futuro (RJ)</a>, começa sem avisar. Nem a respeito da novidade que contém nem que, ei, já começou. E é esta a novidade.</p>
<p>No romance épico renascentista de Ariosto, a novidade é a posição feminina, ou melhor, feminista, dentro de uma sociedade em que a exaltação do amor é elemento de subjugação. No poema religioso de Milton, a novidade é a mesma, em outro contexto. Eva, aqui, divide de igual para igual suas responsabilidades com o marido, um complexo e falível Adão.</p>
<p><a  title="Essencial, fotografia de Elvira Vigna" rel="essencial" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/essencial2.jpg"><img style="clear: both; float: right; margin-left: 8px" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/essencial2.thumbnail.jpg" alt="Essencial, fotografia de Elvira Vigna" /></a><em>Essencial</em> nos remete ao mesmo tema. Infiltrada em todo o espetáculo está a construção do feminino &#8211; que só é possível, no Renascimento ou no Século XXI, na guerra ou no amor, quando é pensada em relação à construção do masculino. E, como mancha de óleo, na peça esta relação não se atém ao que acontece em cena mas se espalha para uma outra, maior, mais abrangente, que é a relação do ator (&#8220;masculino&#8221;) com a platéia (&#8220;feminina&#8221;). E, mais ainda, para a relação do papel social (que todos temos, atores ou não), na vida diária, com o papel privado que nos damos a nós mesmos, quando a sós, cara no espelho, tirando a maquiagem.</p>
<p>Há duas mulheres em <em>Essencial</em>, e cada uma delas se desdobra em duas. Lilian/Marta, Vítima Passiva/Agente Ativo.</p>
<p>Lilian é o nome da personagem principal de <em>Essencial</em>.</p>
<p>É uma atriz e está fazendo um papel em uma peça chamada Quem tem medo de Torquato Neto, que é um pastiche de outra peça, Quem tem medo de Virgínia Woolf.</p>
<p>Enquanto ela está no camarim, ela é chamada de Lilian. Entra no estereotipo de mãe preocupada e esposa carinhosa. Enquanto ela está atuando na &#8220;peça&#8221;, ela é chamada de Marta, que é o nome da personagem principal de <a title="Quem tem medo de Virgínia Woolf?" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Who's_Afraid_of_Virginia_Woolf%3F" target="_blank">Quem tem medo de Virgínia Woolf</a>. E entra no estereotipo contrário, o da megera de meia-idade, agressiva e destrutiva.</p>
<p><a  title="Essencial, fotografia de Elvira Vigna" rel="essencial" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/essencial1.jpg"><img style="clear: both; float: left; margin-right: 8px" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2007/06/essencial1.thumbnail.jpg" alt="Essencial, fotografia de Elvira Vigna" /></a>Quem estou chamando aqui de Vítima Passiva é a personagem da filha de Lilian. É uma jovem que se encontra em um cativeiro, seqüestrada. Entra no estereotipo de virgem indefesa.</p>
<p>Um de seus seqüestradores é frágil e humano e ela o chama de Honey, que é o nome feminino da segunda personagem-mulher da peça de <a title="Edward Albee" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edward_Albee" target="_blank">Edward Albee</a>. Ao inverter os nomes do casal coadjuvante de Quem tem medo de Virgínia Woolf, Demétrio Nicolau inverte também seus papéis sociais. Qual <a title="Sherazade" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sherazade" target="_blank">Sherazade</a>, a filha de Lilian é uma vítima passiva que, mesmo amarrada,  determina a seqüência da ação sobre um seqüestrador que imagina estuprá-la mas não o faz. Torna-se, portanto, agente ativo. Adeus estereotipos.</p>
<p>É esta a novidade da peça. Há um jogo entre os papéis dos homens e os das mulheres, do público (presente fisicamente nos vários cenários da ação) e dos atores (que se exibem sendo exatamente isso, atores, o que denuncia a ficção que deveriam defender).</p>
<p>A peça traz paietês tecnológicos e, no meio deles, um merchandising dispensável dos aparelhos celulares da Oi Futuro, em cujo Centro Cultural a peça se apresenta. São celulares de última geração que tocam sem parar; telas de notebooks &#8211; reproduzidas em telão visível a todos &#8211; com a banda larga da empresa (a peça é reproduzida em tempo real na internet) e seu logotipo em local de destaque.</p>
<p>O telão traz também citações de montagens brasileiras da peça de Albee e do filme homônimo de <a title="Mike Nichols" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mike_Nichols" target="_blank">Mike Nichols</a> em uma intertextualidade interessante.</p>
<p>E traz segmentos da ação que se desenvolve nos outros cenários da peça, como o cativeiro ou a rua, com o táxi que traz a seqüestrada em tempo real à sede da Oi Futuro.</p>
<p>Mas tais paietês não acrescentam muito. Por exemplo, não há ação concomitante exatamente, pois quando o telão apresenta o que está acontecendo em um outro cenário, a ação desenvolvida no cenário principal cessa ou quase cessa. E o uso de um telefone &#8211; de manivela, tecla ou última geração, tanto faz &#8211; para trazer à cena um espaço não diegético existe há muito tempo.</p>
<p>Outro ponto negativo. A integração cenário-público não se dá por completo. No cenário principal, o público se espreme em cadeirinhas extremamente desconfortáveis encostadas na parede. A peça, longa, que ganharia se enxugada, fica mais longa ainda, com todos se mexendo, inquietos. Almofadas pelo chão funcionariam melhor e aumentariam a integração.</p>
<p>Afinal, o texto pede por isso, com os atores incluindo o público em frases como: &#8220;Não estamos a sós,  Marta&#8221;, &#8220;E vocês querem saber o que aconteceu?&#8221; ou &#8220;Vocês estão vendo, Marta interrompe sem parar a história.&#8221;</p>
<p>Mas é uma boa história.</p>
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		<title>Visões Periféricas</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jun 2007 16:27:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0007]]></category>
		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[O festival Visões Periféricas tem uma proposta simples: a inversão do olhar. Como o mundo vê a periferia, estamos cansados de saber, seja por filmes ou em novelas que transformam as favelas em locação. Não que toda periferia seja favela (como mostram os curtas) e, acredito, em breve nem toda favela será periferia. Enquanto alguns [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O festival Visões Periféricas tem uma proposta simples: a inversão do olhar. Como o mundo vê a periferia, estamos cansados de saber, seja por filmes ou em novelas que transformam as favelas em locação. Não que toda periferia seja favela (como mostram os curtas) e, acredito, em breve nem toda favela será periferia. Enquanto alguns aguardam ansiosos o passeio de Hulk por esse labirinto humano, a Petrobrás desmembra a pergunta: como a periferia vê o mundo e a própria periferia? É um universo rico como todos, que encerra em si milhões de possibilidades. Sua graça está então no olhar que o analisa. É importante que o objeto de análise consiga se ver além do estereótipo. Em muitas camadas da sociedade o estereótipo é assumido como identidade, homogeneizando o comportamento, por isso vale comemorar o resultado dos curtas.
</p>
<p>
Na exibição Memória da Periferia no <a title="Espaço Caixa Econômica Cultural do Rio" href="http://www1.caixa.gov.br/Imprensa/imprensa_release.asp?codigo=6304526&amp;tipo_noticia=" target="_blank">Espaço Caixa Econômica Cultural do Rio</a>, entra em cena o idoso, a tal terceira idade (de acordo com <a title="Ariano Suassuna" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ariano_Suassuna" target="_blank">Ariano Suassuna</a>, quem tem três idades é fruta: verde, maduro e podre; por isso mantenho a palavra idoso) e o diálogo com o tempo. Apesar de faltar recursos e a técnica ainda ser muito incipiente, os curtas já mostram um diálogo com linguagem, sendo bem diferentes entre si, olhares com propriedade.</p>
<p><em>Iracema, a mãe sertaneja</em> foi filmado em Belo Horizonte em 2005. É um documentário do grupo <a title="Favela é isso aí" href="http://www.favelaeissoai.com.br/" target="_blank">Favela é isso aí</a> feito por Cesar Maurício e Clarice Libânio. Iracema é uma artista, cantora, que desde os cinco anos vive do seu trabalho. Ela canta em festas, em rádio, cantou muito tempo no circo. Faz parte de todas as associações de cantores e recebe seus direitos autorais direitinho, já que algumas duplas sertanejas de prestígio regravam músicas suas.</p>
<p>Não só é a história de um outro artista, como mostra mudanças de costume. O circo popular que virou circo espetáculo, a rádio que tocava de tudo e agora toca sempre a mesma coisa.</p>
<p>Iracema diz que não se sente velha, pois onde ela vai é respeitada. Termina o curta com uma frase muito boa: &#8220;A cultura é igual cachaça, depois que você começa não quer mais parar. Você vê artista aposentado? Você não vê. A maioria morre no palco trabalhando&#8221;.</p>
<p><em>Retratos não registrados</em> é de Riacho Fundo (DF), foi feito na Oficina de Imagem Popular e é um trabalho coletivo. Em 10 minutos, consegue mostrar diversos olhares de idosos, o que pensam da vida e da morte. A quantidade de entrevistados é uma das qualidades do curta, que peca ao entrar no assunto religião e mostrar que todos ali são devotos da mesma fé, com o mesmo pensamento, quebrando a pluralidade proposta. O melhor momento é de um casal que diz que o sexo está cada vez melhor e cita a velha máxima: &#8220;Se a morte é descanso eu quero viver cansado&#8221;.</p>
<p><em>O Auto Comunicador Falante</em> é o mais pretensioso e bem arranjado tecnicamente. Foi feito em São Paulo no projeto <a title="Revelando Brasis" href="http://www.revelandoosbrasis.com.br/" target="_blank">Revelando Brasis</a> pelo diretor e roteirista Paulo Augusto Vieira. Conta a história de um senhor que anunciava pelo sistema de auto-falantes da cidade a vida e a morte dos cidadãos. Com a mesma voz que avisava que alguém morreu, anunciava que a próxima sessão de cinema já ia começar. Nelson e Anice Fortunato, o casal tema, podem se orgulhar de ter vivido do cinema. Suas exibições sempre lotavam. As crianças se juntavam para ver os filmes, as ruas da cidade esvaziavam. Mais uma vez, ao olhar para trás o trabalho evidencia as mudanças do presente. A cidade pequena, um cinema sem luxo nenhum (bancos de madeira, chão de terra batida) vivia cheio. Nelson ainda guarda as objetivas e películas. Conta que nas cenas mais quentes, tampava com os dedos a projeção para proteger as crianças. Diz que quando a cena era boa ele girava a manivela do projetor bem devagar para ela durar mais. Quando era ruim, girava rapidinho.</p>
<p>Fica de Anice a frase: &#8220;O cinema estava lotado. As pessoas não cabiam mais na sala, o chão tremia. Acho que foi por isso que desabou&#8221;. Como Nelson Fortunato anunciou a morte de todos na cidade, decidiu gravar uma fita, anunciando a sua também. Começa assim: &#8220;Hoje eu morri&#8221;. Isso que é bom-humor.</p>
<p>O último curta é o mais engraçado. <em>Como se Rouba a Cena no Cinema</em> foi feito em Cotia (SP) no projeto <a title="Kinoforum de Realização Audiovisual" href="http://www.kinoforum.org/" target="_blank">Kinoforum de Realização Audiovisual</a> por Luis Tadeu Carraca, Marcelo Guerra, Otávio Augusto e Rafael Ferreira. Enquanto filmavam uma feira (nunca saberemos qual era o tema original do curta), uma mulher invade as gravações e fala em 11 minutos mais de 30 assuntos. Sebastiana é engraçadíssima e realmente emenda uma frase na outra, fazendo a alegria da produção. Morre de vergonha do nome, é comediante nata e vendedora em uma feira. Lá pelas tantas ela diz algo assim: &#8220;Eu não converso com velho. Só converso com jovem. Jovem não fala do preço do tomate, não fala que o dólar subiu. Jovem só fala coisa boa&#8221;. O curta é hilário do início ao fim. Seu único deslize é a piadinha que um dos presentes (alguém da equipe?) faz com a mulher. Quando perguntam seu nome e ela diz que tem vergonha de dizer, alguém sugere que poderia ser Monalisa. Sebastiana da Silva (ou da Sílvia, como ela diz) tem um único dente na boca, pendurado na arcada inferior. Nem se abala com a piada.</p>
<p>O festival vai até 16 de junho e teve uma programação extensa e diversa, inclusive com mostras competitivas. Os vencedores serão exibidos dia 16, às 18 horas.</p>
<p>Destaque à parte para o livreto do festival, muito bem feito e organizado.</p>
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