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	<title>Aguarras &#187; edicao_0013</title>
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		<title>Mensagem de Fernando Pessoa</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 18:17:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Tenho em mãos a obra Mensagem, de Fernando Pessoa, publicada pela 7Letras agora em 2008. Não se trata de uma edição qualquer, mas sim daquela organizada por Cleonice Berardinelli e Maurício Matos designada: a “edição preparada segundo o exemplar de 1934 corrigido pelo punho do poeta”. Eis a justificativa: “optamos por respeitar a vontade de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho em mãos a obra <em>Mensagem</em>, de Fernando Pessoa, publicada pela 7Letras agora em 2008. Não se trata de uma edição qualquer, mas sim daquela organizada por <a title="Cleonice Berardinelli" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cleonice_Berardinelli" target="_blank">Cleonice Berardinelli</a> e <a title="Maurício Matos" href="http://www.jornaldepoesia.jor.br/mauriciomatos.html" target="_blank">Maurício Matos</a> designada: a “edição preparada segundo o exemplar de 1934 corrigido pelo punho do poeta”. Eis a justificativa: “optamos por respeitar a vontade de Pessoa, claramente expressa em diversos textos reunidos no seu Espólio sob a designação <em>Lingüística </em>e publicados no fim do século passado”.
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/cimg0539.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8497" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Edição de Mensagem organizada por Cleonice Berardinelli e Maurício Matos" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/cimg0539-80x64.jpg" alt="Edição de Mensagem organizada por Cleonice Berardinelli e Maurício Matos" width="80" height="64" /></a>O grande diferencial dessa edição, além do rigor de Cleonice, a maior especialista em Fernando Pessoa que eu conheço, são os capítulos “Apresentação”, “À guisa de aparato genérico – <em>Mensagem</em>, poemas <em>in fieri</em>” e “Caderno de Imagens”.</p>
<p>No primeiro, além de comentar o porquê das mudanças sofridas pelo titulo do livro – antes de <em>Mensagem </em>se chamaria <em>Portugal </em>-, Cleonice explica as três partes que compõe a obra – “Brasão”, “Mar Portuguez” e “O Encoberto” – e, em seguida, oferece uma leitura de cada subdivisão que compõe as partes. Uma aula e tanto!</p>
<p>No capítulo seguinte &#8211; e quem já assistiu às aulas da professora (ou a apresentações em encontros ou simpósios) sabe bem do que falo &#8211; Cleonice mergulha em divagações sobre Pessoa e sua obra, comentando textos já escritos por ela e por ilustres amigos, entre eles Jacinto Prado Coelho, e conta das conversas e das cartas, e de como foi presenteada com uma cópia do primeiro exemplar de <em>Mensagem </em>pertencente a Pessoa, e como tudo se passou nas décadas de 60, 70, 80, 90, entre estudos, pesquisas e amizades. Conhecemos um pouco mais de Pessoa e um pouco mais de Cleonice, que tem sempre histórias maravilhosas e enriquecedoras para compartilhar.</p>
<p>No “Caderno de Imagens”, temos a oportunidade de ver impressões de poemas com correções do punho de Fernando Pessoa, manuscritos que fazem parte de seu espólio, além de fotos, entre elas a última foto do poeta. Para aqueles que dizem só ler livros com figuras, é uma ótima pedida!</p>
<p>Puxa-saquismos à parte, diria que essa é uma das edições mais completas e bem preparadas que já vi (e que agora tenho!) feita com muita dedicação e cuidado. Desde as folhas de tom amarelado, que tornam a leitura mais agradável aos olhos, até a reunião do material que compõe a edição, é fácil perceber que tudo foi realizado com muito gosto e extrema satisfação. Além de todo esse trabalho de pesquisa, nos deleitamos, obviamente, com os poemas da obra. Há quem goste, há quem desgoste. Eu sou da primeira turma!</p>
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		<title>Salão Paulista de Arte Contemporânea</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2008 12:30:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Questões da arte contemporânea, todas lá. Novidades mesmo, poucas. O 12° Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Casa das Rosas, juntou os novos da vez. Falo do que gosto: Ana Niski Zveibil fez colagens de fotos urbanas com o mérito de, ao se olhar, a integração ser tão grande que a idéia de colagem é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Questões da arte contemporânea, todas lá. Novidades mesmo, poucas. O 12° Salão Paulista de Arte Contemporânea, na Casa das Rosas, juntou os novos da vez.</p>
<p>Falo do que gosto:</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516j.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8491" title="Ana Zveibil no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516j-80x112.jpg" alt="Ana Zveibil no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="112" /></a></p>
<p>Ana Niski Zveibil fez colagens de fotos urbanas com o mérito de, ao se olhar, a integração ser tão grande que a idéia de colagem é uma segunda idéia. A primeira é que aquela confusão de janelas, prédios e as curvas do célebre edifício Copam de Niemeyer são aquilo mesmo que se vê. Então, a sua colagem é uma acentuação sutil. E não um delírio a se apoiar no real para chegar em alguma coisa esquisita, do tipo &#8220;essência&#8221;.</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516i.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8489" title="Juliana Gouveia no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516i-80x60.jpg" alt="Juliana Gouveia no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="60" /></a></p>
<p>Juliana Gouveia faz o tradicional uso do PB para emprestar &#8220;realismo&#8221; a suas fotos. O ponto positivo é que não centraliza, não estetiza muito, só um pouquinho. O cachorro, por exemplo, está cortado.</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516h.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8488" title="Francis Farago no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516h-80x80.jpg" alt="Francis Farago no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="80" /></a></p>
<p>Francis Farago é outra obra de montagem de pedaços urbanos, como a de Zveibil. Aqui, a montagem não se atém aos quatro limites de um retângulo, saindo para fora, desajeitada, deixando aparente o que é: uma montagem.</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516g1.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8494" title="Walter Miranda no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516g1-80x78.jpg" alt="Walter Miranda no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="78" /></a></p>
<p>Walter Miranda bate na tecla ecológica, esse engano da arte atual, com sua <span style="font-style: italic;">Réquiem em Gaia</span>. Aqui, o ponto é negativo: a obra brilha, é bem cuidada, gasta recursos que seu conteúdo pede para economizar.</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516e.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8487" title="Vitor Mizael no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516e-80x66.jpg" alt="Vitor Mizael no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="66" /></a> <a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516f.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8490" title="Vitor Mizael no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516f-80x102.jpg" alt="Vitor Mizael no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="102" /></a></p>
<p>Vitor Mizael faz uma instalação com uma camisa de enormes braços, cansados, caindo pelo chão da galeria, uma imagem muito boa e, o que gosto, usando ironia. Vi o massacre provocado por atividades profissionais de pouco sentido: todas aquelas que são feitas com camisa social. Mizael fez óleos também, com o mesmo tema. Também gostei do título: <span style="font-style: italic;">Auto-retrato</span>.</p>
<p>Angelita Conte fez a melhor instalação da mostra com seus vultos fugidios, fora de foco, de passantes, a imagem mesmo do nosso olho desatento, sombras que passam, no más. O som que acompanha a série de imagens é também boa: os barulhos de uma rua, os mesmos para os quais também pouca atenção se dá.</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516d.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8486" title="Ana Nitzan no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516d-80x105.jpg" alt="Ana Nitzan no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="105" /></a></p>
<p>Ana Nitzan traz a questão de gênero, também uma constante na arte atual, com seu enorme vestido feito de veludo, cabelos. Chama-se <span style="font-style: italic;">Pele do avesso</span>.</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516c.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8492" title="Ana Prata no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516c-80x68.jpg" alt="Ana Prata no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="68" /></a></p>
<p>Ana Prata pintou um carro e o que se vê da janela frontal de um carro, que é o nada. Já vi iguais mas não me impediu de gostar desse nada específico.</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516b.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8485" title="T. Antunes no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516b-80x106.jpg" alt="T. Antunes no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="106" /></a></p>
<p>T. Antunes traz uma das poucas presenças tridimensionais da mostra. Chama-se <span style="font-style: italic;">Percepção do passante II</span>, uma escultura suscinta, com algumas áreas em textura, as áreas entrecortadas, fragmentadas, de um todo que é liso, no qual o olho escorrega, sem ver.</p>
<p><a rel="spcontemp" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516a.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8484" title="Amanda Mei no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0516a-80x129.jpg" alt="Amanda Mei no Salão Paulista de Arte Contemporânea - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="129" /></a></p>
<p>Amanda Mei pegou portas. O bom, aqui, é que a porta é incrustrada na parede. É a parede que, de repente, vira uma porta que, por ser incrustrada, pouca utilidade tem. Bom.</p>
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		<title>Notas. Atos. Gestos.</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Jun 2008 18:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro Notas. Atos. Gestos. traz compositores do eixo Rio – São Paulo falando de modo peculiar sobre o processo composicional. Peculiar porque aborda tanto o que há de Dionisíaco quanto o que há de Apolíneo, o instinto e a razão, na criação musical, desmistificando a idéia do dom divino sem para tal precisar tocar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro <em>Notas. Atos. Gestos</em>. traz compositores do eixo Rio – São Paulo falando de modo peculiar sobre o processo composicional. Peculiar porque aborda tanto o que há de Dionisíaco quanto o que há de Apolíneo, o instinto e a razão, na criação musical, desmistificando a idéia do dom divino sem para tal precisar tocar no assunto. Sim, há o sopro das musas, mas também há o talento, a dedicação e zilhões de pequenas peças que se encaixam de maneira distinta até que se forme a música, essa engenhosa (curiosamente) matemática que interpretamos como arte.</p>
<p>
O organizador Sílvio Ferraz reuniu textos – relatos composicionais – de Marisa Rezende, Denise Garcia, Rodolfo Caesar, Fernando Iazzetta, Marcos Lacerda e Rogério Costa, conseguindo manter a individualidade de estilos e a variabilidade do tema. Uma característica comum ao grupo? Todos são pesquisadores-educadores que trabalham em grandes universidades públicas, pensando a música além de seus critérios mercadológicos (que se mostram cada vez mais falidos e ultrapassados) e tendo a ética como norte de seus pensamentos.</p>
<p>Rogério Costa, por exemplo, aborda a arte do improviso. O subtítulo do texto fala por si só: na livre improvisação não se deve nada. Sua idéia é que a composição seja resultado de um fluxo vital musical produtivo estimulado pela criação de um lugar (espaço e tempo) que possa gerar os elementos necessários para essa fluidez. Mudando o foco do resultado para o processo, Rogério propõe a ação musical no lugar da exibição de obras primas.  É um ponto para começar a leitura.
</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>“Deve ficar evidente também que não se trata de composição de obras, pois nada se fixa e nada se repete. Também não se trata de exibição, pois o público – se houver – deve construir e criar junto com os performers. O público que acompanha uma performance de livre improvisação deve atuar como cúmplice (&#8230;) e compartilhar dos riscos que acompanham o processo”.</em></p>
<p>Já Marisa Rezende burila o pensamento por trás do tema. O que é composição?</p>
<p>“Compor significa, entre outras coisas, fazer escolhas (&#8230;) e poder fazer escolhas”. Como ela aponta, são duas estruturas semelhantes, mas com uma diferença básica de intenção entre elas. No primeiro caso, quem está em foco é o compositor no momento de compor, decidindo com que material irá trabalhar e que forma dará a esse material. Entram aí os códigos e o processo. O segundo caso, o do “poder fazer escolhas” traz para o centro do debate o compositor cidadão de algum tempo e lugar, que faz escolhas de alguma forma relacionada à sua condição tempo-espacial.  Durante o texto, Marisa tratará do material escolhido para o pontapé inicial em uma composição – a linha melódica, talvez – e da importância do conhecimento para embasar o que temos de intuitivo. O interessante é fazer isso não só por referências, como também através de memórias.</p>
<p>A ênfase de Denise Garcia será a composição por metáforas, trabalhando a idéia de que as palavras criam imagens ou sensações chegando ao conceito de imagem sonora. Denise trabalha o tema de forma prática, usando metáforas e imagens postas em pé de igualdade com a teoria textual. É curioso perceber ao longo do relato que a proposta realmente funciona em sua exposição de partituras (e de seu alfabeto próprio), o que de certo modo se relaciona com a idéia de Silvio Ferraz e sua tatuagem musical, também muito visual, explorando os rascunhos escritos pelo compositor em seu período de formação.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>“O propósito desse texto é uma visita a si mesmo. Talvez uma visita a outro si mesmo. Um si   mesmo que não conheço mais, e que tem mais cara de um estranho do que de um mim mesmo”.</em></p>
<p>Você pode pensar: certo, mas o que há de componente visual composicional em um rascunho de uma composição além de sua quase metalinguagem? Há a inspiração. Silvio se remete a experimentações realizadas por ele entre 79 e 80 que tinham por imagem poética as poesias-imagens de Edgard Braga, especificamente Tatuagens e Algo, permitindo que o leitor conheça as imagens e acompanhe o desenvolvimento da idéia até a criação da peça final.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>“Como transformar aquelas nuvens de sinais em música, isto tanto parecia difícil quanto óbvio. E a segunda opção aqui estava justamente em deixar de lado alguns dos eixos tradicionais do que se entende por música: as estruturas rítmicas estriadas e os jogos melódicos. Estavam ali no poema diversos sinais que poderiam converter-se facilmente em fonemas (&#8230;)”.</em></p>
<p>O livro traz ainda a abordagem tecnológica de Fernando Iazzetta relacionando composição e performance interativa; Rodolfo Caesar falando do frutífero território entre a teoria e a prática e Marcos Lacerda em um relato sobre etnomusicologia e o surgimento da música popular.<em></em></p>
<p><em>Notas. Atos. Gestos.</em> tem um público certo: os iniciados em música, e que fique claro que não estou me referindo a quantidade de mp3 no seu iPod. Se você tem interesse no processo composicional, em seu aspecto mais tradicional ou na liberdade intrínseca do improviso seja por lazer, estudo ou por trabalho (inclusive como compositor-educador), você é o público alvo.</p>
<p style="padding-left: 30px;">Notas. Atos. Gestos.<br />
Editora 7 letras<br />
Coleção Trinca-ferro<br />
177 páginas</p>
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		<title>Mube &amp; Von Uhlendorff</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Jun 2008 21:58:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Carolina Vigna-Marú</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;A arte começa onde a imitação acaba.&#8221; – Oscar Wilde O Mube – Museu Brasileiro de Escultura mantém um atelier com aproximadamente 70 alunos por semestre. O Museu conta ainda com cursos regulares de história da arte, somando quase 400 alunos para 14 professores. No atelier, aulas de pintura, escultura, cerâmica, desenho e arte-inclusão para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<em>A arte começa onde a imitação acaba.</em>&#8221; – Oscar Wilde</p>
<p>O <a title="Mube – Museu Brasileiro de Escultura" href="http://www.mube.art.br/" target="_blank">Mube – Museu Brasileiro de Escultura</a> mantém um atelier com aproximadamente 70 alunos por semestre. O Museu conta ainda com cursos regulares de história da arte, somando quase 400 alunos para 14 professores. No atelier, aulas de pintura, escultura, cerâmica, desenho e arte-inclusão para portadores de deficiências físicas. Em escultura usam argila, papier mâché, cimento, gesso e pedra sabão.
</p>
<p>
<a  rel="mube" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/03.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8480" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Clarissa Von Uhlendorff  - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/03-80x106.jpg" alt="Clarissa Von Uhlendorff  - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="106" /></a>Fui ao Mube com firme propósito de ver tudo, não apenas as peças no atelier mas o fato inegável é que os alunos, de uma forma geral, me interessam sempre mais que os artistas consagrados. Uma aluna estava expondo na lojinha, inclusive. A lojinha do Mube, aliás, é um caso interessante: é administrada pela <a title="ONG Ação, Ética e Cidadania" href="http://www.aecidadania.org.br/" target="_blank">ONG Ação, Ética e Cidadania</a> e promove novos artistas.</p>
<p>Nos recebeu a gentil coordenadora do atelier, Eneida Fausto. Soube depois que ela é responsável pelas aulas para as crianças também.</p>
<p>Mantendo a minha já declarada opção por escrever apenas sobre aquilo que gosto, quero lhes falar sobre Clarissa Von Uhlendorff, aluna.</p>
<p>Von Uhlendorff cria grandes esculturas em papier mâché que parecem ferro. E a dimensão usa o ar, o vazio e então enche de leveza o seu ferro de papel, em quase uma brincadeira do papel-ferro com o leve-pesado, com o vazio-objeto. E aí nessa dança ela ainda coloca mais um elemento, esse estrutural, bem-humorado: ela faz bonecos soltos e juntos ao mesmo tempo, brincando dessa vez com a noção de indivíduo e conjunto.</p>
<p><a  rel="mube" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/04.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8478" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Clarissa Von Uhlendorff  - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/04-80x126.jpg" alt="Clarissa Von Uhlendorff  - fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="126" /></a>Existe um aspecto básico, que todo mundo conhece, de que a escultura, o urbanismo e a arquitetura tratam do e existem no espaço público. E são, necessariamente, influenciados pela política (de <a title="pólis" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%B3lis" target="_blank"><em>pólis</em></a>, lembra?), servindo à política vigente ou a questionando. As grandes peças robustas, colossais, monumentais, que tocam o céu, fazem apologia ao <em>status quo</em>. Refiro-me a esculturas como o <a title="Monumento às Bandeiras" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monumento_%C3%A0s_Bandeiras" target="_blank">Monumento às Bandeiras</a>, em São Paulo ou ao <a title="Monumento aos Mortos da Segunda Guerra Mundial" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Monumento_aos_Mortos_da_Segunda_Guerra_Mundial" target="_blank">Monumento aos Pracinhas</a>, no Rio de Janeiro. São obras feitas para demonstrar grandeza, magnitude e, por serem públicas, demonstram a grandeza do público, ou seja, do Estado. Existe ainda a opção religiosa que, na verdade, se formos pensar bem, segue a mesma lógica e serve ao mesmo <em>status quo</em>.</p>
<p>Quando a escultura moderna consegue transcender essa fácil tentação da austeridade e robustez e torna-se orgânica e leve, como em Von Uhlendorff, e consegue finalmente, com sua mostra do vazio e na liberdade de formas, uma salutar rebeldia.  Em 2008, qualquer coisa diferente de transcendente e moderno é cópia (de Rodin, de Michelangelo, etc). E inovar em escultura quer dizer se libertar, quer dizer se soltar, quer dizer entender e assimilar o vazio. O vazio é rebelde por natureza. Os europeus só foram entender o zero com Fibonacci, em 1228. Vazio não é um conceito simples. O livre não é simples (só parece).</p>
<p>Von Uhlendorff é livre. E isso talvez assuste os curadores menos ousados. Perda deles. Von Uhlendorff deveria estar povoando os jardins do Mube e não contida dentro de um atelier.</p>
<p>Tenho certeza de que em breve estará.</p>
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		<title>NAVE &#8211; Núcleo Avançado em Educação</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Jun 2008 13:33:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jurema Sampaio</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[arte-educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de iniciar o assunto em si, quero esclarecer um ponto. Isso não é uma crítica. É uma tentativa de diálogo para esclarecimento. Uma proposta de análise, surgida de minhas leituras sobre o projeto NAVE, inaugurado em 27 de maio último, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Segundo as notícias sobre a proposta, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de iniciar o assunto em si, quero esclarecer um ponto. Isso não é uma crítica. É uma tentativa de diálogo para esclarecimento. Uma proposta de análise, surgida de minhas leituras sobre o projeto <a title="NAVE - Núcleo Avançado em Educação" href="http://www.onave.org.br/" target="_blank">NAVE</a>, inaugurado em 27 de maio último, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Segundo as notícias sobre a proposta, o NAVE – Núcleo Avançado em Educação, que nasceu de uma parceria entre a empresa de telecomunicações Oi, através da Oi Futuro, instituto de responsabilidade social da Oi e o Governo do Estado do Rio de Janeiro, através de sua Secretaria de Estado de Educação e de Cultura, é um projeto arrojado de escola, para Ensino Médio, que alia educação e recursos tecnológicos digitais.
</p>
<p>
O projeto, instalado no Colégio Estadual José Leite Lopes, deverá funcionar proporcionando aos alunos atividades em tempo integral e pretende atender cerca de 600 alunos, iniciando o ano letivo de 2008 com a oferta de 178 vagas. A idéia principal, divulgada pelos responsáveis, é ser uma escola pública de qualidade educacional, somada a um centro de pesquisas e inovações, no campo de soluções para o ensino, sendo, ainda um espaço para exposições e seminários, aberto à comunidade.</p>
<p>Há, ainda, um espaço chamado de “Usina de Expressão”, que pretende ser o “<em>local de integração</em>” entre a escola e o mundo exterior à escola, ou seja, um espaço destinado à comunidade, onde deverá haver eventos, debates, exposições.</p>
<p>Além das aulas do currículo normal do MEC, estão programadas propostas de atividades e trabalhos com conteúdos do universo digital. De programação de games, passando por roteiros para mídias digitais e geração multimídia, até TV Digital, as disciplinas propostas pretendem construir o que já é chamado de “Fábrica de Cultura Digital”. O objetivo principal, segundo os release divulgados à imprensa, é ser um centro de formação profissional de jovens para as chamadas “novas profissões”, com programadores, designers e gestores para a TV digital. A meta, declarada é “<em>[...] prepará-los [os alunos] para que, no futuro, possam ter facilidade para exercer profissões como, por exemplo, roteirista, programador, designer e gestor, para atuar em TV digital, internet, celular e jogos eletrônicos &#8211; e em outras atividades que ainda nem existem, mas que, com certeza, existirão</em>”.</p>
<p>Bom, tudo isso que digo ai acima é com base em informações disponíveis nos veículos de comunicação. O ponto que mais me chama a atenção é um em especial: Como isso será feito?</p>
<p>Não o “como” material, pois ao que me parece (não conheci o espaço pessoalmente, ainda, só vi o que foi divulgado à imprensa) já está devidamente viabilizado. Equipamentos e máquinas, bem como espaços físicos já estão devidamente preparados e prontos para desenvolver a proposta que, no papel, é realmente excelente. O que me intriga é o “como” pedagógico metodológico! O que pergunto é, por que, em todas as matérias e notícias que li, em nenhuma delas, as metodologias de trabalho educativo não estavam explícitas, declaradas? Quais as bases pedagógicas da proposta?</p>
<p>É fato, infelizmente, que a maioria das escolas públicas carecem de recursos de todo tipo, inclusive de equipamentos e tecnologias. Mas carecem também de metodologias adequadas aos “novos tempos”, não só de “novas tecnologias” que, na verdade, nem tão novas são assim&#8230; O que é anunciado como “<em>iniciativa pioneira de parceria público-privada na Educação servirá como projeto-piloto para a Seeduc</em>” é bastante interessante, sim, no sentido de busca de soluções para a educação. Envolver a iniciativa privada em projetos pedagógicos e educacionais é ótimo e realmente deve ser “copiado” por qualquer governo que tenha realmente intenção de buscar soluções para os problemas da educação. Acredito que isso é extremamente louvável, mas continuo “encafifada” com a parte pedagógica da “coisa”&#8230; A proposta acredita que equipar a escola é a solução para os problemas da educação?</p>
<p>Uma das matérias que li diz que o NAVE “<em>desenvolverá metodologias de aprendizagem baseadas nas tecnologias de informação e comunicação, de forma a contribuir para a inserção dos jovens no cenário atual da evolução tecnológica</em>”. Ok, pergunto: Como? Desenvolverá ainda? Não há nenhuma base para o trabalho? Nenhum projeto pedagógico? Se há, qual é?</p>
<p>Noutra reportagem, pude ler que a proposta é de “<em>fazer com que os jovens pensem de forma diferente e tenham facilidade de atuar na área de novas tecnologias</em>”. Pergunto, novamente: Como? Por mágica? Ou acreditam que a convivência com as máquinas, equipamentos e manipulação direta deles, por si só, é suficiente? Se acreditam que sim, que é suficiente, acreditam nisso por quê? Com base em quê? Não ficou claro isso pra mim.</p>
<p>Em uma outra reportagem, ainda, li que [...] “<em>As novas soluções para educação presencial e a distância, desenvolvidas no centro de pesquisa, serão aplicadas na escola e difundidas para a rede de ensino na Usina de Expressão</em>”, que é um dos espaços do projeto e que, segundo ainda as divulgações, “<em>terá um amplo espaço com recursos multimídia e um auditório, serão promovidos seminários e exposições sobre tecnologia e educação, além de grupos de discussão</em>”. Aqui, além do “como”, questiono o “o quê” será discutido?</p>
<p>Como pode haver “<em>novas soluções para a educação</em>” a serem aplicadas na escola com base em “<em>espaços com recursos multimídia</em>” e “<em>grupos de discussão</em>”? Que teorias pedagógicas embasam a proposta que o espaço influencia na aprendizagem? Aliás, é isso que acreditam? Se sim, de onde vem essa proposta? Ou é isso que será discutido nos “grupos de discussão”?</p>
<p>A própria secretária de estado de Educação do Rio de Janeiro, Tereza Porto, declarou que “<em>A secretaria tem muito interesse em investirem projetos pedagógicos que levem tecnologia para a educação</em>”. Ah, sim&#8230; Por quê? Qual a justificativa metodológico-educacional para esse interesse? Não ficou claro pra mim&#8230;</p>
<p>A declaração da diretora de educação da Oi Futuro, Samara Werner, no lançamento da proposta, me pareceu, além de também vazia de “comos” e “porquês” educacionais, é de um romantismo exagerado, quando diz que “<em>A educação de qualidade, contemporânea, inovadora, é capaz de transformar o Brasil que temos no Brasil que queremos. Inserir as novas tecnologias no contexto da escola é fundamental para o jovem atender ás demandas do século XXI</em>”. Tirando o “romantismo” de lado, resta a mesma questão: Como? O que é, para a proposta, “qualidade” em educação? O que é educação contemporânea e inovadora? É oferecer espaços equipados, salas modernas? É o suficiente? A educação se faz por si mesma nesses espaços?</p>
<p>Surge aqui, nesta declaração, desta pessoa, um vislumbre de uma possível análise dos objetivos da proposta, quando cita o termo: Demandas do século XXI. Sim, sim&#8230; Quais são elas? Digo, as demandas educacionais, porque as de mercado são claras e fazem sentido se estivéssemos falando de empresas, não de escolas.</p>
<p>Onde, em que bases o projeto atende, ou pretende atender às demandas educacionais? Aliás, quais as demandas educacionais, e não de mercado, que o projeto pretende atender? Qual o perfil do aluno egresso que esta proposta formará?</p>
<p>Este trecho, também de uma reportagem, diz:</p>
<p>“<em>O Nave contribuirá para a formação de jovens para atuar no mercado de tecnologia da informação, em expansão no Rio de Janeiro, principalmente com a chegada da TV digital. Com forte vocação para produção de softwares, o estado tem condições de aproveitar as oportunidades geradas por toda a cadeia produtiva relacionada às novas mídias: da programação de sistemas à criação de  roteiro de programas e games. Para isso, será preciso contornar o déficit de mão-de-obra nesse segmento – o que demonstra que várias oportunidades surgirão para os jovens do projeto.</em></p>
<p><em>De acordo com estatísticas do Ministério da Ciência e Tecnologia, o Brasil tem uma carência de 17 mil profissionais no setor de tecnologia, que movimenta cerca de R$ 13 bilhões por ano no país. Se esse mercado não se estruturar para a qualificação profissional, 230 mil vagas não terão condições de ser preenchidas em 2012</em>”.</p>
<p>Ah, sim, nesta, ao menos, está um pouco mais claro&#8230; Pareceu-me que a proposta pedagógica é ser uma escola profissionalizante, de ensino médio, que se propõem a formar profissionais para um mercado em expansão: TV Digital. Ok, mas qual a proposta pedagógica para a efetivação dessa formação? Enfim, “como” isso será feito? Onde tem-se acesso às essas informações?</p>
<p>E, sendo uma escola profissionalizante, que seguirá o que chamaram de “currículo normal do MEC” e que atenda a demanda de mercado, me vem outra questão: O que há de novo nisso, pedagogicamente falando?</p>
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		<title>Fragments</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Jun 2008 15:03:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

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		<description><![CDATA[Centro Cultural Banco do Brasil apresenta &#8220;Fragments&#8221; companhia de Peter Brook apresenta no CCBB quatro textos de Samuel Beckett legendados em português, em curta temporada de uma semana ESTRÉIA: dia 26 de junho (5a f), às 19h30 LOCAL: Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil - Rua Primeiro de Março, 66 / Centro  Tel: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Centro Cultural Banco do Brasil apresenta</p>
<p>&#8220;Fragments&#8221;</p>
<p>companhia de <a title="Peter Brook" href="http://www.au126.com/peterbrook/index.html" target="_blank">Peter Brook</a> apresenta no CCBB quatro textos de <a title="Samuel Beckett" href="http://samuel-beckett.net/" target="_blank">Samuel Beckett</a> legendados em português, em curta temporada de uma semana</p>
<p>ESTRÉIA: dia 26 de junho (5a f), às 19h30</p>
<p>LOCAL: Teatro I do Centro Cultural Banco do Brasil</p>
<p>- Rua Primeiro de Março, 66 / Centro  Tel: 21 3808-2020</p>
<p>HORÁRIOS: de 5a a domingo, às   19h30           DURAÇÃO: 60 min.</p>
<p>IDIOMA: inglês com legenda em português.</p>
<p>INGRESSOS: R$10,00 e R$5,00 (meia entrada)             CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 12 anos</p>
<p>CURTA TEMPORADA: somente uma semana, de 26 a 29 de junho</p>
<p><a  href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/fragments.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8475" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Fragments" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/fragments-80x53.jpg" alt="Fragments" width="80" height="53" /></a> A companhia teatral de Peter Brook aporta no Centro Cultural Banco do Brasil, para uma curta temporada de quatro apresentações do espetáculo FRAGMENTS, criado a partir de quatro textos curtos de Samuel Beckett (1906-1989). A direção é de Peter Brook, e no elenco estão Marcello Magni, Hayley Carmichael, Khalifa Natour.</p>
<p>FRAGMENTS reúne os textos &#8220;Berceuse&#8221; (ou &#8220;Rockaby&#8221;, em inglês) &#8220;Fragment de théâtre I&#8221; (ou &#8220;Rough for Theatre I&#8221;), &#8220;Acte sans paroles II&#8221; (ou &#8220;Act Without Words II&#8221;), &#8220;Va et viens&#8221; (ou &#8220;Come and Go&#8221;) e o poema, &#8220;Ni l&#8217;un ni l&#8217;autre&#8221; (&#8220;Neither&#8221;).</p>
<p>Inicialmente apresentada em francês, em outubro de 2006 no Teatro Bouffes du Nord, a peça foi remontada em inglês no Young Vic Theatre em setembro de 2007. Em junho de 2008 apresenta-se (em inglês, com legendas em português) no Festival de Londrina (FILO), seguindo para Brasília e São Paulo antes de sua chegada ao Rio.</p>
<p>SINOPSES</p>
<p>&#8220;Berceuse&#8221; / &#8220;Rockaby&#8221;</p>
<p>Uma mulher solitária tenta ninar a si mesma, literalmente, até morrer, tanto fisicamente e por meio da sua fala repetitiva.</p>
<p>&#8220;Fragment de théâtre I&#8221; / &#8220;Rough for Theatre I&#8221;</p>
<p>Magni é um circunspeto músico cego, Houben é um animado deficiente físico preso a uma cadeira de rodas com capacidade de recuperar rapidamente a alegria. Os dois alcançam a condição de mútua dependência rubugenta. Este texto foi encenado no Brasil por Gerald Thomas, em &#8220;Quatro Vezes Beckett&#8221; (1985), com atuações memoráveis de Sergio Britto e Rubens Correa.</p>
<p>&#8220;Acte sans paroles II&#8221; / &#8220;Act Without Words II&#8221;</p>
<p>Num drama sem palavras, dois personagens emergem de sacos gigantescos para se submeter a uma cômica rotina diária de trabalho duro em estilo de cinema mudo. Arrastam a si mesmos uns poucos centímetros à frente a cada &#8220;empurrão da vida&#8221;.</p>
<p>&#8220;Va et viens&#8221; / &#8220;Come and Go&#8221;</p>
<p>Três senhoras idosas estão sentadas num banco de parque. Cada vez que uma sai, as outras duas compartilham um terrível segredo sobre ela.</p>
<p>&#8220;Beckett era um perfeccionista. Mas, pode-se ser perfeccionista sem ter uma certa intuição do que é a perfeição? Atualmente, com o passar do tempo, percebemos a que ponto todos os rótulos que lhe foram atribuídos no passado &#8211; desesperado, negativo, pessimista &#8211; são falsos. Beckett, na verdade, mergulha seu olhar no abismo insondável da existência humana. Seu humor o salva &#8211; e nos salva &#8211; ele rejeita as teorias, os dogmas que nada oferecem além de piedosos consolos. Na realidade sua vida nada foi do que uma constante e difícil pesquisa da verdade. Ele coloca as pessoas exatamente como as vê, na escuridão. Ele as mergulha no vasto desconhecido, observando através das janelas delas mesmas, nos outros, o olhar dirigido tanto para o exterior como para o interior, para o alto ou para baixo. Ele compartilha da incerteza delas, de seu sofrimento. O Teatro lhe dá a possibilidade de encontrar uma unidade na qual o som, o movimento, o ritmo, a respiração e o silêncio estão reunidos com exatidão. Ele pede para ele mesmo &#8211; um objetivo inatingível, que se alimenta de sua necessidade de perfeição. Ele penetra dessa forma no caminho raro que religa o teatro grego e Shakespeare ao tempo atual &#8211; celebrando sem compromisso a verdade, uma verdade desconhecida, terrível, espantosa.&#8221;, afirma Peter Brook.</p>
<p>FICHA TÉCNICA</p>
<p>Textos: Samuel Beckett</p>
<p>Direção: Peter Brook</p>
<p>Colaboração: Lilo Baur e Marie Hélène Estienne</p>
<p>Elenco: Marcello Magni, Hayley Carmichael, Khalifa Natour</p>
<p>Iluminação: Philippe Vialatte</p>
<p>Espetáculo produzido pelo C.I.C .T. / Théatre des Bouffes du Nord, Paris, e por William Wilkinson para Millbrook Productions em co-produção com o Young Vic Theatre, Londres</p>
<p>Divulgação no Rio de Janeiro: JSPONTES COMUNICAÇÃO: João Pontes e Stella Stephany</p>
<p>PETER BROOK</p>
<p>Diretor de teatro e cinema britânico (21/3/1925). Um dos mais respeitados profissionais de teatro da atualidade. Nasce em Londres e estuda em Oxford. Começa a se interessar por teatro ainda na universidade, época em que é influenciado pelo trabalho de dramaturgos como Bertolt Brecht e Antonin Artaud. Propõe um teatro de caracterização psicológica dos personagens que torne visível a &#8220;invisível&#8221; alma humana.</p>
<p>Procura também imprimir caráter crítico e polêmico às montagens, substituindo a passividade do espectador pela participação do público no espetáculo. Faz sucesso a partir de 1955, quando dirige o ator Laurence Olivier na montagem de Titus Andronicus, de Shakespeare. A partir de 1962, torna-se co-diretor da tradicional Royal Shakespeare Company, ao lado de Peter Hall.</p>
<p>Nos anos 70, funda em Paris o Centro de Pesquisa Teatral, o qual dirige até hoje. Sua carreira é marcada por encenação de peças no circuito teatral nova-iorquino do West End e da Broadway, além de em Paris e Londres. Leva o teatro e a literatura para o cinema com A Sombra da Forca (1953), peça de John Gay, Moderato Cantabile (1960), romance de Marguerite Duras, e O Senhor das Moscas (1962), romance de William Styron. Em 1966 monta Marat-Sade, de Peter Weiss, cuja filmagem também dirige.</p>
<p>Em ópera, dirige &#8220;La Bohème&#8221;, &#8220;Boris Godounov&#8221;, &#8220;The Olympians&#8221;, &#8220;Salomé&#8221; e &#8220;Le Nozze de Figaro&#8221; no Covent Garden. &#8220;Faust&#8221; e &#8220;Eugene Onegin&#8221; no Metropolitan Opera House / New York; &#8220;La Tragédie de Carmen&#8221; e &#8220;Impressions of Pelleas&#8221;, no Bouffes du Nord / Paris; and &#8220;Don Giovanni&#8221; no Provence Festival.</p>
<p>Em 1968 transfere-se para Paris e funda o Centro Internacional de Criação Teatral, no qual trabalha até hoje na direção de atores e em novas montagens. Seu último sucesso no cinema é o filme Marabharata, de 1995.</p>
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		<title>Milan Alram</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/06/23/milan-alram/</link>
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		<pubDate>Mon, 23 Jun 2008 17:25:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

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		<description><![CDATA[A Galeria Tempo e a Casa do Saber convidam para a abertura da exposição de Milan Alram Um Rio que passou&#8230; Quarta-feira, dia 25 de junho, a partir de 19h. Milan Alram, francês por nascimento e carioca por adoção, se notabilizou como fotógrafo na área de publicidade durante os anos de 1950 a 1970, criando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A <a title="Galeria Tempo" href="http://www.galeriatempo.com.br/" target="_blank">Galeria Tempo</a> e a <a title="Casa do Saber" href="http://www.casadosaber.com.br/" target="_blank">Casa do Saber</a> convidam para a abertura da exposição de Milan Alram</p>
<p><strong>Um Rio que passou&#8230;</strong></p>
<p>Quarta-feira, dia 25 de junho, a partir de 19h.</p>
<p>Milan Alram, francês por nascimento e carioca por adoção, se notabilizou como fotógrafo na área de publicidade durante os anos de 1950 a 1970, criando expressivas imagens para as mais destacadas marcas nacionais e estrangeiras, como Coca-Cola, GE, L&#8217;Oreal, Air France, Esso.</p>
<p>A exposição que a Galeria Tempo e a Casa do Saber apresentam revela, no entanto, um outro olhar do fotógrafo: um Rio de Janeiro fincado no tempo – nos anos de 1950 e 1960 – com sua geografia exuberante, sua arquitetura elegante e um clima intimista que a cidade mantinha com sua gente – como a garota de Ipanema Helô Pinheiro, que posa na praia quando ainda não estava imortalizada por Tom Jobim e Vinicius de Moraes. É esse Rio fotogênico que estará em foco.</p>
<p>Às 20h, o historiador da Biblioteca Nacional e especialista em fotografia Joaquim Marçal falará sobre a trajetória da fotografia publicitária, contando com a presença de Milan Alram e exibindo suas imagens mais notórias. O encontro analisará o percurso que vai do uso do desenho à foto colorida nos anúncios publicitários, com projeção de imagens de propagandas da época, veiculados em revistas como O Cruzeiro e Manchete.</p>
<p>Milan Alram nasceu em Paris, em 1926, e veio aos 12 anos para o Brasil, com sua família. No Rio de Janeiro, estudou no Liceu Franco Brasileiro e, mais tarde, interessado em fotografia, participou das reuniões organizadas pelo Foto Clube Brasileiro, onde conheceu Hermínia e João Nogueira Borges, José Oiticica Filho, Chakib Jabor, entre outros fotógrafos. Trabalhou em diversas empresas e em 1949 começou a fotografar profissionalmente, fazendo fotografia industrial e publicitária. Foi um dos pioneiros da fotografia colorida na publicidade brasileira. Além de prestar serviços para as principais agências de propaganda, como J. W. Thompson, McCann Erickson, Grant Advertising e Standard, trabalhou para a Light por 16 anos consecutivos. Em 1967 voltou para a França com mulher e filhos, onde permaneceu até 1974, dando continuidade às suas atividades de fotógrafo publicitário. De volta ao Brasil, começou a atender aos crescentes pedidos de colegas, que revelavam seus filmes no laboratório particular de Milan. Em 1982 abriu o Kronokroma, laboratório fotográfico profissional, para atender os fotógrafos cariocas.</p>
<p>Joaquim Marçal é bacharel em Desenho industrial pela Escola Superior de Desenho Industrial da Uerj, mestre em Design pela PUC-Rio e doutorando em História Social pelo IFCS/UFRJ. É professor adjunto de fotografia do Departamento de Artes e Design da PUC-Rio e pesquisador da Biblioteca Nacional, onde coordenou o projeto de resgate da coleção de fotografias de D. Pedro II, hoje inscrita no programa Memória do Mundo, da Unesco. Autor de História da fotorreportagem no Brasil – a fotografia na imprensa do Rio de Janeiro de 1839 a 1900.</p>
<p>Todas as obras da exposição estarão à venda.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Dia/horário<br />
25 de junho de 2008 &#8211; Quarta-feira / 19h</p>
<p>Valor<br />
Evento gratuito</p>
<p>Faça a sua reserva pelo telefone 2227-2237.<br />
Vagas limitadas.</em></p>
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		<title>Fabiano Gonper</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/06/21/fabiano-gonper/</link>
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		<pubDate>Sat, 21 Jun 2008 20:20:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[arte-educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Há uma pegadinha na exposição de Fabiano Gonper na Baró Cruz. Ele desenha contornos sem recheio. Quem freqüenta exposições já conhece os fios que nos guiam, invisíveis, em trilhas já trilhadas. Então eu pensei: bem, sim, contornos. O recheio seremos nós, que lá ficaremos, de frente para os contornos, vendo, na superfície da imagem, nossa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma pegadinha na exposição de Fabiano Gonper na <a title="Baró Cruz" href="http://www.barocruz.com/" target="_blank">Baró Cruz</a>. Ele desenha contornos sem recheio. Quem freqüenta exposições já conhece os fios que nos guiam, invisíveis, em trilhas já trilhadas. Então eu pensei: bem, sim, contornos. O recheio seremos nós, que lá ficaremos, de frente para os contornos, vendo, na superfície da imagem, nossa imagem refletida.</p>
<p>Não.</p>
<p><a  rel="gonper" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0515a.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8464" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Fabiano Gonper, fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0515a-80x81.jpg" alt="Fabiano Gonper, fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="81" /></a>Gonper brinca conosco. Sua superfície não o é. Trama fina de nylon, furadinha, eis que nada ali se reflete, nada, nadinha. No retângulo branco da Baró Cruz, a porta e os ruídos ficam todos para trás. As narrativas que nos esperam estão esvaziadas, truncadas, umas sobre as outras, sua junção de tempo e espaço sendo como um registro vetorial (a ser mudado com facilidade). E são mudas. A exposição é um silêncio, as imagens não esperam um diálogo. Já desistiram de há muito.</p>
<p>Nessa desistência, crescem. Se ofertam de outro jeito, como um índice de ações corriqueiras e nem ações, estados. Um índice. Morto, emblemático &#8211; até que dele lancemos mão. Mão. Há muitas mãos. As desenhadas, a que as desenhou, pois o traço é grosso, pilô?, e as dimensões, grandes. Então a mão que desenha está lá no caminho longo, milímitro por milímetro dá para seguir junto, o desenho outra vez, agora feito pelo olho.</p>
<p><a  rel="gonper" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0515b.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8465" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Fabiano Gonper, fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0515b-80x128.jpg" alt="Fabiano Gonper, fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="128" /></a>Ligeiramente surreal, se a referência é antiga, ultrapassada, pois surreal virou real em algum ponto que ninguém lembra qual. É assim, hoje, sentamos em algum ônibus &#8211; como em uma das obras maiores &#8211; e em nossa volta o tudo rápido que está sempre em nossa volta, incluindo os pedaços de desenho riscados, rejeitados, não, isso não, isso é melhor não ter.</p>
<p>Mas, mesmo assim, na fragmentação, e isso é um ponto para o artista, a presença das políticas de gênero, de identidade. Sim, diz (não diz) ele: é assim desse jeito tênue e rápido, mas, olhe, é importante, há coisas, preste atenção, que são importantes. E, continua (não continua) ele: não descarte a banalidade, é aí que mora a vida. Pênis e armas e os auto-erotismos, os explícitos e os não, que aqui explicito, o acompanhar, por exemplo, milímetro a milímetro, na carícia de um traço já feito e que fez, antes de nós, também uma carícia, essa no nylon macio. As meninas que se viram de costas para uma janela que nada tem a lhes dar. Os vultos que passam, em câmera lenta, frente à objetiva que também se move, mas pouco, um atrito casual &#8211; os melhores.</p>
<p><a  rel="gonper" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0515c.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8467" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Fabiano Gonper, fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0515c-80x95.jpg" alt="Fabiano Gonper, fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="95" /></a>São em PB, as obras. Nessa linguagem que foi a que nos sobrou, depois que a publicidade nos roubou a possibilidade da cor. E aí, no PB usado pelos documentaristas porque, hoje, o &#8220;real&#8221; nele se abriga, é que Gonper nos lembra de um esgarçar planetário, um ritual executado em total silêncio e que antecede o nada.</p>
<p>Há um texto que acompanha a exposição. É do curador e artista <a title="Divino Sobral" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Divino_Sobral" target="_blank">Divino Sobral</a>. Também poeta, e bom. É dele uma das falas para as quais damos as costas ao entrar. É o último ruído que a exposição cala.</p>
<p>Fica o eco:<em></em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>No ato mesmo de desenhar,<br />
A fome do papel devora o lápis,<br />
E o desenhista devora imagens.]<br />
Desenho vazio.<br />
Sobra a sillhueta,<br />
Contorno no silencioso e inquieto branco,<br />
Sombra ao avesso.<br />
O desenho devolve a visão àquele que olha.<br />
E o lugar de onde se vê.<br />
É tudo aquilo que vejo e que me vê.<br />
Ainda que replicado, desautorizado,<br />
Pela segunda vez gerado,<br />
Reporta às ações do ver.<br />
O desenho é manipulação.<br />
O desenhista e manipulador.<br />
O olhar é manipulador.<br />
A imagem é manipulada e manipuladora.<br />
A imagem sobreposta em camadas,<br />
Acumulada na memória,<br />
Apagada,<br />
Resurge espectral nas paredes brancas da caverna,<br />
Ampliada,<br />
Revivida.<br />
E o artista,<br />
Sentado, observa<br />
A imagem manipular.<br />
No ato mesmo de desenhar<br />
A fome do papel devora o lápis.<br />
Erótico,<br />
Ato gozoso. Pincel e pênis<br />
Parte da mão. Calor do corpo<br />
Desejo calado,<br />
No tecido tatuado como pele.<br />
Do leite vital derramado na superfície,<br />
Nascem figuras<br />
Que vêem,<br />
Ainda que sem olhos.<br />
No ato mesmo de desenhar,<br />
A fome do papel devora o lápis.<br />
A angústia transpira pelos poros do tecido,<br />
Do papel e do corpo.<br />
O olho vê o vazio,<br />
O preenche,<br />
O povoa.<br />
No ato mesmo de desenhar,<br />
A fome do papel devora o lápis.<br />
A fome do desenho devora o desenhista.<br />
</em><br />
Divino Sobral<br />
Maio 2008</p>
<p style="text-align: center;"><a  rel="gonper" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0515d.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8468 aligncenter" title="Fabiano Gonper, fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/divjorn0515d-80x50.jpg" alt="Fabiano Gonper, fotografia de Elvira Vigna" width="80" height="50" /></a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>O que eu gostaria de dizer</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/06/20/o-que-eu-gostaria-de-dizer/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 Jun 2008 03:12:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Fui ao ensaio aberto do espetáculo &#8220;O que eu gostaria de dizer&#8221;, dirigido por Márcio Abreu e com Luis Melo, Bianca Ramoneda e Márcio Vito no elenco. Por se tratar de um ensaio, poderia haver interrupções por qualquer motivo, principalmente para a adaptação dos movimentos dos atores num espaço diferente, como é o caso do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fui ao ensaio aberto do espetáculo &#8220;O que eu gostaria de dizer&#8221;, dirigido por Márcio Abreu e com Luis Melo, Bianca Ramoneda e Márcio Vito no elenco. Por se tratar de um ensaio, poderia haver interrupções por qualquer motivo, principalmente para a adaptação dos movimentos dos atores num espaço diferente, como é o caso do Sesc Arena, em Copacabana.</p>
<p>Contudo, não houve interrupções, de modo que a peça fluiu normalmente, com o cenário, acredito eu, pronto, assim como o figurino, sonoplastia e iluminação. Tudo, aparentemente, correu como num dia normal de apresentação. Bom para os atores, melhor pra mim e para os demais expectadores, que não eram muitos, mas considerando-se a ocasião, era de bom tamanho.
</p>
<p>
Vamos ao cenário: três ambientes delimitados por armações de metal, sendo um deles a sala de estar do personagem 1, representado pelo ator Luis Melo; e os outros dois espaços, cômodos do apartamento de um casal de vizinhos, representado por Bianca Ramoneda e Márcio Vito.</p>
<p>A peça: Como pontapé inicial, vemos o personagem de Luis Melo, que vale ressaltar está super diferente fisicamente: parece ter engordado alguns quilos para fazer o papel, além de ter deixado a barba crescer. Irreconhecível! Voltando ao pontapé inicial&#8230; A peça tem início com a seguinte frase: &#8220;No silêncio podem estar todos os ruídos e isso não é bom&#8221;, dita pelo personagem de Luis Melo. A partir daí, o espetáculo se desenvolve mostrando o drama do casal de vizinhos, que gira em torno de seus problemas conjugais, discussões sobre o relacionamento e sobre a falta de comunicação.</p>
<p>Intercalando-se a esse quadro, o vizinho, personagem de Luis Melo, levanta questionamentos filosóficos acerca do silêncio, da solidão, dos desejos e relacionamentos humanos. Frequentemente retoma a frase inicial do espetáculo: &#8220;No silêncio podem estar todos os ruídos e isso não é bom&#8221;. Com uma belíssima atuação, além da aparência física, que muito contribuiu para a caracterização do personagem, o ator representa um homem de mais idade, muito solitário e reflexivo, de aspecto bagunçado, como quem está largado no mundo, e triste, talvez sem perspectivas.</p>
<p>O que eu gostaria de dizer é que, de acordo com a sinopse, a proposta do espetáculo seria &#8220;investigar o tema da fragilidade a partir de textos criados pelo próprio grupo e também de poemas de Gonçalo M. Tavares, extraídos do livro <em>O homem ou é tonto ou é mulher</em>.&#8221; Bom, a questão da fragilidade humana, no que diz respeito aos dramas pessoais, afetividade, solidão e etc. foi levantada, e estava tanto incorporada ao discurso filosófico do velho solitário, como na discussão dos vizinhos. O que me fez falta foi a poesia de Gonçalo M. Tavares. Ok, ele não estava completamente ausente. Em dado momento, no meio da briga do casal, surge uma poesia:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;Tenho flores a sair da porta dos armários e nunca tive um armário na minha vida.<br />
Isto, claro, é muito estranho.<br />
O normal seria eu ter um armário e não ter flores a sair dele.<br />
Mas a verdade é que é tudo ao contrário.<br />
Tenho flores a sair da porta de um armário que nunca tive.&#8221;</em></p>
<p>Mas não basta brotar uma poesia no meio de mil palavras. Ela tem que ser explorada e se integrar ao contexto de uma forma mais profunda, de modo que seu sentido seja incorporado aos discursos. O que quero dizer é que a emoção da poesia não contagiou os diálogos. Quando se recita uma poesia como quem dita uma lista de supermercado no meio de uma discussão, ela se perde, fica solta, não atinge quem a ouve. Além disso, na seqüência da poesia, acontecia um diálogo espirituoso, o que abafava ainda mais Gonçalo M. Tavares.</p>
<p>O modo como a discussão sobre o relacionamento conjugal foi conduzido acabou ficando entre Batalha de arroz num ringue para dois e a poesia de Gonçalo M. Tavares. Ou seja, ficou num entrelugar, num espaço indefinido, o que me fez sentir como se estivesse parada no meio de uma ponte, sem saber para onde andar. Aliás, uma das falas da personagem de Bianca Ramoneda menciona uma ponte que foi construída, mas que não chegou a lugar nenhum. No caso, ela relaciona a ponte com o casamento mal sucedido. Bem, eu não seria tão radical a ponto de dizer que a peça não levou a lugar nenhum. O que posso dizer é que o lugar em que a peça poderia chegar estava lá, apenas faltaram algumas tábuas.</p>
<p>Faltou também uma integração entre o casal de vizinhos e o velho solitário. Em que medida o discurso do casal tem ligação com as reflexões do velho? Enquanto um casamento se rompe, um velho lamenta a solidão. Até aí, tudo bem. Há uma ligação, mas ela não vai além disso, não se aprofunda. Acho até que poderíamos desmembrar a peça em duas: uma do velho e outra do casal. A primeira mais reflexiva, a segunda mais comédia.</p>
<p>De um modo geral, a idéia é muito boa, a sinopse chama nossa atenção. A composição do personagem de Luis Melo foi perfeita, e sua atuação, primorosa! Uma voz potente que preenchia os espaços do teatro e oferecia verdade e dramaticidade às indagações filosóficas levantadas no decorrer do espetáculo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em><strong>O que eu gostaria de dizer</strong><br />
19/6 a 3/8<br />
5a a sábado, 21h<br />
domingos, 19h30<br />
[12 anos]<br />
<strong>Espaço Sesc</strong><br />
Informações: (21) 2548-1088 ramais 228, 255 e 229<br />
Rua Domingos Ferreira, 160<br />
Copacabana, Rio de Janeiro/RJ</em></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Claudia Bakker</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/06/19/claudia-bakker/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Jun 2008 12:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

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		<description><![CDATA[Goiaba &#8220;Solaris/Barbarella&#8221;, foto de Tarso Ghelli Galeria &#124; ARTE EM DOBRO &#124; RJ a partir da primavera noturna &#124; CLAUDIA BAKKER &#124; exposição individual Antes de partir para Portugal, onde fará sua primeira exposição internacional individual, a artista plástica carioca Claudia Bakker apresentará, a partir de 26 de junho, quinta-feira, na galeria Arte em Dobro, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a  href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/2483.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8461" title="Goiaba \" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/2483-80x120.jpg" alt="Goiaba \" width="80" height="120" /></a><br />
<em>Goiaba &#8220;Solaris/Barbarella&#8221;, foto de Tarso Ghelli</em></p>
<p><strong>Galeria | ARTE EM DOBRO | RJ</strong></p>
<p><strong>a partir da primavera noturna | CLAUDIA BAKKER | exposição individual</strong></p>
<p>Antes de partir para Portugal, onde fará sua primeira exposição internacional individual, a artista plástica carioca Claudia Bakker apresentará, a partir de 26 de junho, quinta-feira, na galeria Arte em Dobro, no Leblon, a exposição &#8220;A partir da primavera noturna&#8221;.</p>
<p>No total são 26 novos trabalhos que reúnem desenhos feitos com linha, objetos de tecidos e fotografia.</p>
<p><strong>Claudia Bakker</strong></p>
<p>Artista plástica residente no Rio de Janeiro, Claudia tem formaçao no Parque Lage e na Escola de Comunicaçao da UFRJ, onde fez Mestrado em Comunicação e Tecnologia da imagem (2001). Pioneira no Brasil em instalaçoes ao ar livre e efêmeras, trabalha sobre a metáfora do tempo e da cor no espaço. Desde 1994 realiza instalaçoes em diversas instituiçoes, como o Museu do Açude, Fundaçao Eva Klabin, Casa França Brasil,Paço Imperial e outros. A partir das instalações, desenvolve projetos com a fotografia, em que o registro das mesmas se transforma em outro trabalho. Dentre as várias mostras que participou,destacam-se a Coleção de Gilberto Chateaubriand no MAM, o Projeto Respiração na Fundação Eva Klabin, além de projetos no Oi Futuro e recentemente no Winzavod Center of Contemporary art em Moscow.</p>
<p>Saiba mais: <a title="Claudia Bakker" href="http://www.claudiabakker.com.br/" target="_blank">www.claudiabakker.com.br</a></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Galeria Arte em Dobro</em></p>
<p><em>Rua Dias Ferreira, 417 &#8211; 2º piso . Leblon . Telefones: 22591952 e 22948284</em></p>
<p><em>Abertura : dia 26 de junho, quinta-feira, às 19h<br />
Exposição : de Segunda a Sexta, das 12h às 18h. Sábados das 10h às 14h.<br />
até 26 de Julho, Sábado</em></p>
<p><em>Censura Livre | Entrada Franca</em></p>
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		<item>
		<title>A polêmica da arte e do ensino de desenho</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/06/18/a-polemica-da-arte-e-do-ensino-de-desenho/</link>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2008 18:52:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cristina Jacó</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[arte-educação]]></category>

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		<description><![CDATA[Recentemente tive a oportunidade de conversar com uma classe de artistas conterrâneos, pessoas que não via há muito tempo e que tomaram rumos diferentes na vida. Porém todos vindos da mesma universidade de artes, uns graduados mais cedo outros mais tarde. Entre tantos papos o assunto principal virou uma polêmica. E para compartilhar esta polêmica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente tive a oportunidade de conversar com uma classe de artistas conterrâneos, pessoas que não via há muito tempo e que tomaram rumos diferentes na vida. Porém todos vindos da mesma universidade de artes, uns graduados mais cedo outros mais tarde. Entre tantos papos o assunto principal virou uma polêmica. E para compartilhar esta polêmica resolvi redigir este pequeno texto. O fato é a discórdia no meio das artes entre a real necessidade de se ensinar/aprender desenho aos moldes acadêmicos em tempos de arte contemporânea.</p>
<p>
O grupo de artistas se divide entre os que acreditam na necessidade de se ensinar os cânones e as técnicas tradicionais da arte e aqueles que não acreditam de forma alguma no valor desta prática na atualidade.</p>
<p>Os ditos artistas acadêmicos/figurativos defendem seu ponto de vista ao afirmar que o ensino do academicismo pode ajudar até como forma de proporcionar o enriquecimento cultural e o esclarecimento dos alunos. Trata-se, portanto de uma etapa de formação necessária, assim como o são: o estágio, o conhecimento de uma língua estrangeira, a utilização de algum equipamento vital para a profissão, etc. Segundo esses o ensino do desenho acadêmico poderia facilitar para que o aluno amadurecesse seu fazer artístico, através dos muitos exercícios técnico/teóricos da arte tradicional, pois acabariam por evoluir enquanto artistas e mais tarde optar conscientemente em se libertar de tais cânones sem grandes dificuldades, ou mesmo decidir por permanecer neles sabendo do que se trata e como tirar sua produção neste meio.</p>
<p>Do outro lado do combate estão também senhores produtores de arte, extraordinariamente capacitados e que bradam &#8220;o não ao academicismo&#8221;. Afinal, segundo eles não é necessário de forma alguma impor ao estudante que se aprenda a criar imagens antiquadas, isso significaria um retrocesso desnecessário e uma exigência rigorosa demais. Obedecer a rígidas normas e regras de criação poderia frustrar e impedir o fluir da criatividade, sendo ainda que o momento atual é de um público livre e esclarecido, acostumado a grafismos e trabalhos artísticos não-acadêmicos. E ainda, para criar arte contemporânea e propostas inovadoras, saber desenhar como se vê, saber reproduzir literalmente o mundo a sua volta, não faz o menor sentido. Ademais, há tempos existe a máquina fotográfica. Portanto relegar ao papel do artista um ofício muito bem executado por uma máquina é no mínimo desumano.</p>
<p>Bem, nessas e outras reflexões venho me metendo, sem nunca tomar partido. E percebo que grandes universidades nacionais podem estar usando desse segundo discurso, o da libertação proporcionada pela contemporaneidade, para encobrir suas falhas enquanto instituições de ensino de artes. A meu ver uma instituição de arte, deveria no mínimo ser imparcial nestas questões, ali é o local da concentração do saber. E todos os saberes deveriam ser promovidos, ou ao menos respeitados e indicados como opções de caminhos a serem seguidos pelos alunos. Acredito seriamente que cabe ao aluno se decidir por qual vertente da arte deverá abraçar. E penso até que esse &#8220;abraço&#8221; pode ir e voltar, nada precisa ser eterno. Todas as artes vivem e são válidas. E sempre digo: &#8220;estamos em uma época maravilhosa em que o novo convive com o velho e vise versa, não há que se matar a pintura e não há que se abolir esse ou aquele tipo de desenho da sala de aula. Por que não podemos ver tudo?&#8221; E sigo assim, sem me posicionar, porque para mim nenhuma arte morreu, nenhum estilo é melhor que outro, nenhuma escola contribuiu mais para a cultura da humanidade do qualquer outra. E para minha surpresa, me deparei com um ótimo texto, de <a title="Estado de São Paulo, página D6, 24 de setembro de 1995" href="http://www2.uol.com.br/ahamaral/artista/hege.htm" target="_blank">Antonio Henrique Amaral, publicado no </a><a title="Estado de São Paulo, página D6, 24 de setembro de 1995" href="http://www2.uol.com.br/ahamaral/artista/hege.htm" target="_blank">Es</a><a title="Estado de São Paulo, página D6, 24 de setembro de 1995" href="http://www2.uol.com.br/ahamaral/artista/hege.htm" target="_blank">tado de São Paulo, página D6, 24 de setembro de 1995</a>. O que ele defende é exatamente o que eu defendo, apenas com muito mais profundidade e beleza na escrita. Somos, eu e o Sr. Antonio, a favor da arte, seja ela qual for. Por isso transcrevo uma parte de sua matéria:<em></em>
</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;Não acredito em &#8216;hegemonias&#8217; e muito menos que se possam &#8216;recolocar as coisas no lugar&#8217; porque as &#8216;coisas&#8217; e o artista estão sempre mudando de lugar. Como diz Anthony Storr, &#8216;o único dogma aceitável é o de que todos os dogmas são suspeitos&#8217;.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Princípios estéticos, dogmas religiosos ou políticos sempre deságuam em atitudes sectárias e trágicos componentes autoritários: pretensiosas afirmações de que isto é vanguarda e aquilo é passado, de que é por aqui e não por ali, todas essas &#8216;verdades&#8217; se desmancham como incertas e frágeis. Somos testemunhas neste século de como são passageiras as verdades éticas, estéticas e políticas que se proclamam lógicas e irrefutáveis.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>No mundo das artes os sistemas conceituais de vanguarda são sistematicamente desmontados pelo imprevisível, contraditório e complexo comportamento humano. As vanguardas pós-modernistas estão sempre decretando a morte da pintura que é o cadáver que mais vive e se mexe que conheço. Os dois tempos conflitantes se encontram, desencontram e a pintura continua.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Sobre a discutível &#8216;supremacia da arte minimalista e abstrata&#8217; e uma possível volta da figura não acredito que a pintura figurativa está voltando porque nunca me ocorreu que ela tivesse ido embora e só agora estivesse voltando&#8230; Como nunca engoli &#8216;supremacias&#8217; de quaisquer tendências. O minimalismo e o abstracionismo são correntes da maior importância mas no meu entender, nunca foram &#8216;supremas&#8217; porque nenhuma tendência o é. O pintor Francis Bacon detestava a arte abstrata que acusava de decorativa, inconseqüente e instrumento de mistificação, apenas para citar a opinião de um grande artista.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Respeito e amo a obra de muitos artistas abstratos mas se não acredito no &#8216;progresso&#8217; da arte como posso acreditar em &#8216;supremacias&#8217; e &#8216;hegemonias&#8217;? Não são elas que geram dogmáticas teorias excludentes, inquisições, fundamentalismos, intolerâncias e racismos? Minimalistas, abstratos e conceituais enriqueceram o acervo artístico da humanidade mas não excluem outras vertentes do trabalho artístico.</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>O absurdo, a fantasia, o desejo e o animal se misturam no homem de maneira muito mais complicada do que suspeitam intelectuais portadores do perigoso vírus do raciocínio lógico. A arte é feita sempre com as mãos, os corações e as mentes em poética intimidade. Os caminhos da arte são traçados pelos artistas e não por revistas especializadas ou Bienais. O mundo a nossa volta &#8216;parece&#8217; apenas que anda muito depressa mas lá dentro da gente o tempo é bem outro. Há muito mais confusão, mistério e alternativas do que nos fazem crer os sacerdotes do Pós-Modernismo e de outros ismos recentes&#8230;&#8221;</em></p>
<p>E para acalentar meus ânimos, eis que não sou a única a duvidar de dogmas e verdades irrefutáveis. Por sorte encontrei inúmeros outros estudiosos de arte, que também vivem seu momento de recolhimento enquanto produtores de arte temendo as tais hegemonias. E muitos deles acreditam que o fato de não terem aprendido mais na universidade (a arte acadêmica) não conseguiram aprender a desenhar como gostariam, e &#8220;talvez&#8221; por isso vivam um momento de auto-análise e estudo longo, que talvez esteja durando mais do que desejassem.</p>
<p>Entretanto vários são os exemplos de pessoas que se tornam artistas negligenciando o papel do desenho, não vou citar nomes. Pois bem, embora não seja uma arte maior, o desenho é antes de tudo uma ferramenta de trabalho, como a escrita para um escritor. O que se espera de um artista, seja ele pintor, designer, ilustrador, programador visual, se a língua mãe de seu ofício ele não sabe executar como deveria?</p>
<p>Esta polêmica do desenho/arte vai longe e não termina aqui. Porém me tranqüiliza saber que o figurativo, aquela arte que retrata a realidade, onde se pode ver e reconhecer com facilidade o que está sendo tratado, está voltando, ou como disse o Sr. Antônio, nunca foi embora, assim como a pintura nunca morreu.</p>
<p>Por fim, me posiciono: &#8220;acredito na arte figurativa, na necessidade do aprendizado do academicismo/figurativo/realista, na fusão entre arte e tecnologia, na praticidade da técnica e na beleza&#8221;,  por isso admiro o trabalho de um William Whitaker, exímio retratista que vende obras a mais de doze mil dólares. E dos artistas conceituais, da arte digital, da indústria do cinema, da HQ e do videogame como a equipe de artistas conceituais de Massive Black. Só para citar alguns.</p>
<p>Visite estes trabalhos e reflita: eles estudaram desenho acadêmico ou não? E são contemporâneos? Suas respostas provarão que o novo convive com o velho e que mesmo sabendo o velho produzimos o novo. Os rótulos são o menor de nossos problemas. E viva o hoje!</p>
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		<item>
		<title>Uma geral no Festlip</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jun 2008 23:15:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

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		<description><![CDATA[O Rio de Janeiro foi palco, entre os dias 4 e 15 de junho, da 1ª edição do FESTLIP &#8211; Festival de Teatro da Língua Portuguesa. Evento produzido pela Talu Produções, que reuniu grupos de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Brasil. Dez companhias de teatro, duas de cada país participante, se apresentaram no circuito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rio de Janeiro foi palco, entre os dias 4 e 15 de junho, da 1ª edição do FESTLIP &#8211; Festival de Teatro da Língua Portuguesa. Evento produzido pela Talu Produções, que reuniu grupos de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Brasil.
</p>
<p>
Dez companhias de teatro, duas de cada país participante, se apresentaram no circuito SESC-Rio. E, paralelamente, à programação teatral, o Festival também realizou oficinas de teatro, palestras, uma exposição no Espaço SESC, além de uma programação musical no Circo Voador, e uma mostra gastronômica.</p>
<p>De forma muito organizada, o FESTLIP deu conta do que se propôs: promoveu o intercâmbio cultural entre esses países. No encerramento do Festival, com direito a vários agradecimentos e aplausos, ficou a promessa de se repetir o feito com mais grupos e mais pessoas envolvidas.</p>
<p>O público, através de uma votação no final de cada apresentação, escolheu o grupo &#8216;revelação&#8217; dessa edição. Porém, ficou bem claro que o prêmio, na verdade, homenagearia um representante &#8216;da revelação do FESTLIP&#8217;. O escolhido pelo público foi o grupo brasileiro Tropa do Balaco Baco, de Pernambuco, que participou do Festival com a peça &#8216;A paixão e a sina de Mateus e Catirina&#8217;. Prêmio a que o diretor Romualdo Freitas disse que o grupo não queria agradecer, mas dividir. E que a Tropa do Balaco Baco, nesse dia, representava a todos que participaram. Que cada um dos participantes voltaria para sua casa sabendo, como diria Caetano, que a nossa pátria é a língua portuguesa.</p>
<p>Vale lembrar: A próxima edição do FESTLIP está prevista para o mês de julho de 2009, no Rio de Janeiro, com desdobramento na cidade de Luanda, em Angola.  Na 2ª Edição será aberto um edital a partir de janeiro de 2009, dentro do site do <a title="FESTLIP - Festival de Teatro da Língua Portuguesa" href="http://www.talu.com.br/festlip/" target="_blank">FESTLIP</a>, para a curadoria dos grupos candidatos.  Os países elegíveis serão Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe.</p>
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		<title>As Filhas De Nora</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Jun 2008 23:08:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O grupo moçambicano Mutumbela Gogo trouxe ao Festlip o espetáculo As Filhas da Nora, uma adaptação do texto “Casa de Bonecas”, do norueguês Henrik Ibsen, feita pelo sueco Henning Mankell – “que faz uma leitura a partir da experiência moçambicana. No texto original, a protagonista Nora abandona o marido e suas três filhas ao descobrir [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O grupo moçambicano Mutumbela Gogo trouxe ao Festlip o espetáculo <em>As Filhas da Nora</em>, uma adaptação do texto “Casa de Bonecas”, do norueguês <a title="Henrik Ibsen" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Henrik_Ibsen" target="_blank">Henrik Ibsen</a>, feita pelo sueco <a title="Henning Mankell" href="http://www.henningmankell.com/" target="_blank">Henning Mankell</a> – “que faz uma leitura a partir da experiência moçambicana. No texto original, a protagonista Nora abandona o marido e suas três filhas ao descobrir que sempre fora tratada como uma boneca, e não como uma mulher. É um escândalo para a sociedade. A versão de Mutumbela Gogo trata das filhas que foram deixadas pela mãe. O que terá acontecido com elas? A partir desta questão, são debatidas as contradições e relações de afeto entre os indivíduos.”
</p>
<p>
Visitando o túmulo da mãe que as abandona, morta há dez anos, duas irmãs discutem enquanto esperam a outra irmã atrasada. O cenário é simples: apenas uma réplica de uma sepultura quase no centro da arena do Espaço SESC Arena, mas, isso não diminui em nada o belíssimo espetáculo que assistimos.</p>
<p>As três irmãs discutem vários temas, mas o principal são os motivos que levaram a mãe a abandonar a casa quando as três ainda eram pequenas e a falta que essa mãe fez &#8211; “ela faria 62 anos e eu ainda sinto sua falta”. Num texto que transborda mágoas, aflições, dor, solidão, abandono, mas também alegrias, as personagens vão contando sua história, apresentando seus problemas atuais e relembrando os momentos felizes, outras vezes não, de suas infâncias.</p>
<p>Um dos motivos que elas alegam para o abandono é o fato de serem meninas, tudo o que a mãe queria era ter um menino: “Quando eu ficar velha quem vai cuidar de mim?” – diz uma delas reproduzindo a fala da mãe. Aliás, são essas reproduções da fala de terceiros, ou uma das outras, que dá uma marca especial a essa peça. Com essa técnica, em que, às vezes, as personagens são elas mesmas, às vezes, apenas transeuntes que comentam a beleza de uma das irmãs, repassando cenas do dia-a-dia ou de um passado mais remoto, as atrizes mostram que não é necessário mudar o figurino, ou mesmo o tom de voz para a platéia perceber que não estão interpretando mais suas personagens originais e sim outras pessoas. Isso tudo com uma naturalidade que dá leveza à peça e a torna muito agradável de assistir.</p>
<p>As personagens riem, se divertem, dançam, recompondo suas memórias, e divertem também o público. Iolanda, Graça e Isabel tiveram uma infância feliz por ter uma às outras. O abandono da mãe realmente as traumatizou, mas, agora, adultas, duas já com filhos, parecem ter uma nova percepção do fato. Como quando uma delas culpa a mãe e a outra responde que cada uma é responsável por si e que não sabem o que aconteceu para julgar. Nora queria ser livre, mas o marido não deixava. Queria estudar, trabalhar. Sempre acreditando que poderia manter o contato com as meninas, mesmo distante. Mas, o marido tornou isso impossível e elas nunca mais souberam da mãe.</p>
<p>Quando o texto não é engraçado, é poético. Por exemplo, uma delas conta como se lembra da mãe: lembra da mãe parada e depois indo embora numa rua cheia de poeira. Já a mais nova, que constrói a lembrança da mãe apenas com o que contam para ela, pois era muito pequena, lembra-se do cheiro de Nora – cheiro de manga.</p>
<p>Graça, a irmã mais velha, é uma camponesa, casada, com duas filhas, de 13 e 15 anos, que reconhece a importância do seu papel na sociedade. Sem ela, pessoas, como a irmã Isabel, não teriam o que comer. Iolanda, irmã do meio, está grávida do segundo filho, e agora vive só, pois colocou o marido para fora quando descobriu que ele tinha uma outra família, e deu à filha com a outra mulher o mesmo nome que deu à filha dela. Isabel, irmã mais nova, é solteira, preza sua liberdade. Consegue dinheiro acompanhando homens, mas deixa bem claro que não é uma prostituta – o que as irmãs duvidam. Mas Isabel prefere viver isso a fazer o que os homens mandam e apanhar de um marido como as irmãs. Elas perguntam-se: “Qual a diferença entre nós? Vivemos vidas diferentes, mas no fundo, somos iguais.” E percebem que a mãe sim era diferente, mas não aprenderam nada com ela. Nora é a heroína e culpada por estarem ali sem vida própria. Reconhecem que a mãe tentou viver sem homem e Isabel propõe que voltem a viver juntas, elas e as filhas das irmãs, voltando a ser uma família. Uma delas diz: “Isso quer dizer guerra contra os homens?” E Isabel rebate que não: “Quer dizer que eles têm que nos entender”.</p>
<p>O texto trata dos papéis de homens e mulheres e concluem que “as mulheres não lutam: discutem, berram, mas não lutam.” As irmãs chegam a conclusão que não têm que perguntar mais nada a mãe, mas procurar a resposta nelas mesmas. E que precisam voltar a ser irmãs. Quando forem grandes, querem ser apenas elas mesmas, nada mais. É um texto denso, que passa por vários assuntos que despertam os mais diferentes sentimentos, mas é também um texto cheio de esperança, que reconhece a necessidade da família associada, porém, à liberdade individual.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>País: Moçambique<br />
Peça: As filhas de Nora<br />
Grupo: Mutumbela Gogo<br />
Diretor: Manuela Soeiro<br />
Elenco: Graça Silva, Lucrécia Paco, Yolanda Fumo</em></p>
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		<title>Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 23:11:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[O grupo Etu-Lene apresentou-se no Festlip com o espetáculo &#8220;Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada&#8221;, no Espaço Sesc Sala Multiuso &#8211; apenas com um pano branco ao fundo compondo o cenário. Trata-se da história de um ancião que persuadiu seu filho, Caetano, a não se casar com Celina, e sim com Madó, uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O grupo Etu-Lene apresentou-se no Festlip com o espetáculo &#8220;Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada&#8221;, no Espaço Sesc Sala Multiuso &#8211; apenas com um pano branco ao fundo compondo o cenário. Trata-se da história de um ancião que persuadiu seu filho, Caetano, a não se casar com Celina, e sim com Madó, uma menina que lhe parece a nora ideal, porque o trata muito bem. Katy-Ngotè investiu tudo na formação do único filho e, como uma espécie de gratidão por esse ato, se vê no direito de interferir na vida afetiva de Caetano &#8211; &#8220;Me orgulha ter um filho que toma as decisões conforme a minha vontade&#8221;.</p>
<p>Caetano mantém um relacionamento com as duas moças concomitantemente e seu pai acompanha os romances de perto, faz interferências, comentários &#8211; como quando Celina vira as costas e ele a insulta de várias formas. É gentil em sua presença, mas na ausência é bem crítico. Dando, com isso, um tom cômico à peça.
</p>
<p>
<a  href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/etulene.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8456" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada - Grupo Etu-Lene" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/etulene-80x57.jpg" alt="Atiraram o velho Katy-Ngotè para sua última morada - Grupo Etu-Lene" width="80" height="57" /></a>Através de intrigas, o pai faz o filho ressaltar apenas os pontos negativos de Celina &#8211; por exemplo, o mau hábito da menina tagarelar o tempo inteiro, contado casos que acontecem em seu trabalho como enfermeira num asilo e numa maternidade, casos que ela conta também para a platéia, comicamente. Caetano, então, cede às exigências do pai e termina seu romance com Cecília. E, após saber que Madó está grávida, resolve casar-se com ela, para a alegria de seu pai.</p>
<p>Todavia, em meio a isso, temos a presença de Martins, o outro namorado de Madó. Ela diz que ele é o homem da sua vida e não resiste às investidas dele, mas diz também que nem só de amor se sobrevive e que será melhor ficar com Caetano, futuro engenheiro. Madó é bem dissimulada, consegue agradar pai, filho e amante &#8211; que sabe do envolvimento dela com Caetano &#8211; com muita facilidade. Porém, como ela mesma fala, esse tipo de recepção que oferece ao futuro sogro lhe custará caro, pois ela não é uma boa pessoa.</p>
<p>Antes de apontar Caetano como pai de seu filho, Madó diz a Martins que fará um aborto, porque não ficará com um homem sem perspectiva de vida. Mas, ele a alerta que se ela tentar interromper a gravidez, irá morrer, pois todos os fetos de sua família &#8220;não saem por extração&#8221;, dando um exemplo das superstições que ainda fazem parte do imaginário desse grupo. Martins a aconselha, então, a entregar a gravidez a Caetano, já que não a assumirá. Madó até diz que não será capaz de fazer isso, pois Caetano é uma boa pessoa, mas quando o médico confirma que um aborto seria de alto risco, ela pede desculpas a platéia por mentir ao Caetano e é isso que faz depois.</p>
<p>Katy-Ngotè, que se acha muito esperto, critica Celina, em sua ausência, lógico. Diz que, caso ela engravide, não haverá casamento, porque ela que vem procurar seu filho em sua casa. Manda o filho terminar com ela, pois não o educou para essa mulher se aproveitar dele &#8211; cômico, não? No entanto, como Madó é mais astuta, faz tudo para agradar o sogro &#8211; dá-lhe vinhos, faz comidas &#8211; e comporta-se muito educadamente em sua presença, cheias de princípios &#8211; não deixa, por exemplo, Caetano a beijar na rua por ser falta de respeito e ainda queixa-se ao pai dele &#8211; conquista a simpatia de Katy-Ngotè, e essa, ele permitirá que se aproveite do filho &#8211; sem saber, claro. Após o casamento, Caetano e Madó vão morar na casa de Katy-Ngotè. Mas, ela nos deixa bem claro que essa situação não durará muito tempo. Que ou o velho vai para o hospital, ou para o cemitério, pois ela irá fazer uma boa comida e colocar veneno &#8211; uma pessoa gentil, convenhamos.</p>
<p>O pai descobre, entretanto, que Madó está grávida de outro homem. Escuta uma conversa dela com Martins ao telefone &#8211; que ela só não o mandou matar porque não quer que o filho cresça sem conhecer o verdadeiro pai. E aí o dramalhão da história começa. O velho inicia uma discussão, seu filho chega, não admite que o pai insulte sua mulher. Madó coloca um tempero na situação: põe um contra o outro, diz que já viu o velho, várias vezes, espiando-os no quarto. O filho conclui que foi para espiar a intimidade do casal que os queria morando ali e vão às &#8216;vias de fato&#8217;. Rolam no chão em uma briga e o filho expulsa o pai de casa.</p>
<p>O pai anda pela cidade, desconsolado, questionando-se: &#8220;O que valeu investir toda a minha vida naquele cão? A mulher não presta. Fiz meu filho ficar com ela e o resultado este.&#8221; Nesse momento, Celina o encontra e, imediatamente, se mostra solicita em ajudá-lo &#8211; parece a trama de uma novela mexicana, da Globo ou qualquer coisa do gênero. Celina comovida com a atitude de Caetano de o expulsar, convida-o para ficar em sua casa. Diz que é o momento de retribuir tudo de bom que o senhor fez por ela &#8211; ela o procurou quando Caetano pôs fim a relação e o velho a consolou, foi muito gentil, disse que o filho era louco de terminar com menina tão boa.</p>
<p>Porém, Celina, nesse momento, vai às pressas ajudar num parto, que, por acaso, é o do filho de Madó. Esta, por sua vez, nesse momento de dor, acaba confessando que Martins é o pai do neném, gritando por ele, e Celina faz Caetano ouvir essa confissão. Caetano se desespera &#8211; Celina, comicamente se dirige a platéia: &#8220;Não lhes disse que aqui na maternidade acontece de tudo!&#8221;. Ele lhe conta o porquê se afastou dela, se arrepende de ter expulsado o pai de casa e Celina aproveita para levá-lo até o velho para se reconciliarem.</p>
<p>Contudo, o que surge ao fundo do cenário, é a sombra de um enforcado. Katy-Ngotè percebe que não merece tal tratamento, que não é digno da compaixão de Celina e dá cabo da própria vida. Momento de desespero das personagens. Nisso, a voz do velho revela ao filho o destino de Madó: que quando o filho esperado não é realmente da família deles, a criança não nasce. Fica presa no útero e mata, assim, também a mãe. Mais uma crendice apresentada pelo texto, que também apresenta várias &#8216;expressões angolanas&#8217;, que, possivelmente, perderiam o sentido se fossem adaptadas para o público brasileiro. A peça inclui música e essas expressões locais, que, muitas vezes, não acompanhamos. Entretanto, não considerei esse fato um ponto negativo, mas uma forma de apresentar e valorizar a própria cultura. Não é porque está em português que temos a necessidade de compreender todo o texto. Pegamos a essência e achei suficiente para entendermos a história.</p>
<p>Celina e Caetano, agora sozinhos, dão a entender que ficarão juntos. Talvez para compartilhar a dor dessa tragédia. A peça termina com uma canção africana, provavelmente, apropriada para tal situação.</p>
<p>Não percebi nada demais no texto. Alguns pontos engraçados, sim. Mas tudo superficial. Até o drama. Porém, há um ponto bom: fizeram os 60 minutos parecerem uma eternidade. Quando eu estiver precisando de um tempinho extra, já sei a quem recorrer. Sem ironias, agora: estou me perguntando até hoje o que faz uma peça dar certo ou errado?</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>País: Angola<br />
Peça: Atiraram o velho Katy &#8211; Ngotè para sua última morada<br />
Grupo: Etu-Lene<br />
Diretor: Beto Cassua<br />
Elenco: Neusa de Abreu Caleca, Ivete Lígia Ribeiro, Adão José, Avelino Sebastião, António Caetano de Oliveira</em></p>
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		<title>Capitu Memória Editada</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 22:28:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Escrita e dirigida por Edson Bueno, a peça Capitu Memória Editada esteve em cartaz nos dias 6 e 14 de junho de 2008 no Espaço Sesc Arena, em Copacabana. Representada por um grupo de cinco artistas paranaenses, entre eles o próprio diretor do espetáculo, e a convite do evento cultural FESTLIP &#8211; Festival do Teatro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrita e dirigida por Edson Bueno, a peça <em>Capitu Memória Editada</em> esteve em cartaz nos dias 6 e 14 de junho de 2008 no Espaço Sesc Arena, em Copacabana. Representada por um grupo de cinco artistas paranaenses, entre eles o próprio diretor do espetáculo, e a convite do evento cultural FESTLIP &#8211; Festival do Teatro da Língua Portuguesa, a peça, como o título já sugere, aborda a obra <em>Dom Casmurro</em>, de <a title="ABL - Machado de Assis" href="http://www.machadodeassis.org.br/" target="_blank">Machado de Assis</a>.</p>
<p>Num ano de comemoração dos 100 anos da morte de Machado, muitos eventos culturais vêm sido promovidos pela cidade. Este espetáculo, coincidência ou não, veio visitar o Rio de Janeiro em uma data bastante representativa para a literatura nacional.</p>
<p>
Em uma sala repleta por um público bastante diversificado &#8211; jovens adultos e jovens senhoras &#8211; encontramos no palco, ou melhor, no centro da arena, uma mobília antiga, quadros com a figura do Pão de Açúcar, velhas fotos de família e cinco atores já em encenação, cada um exercendo uma atividade.</p>
<p>Como o título sugere, a peça tem ligação com o romance, de modo que o público já tem uma mínima noção do que vai assistir. A surpresa do espetáculo fica por conta das estratégias de encenação, que oferecem nova roupagem ao romance. De acordo com a sinopse, o grupo de Curitiba propõe refletir o universo machadiano, sem, no entanto &#8220;levar o romance ao palco, e sim a sensação de mistério que o livro traz&#8221;. De fato, não assistimos à representação do romance, mas uma releitura deste, através de outros pontos de vista e de uma linguagem diferente.</p>
<p>Como leitora de Machado, pude compreender a abordagem da peça. Fico apenas na dúvida quanto ao entendimento da trama por parte daqueles que não tiveram acesso à obra <em>Dom Casmurro</em>. Contudo, suponho que quem estava ali presente tenha lido o romance.</p>
<p>Voltemos à referida &#8220;surpresa do espetáculo&#8221;, aquilo que a distancia do que seria a representação <em>ipsis litteris</em> do romance: A peça conta com cinco atores, cada qual representando um ou dois personagens. Um dos atores representa Bentinho quando jovem e também um jovem ator que ensaia uma peça em que representará Bentinho. Outro representa Bentinho mais velho, além de um homem contentíssimo por estar restaurando uma raridade: uma edição de 1913 da obra <em>Dom Casmurro</em>. Uma das duas atrizes representa Capitu. A outra dá conta de dois papéis: é mãe de Bentinho, além de modista de uma loja de roupas de época. O quinto e último ator representa Escobar, amigo de Bentinho, e também um sujeito amigo do ator que ensaia para representar Bentinho. Pode parecer confuso, mas quem se lembra, ainda que vagamente, do romance, consegue se localizar no meio desse caleidoscópio.</p>
<p>Vale ressaltar que representar dois papéis ao mesmo tempo e ter a capacidade de fazer com que o público entenda essa transição não é para qualquer um. Isso requer experiência por parte daquele que atua, que tem que fazê-lo muito bem, e habilidade por parte do dramaturgo, que precisa delimitar de modo suave onde começa um personagem e onde outro começa.</p>
<p>Outro ponto interessante de <em>Capitu Memória Editada</em> é a encenação de um diálogo com o público, ao qual os personagens chamam &#8220;leitor amigo&#8221;, &#8220;caro leitor&#8221;, &#8220;pasmo leitor&#8221;, &#8220;leitora amiga&#8221;.  Ainda que encenação, esse &#8220;contato&#8221; promove uma aproximação entre o palco e os expectadores, de modo que o público sente-se não só testemunha dos acontecimentos, mas cúmplice dos personagens.</p>
<p>Em vez de contada sob o ponto de vista de Bentinho, na primeira pessoa, como no romance machadiano, em <em>Capitu Memória Editada</em> todos têm voz: cada personagem expõe seu ponto de vista.  O toque de bom humor fica por conta das intervenções que um faz na memória do outro enquanto a narrativa é desenvolvida. Enquanto Bentinho novo narra um episódio que diz ter acontecido com Capitu, Bentinho velho intervém: &#8220;Isso não aconteceu!!&#8221; e Betinho replica: &#8220;Aconteceu sim!!&#8221;. Como esse, muitos outros diálogos, que por vezes acabam por reunir milagrosamente todos os nove personagens em cena, tiram muitas risadas do público.</p>
<p>Em outros momentos, os personagens tornam-se expectadores. Enquanto se desenrola uma cena com Capitu e Escobar, os outros três atores sentam-se em cadeiras no fundo do cenário, com pouca luz, como em segundo plano, e riem-se com o público daquilo que estão assistindo.</p>
<p>Muito bom ser surpreendida por uma proposta diferente para um romance tão lido e já tão estudado e esmiuçado. Em princípio estava com uma expectativa bastante negativa, pensando no quão maçante a peça poderia ser. Contudo, a releitura do romance proposta pelo grupo paranaense dá certo à medida que trás ao palco algo novo. Quantas vezes &#8220;inspirado&#8221; não acaba revelando-se &#8220;transcrição&#8221;! Nesse caso, o termo foi bem empregado. Infelizmente, o <a title="FESTLIP - Festival de Teatro da Língua Portuguesa" href="http://www.talu.com.br/festlip/" target="_blank">FESTLIP</a> foi encerrado dia 15 de junho, e com o evento foram encerradas também as apresentações de <em>Capitu Memória Editada</em>.</p>
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		<title>Mulheres com H maiúsculo</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 19:11:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Na Sala Multiuso do Espaço SESC, o grupo de teatro moçambicano Gungu, apresentou o espetáculo Mulheres com H maiúsculo, que se propõe a abordar a discussão dos papéis do homem e da mulher na sociedade. Realmente trata-se um espaço multiuso. No início, senti falta do palco, ou, pelo menos um tablado removível. Para ter a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na Sala Multiuso do Espaço SESC, o <a title="Companhia de teatro Gungu" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Companhia_de_teatro_Gungu" target="_blank">grupo de teatro moçambicano Gungu</a>, apresentou o espetáculo <em>Mulheres com H maiúsculo</em>, que se propõe a abordar a discussão dos papéis do homem e da mulher na sociedade.</p>
<p>Realmente trata-se um espaço multiuso. No início, senti falta do palco, ou, pelo menos um tablado removível. Para ter a certeza que se tratava apenas de uma primeira impressão, não quis me sentar na primeira fileira de cadeiras. Quis ter a real noção de que a ausência de um palco não seria um problema para uma humilde espectadora de 1,63 cm de altura. Não foi. Umas chegadinhas para os lados deram conta desse problema de visualização e a sala se revelou um ótimo espaço.
</p>
<p>
Partindo de um núcleo familiar composto por quatro casais &#8211; a mãe e seu falecido marido, que será &#8220;substituído&#8221; pelo cunhado, irmão mais novo do finado; a filha mais velha dessa senhora e seu marido, &#8220;um executivo próspero e bem posicionado, mas que não consegue a mesma performance em casa&#8221;; a filha do meio, recém formada, e seu marido, &#8220;um empresário analfabeto, para quem a posse de dinheiro é sinônimo de poder e grandeza&#8221;; e, a filha mais nova, Rosa, noiva de um &#8220;deputado &#8216;bem sucedido&#8217;&#8221; que não permite que ela trabalhe após o casamento &#8211; a peça se desenrola em um tom cômico. Porém, mesmo com essa pincelada de humor, o texto não deixa de abordar problemas da sociedade moçambicana.</p>
<p>Com um cenário simples, composto da representação de uma sala de estar e uma de jantar, formando dois ambientes, os atores surpreendem pela desenvoltura com que ocupam o espaço do salão entre os móveis e o público, criando um terceiro ambiente de circulação que aparentemente poderia ser apenas um espaço vazio.</p>
<p>A apresentação inicia-se com o jantar de comemoração da formatura de uma das filhas. Dançam alegremente, tiram fotos e inicia-se a fala das personagens. O cunhado oferece uma vaga em sua empresa para a moça recém-formada e, o outro futuro cunhado, gago, anuncia seu casamento, ato que não foi combinado previamente com a noiva e gerou uma briga entre o casal, momentos depois. A partir daí, a história desenrola-se. Tentarei ser fiel ao espetáculo, mas comentarei apenas as partes que julguei mais interessante, pois foram longos 120 minutos de espetáculo.</p>
<p>Uma das brigas é motivada pela reclamação de uma das casadas de que seu marido não mantém mais relações sexuais com ela. E a exclamação &#8220;Ui!&#8221; vinda da platéia, quando ela atende ao telefone e diz que o cunhado não pode atender porque está fazendo o que ele não é capaz e revela que eles não possuem mais uma vida sexual ativa, arranca várias gargalhadas de todos. A personagem masculina justifica que não falta nada em casa, que ela não tem do que se queixar. Que ele passa muito tempo no trabalho porque os problemas do povo são mais importantes que a transar com a mulher. Aqui, abre-se um parêntese no discurso conjugal, pois ele cita alguns dos problemas de Moçambique. Diz que há o problema do gás doméstico, os projetos de ajuda humanitária, e com isso não tem tempo para pensar em sexo. Que na verdade ele é um &#8220;japonês escuro&#8221;, frase hilária que mantém a platéia rindo por algum tempo, tanto quanto o discurso do noivo gago. É um japonês porque trabalha muito primeiro, que os pretos e os brancos só fazem filhos e são pobres &#8211; essa afirmação poderia nos fazer pensar em nossos problemas sociais graves e desviarmos, consequentemente, o foco do momento de lazer, mas os atores conseguem articular muito bem esse tipo de &#8220;alfinetada&#8221; com o tom humorístico da peça, pois o ator continua dizendo e apontando para nós que na ali platéia não há nenhum japonês, que estes estão ocupados, trabalhando, diferente de nós.</p>
<p>Já na discussão do deputado gago, noivo de Rosa, a filha mais nova, que já tem 35 anos e é a única que ainda não casou, surge a discussão dos homens machistas que não permitem que suas esposas trabalhem. Ele justifica sua posição &#8211; isso tudo no seu discurso tartamudo, lembrem-se &#8211; dizendo que seus pais são casados há 50 anos e sua mãe nunca trabalhou. Uma das mulheres afirma que os tempos mudaram e ele a repreende dizendo que trabalhar &#8220;é igual a chifres&#8221;. Então, assistimos um dos poucos momentos realmente dramáticos da peça: Rosa fala que não haverá mais casamento e a platéia se cala. Entra em cena outro aspecto ressaltado por Rosa, que as mulheres casam-se por casar, que ela não fará isso e joga na cara das irmãs que os casamentos delas foram dessa forma. Conclui que a irmã mais velha não é feliz e que ela não seguirá o mesmo exemplo.</p>
<p>No segundo ato, a platéia faz parte do trabalho do Presidente do conselho de Administração. Estamos numa reunião, tratando do problema do gás em Moçambique. A personagem expõe que os moçambicanos são os donos do gás, o problema é que eles exportam para a África do Sul e consomem apenas os restos. Há também o problema dos buracos nas estradas, problemas de energia, que também vai primeiro para a África do Sul e ele diz que está errado, que primeiro o consumo deveria ser deles, os donos. Esses problemas enumerados na reunião serão anotados e discutidos depois, isto é, resolvidos depois. Repete a frase várias vezes, algumas com humor: &#8220;Apontem isso na agenda, depois vamos discutir&#8221;.</p>
<p>No terceiro ato, a cena volta para a casa da mãe que recebe o cunhado, irmão mais novo do marido falecido, que vem para assumir o papel do homem da casa, baseando-se na tradição &#8220;ku txinga&#8221;, em que o irmão mais novo desposa a cunhada viúva.</p>
<p>Rosa, que é a personagem que dá movimento ao texto, é ela quem percebe que o marido da irmã a deixou de procurar porque ela não se arruma mais e veste-se como a mãe, com roupas inapropriadas para sua idade &#8211; nesse momento, interagem com platéia. Escolhem uma espectadora para usar com exemplo da roupa que uma jovem deve usar. A fazem levantar, acende-se a luz da platéia. É Rosa também quem percebe que enquanto o outro cunhado não for à escola, vai envergonhar a irmã. É ela que encontra uma maneira de se livrar do &#8216;novo pai&#8217;, inventando que estão cheias de dívidas e que ele como o homem da casa terá que resolver esses problemas. E é ela que prova ao noivo, que se vê enrolado numa dívida prestes a perder a casa, a importância do dinheiro fruto de seu trabalho. Noivo, que, depois de muita relutância, aceita o dinheiro e admite a importância do trabalho das mulheres na renda familiar.</p>
<p>Pelas articulações, notamos que o que se critica nessa peça é o papel social da mulher, que ainda é vista hoje como a pessoa que deve ficar em casa e não se meter no trabalho e decisões do marido. Tudo isso, com uma nuance bem engraçada &#8211; imaginem a conversa de um gago com um analfabeto, que apresenta um discurso bem truncado e muitas vezes difícil de entender? Pois é, é engraçado.</p>
<p>Em vários momentos, a platéia se sente incluída na dramatização, como quando Sassá, o rico analfabeto, está comentado o absurdo do cunhado ter preferido investir o dinheiro num carro e arriscar perder a casa, em que inclui um elemento da rotina carioca: diz que o cunhado irá dormir no carro e acordará com o barulho do som das vans gritando &#8220;Penha! São Conrado!&#8221;.</p>
<p>A peça não trata apenas de um &#8220;retrato da sociedade moçambicana na atualidade&#8221;, mas de um retrato da situação de muitos países que além de enfrentar problemas sociais, políticos e econômicos atuais, precisa ainda reacomodarem as tradições de seu povo. O texto humorístico é agradável, mas um pouco cansativo. Ninguém consegue rir durante duas horas. Acho que um resumo teria um resultado melhor.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>País: Moçambique<br />
Peça: Mulheres com H maiúsculo<br />
Grupo: Gungu<br />
Diretor: Gilberto Mendes<br />
Elenco: Gilberto Mendes, Samuel Malumbe, Elísio Cuinica Condo, Joanett Rombe, Emelda Macamo, Cecilia Cherinza, Vasco Condo</em></p>
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		<title>Fim dos Tempos</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jun 2008 00:09:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando ocorre uma grande tragédia, a população se divide em três grupos: 1. os que fazem parte da tragédia e efetivamente morrem, 2. os que estão distantes e se tornam explicadores e comunicadores dos fatos e 3. os que estão próximos, mas não são afetados no momento, tendo que conviver com o fantasma do imediatismo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando ocorre uma grande tragédia, a população se divide em três grupos: 1. os que fazem parte da tragédia e efetivamente morrem, 2. os que estão distantes e se tornam explicadores e comunicadores dos fatos e 3. os que estão próximos, mas não são afetados no momento, tendo que conviver com o fantasma do imediatismo da fatalidade. É nesse terceiro grupo que Night Shyamalan encontra material para contar a história de Fim dos Tempos, filme que explora o atual estado de paranóia do mundo pós 11 de setembro. Terroristas como vilões? Nada disso, só o bom e velho medo do desconhecido e o melhor começo de suspense da última década.</p>
<p><a  rel="fdt" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/happening_wp2_1600.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8450" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Fim dos Tempos" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/happening_wp2_1600-80x60.jpg" alt="Fim dos Tempos" width="80" height="60" /></a>Primeiro alguns números para desmistificar o suposto fracasso comercial de Shyamalan. Voltando dez anos, seu maior trabalho é sem dúvida O Sexto Sentido. Com um orçamento de 40 milhões (sempre em dólares), ele arrecadou 670 milhões, renovou a carreira de Bruce Willis e ainda ajudou a lançar Haley Joel Osment, o garoto-robô de Inteligência Artificial. Não existe cinéfilo que ouça a frase &#8220;I see dead people&#8221; e não a associe diretamente ao filme. É o que chamamos vulgarmente de sucesso. Só que o sucesso criou um problema para o diretor: por mais que a história fosse interessante e o roteiro bem construído, o que mais chamou a atenção dos espectadores foi a virada de trama no final, criando a falsa noção de que todos os filmes de Shyamalan teriam que ser assim. Normal que houvesse expectativa em torno do trabalho seguinte, que trazia novamente Bruce Willis no papel original e ainda contava com Samuel L. Jackson. Com um orçamento um pouco maior (75 milhões) Unbreakable dividiu público e crítica. Ninguém entendeu muito bem a história de super-herói sem herói e sem super, mas ainda assim ela arrecadou 248 milhões.  O que Shyamalan estava mostrando de fato é que iria brincar de subverter gêneros ao longo da carreira. Primeiro um filme de sobrenatural sem interação conflitante entre mortos e vivos, em seguida um filme de super-heróis sem clima de HQ. Não foi surpresa que Sinais, o terceiro trabalho, fizesse a mesma coisa. Para tristeza dos fãs de ficção, o alvo da vez foram os ETs.</p>
<p><a  rel="fdt" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/happening_wp4_1600.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8451" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="happening_wp4_1600" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/happening_wp4_1600-80x60.jpg" alt="" width="80" height="60" /></a>Sinais fala de símbolos que aparecem em plantações e anuncia uma invasão alienígena premente, mas escolhe acompanhar a reação de uma família comum (Mel Gibson e Joaquin Phoenix) à confusão mundial diante da falta de informação. Os ETs, inclusive, só aparecem mesmo nas imagens que os protagonistas assistem pela televisão. Em outras palavras: o foco do filme de ETs não eram os ETs nem a invasão. Foi nesse filme que o diretor começou a mostrar seu domínio do vazio, o uso dos silêncios e do que não está lá para dizer mais do que as imagens. Foi nele também que extrapolou sua subversão de gêneros e passou a tratar de temas e sentimentos atuais através da ficção. Mais do que ETS, o filme fala da crise das crenças diante da tecnologia e de como a mídia interfere em nossa captação de informações, contribuindo mais para formar do que dissipar a sensação de medo do que está por vir. Nada mais, nada menos. Infelizmente, a falta de ETs convincentes (os ETs são realmente ridículos) espantou platéias potenciais e o filme de 72 milhões arrecadou a bagatela de 408 milhões. Com três blockbusters no currículo Shyamalan não conseguia desassociar seu nome da palavra fracasso. A situação complicou um pouco mais quando lançou A Vila. Dessa vez, uma campanha de marketing equivocada jogou de novo o foco em cima da virada de trama. A frase no trailer que nada mostrava era a seguinte: veja o filme, não conte o final. Bem, então as viradas de trama que não se concretizaram estão de volta? Não. E descobrir isso não foi nada agradável para o público. A fábula de Shyamalan contava a história de um grupo, supostamente moradores de uma vila com ares medievais que não podiam cruzar determinada fronteira porque lá viviam monstros. Se tocassem o vermelho os monstros também apareciam e atacavam todo mundo. O exterior era o grande inimigo, o interior a segurança e a personagem principal uma cega. Shyamalan havia decidido falar do medo do povo americano de tudo que é estrangeiro. Na floresta vazia, monstros imaginários rondam à espreita esperando para atacar. Se não obedecermos às regras, por mais equivocadas que pareçam, tudo dará errado e a culpa será sua (a culpa nunca é nossa, sempre sua). Com Joaquin Phoenix e Adrien Brody no elenco, A Vila custou 60 milhões e arrecadou 256 milhões. Outro suposto fracasso, apesar do bom retorno sobre investimento.</p>
<p>Para piorar de vez a reputação de Shyamalan, em 2006, veio A Dama na Água. Outra vez, um erro de marketing ajudou a afundar a bilheteria. Ou você também venderia uma fábula infantil com viés de comédia sobre uma ninfa que mora na piscina de um hotel como uma história de suspense para adultos? Dessa vez, Shyamalan ficou no limite e os 70 milhões que gastou renderam apenas 72 milhões, o que significa prejuízo se considerarmos os gastos com a tal campanha de marketing.</p>
<p>Com esse resumo ligeiro de 10 anos é possível entender a atmosfera em torno de cada trabalho do diretor. Acredite, é sempre o mesmo repeteco entre fãs, cinéfilos, críticos e quem mais fizer parte da equação, talvez o pipoqueiro. Não importa que história ele vá contar, que estúdio esteja bancando, quem seja o protagonista da vez, a pergunta sempre é: será que dessa vez ele fará um novo O sexto sentido?</p>
<p>Aparentemente, Shyamalan não tem nenhuma vontade de voltar no tempo. Muito pelo contrário, Fim dos Tempos não dá pistas sobre o futuro, só funciona como um aprofundamento de todos os elementos que o diretor trabalhou até então: o medo do desconhecido, o vazio, a incomunicabilidade, o silêncio &#8211; sempre variações da ausência.</p>
<p>O filme tem um começo assustador e impactante visualmente, o que é fundamental para a manutenção do suspense até o fim. Nuvens brancas se formam no céu enquanto passam nomes de atores. Aos poucos a tensão da música aumenta e as nuvens vão se condensando, ficando negras, passando cada vez mais rápido. Corta para o Central Park, um dia lindo. Duas amigas conversam no banco. De repente uma delas percebe algo de errado. As pessoas, todas as pessoas, simplesmente param de andar. A amiga repete frases sem sentido. Todas as pessoas começam a se matar. Corta para uma obra. Alguns trabalhadores se divertem com piadas. Um corpo desaba ao lado deles. Um amigo morto. Enquanto chamam socorro, desaba outro corpo, e outro. De baixo para cima na perspectiva da câmera, diversos trabalhadores simplesmente saltam de encontro à morte. Algo maior está acontecendo.</p>
<p>É claro que mil explicações serão dadas no decorrer da história e todas serão irrelevantes. Uma vingança do planeta, um distúrbio psicológico, o governo americano testando novas armas, um vírus mortal? Não importa. O cerne de Fim dos Tempos é universal em época de Irã nuclear, sumiço de abelhas e aquecimento global: paranóia. Esse estado de tensão que transforma tudo em perigo. Se não conhecemos o inimigo não podemos reagir e rapidamente passamos a identificá-lo no pouco que entendemos, voltando nosso medo para as pessoas ao redor. E a situação só tende a piorar, já que conforme as mortes avançam diminui o número de pessoas com quem conversar e a quem recorrer. Ninguém atenderá ao telefone para ouvir socorro, nenhum cientista gritará eureca e anunciará a solução. Talvez não faça diferença para o grupo 1 e 2, mas para o 3 sobreviver é fundamental.</p>
<p>Em tempo: Shyamalan continua um diretor acima da média e um roteirista tentando chegar lá. Se você é fã de um bom suspense, gostou de Os Pássaros de Hitchcock e não é dependente químico de efeitos especiais, não deixe de conferir <a href="http://www.fimdostempos-ofilme.com.br/" target="blank">Fim dos Tempos</a>. E se alguém falar mais tarde que foi um fracasso, agora você já sabe, essa é uma longa história.</p>
<p>Em tempo 2: Shyamalan disse que Fim dos Tempos é um filme B divertido. Não deixa de ter razão.</p>
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		<title>Luto Clandestino</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jun 2008 22:37:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0013]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[A peça Luto Clandestino, de Jacinto Lucas Pires, representada no calçadão de Copacabana pelo grupo português O Bando, é uma experiência teatral inesquecível. Adquirimos os ingressos na bilheteria do SESC da Domingos Ferreira e nos juntamos ao grupo da Festlip, reunido na calçada, junto aos prédios, entre a Santa Clara e a Figueiredo Magalhães. Trocamos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A peça Luto Clandestino, de Jacinto Lucas Pires, representada no calçadão de Copacabana pelo grupo português <a title="O Bando" href="http://www.obando.pt/" target="_blank">O Bando</a>, é uma experiência teatral inesquecível.</p>
<p>Adquirimos os ingressos na bilheteria do SESC da Domingos Ferreira e nos juntamos ao grupo da Festlip, reunido na calçada, junto aos prédios, entre a Santa Clara e a Figueiredo Magalhães. Trocamos nossos documentos de identidade por MP3 Playeres e começamos a entender como iremos participar do espetáculo.
</p>
<p>
<a  href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/lutocland.jpg"><img class="thickboxsize-thumbnail wp-image-8448" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Luto Clandestino, do grupo O Bando" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/06/lutocland-80x71.jpg" alt="Luto Clandestino, do grupo O Bando" width="80" height="71" /></a>Chega a ser engraçada a curiosidade dos transeuntes, mas como em Copacabana acontece de tudo, não vi nenhum parar e perguntar o que estava acontecendo ali. Talvez porque esse bairro seja sempre palco das mais diversas situações e esses pedestres tenham a certeza que logo à frente encontraram uma cena tão excêntrica quanto essa e que se pararem em cada uma delas para se interarem nunca chegarão aos seus destinos.</p>
<p>A atriz inicia a interpretação na calçada em frente a que estamos, tendo, portanto, uma das pistas nos separando dela. Isso cria um clima difícil de descrever. A proposta do voyeurismo nos é dada com tanta sutileza, que quando percebemos a música clássica, que ouvimos em nossos fones, para passar o tempo e testar os aparelhos, fica apenas ao fundo da voz da atriz que parece pensar alto do outro lado da rua. O outro ator, um homem mais novo do que ela, a encontra e começam o diálogo. Aos poucos vamos percebendo que as personagens têm em comum uma dor: a morte de Martha &#8211; namorada, ou esposa, desse homem, chamado Antonio, e filha dessa senhora. E, clandestinamente, vemos e ouvimos o luto dos dois.</p>
<p>O barulho da rua, o movimento dos carros, os ônibus cheios, o trânsito tumultuado, um grande grupo olhando na mesma direção, cães passeando, o tempo que os atores demoram para conseguirem atravessar a Avenida Atlântica, tudo é motivo para repensarmos as coisas corriqueiras do nosso cotidiano que, muitas vezes, passam desapercebidas.</p>
<p>A essa altura os atores já estão na mesma calçada que nós e vamos acompanhando, também nos movendo, seus movimentos. Posicionamo-nos para melhor olharmos os atores, nos aproximamos, nos distanciamos, até notarmos que não há a mínima necessidade de ficarmos juntos e vamos, aos poucos, confortavelmente, abrindo mais espaço entre nós e entre nós e os atores. Espaço que, em vez de nos separar, incrivelmente, nos aproxima ainda mais.</p>
<p>As personagens conversam sobre como Marta era para cada um. Assunto iniciado pela mãe: &#8220;Ela era muito irritante, às vezes. Eu sou a mãe dela&#8230;&#8221; Ao que Antonio imediatamente responde: &#8220;A senhora não a conheceu como eu conheci.&#8221; A senhora, então, conta um episódio em que ficou vendo quanto tempo a filha agüentava tão parada. E que Marta tomou aquilo com irritação: &#8220;Que aquilo não se fazia. Espiar a filha na própria casa.&#8221; &#8211; Ainda bem que Marta está morta, se ela não gostou da mãe a observando dentro de casa, imaginem o que iria achar de 50 pessoas fofocando sua vida?</p>
<p>Com os relatos, percebemos que esse relacionamento entre mãe e filha era um pouco conturbado, cheio de silêncios, de mágoas. Mas, mesmo tratando-se de um drama, a peça é tão agradável, tão bem executada, que nós, espectadores, nos sentindo imensamente felizes ao ver aquele ótimo trabalho, que nos entreolhamos e sorrimos a cada minuto.</p>
<p>Notamos, então, mais um elemento em cena: um carro estacionado, um Corcel. Os atores entram no carro e continuam a encenar. Antonio revela o motivo da morte de Marta: eles tiveram um acidente de automóvel. Nesse momento, a música que ouvimos nos fones, parece vir do som do carro, criando um clima perfeito, a sensação é que estamos dentro do carro com eles. Antonio continua: diz que depois que viu o carro pronto, carro que Martha lhe falava ser para a vida inteira, percebeu que ela o queria para mostrá-lo à mãe.</p>
<p>Por meio de um texto, muitas vezes, simbólico, apesar de simples, vamos entrando em contato com a dor dessa mãe. Dor tão grande que se ela pudesse dava a própria vida para Marta. E, brilhantemente, ela consegue uma maneira de fazer isso. Pede a Antonio: &#8220;Imagina que sou a Marta. Isso, antes do desastre.&#8221; Ela o tortura com esse pedido e ele sai do carro, transtornado, batendo a porta, dizendo: &#8220;Por que tu faz isso?!&#8221; Ela também sai do veículo, vai até ele, pede desculpas, volta para o carro, mas continua a torturá-lo: &#8220;Já viste as minhas pernas? Ainda sou bastante&#8230; ?&#8221; Temos a impressão que ela quer tomar o lugar da filha. No entanto, não por uma paixão pelo genro, mas por querer acabar com aquele vazio deixado por Marta.</p>
<p>Descobrimos também que ele se sente culpado pelo acidente: &#8220;Vim aqui para que me perdoe. Um carro entrou na nossa frente. Não tive culpa.&#8221; Ao que a senhora responde, meio ironicamente, que todos dizem isso. Mas, ela quer que ele continue a falar: &#8220;Toda gente tem uma história. Tu tens a tua&#8230;&#8221; e pede que ele conte como foi o último dia de Martha, o dia do acidente &#8211; Será com a finalidade de começar de onde ela parou? E Antonio continua: &#8220;Era noite já. Tínhamos dado um passeio de carro e voltamos para aqui&#8230;&#8221;, e reconstitui a noite do acidente através da narração. Ela pergunta o que a filha dizia. Ele responde exaltado: &#8220;Ela cai, desmaia e morre!&#8221;</p>
<p>Parece que ele ao contar aquilo, tenta se livrar da culpa que o consome: &#8220;Hoje é difícil dizer as palavras todas&#8230;&#8221; Ao que a mãe argumenta: &#8220;Mas tu disseste bem. Palavras normais.&#8221; E o diálogo aflito continua. Ele diz que aquilo parece não fazer sentido e ela diz que estava escrito, tinha que ser. Nesse momento bem dramático do texto, um flanelinha grita: &#8220;Vem! Vem! Joga agora! Joga!&#8221;, mas nem isso tira a atenção dos espectadores e a senhora continua: &#8220;Imagina que dissestes essas palavras e eu sou a Marta. Tu és tu e eu a Marta&#8221;. Numa tentativa impressionante de preencher o vazio deixado pela filha. Antonio pede desculpas e diz que não pode fazer aquilo. Ela replica: &#8220;Tudo bem. Vou pôr isso no olho.&#8221; &#8211; acende um palito de fósforos e ameaça se cegar. Ele volta, apaga o fósforo e pergunta: &#8220;Tudo bem? Tudo bem, Marta?&#8221;. Ela pede que ele lhe dê as mãos, ele perdão e se beijam. Tudo isso com um tom flagrante de desespero, com a única intenção de conseguirem, juntos, uma maneira de acabar com aquele sofrimento.</p>
<p>A senhora sai do carro e nos diz: &#8220;Essa é a minha história, todos tem uma história. Luto contra ela, mas ela volta sempre e outra vez&#8230;&#8221;. Mas, como nos explica Jacinto Lucas Pires, na sinopse: &#8220;no essencial, trata-se de uma história simples, uma história comum: como a morte, um cigarro apagado e um automóvel num lugar escuro.&#8221;</p>
<p>Aplaudimos, ela tira Antonio do carro, ele parece ainda atordoado. Depois dos aplausos ela o coloca no carro novamente e vai embora. Eles não deixam de representar as personagens em nenhum momento: o ator que representa o homem sai do carro ainda como Antonio e vai embora. Cada um segue um caminho e não os vemos mais.</p>
<p>Essa peça trata-se, sobretudo, de um drama urbano. Além, lógico, do drama da mãe e do viúvo. O texto nos atinge porque vamos embora com a lição que todos com quem cruzamos nas ruas carregam uma história e que, infelizmente, não poderemos sintonizar nossos aparelhinhos para as ouvirmos, não teremos acesso a essas histórias sem nos expormos a um contato direto com essas pessoas.</p>
<p>Fui embora pensando: será que todo esse povo que anda com fone nos ouvidos está ouvindo a conversa de terceiros e eu não comprei meu ingresso? Mas nem fico tão chateada, porque sempre que posso, munida da minha antena &#8216;Tecsat&#8217;, procuro ouvir a conversa dos outros nos ônibus, presto atenção quando percebo alguém ao telefone, ou me aproveito de outra situação qualquer. Porém, o texto, simples, mas muito bem elaborado, que aborda vários temas psicológicos e urbanos, não nos dá somente o prazer do voyeurismo, é muito mais do que isso. Dá-nos a certeza que não se sofre sozinho nesse mundo. A certeza de que todo mundo que anda por aí tem uma história.</p>
<p>Peça: Luto Clandestino<br />
País: Portugal<br />
Grupo: O Bando<br />
Diretor: João Brites<br />
Texto: Jacinto Lucas Pires<br />
Elenco: Filipe Carvalho, Paula Só<br />
Desenho Luz e Operação de Som e Luz: João Cachulo<br />
Desenho de Som: Sérgio Milhano</p>
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		<title>A hora do arco-íris</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jun 2008 22:33:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Tive o prazer de assistir à peça &#8220;A hora do arco-íris&#8221;, do Grupo português Teatro da Garagem, no Sesc Arena. Embora sinônimas, acredito que a palavra &#8220;espetáculo&#8221;, em vez de peça teatral, seja mais adequada ao que pude presenciar essa noite. O Teatro Garagem que define seu trabalho como de &#8220;pesquisa e experimentação, através da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tive o prazer de assistir à peça &#8220;A hora do arco-íris&#8221;, do Grupo português <a title="Teatro da Garagem" href="http://www.teatrodagaragem.com/" target="_blank">Teatro da Garagem</a>, no Sesc Arena. Embora sinônimas, acredito que a palavra &#8220;espetáculo&#8221;, em vez de peça teatral, seja mais adequada ao que pude presenciar essa noite.</p>
<p>O Teatro Garagem que define seu trabalho como de &#8220;pesquisa e experimentação, através da investigação de novas formas de escrita para o teatro e de novas formas cênicas que a acompanham&#8221;, tem como diretor artístico Carlos J. Pessoa e, nesse espetáculo, conta com texto do próprio, direção de produção e interpretação por Maria João Vicente, e um elenco composto por uma atriz, Ana Palma, que iniciou seu trabalho no grupo em 2001.
</p>
<p>
O espetáculo em questão tem início antes mesmo de começar. Com as luzes semi-acesas, o público ainda se acomodando em seus lugares, pode-se verificar a silhueta de uma mulher sentada sobre um banquinho de pau, dentro de uma casinha de madeira, à beira de um deck.</p>
<p>Já se pode sentir uma atmosfera de solidão e angústia ao vermos aquela casinhola. Um espaço que transparece sufocamento e que faz-nos sentir, ainda que com a atuação apenas corporal, ainda muda, mas vigorosa de Ana Palma, enclausurados como a personagem. Uma casa em que cabe apenas uma pessoa, uma mulher de cabeça baixa, uma maleta de viagem. Uma casa que acomoda uma pessoa, mas não todos os seus pensamentos.</p>
<p>E então conhecemos Maria.</p>
<p>Aventurando-se na estrada e em suas memórias, Maria resgata o tempo passado, promovendo uma releitura dos seus anos, das suas escolhas, da sua vida. É sozinha em seu trailer (ou auto-caravana, como se diz em Portugal), no silêncio da estrada, que a mulher encontra vozes de outros tempos. Suas reflexões, nascidas da solidão, apontam para a ausência de todas as coisas, inclusive de si mesma. Maria é uma voz que sente o vazio da ausência.</p>
<p>Quem espera uma peça direta e objetiva, com uma temática leve e de fácil compreensão, deve sair decepcionado. A peça aborda um tema bastante subjetivo e denso, que é o da ausência. A encenação de Ana Palma, tão cheia de dramaticidade e intensidade, deve tocar, acredito eu, mesmo os mais insensíveis. Quem já não mergulhou em questionamentos e fez ressurgir vozes esquecidas do passado? Quem já não se sentiu sufocado estando sozinho e sozinho no meio da multidão?</p>
<p>Os sentidos são muito bem explorados durante todo o espetáculo. As luzes, operadas e desenhadas por Miguel Cruz, acompanham a angústia de Maria, por vezes focando apenas seu rosto, ressaltando a ausência de tudo a sua volta, inclusive de seu corpo.</p>
<p>Com composição, interpretação e operação de Daniel Cervantes, o som, que reproduz o canto dos pássaros, o tilintar da chuva, o latido dos cães, além de melodias em alguns momentos, funciona &#8211; e de fato funciona &#8211; como um estímulo aos sentidos, além de reforçar as emoções exploradas no palco.</p>
<p>Com um misto de alegria e desespero, Maria celebra o som dos pássaros, dos insetos, da natureza: é a hora das rolas, a hora das cigarras, a hora dos grilos. Com uma ingenuidade infantil, cada hora é festejada.</p>
<p>Mas e sua hora?</p>
<p>&#8220;O último sentido da vida é sentir&#8221;, diz uma das vozes do passado de Maria. E ela sente os sentidos com a intensidade de quem acaba de nascer. A chuva cai e ela pode sentir o cheiro da paisagem. É a hora da chuva.</p>
<p>É sentindo a água escorrer em seu rosto que Maria percebe um rasgo do sol na chuva que cai. Ao longe, forma-se o arco íris. Tudo tem sua hora; e essa é a hora de Maria.</p>
<p>A viagem reflexiva da personagem é dramatizada com tanta vida que, após a encenação, não tive vontade de dissociar imediatamente a atriz Ana Palma de sua personagem. Foi com muitos aplausos oferecidos por um público que teve que ficar de pé para demonstrar a imensa satisfação pelo trabalho mostrado ali, que fui embora, muito reflexiva, meio silenciosa, com um sorriso de encantamento no rosto.</p>
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		<title>Columbia e Cof Damu</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Jun 2008 15:59:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
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		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[É uma transformação caótica, como todas devem ser. Morte decretada do formato atual de cd, mp3 ainda nos limites entre o download gratuito e o respeito ao trabalho do artista, Internet a todo vapor e rádios se mantendo firme como medida de sucesso. Sorte nossa (minha pelo menos) que no meio do caos haja espaço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É uma transformação caótica, como todas devem ser. Morte decretada do formato atual de cd, mp3 ainda nos limites entre o download gratuito e o respeito ao trabalho do artista, Internet a todo vapor e rádios se mantendo firme como medida de sucesso. Sorte nossa (minha pelo menos) que no meio do caos haja espaço para o surgimento de novas bandas no cenário brasileiro. De show em show, aumentando aos poucos a base de fãs, estão grupos como Cof Damu e Columbia, cada um na sua área fazendo um som de primeira.<br />
Ainda não conhece?  Hora de calibrar seu mp3 player.</p>
<p>
O <a href="http://www.columbianet.com.br/" target="blank">Columbia</a> marca presença no circuito independente há 4 anos. Quem é fã de festivais alternativos provavelmente já esbarrou com o som de Fernanda, Bruno, Fred e Durão por aí. O quarteto aposta no rock puro e simples. A idéia é misturar os vocais femininos de Fernanda com as guitarras distorcidas do Bruno de forma harmônica, deixando de lado a barulheira e os berros repentinos.</p>
<p>Durante o tempo que tiveram para arredondar o som, o Columbia gravou um EP caseiro e com ele ganhou prêmios e se apresentou em palcos importantes do país, como o Circo Voador. Talvez por ter a estrada no currículo, o grupo conseguiu manter a energia dos shows em seu CD de estréia. <em>O que você não quis dizer</em> traz 10 canções que mostram uma identidade bem definida sem cair na homogeneidade. Os destaques ficam por conta de Amanhã, que merecidamente ganhou <a href="http://www.myspace.com/aumenteovolume" target="blank">clip</a> na Internet e status de single de divulgação; Marcela e Fernanda, um hit entre os fãs desde os primórdios do grupo, uma espécie de Eduardo e Mônica da nova geração; e Antes que eu fuja, típico hit instantâneo com letra leve e batida chiclete.</p>
<p>&#8220;Feche os olhos antes que eu fuja / Espere o refrão para me beijar / Então deixe sua pressa em casa / Ninguém vai nos separar&#8221; &#8211; Antes que eu fuja.</p>
<p>Definir o som do <a href="http://www.cofdamu.com/ " target="blank">Cof Damu</a> já é um pouco mais complicado. Para entendê-lo é essencial começar pelo nome. O grupo (que é de salvador) dizia que não conseguiria fazer um som diferenciado na terra do axé nem que a vaca tossisse. Mas fez. E assim a vaca tossiu (&#8220;cof&#8221; da &#8220;muuuú&#8221;, para quem ainda não entendeu). Pode não ser uma tossida bovina, mas é um sopro de frescor na música brasileira, e isso vale para norte, sul e sudeste.</p>
<p>Depois de 3 anos na estrada, Véu (a vocalista), Peu (teclado), Cláudio Lima (bateria), Karranka (guitarra), Dudare (baixo) e Fábio Abu (percussão) assinaram contrato com a Som Livre para o lançamento do cd homônimo. Nas 12 faixas eles mostram grande entrosamento e fazem um rock muito maduro, com levadas de MPB e grandes influências de rock progressivo.</p>
<p>Os destaques são Caprichos, altamente psicodélica com instrumental perfeito (ia falar só do solo de guitarra, mas seria injustiça grave) e letra levemente social; Nua, uma das mais redondas, um dos grandes símbolos do que o <a href="http://www.myspace.com/cofdamu" target="blank">Cof Damu</a> representa como banda, como coletivo, trazendo ainda bons jogos vocais e solo de flauta da Véu; e Grãos, de levada mais pop e letra alto astral feita na medida para as rádios.</p>
<p>&#8220;Tantas mãos<br />
Ecoam a dor<br />
De quem as têm<br />
Quantos olhos se apagaram<br />
Órfãos que não choram mais</p>
<p>Não exagere em seus caprichos<br />
Se não conhece quem os faz<br />
Você quem reduziu e cifrou a inocência</p>
<p>Transformaram a cicuta<br />
Em água fresca<br />
O que é real que não é fatal?</p>
<p>Não exagere em seus caprichos<br />
Se não conhece quem os faz<br />
Você quem reduziu e cifrou a inocência</p>
<p>Não há voz,<br />
Não há chão,<br />
Não há sol,<br />
O ego já se espalhou&#8221;  &#8211; Caprichos.</p>
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