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	<title>Aguarras &#187; edicao_0017</title>
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		<title>Pornografia</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Feb 2009 17:00:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswaldo Martins</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/26/pornografia/' addthis:title='Pornografia ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>O livro de Witold Gombrowicz é desses romances que se devem ler de um fôlego, para depois voltar e reler com vagar para usufruir das artimanhas da narrativa. A história se passa na Polônia ocupada. Anunciadora dos novos tempos, Pornografia percebe o movimento de uma sociedade que se forma das ruínas de um mundo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/26/pornografia/' addthis:title='Pornografia ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>O livro de <a rel="nofollow" title="Witold Gombrowicz" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Witold_Gombrowicz" target="_blank">Witold Gombrowicz</a> é desses romances que se devem ler de um fôlego, para depois voltar e reler com vagar para usufruir das artimanhas da narrativa.  A história se passa na Polônia ocupada. Anunciadora dos novos tempos, <em>Pornografia</em> percebe o movimento de uma sociedade que se forma das ruínas de um mundo que deixou de se sustentar, de um mundo cujos valores foram coagidos a mudar, de um mundo cuja necessidade se esgota nos dilemas morais da mais ampla devastação humana.</p>
</p>
<p>Se o Holocausto representou essa devastação, se o homem veio descobrindo-se, a partir da experiência do genocídio, o que é, a arte e a capacidade de crença dos homens tiveram a necessidade de assumir certo realismo denunciador das utopias. Fosse a arte de caráter socialista, conservadora na forma e no conteúdo, fosse a arte de caráter liberal e experimentalista, o mundo deveria ser recuperado positiva ou negativamente. Aquela seguindo as linhas de Tolstoi; esta, a da poesia francesa do século XIX.</p>
<p>Sabedor da impossibilidade da arte, Gombrowicz busca reinaugurá-la através de uma terceira via. A da corrupção do jovem, a da aproximação da morte, como apelo rejuvenescedor das almas e corpos carcomidos, destruídos pela desesperança.  Como uma arte da deseducação, a trama perpetrada por Witold leva ao assassínio. Educar resulta em mostrar os caminhos do assassinato, em favor de uma sensualidade que não pode ser abandonada pelas vicissitudes de um mundo que deixou de ser.</p>
<p>Sob Henia pairam duas possibilidades. O casamento com Waclaw, sob o signo do amor e da fidelidade, jurados ante a mãe quase morta. A entrega absoluta à degradação, ao assassínio, ao prazer destrutivo, que pressupõem uma nova ordem mental, na qual a juventude passa a ser em si o valor a ser valorizado. Em <em>Pornografia</em>, a juventude é destruída para ser reificada. Todos, sob o signo desta juventude estática, paralisada, se transformam em jovens.</p>
<p>As maquinações dos adultos caminham nesta direção. A entrega construída de Henia e Karol é uma necessidade que possuem de se permitirem ações de que moralmente se acham incapazes. A mistura de sensualidade e morte e do prazer que as duas despertam é um índice para a perpetuação da juventude.</p>
<p>Manter os jovens jovens resulta em se permitirem ações descompromissadas aos adultos. Entre outras ações, permitir que a linguagem das representações se mantenha num mesmo diapasão &#8220;justificado&#8221; por serem jovens é fazer com que se perpetuem nos adultos o desejo de juventude, não mais pela sensualidade, pela potência da sexualidade, mas pelo seu outro lado que é o extermínio, a morte.</p>
<p><em>Pornografia </em>se escreve para deixar que o leitor perceba o mundo que acaba de erigir-se. Sob o caos da guerra, sob o caos do extermínio &#8211; salva o homem o assassinato, e sua cara metade &#8211; a propaganda da felicidade. A manutenção de uma juventude eternamente jovem &#8211; mazela dos nossos dias &#8211; nasce de um descuido com o outro, da desinportância do outro.</p>
<p>Ser jovem abole toda culpa, por isso não culpamos nossos filhos, por isso somos presas fáceis da propaganda, por isso neles nos espelhamos, por isso desejamos tanto e com fervor a juventude que se foi. Ao propor a leitura dos homens desta forma, Witold trilha um caminho terrível e o espelha na vida contemporânea como seu ardil mais intenso.</p>
<p>Como um Sade moderno, verifica os atos da razão e os compreende em sua totalidade, ao revelar a prisão do homem à razão permite-se a afirmação complementar das ações naturais. Se para Sade a natureza era a forma determinada do sucumbir do homem, para Witold, a aliança entre o desejo de morte expresso pela natureza e a luta que contra ela a razão trava só tem sentido se a razão penetrar pornograficamente no reino da morte, isto é, se reificar como juventude.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://osmarti.blogspot.com/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>40 novelas de Luigi Pirandello</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Feb 2009 13:44:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/22/40-novelas-de-luigi-pirandello/' addthis:title='40 novelas de Luigi Pirandello ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>40 novelas de Luigi Pirandello faz parte de um projeto recente da Companhia das Letras de reunir diversos textos de um determinado autor (já são vários na coleção) em um grande livro. A edição com Pirandello tem 505 páginas é um verdadeiro tour de force, muito mais um estudo do que uma leitura rápida de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/22/40-novelas-de-luigi-pirandello/' addthis:title='40 novelas de Luigi Pirandello ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>40 novelas de Luigi Pirandello faz parte de um projeto recente da Companhia das Letras de reunir diversos textos de um determinado autor (já são vários na coleção) em um grande livro. A edição com Pirandello tem 505 páginas é um verdadeiro tour de force, muito mais um estudo do que uma leitura rápida de fim de noite, o que não é de maneira alguma um demérito.
</p>
<p><a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/pirandello_site.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/pirandello_site-80x114.jpg" alt="40 novelas de Luigi Pirandello" title="40 novelas de Luigi Pirandello" width="80" height="114" class="alignleft size-thumbnail wp-image-9141" /></a> Pirandello foi um dramaturgo, narrador, ensaísta e poeta italiano, publicado ainda na década de 1880. Apesar de ser conhecido mais por suas peças de teatro, começou como poeta e contista, publicando em jornais e revistas sem parar. Fica evidente nessa amostragem de textos selecionada e traduzida por Maurício Santana Dias que Pirandello tinha na escrita um exercício de laboratório de suas idéias. Digo isso porque é fácil identificar os temas preferidos do autor e perceber a necessidade de retrabalhá-los até a exaustão, o que é mais benéfico para ele do que para o leitor. </p>
<p>Um de seus temas preferidos é a falência do casamento. Pirandello explora de todas as maneiras as causas e conseqüências da traição. Também repete em um texto ou outro a noção de que quanto mais se despreza alguém mais esse alguém gosta de você, valendo também o inverso. Tratar um cônjuge ou pretendente com muita dedicação é trilha certa para o fim de uma relação, e ressalto aí as relações que terminam mesmo antes de começar. Achei esses textos cansativos, exatamente pela repetição.  Se nas primeiras leituras o humor peculiar do autor ajuda a avançar as histórias, mais para frente perde-se o frescor. Mas como comentei, um livro desse porte é mais do que leitura, é um estudo compacto. </p>
<p>Nas palavras de Maurício Santana Dias: “Ao contrário de mestres de prosa naturalista como Zola, Verga ou mesmo o D’Annunzio das primeiras novelas, Pirandello sabe que ‘a vida como ela é’ é irrepresentável. No entanto, é preciso representá-la de algum modo, mesmo que a arte já não dê conta de nenhuma totalidade”. </p>
<p>Curioso ver como Pirandello posiciona a sociedade em suas histórias. O que a sociedade pensa ou deixa de pensar é uma constante influência no destino dos protagonistas. Os personagens secundários ou a sociedade como entidade coletiva estão sempre induzindo os outros a uma ação que parece lógica quando aplicada à vida de terceiros, mas nunca à própria. Alguns personagens conseguem perceber isso no meio do caminho e escapam de finais trágicos, tomando para si as rédeas, mas são raros os casos. Em um dos textos, um homem é traído e tem que matar a esposa. No julgamento, diz que a culpa não foi dele, mas da verdadeira mulher do amante da esposa. Isso porque a tal mulher, ao descobrir a traição, foi na porta de sua casa e fez um escândalo. Se tivesse ficado quieta, ele não precisaria fazer nada, mas com todo mundo sabendo do acontecido, o que mais lhe restava além da possibilidade do assassinato? É mais ou menos esse o clima.</p>
<p>Um dos grandes tesouros do livro são as três novelas que inspiraram Pirandello a escrever a peça <a  rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Seis_personagens_%C3%A0_procura_de_um_autor" target="blank">Seis personagens à procura de um autor</a>. A relação direta de personagens “fictícios” com um personagem “real” é impagável. O modo como Pirandello trata a superioridade do real diante do imaginário vale a leitura. Geralmente o personagem fictício vem até o autor convencê-lo de que merece fazer parte de um romance e, enquanto disserta sobre suas qualidades, age de forma a desdizê-las.</p>
<blockquote><p>“Hoje, audiência. Recebo das nove às doze em meu escritório os senhores personagens de minhas futuras novelas. Cada tipo! Não sei por que todos os descontentes da vida, todos os traídos pela sorte, os enganados, os desiludidos e os quase doidos vêm procurar justo a mim. Se os tratasse bem, eu até entenderia. Mas freqüentemente eu os trato feito cachorros; e eles sabem que não me contento facilmente, que sou cruelmente curioso, que não me deixo levar por aparências nem me impressiono com conversa fiada. Pelo amor de Deus, a alguns peço até provas, testemunhos e documentos. No entanto&#8230;”</p></blockquote>
<p>Destaco ainda um conto muito bonito chamado O quarto à espera. É um quarto mantido todo arrumadinho, com lençol trocado, pijama na cama, esperando o retorno de um homem que provavelmente não voltará. Quem o arruma são as irmãs e a mãe que não querem admitir a possibilidade de que esteja morto. A beleza vem não da situação, mas das escolhas narrativas. O conto, de certa forma, é narrado no ponto-de-vista dos objetos do quarto. Os lençóis sempre felizes por estarem limpos e trocados. O relógio feliz porque está sempre com corda. E a vela triste, porque só será acesa quando aceitarem a morte. Os objetos bem cuidados desprezam a vela porque as mulheres não lhe dão atenção. É um texto calcado em sutilezas, muito bem construído. Como a certeza da morte é inegável, a vela acaba tendo seu momento de bons tratos e pode brilhar diante da tristeza alheia.</p>
<blockquote><p>“Para essa vela é uma desforra”. </p></blockquote>
<p>40 novelas de <a  rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pirandello" target="blank">Luigi Pirandello</a><br />
Maurício Santana Dias (seleção, tradução e prefácio)<br />
Companhia das Letras<br />
505 páginas </p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.ericnovello.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>2º FC do B</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Feb 2009 20:58:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
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		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/21/2%c2%ba-fc-do-b/' addthis:title='2º FC do B ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>2º edição do Concurso Literário FC do B &#8211; Panorama 2008/2009. O projeto FC DO B tem o propósito de promover a literatura através do incentivo aos escritores, além de ajudar a difundir e renovar a Ficção Científica nacional. A edição passada do concurso recebeu mais de duzentos trabalhos de todo o país e do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/21/2%c2%ba-fc-do-b/' addthis:title='2º FC do B ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>2º edição do Concurso Literário FC do B &#8211; Panorama 2008/2009.</p>
<p>O projeto FC DO B tem o propósito de promover a literatura através do incentivo aos escritores, além de ajudar a difundir e renovar a Ficção Científica nacional.</p>
<p>A edição passada do concurso recebeu mais de duzentos trabalhos de todo o país e do exterior, resultando numa coletânea com diversidade temática e de surpreendente qualidade.</p>
<p>Para participar e para maiores informações, visite o site do concurso: <a rel="nofollow" title="2º edição do Concurso Literário FC do B" href="http://www.fcdob.com/" target="_blank">http://www.fcdob.com</a></p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Luanda</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Feb 2009 18:15:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/16/luanda/' addthis:title='Luanda ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Deve ser esse negócio de ser o &#8220;outro&#8221;. Mas fui à exposição dos artistas contemporâneos de Luanda, na Galeria Soso, achando que ia encontrar registros documentais. Aquele esforço tão nosso conhecido de estabelecer uma identidade, já que &#8220;outro&#8221; dos outros, temos medo de virar o outro de nós mesmos. E ficamos, então, com a síndrome [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/16/luanda/' addthis:title='Luanda ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Deve ser esse negócio de ser o &#8220;outro&#8221;. Mas fui à exposição dos artistas contemporâneos de Luanda, na Galeria Soso, achando que ia encontrar registros documentais. Aquele esforço tão nosso conhecido de estabelecer uma identidade, já que &#8220;outro&#8221; dos outros, temos medo de virar o outro de nós mesmos. E ficamos, então, com a síndrome da realidade. Política, social e por aí.</p>
<p>Era e não era. Não era documental. Mas a busca pelo estabelecimento de uma suposta identidade angolana perpassava as obras.</p>
</p>
<p>O engraçado é que, na necessidade &#8211; também que conhecemos tão bem &#8211; de quebrar estereótipos, não satisfazer expectativas já viciadas pelo lugar-comum dos cartazes de turismo, África mesmo é o que não aparece.</p>
<p><a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0604a.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9132" title="Claudia Veiga: 'Tchinganji'" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0604a-80x53.jpg" alt="Claudia Veiga: 'Tchinganji'" width="80" height="53" /></a>O tratamento do espaço dos quatro artistas escolhidos &#8211; Cláudia Veiga, Ihosvanny, Kiluanji e Yonamine &#8211; é o de não dar espaço. A superfície das fotos, mesmo as que representam cenas ao ar livre, é coberta pela tessitura da construção human, e pouco ou nada deixa para a paisagem. É como se a África ampla a que nos acostumamos devesse sumir para que a África que os artistas querem mostrar possa aparecer.</p>
<p>No mais, dá-lhe símbolo. Há uma preocupação temática em estabelecer imagens da contemporaneidade. E, no entanto, o processo escolhido para o estabelecimento de tais imagens é o de consolidar aspectos em tropos carregados, metafóricos de uma dada situação ou viés, ou mesmo de uma totalidade que nunca se alcança. E aqui há uma ironia e um paradoxo. Se os artistas pretendem estabelecer uma visão atualizada e dinâmica de uma Angola sujeita, ela também, a uma globalização e hibridização fragmentária, eles tentam isso através da criação de símbolos, mantendo, portanto, um pensamento tradicional de formação de mito.</p>
<p>Claudia Veiga fotografou em seqüência uma performance ocorrida durante evento de arte em Luanda, o Input, em 2008. As fotos mostram uma galeria de arte onde um ator irrompe em uma dinâmica teatral, fazendo elo com um espetáculo de palco que haveria logo a seguir. Tchinganji é o nome do mentor que acompanha a iniciação masculina de jovens angolanos tradicionais. Ele usa máscara. Aqui, a obra, titulada Tchinganji é propositalmente borrada, para que não vejamos o rosto da personagem principal. É uma iniciação para a arte.</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0604c.jpg" class="thickbox no_icon" title="Kiluanji: 'Kixima remix'"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9134" title="Kiluanji: 'Kixima remix'" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0604c-80x53.jpg" alt="Kiluanji: 'Kixima remix'" width="80" height="53" /></a> <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0604b.jpg" class="thickbox no_icon" title="Kiluanji: 'Poderosa de bom Jesus'"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9133" title="Kiluanji: 'Poderosa de bom Jesus'" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0604b-80x118.jpg" alt="Kiluanji: 'Poderosa de bom Jesus'" width="80" height="118" /></a> O homem vestido de mulher de Kiluanji é outro símbolo. Com scarpins nos pés e roupas tradicionais, ele não é um travesti, no sentido ocidental do termo. É um homem que se veste de mulher e tem apetrechos ocidentalizados e tradicionais. Está lá para singificar algo, e não para ser ele mesmo.</p>
<p>Do mesmo artista e igual intenção há uma foto de uma feira ao ar livre. Alguém posa. Não é um instantâneo. É um representante de etnia tradicional, em meio a objetos ocidentalizados. Essa chama-se Kixima Remix.</p>
<p>Yonamine e Ihosvanny trouxeram vídeos. O primeiro artista tem dois vídeos simultâneos. Em um, duas mãos com luvas, esponja e detergente esfregam e tentam limpar muito bem uma superfície translúcida. No outro, um homem queima lixo feito de jornais velhos. Esses dois vídeos, em looping, trazem, no entanto, uma novidade interessante. O looping não é só o do tempo, digamos assim, da sequência de quadros da câmera. Não. Os jornais queimados têm uma camada atrás, de mais jornais, que também serão queimados, e mais outra. E as mãos, uma está na frente da superfície translúcida que está sendo limpa. E a outra está atrás. Então, o tempo passa também em 3D. Um tempo para trás, que também se repete em eco.</p>
<p>Ihosvanny talvez seja o mais sofisticado do grupo. Seu &#8220;road movie&#8221; é de imagens polarizadas em PB, o que resulta em uma quase abstração. De tempos em tempos, uma cena &#8220;realista&#8221;, em cores, não modificada. Como a lembrar que pessoas são só isso mesmo, pessoas.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.vigna.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>O curioso caso de Benjamin Button</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Feb 2009 17:26:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/15/o-curioso-caso-de-benjamin-button/' addthis:title='O curioso caso de Benjamin Button ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>O que há de mais curioso na história de Benjamin Button é entender como ele conseguiu tantas indicações ao Oscar, 13 no total, e já venceu 12 prêmios dos 50 a que concorreu mundo afora. O filme de duas horas e quarenta minutos custou a bagatela de US$150 milhões, distribuídos em efeitos especiais de rejuvenescimento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/15/o-curioso-caso-de-benjamin-button/' addthis:title='O curioso caso de Benjamin Button ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>O que há de mais curioso na história de Benjamin Button é entender como ele conseguiu tantas indicações ao Oscar, 13 no total, e já venceu 12 prêmios dos 50 a que concorreu mundo afora. O filme de duas horas e quarenta minutos custou a bagatela de US$150 milhões, distribuídos em efeitos especiais de rejuvenescimento e envelhecimento, viagens pelo mundo e cenários grandiosos, tudo isso com cara de filme modesto, desses que diretor estreante resolve filmar para fortalecer o currículo. O sucesso comercial também foi maior do que eu imaginaria, assim como a campanha de marketing. Nos Estados Unidos, foi lançado no Natal e arrecadou cerca de US$120 milhões, devendo render bem mais com a propaganda contínua em que o Oscar se transforma.
</p>
<p>
<a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/curious_case_of_benjamin_button_ver4_icon.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/curious_case_of_benjamin_button_ver4_icon-79x129.jpg" alt="Bejamin Button poster1" title="Bejamin Button poster1" width="79" height="129" class="alignleft size-thumbnail wp-image-9126" /></a>Um bom começo é espiar os trabalhos anteriores dos envolvidos. O roteirista Eric Roth foi responsável pelo confuso Munique (Steven Spielberg), o badalado Ali G (com Will Smith no papel principal), o fiasco O Mensageiro (com Kevin Costner) e Forrest Gump, a cereja do bolo. Para quem não lembra, Forrest Gump levou 6 Oscars e garantiu o estrelato de Tom Hanks. A historinha de celebração americana nunca me convenceu. O importante dessa informação é ver que a combinação “história real”, “ator âncora” e “efeitos especiais” vem daí. </p>
<p>Se os filmes de Eric Roth não estão entre meus preferidos, a situação se inverte com o diretor David Fincher. Difícil não lembrar do impacto causado pelo suspense Seven, primeiro trabalho conjunto de Fincher e Brad Pitt. Quatro anos depois ele voltou com Clube da Luta, um filme cultuado por muitos cinéfilos. Dirigiu também o suspense Quarto do Pânico (com Jodie Foster) e o sombrio Zodíaco, sobre um psicopata e a obsessão de um cartunista pelo caso.  Os filmes de Fincher têm uma constante: fazem mais sucesso fora dos Estados Unidos. Sua melhor bilheteria é sem dúvida Seven (US$327 milhões), seguido de Quarto do Pânico (US$196 milhões). Bons resultados para suspenses sem o apelo adolescente de super-heróis, por exemplo.  </p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/curious_case_of_benjamin_button_ver9_icon.jpg" class="thickbox no_icon" title="Benjamin Button poster2"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/curious_case_of_benjamin_button_ver9_icon-79x129.jpg" alt="Benjamin Button poster2" title="Benjamin Button poster2" width="79" height="129" class="alignleft size-thumbnail wp-image-9127" /></a> Os protagonistas dispensam comentários. Listar os trabalhos de Brad Pitt e Cate Blanchett ocuparia pelo menos uma página da resenha. Se Brad Pitt não é conhecido pela versatilidade, é uma grata surpresa vê-lo como ator e não como celebridade atuando em Benjamin Button. Agir como um velho com cabeça de criança e depois como um adolescente com cabeça de velho não deve ter sido tarefa das mais fáceis, mas o sucesso é evidente. Pitt apostou na sutileza de olhares e nos gestos contidos de alguém que não aprendeu a se expressar quando deveria. Há também a rouquidão na voz que não sei se é efeito de edição ou se também está entre os méritos do ator. Cate Blanchett faz o caminho inverso, o caminho natural, mas nem por isso menos desafiador. Ela interpreta uma adolescente, adulta, senhora e paciente terminal durante a trama, fazendo o contraponto ao caso de Benjamin. É o símbolo da normalidade, dentro do possível, e extrai o máximo de sua personagem. </p>
<p>Já que falei da trama, vamos finalmente a ela. O curioso caso de Benjamin Button conta a história de um bebê que nasce velho. Logo no parto ele perde a mãe. O pai, chocado com sua aparência e com a morte da esposa, leva-o a um abrigo de idosos e o abandona na porta. A enfermeira do lugar acha o garoto e decide criá-lo. O médico diz que ele tem envelhecimento precoce, que nasceu com artrites, reumatismo, coração fraco e tudo mais, e por isso terá poucos anos de vida. Mas Benjamin é mais do que isso. Ao contrário de todos nós ele rejuvenesce conforme fica mais velho. É um velho garoto, um jovem de bengalas e quanto mais o tempo passa mais bonito e saudável ele fica. Nessa lógica reversa, ao invés de morrer como um velho de pele enrugada e costas curvas, Benjamin está destinado a se transformar em adolescente, depois criança e por fim em bebê.</p>
<p>O sonho da juventude aqui não carrega charme. Seguir no rumo inverso é uma constante de desafios para Benjamin. Enquanto as crianças brincam na rua, ele está em uma cadeira de rodas. Um suposto senhor ter como melhor amiga uma menina de quatorze anos também não é bem-visto dentro do asilo. Imagine então ler historinhas escondido embaixo da mesa. Mas é claro que o asilo é um cenário transitório e não demora muito um mundo de possibilidades se abre diante de Benjamin. E é nesse ponto que a magia enfraquece. Benjamin passará por todas as etapas da vida, terá romances passageiros, sexo (antes do primeiro beijo para manter a lógica), o primeiro emprego, fará fortuna, se aproximará e se afastará do verdadeiro amor até poder abraçá-lo de fato quando se julgar preparado. Decidirá trabalhar em um navio para poder viajar pelo mundo e dentro dele participará da guerra. Não fosse o problema cronológico, ele levaria uma vida bastante normal. </p>
<p>Obviamente, os pontos fortes da trama são os encontros de Benjamin e Daisy, personagem de Cate Blanchett. O tal amor inacessível e acessível, dependendo da situação. Os dois seguem em sentidos cronológicos contrários, o que permite matematicamente que haja pelo menos um ponto em comum, a faixa dos cinqüenta anos.  </p>
<p>A verdade é que fiquei com os olhos cheios de água. Tanto pelo filme quanto pelos velinhos no cinema. Pensava se viam ali uma história sobre morte, o tempo que nos resta, oportunidades perdidas, arrependimentos e tudo mais que se pode empilhar durante uma vida. Tenho uma boa relação com o tempo. Gosto da idade que tenho, gostarei das demais. Esse é um tipo de drama que não me afeta. Também acho as comparações da velhice com um retorno à infância bem picaretas. Como diz O-kiku, a gueixa de Felice&#8230; Felice, a vida é o que é. Mas o fato é que as lágrimas estavam lá. Se a história em si não me comoveu e se de fato não faz a menor diferença que Benjamin tenha nascido velho, dado que enfrentará os dilemas na ordem tradicional (fora o tal sexo antes do beijo), talvez a emoção venha simplesmente do cinema como arte. Do todo que é maior do que as partes. E isso não se vê todos os dias por aí. </p>
<p>É bem capaz que você saia do cinema pensando que essa fábula sobre o tempo carrega uma bela mensagem, mas não consiga em nenhum momento decidir qual é. Se ficar assim, não se assuste. Pelo visto foi essa a intenção.</p>
<p>Como última crítica, para não dizerem que estou bonzinho hoje, O curioso caso de Benjamin Button tem um sério problema de identidade narrativa. Sua estrutura muda de uma parte para outra quebrando a unidade do filme. Há blocos de construção tradicional e linear e outros de comentários em primeira pessoa (é um diário). O melhor exemplo, por ser o mais deslocado de todos, é a parte em que Benjamin narra o acidente de uma amiga, repassando de modo entrecortado todos os menores detalhes do seu dia e do homem que a atropela. Praticamente um roteiro dentro do roteiro, no melhor (ou pior) estilo Magnólia. </p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.ericnovello.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Meu Caro Amigo</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Feb 2009 11:30:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/14/meu-caro-amigo/' addthis:title='Meu Caro Amigo ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Não é preciso estar morto para ser homenageado. Partindo deste princípio, Felipe Barenco, responsável pelo texto do musical Meu Caro Amigo e, diga-se de passagem, estreante na profissão (e muito talentoso), presenteia o público do Rio de Janeiro com um clima nostálgico e emocionante que pode ser sentido até por objetos inanimados. Amantes ou não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/14/meu-caro-amigo/' addthis:title='Meu Caro Amigo ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Não é preciso estar morto para ser homenageado.</p>
<p>Partindo deste princípio, <a rel="nofollow" title="Felipe Barenco" href="http://www.dramadiario.com/" target="_blank">Felipe Barenco</a>, responsável pelo texto do musical <em>Meu Caro Amigo</em> e, diga-se de passagem, estreante na profissão (e muito talentoso), presenteia o público do Rio de Janeiro com um clima nostálgico e emocionante que pode ser sentido até por objetos inanimados.</p>
</p>
<p>Amantes ou não de Chico, isso é totalmente irrelevante, o público sente-se acarinhado pela voz aveludada de Kelzy Ecard, que interpreta Norma Aparecida, uma professora de história fanática por <a  rel="nofollow" title="Chico Buarque" href="http://www.chicobuarque.com.br/" target="_blank">Chico Buarque</a>.</p>
<p>Falando assim, parece uma pecinha super clichê! Quantas mulheres não são loucas pelo Chico? Pelo menos foi o que pensei quando li o texto de apresentação da peça, na revista programa. Não me pareceu ser nenhuma novidade.</p>
<p>Talvez o jornalista não tenha sido tão efusivo quanto eu gostaria, talvez tenha poupado demais nas palavras, talvez não tenha assistido à peça, ou talvez a sinopse seja essa mesmo e eu é que estou fantasiando, querendo achar que a peça é muito mais que isso.</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/caroamigo.jpg" class="thickbox no_icon" title="Meu Caro Amigo - fotografia de Juliana P. Fontes © Aguarrás"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9122" title="Meu Caro Amigo - fotografia de Juliana P. Fontes © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/caroamigo-80x53.jpg" alt="Meu Caro Amigo - fotografia de Juliana P. Fontes © Aguarrás" width="80" height="53" /></a>Bom, tem a Norma e tem o Chico. Ela é fã dele. Enquanto Norma conta sua história, Chico canta a história dela. Talvez seja a &#8220;cumplicidade&#8221;, numa via de mão única, já que o compositor nem sabe quem é Norma, talvez seja o modo como cada música do compositor se encaixa perfeitamente, tanto na vida pessoal da personagem, como no momento político em que se encontra o país. Ou talvez seja apenas o fato de o texto ter sido muito bem escrito, bem amarrado e bem encenado, e as músicas bem selecionadas e bem interpretadas.</p>
<p>Meu deu até vontade de reler livros sobre a história do Brasil. Admito lembrar mais da Era Vargas. E a Era Chico começa depois disso. Que história boa! A do Brasil, a do Chico e a da Norma também.</p>
<p>Esse é o segredo! São três boas histórias, juntas. A da Norma, que viveu na ditadura, tinha um pai repressor com quem ficou sem falar, participou de movimentos estudantis e era apaixonada pelo Chico. A do Brasil, que sofreu grandes transformações ao longo das últimas décadas, se livrou da ditadura, adotou eleições diretas. E a do Chico, que entre uma música e outra, foi preso, exilado, que participou, ainda que inconscientemente, da vida dos milhares de Normas do Brasil e, conscientemente, da história política do país.</p>
<p>Uma atuação emocionante de Kelzy Ecard, que tem uma voz e tanto; um pianista &#8211; João Bittencourt &#8211; de primeira; músicas muito bem selecionadas (o que deve ser tarefa difícil, já que a maioria das composições de Chico são boas), enfim, um deleite!</p>
<p>O que me faz pensar naquela velha desculpa de que não se vai ao teatro porque o ingresso é caro. Conversa pra boi dormir. Pelo valor camarada de 15 reais (estudante paga meia), é possível assistir a essa peça tão boa! Cara-de-pau é o vizinho, que tem um Honda Civic na garagem, que diz que não vai ao teatro porque a entrada é um absurdo&#8230; A verdade é que o espaço cultural anda bem democrático mesmo. São centenas de peças em cartaz, muitos eventos gratuitos pela cidade, exposições&#8230; É só escolher bem. <em>Meu Caro Amigo</em> é garantia de bom programa.</p>
<p><em> </em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: Felipe Barenco</em><em><br />
Direção: Joana Lebreiro<br />
</em><em>Atuação: Kelzy Ecard<br />
</em><em>Direção Musical: Marcelo Alonso Neves<br />
</em><em>Piano: João Bittencourt<br />
Centro Cultural Correios<br />
Rua Visconde de Itaboraí, 20.<br />
De 5ª a domingo, até 5 de abril.</em></p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/author/juliana/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista com Fábio Fabricio Fabretti</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/02/12/entrevista-com-fabio-fabricio-fabretti/</link>
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		<pubDate>Fri, 13 Feb 2009 01:17:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/12/entrevista-com-fabio-fabricio-fabretti/' addthis:title='Entrevista com Fábio Fabricio Fabretti ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>1. Você é um autor que escreve tipicamente para um público adulto. Seus textos no blog Palavras que sangram ou no pocket Sexo, drogas e tralalá, por exemplo, lidam com morte e elementos de um universo mais introspectivo. Foi difícil buscar uma nova essência para escrever um infantil? Produzi muito em minha infância, mas nunca [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/12/entrevista-com-fabio-fabricio-fabretti/' addthis:title='Entrevista com Fábio Fabricio Fabretti ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>1. Você é um autor que escreve tipicamente para um público adulto. Seus textos no blog Palavras que sangram ou no pocket Sexo, drogas e tralalá, por exemplo, lidam com morte e elementos de um universo mais introspectivo. Foi difícil buscar uma nova essência para escrever um infantil?</p>
<p>Produzi muito em minha infância, mas nunca me imaginei escrevendo para crianças, embora a literatura infantil me atraia desde cedo. Meu contato com crianças sempre foi superficial. Não possuo filhos, minha família é distante e dou aula para adultos. Minha temática literária sempre se voltou para as questões do submundo, do amor e da morte, que me fascinam e me inspiram, ou seja, minhas maiores referências de vida e de arte, por isso me chamam por aí de gótico ou “underground”. E de repente me vejo escrevendo para o público mirim. Mais do que isso, envolvendo-me num universo que já pertenci ou que fazemos questão de não mais pertencer.</p>
<p>2. Como surgiu a idéia de O Mistério dos Livros? Sei que a grande inspiração foi Clarice Lispector. </p>
<p>É clichê, mas Clarice é uma das minhas maiores referências literárias. Na adolescência, quando conheci a sua obra e passei a devorá-la, descobri uma entrevista dela na coleção Para gostar de ler. Clarice explicava que, quando criança, se perguntava e imaginava de onde vinham os livros. Nunca me esqueci disso. Anos depois, tanto a recordação de sua curiosidade quanto a sua imaginação mágica, me renderam “O mistérios dos livros”, onde criei a personagem Clarice e reinventei aquele momento indagador da sua infância, com bases ficcionais, claro.</p>
<p>3. Como o projeto foi parar na Alemanha com o livro?</p>
<p>Roseni Kuranyi, uma amiga escritora brasileira que vive em terras germânicas, me chamou para visitar o Projeto Cria-Brasil, uma instituição que visa a educação das crianças de origem brasileira que vivem na Alemanha. Fiquei encantado pelo convite e pelo trabalho do projeto. Mas como palestrar para crianças levando apenas livros de adultos? Então me lembrei que havia escrito o livro infantil sobre Clarice Lispector. Imediatamente resgatei a obra, reescrevi e a apresentei ao meu então editor, Marcos Maynart. Em pouco menos de um mês publicamos o livro e em julho o levei para a Europa. Por coincidência, Clarice Lispector completava trinta anos de falecimento. No Brasil, o livro foi lançado um mês antes da data comemorativa, e no dia exato da sua morte, nove de dezembro, uma peça foi encenada, baseada no livro. Deve ter sido a energia favorável de Clarice que contribuiu.</p>
<p>4. Diz-se muito da dificuldade de traduzir literatura infantil de um idioma para outro. Que é uma literatura de valores muito peculiares e difícil de ser adaptada. Como foi a experiência? </p>
<p>O livro foi publicado no Brasil e lançado na Europa. Não chegou a ser traduzido. Eu o levei na língua portuguesa mesmo. O Projeto Cria-Brasil fez questão de recebê-lo assim, pois está na linha de trabalho que eles realizam, alfabetizando e valorizando a nossa cultura entre os alunos teuto-brasileiros. Claro que as crianças falam fluentemente o alemão, desde as adotadas até as que nasceram ou se mudaram muito novas para lá, mas o projeto instrui a língua portuguesa como um segundo idioma para esses pequenos, sem deixar que eles se desvinculem do Brasil. Na convivência com os brasileiros adultos radicados no estrangeiro, percebi que há uma grande carência sobre tudo o que vem de nós, principalmente nas artes. Levei o caderno cultural de um jornal que comentava a minha ida para a Alemanha e eles devoraram todas as páginas, querendo saber tudo o que acontecia de artístico por aqui.    </p>
<p>5. Você já apresentou o livro para públicos distintos, mas acredito que todos eles tenham um ponto em comum. Como você sentiu isso?</p>
<p>Criança é criança em qualquer parte do mundo. A essência da criança é ela mesma. Sou sempre muito bem recebido e aprendo muito. Fico comovido com as mais diversas reações. Quando apareço com meus livros revelando que vim para e por elas, vejo o indisfarçável encantamento em seus olhos. Criança gosta de se sentir especial porque de fato é. Na Alemanha, muitas me perguntaram como era o Rio de Janeiro&#8230; se o mar era salgado mesmo&#8230; se o Cristo Redentor era realmente grande&#8230; Na aldeia indígena que visitei, uma criança curumim se aproximou e me perguntou cheia de deslumbramento se eu havia escrito o livro para ela. Quando visitei a favela Cidade de Deus, na baixada do Rio, pedi às crianças que fizessem um desenho para mim. No momento em que a assistente social me avisou para encerrar o evento, uma menina começou a chorar desesperadamente. Disse a ela que poderia terminar o desenho em seu lar, sem problemas, mas ela me explicou que não tinha lápis de cor em casa. E na escola pública Professor Souza Carneiro, no subúrbio da Penha, várias alunas tímidas quiseram um autógrafo, por nunca terem conhecido um autor. Volto para minha casa e passo dias e noites refletindo. É o tipo de coisa que dinheiro algum no mundo consegue pagar. A maior aprendizagem. O reconhecimento mais gratuito e verdadeiro.   </p>
<p>6. Como você foi parar em uma aldeia indígena com um saco de livros nas costas? É possível se conectar a um mundo tão diferente, se é que ele é tão diferente assim? </p>
<p>Tudo começou com um convite que recebi das minhas primas, Eliane de Cássia Bergo, envolvida nas prefeituras mato-grossenses, e Elaine e Érica Bergo, da área de saúde. Através da FUNAI e da Universidade de Mato Grosso, conseguimos chegar à aldeia dos índios Umutinas, que significa “índios barbados”. Eles vivem numa ilha fluvial entre os rios Paraguai e Bugres, na faixa de transição entre a floresta amazônica e o pantanal mato-grossense. Foi uma viagem divertida e aventureira, acompanhado por meus familiares que vivem em Arenápolis. Tanto a recepção quanto o convívio foram de carinho e atenção. Eles valorizam tudo o que vem prestigiá-los e acrescentar-lhes. No centro da aldeia existe uma escola pública chamada Julá Paré, cujos próprios professores são índios. Fiquei impressionado com a organização social e a educação entre eles. Hoje suas raças estão miscigenadas devido às interligações étnicas. E não ignoram a atualidade. Continuam vivendo em ocas, por exemplo, mas são conectados à rede. Alimentam-se ainda da caça, da pesca e da plantação, mas consomem produtos industrializados. Possuem luz elétrica e até um tipo de saneamento. Usufruem da modernidade tanto quanto nós, estudando em faculdades e adquirindo profissões, mas mantém os seus costumes, preservando a sua cultura. Um dos rituais mais famosos dessa tribo, por exemplo, é o Culto aos Mortos.</p>
<p>7. Chegou a ver o Culto aos Mortos? </p>
<p>Participei um pouco daquele cotidiano “selvagem”, numa versão de Hans Staden do século XXI, mas infelizmente não presenciei o Culto aos Mortos. Estes cerimoniais acontecem na colheita do milho ou no decorrer do ano. Eles festejam com vários eventos tradicionais chamados Lorunó (dança com máscaras de cabelo), Yatáribu (cerimônia com canto), Boiká (iniciação dos arcos), Manixuarê (dança com flautas sagradas) entre outras. Trocam suas roupas comuns por vestes e ornamentos típicos, e pintam seus corpos imitando as escamas de peixe. Porém, os pequenos e jovens indígenas me apresentaram uma tradicional demonstração da dança dos guerreiros, onde só os homens participam.     </p>
<p>8. Apresentar O Mistério dos Livros em uma tribo indígena foi uma novidade para eles tanto quanto para você? Por mais que seja um infantil, “O Mistério dos Livros” deve carregar no cerne parte das sombras do autor. Houve um choque de culturas e tradições ou a literatura é mesmo universal?</p>
<p> “O mistério dos livros”, como comentado anteriormente, é um mistério até para mim. Trouxe-me acontecimentos inesperados e me abriu muitas portas. É um livro que promove a descoberta da leitura e desperta a sensibilidade artística. A literatura é universal, como provam os clássicos que lemos eternamente. Um episódio interessante na aldeia Umutina foi quando lhes pedi que escolhessem um desenho do livro para pintarem. Todos optaram pela mesma página, com a gravura inicial da menina Clarice brincando com sua boneca num jardim. Foi minha prima Idaliana quem chamou minha atenção para o fato. Não sei se foi o contato familiar com a natureza ou a simplicidade da imagem em si que lhes interessou. A história é outro elemento que envolve diretamente as crianças. Na Alemanha, antes de lermos juntos, pedi que escrevessem no quadro-negro “de onde vêm os livros?”. E responderam: “do céu (da imaginação que Deus nos deu?), “da editora (que faz os livros?)”, “das árvores (que fabrica o papel?)”, “da bolsa (que guarda os livros?)” e “do autor”. Alguém até escreveu “do Fábio”. Quando apresento minha obra a um público infantil, não há distinção, seja numa favela, num bairro nobre ou numa aldeia. A sintonia é tão grande que as crianças rapidamente querem demonstrar suas habilidades: “olha como eu sei cantar&#8230;” ou “veja o meu desenho&#8230;” ou “eu também posso contar uma história&#8230;”. E há os que revelam gostar de escrever histórias, poesias ou diários, seja na cidade grande, no interior ou numa tribo indígena.</p>
<p>9. A pergunta é obvia, mas inevitável: pensando nos índios e na Alemanha. Você acha que o “mistério” propriamente dito foi diferente para os dois? </p>
<p>Como num espetáculo, nenhuma platéia é igual à outra, portanto as reações são as mais variadas. Certa vez me perguntaram por que a capa do livro era preta, e eles mesmos deduziram que se relacionava ao mistério, ao enigma da trama. Em outra situação, queixaram-se do desaparecimento repentino da boneca da personagem, que só é citada no início. Criança é um público crítico e exigente, talvez até mais que os adultos. Se não convencer ou não ficar claro, reclama. Minha prima de cinco anos, Sofia, estava rabiscando a dedicatória que fiz a ela. Diante da minha advertência para não estragar o autógrafo, ela questionou: mas o livro não é meu? No entanto, todos os públicos são iguais quanto ao fascínio de desvendarem o mistério. Me sinto feliz em mostrar que muitas respostas estão simplesmente dentro de nós mesmos.        </p>
<p>10. Sei que você está envolvido agora com a biografia da atriz Gloria Pires. Também fez parte da equipe da biografia “Caio Fernando Abreu – cartas”. Como é o processo de construção de um livro sobre a vida alheia? Vira e mexe, dizemos que a realidade é mais interessante que a ficção. A teoria se comprova em uma biografia desse tipo?</p>
<p>O livro das cartas do Caio Fernando Abreu foi uma experiência gratificante e trabalhosa. O Caio deixou muitas cartas aos amigos e fizemos um rastreamento desse material. O processo inteiro do livro levou dois anos. Engraçado que ele próprio, em uma das cartas, recomenda a uma amiga que publique tudo quando ele morresse. Acabei me envolvendo com o mundo biográfico, que sempre gostei de ler. Entretanto, nada é totalmente biográfico na vida de alguém, como nada é totalmente ficcional numa história inventada. Quando se escreve, seja ficção ou biografia, há um ponto em que o real e a imaginação se confluem. Na literatura nem tudo é verdadeiro e nem tudo é falso. A base da ficção é a realidade e não há realidade sem ficção. Ambos são interessantes para quem gosta de escrever. Uma pessoa me perguntou um dia qual tipo de escritor eu gostaria de ser, e respondi que quero ser um escritor que escreva. Acho que um autor deve escrever de tudo, independente do seu estilo. Não gosto de rótulos nem de limitações. Sobre a biografia da Gloria Pires, o escritor e roteirista Eduardo Nassife me convidou para escrever com ele, em comemoração aos quarenta anos de carreira da atriz. Gloria quer lançar a sua primeira obra editorial abordando a vida pessoal e profissional. Na verdade, será a primeira parte da sua biografia, pois sabe que ainda há muito para viver e fazer. Se antes já gostava do seu talento, hoje, além de um dos seus biógrafos, sou seu admirador também. O resto é surpresa!</p>
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		<title>Dúvida</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 23:51:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/12/duvida/' addthis:title='Dúvida ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Engraçado como filmes sobre dúvida geralmente remetem à culpa, e quando há igreja católica ou qualquer outra religião no meio isso fica ainda mais evidente. Eu estudei em escola católica durante todo o primeiro grau. Tive professores rabugentos, mas nunca esbarrei com as tais freiras de olhar psicótico que querem caçar demônios em cada lápis [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/12/duvida/' addthis:title='Dúvida ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Engraçado como filmes sobre dúvida geralmente remetem à culpa, e quando há igreja católica ou qualquer outra religião no meio isso fica ainda mais evidente. Eu estudei em escola católica durante todo o primeiro grau. Tive professores rabugentos, mas nunca esbarrei com as tais freiras de olhar psicótico que querem caçar demônios em cada lápis que cai no chão em nome do senhor. Aliás, a maioria das crianças não se importava muito em estudar em uma escola católica, quem tinha religião na cabeça trazia isso de casa. Todo mundo se divertia, a hora do recreio era animada, a educação física uma bagunça como sempre. De resto, eram professores competentes. Nas aulas de catolicismo, apelidadas de religião como se aprendêssemos sobre várias, as freiras eram muito mais simpáticas do que as teólogas contratadas, talvez porque fossem diretoras do colégio e não tivessem que provar nada para ninguém. Lembro quando em uma prova de religião caiu a seguinte pergunta: o que é dar alguém à luz? Não resisti. Falei de ter filhos, dar à luz. Me parece óbvio, não? Para a teóloga nem tanto. Ficou uma fera. Nada desconsertava mais as professoras de religião (as que não eram freiras) do que falar de filhos ou perguntar se eram casadas. E isso vindo de crianças de dez, doze anos. É claro que o problema não estava na pergunta em si, estava na dúvida, no que a frase despertava dentro delas, algo que não poderiam jamais abrir ao mundo exterior.
</p>
<p>
<a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/doubt_ver3.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/doubt_ver3-80x118.jpg" alt="Doubt" title="Doubt" width="80" height="118" class="alignleft size-thumbnail wp-image-9116" /></a>O filme Dúvida segue mais ou menos esse esquema. Começa com um sermão do loiro e simpático padre Flynn (Philip Seymour Hoffman). O sermão é sobre dúvida. Diz que a dúvida é um elo tão poderoso quanto a certeza. Sentada na igreja durante a missa está a irmã Aloysius (Meryl Streep parecendo a irmã Selma de Terça Insana). Ela dá uma volta pela nave central e faz com que cada criança torta ou cochilando se ajeite. Uma verdadeira bruxa má. Mocinho e bandida muito bem definidos. No final do dia, junto com outras freiras, ela levanta a questão: será que padre Flynn tem dúvidas de alguma coisa? Afinal, todo sermão vem de alguma inspiração. Fiquem de olho nele. Simpática assim. O que parece vago no começo, uma filosofia da desconfiança, vai ganhando direção através da relação de Flynn com seus coroinhas. Um deles é negro, o primeiro de toda a história da escola. Descobrimos lá pelas tantas que a vida dele em casa não é nada fácil, e ali, cercado de meninos brancos, também não deve ser das mais tranqüilas. Percebendo essa fragilidade, padre Flynn dá uma atenção especial ao garoto, para que sinta que tem um defensor dentro da escola, um ponto de apoio que não encontra na família. Isso é suficiente para que a irmã Aloysius comece a suspeitar de que a relação entre os dois passou dos limites, gerando embates éticos entre os dois personagens. </p>
<p>Como o filme é baseado em uma peça de teatro, a força inteira está nos diálogos, o peso dramático não vem dos elementos de cena, dos cortes ou montagem, mas do encontro dos protagonistas nos momentos mais tensos. E aí, santa escolha dos atores, Dúvida realmente acontece. As duas grandes cenas onde Meryl Streep e Hoffman se enfrentam e colocam as cartas na mesa são muito fortes e fazem o filme avançar dramaticamente. Pena que as demais cenas sejam feitas apenas para afrouxar os limites de caráter e tentar confundir o espectador sobre a questão de bem e mal. Será que a freira Aloysius é realmente turrona e implicante? Será que padre Flynn é realmente bonzinho? Mesmo tratando de uma questão delicada, pedofilia, a impressão inicial é mantida. Difícil torcer pela bruxa má do oeste.  </p>
<p>Apesar das duas feras atuando, foram as coadjuvantes que me chamaram atenção: Amy Adams e Viola Davis. A primeira faz o papel da irmã James, peça importante desse duelo de cachorros grandes. É James quem conta a Aloysius que o padre Flynn mandou chamar o garoto durante a aula e quando ele voltou estava com o hálito cheirando a álcool. É através dela que a dúvida se personifica, ora tendendo a acreditar ora desacreditar em Flynn. É possível ler algo concreto naquelas evidências e usar a imaginação como prova cabal? Por incrível que pareça, Amy Adams rouba a cena. Quando estão ela, Meryl Streep e Hoffman juntos, no primeiro enfrentamento, são os olhos dela que brilham, é o personagem dela que se move. Competir de igual para igual com os dois atores foi o suficiente para garantir uma indicação ao Oscar. Acho até que se saiu melhor. O outro achado é Viola Davis, que faz a Senhora Miller, mãe do garoto que teria um affair com o padre. Sua cena é uma caminhada com a irmã Aloysius da escola até o seu trabalho depois de uns momentos na sala da diretora. O suficiente para ganhar também uma indicação ao Oscar.<br />
Apesar da direção simplória, o roteiro de John Patrick Shanley consegue manter o suspense até o final. Imagine o trabalho que dá avançar uma história sem acrescentar informações concretas em nenhum instante. É muito interessante ver cenas e diálogos inteiros construídos em cima da dúvida, feitos para informar sem esclarecer. Nenhum deles dará uma resposta. Para julgar (caso queira) o suposto caso de pedofilia, o espectador contará com os mesmos elementos que Aloysius, vagos nos fatos e, quem sabe, fortes nos sentimentos.</p>
<p>Se você não se assusta com a estrutura teatral dentro da tela e gosta de bons diálogos, vale uma espiada. </p>
<p>Em tempo: O filme foi indicado a 5 Oscars. Meryl Streep (atriz principal), Seymour Hoffman (ator coadjuvante), Amy Adams (atriz coadjuvante), Viola Davis (atriz coadjuvante) e o diretor John Patrick Shanley (pelo roteiro adaptado).</p>
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		<title>Chelpa Ferro</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Feb 2009 11:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/12/chelpa-ferro/' addthis:title='Chelpa Ferro ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Há a natureza e há a cultura. Entre nesse pensamento, só de brincadeira. Aliás, entre na Pinacoteca, onde o Chelpa Ferro montou sua última instalação. E a brincadeira &#8211; que denuncia a estreiteza do pensamento citado &#8211; é que a natureza vira cultura e a cultura vira natureza. O grupo carioca, formado por Jorge Barrão, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/12/chelpa-ferro/' addthis:title='Chelpa Ferro ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Há a natureza e há a cultura.</p>
<p>Entre nesse pensamento, só de brincadeira.</p>
<p>Aliás, entre na Pinacoteca, onde o <a rel="nofollow" title="Chelpa Ferro" href="http://www.chelpaferro.com.br/" target="_blank">Chelpa Ferro</a> montou sua última instalação. E a brincadeira &#8211; que denuncia a estreiteza do pensamento citado &#8211; é que a natureza vira cultura e a cultura vira natureza.</p>
<p>O grupo carioca, formado por Jorge Barrão, Luiz Zerbini e Sergio Mekler, costuma projetar um clima sobre o ambiente em que se apresenta, modificando-o, e sempre com humor.</p>
</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0603b.jpg" class="thickbox no_icon" title="Chelpa Ferro - fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9112" title="Chelpa Ferro - fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0603b-80x60.jpg" alt="Chelpa Ferro - fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="60" /></a>Uma apresentação anterior que vi deles se dava no teatro do sofisticado Centro Cultural Oi Futuro, do Rio. A platéia, vestida para seu programa de sábado à noite, aguardava a música. No palco, o grupo tocou a domesticidade que sua platéia pretendia esquecer indo ao teatro: liquidificadores, latas de conservas, aspiradores de pó, em um barulho infernal.</p>
<p>Na Pinacoteca, o jogo é com o próprio prédio. Uma recuperação das linhas mais antigas da nossa cultura ocidental, como costumava acontecer aos prédios do início do século. Aqui, a recuperação não é bem neoclássica, mas contém um entusiasmo renascentista, contido pela reforma de Paulo Mendes da Rocha e seus tijolos nus, &#8220;naturais&#8221;.</p>
<p>Quer dizer, o jogo entre natureza e cultura já está lá.</p>
<p>(Inclusive na permeabilidade do prédio, furado, comunicante, em relação ao céu e ao parque.)</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0603a.jpg" class="thickbox no_icon" title="Chelpa Ferro - fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9111" title="Chelpa Ferro - fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0603a-80x106.jpg" alt="Chelpa Ferro - fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="106" /></a>O Chelpa Ferro monta então um cilindro oco de madeira no Octógono. Parece uma árvore. É uma árvore. Feita. Dela sai, de dez em dez minutos, uma traquitana montada com caixas acústicas de diversos graus de historicidade: há as mais antigas, que remetem a uma época histórica das caixas de som, um período &#8220;renascentista&#8221;, por assim dizer, e há as mais atuais. A produção sazonal de tal fruto sonoro é certinha, regular. O intervalo de tempo é computadorizado. Cultural, não natural. Mas é o intervalo que parece mais natural para a árvore à sua frente. Uma árvore dessas terá uma estação de frutos desse tipo, sem atrasos ou chuvas extemporâneas.</p>
<p>O som que sai de lá te remete a rugidos de animal selvagem, há assobios de algum pássaro de metal que você procura pelo teto, silvos. E de repente acaba. Abrupto, como quem desliga um botão. E vem vindo, outra vez.</p>
<p>Durante o período colonial &#8211; o auge do pensamento descrito acima &#8211; o colonizador nomeava o ambiente sem nome, selvagem, que conquistava, e essa era uma maneira de se apropriar dele. Estabelecia fronteiras, e nomeava. E as duas coisas eram igualmente importantes. Chelpa Ferro planta sua árvore no centro exato dos limites do Octógono. E nomeia esse espaço do mais antigo centro cultural da cidade de São Paulo com seus rugidos e silvos. Não deixa de haver, nessa ação, uma crítica implícita ao modernismo e seus ideais de progresso e, bem, ordem. Mas isso não está em primeiro plano, nem caberia, pois a crítica ao modernismo não merece mais que fiquemos nela. Já a sabemos. O aspecto que me atrai mais é como essa nomeação do ambiente se dá. Chelpa Ferro faz um aceno aos limites da linguagem. Sua nomeação, sua redefinição do ambiente em que se instala, é por sons que não formam palavras.</p>
<p>Chelpa Ferro nos diz que nossa natureza é um edifício. Que ciclos históricos da cultura humana podem ser vistos com a mesma indiferença de outros ciclos químico-físicos da vida no planeta.</p>
<p>Me fez lembrar o filme <em>Beleza americana</em>, de Sam Mendes. Há uma cena em que o vento faz dançar um saco plástico. Não folhas de árvores.</p>
<p>Plástico.</p>
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		<title>Os abutres de Carter</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Feb 2009 15:50:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Frota</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/07/os-abutres-de-carter/' addthis:title='Os abutres de Carter ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>A fotografia sempre foi um dos mais importantes meios para se documentar nossa existência enquanto sociedade. Desde seu advento, acompanhamos nossa própria história através da objetivas de uma câmera, e nem podemos contabilizar todas as fotos que tiveram grande importância no mundo. Se por um lado a fotografia permitiu eternizar um fato em questão de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/07/os-abutres-de-carter/' addthis:title='Os abutres de Carter ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>A fotografia sempre foi um dos mais importantes meios para se documentar nossa existência enquanto sociedade. Desde seu advento, acompanhamos nossa própria história através da objetivas de uma câmera, e nem podemos contabilizar todas as fotos que tiveram grande importância no mundo. Se por um lado a fotografia permitiu eternizar um fato em questão de frações de segundo, por outro lado se fez necessário questionar até onde é possível se fazer história ou alcançar um determinado objetivo sem ultrapassar as barreiras da ética.</p>
</p>
<p>Todos os dias as bancas de jornal nos oferecem um amontoado de publicações, muitas vezes de gosto duvidoso, onde podemos ver de tudo &#8211; de celebridades em momentos íntimos até cabeças esmagadas contra o asfalto, tudo sem a menor preocupação com bom senso. Isso gera uma importante discussão sobre os limites da ética e da moralidade nos trabalhos jornalísticos, ou mais precisamente para nosso interesse, os fotojornalísticos.</p>
<p>Em nossa vida já nos deparamos com um sem número de fotografias impactantes, sejam elas importantes ou não. Porém, a questão aqui tratada é se elas realmente precisam explorar esse caráter explícito para gerar uma discussão a respeito do assunto pretendido.  Até onde é necessário mostrar a agonia de um ser humano para sensibilizar a sociedade? Essa realmente é a melhor forma de agir ou estamos simplesmente consumindo um subproduto de nossa própria mediocridade?</p>
<p>Se você leitor espera uma conclusão minha a respeito do assunto, pode adotar o próximo ponto como o final. Este artigo não pretende ser conclusivo, e sim busca fomentar o pensamento crítico a respeito dos limites da fotografia e de até onde a ética pode ou deve ser levada em conta dentro deste processo.</p>
<p><strong>Afinal, quem são os verdadeiros abutres?</strong></p>
<p><a rel="nofollow" title="Kevin Carter" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kevin_Carter" target="_blank">Kevin Carter</a> era um fotógrafo sul-africano que retratou os horrores da guerra no Sudão. Tinha intenção de fazer uma fotorreportagem com as tropas rebeldes, mas percebeu que a maior guerra era pela sobrevivência. Em 1993, Carter se depara com o que seria mais uma cena típica de seu ofício: uma menina se arrastando para conseguir chegar ao campo de alimentação que ficava ali perto. Em uma pausa nessa estafante jornada, um abutre pousa perto dela esperando que a natureza providenciasse a sua própria refeição. Carter tirou algumas fotos daquela cena e esperou cerca de 20 minutos para que a ave fosse embora, o que não aconteceu até que ele próprio espantasse-a dali.</p>
<p>A fotografia da menina sendo espreitada pelo abutre foi vendida ao The New York Times, alcançando grande êxito, até que em 1994 foi vencedora do prêmio Pulitzer. Um pouco mais de 3 meses depois, Carter se suicida. Sua filha Megan disse mais tarde a respeito: &#8220;<em>Eu vejo a criança em sofrimento como o meu pai. E o resto do mundo é o abutre.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: center;"><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/foto1.jpg" class="thickbox no_icon" title="Kevin Carter"><img class="size-thumbnail wp-image-9105 aligncenter" title="Kevin Carter" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/foto1-80x52.jpg" alt="Kevin Carter" width="80" height="52" /></a></p>
<p>Nesse mesmo contexto, outro ganhador do famigerado Pulitzer em 2006 foi o trabalho fotojornalístico intitulado &#8220;<a  rel="nofollow" title="a jornada de uma mãe" href="http://www.sacbee.com/static/newsroom/swf/april07/mother/" target="_blank">a jornada de uma mãe</a>&#8220;, de<em> </em>Renée C. Byer, que acompanhou a luta de uma mãe, Cindy, contra a doença de seu filho Derek, de 10 anos, portador de um neuroblastoma. Durante meses, Renée acompanhou e documentou a evolução do câncer que culminou na morte de Derek e o impacto da doença na família e nos amigos.</p>
<p>Muitas questões foram levantadas desde a publicação da matéria, até mesmo sobre se isso tudo não era puro exibicionismo de Cindy. Fato ou não, Byer comenta a respeito de seu trabalho:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;Como repórter me esforço para buscar histórias que ajudem a sensibilizar sobre os menos favorecidos. Era importante contar esta, porque se investem milhões de dólares na investigação do câncer, porém nada fazem para ajudar as famílias a enfrentarem o sofrimento emocional e financeiro, que tem um filho em estado terminal&#8221;.</em></p>
<p>Penso eu qual foi a real ajuda que Byer deu a família de Derek e a tantas outras mães que passaram pelo mesmo sofrimento. As opiniões são diversas, mas o que realmente me chamou atenção no assunto foi um <a  rel="nofollow" title="Renée Byer wins Pulitzer Prize - The Sacramento Bee" href="http://www.sacbee.com/static/newsroom/swf/april07/byer/" target="_blank">vídeo</a> onde Byer aparece comemorando com seus amigos de redação a vitória do Pulitzer. Enquanto a vitória é comemorada, o que sabe-se sobre Cindy é que perdeu um negócio próprio, enviou a filha de 6 anos para morar com o pai enquanto deixou os outros filhos desamparados emocionalmente. É obvio que não sabemos todos os pormenores da relação de Cindy e Byer, mas afinal, quem realmente ganhou nisso tudo?</p>
<p style="text-align: center;"><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/foto2.jpg" class="thickbox no_icon" title="Renée C. Byer"><img class="size-thumbnail wp-image-9106 aligncenter" title="Renée C. Byer" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/foto2-80x54.jpg" alt="Renée C. Byer" width="80" height="54" /></a></p>
<p>A mesma pergunta me faço para um evento ocorrido em 1985 onde Omayra Sanchez, uma menina de 13 anos, ficou presa por escombros causados por uma erupção vulcânica que arrasou o povoado de <a  rel="nofollow" title="Armero tragedy" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Armero_tragedy" target="_blank">Armero</a>, na Colômbia. Durante as 60 horas em que ficou presa, Omayra teve atenção da imprensa mundial até a sua inevitável morte por falta de recursos técnicos para o resgate. A foto tirada por Frank Fournier serviu como pretexto para a discussão sobre o papel da mídia, que era capaz de transmitir em tempo real o sofrimento da pobre menina mas era incapaz de resolvê-lo.</p>
<p style="text-align: center;"><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/foto3.jpg" class="thickbox no_icon" title="Omayra Sanchez"><img class="size-thumbnail wp-image-9107 aligncenter" title="Omayra Sanchez" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/foto3-80x53.jpg" alt="Omayra Sanchez" width="80" height="53" /></a></p>
<p>Essas são só algumas de milhões de tragédias que são eternizadas através da fotografia. Desde um jornal de bairro sensacionalista até os ganhadores de prêmios importantes, estamos sempre diante de uma linha muito tênue entre o necessário e o nefasto. Reconhecer os limites entre os dois não é uma tarefa das mais simples. Conta-se uma história em que na hora da morte de John Kennedy, uma senhora perguntou a um fotógrafo:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>- para que tanto sensacionalismo?</em></p>
<p>E o fotógrafo responde:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>- isso não é sensacionalismo, é história!</em></p>
<p>Seja como for, sempre existirá a dor e quem se alimenta dela. A questão é saber identificar quem são os reais &#8220;abutres de Carter&#8221; ao nosso redor. Pode ser que não saibamos ao certo a resposta, mas uma coisa que posso afirmar sem a menor sombra de dúvida é que a única que não pode ser condenada nessa história toda é a própria ave.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.rafaelfrota.com/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Marco Paulo Rolla</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 21:59:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/01/marco-paulo-rolla/' addthis:title='Marco Paulo Rolla ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Se você repete uma coisa e introduz, a cada repetição, uma diferença, você está criando um ritmo e mais do que isso (embora a frase fique com menos e não com mais palavras): está criando. Ponto. Em música (e, portanto, em poesia também), você escolhe entre assonâncias, consonâncias e dissonâncias. Aliterações, ploces (a repetição proposital [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/01/marco-paulo-rolla/' addthis:title='Marco Paulo Rolla ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Se você repete uma coisa e introduz, a cada repetição, uma diferença, você está criando um ritmo e mais do que isso (embora a frase fique com menos e não com mais palavras): está criando. Ponto.</p>
<p>Em música (e, portanto, em poesia também), você escolhe entre assonâncias, consonâncias e dissonâncias. Aliterações, ploces (a repetição proposital de uma determinada palavra em um texto). Antístrofes (repetição em ordem inversa), metagoges (repetição de uma palavra modificando seu significado inicial), paregmênones (enfileiramento de palavras que ecoam uma origem etimológica comum). <a rel="nofollow" title="figuras de linguagem" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Figura_de_linguagem" target="_blank">Enfim</a>.</p>
</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0602.jpg" class="thickbox no_icon" title="Marco Paulo Rolla  - fotografia de Elvira Vigna @ Aguarrás"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9101" title="Marco Paulo Rolla  - fotografia de Elvira Vigna @ Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/divjorn0602-80x60.jpg" alt="Marco Paulo Rolla  - fotografia de Elvira Vigna @ Aguarrás" width="80" height="60" /></a>Mesmo que você não saiba o nome certo do que está fazendo. Ou mesmo que você prefira unir tudo isso em uma confortável &#8211; e nem sempre entendida &#8211; teoria do caos. Porque a teoria do caos, na verdade, fala disso mesmo: uma ordem (a teoria) que é só quase, uma ordem que contém uma diferença, uma imprevisibilidade, uma ordem que não o é.</p>
<p>E mesmo que você apresente não uma poesia ou música, mas uma instalação em uma galeria de arte.</p>
<p><a  rel="nofollow" title="Marco Paulo Rolla @ Audrey illouz, Aguarrás" href="http://aguarras.com.br/2008/11/30/audrey-illouz/">Marco Paulo Rolla</a> armou um pic-nic (escrito dessa maneira) na Vermelho.</p>
<p>Piquenique é uma repetição, e não falo aqui, embora pudesse, dos sons e letras, em rimas e repetições, da palavra em si &#8211; o que fica mais aparente ainda na grafia do artista: pic-nic. Falo que piquenique é um ritual e, como qualquer ritual, repete uma fórmula, embora com variações possíveis a cada uma de suas encenações.</p>
<p>O piquenique de Rolla é de cerâmica &#8211; essa atividade que nasceu artesanal e virou industrial, sem nunca excluir a possibilidade de produção em série de seus objetos utilitários.</p>
<p>E, dentro do piquenique tipificado de Rolla, há uma repetição interna de objetos: 12 pratos, seis garrafas de vinho, oito copo, além da repetição das frutas (laranjas, maçãs, bananas), talheres etc.</p>
<p>Mas a repetição mais atraente para meu olhar é a da toalha. Uma toalha xadrez, com seus quadrados brancos todos iguais (ou quase iguais), separados pelas linhas em vermelho. Uma toalha xadrez de piquenique, com seus quadrados repetidos e que repete outras trocentas toalhas xadrez de piquenique.</p>
<p>E que, no caso, está amarrotada. E esse foi, para meu olhar, o ápice do caos (daquele, o da ordem que não o é, a que me referi acima).  As dobras, em ondas, são as dobras da crosta terrestre de um continente, a serem medidas em fractais &#8211; essa medida que pode mudar a cada nova medição, e que repete, a cada pequena porção, a situação de um todo maior. Quase repete, e o todo é quase todo. Sempre. E talvez eu não devesse falar a palavra sempre mas sim dizer: o que nos parece ser sempre. Depende, a teoria diz, das condições iniciais de observação/experimentação, e como só podemos ter uma, supomos outras, sem as conhecer.</p>
<p>O continente-piquenique de Rolla está contraposto (é só aparente, esta contraposição) a um &#8220;mar&#8221; que o circunda, o chão da galeria. Nele, está a &#8220;natureza&#8221;, que tenta nos enganar ser a segunda parte de uma bipolaridade: o piquenique cultural em meio à natureza selvagem.</p>
<p>Mas tem um risinho perfeitamente audível nessa simpleza. Pois o galho, representante do &#8220;natural&#8221;, veja você, tem suas ramificações também em uma repetição com diferenças &#8211; como aliás em geral os galhos. Esse galho não é em cerâmica, é um galho-galho. Ou seja, pode esquecer qualquer conforto em estabelecer situações de nós-eles, artificial-natural, e similares. Não. Não se trata de metáforas, esse outro tipo de repetição. Nem símbolo, nem mito. Nope. Trata-se de um enrijecimento (é em cerâmica, lembra?) de um ritual cultural previsível e atemporal (é um piquenique), e que inclusive já acabou (os alimentos foram consumidos). Esse piquenique pétreo e acabado se dá em um cenário (&#8220;natural&#8221;) que não mais existe (não temos mais a possibilidade de acreditar em um &#8220;natural&#8221;). E esse sonho/pesadelo do controle sobre a ordem das coisas, tão detalhadamente construído, berra o seu inverso, o imprevisível &#8211; em que estamos todos. Pois você entra na sala e se espanta.</p>
<p>Você já sabia: tratava-se de uma instalação de cerâmica chamada Pic-nic, produzida pelo artista Marco Paulo Rolla durante sua residência no <a  rel="nofollow" title="European Ceramic Work Centre" href="http://www.ekwc.nl/" target="_blank">European Ceramic Work Centre</a>, Holanda, em 2000. Você já sabe e se espanta. Tem alguma coisa que você não previu.</p>
<p>Não é inocente essa escolha artística de Rolla. É uma maneira (bem boa) de falar de nós.</p>
<p>Ele já havia atraído minha atenção em uma coletiva anterior (novembro de 2008), na mesma <a  rel="nofollow" title="galeria Vermelho" href="http://www.galeriavermelho.com.br/" target="_blank">Vermelho</a>, em que expôs uma geladeira atulhada, repleta de comida. Uma pintura de grandes dimensões &#8211; e o tamanho só aumenta o impacto das prateleiras caóticas em sua repetição de amarelos, vermelhos, todos consumíveis e repelentes.</p>
<p>Eco, espelhamento, representação. E sempre algo que escapa, pois a pintura e a instalação existem e, na sua existência, já aumentam, repetem e modificam a situação imediatamente anterior. A pintura não usava o hiper-realismo dos simulacros e a toalha em cerâmica brilha como cerâmica e não como pano. É a linguagem. Rolla faz o que faz através de uma linguagem e quer que isso esteja presente. Ou seja, ele usa e expõe &#8211; não toalhas, não geladeiras &#8211; a linguagem, essa repetição com diferença em que nos inserimos todos. Usa e expõe uma linguagem para apontar o que toalhas e geladeiras, e mais toalhas e geladeiras, e mais e mais, todas quase iguais, repetem e repetem: que não adianta. O que conta mesmo é o momento em que todas elas acabam &#8211; toalhas, geladeiras e linguagem &#8211; e se vive a falha.</p>
<p>Há mais uma repetição com diferença: o artista, ao representar um piquenique, repete <a  rel="nofollow" title="Le Déjeuner sur l'Herbe, de Edouard Manet" href="http://www.artchive.com/artchive/M/manet/manet_dejeuner.jpg.html" target="_blank">Manet</a>. Com sorte, se pensar muito, você faz o papel da personagem nua, a que abriu mão do excesso.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.vigna.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Por um cinema sem limite, Rogério Sganzerla</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Feb 2009 18:36:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/01/por-um-cinema-sem-limite-rogerio-sganzerla/' addthis:title='Por um cinema sem limite, Rogério Sganzerla ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Por um cinema sem limite não é um livro para quem nunca estudou ou leu nada sobre o assunto. Ele reúne textos de Rogério Sganzerla que vão da década de 60 até 80, abordando principalmente a transição do cinema clássico para o moderno. Os comentários trabalham, por exemplo, a questão da câmera, da mudança do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/02/01/por-um-cinema-sem-limite-rogerio-sganzerla/' addthis:title='Por um cinema sem limite, Rogério Sganzerla ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Por um cinema sem limite não é um livro para quem nunca estudou ou leu nada sobre o assunto. Ele reúne textos de Rogério Sganzerla que vão da década de 60 até 80, abordando principalmente a transição do cinema clássico para o moderno. Os comentários trabalham, por exemplo, a questão da câmera, da mudança do olhar do diretor sobre o seu objeto, indo de uma visão quase divina para a altura do olho humano. É interessante perceber a evolução da linguagem de Eisenstein a Welles despida de todo o caráter técnico da estruturação cinematográfica e se concentrando na questão da câmera e no modo como o diretor situa seus atores em relação a todos os demais elementos da cena.
</p>
<blockquote><p>“A câmera cínica é a câmera que deixou de participar do movimento dramático, distanciou-se dele; olha-o indiferentemente (&#8230;). Com essa distanciação, rompe-se a relação dramática câmera-personagem; obtém-se a visão desdramatizada dos seres e dos objetos, e nessa passagem reintroduzem-se em si mesmos”.</p></blockquote>
<p><a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/porumcinemasemlimite_site.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/02/porumcinemasemlimite_site-80x120.jpg" alt="Por um cinema sem limite" title="Por um cinema sem limite" width="80" height="120" class="alignleft size-thumbnail wp-image-9091" /></a> Vale notar que boa parte dos textos foi escrita antes de Sganzerla filmar O bandido da luz vermelha. Como diz a orelha, é um livro muito mais de revelação do que de argumentação, de acordo com o cinema que o autor defende enquanto fala de seus diretores-referência: Godard, Antonioni, Bresson e Orson Welles, entre outros. Aliás, falar da evolução do cinema é obrigatoriamente falar da câmera de Godard em Acossado e da profundidade de campo de Welles em Cidadão Kane. Os comentários de Sganzerla são muito sucintos, de certa forma caóticos, mas a repetição dos conceitos de um texto para outro ajuda no panorama geral do entendimento.</p>
<blockquote><p>“A reintegração dos seres e dos objetos na dimensão ocular pode ser exemplificada com o título de um filme de Gordard: Uma mulher é uma mulher. Suprime-se assim qualquer noção adjetiva, como por exemplo ‘a mulher é fatal’, a mulher é misteriosa’, etc”.</p></blockquote>
<p>Dos 18 textos, os mais interessantes desenvolvem o conceito de câmera cínica (com seu contraponto de câmera clínica escrito quase vinte anos depois), e as definições do que seria um cineasta do corpo e um cineasta da alma, de acordo com o que buscam os diretores em suas próprias obras, se uma história calcada em drama narrativo ou um filme que existe simplesmente para desfrutar sua linguagem.</p>
<blockquote><p>“Em Acossado a câmera cultua o herói, acompanhando-o por intermináveis caminhadas em travelings e contraplongés sistematizados. Em ‘Viver a vida’ as pessoas, destacadamente a heroína, parecem fugir do aparelho, escapar do domínio da câmera cínica”. </p></blockquote>
<p>Em tempo: a próxima edição merece uma boa revisão de texto e acertos de capa.</p>
<p>Por um cinema sem limite<br />
<a  rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rog%C3%A9rio_Sganzerla" target="blank">Rogério Sganzerla</a><br />
Editora Azougue<br />
118 páginas.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.ericnovello.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Ana Cristina Rodrigues</title>
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		<pubDate>Tue, 20 Jan 2009 11:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AGUARRÁS TV</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[AGUARRÁS TV]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/20/ana-cristina-rodrigues/' addthis:title='Ana Cristina Rodrigues ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Ana Cristina Rodrigues from Aguarrás on Vimeo. Site da Ana Cristina. Ela é escritora, atual presidenta do Clube de Leitores de Ficção Científica, responsável pela organização do Prêmio Braulio Tavares 2007 e 2008 (concurso de contos) e uma das criadoras da Fábrica dos Sonhos. &#169; - visite o site do Aguarr&#225;s para mais conte&#250;do!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/20/ana-cristina-rodrigues/' addthis:title='Ana Cristina Rodrigues ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p><object width="401" height="267"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=2888692&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=2888692&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="401" height="267"></embed></object><br /><a rel="nofollow" href="http://vimeo.com/">Ana Cristina Rodrigues</a> from <a  rel="nofollow" href="http://vimeo.com/aguarras">Aguarrás</a> on <a  rel="nofollow" href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://talkativebookworm.wordpress.com/">Site da Ana Cristina</a>.<br />
Ela é escritora, atual presidenta do Clube de Leitores de Ficção Científica, responsável pela organização do Prêmio Braulio Tavares 2007 e 2008 (concurso de contos) e uma das criadoras da Fábrica dos Sonhos. </p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.aguarras.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Guardianes de la noche, de Sergey Lukianenko</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/01/18/guardianes-de-la-noche-de-sergey-lukianenko/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Jan 2009 15:01:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/18/guardianes-de-la-noche-de-sergey-lukianenko/' addthis:title='Guardianes de la noche, de Sergey Lukianenko ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>O livro de fantasia urbana Guardiões da Noite saiu na Rússia em 1998, ano da crise financeira russa que teve reflexos no mundo todo. Foi um best-seller na casa de um milhão de cópias só no país. Em 2004, foi adaptado para o cinema e ganhou novo fôlego mundial. Aproveitando a onda de certo jovem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/18/guardianes-de-la-noche-de-sergey-lukianenko/' addthis:title='Guardianes de la noche, de Sergey Lukianenko ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>O livro de fantasia urbana Guardiões da Noite saiu na Rússia em 1998, ano da crise financeira russa que teve reflexos no mundo todo. Foi um best-seller na casa de um milhão de cópias só no país. Em 2004, foi adaptado para o cinema e ganhou novo fôlego mundial. Aproveitando a onda de certo jovem mago que virou fenômeno literário, o livro foi traduzido para diversos países. O Brasil não foi um deles. Comprei-o em espanhol, editado pela Plaza Janes. Excelente edição.
</p>
<p><a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/01/guardianesdelanoche_agua.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/01/guardianesdelanoche_agua-80x119.jpg" alt="Guardianes de la noche" title="Guardianes de la noche" width="80" height="119" class="alignleft size-thumbnail wp-image-9079" /></a>O protagonista de Guardiões da Noite é Antón, um mago da Guarda Noturna, por isso o título Guardián de la noche. Ele é um Outro. Assim são chamados os humanos que têm dons mágicos e conseguem entrar nas várias camadas do Crepúsculo (nada a ver com a série vampiresca adolescente) e ver as coisas como realmente são. Quando um Outro é descoberto pelos guardiões, ele precisa decidir se atuará pela Luz ou das Trevas. O estado de espírito do Outro no momento do seu primeiro contato com o Crepúsculo é fundamental nessa escolha. Medo e raiva ajudam o pêndulo a tender para as trevas, por exemplo. Os vampiros, seguindo o modelo clássico, servem às trevas. Como existe um pacto entre a Guarda Noturna e Diurna, eles não podem morder quem bem entendem. Pelo menos em teoria. Existe uma taxa mensal de mordidas liberadas e controle até com selo de garantia. Nem o mundo mágico escapa dos processos burocráticos e jogos de poder, uma das boas piadas do livro. Já metamorfos em geral podem servir aos dois lados. Um dos mais interessantes do livro se chama Tigrecito e obviamente se transforma em tigre. Ele é um dos mocinhos, na verdade mocinha. Atua como um dos soldados na hora da batalha e sustenta um ar de “eu tenho um segredo” que você certamente já viu por aí em outras histórias. Apesar da ampla variedade de criaturas que Sergey Lukyanenko apresenta ao leitor, o livro se concentra em magos e feiticeiros, muito velhos e manipuladores. </p>
<p>Guardiões da Noite não mostra exatamente uma luta entre o bem e o mal. A Guarda Noturna e Diurna se vigiam mutuamente para manter um equilíbrio, e os dois lados são cheios de artimanhas, o que faz da área cinza um grande tabuleiro de xadrez. Nada impede que o protagonista Antón seja amigo de dois jovens das trevas, ou que o chefe da luz manipule as situações em causa própria. Esse limite tênue é trabalhado o tempo inteiro e ajuda a compor o charme do livro.<br />
Guardiões da Noite não segue a estrutura dramática convencional. Ele é dividido em três unidades, que funcionam como novelas com início meio e fim. </p>
<blockquote><p>&#8220;Yo hacía muchos años que había dejado de interesarme por esos juegos, como la mayoría de los agentes de la Guardia. Matar monstruos en una pantalla pierde todo su atractivo cuando comienzas a encontrártelos por todas partes. Tal vez Olga, que había acumulado una enorme carga de cinismo en el siglo y medio que llevaba dedicada a nuestros menesteres, constituyera una excepción&#8221;. </p></blockquote>
<p>A primeira é divertida, tem muito humor e aproveita o sabor de novidade para fazer uma apresentação cheia de “efeitos especiais”, deixando claro quais são os poderes de cada personagem. É o típico começo para fisgar o leitor. Funciona. A segunda unidade me surpreendeu positivamente por mudar os rumos da história e aumentar a carga dramática. Também tem algo de Agatha Cristhie no aspecto investigativo que ajuda a manter o ritmo da trama através do suspense. Ao mesmo tempo em que tenta provar sua inocência, Antón precisa encontrar o verdadeiro autor de uma série de assassinatos. Os Guardiões da Noite acham que o culpado é um Outro da Luz que se acha um verdadeiro cavaleiro vingador e mata os Tenebrosos que vê pela frente, indiscriminadamente. O problema é que a maioria dos Tenebrosos tem famílias inocentes que sofrem com as mortes, causando um desequilíbrio na balança.<br />
A terceira unidade é muito filosófica e o psicológico dos personagens ganha mais importância do que a trama em si. Sai a ação, entram a conversa e os dilemas morais do protagonista, que não sabe mais se é um legítimo representante da Luz. Seria interessante se não coincidisse com o clímax do livro, o que me deixou meio cansado em um momento em que a adrenalina seria bem-vinda.</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sergey_Lukyanenko" target="blank">Lukyanenko</a> é um bom criador de personagens. É difícil ter antipatia pelo mal ou confiar totalmente no bem. Exceto por momentos desnecessários sobre os limites entre o bem e o mal, o texto flui rápido. Só faltou mesmo um grande clímax na história, resultado talvez de sua estrutura diferenciada. A impressão no fim das contas é que o livro serviu como um grande trailer para o restante da série (o quarto livro saiu recentemente). </p>
<p>Em tempo1: o livro seguinte, Guardiões do Dia (The Day Watch), também foi adaptado para o cinema.</p>
<p>Em tempo 2: Guardiões da Noite, Guardianes de la noche, The Night Watch.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.ericnovello.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Cabaret Melinda</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 23:27:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/14/cabaret-melinda/' addthis:title='Cabaret Melinda ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>As terças-feiras do mês de janeiro poderão ser mais divertidas para aqueles que comparecerem ao Canequinho Café, em Botafogo, espaço tipo cool anexo ao Canecão, que abriga em seu palco o musical Cabaret Melinda. Após elogiada temporada em 2008, o espetáculo dirigido e adaptado pela Azilíaca Cia. de Arte reestreou ontem, 13 de janeiro de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/14/cabaret-melinda/' addthis:title='Cabaret Melinda ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>As terças-feiras do mês de janeiro poderão ser mais divertidas para aqueles que comparecerem ao Canequinho Café, em Botafogo, espaço tipo <em>cool</em> anexo ao Canecão, que abriga em seu palco o musical Cabaret Melinda. Após elogiada temporada em 2008, o espetáculo dirigido e adaptado pela Azilíaca Cia. de Arte reestreou ontem, 13 de janeiro de 2009, e garantiu uma noite diferente e animada para o público carioca.</p>
</p>
<p>A atmosfera cabaretzística, maravilhosamente captada nas atuações de Adriana Nogueira, Alice Borges Anna Claudiah Vidall, Charles Fernandes, Claudia Mauro, Édi Botelho, Edio Nunes, Marcos Acher, Marília Viegas, <a rel="nofollow" title="Najla Raja" href="http://najlaraja.multiply.com/" target="_blank">Najla Raja</a> e Sandra Pêra; nos figurinos de Cláudio Tovar; na iluminação de Aurélio de Simoni e na trilha musical de Cláudio Lins, deixa claro que o teatro brasileiro está muito bem servido de profissionais comprometidos com as artes.</p>
<p>Através de uma mistura de performances circenses, muita dança, músicas espirituosas e textos divertidos, o espetáculo propõe uma viagem ao interior do corpo de Melinda, cantora de cabaret, que é consumida por seus vícios, caprichos e desejos sexuais. Quem conta sua saga são seus órgãos e suas sensações &#8211; cordas vocais, fígado, imaginação e etc.</p>
<p>Sempre me questionei sobre o preparo de nossos artistas, se comparados aos norte-americanos, por exemplo, que cantam, dançam, atuam, se contorcem, enfim, são totalmente preparados para fazer qualquer coisa e muito bem. Assistindo ao musical Cabaret Melinda, meus questionamentos vão tirar uma folga. É claro que não havia nenhuma Celine Dion cantando, muito menos o Cirque du Soleil se apresentando, até porque não era isso que o espetáculo pedia, mas existia uma harmonia fantástica entre os atores. Um jogo de vozes tornava as músicas, cujas letras são divertidíssimas, mais divertidas ainda; os corpos se movimentavam em sintonia, enfim, tudo se encaixou muito bem, resultando num musical muito bem produzido cujo principal objetivo é mesmo divertir.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>CABARET MELINDA</em><em><br />
 Canequinho Café (Av. Venceslau Brás, 215 -Botafogo)<br />
 </em><em>13, 20 e 17 de janeiro, às 22 horas.<br />
 Texto original: Claudia Mauro<br />
 Adaptação e direção: Azilíaca Cia. de Arte</em></p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/author/juliana/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Gomorra (livro), de Roberto Saviano</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/01/14/gomorra-livro-de-roberto-saviano/</link>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 21:50:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/14/gomorra-livro-de-roberto-saviano/' addthis:title='Gomorra (livro), de Roberto Saviano ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>O livro Gomorra foi escrito por Roberto Saviano, atualmente jurado de morte pela máfia italiana chamada Camorra. O Sistema, como a Camorra é conhecida entre os membros, é considerado um dos grupos mafiosos mais fortes e influentes do mundo, com negócios por toda a Europa e parte da Ásia, importadores de drogas vindas da América [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/14/gomorra-livro-de-roberto-saviano/' addthis:title='Gomorra (livro), de Roberto Saviano ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>O livro Gomorra foi escrito por Roberto Saviano, atualmente jurado de morte pela máfia italiana chamada Camorra. O Sistema, como a Camorra é conhecida entre os membros, é considerado um dos grupos mafiosos mais fortes e influentes do mundo, com negócios por toda a Europa e parte da Ásia, importadores de drogas vindas da América do Sul e com conexões nos Estados Unidos. A brincadeira entre os nomes Gomorra e Camorra é evidente, mas a escolha também se explica em um dos últimos capítulos, quando Saviano conta a história de um padre que resolveu enfrentar os mafiosos. O autor viveu na região de Nápoles, o que possibilita uma visão bem singular dos fatos, uma chance em mil. Ele era próximo de alguns personagens camorristas do livro, cresceu ouvindo as histórias sobre a violência do grupo e vivenciou várias delas. Seu pai, por exemplo, foi espancado por tentar salvar uma das vítimas da Camorra, que acho sangrando em uma estrada. Trabalhava em ambulância, o ferido precisava de ajuda. Ele o levou para o hospital. O certo seria esperar os assassinos voltarem e terminarem o serviço, para só então recolher o corpo. O livro fala muito dessas leis invisíveis que não competem ao estado, mas ao mundo do crime. Todos sabem quais são e quebrá-las tem conseqüências graves, o que explica a falta crônica de testemunhas para crimes de assassinato.
</p>
<p>
<a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/01/gomorra_site.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/01/gomorra_site-80x116.jpg" alt="Gomorra" title="Gomorra" width="80" height="116" class="alignleft size-thumbnail wp-image-9072" /></a>Aproveitando que os clãs da Camorra são verdadeiras máquinas capitalistas e têm negócios dos mais diversos, Saviano divide o livro de acordo com suas áreas de atuação e momentos importantes da história da máfia, como guerras internas ou prisão dos chefões. O leitor fica sabendo que os vestidos das grifes italianas que circulam por todo mundo e vestem as atrizes de Hollywood são feitos em fábricas clandestinas controladas pela Camorra. Que o cinema influenciou muito mais a máfia do que a máfia o cinema. Que o sul da Itália é um verdadeiro aterro de lixo tóxico e dejetos perigosos, contaminando as terras e o ar a ponto de elevar em 20% o câncer na região. </p>
<blockquote><p>“Quando uma bala chega, você cai no chão e não respira mais, abre a boca e puxa o ar, mas não entra nada. Não consegue mesmo. São como socos no peito, que parece que estouram. Mas depois a gente se levanta e volta tudo ao normal, e isso que é importante. Depois da queda, você levanta”. </p></blockquote>
<p>Quem espera algum glamour, esqueça. Nesse ponto filme e livro são coincidentes. Esse não é um romance de <a  rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mario_Puzo" target="blank">Mario Puzo</a>, como o filme também não é Cidade de Deus. A máfia que conquista os jovens napolitanos é uma máquina de fazer dinheiro para os que têm tino comercial e uma máquina de fazer cadáveres para os que só sabem puxar o gatilho. Não há um esforço de Saviano para empurrar um livro em uma só direção. Ele destaca tanto a crueldade quanto o ridículo das situações, tanto a ausência do estado quanto a luta dos <a  rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Carabinieri" target="blank">carabinieri</a>. A realidade é plural e assim ele a retrata, por mais surreais que possam parecer certos acontecimentos. </p>
<blockquote><p>“As grifes da moda italiana só começaram a protestar contra o grande mercado das falsificações, gerido pelos cartéis de Secondigliano, depois que a Antimáfia descobriu todo o mecanismo. Até então, não tinham planejado nem mesmo uma única campanha publicitária contra os clãs, nunca tinham feito denúncias (&#8230;). Denunciar o grande mercado significava renunciar para sempre à mão-de-obra barata que utilizavam na Campânia”. </p></blockquote>
<p>Das histórias do livro, duas me chamaram mais atenção. As menos sangrentas e mais cinematográficas. Um jovem bebendo no bar ainda em estado de êxtase por ter experimentado pela primeira vez um AK-47. Seu encantamento é tanto que ele consegue férias de um mês na Camorra para viajar até a Rússia para conhecer Kalashnikov, o inventor da arma. Leva uma mozarela para o velinho, presente do chefe do clã, e volta com dezenas de fotos autografadas para distribuir aos conhecidos. Lá na casa de Kalashnikov, pelas paredes, fotos de crianças que foram batizadas com o nome de seu invento ou corruptelas do mesmo. Uma homenagem dos pais ao invento que mais matou pessoas no mundo, mais do que a AIDS ou desastres naturais, segundo o autor. </p>
<blockquote><p>“Quando alguém vê tanto sangue pelo chão, começa a apalpar-se para conferir se não está ferido, se naquele sangue não está também o seu; inicia-se uma ânsia psicótica para assegurar-se de que não se está machucado. E mesmo assim não se acredita que um só homem possa ter tanto sangue, pois seguramente o seu próprio corpo possui muito menos”. </p></blockquote>
<p>A outra história, na verdade um breve parágrafo, fala da apreensão da Camorra quando veio o tsunami. O maremoto revelou “centenas de tambores entupidos de detritos perigosos ou radioativos” enterrados pela Camorra nas praias da Somália nas décadas de 1980 e 1990. Foi supostamente a necessidade de ajuda humanitária que desviou a atenção da mídia para o ocorrido. Força dos fatos comentada, vale dizer que Gomorra também tem um lado mais literário que Saviano deixa escapar em alguns começos ou términos de capítulo, e desse aspecto não gostei. </p>
<p>O autor usa de metáforas desnecessárias para ter certeza de que o leitor entenderá o drama. Quando passa os dedos na marca de bala do AK 47 na vitrine de uma loja, por exemplo, ele faz uma comparação mais ou menos assim: como um verme entrando e saindo dos buracos. Essas e outras figuras imagéticas acabam sendo infantis diante da força do relato. Para mim, a parte pseudo-poética foi entediante e podia ter economizado algumas folhas ao livro. Veja só:</p>
<blockquote><p>“Dom Peppino escavou uma trilha na encosta das palavras erodidas pelas escavadeiras da sintaxe, aquela força que a palavra pública, pronunciada claramente, podia ainda se permitir”.</p></blockquote>
<p>Livro e <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/2008/12/22/gomorra/" target="blank">filme</a> têm uma diferença importante: no filme, as artimanhas de roteiro e direção foram descartadas para que não haja um clímax vindo da linguagem cinematográfica. Nem diretor nem roteirista dizem em que cena ficar mais ou menos chocado. Quando respirar ou se desesperar. Existem as imagens, pedaços de história, e nada mais. Se há algum clímax, é o espectador que irá determiná-lo. Quem vê escolhe sua cena mais forte. No livro, <a  rel="nofollow" href="http://www.robertosaviano.it/" target="blank">Saviano</a> tenta mostrar ao leitor o que é mais impactante. Talvez seja um reflexo verdadeiro do que o afetou mais profundamente, mas que atrapalha o andamento da leitura. É como dizer “morreu uma menina de quatorze anos. Quatorze anos. Quatorze!”, como se as outras mortes não fossem relevantes. É provável que os que acharam o filme monótono gostem desse artifício. Não foi o meu caso.  </p>
<blockquote><p>“O melhor modo de esconder as armas é mantê-las nos quartéis. (&#8230;) os fuzis, dessa vez, vinham empilhados em caminhões militares que ostentavam nas laterais o símbolo da OTAN. Grandes carretas roubadas das garagens americanas que, graças àquela inscrição, podiam rodar tranquilamente pela Itália”. </p></blockquote>
<p>Concluindo, Gomorra é um livro fundamental para decifrar a mecânica do crime organizado e que ajuda muito a entender as entranhas do capitalismo global. Talvez tão relevante quanto O mundo é plano, de <a  rel="nofollow" href="http://www.thomaslfriedman.com/" target="blank">Thomas Friedman</a>.</p>
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		<title>Lucas Simões</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/01/12/lucas-simoes/</link>
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		<pubDate>Mon, 12 Jan 2009 18:22:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/12/lucas-simoes/' addthis:title='Lucas Simões ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Lucas Simões armou uma individual na Emma Thomas em janeiro de 2009. Uma série de superfícies, e o que ele acha a respeito de superfícies. São espelhos, mapas, fotos. Principalmente mapas. A gente vê o que está dentro do olho da gente &#8211; e pouca coisa mais. No dia, eu andava pensando a respeito da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/12/lucas-simoes/' addthis:title='Lucas Simões ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Lucas Simões armou uma individual na <a rel="nofollow" title="galeria Emma Thomas" href="http://www.emmathomas.com.br/" target="_blank">Emma Thomas</a> em janeiro de 2009. Uma série de superfícies, e o que ele acha a respeito de superfícies. São espelhos, mapas, fotos. Principalmente mapas.</p>
<p>A gente vê o que está dentro do olho da gente &#8211; e pouca coisa mais. No dia, eu andava pensando a respeito da ressurgência de um gótico, entendida por mim como uma tentativa coletiva de lidar com o medo que acompanha a falência das linhas retas do modernismo. Você pinta um híbrido, ou manchas negras, para que o futuro tenha forma. Exista. Monstruoso, será sempre menos apavorante do que não existente, do que sem forma.</p>
</p>
<p><a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/01/divjorn0601.jpg" class="thickbox no_icon" title="lucas simões"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9064" title="lucas simões" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/01/divjorn0601-80x74.jpg" alt="lucas simões" width="80" height="74" /></a>No convite para a exposição, havia uma reprodução de uma padronagem repetitiva e rigorosa, é certo, mas feita à mão. Ou seja, com as pequenas modificações que a serialização, quando humana, produz.</p>
<p>Aí eu pensei: ah, nada mais eficaz do que o delírio de controle que se anuncia como delírio de controle. Continua servindo de arma contra o incontrolável (que é tudo) e, ao mesmo tempo, se defende da acusação de ser delírio de controle, pois é falho. Seria, então, um gótico ao contrário, um anti-gótico e a ele igual.</p>
<p>A meu favor, digo que havia visto uma obra anterior de Lucas Simões, na <a  rel="nofollow" title="20 e poucos anos @ Aguarrás" href="http://aguarras.com.br/2007/07/02/20-e-poucos-anos/">Baró Cruz</a> (julho de 2007), em que o artista empregava a técnica vetorial. Controle absoluto não importa que hecatombe modificadora se apresente ao desenho. Resiliente ao extremo, o cálculo computadorizado garantirá a sobrevivência da forma original.</p>
<p>Na sala da Emma Thomas, uma surpresa.</p>
<p>Mapas são representações singulares. Assim como fotografias, se apresentam como continentes de um &#8220;real&#8221;. Assim como espelhos. E o valor desses três tipos de superfície está justamente no sucesso com que consigam convencer da equivalência ao seu &#8220;real&#8221; correspondente &#8211; mesmo se, para tanto, dependam, todos os três, de regras pré-estabelecidas sem as quais a decodificação não se dá.</p>
<p>Lucas Simões faz cortes em seus mapas e levanta as partezinhas cortadas em &#8220;orelhas&#8221; que se projetam da superfície original; lá atrás há outra, distante alguns centímetros da primeira. Nas fotos, a estratégia é outra mas igual. Há fotos de caras que foram pintadas. Há fotos de caras que foram pintadas. Nas duas frases iguais uma diferença: há caras pintadas que foram fotografadas e há fotos pintadas de caras.</p>
<p>E por falar em linguagem, os títulos das obras &#8211; que fazem parte das obras, na lição aprendida dos neoconcretos cariocas &#8211; repetem o jogo dos espaços, agora em palavras. O artista dá, a suas rasas superfícies significantes, outras superfícies: uma anterior, lá atrás, visível pelos buracos dos cortes, e mais uma, aérea, que nos inclui, nós que estamos na frente da obra, e que é apontada pelos pedacinhos levantados das &#8220;orelhas&#8221;.</p>
<p>Já os títulos são: Detrás, depois, clandestino; Verso, reverso, descobrimento; Amnésia; Deslocamentos; Diferença e repetição.</p>
<p>Se o espaço de Lucas Simões parece dizer que a rasa superficialidade da presentificação contemporânea não é bem assim, a titularização de suas obras reforça o aviso dizendo: olha, há um temporalidade a ser levada em conta.</p>
<p>A obra com espelho (uma delas) que ilustra esse artigo problematiza uma parede em branco. Você já ficou por horas olhando para uma parede em branco? Pois é. Nem se tratava de uma superfície nem você estava no presente.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.vigna.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Renato Russo, o musical</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jan 2009 17:43:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0017]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/09/renato-russo-o-musical/' addthis:title='Renato Russo, o musical ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Está em cartaz no Teatro Miguel Falabella, no Norte Shopping, até 1º de março, o musical Renato Russo. Se eu não me engano, essa peça estreou aqui no Rio em 2006, entrou em turnê nacional e tem sido um grande sucesso desde então. Bom que tenha vindo para a Zona Norte do Rio. É uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/09/renato-russo-o-musical/' addthis:title='Renato Russo, o musical ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Está em cartaz no Teatro Miguel Falabella, no Norte Shopping, até 1º de março, o musical <em>Renato Russo</em>. Se eu não me engano, essa peça estreou aqui no Rio em 2006, entrou em turnê nacional e tem sido um grande sucesso desde então. Bom que tenha vindo para a Zona Norte do Rio. É uma ótima oportunidade para quem está procurando momentos de entretenimento com qualidade.</p>
<p>O musical-monólogo, que tem direção de Mauro Mendonça Filho &#8211; prêmio Shell de Melhor Direção -, é uma adaptação do livro <em>Renato Russo, o trovador solitário</em>, do jornalista Arthur Dapieve, feita por Daniela Pereira de Carvalho.</p>
<p>A interpretação fica por conta do ator Bruce Gomlevsky, que tem uma impressionante presença de palco, atua e canta muitíssimo bem. Acompanhado da banda Arte Profana, Bruce executa ao vivo as belas canções de Renato Russo e nos faz relembrar, com um bom texto, os momentos marcantes da trajetória artística e pessoal do cantor.</p>
<p>A figura marcante de Renato é habilmente recomposta pelo ator. Para mim, que não tive a sorte de assistir a um show da Legião Urbana, foi um ótimo momento. Só as músicas já valeriam a pena, mas somadas àquela bela atuação resultou num espetáculo absolutamente perfeito.</p>
<p>O cenário retrata o palco de um show e em segundo plano vemos uma espécie de estúdio onde fica a banda ou são projetas imagens diversas que ajudam a compor as cenas. Isso somado a um excelente jogo de luzes.</p>
<p>Tudo é muito articulado. Um show começa, mas um problema no som impede seu andamento, fazendo Renato tomar a iniciativa de entreter o público falando da sua vida. Seus gostos, suas preocupações, seus sonhos, são narrados e intercalados com as músicas. E nada melhor do que a letra de suas músicas para demonstrar suas inquietações.</p>
<p>Várias fases da sua vida são encenadas. A fase da adolescência em que conviveu com uma rara doença óssea, a epifisiólise, que o manteve preso à cadeira de rodas. O álbum dos Beatles que mudou sua vida &#8211; aliás, ele teve ótimos ídolos que o inspiraram e seu gosto literário é impressionante. A fase mais metaleira que viveu em Brasília. A escolha do nome da primeira banda &#8211; Aborto Elétrico. As drogas. A rebeldia adolescente. Sua sexualidade. Seus problemas com a bebida. O fim do Aborto Elétrico, por ser um músico incompreendido. A opção de seguir carreira solo. A escolha de seu nome artístico. O momento em que sentiu falta de uma banda. E a partir daí já sabemos o resultado: o início da Legião Urbana.</p>
<p>A convivência com o sucesso, a solidão, a falta de um amor, sua posição política, o problema num show que o leva a perceber a vontade de sair do país, a viagem a Nova York, o encontro de um grande amor, as drogas injetáveis, o Renato apaixonado que canta em italiano, a volta ao Brasil. O episódio em que assume a paternidade de Juliano, após a morte da mãe do bebê, que despertou também sua vontade de assumir publicamente a homossexualidade. Sua relação com os pais, a ida para o hospital, a descoberta da doença que o levou a morte e, por tratar-se de uma doença terminal, o tempo que teve para se despedir. Mas essa despedida não é dramática, é poética. Tudo muito bem realizado.</p>
<p>Enfim, muitas fases foram representadas. As letras das músicas se encaixaram perfeitamente no texto. Foram seu complemento e direção também. Renato Russo fez dos momentos de dor inspiração para belas músicas e de suas preocupações conteúdo para outras tantas. Uma pena que não esteja mais por aqui. Ele poderia não resolver nossos problemas, mas com certeza continuaria a fazer ótimas músicas sobre a nossa caótica situação.</p>
<p>Não posso deixar de comentar também a participação da platéia em vários momentos. É uma peça convidativa, todos ficam à vontade para participar, cantar, bater palmas. Muito bom mesmo.</p>
<p>Trata-se simplesmente de uma peça impecável que vale a pena ser assistida.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: Daniela Pereira de Carvalho<br />
 Direção: Mauro Mendonça Filho<br />
 Encenação: Bruce Gomlevsky<br />
 Direção musical: Marcelo Afonso Neves<br />
 Participação: Banda Arte Profana<br />
 Teatro Miguel Falabella &#8211; Norte Shopping<br />
 Av. Dom Helder Câmara, 5332 &#8211; loja 3805<br />
 De quinta à sábado às 21h e domingos às 20h<br />
 Tel: 2595-8245 / 2597-4452</em></p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/author/jarcelen/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Revista Portal Neuromancer</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Jan 2009 01:44:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/08/revista-portal-neuromancer/' addthis:title='Revista Portal Neuromancer ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>A revista Portal surgiu graças a uma iniciativa do Nelson de Oliveira que, mais e mais, vem se aproximando da literatura fantástica ou ao menos se assumindo como tal. É tecla que sempre bato e engraçado usar o termo assumir, mas a ficção-científica e a fantasia sofrem de um preconceito antigo dentro do meio literário, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/08/revista-portal-neuromancer/' addthis:title='Revista Portal Neuromancer ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>A revista Portal surgiu graças a uma iniciativa do Nelson de Oliveira que, mais e mais, vem se aproximando da literatura fantástica ou ao menos se assumindo como tal. É tecla que sempre bato e engraçado usar o termo assumir, mas a ficção-científica e a fantasia sofrem de um preconceito antigo dentro do meio literário, então o termo cai bem. É costume dizer que as editoras ainda estão descobrindo o fantástico, mas aí estão Harry Potter, Crepúsculo e as obras de André Vianco, todos extremamente lucrativos, para mostrar que as editoras não só conhecem o fantástico como também o seu potencia de retorno.</p>
<p>A que tenho em mãos é o segundo número de seis portais, a Portal Neuromancer. Cada uma das revistas homenageará uma obra importante da ficção-científica. A primeira se chamou Solaris, os próximos serão Stalker, Fundação, 2001 e Fahrenheit. A obra não é comercializada em livrarias e cabe a cada autor presentear os amigos com os exemplares que possui (ou reservar uma parte para vendas diretas).</p>
<p>Esse número traz contos de Fábio Fernandes, Roberto de Sousa Causo, Geraldo Lima, Ataíde Tartari, Marco Antônio de Araújo Bueno, Lima Trindade, J.P. Balbino, Rogers Silva, Tiago Araújo, Jacques Barcia, Luiz Bras e Ana Cristina Rodrigues, com a coordenação editorial do Nelson de Oliveira.
</p>
<p>
<a rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/01/portalneuromancer.jpg"><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/01/portalneuromancer-80x115.jpg" alt="Portal Neuromancer" title="Portal Neuromancer" width="80" height="115" class="alignleft size-thumbnail wp-image-9045" /></a> Engraçado que dia desses lia o jornal <a  rel="nofollow" href="http://rascunho.rpc.com.br/" target="blank">Rascunho</a> de dezembro e esbarrei com um conto do Luiz Bras, uma ficção que começa assim: </p>
<blockquote><p>“Aos sete anos eu encontrei a máquina do tempo estacionada bem no centro do quintal de casa. Ela não era feita de metal e plástico e vidro e fios e botões. Ela era feita de luz e sombra e música e perfume e bolhas de sabão. Eu viajei muito nela. Depois eu cresci, a máquina do tempo desapareceu e eu percebi que essas engenhocas maravilhosas surgem apenas para as crianças”. </p></blockquote>
<p>Luiz Bras é pseudônimo do Nelson de Oliveira. Um pseudônimo capaz de colocar ficção-científica no jornal literário do país, viajar no tempo quando criança e criar agitos literários com essa nova revista. Vamos a ela. </p>
<p>Sem uma ordem definida, fui direto aos nomes que conhecia e resenho uma parte. Ana Cristina Rodrigues participou com o conto O Templo do Amor e me agradou bastante o fato de não ser uma repetição conceitual do seu conto na revista <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/2008/11/10/terra-incognita-n2/" target="blank">Terra Incógnita</a>. A linguagem é diferente, o clima é diferente, possui uma identidade própria. Conta a história de um matador, um dos melhores de todo o universo, que um dia precisa matar a sacerdotisa do templo do amor, curiosamente uma ex-amante. A Ana Cristina sugere que os homens, espalhados pelo universo, fizeram renascer o paganismo, mas ao invés de cultuar deuses, cultuam forças: destruição, amor, ódio, morte e vida. Daí a morte ter que enfrentar o amor. Mudam os nomes e as vestes, mantém-se o fanatismo. A boa sacada é fazer o matador ser contratado por uma mulher que quer ser sacerdotisa do amor para matar a atual ocupante do cargo. Nem o amor resiste à política.   </p>
<blockquote><p>“O advento das máquinas e de uma civilização universal trouxe de volta certo nível de obscurantismo. Deixamos a prisão de vivermos em um único sistema solar, mas voltamos a nos abrigar na sombra de religiões múltiplas. (&#8230;) As sensações guiavam a humanidade como faróis corruptos”. </p></blockquote>
<p>Luiz Bras (!) participa com Aço contra osso, foneticamente reverberante e de certo modo síntese do embate homem x máquina, realismo x ficção. Nele o protagonista se vê diante de trinta e um clones seus. Ele precisa descobrir qual deles comanda os demais, como nas brincadeiras de criança sentadas em roda, com uma iniciando os gestos que as demais imitarão e com alguém vindo de fora para tentar adivinhar quem é o chefe. O primeiro confronto se passa em uma grande catedral, uma equação matemática a ser resolvida para que se entenda quem afinal é o líder. Me chamou atenção a capacidade de Bras de através de figuras de linguagem dar ao seu cenário uma força tridimensional. A conversa entre gato e rato é o de menos, enrolação. A resposta é sempre matemática. Uma evolução do Playstation movida a filosofia. Tem ecos de Spider, do Cronenberg.  </p>
<blockquote><p>“As outras cópias passeiam pela catedral admirando as obras de arte, tentando tocar a luz colorida que atravessa os vitrais, acendendo as velas apagadas pela brisa perfumada. Enquanto isso eu penso: qual deles?”. </p></blockquote>
<p>Jacques Barcia participa com dois contos: Meu nome é interno e Pequeno punho do outono. Gostei mais do segundo devido ao ritmo singular do texto, essencial para a ambientação oriental ligada a monges guerreiros e a práticas de Chi Kung, exercícios que tem a ver com a circulação de energia pelo corpo. Jacques dialoga com as fábulas orientais, falando de inspiração e poesia. Enquanto o mestre conta a história, a personagem Brisa Leste faz o treinamento de Chi Kung, passando por dificuldades e superações. As histórias paralelas foram uma boa solução para mostrar o (des) equilíbrio entre mente e corpo. Forma e conteúdo bem integrados. </p>
<blockquote><p>“Ela cruzou os pés novamente e se agachou, o joelho esquerdo apenas pouco acima do solo, depois socou e defendeu com harmonia. Ela dançava e sentia mais uma vez o arrepio do chi. Partiu da nuca, percorreu a espinha e deixou as mãos em brasa, até ser liberado numa explosão de luz esverdeada”. </p></blockquote>
<p>Missão especial, de J.B. Balbino, é uma carta escrita por um marinheiro ao seu almirante, relatando o contato que teve com uma nave espacial e um alienígena. É o conto mais tranqüilo de se ler, não exige demais do fôlego do leitor e tem como compromisso contar uma boa história. A escrita me atraiu mais do que a trama, mas considero parada obrigatória da revista. O jeito como o autor transmite os sentimentos do marinheiro, um discurso ainda anestesiado pelo ocorrido, vale o texto. Para melhorar, como é um relato em primeira pessoa, cabe ao leitor acreditar ou não no depoimento. Traumatizado ou assassino mentiroso?</p>
<blockquote><p>“Pelas onze horas da noite, o primeiro fato estranho aconteceu. Na ocasião conversávamos eu e o tenente, próximos à proa, quando subitamente um nevoeiro nos cobriu. De início não fiquei assustado, pois nevoeiros são comuns em viagens como aquela, mas, junto com a névoa branca, percebi que o ar ficou mais pesado”. </p></blockquote>
<p>Do <a  rel="nofollow" href="http://aguarras.com.br/2008/11/19/coracoes-blues-e-serpentinas/" target="blank">Lima Trindade</a> gostei muito de Fim de linha. O personagem Nelson entra em um ônibus e dorme. Quando acorda está em uma espécie de lugar nenhum, onde todas as casas são as mesmas, todos os quarteirões são iguais. O autor descreve uma clareira, o personagem supõe o ônibus quebrado na tentativa de entender o que mais está fora da ordem em sua vida. Não bastassem os problemas pessoais, agora estava lá, em um lá que não era real. Nesse retrato do vazio, pintado com jeitão de ficção, Nelson encontra outros personagens, pergunta, quer saber, mas ninguém fala nada. No império do desânimo, a máxima expressão é uma lágrima no rosto. A falta de entendimento faz Nelson mergulhar cada vez mais no obscuro cenário em que se encontra. Uma boa surpresa esse conto sobre a incomunicabilidade humana. </p>
<blockquote><p>“Despertou com a sensação do corpo formigando e a surpresa de não estar mais em movimento. As sombras lentamente abandonavam seus olhos, recaíam tímidas nos assentos. Percebeu-se só. Primeiro, o sentimento de embaraço. Depois, o esforço para localizar-se. (&#8230;) Levantou. Ainda não escurecera totalmente, tudo se afigurava sem contornos, apagado, fugidio”. </p></blockquote>
<p>Ataíde Tartari participa com O triângulo de Einstein, a história de um triângulo amoroso criado por um rasgo no tempo e no espaço. Dentro de uma nave, o autor narra várias etapas de um relacionamento. Um casal, o aparecimento de outra mulher, as escolhas, o erro, a briga e a solidão. É o tipo de conto que é mais interessante lido do que comentado, porque o processo de criação em si faz parte da proposta. O ar nonsense também ajuda na composição. </p>
<blockquote><p>“Naquela primeira noite do reencontro com Anya, Áster ampliou sua cama juntando outra ao lado, colocou champanhe num balde de gelo sobre a mesa de cabeceira e providenciou uns biscoitinhos que imitavam morangos. A cortina e a cama de Esther continuavam no mesmo ambiente, mas sobre isso ele nada podia fazer.  Por sorte ela estava no observatório quando os gemidos de Anya ficaram mais altos”.</p></blockquote>
<p>Para fechar, o conto Director’s cut de <a  rel="nofollow" href="http://www.verbeatblogs.org/posestranho/" target="blank">Fábio Fernandes</a>. Por ser cinéfilo e roteirista sou suspeito para dizer que gostei, mas como nunca declarei imparcialidade digo mesmo assim. O Fábio faz a seguinte brincadeira: Paulo Emílio, o protagonista, assiste a O coração das trevas, de <a  rel="nofollow" href="http://www.imdb.com/name/nm0000080/" target="blank">Orson Welles</a>, baseado no livro homônimo de Joseph Conrad. O livro é para muitos uma obra-prima e Orson Welles é ninguém menos que o diretor de Cidadão Kane, filme que vira e mexe ganha o título de melhor da história do cinema. O detalhe? Esse filme nunca existiu. Mas está lá, na cinemateca onde ele trabalha, bonitinho no arquivo, com créditos no final e tudo mais. Durante o conto aparecem outros filmes dos sonhos e a graça é mesmo essa. Que filmes gostaríamos de ver que nunca foram realizados? Que diretor ou ator escalaríamos para um texto que não nos sai da cabeça? O que faltou na filmografia de <a  rel="nofollow" href="http://www.imdb.com/name/nm0000040/" target="blank">Kubrick</a>? A contrapartida é ter que substituir uma das obras da filmografia real, afinal o espaço do arquivo é limitado. Como o texto tem uma escrita simples, a leitura voa. Cabe ao leitor juntar as peças no final e tentar entender o que Paulo Emílio realmente descobriu nos corredores da cinemateca.</p>
<blockquote><p>“Quando sai da sala de projeção da Cinemateca, é tarde. Tranca a porta e leva a chave. Caminha devagar, sentindo o ar abafado do verão carioca. Está louco para chegar em casa e tirar o terno, mas o que acaba de ver é no mínimo desconcertante”.</p></blockquote>
<p>É cedo para dizer o que a revista Portal vai representar ou se vai conseguir romper fronteiras e apresentar a faceta mainstream à da ficção e vice-versa, mas inventar o futuro não parece ser problema para nenhum dos participantes.</p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.ericnovello.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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		<title>Prêmio Braulio Tavares 2008, contos de ficção-científica</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jan 2009 02:36:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[<img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/06/premio-braulio-tavares-2008-contos-de-ficcao-cientifica/' addthis:title='Prêmio Braulio Tavares 2008, contos de ficção-científica ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div>Nos eventos literários que acompanho e no papo na mesa dos barzinhos (muitas vezes mais interessante), é comum o pensamento de que a literatura está mudando, não se sabe muito bem para onde. Estamos no meio de um óbvio processo de transição. Geralmente o papo surge quando se fala do fetiche do papel. Será que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="addthis_toolbox addthis_default_style addthis_32x32_style" addthis:url='http://aguarras.com.br/2009/01/06/premio-braulio-tavares-2008-contos-de-ficcao-cientifica/' addthis:title='Prêmio Braulio Tavares 2008, contos de ficção-científica ' ><a class="addthis_button_preferred_1"></a><a class="addthis_button_preferred_2"></a><a class="addthis_button_preferred_3"></a><a class="addthis_button_preferred_4"></a><a class="addthis_button_compact"></a></div><img src="http://aguarras.com.br/wp-content/themes/web4/images/maguarras17.jpg" width="50" height="78" alt="" title="edicao_0017" /><br/><p>Nos eventos literários que acompanho e no papo na mesa dos barzinhos (muitas vezes mais interessante), é comum o pensamento de que a literatura está mudando, não se sabe muito bem para onde. Estamos no meio de um óbvio processo de transição. Geralmente o papo surge quando se fala do fetiche do papel. Será que a literatura que importa é só a publicada? Não há nada de bom na Internet e tudo que é publicado é bom? O livro continuará sendo de papel para sempre ou cederá seu lugar para o baratíssimo pdf? O mercado de audiobooks que cresce nos EUA terá algum reflexo no Brasil? Essa é uma conversa que para mim soa velha, desculpe se para você também, mas é importante repeti-la porque ainda há quem brade contra essa coisa entranha chamada Internet. Já li artigos jornalísticos falando mal da Wikipédia e soube de uma professora que obrigou os alunos a fazerem de próprio punho para evitar o famigerado copy e paste possibilitado pelos computadores. São sinais evidentes de um sentimento de “estamos perdidos”. De repente o colecionador de Barsas passou a ter chances de fazer um bom trabalho que são equivalentes à de qualquer pessoa conectada à Internet. Não é mais uma questão de quem detém o conhecimento, mas sim de quem sabe procurá-lo, peneirá-lo e interpretá-lo.</p>
<p>Na literatura a questão primordial ainda são os blogs. Então você também é escritor? Droga! Mas esse era o meu diferencial intelectual. Preciso arrumar outro jeito de provar minha superioridade. E lá estou em papel. Publicado. Você, só de blog não é nada. Mas não existe só blog. Hum. Existem revistas virtuais, e-zines, com um editor por trás. Além disso, o Paulo Roberto Pires tem blog, o Charles Stross tem blog, o Sergio Rodrigues também. Se eles publicarem contos nesse espaço serão menos literatura do que no papel? Existem editoras on demand que imprimem seu cartão de visita literário de trezentas e poucas páginas com capa colorida. Droga! Mas eu, eu&#8230; eu sou publicado. Eu até tenho um blog, mas o que faço ali não é literatura não, veja bem, meu amigo, é só uma coisinha aqui que escrevo para passar o tempo, meu trabalho mesmo está no estoque de uma grande editora, encalhado, mas o que vale é a palavra grande do ladinho de editora. Mas uma editora pequena recém criada ganhou o prêmio Açorianos. E então?  E os conceitos continuam a se mesclar, cada um tentando defender seu sucesso através de n fatores que geralmente não passam pela qualidade do texto. A qualidade. Às vezes e só às vezes a gente se esquece dela. </p>
<p>Esse lero todo para dizer que não sei quando começou a transição, mas sei que de agora em diante estaremos sempre dentro dela. As mudanças acontecendo rapidamente e as novidades alterando o rumo das mudanças. Não há um final a ser visto da janela na ponta dos pés. O fato é que o virtual e o real colidiram, se misturaram. A parede cheia de CDs e livros virou um HD cheio de mp3 e pdf. O virtual é além de tudo um imenso banco de dados e a literatura presente nele deve ser avaliada com os mesmos pesos e medidas que a literatura em papel. Afinal, Borges lido em um site não vale menos do que Borges editado.  </p>
<p>Por sorte, nem todo mundo se desespera aumentando a cerca para proteger seu território. Não só há produção literária como também estímulo para que autores ainda inéditos em papel se aventurem no mundo da escrita. Uma das iniciativas mais interessantes nasceu recentemente no Orkut na comunidade de ficção científica e foi batizada de Prêmio Bráulio Tavares. Sob a batuta de Ana Cristina Rodrigues, a atual presidenta do Clube de Leitores de Ficção Científica, foi organizado um concurso em que os membros da comunidade enviaram contos sob pseudônimos e votaram seguindo regras, elegendo assim os vencedores. Os melhores contos da edição anterior saem em 2009 em papel, em um intercâmbio que devia ser mais explorado pelas editoras.<br />
O Prêmio Braulio Tavares 2008 contou com os votos da comunidade e também de jurados escolhidos pela Ana Cristina, entre eles editores e pessoas importantes no cenário literário da ficção científica brasileira. Foram vinte e um contos e doze mini-contos inscritos. Comento abaixo os cinco primeiros lugares do concurso de contos, que também incluem os 3 eleitos dos jurados. </p>
<p>Muito depois da primeira bomba, de Leonardo Lemos, tratou de um assunto bastante explorado na ficção-científica, mas soube fazer a sua graça. Aproveitando a explosão da primeira bomba atômica, Leonardo situa o leitor no deserto, passa o encanto dos cientistas e a sensação de deslumbramento anterior aos desdobramentos bélicos reais. Interessante que ao quebrar a ambiência do passado citando as mortes que viriam pela frente, o autor faz um jogo com uma perspectiva tomada do futuro que tem tudo a ver com a história. </p>
<blockquote><p>“Dias mais tarde, o mesmo diretor declararia à imprensa que após a explosão, veio-lhe um trecho do <a rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bhagavad_Gita" target="blank">Bhagavad Gita</a> à mente: Agora sou a morte, destruidora de mundos. Foi mesmo. Para 150.000 pessoas após alguns dias, para 340.000 pessoas após alguns anos e somente o futuro poderia dizer quantas pessoas mais morreriam depois”. </p></blockquote>
<p>Depois disso, o leitor é apresentado a Bernard Brewer. Responsável por estudar as propriedades do plutônio, ele recebe a missão de analisar um fragmento de rocha contendo um material vítreo estranho achado na região da explosão. O conto segue seu ponto de vista, se apropriando de vocabulário analítico, com direito a superfície porosa, estereomicroscópio, caracterização mineralógica e tudo mais. Aos poucos se percebe que a história não girará em torno da bomba e de suas proporções assombrosas, mas sim daquele corpúsculo minúsculo, ironicamente muito mais importante para o pesquisador e para a narrativa. É projeto para Discovery Channel nenhum colocar defeito. </p>
<blockquote><p>“Assemelhava-se a vidro derretido, translúcido e esverdeado, tendo provavelmente se formado através da fusão de elementos do solo do deserto, causada pela elevadíssima temperatura da explosão. A olho nu, os fragmentos pareciam placas, com uma superfície lisa e a outra altamente irregular”.</p></blockquote>
<p>Fora os dois primeiros parágrafos truncados, o texto flui bem até o fim e consegue retratar de maneira crível a sensação do profissional da área de pesquisa diante do inusitado. </p>
<p>Marcelo Augusto Galvão, autor de Vida e morte do último astro pornô, escolheu um caminho diferente, usando de modo preciso o tempo peculiar do humor. Sua história brinca com a indústria de entretenimento e de certa maneira potencializa o atual cenário de celebridades baratas, levando-o às últimas conseqüências. Esqueça Laranja Mecânica, Tubarão ou Acossado, os clássicos do cinema são filmes pornôs, e seus participantes são idolatrados. </p>
<p>A introdução é um trecho de A história informal da pornografia do século XX: </p>
<blockquote><p>“(&#8230;) A Era de Ouro do Cinema Pornô é o período compreendido entre o final dos anos 60 e começo dos 80 em que o pornô se consolidou como um gênero cinematográfico legítimo. Películas como ‘Garganta Profunda’ (1972), ‘O Diabo na Carne de Miss Jones’ (1973) e ‘A Décima Musa de Apolo’ (1976) tinham roteiros e atuações convincentes &#8211; algo inimaginável hoje em dia &#8211; e eram resenhadas nos cadernos culturais dos grandes jornais, acabando por atrair um público sofisticado bem diferente das figuras que freqüentavam as sórdidas salas especializadas em ‘filmes de sacanagem’”. </p></blockquote>
<p>Como indica o título, o conto narra a história de Nick Richards, ou Nick Dick, no fundo do poço, já na sombra de seus áureos tempos. Quando oferecem a ele um papel que pode recolocar sua carreira nos eixos, Nick se vê em uma situação limite, perturbadora até para ele, e graças a uma seqüência de incidentes, acaba se tornando um grande herói. </p>
<blockquote><p>“Betty Boobie esteve aqui hoje. Quase não a reconheci, estava sem maquiagem, usando um vestido preto que ia das canelas até o pescoço, cobrindo aqueles peitões dela. Disse que encontrou Jesus (&#8230;)”.</p></blockquote>
<p>O forte do conto é brincar descaradamente com a indústria de sexo e os conceitos de arte. A boa e velha discussão sobre a tecnologia diminuindo o número de empregos (alguém se lembra das aulas sobre mecanização da lavoura?) ganha aqui outros contornos, com os robôs ocupando as vagas até dos atores pornôs. Excelente utilização do tempo do humor em benefício da estrutura narrativa.  </p>
<p>O homem bicorpóreo, de Hugo Marcel Vera, muda o clima para o uso de psiônicos pelo exército a revoltas separatistas em colônias de Marte. Aí no meio, uma história de contexto político, de como fatos podem ser ocultados do grande público e da mídia. A personagem de maior empatia é Dra. Helena Corelli, responsável pela pesquisa com os <a  rel="nofollow" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Psi%C3%B4nico" target="blank">psiônicos</a>. A história é contada através de uma conversa dela com o Primeiro Ministro e gira em torno de idéias para resolver as revoltas. Infelizmente, a pessoa mais indicada para acalmar os rebeldes, o governador Cláudio Texeira, sofreu um atentado. O jeito é usar os recursos científicos disponíveis para fazer o povo acreditar que ele continua bem e que é ele quem faz os discursos pela paz. É para Elvis e Osama nenhum botar defeito. </p>
<blockquote><p>“— Mantemos sua imagem sempre presente na mídia local. Escrevemos seus discursos, que são lidos pelo próprio Governador, e enviamos à imprensa em holofilmes. Evidentemente a imprensa recebe um arquivo onde somente o áudio da voz pertence ao Governador. As imagens do holofilme são animações gráficas em 3-D baseadas em imagens de arquivo. O resultado final é perfeito”.</p></blockquote>
<p>O mérito da história é conseguir acender a centelha de uma mitologia complexa mesmo com as limitações de tamanho de um conto. Psiônicos são sempre bem-vindos na literatura fantástica e aqui foram bem utilizados. Também vale ressaltar a qualidade da escrita, que não recai no exagero de adjetivos que costuma poluir textos de novos autores. </p>
<p>Já Rodolfo Londero optou por uma brincadeira literária. 500 anos de <a  rel="nofollow" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Edgar_Rice_Burroughs" target="blank">Edgard Rice Burroughs</a> conta a história do autor do clássico futurista Uma princesa de marte, lido por 10 entre 10 extraterrestres. O conto é narrado por um desses extraterrestres. Ele não se conforma que um clássico possa ter sido escrito por um povo tão atrasado e que curte autores de péssima qualidade como James Joyce e Virginia Woolf. É uma boa inversão de parâmetros que nos lembra do papel da pluralidade do olhar na literatura. Aquela conversa de que parâmetros determinam uma grande obra.</p>
<blockquote><p>“Ainda me lembro quando Uma princesa de Marte chegou entre nós. Eu tinha apenas 119 anos e as viagens espaciais para a Terra haviam recém iniciadas. Não nos apresentamos imediatamente para os humanos, pois queríamos conhecer sua política e sua cultura antes de qualquer ação. Então, infiltrados, coletávamos tudo que achávamos interessante: aparelhos portáteis, placas de trânsito, dicionários, etc. Até que um dia alguém coletou uma edição de luxo da obra-prima de Burroughs (mais tarde iríamos descobrir, indignados, que os romances do mestre foram impressos originalmente em revistas de papel barato)”.  </p></blockquote>
<p>Não foi um tema que me atraiu tanto, mas também é um texto bem escrito. Do tipo que se lê de uma vez só. O plágio que os extraterrestres tentam fazer de Uma princesa de Marte já vale a leitura dos fãs de ficção-científica.</p>
<p>Para encerrar a resenha, Aguinaldo Peres e O caso Floret.<br />
O conto começa descrevendo o lugar onde está Floret preso. O autor poderia ter se detido um pouco menos nos detalhes técnicos da ambientação e aproveitado melhor essa parte. É só quando Floret vai conversar com o advogado que a história começa para valer. O advogado pede que ele conte tudo que aconteceu no dia do fatídico episódio, nos deixando a par de seu drama.  </p>
<p>Floret foi preso por agredir um funcionário no terminal da versão futurista do metrô de São Paulo. Motivo? Burocracia misturada com falhas tecnológicas. Nada de conseguir passar na catraca. Imagine ter que lidar com a agência de vigilância sanitária e um erro fatal do Windows ao mesmo tempo. É mais ou menos por aí.</p>
<blockquote><p>“Ele acorda com a voz genérica dos sistemas públicos. Um nicho se abre na parede, na bandeja um copo médio de leite e um pequeno de café, saches de açúcar, torradas e um sanduíche frio embalado a vácuo. O homem despeja dois saches no café e o bebe para empurrar o sanduíche insípido garganta a baixo”.</p></blockquote>
<p>A idéia de Aguinaldo me lembrou a burocracia labiríntica de Kafka em O Processo e foi a história que mais me agradou, talvez por uma questão de comiseração e identificação com o personagem. Quem já teve que subir e descer infinitamente de um andar para outro dentro de algum cartório ou tentou convencer um funcionário público de que não, o CPF não está na lista de documentos solicitados na Internet, sabe do que estou falando. Uma boa história sem final feliz. </p>
<p>Os contos vencedores não foram colocados em um arquivo separado, mas quem se interessar pode <a  rel="nofollow" href="http://www.clfc.com.br/downloads/contos.pdf" target="blank">baixar o pdf</a> do concurso com todos os inscritos e dar uma olhada. Como estão sob pseudônimo, procure pelo nome do conto. Ficção científica pura. </p>
<p><center>&copy;  - visite o site do <a  rel="nofollow" href="http://www.ericnovello.com.br/">Aguarr&aacute;s</a> para mais conte&uacute;do!</center></p>      ]]></content:encoded>
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