<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Aguarras &#187; edicao_0021</title>
	<atom:link href="http://aguarras.com.br/category/edicao_0021/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://aguarras.com.br</link>
	<description></description>
	<lastBuildDate>Wed, 04 Apr 2012 00:57:05 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Jay Vaquer &#8211; Alive in Brazil</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/26/jay-vaquer-alive-in-brazil/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/26/jay-vaquer-alive-in-brazil/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 19:14:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/2009/10/26/jay-vaquer-alive-in-brazil/</guid>
		<description><![CDATA[Me lembro até hoje de ver o clipe de A Miragem na MTV quando lá ainda passavam videoclipes e não programas de humor de baixo orçamento e me perguntar quem era esse cara. Eu ainda moleque, devia ter por volta de 20 anos, pensava cá comigo se ainda veria mais algum trabalho dele pela frente. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Me lembro até hoje de ver o clipe de A Miragem na MTV quando lá ainda passavam videoclipes e não programas de humor de baixo orçamento e me perguntar quem era esse cara. Eu ainda moleque, devia ter por volta de 20 anos, pensava cá comigo se ainda veria mais algum trabalho dele pela frente. É engraçado olhar para trás e perceber que não era tão simples ter as informações na mão, com uma clicada no Google (ou era fácil e o problema era meu?), e por esse vácuo informativo, Jay Vaquer foi por muito tempo o cara que cantava A Miragem e Aponta de um iceberg e só, imortalizado em mp3s que consegui nos primórdios da era dos downloads, depois de muito procurar. </p>
<p>Queria ter datas mais precisas na cabeça, mas raciocino de modo atemporal e meus marcadores são outros, pequenas lembranças e contextos. Foi numa dessas que o nome Jay Vaquer voltou aos meus ouvidos. Uma pessoa muito querida virou para mim, jornal na mão, e falou “olha, não é aquele cantor que você curte?” E eu pensando, claro que não, depois de tantos anos, só pode ser outra pessoa. Mas era ele. Dei uma volta rápida pelo shopping para comprar o Vendo a Mim Mesmo, seu segundo cd, com porcos de headfone e o Jay cheio de fios vermelhos na capa. Achei de quebra o Nem Tão São e aquele cara do clipe e da mp3 passou a ser um artista contextualizado na minha estante de CDs. Meu micro system estava quebrado, eu sem grana para pensar no conserto, então colocava para tocar num discman ligado às caixas de som. E foi assim que curti o recomeço, o clipe louco de Pode Agradecer rolando na MTV para lembrar que ele ainda estava na área, anunciado pelo alterego Applewhite. Talvez seja o cd dele que mais tenha escutado. Sou péssimo para decorar letras, mas sou bom de improviso, e era no improviso que cantarolava Assim de repente, Abismo e Aquela música, essa última na minha lista de clássicos particulares.   </p>
<p>Foi nessa época também que minha irmã passou a ouvir Jay Vaquer para valer. Sempre tive a música como um intercâmbio. Não digo só da energia que se sente em shows, mas do prazer de apresentar a alguém o que se gosta e se permitir gostar de novidades que cheguem até você. Quando isso se dá com alguém próximo o prazer é dobrado. Pela diferença de idade entre nós dois, tínhamos gostos distintos e, ao mesmo tempo, cheios de pontos em comum. Eu apresentando The Smiths, The Cure, The Police, Depeche Mode, um vínculo com o passado ainda presente, e ela me mantendo em contato com o boom da música pop adolescente, com sons de pegada mais rock como o Garbage, e hoje com toda uma nova geração da música brasileira. </p>
<p>Como o Jay se tornou um dos pontos de convergência, era agora ela quem me mantinha informado. E foi por ela que soube que ele tinha assinado contrato com a EMI e que iria lançar o terceiro CD: Você não me conhece. Cotidiano de um casal feliz gerou um clipe, tocou nas rádios. Mais uma música de letra bem sacada e outra recordação. Depois veio A falta que a falta faz, que a galerinha costuma acompanhar do início ao fim nos shows. Como o mundo gira rápido, nessa época eu já tinha uma vida bem diferente daquela lá de trás, tinha lançado dois livros, me formado na escola de cinema e me distanciava de vez da vida de farmacêutico bioquímico. O Aguarrás estava começando e, além de escrever sobre cinema e literatura, resolvi me arriscar nos textos de música, só precisava escolher as cobaias. Escolhi meus cantores italianos preferidos, uns pingados do momento e o Você não me conhece. O texto ficou ruim, mas tão ruim que foi vetado. Repensei o modelo e escrevi um texto curto, dez linhas de Word com um trecho de letra e só, e foi assim que falei de música por um tempo. Me lembro também dele comentar as resenhas que saíam com um “só falam das letras, mas e as melodias?” E era verdade. Eu fui um desses. Talvez por ser escritor, me divertia com elas sem pudor, mesmo que na música o todo sempre fale mais alto que as partes. </p>
<p>Mais um pouco e finalmente vi o cara ao vivo, com a Cássia (minha irmã) e o David (a pessoa querida mencionada lá em cima), fechando um ciclo e começando outro. Foi um show no Teatro Odisséia, uma casa na Lapa, no Rio de Janeiro, num palco apertado que contrariava as leis da física e me deixava angustiado pelos grupos que ali se apresentavam. Mas valeu a pena. Minha irmã voltou no seguinte e eu no seguinte com ela. É interessante comparar a identidade de um artista ao vivo com o som produzido no CD. Tem gente que ganha, tem gente que perde. Tem gente que esbanja, tem gente que minimaliza. Foi naquele show bem intimista que me toquei de como esse cara cantava para valer. </p>
<p>Um ano depois, veio o Formidável Mundo Cão. Minha irmã havia assumido o posto de fã oficial e eu ficava ali orbitando, aproveitando a música dos CDS e as histórias que ela me contava. Infelizmente, dessa vez não teve videoclipe. O mundo que gira rápido gira assim para todo mundo. Mas teve ótimas canções como Longe Aqui, Estrela de um Céu Nublado e Preciso Poder, com as letras bem sacadas, às vezes irônicas, que então já eram marca registrada. Foi esse cd que originou o primeiro DVD ao vivo, Alive in Brazil, contribuindo com um terço do set list.</p>
<p>E aquele cara do show do Odisséia agora voa em correntes, canta em plataformas móveis (não os saltos, por favor) e usa projeções no telão, sendo a última delas impagável, dialogando com a letra e brincando com os músicos que acompanham o cantor. Não é que os elementos cênicos falem mais alto do que a música, eles se complementam de forma harmoniosa, como deve ser. No mercado internacional, mau gosto à parte, todo mundo sabe disso, aqui dentro uma meia dúzia. Olhando de fora, dimensionando por meus próprios sufocos, só posso imaginar o trabalho ($) que é erguer um show assim. Mas não vou cair no debate financeiro. O que quero observar aqui é a existência de um artista que sabe que concepção é mais do que escolher o set list e pôde, enfim, mostrar isso para valer na prática, com direito ao registro em DVD. Eu que não vi a gravação fiquei surpreso com a edição, com os novos arranjos e com esse visual bem pensado. </p>
<p>Se você já curte Jay Vaquer, o DVD é diversão garantida. Se não conhece, esse é um bom lugar para começar. Pela alegria dos rostos na platéia, acho que a maioria concorda comigo. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/26/jay-vaquer-alive-in-brazil/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sumaya Sarran</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/25/sumaya-sarran/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/25/sumaya-sarran/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 15:18:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AGUARRÁS TV</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[AGUARRÁS TV]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9697</guid>
		<description><![CDATA[Na entrevista ao Aguarrás, a professora de dança Sumaya Sarran fala sobre a cultura e a dança cigana. Sumaya Sarran from Aguarrás on Vimeo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Na entrevista ao Aguarrás, a professora de dança Sumaya Sarran fala sobre a cultura e a dança cigana.</p>
<p><object width="500" height="375"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=7246927&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=7246927&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=0&amp;show_byline=0&amp;show_portrait=0&amp;color=ffffff&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="500" height="375"></embed></object></p>
<p><a href="http://vimeo.com/7246927">Sumaya Sarran</a> from <a href="http://vimeo.com/aguarras">Aguarrás</a> on <a href="http://vimeo.com">Vimeo</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/25/sumaya-sarran/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A Geração Trianon</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/24/a-geracao-trianon/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/24/a-geracao-trianon/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 11:59:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9694</guid>
		<description><![CDATA[A peça A Geração Trianon estreou no dia 22 de outubro de 2009, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema (RJ). Com direção de Luiz Antonio Pilar e Cristina Bethencourt, a produção é uma remontagem do texto de Anamaria Nunes, premiado em 1988, ano de sua primeira montagem, dirigida por Eduardo Wotzik e representada pelo Grupo Tapa. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A peça <em>A Geração Trianon</em> estreou no dia 22 de outubro de 2009, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema (RJ). Com direção de Luiz Antonio Pilar e Cristina Bethencourt, a produção é uma remontagem do texto de Anamaria Nunes, premiado em 1988, ano de sua primeira montagem, dirigida por Eduardo Wotzik e representada pelo Grupo Tapa.</p>
<p>A remontagem atual conta com 14 atores &#8211; Licurgo, Marília Medina, Marta Paret, Marcio Vito, Rogério Barros, Rubens Camelo, Tracy Segal, Marcos Damigo, Rodolfo Mesquita, Rael Barja, Julia Deccache, Antonio Alves, Alex Reis, André Rocha e o pianista Christian Bizotto – que dão vida às histórias dos bastidores de uma companhia teatral da década de 20, no tradicional Teatro Trianon, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Por ser patrocinada pela Eletrobrás, a peça foi apresentada na Casa de Cultura Laura Alvim, imóvel doado (por Laura Alvim) ao Governo do Estado em meados de 1980. Como grande parte dos bens públicos é precária, gostaria de ressaltar o desconforto do balcão do teatro, cujos assentos são tão altos que deixam a pessoa mais saudável do mundo com gangrena nas pernas. Além disso, um dos ilustres espectadores da estréia era um morcego. (Isso mesmo, o mamífero voador). Outro ponto desagradável foi o atraso de 40 minutos para a abertura das portas do teatro. Sendo assim, só pude me encontrar com o morcego às 21:40, e não às 21h, como combinado. Espero que ele não tenha se chateado.</p>
<p>Voltando à peça&#8230; Foi boa. Uma peça que aborda a produção de uma peça, e a peça em si (para quem curte nomenclaturas, metateatro), é sempre interessante, ainda mais quando se trata de um texto já premiado. Horrível não poderia ser. Contudo, não passa de uma peça boa. Como pontos altos, o <em>jingle</em> da sapataria Mota (e todas as partes que o dono da sapataria Mota aparece), que merece boas risadas; e o vôo do morcego que, já impaciente, resolveu dar uma voltinha quase no final do espetáculo&#8230; Momento de muita tensão!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim<br />
</em><em>Av. Vieira Souto, 176, Ipanema/RJ<br />
</em><em>Tel: 21 2332-2015<br />
</em><em>Horários: 5ª, 6ª e sábado às 21h; domingo às 20h<br />
</em><em>Temporada: até 20 de dezembro</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/24/a-geracao-trianon/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Sérgio Pereira Couto</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/22/entrevista-com-sergio-pereira-couto/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/22/entrevista-com-sergio-pereira-couto/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 22 Oct 2009 22:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9692</guid>
		<description><![CDATA[01. Com 150.000 exemplares vendidos, quase 30 livros publicados, você joga pelo ralo a noção geral de que autores nacionais não vendem bem. Qual a sua opinião sobre o nosso mercado editorial? Ter um currículo desses facilita na hora de negociar a próxima publicação? Bem, vamos por partes. Os autores nacionais não vendem bem porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>01. Com 150.000 exemplares vendidos, quase 30 livros publicados, você joga pelo ralo a noção geral de que autores nacionais não vendem bem. Qual a sua opinião sobre o nosso mercado editorial? Ter um currículo desses facilita na hora de negociar a próxima publicação?</p>
<p>Bem, vamos por partes. Os autores nacionais não vendem bem porque insistem em explorar áreas que não são de interesse do público em geral. Meus livros de pesquisa histórica, por exemplo, são todos calcados em assuntos que são atraentes ao público, que não possuem similares em português que sirvam de introdução ao assunto e, ao mesmo tempo, mostrem um lado simpático da História. Por exemplo, quem nunca quis ler um pouco sobre Piratas, Lendas Chinesas ou entender de maneira não acadêmica a história da civilização romana? História é muito mais do que uma enorme lista de nomes e datas, é também uma fonte inesgotável de tramas que, mais tarde, podem ser aproveitadas num romance de cunho histórico. Pessoas do mercado editorial já me falaram que cerca de sete em cada dez romances publicados tem um pé em algum fato ou lenda retirados da história da civilização humana. Então por que não fazer com que o público tenha acesso a esses assuntos de uma forma divertida? O nosso mercado editorial, infelizmente, ainda é regido por uma regra, que é a da “onda da vez”, ou seja, quando um assunto faz sucesso, exploram até que não venda mais. O que você, como autor, pode fazer é tentar sempre dar um ângulo novo para o assunto e aguardar que o editor caia na real e veja que aquilo não dá mais. OU arriscar, com uma boa lábia de vendedor, convencer sua editora a investir X mil reais num assunto que pode vender muito ou pouco, mas quando não corresponde às vendas, a culpa pela insistência na publicação cai invariavelmente no autor. E por fim afirmo: ter um currículo desses facilita sua aproximação com as editoras, mas não garante que você seja um best seller a ponto de vender qualquer coisa para o editor. Você passa pela avaliação normal que os demais passa. A vantagem é que veem sua proposta com mais atenção do que a dos demais, mas o processo de seleção é o mesmo, seja para livros de pesquisa ou para romances.</p>
<p>02. Está havendo um movimento discreto das nossas editoras para encontrar autores com capacidade de escrever Best-sellers, literatura de entretenimento de qualidade. Por que agora e por que só agora? </p>
<p>Há vários motivos para isso e a maioria deles envolve certos parâmetros de vendagem que apenas aqueles que mais estão centrados no mercado compreendem. O que posso afirmar, baseado no que observo nas listagens de mais vendidos, é que há muito da “onda da vez” envolvido nisso. Por exemplo, até o advento das obras de André Vianco, não havia muito interesse em vampiros, que era um assunto restrito apenas aos adoradores do gênero. Depois do Vianco e com o advento da série Crepúsculo, o assunto deixou as esferas dos adoradores e se tornou assunto até mesmo de yuppies. O que nos leva a crer que a “onda da vez” não é um fenômeno só de livros, pois envolve adaptações para outras mídias, principalmente quando se tornam filmes. Antigamente o livro dava origem ao filmes e era, depois disso, até ignorado e esquecido. Hoje é o filme que dá origem a novos leitores, que procuram o livro para ver como é a história original.  Por isso as editoras, ao sentirem o potencial da tal série, investem em continuações e trilogias. E isso fascina o leitor, que gosta sempre de voltar aos cenários e personagens conhecidos, e até mesmo a esperar desfechos de tramas à lá novela das oito, como aconteceu com o final da série Harry Potter. Há fãs que simplesmente odiaram e outros que adoraram, mas ninguém deixou de fazer fila para comprar o último livro, o que deverá acontecer de novo quando chegar o filme. Ligados nessa tendência, as editoras nacionais querem encontrar um André Vianco que esteja fora da “sociedade vampírica”, por assim dizer, e ver outros segmentos, como policial, aventura e suspense, entre outros, encontrarem suas contrapartes. Quem sabe, quando sair o primeiro filme baseado numa obra do Vianco, vejamos esse movimento se intensificar ainda mais.</p>
<p>03. Sociedades Secretas está indo para a terceira edição. A trama envolve Maçonaria, Priorado de Sião, DeMolay, Rosacruz. Dá para dizer que há um parentesco com os livros de Dan Brown em questão de tema e estrutura? </p>
<p>Na verdade não. Dan Brown segue uma mesma estrutura de história e possui poucas variações em suas tramas. Meu livro começou como um livro de entrevistas, ou seja, foi baseado em entrevistas reais com representantes das sociedades mais “pop” e era originalmente um guia para orientar as pessoas interessadas em entrar nesse mundo. Foi escrito pelo menos dois anos antes de estrear O Código da Vinci. Foi ideia do editor romancear o livro para ser mais fácil de ser entendido pelas pessoas. A primeira edição saiu poucas semanas depois do livro de Brown e fez sucesso a ponto da editora pedir uma segunda edição com capítulos extras. Assim o leitor pode ter nada menos que 12 capítulos a mais, com sociedades secretas que só existem no exterior. Esta nova edição, a terceira, traz um novo visual e um novo projeto gráfico, mais a ver com o tema do que as anteriores. O tema é bem simples: dois interessados em conhecer as sociedades secretas se envolvem no mundo de conspirações que, invariavelmente, é evocado pelo próprio assunto. Porém, ao contrário dos livros de Brown, eles não procuram iluminação ou algo do gênero, mas sim esclarecimento e informação. Afinal, informação e poder nos dias de hoje e conhecer onde se põe o pé pode ser a diferença entre a vida e a morte. O livro não se passa num período de 24 horas como os de Brown, o que já facilita um pouco a compreensão. Mesmo assim é uma aventura que agradou ao público, principalmente por evocar as paisagens e cenários europeus tão característicos da história der maçons, templários e rosacruzes, afinal foi lá que a maioria dessas sociedades secretas nasceu. </p>
<p>04. Escrever livros de pesquisa mudou em alguma coisa o seu processo de escrita de romances? </p>
<p>Sem dúvida nenhuma que sim. Para a maioria dos escritores iniciantes é sentar e pensar numa história sem prestar atenção a detalhes da trama. A maioria se esquece que quanto mais sua trama mostrar detalhes que possam ser acessados por uma simples consulta no Google, mais interessado o leitor ficará. Principalmente quando se mexe com fatos históricos. Até mesmo ao contar lendas e mitos devemos ter esse cuidado. Ou teremos uma polêmica desnecessária como a de Brown quando afirmou sobre a existência do Priorado de Sião como sendo da época dos templários. Eu tive oportunidade de estar na Biblioteca Nacional de Paris e vi os tais documentos do tal Dossiê Secreto. Uma criança de sete anos num microcomputador faz algo mais crível do que os papéis que lá estão que, claramente, não são históricos, apenas estão depositados por lá. Sua credibilidade como autor depende do fato de que sua trama , caso se baseie em coisas reais, seja de fato bem pesquisada.  Se você quer mesmo fazer uma ficção, então pelo menos mude o nome das coisas, assim sua criatividade pode ir longe. Ninguém jamais disse que Brown não podia ter trocado o Priorado de Sião por, digamos, o Priorado de Nazaré, que teria sido fundado por um grupo de monges que eram na verdade alienígenas do tipo grey. A partir do momento em que você se propõe a trabalhar coma  realidade, você tem a obrigação de fazer uma pesquisa séria para enriquecer sua trama. É isso que procuro fazer o tempo todo. Meus livros de pesquisa já me deram muitas ideias para romances, alguns já escritos e que aguardam publicação, outros ainda por escrever.</p>
<p>05. Seu Investigação Criminal recebeu elogios de profissionais da área. Acha que programas como CSI abriram um novo campo para a literatura policial?   </p>
<p>Sem dúvida que sim. Programas sobre investigação forense são sempre muito bem-vindos porque, ao contrários de histórias que mostram o “mundo cão”, elas possuem um glamour que  desperta o interesse das pessoas e acoberta um pouco o aspecto criminoso e violento das ocorrências. Enquanto fazia minha pesquisa para esse esse livro, por exemplo, passei uma semana com os profissionais de vários setores da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, que me contaram muitos casos e deram muitos exemplos práticos. Um deles falava sobre um estudante que era fissurado em todos os aspectos de CSI e que chegou lá louco para participar de uma autópsia. Chegou a recusar passar pomada tipo Vicky Vaporub no nariz para disfarçar o cheiro porque nunca tinha visto isso no seriado. Quando entrou na sala do IML não aguentou cinco minutos: teve que sair correndo para vomitar no corredor. Mais tarde ele comentou com os investigadores que era mais difícil do que aparentava na TV. O trabalho desses profissionais é admirável até mesmo pela falta de recursos. Quando escrevi o livro muitos chegaram a comentar comigo sobre esse aspecto. Afinal, o laboratório dos CSIs é tão cheio de tecnologia de ponta que nem dá para imaginar que, enquanto em laboratórios como o de Little Rock, no Arkansas (onde se passa minha história) eles usam lasers para determinar a trajetória de uma bala, aqui fazem a mesma cosia com barbantes. E com resultados tão bons quanto os dos norte-americanos. Eles aqui fazem milagres para resolver os crimes. Se voltarmos um pouco no tempo veremos que muto do que foi apresentado em histórias de Edgar Allan Poe, Sir Arthur Connan Doyle e até mesmo em Agatha Christie tem coisas que são aprendidas quando se estuda ciência forense. E esta, à parte os insetos e pedaços de cadáver e outras coisas nojentas, é um campo formidável e promissor.</p>
<p>06. E o próximo passo? Sérgio Pereira Couto encontrou seu nicho ou tudo é possível?  </p>
<p>Sim, creio que a ficção policial é mais interessante e cheia de promessas do que o mistério das sociedades secretas. Mas trabalho com literatura de mistério, acima de tudo, e essa área permite que você explore tudo, do romance policial científico ao noir, do mistério histórico às sociedades secretas. Se for algo que renda uma boa história que possa até mesmo ser lida num dia só, estarei satisfeito, pois o leitor interessado gosta de ler sem parar. E isso é extremamente gratificante.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/22/entrevista-com-sergio-pereira-couto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Lucia Laguna</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/21/lucia-laguna-2/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/21/lucia-laguna-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 19:45:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9684</guid>
		<description><![CDATA[A exposição se chama Janelas e é de Lucia Laguna. Nem é preciso mais nada para se saber como dar o primeiro olhar. No meio, na junção, na fratura. No meio. Os dez quadros se dividem entre os que se chamam Paisagem e os que se chamam Estúdio. O dentro e o fora. O meio. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A exposição se chama <em>Janelas</em> e é de Lucia Laguna. Nem é preciso mais nada para se saber como dar o primeiro olhar.</p>
<p>No meio, na junção, na fratura. No meio.</p>
<p>Os dez quadros se dividem entre os que se chamam <em>Paisagem</em> e os que se chamam <em>Estúdio</em>. O dentro e o fora. O meio. Na janela.</p>
<p>Lucia Laguna mora entre a Mangueira e o asfalto. Viu a construção do viaduto a ligar, dividir, a ficar no meio. A palavra Estúdio aí amplia seu campo semântico. É o local onde se faz e se vive, onde se estuda e se pensa. O local da visão.</p>
<p>Acho reducionismo falar, no caso dela (e em geral, é verdade), de autonomia estética da arte. Não separo o ordinário, o popular, o mundano, enfim, o entorno. Mas mantenho a ontologia. É uma questão de estruturação, de consolidação, desfamiliarização, iconicidade. Tem sim, é claro. Mas tem também o resto todo.</p>
<p>Aqui, por exemplo. As pinturas de Lucia trazem sempre o que a define mesmo fora da pintura: uma divisão/junção. No entanto estão bem longe de representar exatamente o que se vê das janelas de seu ateliê, no último andar da casa, com a mangueira (árvore) bem antes da Mangueira (morro). A Mangueira, lá, imóvel aparentemente, geometrizada, dir-se-ia, mas com tanta vida que chega-se a se escutar, ou achar que se escuta, o som surdo que de lá vem, como um motor a diesel que não para.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628a.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9689" title="paisagem 25 – Lucia Laguna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628a-80x81.jpg" alt="paisagem 25 – Lucia Laguna" width="80" height="81" /></a>   <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628b.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9688" title="paisagem 26 – Lucia Laguna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628b-80x54.jpg" alt="paisagem 26 – Lucia Laguna" width="80" height="54" /></a>   <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628c.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9687" title="paisagem 17 (detalhe) – Lucia Laguna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628c-80x106.jpg" alt="paisagem 17 (detalhe) – Lucia Laguna" width="80" height="106" /></a>   <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628d.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9686" title="estúdio 27 – Lucia Laguna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628d-80x77.jpg" alt="estúdio 27 – Lucia Laguna" width="80" height="77" /></a>    <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628e.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9685" title="paisagem 27 – Lucia Laguna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0628e-80x65.jpg" alt="paisagem 27 – Lucia Laguna" width="80" height="65" /></a>  </p>
<p>Nas obras, há a construção em cuidadosa fita crepe, e a tinta posterior, gestual. Uma ontologia de obra de arte. Mas não uma totalidade fechada em si mesma. A(s) Mangueira(s), aliás, não deixaria(m). Não esquecer: o fato de que sua obra pode ser despregada de seu contexto original e atualizada sem parar pelo fruidor marca seu relacionamento com a arte e não com o anedotário de uma cidade. Eu, por exemplo, gosto de ver coisas reais em suas pinturas. Em <em>Paisagem 25</em> penso na escada do vizinho. Na <em>26</em>, nas paredes das casas que ficam por perto. A <em>27</em> tem a representação da própria janela, de basculante, presente. Mas também gosto de ver o processo. Onde se liga, em que ponto se dá, essa divisão/junção. É na pintura. Na tinta. No detalhe da <em>Paisagem 17</em>, vê-se o pingo, lá. É tudo. É o mais importante, esse pingo. É a solução. E está não fora, mas dentro da obra.</p>
<p>Pode-se dizer que Lucia Laguna apresenta um schema &#8211; a palavra <a title="Mikhail Mikhailovich Bakhtin " href="http://www.erraticimpact.com/~20thcentury/html/mikhail_mikhailovich_bakhtin.htm" target="_blank">bakhtiniana</a>. Seu schema é o do &#8216;ateliê do artista&#8217;, usado por tantos outros. Schema é uma superestrutura, um motivo que serve de núcleo geracional, ponto de origem que vai determinar os fenômenos específicos de cada obra feita. O schema é &#8216;o ateliê do artista&#8217; e os cronotropos são, justamente, &#8216;as janelas&#8217; &#8211; local espacial em que se registra uma passagem de tempo. Ou, para usar o vocabulário mais apropriado ao campo da estética, uma luminosidade. Em &#8216;ateliê do artista&#8217; está o começo das pinturas, os grandes espaços construídos, cujos contornos são cuidadosamente demarcados. Nas &#8216;janelas&#8217; está o resto todo. Ou seja, o tempo &#8211; marcado pela ação temporal, sequencial, da artista &#8211; e o que esse tempo faz e traz.</p>
<p>Está na <a title="Galeria Virgílio" href="http://www.galeriavirgilio.com.br/" target="_blank">Galeria Virgílio</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/21/lucia-laguna-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Variação para a mesmice</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/20/variacao-para-a-mesmice/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/20/variacao-para-a-mesmice/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 20 Oct 2009 11:55:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswaldo Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9681</guid>
		<description><![CDATA[Inês Pedrosa, escritora portuguesa, lançou no Brasil A eternidade e o desejo. O livro fez algum sucesso e autora participou da última FLIP. A capa do livro o denuncia. Envolta nas fitas do Senhor do Bonfim, que anunciam seu conteúdo, apresenta como pano de fundo um dos altares barrocos das igrejas baianas. A cor de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Inês Pedrosa" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%AAs_Pedrosa" target="_blank">Inês Pedrosa</a>, escritora portuguesa, lançou no Brasil <em>A eternidade e o desejo</em>. O livro fez algum sucesso e autora participou da última FLIP. A capa do livro o denuncia. Envolta nas fitas do Senhor do Bonfim, que anunciam seu conteúdo, apresenta como pano de fundo um dos altares barrocos das igrejas baianas. A cor de Exu predomina. Todos os elementos presentes na capa aponta para a necessidade de identificação realista do conteúdo que se desenvolverá.</p>
<p>Em certa medida, a narrativa, emoldurada pelas palavras do Padre Antônio Vieira, vai se cumprindo a partir da formulação que os autores, que intentam fazer falar a cidade, buscam. O livro de Ana Miranda – <em>Boca do Inferno</em> – cai na mesmíssima tentação, como o baino, por profissão, já havia caído. Em Jorge Amado, a cidade – presa da magia – se mostra na sua mitificação plena. Em Ana Miranda e Inês Pedrosa, a mistificação é apenas corruptela.</p>
<p>Se o narrador histórico-biográfico em Ana Miranda desvela um Gregório anacrônico, que, entre mulateiro e pervertido, constrói uma cidade idealizada, em Inês Pedrosa, a narradora, cega, passa da auto ironia a auto comiseração e aceitação, a partir de um amor idealizado; de sua condição e da perda da causticidade privilegiada que a cegueira jogara-lhe no colo. Ao fazer-se portadora da boa nova – a gravidez do final do livro – apaga literalmente o diálogo com Vieira e com a condição de excluído que o Padre alcançara na Bahia.</p>
<p>Os elementos estão todos dispostos na narrativa. A primeira viagem que empreende à Bahia se dá a partir de um amor arrebatador por Antônio, que lhe causará a cegueira quando tenta proteger o amante de um tiro. A confluência de um Ântônio por outro não chega a constituir um elemento narrativo de realce posto que o contraste se indetermina em uma causa óbvia.</p>
<p>Na segunda viagem apreendida à Bahia, Clara desce na cidade acompanhada de Sebastião, amigo por quem tem amizade e que lhe devota uma paixão tão arrebatadora quanto idealizada. A escolha do nome Sebastião está intrinsecamente ligado ao Rei menino que morre em Alcácer-Quibir e me parece que Inês Pedrosa busca realçar este fato, tanto na esterilidade deste amor quanto no anacronismo que o amor idealizado representa. A partir desta condenação amorosa esperava-se que <em>A eternidade e o desejo</em><strong> </strong>buscasse definir o amor em termos libertários.</p>
<p>Clara, a partir do contato com uma mãe-de-santo, se envolve com um cineasta local que vai revelar a ela os segredos do amor. A reveleção, entretanto, mais causa pavor do que arrebatamento. Explica-se: Ao resolver romper com seu passado português, a narradora cai nas armadilhas do amor satisfeito, bem arumado e consolador, através do estancamento da aventura, isto é, da gravidez que denuncia a auto complacência da narradora e o nosso pavor.</p>
<p>Vítimas da mistificação, as narrativas sobre a cidade da Bahia, a de Ana Miranda, a de Inês Pedrosa ou a de seu Grão Senhor, desde logo colocam um problema para a formulação do literário – quando se querem realistas não dão contam do que é o fictício, pois afirmam-se sobretudo por uma visada sociológica e não ficcional; quando se querem fantasiosas, ou fantásticas, não dão conta do ficcional por estarem presas à mitificação da geografia narrativa, que é uma outra forma de dar conta da realidade ou mesmo de provocar no leitor o gosto pela mesmice.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/20/variacao-para-a-mesmice/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Bem do Mar</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/17/o-bem-do-mar/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/17/o-bem-do-mar/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 14:11:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9679</guid>
		<description><![CDATA[Estreou no Teatro do Leblon, sala Fernanda Montenegro, Rio de Janeiro, neste último dia 15, o musical “O Bem do Mar”, com direção de Antonio De Bonis. São 14 atores em cena e 7 músicos interpretando 68 músicas de Dorival Caymmi. Em “O Bem do Mar”, procura-se levar ao palco elementos das letras de Caymmi, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estreou no Teatro do Leblon, sala Fernanda Montenegro, Rio de Janeiro, neste último dia 15, o musical “O Bem do Mar”, com direção de Antonio De Bonis. São 14 atores em cena e 7 músicos interpretando 68 músicas de Dorival Caymmi.</p>
<p>Em “O Bem do Mar”, procura-se levar ao palco elementos das letras de <a title="Dorival Caymmi" href="http://www.dorivalcaymmi.com.br/" target="_blank">Caymmi</a>, compondo cenas tipicamente baianas e mostrando com competência a cultura brasileira cantada por Dorival, em que o cotidiano servia de inspiração para as suas composições, retratando tudo com simplicidade e talento bem peculiares.</p>
<p>São 120 minutos de espetáculo, com 10 minutos de intervalo. Ao que deram a denominação de Bloco I – Lembranças, se comparado aos demais blocos, não é muito convidativo. Porém, nas outras partes (Bloco II – Copacabana By Night, Anos 50 e Bloco III – Histórias de Pescadores), o espetáculo melhora consideravelmente.</p>
<p>As músicas, muitas vezes compondo um pout-pourri, são bem interpretadas, a movimentação no palco também é interessante e, tranqüilamente, nos transportam para a Bahia de Dorival Caymmi. Destaco o bom jogo de luzes e os probleminhas no áudio, que, provavelmente, serão corrigidos para as próximas apresentações.</p>
<p>Os atores cantam e dançam bem. Algumas vozes, inclusive, são graciosas e há partes muito boas do musical que, com certeza, se destacam. De modo geral, não é um espetáculo impecável, mas realiza bem a proposta.  </p>
<p>Bom. Um bom espetáculo. Tudo dentro do esperado, mas nada de surpreendente.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Músicas: Dorival Caymmi                                 </p>
<p>Concepção e Direção: Antonio De Bonis</p>
<p>Roteiro: Antonio De Bonis e Douglas Dwight</p>
<p>Direção Musical e Arranjos Vocais: Ricardo Rente </p>
<p>Elenco: Ana Velloso; Dandara Mariana; Daúde; Dério Chagas; Fábio Ventura; Fael Mondego; Flavia Santana; Gabriel Tavares; Izabella Bicalho; Lilian Valeska; Marcelo Capobiango; Marcelo Vianna; Patrícia Costa e Thiago Thomé.<strong> </strong></p>
<p>Músicos:<strong> </strong>Alfredo Machado, violão; Rodrigo Villa, contrabaixo; Fernando Pereira, bateria; Firmino, percussão; Flávia Chagas, violoncelo; Luiz Flavio Alcofra, violão e Ricardo Rente, sopros.</p>
<p>Temporada: até 20 de dezembro.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/17/o-bem-do-mar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Luiz Aquila</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/16/luiz-aquila/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/16/luiz-aquila/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2009 19:44:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9672</guid>
		<description><![CDATA[Você dá um pio sobre uma obra de arte e danou-se. Ela vira ilustração da tua tese. Comentário. Exemplo. Testemunha e confirmação da tua genialidade. É um inferno. Mas como sei que você nem pensa em entrar em uma galeria, e porque sei que você está perdendo paca com isso, lá vai. O Aquila. E, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Você dá um pio sobre uma obra de arte e danou-se. Ela vira ilustração da tua tese. Comentário. Exemplo. Testemunha e confirmação da tua genialidade. É um inferno. Mas como sei que você nem pensa em entrar em uma galeria, e porque sei que você está perdendo paca com isso, lá vai.</p>
<p>O Aquila.</p>
<p>E, bem, caso você entre, é na Valu Oria Galeria de Arte, Alameda Casa Branca 1130, São Paulo.</p>
<p><a title="Luiz Aquila" href="http://www.luizaquila.com.br/">Luiz Aquila</a> fala, ahn, não fala justamente. Você deve conhecer identidade fluida, plasticidade &amp; presentificação. Se não conhece, tudo bem. Eu explico: é assim mais ou menos como você se sente, em uma adaptabilidade tão rápida que nem mesmo dá para saber, ao final do dia, quem mesmo você é. Explicando melhor ainda, com a ajuda do Zeca Pagodinho: você deixa a vida te levar.</p>
<p>Aquila deixa a cor se levar. Mas não é tão simples (nunca é). Para dar uma ideia, você é o azul do detalhe de <em>A Pintura, o vermelho, e suas linhas</em>.</p>
<p>Acho que vou por partes. De repente fica mais fácil, mesmo sabendo que ir por partes é justamente o que Aquila não faz, justamente essa sua posição, ou o ponto que coloca em discussão: uma identidade atual, de fluidez, mas integrada. Não sou tão boa quanto ele. E vou por partes. Ou por obras.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627b.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9676" title="A Pintura e o círculo" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627b-80x57.jpg" alt="A Pintura e o círculo" width="80" height="57" /></a>     <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627d.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9674" title="A Pintura e o quadro azul" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627d-80x56.jpg" alt="A Pintura e o quadro azul" width="80" height="56" /></a></p>
<p>Em algumas delas há linhas feitas com uma ponta seca por cima dos campos de cor. É um caminho feito, portanto, a posteriori da caminhada, é a racionalidade como algo aposto à vida que corre. Uma significação de &#8216;depois&#8217;. É o que estou fazendo aqui: pondo linhas mentais sobre a unicidade intangível da obra dele.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627a.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9677" title="A Pintura,o vermelho, e suas linhas (detalhe)" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627a-80x60.jpg" alt="A Pintura,o vermelho, e suas linhas (detalhe)" width="80" height="60" /></a>Outra coisa. Em algumas das obras, o que vem por cima, o último campo a ser pintado, é o campo do branco. Ele então, depois de falar-sem-falar as suas cores, cria o vazio, o silêncio, que ele descobre como necessário para que eu o entenda. Porque as obras, com suas palavras mudas, só pode ser escutada através desse silêncio. Uma delas, então, <em>A Pintura, o vermelho e suas linhas</em>, é a mais impressionante. As cores vem rolando, rolando, existindo, e acabam no branco, que é o que fica mais perto de mim, que é o que permite que eu, agora um pouco distante, as veja. <em>A Pintura e suas voltas</em> também tem disso. Um branco posterior, para que o resto signifique. Então, em um pedaço dentro da obra está um índice do que toda ela faz. Porque ela nos fala mudamente, sem palavras. Um lance à la <a title="Maurice Merleau-Ponty" href="http://plato.stanford.edu/entries/merleau-ponty/" target="_blank">Merleau-Ponty</a>: nosso contato com as obras de arte se dão quando as coisas ainda não são coisas ditas, ainda sem as palavras.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627e.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9673" title="Nós. A grega e o vermelho" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627e-80x47.jpg" alt="Nós. A grega e o vermelho" width="80" height="47" /></a>Há uma obra diferente das outras. É a<em> Nós &#8211; a grega e o vermelho</em>. Foi começada em 1989 e retomada agora, em 2009. Vai ver é por isso. Tem uma colagem num cantinho, que era uma expansão de campo usual nas obras anteriores do artista. Mas não é nem isso que faz com que seja única. Aqui está presente a guerra modernista com as leis, regras, limites e outras rigidezas. O retângulo do quadro é repetido dentro dele. A velha estratégia do século que findou de se apropriar do que lhe parece invencível. Um dizer: a racionalidade, ou lei, é minha. Não me submeto a ela na medida que a imponho É também o único quadro de cores sombrias. O resto todo uma explosão de amarelos, laranjas e vermelhos. O engraçado é que essa margem repetida do lado de dentro é reconhecida como margem, como limite necessário, a duras penas. E mais uma vez a posteriori. Pois o pincel preto que a forma cobre uma pintura anterior, cujos acúmulos de tinta ainda se vêem por baixo dessa camisa de força.</p>
<p>O título das obras sempre traz a palavra Pintura em caixa alta. Está certo. É isso mesmo. Pois aqui, a Pintura é o nome próprio de um sujeito. A obra é sujeito, ela conversa com você. E ao fazer isso, te transforma também em outro sujeito. Como são poucas as oportunidades atuais de você se sentir sujeito, o diálogo é precioso.</p>
<p>Há outra obra em que a margem quase aparece. Recortada, problematizada, a franja de <em>A Pintura com acontecimentos recentes</em> está quase toda coberta por formas orgânicas (sexuais femininas?).</p>
<p>Esse pintar por cima, essa temporalidade quase narrativa, só é possível em algo que se reconhece como sujeito porque acolhe sua historicidade, sua diacronia. <em>A Pintura e a neve vermelha</em> são duas. Há uma pintura anterior, coberta por uma textura irregular de pingos vermelhos, e há uma segunda pintura. Um &#8216;depois&#8217;. Na verdade são mais do que duas, são muitas. Elas vão chegando perto de você. Uma das últimas é, outra vez, um campo branco. O silêncio. Necessário.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627c.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9675" title="A Pintura e os novos devaneios" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0627c-80x38.jpg" alt="A Pintura e os novos devaneios" width="80" height="38" /></a>Em <em>A Pintura e o quadro ali</em> &#8211; e em <em>A Pintura e os novos devaneios</em> &#8211; há uma mesma forma geracional, como um núcleo que se expande. Na primeira delas, essa expansão da pintura, a apresentação da pintura como algo fluido que não para, inclui a presença de um esboço feito a carvão ou linha escura de tinta, por cima de tudo. Como se não fosse possível terminar nada. E não é mesmo.</p>
<p>Não de graça tem um poema do <a title="João Cabral de Mello Neto" href="http://www.releituras.com/joaocabral_menu.asp" target="_blank">João Cabral de Mello Neto</a> na parede. Chama-se <em>Lição de Pintura</em>:</p>
<p style="padding-left: 60px;">Quadro nenhum está acabado,</p>
<p style="padding-left: 60px;">disse certo pintor;</p>
<p style="padding-left: 60px;">se pode sem fim continuá-lo,</p>
<p style="padding-left: 60px;">primeiro, ao além de outro quadro</p>
<p style="padding-left: 60px;">que, feito a partir de tal forma,</p>
<p style="padding-left: 60px;">tem na tela, oculta, uma porta</p>
<p style="padding-left: 60px;">que dá a um corredor</p>
<p style="padding-left: 60px;">que leva a outra e muitas outras.</p>
<p><a title="Francisco Goya" href="http://www.artchive.com/artchive/G/goya.html" target="_blank">Goya</a> tinha uma nostalgia da racionalidade. Seus monstros são sua visão apavorada do que seria o mundo fora da razão. Aquila não tem essa nostalgia nem abandona a razão. Apenas arranjou outro caminho.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/16/luiz-aquila/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>O Milagre do Santinho Desconfiado (nota)</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/15/o-milagre-do-santinho-desconfiado-nota/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/15/o-milagre-do-santinho-desconfiado-nota/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 11:15:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aguarrás, editoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9669</guid>
		<description><![CDATA[A diretora Lucia Coelho comemora 40 anos dedicados ao teatro infantil com a estreia do premiado texto &#8220;O Milagre do Santinho Desconfiado&#8221; de Marília Gama Monteiro. ESTREIA: dia 24 de outubro (sábado), às 16h30 LOCAL: CENTRO DE REFERÊNCIA CULTURA INFÂNCIA/TEATRO MUNICIPAL DO JOCKEY Rua Mário Ribeiro, 410 / Gávea &#8211; entrada de automóveis (estacionamento gratuito) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A diretora Lucia Coelho comemora 40 anos dedicados ao teatro infantil com a estreia do premiado texto &#8220;<em>O Milagre do Santinho Desconfiado</em>&#8221; de Marília Gama Monteiro.</p>
<p>ESTREIA: dia 24 de outubro (sábado), às 16h30</p>
<p>LOCAL: CENTRO DE REFERÊNCIA CULTURA INFÂNCIA/TEATRO MUNICIPAL DO JOCKEY</p>
<p>Rua Mário Ribeiro, 410 / Gávea &#8211; entrada de automóveis (estacionamento gratuito)</p>
<p>Rua Bartolomeu Mitre, 1110 / Gávea &#8211; entrada de pedestres</p>
<p>Tel: 21 2540.9853</p>
<p>HORÁRIOS: sábado e domingo, às 16h30</p>
<p>DURAÇÃO: 55 min</p>
<p>INGRESSOS: R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 (meia entrada)</p>
<p>CAPACIDADE: 150 espectadores</p>
<p>CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: livre, indicada para a partir de 05 anos</p>
<p>TEMPORADA: até 29 de novembro</p>
<p>O Milagre do Santinho Desconfiado, espetáculo infantil com texto de Marília Gama Monteiro, estréia dia 24 de outubro próximo no Teatro Municipal do Jockey. A direção é da “mestra” Lucia Coelho (comemorando 40 anos dedicados ao teatro infantil), que estará também em cena, ao lado de Marcelo Dias (Prêmio Zilka Salaberry de Melhor Ator de teatro para crianças em 2007 com O Ovo de Colombo, encenado também por Lúcia Coelho), Severa de Brito, André Costa e Pedro Maia.</p>
<p>Este texto foi vencedor do Concurso Nacional de Dramaturgia do então Serviço Nacional de Teatro / SNT (atual Funarte) em 1970. Com uma dramaturgia construída em versos, O Milagre do Santinho Desconfiado revive um momento marcante da história do Brasil: a abolição da escravatura.</p>
<p>SINOPSE</p>
<p>A peça fala da escravidão e dos anseios abolicionistas através do encontro de dois personagens: um menino negro, escravo, e um menino branco, o abolicionista Euzébio de Queiroz quando criança.</p>
<p>Quem conta a história é Pai João, preto velho, narrador/testemunha do período da escravidão no Brasil. Ele é uma alegoria do negro sofredor e humilde, o “escravo que não é gente, mas que espera a sua redenção como se fosse um milagre do seu santo de fé”.</p>
<p>A história é contada em flashback, com texto enxuto e narração rítmica – sua dramaturgia é construída em versos. A história é contada através de esquetes, como uma história em quadrinhos. O quadro final, com a presença da princesa Isabel, que decreta a lei Áurea, representa o milagre maior de pai João: a princesa, como um rei medieval, o nomeia “gente”.</p>
<p>A MONTAGEM – ENCONTRO DE LINGUAGENS</p>
<p>A peça começa com uma brincadeira proposta às crianças da platéia, quando todas são convidados a confeccionar barquinhos de papel – estes barquinhos serão direcionados para um agitado mar azul de pano, representando as centenas de navios negreiros que traziam os escravos para o Brasil.</p>
<p>Além do trabalho dos atores e da música especialmente composta por Marcelo Alonso Neves, a diretora lança mão de diferentes linguagens para contar esta história &#8211; o teatro de sombras, o teatro de bonecos e o teatro de brinquedo. O primeiro entra em cena mostrando os mistérios da floresta e seus animais, e os navios em travessia pelo mar. O teatro de brinquedo, montado diante do público, é formado por personagens de papel que, manipulados pelos atores, tomam o seu lugar durante parte da narrativa.</p>
<p>E a peça segue envolvendo a plateia numa onírica viagem de luzes, cores e muita música. Os quadros de Debret foram inspiração para a escolha das cores e criação das cenas da peça.</p>
<p>A preparação vocal dos atores é de Jorge Maia, os bonecos são de Michel Sousa e Juliana Werneck, a luz é de Jorginho de Carvalho, e cenário e figurino são de Carlos Alberto Nunes.</p>
<p>FICHA TÉCNICA</p>
<p>TEXTO: Marília Gama Monteiro</p>
<p>DIREÇAO: Lucia Coelho</p>
<p>ELENCO: GRUPO NAVEGANDO</p>
<p style="padding-left: 30px;">Lúcia Coelho (Mãe preta)</p>
<p style="padding-left: 30px;">Marcelo Dias (Pai João – o ator foi eleito o Melhor Ator e ganhou o Prêmio Zilka Salaberry de teatro para crianças em 2007 com O Ovo de Colombo, encenado por</p>
<p style="padding-left: 30px;">Lúcia Coelho)</p>
<p style="padding-left: 30px;">Severa de Brito (Mãe Branca)</p>
<p style="padding-left: 30px;">André Costa (Zezé)</p>
<p style="padding-left: 30px;">apresentando Pedro Maia (João/Tição)</p>
<p>CENÁRIO E FIGURINO: Carlos Alberto Nunes</p>
<p>ADEREÇOS E PINTURA DE ARTE: Nilton Katayama e Thieny Katayama</p>
<p>ASSESSORIA TEATRO DE SOMBRAS: Magda Modesto</p>
<p>MÚSICA: Marcelo Alonso Neves</p>
<p>BONECOS: Michel Sousa e Juliana Werneck</p>
<p>ILUMINAÇÃO: Jorginho de Carvalho</p>
<p>ASSESSORIA DE BONECOS: Magda Modesto</p>
<p>PREPARAÇÃO DE VOZ: Jorge Maia</p>
<p>PREPARAÇÃO DE CORPO: Marcelo Dias</p>
<p>FOTOGRAFIA: Mário Grisolli</p>
<p>PRODUÇÃO: Lucia Coelho, Marcelo Dias e Heloiza Quaresma</p>
<p>DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Lena Brasil</p>
<p>ASSESSORIA DE IMPRENSA: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/15/o-milagre-do-santinho-desconfiado-nota/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Marco Paulo Rolla</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/14/marco-paulo-rolla-2/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/14/marco-paulo-rolla-2/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2009 15:14:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9664</guid>
		<description><![CDATA[Baudelaire andava por aí no final de um século dos mais passados e dizia que a vida era isso. E por &#8220;isso&#8221; ele entendia Paris no iluminismo &#8211; e não é à toa que iluminismo se chama iluminismo. Com suas novas ruas tão retas, e iluminadas, em que se misturavam gente de todas as espécies, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Charles Baudelaire" href="http://books.google.com.br/books?id=ad5Y5bDJVf8C&amp;dq=Baudelaire&amp;printsec=frontcover&amp;source=bl&amp;ots=NPhB1CEyfb&amp;sig=f4gAkNsOsi6SSXQq29aHIvGrf6Q&amp;hl=pt-BR&amp;ei=FerVSryeA9CYlAew6pmcCQ&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=16&amp;ved=0CDwQ6AEwDw#v=onepage&amp;q=&amp;f=false" target="_blank">Baudelaire</a> andava por aí no final de um século dos mais passados e dizia que a vida era isso. E por &#8220;isso&#8221; ele entendia Paris no iluminismo &#8211; e não é à toa que iluminismo se chama iluminismo. Com suas novas ruas tão retas, e iluminadas, em que se misturavam gente de todas as espécies, é fácil entender que esse bebum, filho da alta burguesia, lá se sentisse muito bem. Junto com sua <a title="Jeanne Duval" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jeanne_Duval" target="_blank">Jeanne Duval</a>. Mulata, no less.</p>
<p>Em que pese seu <em><a title="Les Fleurs du mal" href="http://fleursdumal.org/" target="_blank">Flores do Mal</a></em> ser o que é e foi, Baudelaire não deixava de ser um exultante em relação ao meio ambiente. Paris, enfim, lhe parecia ótimo.</p>
<p>Não é o caso de <a title="Marco Paulo Rolla" href="http://marcopaulorolla.blogspot.com/" target="_blank">Marco Paulo Rolla</a>.</p>
<p>Já vi, na própria <a title="galeria Vermelho" href="http://www.galeriavermelho.com.br/" target="_blank">Vermelho</a>, mais coisas dele e sempre gosto. É dele uma mesa de piquenique das mais decadentes, mas cuidadosamente feita, inteira, de cerâmica. E era dele uma geladeira de vomitar, exposta outra vez na sua individual atual.</p>
<p>Rolla flana pelo urbano e o que o atrai não é o novo. É o velho.</p>
<p>Não falo só do tema, ao qual volto em um instante. Falo também da técnica. Pois Rolla faz óleos enormes, pincelada por pincelada. Figurativos. Sombreamento. Profundidade.</p>
<p>Detalhinhos.</p>
<p>Mas vamos ao tema.</p>
<p><em>&#8220;Ces êtres</em> (Baudelaire está falando, aqui, no seu <em>Le Peintre de la vie moderne</em>, da figura do dândi)<em> n&#8217;ont pas d&#8217;autre état que de cultiver l&#8217;idée du beau dans leur personne, de satisfaire leurs passions, de sentir et de penser&#8221;.</em></p>
<p>O que é mais ou menos o que todos nós, até hoje, queremos da vida, principalmente se formos artistas. Na ideia de beleza é onde nos separamos.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0626b.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9667" title="Marco Paulo Rolla – A noite – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0626b-80x122.jpg" alt="Marco Paulo Rolla – A noite – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="122" /></a>  <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0626a.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9666" title="Marco Paulo Rolla – Bagagem – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0626a-80x49.jpg" alt="Marco Paulo Rolla – Bagagem – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="49" /></a>    <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0626c.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9665" title="Marco Paulo Rolla – Cansei da Philips – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/divjorn0626c-80x95.jpg" alt="Marco Paulo Rolla – Cansei da Philips – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="95" /></a>   </p>
<p>O tema – e a beleza – dessa exposição fica em ruas nem um pouco retas, nem um pouco iluminadas. Trata-se do acúmulo de objetos sempre renovados, sempre em vias da obsolescência ou não-funcionamento, aí incluídos, nessa lista de objetos, as pessoas. Em <em>Bagagem</em>, uma mulher cheia de dentes, predadora, tenta fechar uma mala abarrotada. <em>A noite</em> são duas mulheres e um cara, e as duas mulheres, sendo duas, já apontam para o excesso, a repetição. Em <em>Cansei da Philips</em> destruimos uma televisão, revolta das mais inúteis.</p>
<p>Há humor sem parar. <em>Problemas de memória</em>, com todos em volta de um computador, em um ambiente de ciber café, deixa no ar a dúvida de que memória se trata. Essa pintura faz eco com outras obras. Ao lado está uma máquina antiga, Remington, com um papel em que foi datilografada a frase “aqui atônito” várias vezes, cheia de erros. Quem datilografa são duas mãos feitas em pedra sabão. Mal feitas. Não terminadas. Em <em>Memória afetiva</em>, cabeças de plástico transparente deixam ver o que tem dentro: desenhinhos de objetos, só de objetos. A instalação sonora <em>Enganos</em> é a sequência de ruídos que marca ligações mal sucedidas com seus “alôs”, seus ruídos de fundo e o clique de desligar do aparelho. <em>Eu Desejo</em> dá até aflição, porque a tela do vídeo vai se enchendo de relógios, de celulares, uns por cima dos outros, cada vez mais rápido.</p>
<p>Rolla tem sua estratégia para impedir o sufocamento do indivíduo por objetos, todos eles novos, todos brilhantes, iluminados. Na parede está escrita uma de suas frases: <em>“Tudo me é lícito mas nem tudo me convence.”</em> Nessa sua não entrega, na desconfiança do último lançamento, ele vence Baudelaire que, inclusive, renegou a própria obra e tentou entrar na Academia Francesa (sem conseguir).</p>
<p>No encontro de significado, não na satisfação das paixões – como disse Baudelaire – mas, ao contrário, na saturação delas, Rolla se aproxima de outro poeta. De <a title="André Breton" href="http://www.culturabrasil.pro.br/breton.htm" target="_blank">André Breton</a>, que também gostava de flanar por Paris, só que alguns anos depois. Baudelaire pegou um final de século, Breton um começo. Em <em>Nadja</em>, Breton diz: <em>&#8220;Tout récemment encore, comme un dimanche, avec un ami, je m&#8217;étais rendu au marché aux puces de Saint-Ouen. J’y suis souvent, en quête des ces objets qu&#8217;on ne trouve nulle part ailleurs, démodés, fragmentés, inutilisables, presque incompréhensibles, pervers enfin au sens où je l&#8217;aime.&#8221;</em></p>
<p>É mais por aí. Talvez seja mesmo uma questão de fim de século e começo de século. Ou, dito de forma mais elegante: de perceber a energia revolucionária que só aparece no que está estragado ou velho, como em ambientes de muito uso, imagens antigas, ou em objetos que já começam a parecer extintos. Não é minha a frase, é de <a title="Walter Benjamin" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/A_Obra_de_Arte_na_era_de_sua_reprodutibilidade_t%C3%A9cnica" target="_blank">Walter Benjamin</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/14/marco-paulo-rolla-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Pedregulho (nota)</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/05/pedregulho-nota/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/05/pedregulho-nota/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 13:26:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aguarrás, editoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9661</guid>
		<description><![CDATA[Do dia 18 de Outubro de 2009 a 20 de Fevereiro de 2010, a CasaQuattro Comunicação, de Maria Baldan, vai reunir artistas plásticos, urbanistas, arquitetos, críticos, historiadores de arte e estética para a realização de quatro residências artísticas, grupos de estudos e mesa de debates no Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, mais conhecido como [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do dia 18 de Outubro de 2009 a 20 de Fevereiro de 2010, a <a title="CasaQuattro Comunicação" href="http://www.casaquattro.com.br/" target="_blank">CasaQuattro Comunicação</a>, de Maria Baldan, vai reunir artistas plásticos, urbanistas, arquitetos, críticos, historiadores de arte e estética para a realização de quatro residências artísticas, grupos de estudos e mesa de debates no Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, mais conhecido como <em>Pedregulho</em>, projetado pelo arquiteto <a title="Affonso Eduardo Reidy" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Afonso_Eduardo_Reidy" target="_blank">Affonso Eduardo Reidy</a>. Todas as ações serão direcionadas a comunidade local e sem custo. Entre os principais envolvidos estão Jarbas Lopes, Marisa Flórido César e a Associação Chiq da Silva. Dessa experiência sairá um livro com um conteúdo significativo sobre questões atuais na relação entre a arte e a comunidade e será distribuído para todo o Brasil.</p>
<p><strong>Pedregulho</strong></p>
<p>O projeto de residência artística Pedregulho consiste na realização de quatro residências artísticas com promoção de atividades junto à comunidade do Conjunto Habitacional Prefeito Mendes de Moraes (mais conhecido como Pedregulho) acompanhadas de profissionais das áreas de arquitetura, urbanismo, pesquisadores e/ou críticos de arte, história da arte e estética, e a elaboração de um livro com registros de todo o processo de vivência artística no complexo e seus desdobramentos.</p>
<p>Como instrumento de aproximação com o complexo e seus habitantes, a primeira fase do projeto será a realização de um Grupo de estudos aberto à comunidade, cujo objeto de observação será o projeto do Complexo, estudando-o a fundo em suas proposições ousadas, sua história e sua situação atual. O Grupo de estudos se reunirá ao longo de 2 dias consecutivos com carga horária estimada de 16 horas ao total, e deverão fazer parte todos os integrantes da Equipe do projeto (detalhada mais abaixo). Poderão ser chamados profissionais de arquitetura, urbanismo e áreas afins para integrarem o Grupo de estudos.</p>
<p>O que se pretende principalmente com a realização do projeto é lançar foco para a recuperação simbólica e estrutural deste edifício, símbolo de um período fundamental para a história política e cultural do país, a partir do qual traçamos vetores de problematização de questões culturais, sociais e econômicas, intrínsecas à utopia modernista.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/05/pedregulho-nota/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Uma inexistência existente ou variação para idéias naturalmente falsas</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/04/uma-inexistencia-existente-ou-variacao-para-ideias-naturalmente-falsas/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/04/uma-inexistencia-existente-ou-variacao-para-ideias-naturalmente-falsas/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 14:20:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswaldo Martins</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9657</guid>
		<description><![CDATA[Do novo livro de Dora Ribeiro, A teoria do jardim, extraem-se flores raras. O topus a que remonta o título é antigo na poesia universal. Desde a Priapeia, o jardim, como lugar poético, vem sendo tematizado. Se nele, afigura-se a poesia como espaço do utilitarismo, ao longo das construções dos jardins poéticos, a poesia utilitária [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Do novo livro de Dora Ribeiro, <em>A teoria do jardim</em>, extraem-se flores raras. O topus a que remonta o título é antigo na poesia universal. Desde a Priapeia, o jardim, como lugar poético, vem sendo tematizado. Se nele, afigura-se a poesia como espaço do utilitarismo, ao longo das construções dos jardins poéticos, a poesia utilitária cede lugar para outra forma de poesia que se escreve distanciada desta dicção. No século de ouro espanhol, fala-se de um jardim das delícias.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/teojdim.jpg"></a><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/teojdim.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9659" title="capa de A teoria do jardim, de Dora Ribeiro" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/10/teojdim-80x120.jpg" alt="capa de A teoria do jardim, de Dora Ribeiro" width="80" height="120" /></a>Se nestes jardins o poema afigura como apêndice de uma vontade ou de uma tópica; nos jardins de Dora, o poema se constrói como forma de reflexão sobre a linguagem, aliás, de uma teoria sobre e sob o jardim. Uma teoria que se define e é definida pelo pensar do jardim. A teoria só é válida quando interroga seu objeto e dele extrai não formulações específicas que possam ser aplicadas, mas é instrumento de pensamento no qual se debruçam os que vêem validade na percepção do ainda inconcebível, do ainda imperceptível, dos que permitem que se vislumbrem estruturas para dizer do mundo. Não seria demais afirmar que a formulação de uma teoria é a de um universo centrado tal qual como no poema.</p>
<p>Dora alia o poema e o pensar ingente sobre o mundo. Teoriza flores de jabuticaba, na bela dedicatória para Camila, que nos faz, com a ligeireza de quem não quer nada, adentrar nos portais da poesia e nos surpreender com as flores, outras flores, antes inexistentes, ali colhidas. Como sombra pesam as flores baudelaireanas. Como sombra, as maravilhas de Alice. As referências das sombras se cumprem para serem despedaçadas. Se, como em Baudelaire, se, como em Carrol, o pensar literário propõe lógicas obliteradas pelo senso comum, em Dora, este pensar determina um mergulho distanciado na concepção do poético contemporâneo.</p>
<p>Não é que ao fazer-se contemporânea, ao tomar a poesia como forma da sensibilidade do sujeito, a poeta o faça distanciando o sujeito das observações da sensibilidade imediata, que derivam do próprio sujeito. Esclareço. O sujeito que pensa a poesia de Dora Ribeiro é sempre um sujeito que se sujeita ao ritmo do fazer deslocado da ficção, isto é, é um não-sujeito sem deixar de autocentrar-se no eu. As marcas da pessoalidade se apagam, se desfazem ante a percepção de que aquele sujeito é um sujeito aquele e não este. Leia-se:</p>
<p style="padding-left: 30px;">os caminhos perseguem ideias</p>
<p style="padding-left: 30px;">naturalmente falsas</p>
<p style="padding-left: 30px;">arranjos do tempo</p>
<p style="padding-left: 30px;">obliqüidades e temperamentos</p>
<p>A obliqüidade, esse maravilhoso quase paradoxo, que se situa na “ideia naturalmente falsa” sob a perseguição de um caminho, permite que se perceba a força que o poema tornado ficção detona. Se são as idéias arranjos e temperamentos num ambiente – o da escrita – que se torna naturalmente falso – o lugar da descoberta da palavra é fabricado como uma inexistência existente, assim como o do sujeito que pensa nas relações entre o objeto e seu significado – é um lugar que, antes de existir, só existe na linguagem.</p>
<p>Neste sentido, o Jardim de Dora é antes de tudo uma teoria, isto é, existe para que exista essa possibilidade de jardim e não o jardim prévio no qual os poetas do passado plantaram suas flores referenciadas tanto para negá-las quanto para delas criarem as possibilidades de localizar sua geografia e envolvimento religioso, ou o jardim dos poetas mais próximos que o tomaram como lugar das delícias ou das tensões provocadas pelo mal-estar da civilização, que perde seu jardim e propõe flores negativas, usurpadas.</p>
<p>Sejam uns, sejam outros, o jardim sempre foi o espaço que derivou de uma geografia privada e pública. O que Dora, com sua teoria, busca alertar ao leitor é que os jardins pertencem à linguagem e como linguagem são lugares para que se ensaiem existências prováveis, possíveis ou ainda carentes da percepção na qual o olhar desta inexistente existência se fixa como um real que, entretanto, ainda não se fez – senão que como livro – como real.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/04/uma-inexistencia-existente-ou-variacao-para-ideias-naturalmente-falsas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Entrevista com Steve Berman</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/10/02/entrevista-com-steve-berman/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/10/02/entrevista-com-steve-berman/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2009 12:37:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9653</guid>
		<description><![CDATA[01. Para começar, gostaria que me ajudasse a definir a ficção especulativa gay. É a ficção especulativa com personagens gays ou são histórias gays com um toque de literatura fantástica? Pode-se argumentar que sejam ambas. A pergunta mais fácil é o que faz uma boa história de ficção especulativa gay. Os elementos fantásticos devem complementar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>01. Para começar, gostaria que me ajudasse a definir a ficção especulativa gay. É a ficção especulativa com personagens gays ou são histórias gays com um toque de literatura fantástica? </p>
<p>Pode-se argumentar que sejam ambas. A pergunta mais fácil é o que faz uma boa história de ficção especulativa gay. Os elementos fantásticos devem complementar os temas e personagens gays. É como na culinária – você não quer que um único ingrediente domine os outros. Ser gay é como ser o “forasteiro” – um papel que se encaixa em muitos protagonistas da literatura fantástica.</p>
<p>02. Como é o mercado para esse tipo de literatura no seu país? No Brasil, os personagens e amores gays existem, mas não chega a haver volume que marque o surgimento de um gênero, como me parece ser o caso em outros mercados. </p>
<p>Nos Estados Unidos, títulos com orientação gay ainda são um tanto quanto incomuns. Mais mulheres do que homens americanos lêem livros, então você pode observar um número crescente de livros que podem ter apelo além do público gay tradicional. Isso dito, acredito que um ótimo livro cria “ondas de público leitor” no mercado. Os círculos internos são o público-alvo do autor, mas os círculos externos são aqueles que ele nunca esperava. Vintage foi originalmente escrito para leitores adolescentes gays, mas eu sei que muitos adultos gays ou mulheres heterossexuais gostaram do livro.</p>
<p>03. Eu vejo em filmes gays um problema da repetição dos dilemas. Tem sempre alguém que briga com o melhor amigo ao descobrir a própria sexualidade, sofre preconceito da família, se apaixona pelo cara heterossexual da faculdade, tem dificuldade de adotar um filho, tem um amigo com AIDS. Às vezes, tudo isso no mesmo filme, em 1h30 de duração. Na literatura, você acha que a vida gay é tratada de forma mais ampla? </p>
<p>Eu acho que tem um movimento crescente nos livros para mostrar que ser gay não é sempre tão simples ou estereotipado quanto a grande mídia apresenta. Em Wilde Stories 2009, que eu editei, tem caras que estão saindo do armário aos 40 e se sentem perdidos em uma cultura tipicamente gay, detetives de homicídio que lidam com homofobia, e até personagens muçulmanos em um ambiente tipo mil e uma noites.</p>
<p>04. Em Vintage, seu protagonista é um jovem gay que tentou se suicidar. Foi difícil trabalhar a faceta psicológica do personagem? O terror ajuda nessas horas?   </p>
<p>A parte mais triste de trabalhar no Vintage envolveu a morte de um dos meus leitores beta – ele tinha apenas 14 anos e se enforcou no seu armário devido à depressão e a homofobia que enfrentava na escola. 14 anos de idade… foi uma tragédia que me afetou muito. Parte do narrador do livro é baseado nesse garoto.<br />
Acho que todos nós temos nossos períodos de pensamentos mais sombrios, de impulsos autodestrutivos, e eu tentei incorporar isso tudo e mostrar que desistir em face da depressão não é a resposta. </p>
<p>05. Fale um pouco da Ícarus Magazine. </p>
<p>Bem, eu realmente adoro ler boa ficção especulativa gay. Parecia ser o próximo passo para minha editora (Lethe Press / lethepressbooks.com) começar a publicar uma revista trimestral dedicada a essas histórias. O objetivo é ter alguma coisa especial, colorida e divertida para homens gays – e introduzi-los a um mundo com histórias que tem um toque do estranho e da fantasia. A edição mais recente, especial para Halloween, acabou de ser lançada. Onde mais você encontraria desenhos animados, histórias eróticas de vampiros, fofocas e um conto sobre a San Francisco do futuro?</p>
<p>Adoraria ver alguns autores brasileiros enviando trabalhos – no momento tem um foco mais americano, mas gostaria de ler um conto fantástico ambientado no Carnaval.</p>
<p>06. Para quem quer conhecer a atual produção de Fantasia Urbana Gay ou mesmo Fantasia Urbana, quais nomes você indica? </p>
<p>Alguns dos meus autores favoritos são Holly Black, Cassandra Clare, Ellen Kushner, e Lee Thomas. Todos têm conteúdo gay, em proporções variadas, e suas histórias são cativantes e cheias de vida.</p>
<p>English version:</p>
<p>01. For starters, I’d like you to help me define gay speculative fiction. Is it speculative fiction with gay characters or are they gay stories with a touch of fantasy literature?</p>
<p>SB:  Arguably, both. The easier question is what makes a good gay spec fic story. The fantastical elements should compliment the gay themes and characters. It’s much like creating cuisine – you don’t want any single ingredient to overpower the others. Being gay is akin to being the “outsider” – a role that befalls many protagonists in fantastic literature.</p>
<p>02. In Brazil, gay characters and Love stories exist, but there is not enough volume to mark the appearance of a subgenre, like it seems to be the case for other markets. What is the market for this ‘genre’ of literature in your country?</p>
<p>SB:  In the United States, gay-oriented titles are still rather uncommon. More American women than men read books, so you are seeing a growing number of titles that can appeal beyond the usual gay readership. That said, I think a great book creates “ripples of readership” within the marketplace; the inner circles are an author’s intended readers, but the outer rings are ones he never expected. Vintage originally written for gay teenage readers, but I know many gay adult or straight females who have enjoyed the book. </p>
<p>03. I see in gay films a problem of repetition of dilemmas. There is always somebody who fights with their best friend when discovering their own sexuality, suffers from prejudice in the family, falls for the straight guy in collage, has a friend who is HIV positive. Sometimes all the problems in the same package, in 1 hour and a half. In literature, do you think gay life is handled more broadly?</p>
<p>SB:  I think there is a growing movement in books to portray being gay is not always as simple or stereotyped as mass media presents. In Wilde Stories 2009, which I edited, there are guys who are coming out at age 40 and feel lost in typical gay culture, homicide detectives who deal with homophobia, and even Muslim characters in an Arabian Nights milieu. </p>
<p>04. In Vintage, your main character is a gay youngster who attempted suicide. Was it hard to work on the psychological aspect of the character? Does the horror element help you?</p>
<p>SB:  The saddest part of working on Vintage involved the death of one of my draft readers—he was only 14 years old and hung himself in his closet due to depression and experiencing homophobia at school. 14 years old… it was a tragedy that affected me greatly. Some of the book’s narrator is based on this boy.<br />
I think we all have periods of dark thoughts, of self-destructive impulses, and I tried to incorporate these and show that giving in to depression is not the answer.</p>
<p>05. Talk a little about Icarus your new magazine. </p>
<p>SB:  Well, I do love reading good gay speculative fiction. It just seemed like the next evolution for my press (Lethe Press / lethepressbooks.com) to start publishing a quarterly magazine devoted to such tales. The goal is to have something special, colorful, and fun for gay men—and introduce them to stories that feature a bit of weirdness and whimsy. The newest issue, special for Halloween, just released. Where else will you find cartoons, vampire erotica, gossip, and a tale about San Francisco in the future. </p>
<p>I would love to see some Brazilian authors submit their work—right now it’s about American-centric, but I’d love to read a fantastic tale set during Carnivale. </p>
<p>06. For those who want to learn more about what is currently produced in Urban Gay Fantasy or even Urban Fantasy, which names would you recommend to get started?</p>
<p>SB:  Some of my favorite authors are Holly Black, Cassandra Clare, Ellen Kushner, and Lee Thomas. They all have gay content, of differing amounts, and their stories are captivating and vivid. </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/10/02/entrevista-com-steve-berman/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Alicia de Larrocha (nota)</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/09/30/alicia-de-larrocha-nota/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/09/30/alicia-de-larrocha-nota/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 21:55:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Taam</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9650</guid>
		<description><![CDATA[Faleceu dia 26/09/2009 uma das maiores artistas de todos os tempos, Alicia de Larrocha, sobre quem já escrevi aqui. Alicia foi uma das maiores artistas do século XX e começo do século XXI, seu repertório se entendia desde Scarlatti até Rachmaninov, embora sua mãozinha não se estendesse por mais do que uma oitava. Dona de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Faleceu dia 26/09/2009 uma das maiores artistas de todos os tempos, <a title="Alicia de Larrocha" href="Alicia de Larrocha" target="_blank">Alicia de Larrocha</a>, sobre quem já escrevi aqui.</p>
<p>Alicia foi uma das maiores artistas do século XX e começo do século XXI, seu repertório se entendia desde Scarlatti até Rachmaninov, embora sua mãozinha não se estendesse por mais do que uma oitava. Dona de um timbre único e inconfundível, agudos brilhantes e baixos poderosos, Alicia tinha pleno domínio do instrumento e uma personalidade musical que, embora fosse inventiva e rica, nunca perdia o senso de estilo ou a diferenciação das escolas estéticas. Scarlatti é Scarlatti, Mozart é Mozart, Chopin é Chopin e Rachmaninov é Rachmaninov.</p>
<div class="mceTemp" style="text-align: center;">
<dl id="attachment_9651" class="wp-caption alignnone" style="text-align: center; width: 330px;">
<dt class="wp-caption-dt"><img class="size-full wp-image-9651" title="Arrau, Horowitz &amp; de Larrocha" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/larrocha.jpg" alt="Arrau, Horowitz &amp; de Larrocha" width="320" height="272" /></dt>
<dd class="wp-caption-dd">Arrau, Horowitz &amp; de Larrocha</dd>
</dl>
</div>
<p>Ao mesmo tempo era uma pessoa humilde, discreta e amável. Em uma entrevista de 1995, o repórter do New York Times conta que ela abafou o piano para não incomodar os vizinhos:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><a title="fonte" href="http://www.nytimes.com/1995/11/23/garden/at-home-with-alicia-de-larrocha-a-pianissimo-star.html" target="_blank"><em>“Several thick rolls have been hidden beneath the sounding board of her Steinway grand &#8212; out of sight, but they do the job. I do not want to disturb the neighbors,&#8221; she said midway through a recent interview. Inspecting the old-fashioned coarse-hair material, she added: &#8220;I didn&#8217;t want them to complain. The very first day, a friend of mine put the stuff under the piano. </em><em>I can practice very comfortably.&#8221; </em></a></p>
<p>Não há palavras para expressar essa perda. Tudo o que podemos é ouvir e nos maravilhar com o imenso legado que a Alicia nos deixou.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/09/30/alicia-de-larrocha-nota/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Gavira</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/09/25/gavira/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/09/25/gavira/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 17:32:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9645</guid>
		<description><![CDATA[Vejo arte contemporânea como uma oportunidade de discussão, de pensamento. A única oportunidade. Não há mais fóruns públicos que se lhe assemelhem. Uma galeria aberta, ou museu, e você pensa o mundo. Houve épocas mais propagandísticas. Épocas em que a arte seguia mais de perto uma finalidade. A apelação emocional da contrarreforma, no barroco. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vejo arte contemporânea como uma oportunidade de discussão, de pensamento. A única oportunidade. Não há mais fóruns públicos que se lhe assemelhem. Uma galeria aberta, ou museu, e você pensa o mundo. Houve épocas mais propagandísticas. Épocas em que a arte seguia mais de perto uma finalidade. A apelação emocional da contrarreforma, no barroco. O canto do cisne da afirmação masculina, no modernismo. Hoje não. Todas as outras imagens, hoje, seguem um roteiro rígido. Existem para que o capitalismo as venda, no lugar de objetos a cada dia mais transitórios. Você compra então vários objetos em busca da materialização de apenas uma imagem. A que você quer “ser”. Todas elas têm essa função. As da arte contemporânea não. Estão lá para te fazer pensar. Não são necessariamente bonitas, não necessariamente te seduzem. Ou sequer duram.</p>
<p>O convite trazia a imagem de um pedaço de madeira velha e um encaixe de metal a ela acoplado. O título da exposição era <em>Uniões e engates</em>. O artista eu não conhecia: <a title="Admir Belmonte Gavira" href="http://www.gavira.art.br/" target="_blank">Gavira</a> (Admir Belmonte Gavira). Nem a galeria: Joh Mabe.</p>
<p>E eu estava mesmo pensando que fim havia levado a nostalgia.</p>
<p>Na parede estava escrito uma frase do artista: “&#8230; mergulhei com certa determinação nas vãs regiões dos sonhos, voltavam as imagens dos engates de trens e do maquinista&#8230;”</p>
<p>Estamos em época de transição. Isso na melhor das hipóteses, pois pode ser de fim mesmo. Ou de mutação, a se acreditar na enxurrada de seres híbridos com que uma novíssima literatura tentaria nos acostumar ao que há de vir. E nostalgia é, historicamente, uma das estratégias para lidar com épocas assim.</p>
<p>Você desloca e concentra alguns ícones – inventados ou históricos, tanto faz. E o faz de modo a ressaltar isso ou aquilo, o que for preciso, contanto que sirva a uma reconciliação de polaridades com o presente. Um presente igualmente icônico, mal entendido e apavorante, como em geral os presentes e pior ainda quando se trata de presente de transição/mutação/fim.</p>
<p>Gavira investe na nostalgia em suas peças híbridas. E reconcilia a polaridade a que me refiro pondo ambas “metades” igualmente em um passado, embora um sendo mais passado do que outro.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0625a.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9648" title="Casal: Enlace -  Gavira @ Joh Mabe – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0625a-80x131.jpg" alt="Casal: Enlace -  Gavira @ Joh Mabe – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="131" /></a>   <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0625b.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9647" title="Engate -  Gavira @ Joh Mabe – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0625b-80x124.jpg" alt="Engate -  Gavira @ Joh Mabe – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="124" /></a>    <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0625c.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9646" title="Casal: Resina -  Gavira @ Joh Mabe – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0625c-80x113.jpg" alt="Casal: Resina -  Gavira @ Joh Mabe – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="113" /></a></p>
<p>A madeira velha, carcomida e “natural” se contrapõe à elaboração industrial, moderna e brilhante dos engates de trem. Mas trem também é passado, embora menos passado que a imemorialidade de um pedaço velho de madeira. É essa a estratégia apresentada para aguentar um presente feito de passados diversos, um deles sempre ocorrido apenas um nanossegundo atrás. Os objetos têm um verbo, uma ação, que vem do passado. Um gerúndio do tipo estão fazendo, estão sendo, estão agindo. Desde há muito tempo. A nostalgia aqui tem três movimentos claros. As obras 1) vêm do passado (ferragens de trens e madeiras velhas), no entanto; 2) são novas (o metal brilha, a madeira foi limpa e há um pedestal para estabelecer a entrada nobre, voluntária, proposital, desse passado no ambiente presente) e; 3) se chamam Engate de um trem imaginário. O engate é real. O trem é que é imaginário e que pode ser qualquer um, de qualquer época e nome.</p>
<p>Na escolha dos material não-representativos de nada, mas eles próprios, lá, concretos, Gavira faz uma arte auto-referenciada. Mais do que trens e madeiras, é a arte e sua função de pensar mudanças através de materiais não modificados (ou pouco modificados), eis o assunto dessa discussão-exposição. Mais do que uma ligação com o passado, a nostalgia aqui é uma explicitação do nada para engatar, do não-espaço em que estamos. No presente.</p>
<p>Na frase do artista que citei acima, ele fala de sua volta ao tema. As datas das peças confirmam. Há Engates mais antigos, de 2003, e há os novos, de 2009.</p>
<p>Entre uns e outros há outras peças, de bronze ou resina vermelha, que representam casais. Dessas gostei menos. Achei boa, portanto, essa volta a engates não amorosos, não óbvios. Na frase que citei, o artista fala também de um maquinista. Um personagem, portanto, que conduz o trem, uma individualidade determinada, não problematizada. E, no entanto, ausente na materialização das obras. Aí eu já entraria em outro assunto – o da autoria. Fica para outra vez.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/09/25/gavira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>No teu deserto</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/09/24/no-teu-deserto/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/09/24/no-teu-deserto/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2009 15:40:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9643</guid>
		<description><![CDATA[Acabo de descobrir que Miguel Sousa Tavares, o escritor e jornalista português, é filho de Sophia de Mello Breyner Andresen. Uma surpresa e tanto para mim, admiradora de sua obra poética, uma vez que ia justamente comentar que, após ter lido uma seqüência de romances de autores africanos de língua portuguesa, senti uma enorme diferença [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de descobrir que <a title="Miguel Sousa Tavares" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Miguel_Sousa_Tavares" target="_blank">Miguel Sousa Tavares</a>, o escritor e jornalista português, é filho de Sophia de Mello Breyner Andresen. Uma surpresa e tanto para mim, admiradora de sua obra poética, uma vez que ia justamente comentar que, após ter lido uma seqüência de romances de autores africanos de língua portuguesa, senti uma enorme diferença entre os textos destes e o de Sousa Tavares &#8211; <em>No teu deserto</em> – lançado em setembro de 2009, pela Companhia das Letras. Estava já habituada àquela escrita bem poética e reflexiva dos africanos, por isso senti um certo impacto com a leitura do Sousa Tavares.</p>
<p>Não quero comparar os africanos com o português, muito menos dar a entender que, por ser filho de poetisa, Miguel Sousa Tavares deva ser poeta. Aliás, seu nome é Miguel Andresen de Sousa Tavares. Se não tivesse preterido o sobrenome “Andresen”, talvez tivesse imaginado sua filiação muito antes!</p>
<p>Mas isso não importa, o que interessa é que, filho ou não de Sophia (a mesma que teve seus versos introduzindo alguns capítulos de <em>Antes de Nascer o Mundo</em>, do Mia Couto), seu último romance, que dá conta de uma travessia do deserto do Saara e das implicações dessa aventura na vida do protagonista, um jornalista português, e de seu relacionamento com a companheira de viagem, uma garota bem mais jovem que ele, não é uma viagem perdida.</p>
<p>O que há de curioso para se observar é a diferença de comportamentos entre os dois, tendo em vista os significativos quinze anos de idade que os separam, o modo como um enxerga e interpreta as ações do outro, os objetivos profissionais e pessoais do jornalista, a falta de objetivos da jovem garota e o aprendizado da mesma durante esses dias de aventura. Na realidade, é curioso até o momento em que nos damos conta de que já conhecemos essa história, e percebemos que a narrativa não pretende nem nos surpreender nem nos encantar com a simplicidade de uma história banal, como muitas vezes acontece, de uma história ser bonita por ser simples.</p>
<p>Assim, sem muitos rodeios nem grandes descobertas, guiados por uma linguagem simples e objetiva, atravessamos o deserto e entramos na África. Percebemos a existência de um possível romance entre o jornalista e a garota, refletimos rapidamente sobre o silêncio do deserto e a impossibilidade, na atualidade, com todos os avanços tecnológicos relacionados à comunicação, de lidarmos com o silêncio. A era das comunicações, da tecnologia e da popularidade teria nos tornado incapazes de suportar a solidão e o silêncio. O deserto seria, portanto, o último destino procurado pelos viajantes dos dias de hoje. Não posso deixar de ressaltar que essa parte do texto, que começa na página 116 e, tão rapidamente, termina na página 117, é realmente fascinante. É o que oferece sentido à travessia do romance. Discussões sobre o silêncio e a solidão sempre rendem muitas reflexões e, em <em>No Teu Deserto</em>, a naturalidade e a fluidez que caracterizam essas divagações as afastam de qualquer possibilidade de serem apenas tentativas desesperadas de filosofar.</p>
<p>Outro ponto positivo é o fato de o romance ser curto, o que o poupa de ser cansativo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>No teu deserto <br />
</em><em>Miguel Sousa Tavares<br />
</em><em>Companhia das Letras<br />
</em><em>1ª Edição – 2009<br />
</em><em>(128 pgs.)</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/09/24/no-teu-deserto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Gestualidade na Cena Contemporânea</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/09/21/gestualidade-na-cena-contemporanea/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/09/21/gestualidade-na-cena-contemporanea/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 18:52:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aguarrás, editoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9640</guid>
		<description><![CDATA[Companhia do Gesto realiza ciclo sobre a Gestualidade na Cena Contemporânea Em sua passagem por São Paulo, após 15 anos, a Companhia do Gesto – em temporada com o espetáculo A MARGEM – realiza, de 5 a 26 de setembro, na UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA um Ciclo gratuito de quatro encontros sobre a Gestualidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Companhia do Gesto realiza ciclo sobre a Gestualidade na Cena Contemporânea</strong></p>
<p>Em sua passagem por São Paulo, após 15 anos, a Companhia do Gesto – em temporada com o espetáculo A MARGEM – realiza, de 5 a 26 de setembro, na UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA um Ciclo gratuito de quatro encontros sobre a Gestualidade na Cena Contemporânea.</p>
<p>O primeiro encontro, realizado dia 5 de setembro, contou com a presença de Álvaro Assad, diretor do espetáculo A Noite dos Palhaços Mudos, que falou sobre a tríade Teatro-Mímica-Humor ao lado de Luís Igreja, diretor da Companhia do Gesto. O bate-papo abordou os meios de pesquisa de cada diretor com foco no gesto em cena e as opções de usar ou não a palavra. Já Luís Igreja defendeu a ideia de que teatro gestual é teatro do ator vivo, com presença plena em cena, todo em alerta, pronto para o jogo do presente e para a resposta da plateia.</p>
<p>Dia 12 de setembro aconteceu o segundo encontro com a presença de Tiche Vianna e Ésio Magalhães, do Barracão de Teatro, de Campinas (SP). A atriz e diretora falou um pouco da história dela e de como chegou às máscaras (comédia dell&#8217;arte) e do processo como diretora e de criação do Barracão Teatro. Tiche também abordou de como um tema é suficiente para a constituição de uma dramaturgia que parte do encontro do corpo com o espaço e como a ação pode ser composta pelo diálogo entre movimento e pausa, som e silêncio. Para ela, o gesto na cena contemporânea tem seu lugar no espaço de encontro com o público.</p>
<p>Ésio, palhaço e ator, complementou falando que a máscara – e entenda-se também o nariz do palhaço como a menor de todas as máscaras – traz como técnica e ferramenta a cumplicidade com o público, puxa ele para dentro da cena, exige sua participação para comunicar. E falou da cena que se constrói a partir dessa relação, que exige do ator agir e reagir no presente, no instante em que a cena se faz.</p>
<p>Os próximos encontros acontecem nos dias 19 e 26 de setembro, sempre aos sábados, às 19 horas, na UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA. Antônio Januzelli e Henrique Schafer, da Universidade de São Paulo (USP) são os convidados do dia 19 de setembro e Ana Achcar, do Rio de Janeiro e Kil Abreu, de São Paulo falam com o público no dia 26.</p>
<p>PROGRAMAÇÃO</p>
<p style="padding-left: 30px;">19 de setembro, sábado, às 19 horas</p>
<p style="padding-left: 30px;">Antônio Januzelli e Henrique Schafer – Universidade de São Paulo/ SP</p>
<p>Como tocar aquele que vê? Com esse mote o diretor Antônio Januzelli e o ator Henrique Schafer falam sobre o trabalho para atingir a presença cênica através de uma escuta delicada e contínua da respiração, dos poros, dos músculos e dos órgãos.</p>
<p>Antonio Januzelli é ator, diretor, professor e pesquisador. Doutor em Teatro pela Universidade de São Paulo e coordenador do Lince – Laboratório do Ator do Departamento de Artes Cênicas, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e representante do Depto. de Artes Cênicas da ECA na AIEST – Asociación Iberoamericana de Escuelas Superiores de Teatro.</p>
<p>Henrique Schafer é graduado em Licenciatura em Artes Cênicas na Universidade de São Paulo. Em São Paulo, há mais de 15 anos, coordena projetos pedagógicos de teatro em instituições diversas, inclusive como professor e diretor. Foi indicado em 2005 para o Prêmio Shell, como ator, por sua atuação no monólogo O Porco.</p>
<p style="padding-left: 30px;">26 de setembro, sábado, às 19 horas</p>
<p style="padding-left: 30px;">Ana Achcar – Rio de Janeiro/ RJ e Kil Abreu – São Paulo/ SP</p>
<p>Doutora em Teatro com tese que trata da formação do palhaço de hospital e professora de Interpretação da Escola de Teatro da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde ministra cursos de jogo da máscara e jogo do palhaço, Ana Achcar é também coordenadora do Programa Enfermaria do Riso, que forma estudantes de Teatro para atuarem como palhaços em hospitais.</p>
<p>No encontro, Ana aborda o exercício da relação entre riso e corpo na formação do ator/palhaço hoje. A ação, espaço e tempo, o objeto, a palavra, e como se constroem na perspectiva do jogo da máscara do palhaço e do lugar que o corpo do ator assume na experiência do risível e no deslocamento de limites da cena contemporânea.</p>
<p>Jornalista e crítico, Kil Abreu é pesquisador de teatro e pós-graduado em Artes pela Universidade de São Paulo (USP). Foi curador do Festival de Teatro de Curitiba, crítico do jornal Folha de São Paulo e Diretor do Departamento de Teatros da Secretaria Municipal de Cultura/SP. Atualmente compõe o júri do Prêmio Shell de São Paulo. No Ciclo , Kil aborda a especialização da mão de obra e os redimensionamentos que a criação artística está passando pautados no rigor dos meios expressivos.</p>
<p>Para Roteiro:</p>
<p>GESTUALIDADE NA CENA CONTEMPORÂNEA – Dias 5, 12, 19 e 26 de setembro, sábados, às 19 horas, no Espaço Décimo Primeiro andar da UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA. Direção Geral – Luís Igreja. Direção de Produção e Coordenação do Ciclo– Ana Carina. Convidados – Álvaro Assad, Tiche Vianna, Ésio Magalhães, Antonio Januzelli, Henrique Schafer, Ana Achcar e Kil Abreu. Duração – 90 minutos. Recomendável para maiores de 14 anos. GRÁTIS. Retirada de ingressos com uma hora de antecedência na bilheteria.</p>
<p>UNIDADE PROVISÓRIA SESC AVENIDA PAULISTA – Avenida Paulista, 119 – Estação Brigadeiro – Fone: (11) 3179-3700. Acesso para deficientes físicos. Bilheteria – De terça a sexta das 9 às 22 horas e sábados, domingos e feriados das 10 às 19 horas (ingressos à venda em todas as unidades do SESC). Capacidade do Espaço Décimo Primeiro Andar – 50 lugares. <a href="http://www.sescsp.org.br/">www.sescsp.org.br</a></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/09/21/gestualidade-na-cena-contemporanea/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Dibujo español</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/09/14/dibujo-espanol/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/09/14/dibujo-espanol/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 18:01:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[gráficas/design]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9632</guid>
		<description><![CDATA[Volto ao desenho. Dessa vez com Dibujo español, a exposição atual da Emma Thomas. Na verdade, ao entrar mais uma vez no patiozinho interno da galeria da Rua Augusta fiquei com vontade de falar sobre o patiozinho. Mas, sentada em uma beirada de muro e olhando em volta, percebi que o que eu queria dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Volto ao desenho. Dessa vez com <em>Dibujo español</em>, a exposição atual da <a title="Emma Thomas" href="http://www.emmathomas.com.br/" target="_blank">Emma Thomas</a>. Na verdade, ao entrar mais uma vez no patiozinho interno da galeria da Rua Augusta fiquei com vontade de falar sobre o patiozinho. Mas, sentada em uma beirada de muro e olhando em volta, percebi que o que eu queria dizer sobre o patiozinho, só o conseguiria se em suas paredes estivessem, como estavam, desenhos.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624a.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9636" title="geral – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624a-80x58.jpg" alt="geral – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="58" /></a>Já disse isso aqui, acho. Essa galeria ocupa um sobrado e tem várias camadas. A da época dos sobrados antes de a rua Augusta virar rua elegante, depois que virou e seus sobrados se transformaram em pontos comerciais, depois que decaiu, e depois que virou moda – outra moda – de novo.</p>
<p>O patiozinho, hoje, é pintado de branco &#8211; em uma referência ao cubo branco e impessoal próprio de uma galeria de arte. Mas não vai ser cubo nunca pois mantém seus significados consolidados, quase míticos, todos lá. E faz mais.</p>
<p>Supondo, e suponho, que <a title="Claude Lévi-Strauss" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Claude_L%C3%A9vi-Strauss" target="_blank">Levi-Strauss</a> tivesse razão e que ‘os conjuntos míticos são construídos com o único intuito de serem despedaçados e reconstruídos a partir de seus fragmentos’, a galeria aponta para um processo.</p>
<p>E é aí que entram os desenhos. Para que o patiozinho mantivesse seus palimpsestos, teria de ter traços &#8211; mais do que massas de cor &#8211; a recobri-lo. É o desenho, com sua proximidade absurda da mão que traça e do olho que acompanha esse traço; é o desenho, com sua abdicação em seduzir, com sua distância cerebral do referente, e com a exposição de seu processo, o único ato criativo a poder apontar para o que ainda está em curso, nunca pronto.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624c.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9634" title="geral – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624c-80x106.jpg" alt="geral – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="106" /></a>E não se trata de camadas apenas, intercambiáveis, igualadas. O que está atrás não vem com igual valor. É um prólogo. É necessário para o entendimento do que está sendo feito. Forma ou dirige esse entendimento. Não é o entendimento. Provê os dados para que os desenhos tentem suplantar as contradições entre o velho sobrado e quem entra nele, embora seu sucesso seja sempre tão rápido que, mais do que um sucesso, é um dedo apontado para novas tentativas.</p>
<p>Assim, quem lá entra, não entra para se atualizar. Entra para se lembrar, ao ver os desenhos expostos, que é preciso renovar sem cessar significados apostos.</p>
<p>Os artistas da mostra em questão ajudam nessa tarefa.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624b.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9635" title="Luz Santos – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624b-80x53.jpg" alt="Luz Santos – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="53" /></a>    <a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624d.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-9633" title="Maria Calzadilla – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624d-80x80.jpg" alt="Maria Calzadilla – fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="80" /></a><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/09/divjorn0624b.jpg"></a></p>
<p><a title="Juan Pablo Villalpando" href="http://www.juanpablovillalpando.com/" target="_blank">Juan Pablo Villalpando</a> consolida formas de tal modo que elas perdem sua especificidade individual, viram formas míticas, tipos de seres novos ou muito velhos. Luz Santos deixa seus bonequinhos de fios caírem pelas paredes em uma queda lenta, que não se acaba e que, por serem formados de fios, sabemos, estarão, ao chegar ao chão, prontos a subir novamente. <a title="Maria Calzadilla" href="http://mariacalzadilla.blogspot.com/" target="_blank">Maria Calzadilla</a> faz galhos e folhas que nascem e sobem e que não têm fim, além do fim do seu suporte.</p>
<p>E o suporte é outro indício desse recobrir sem cobrir. Não têm molduras, nada há que os separe, brancos que são, dos muros também brancos.</p>
<p>Quando visitei a galeria, motos estacionavam perto dos desenhos. Tudo a ver.</p>
<p>(Além dos artistas citados, vieram também Raul Diaz Reyes e <a title="Pedro Luiz Cembranos" href="http://www.pedroluiscembranos.com/" target="_blank">Pedro Luiz Cembranos</a>, cujos desenhos acompanham, em seu próprio modo &#8211; um propositalmente usando uma já velha linguagem pop, o outro, mais simbólico, com sua ausência de cabeças &#8211; o que digo aqui.)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/09/14/dibujo-espanol/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Animais Literários, de Sofia Porto</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/09/14/animais-literarios-de-sofia-porto/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/09/14/animais-literarios-de-sofia-porto/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 15:24:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9630</guid>
		<description><![CDATA[O eixo Rio-São Paulo recebe a maior parte das mostras internacionais de artes plásticas, cinematográficas, entre outras, e também grande parte das exposições dos grandes artistas nacionais. Só para ilustrar, as obras de Vik Muniz ficaram no MASP, em São Paulo, por um bom tempo, e depois vieram para o MAM, no Rio de Janeiro, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O eixo Rio-São Paulo recebe a maior parte das mostras internacionais de artes plásticas, cinematográficas, entre outras, e também grande parte das exposições dos grandes artistas nacionais. Só para ilustrar, as obras de Vik Muniz ficaram no MASP, em São Paulo, por um bom tempo, e depois vieram para o MAM, no Rio de Janeiro, onde permaneceram por cerca de três meses. Outro exemplo foi a <em>Virada Russa</em>, exposição de 123 obras do movimento artístico da 1ª fase da Revolução Russa, que passou pelo CCBB do Rio, e que certamente passou ou passará pelas outras capitais em que há um Centro Cultural do Banco do Brasil (São Paulo e Brasília, apenas).</p>
</p>
<p>A visibilidade cultural lançada sobre Rio e São Paulo é uma herança histórica que se manteve graças às políticas culturais desses estados que nunca se dispuseram a abrir mão da notoriedade que outrora conquistaram, e graças, também, à sorte, no caso da capital fluminense. No que diz respeito a São Paulo, o estado continua sendo o centro financeiro do Brasil. Por outro lado, o Rio, outrora capital do país, pouquíssimo conserva, em termos político-econômicos, dessa época. Se não fosse pela arquitetura do centro da cidade, mantida a duras penas, e pelo fato de a família real ter se instalado por aqui durante um tempo, hoje o Rio de Janeiro não passaria de um balneário para turistas que curtem sol, praia e turismo sexual.</p>
<p>Muitos estados nordestinos, como o Rio Grande do Norte, por exemplo, que não teve oportunidade de ser capital e nem foi objeto de interesses políticos para tornar-se centro financeiro, vão aos poucos tentando desvencilhar-se do paradigma que os caracterizam: exploração sexual infantil, turismo sexual, ou qualquer outra forma de lazer ilegal relacionada ao sexo.</p>
<p>Há alguns anos, vêm se observando o crescente interesse pelo desenvolvimento no âmbito da gestão cultural em Natal. O número de casas de cultura da cidade é notável e os artistas que surgem na capital começam a ganhar destaque nos principais meios de comunicação da cidade, o que certamente aumenta a motivação dos artistas e, também, a satisfação dos moradores da cidade, que recebem mais alternativas de lazer cultural.</p>
<p>Um exemplo é a <a title="Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte)" href="http://www.natal.rn.gov.br/funcarte/" target="_blank">Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte)</a> que, sob a gestão da prefeitura de Natal, foi restaurada e hoje funciona como um centro de cultura que abriga lojas de artesanato, espaço para exposições e palco para apresentações artísticas.</p>
<p>No momento, a Funcarte apresenta, até 25 de outubro de 2009, a exposição <em>Animais Literários</em>, da artista plástica Sofia Porto, uma carioca-potiguar, que uniu sua paixão pelos animais ao amor pela literatura em obras que exaltam a natureza e o lirismo que ela evoca nos seres humanos. Com uma idéia simples, mas criativa, Sofia inova ao transpor sua imaginação para o papel, partindo de fotografias de insetos, animais e outros vestígios de natureza que ainda encontra numa capital em crescimento.</p>
<p>Assim como a cidade em que vive, Sofia Porto é uma promessa, e o que se espera é que a cidade de Natal acompanhe o ritmo de crescimento da artista. E que não seja imprescindível deixar Natal rumo ao Rio ou a São Paulo para ganhar o mundo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Animais Literários</em>, por Sofia Porto<br />
Fundação Capitania das Artes<br />
Av. Câmara Cascudo, 434.<br />
Tel: (84) 3232-4956 / 3232-4946<br />
Natal &#8211; RN</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/09/14/animais-literarios-de-sofia-porto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Sutura</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/09/14/sutura/</link>
		<comments>http://aguarras.com.br/2009/09/14/sutura/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 Sep 2009 13:51:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://aguarras.com.br/?p=9628</guid>
		<description><![CDATA[Até outubro de 2009 fica em cartaz no Oi Futuro do Rio de Janeiro a peça Sutura, texto do escocês Anthony Neilson, dirigido por Felipe Vidal e interpretado por Cristina Flores e Lucas Gouvêa. Em princípio, a peça aborda o transtornado relacionamento de um casal jovem, com dificuldades de comunicação, problemas com o passado e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Até outubro de 2009 fica em cartaz no <a title="Oi Futuro" href="http://www.oifuturo.org.br/" target="_blank">Oi Futuro</a> do Rio de Janeiro a peça <em>Sutura</em>, texto do escocês <a title="Anthony Neilson" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anthony_Neilson" target="_blank">Anthony Neilson</a>, dirigido por Felipe Vidal e interpretado por Cristina Flores e Lucas Gouvêa.</p>
<p>Em princípio, a peça aborda o transtornado relacionamento de um casal jovem, com dificuldades de comunicação, problemas com o passado e dúvidas em relação ao futuro. Num teatro diferente, em que são duas as platéias, e que ficam uma de frente para a outra, podendo o palco ser um mero obstáculo para a comunicação entre os espectadores, os primeiros momentos são de expectativa, uma vez que o tema e o ambiente são incompatíveis: uma história batida num espaço novo.</p>
<p>No decorrer da peça, contudo, o tema ganha novos contornos, a começar pelo jogo temporal, que requer muita atenção e certa familiaridade com esse tipo de recurso, já que o vaivém abrange não só presente e passado, mas também um possível futuro.</p>
<p>A partir daí, o texto torna-se surpreendente e o palco (que na verdade são dois, já que uma cortina semitransparente o divide em duas metades) transfigura-se em parte essencial da peça. Tudo vai bem, então, rumo ao ponto alto do texto, que em muito se assemelha aos <em>Contos de terror, mistério e morte</em>, de <a title="Edgar Allan Poe" href="http://books.google.com.br/books?ei=-UmuSv3AIImkNc-widYN&amp;q=Edgar+Allan+Poe&amp;btnG=Pesquisar+livros" target="_blank">Edgar Allan Poe</a>.</p>
<p>Em determinado ponto, para mim o auge, momento em que há uma tensa discussão entre o casal, que culmina numa cena grotesca (que não é possível descrever!), um misto de choque, terror e contentamento tomam conta do teatro. Eis a hora mais indicada para o encerramento do texto. Como ficar melhor que isso, ou como manter tal nível de euforia perturbada que domina a platéia? Impossível! Se fosse um dos contos de <em>terror, mistério e morte</em> teria terminado por aí, com uma platéia de espectadores muito surpresos.</p>
<p>Mas&#8230; A peça continua e acaba voltando para a calmaria inicial, para a discussão do relacionamento amoroso e toda aquela história. De todo modo, quem gosta dos contos de Poe vai, seguramente, aproveitar a experiência, ainda que os enfraquecidos minutos finais causem certo desânimo.</p>
<p style="padding-left: 60px;" align="left"><em>Sutura</em><br />
Texto: Anthony Neilson<br />
Direção: Felipe Vidal<br />
Elenco: Cristina Flores e Lucas Gouvea<br />
Até outubro de 2009.<br />
Teatro do OI Futuro<br />
(Rua Dois de Dezembro, 63 &#8211; Flamengo/RJ)</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://aguarras.com.br/2009/09/14/sutura/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

