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	<title>Aguarrás</title>
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	<description>conhecimento em arte</description>
	<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 01:53:24 +0000</pubDate>
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		<title>Liliana Porter</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Aug 2008 00:41:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma das (muitas) coisas de que gosto na arte contemporânea é sua narrativa implícita. E às vezes explícita, através de títulos longos, como os de Nazareno (de quem lembrei vendo o que vi), ou nem tão longos, como os de Liliana Porter, em exposição na Brito Cimino. Esse pré-texto - o título - já retira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma das (muitas) coisas de que gosto na arte contemporânea é sua narrativa implícita. E às vezes explícita, através de títulos longos, como os de <a title="Nazerno - SP Arte @ Aguarrás" href="http://aguarras.com.br/2008/04/25/sp-arte/" target="_self">Nazareno</a> (de quem lembrei vendo o que vi), ou nem tão longos, como os de <a title="Liliana Porter" href="http://www.artnet.com/artist/641544/lilliana-porter.html" target="_blank">Liliana Porter</a>, em exposição na <a title="galeria Brito Cimino" href="http://www.britocimino.com.br/" target="_blank">Brito Cimino</a>. Esse pré-texto - o título - já retira do contemporâneo, logo de cara, a peia modernista de obra independente. Independente do quê?<span id="more-8661"></span></p>
<p>A presença da narrativa me agrada porque percebo, depois de décadas de um mesmo mantra (o de que imagem é tudo, presente e futuro), um indício na arte (esse único fórum de discussão de idéias que nos resta), de que não é bem assim. É o texto, um texto, o motivo do fascínio que me prende frente aos bonequinhos de Liliana Porter.</p>
<p>Aliás, dois textos.</p>
<p><a class="thickbox" rel="porter" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521e.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8666" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Liliana Porter - to see - white - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521e-80x51.jpg" alt="" width="80" height="51" /></a>O primeiro texto se sustenta em atos congelados antes de sua completude - quem os completa somos nós como também somos nós a fornecer o contexto desse primeiro texto. Os atos, executados por bonequinhos, não têm cenário nem espaço realista. Congelados, ou seja, retirados do tempo, e, por não ter cenários, também retirados do espaço, os bonequinhos vivem no próprio texto, têm uma vida (auto)ficcional. Ao viver apenas na esfera da representação, nos fascinam por algo que não temos: coerência. Fazem o que fazem até o fim - que não há.</p>
<p>Há códigos que nos guiam na feitura/reconhecimento desse primeiro texto.</p>
<p><a class="thickbox" rel="porter" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521d.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8665" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Liliana Porter - forced labor - weaver-blue - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521d-80x60.jpg" alt="" width="80" height="60" /></a>As propriedades denotativas dos atos congelados resultam em significação política e semiótica a partir de piscadelas de olho que a artista nos dá. Os <em>Forced labor</em> (trabalhos forçados) dizem respeito a tarefas femininas como tricotar e varrer - esse último com uma sobreposição: trata-se de varrer, é certo, mas o que o bonequinho-mulher varre é um pigmento azul à la <a title="Yves Klein" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Yves_Klein" target="_blank">Yves Klein</a>. Ou seja, essa instalação nos remete a um feminino massacrado (o bonequinho é minúsculo e há uma enorme quantidade de pigmento para ser varrido, assim como o bonequinho que tricota, tricota um pano enorme em relação a seu tamanho). E nos remete também a uma &#8220;varrida&#8221; de um dos ícones no modernismo, com a referência à atitude arrogante e masculina do artista que registrou propriedade (copyright) sobre um determinado tom de azul.</p>
<p><a class="thickbox" rel="porter" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521c.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8664" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Liliana Porter - painter - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521c-80x109.jpg" alt="" width="80" height="109" /></a>O modernismo e seus valores, aliás, são vítimas em outros trabalhos. Os <em>To see</em> têm, empastelados na tinta que lhes dá o nome - <em>Blue</em> ou <em>White </em>- soldadinhos e suas armas, situações de trabalhadores braçais carregando fardos pesados, desportistas e suas bandeiras e bolas. Há referências a alguns dos principais movimentos do período como as pequenas armações construtivistas feitas com minissacos de aniagem empilhados, escadas, cercas etc.; ao cavalo das esculturas mussolinianas; ou elementos da cultura de massa (cabecinhas de personagens de Walt Disney) responsáveis pelos delitos e delirios da pop-art. Até mesmo um reloginho sem ponteiros, à la Dali, dá para descobrir por ali - esse, e aqui mais uma vez temos dois códigos sobrepostos, nos remetendo ao surrealismo e ao já referido tempo ausente de um paraíso mais para o terrível. Há um adorável <em>site specific</em> de dez centímetros, uma piscadela de olho para rirmos, todos juntos, frente ao bonequinho que destrói um pedaço de parede da galeria. Um mesmo riso, dessa vez às custas da transcendência que até a pouco nos era impingida, e que nos toma frente ao <em>Conejo (coelho) que levita</em>. Lá está o desenhinho de um coelhinho, tão pouco transcendente quanto dá para ser um desenhinho de coelhinho (mal)feito à caneta, com sua sombrinha rabiscada.</p>
<p>A definição que <a title="Gerard Genette" href="http://en.wikipedia.org/wiki/G%C3%A9rard_Genette" target="_blank">Gérard Genette</a> dá para narrativa é bem básica: trata-se da extensão de um verbo.</p>
<p>E aqui entramos no segundo texto.</p>
<p><a class="thickbox" rel="porter" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521b.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8663" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Liliana Porter - forced labor - blue sand - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521b-80x35.jpg" alt="" width="80" height="35" /></a>O primeiro texto é o que faz/não faz o bonequinho. O segundo texto é o que faz/não faz Porter. O verbo da feitura da obra está lá, à mostra, este também incompleto, falho - e perfeito. Pois como se trata de um verbo criativo, só incompleto e falho ele se torna perfeito, só incompleto e falho ele permite a criação - dela-nossa. Da artista e de quem aceita o seu convite. Nas instalações, é a tinta que foi jogada e que se vê, lá, jogada. O pano que foi arrumado em cima da prateleira e que pode ser desarrumado a qualquer momento. Idem para o pigmento. Idem para tudo. E tem a questão do tamanho também. O tamanho das figurinhas é uma declaração da distância que a artista toma em relação ao que faz. Aqui, ela/nós. Lá, muito longe, os bonequinhos. É montado, vejam, são bonequinhos, seu tamanho é ridículo. Isso é uma obra, percebam, não se esqueçam.</p>
<p>No vídeo, a coisa é mais direta.</p>
<p><a class="thickbox" rel="porter" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521a.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8662" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Liliana Porter - site specific - fotografia de Elvira Vigna" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0521a-80x77.jpg" alt="" width="80" height="77" /></a><em>Fox in the mirror</em> dura uns 20 minutos e foi feito em 2007. Os bonequinhos em close mostram a precariedade da pintura que lhes dá boca, olhinhos, cabelo. Seus movimentos, feitos com montagem de stills, dá &#8220;pulos&#8221;. Não há ilusão. Velas em formatos humanos escorrem cera por sobre seus rostos de expressão romântica antes de se apagarem num vento. Bonequinhos caem no fundo infinito, dançam para fora do quadro da câmera, têm um brilho de plástico. E a voz da canção que escutamos sai de bocas que não se mexem. São todos, objetivamente verdadeiros e ironicamente falsos, conceitualmente narrados e formalmente vazios, materialistas e poéticos.</p>
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		<title>3º Fórum Sul Mineiro de Cultura</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Aug 2008 12:09:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jurema Sampaio</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[arte-educação]]></category>

		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos dias 20 e 21 de agosto, aconteceu em Pouso Alegre, cidade ao sul Minas Gerais, o 3º Fórum Sul Mineiro de Cultura. A iniciativa do Conservatório Estadual de Música Juscelino Kubitschek de Oliveira (CEMPA), de Pouso Alegre, já em sua terceira edição e sob coordenação da Produtora Cultura e atriz Fernanda Tersi Andrietta, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nos últimos dias 20 e 21 de agosto, aconteceu em Pouso Alegre, cidade ao sul Minas Gerais, o 3º Fórum Sul Mineiro de Cultura. A iniciativa do Conservatório Estadual de Música Juscelino Kubitschek de Oliveira (CEMPA), de Pouso Alegre, já em sua terceira edição e sob coordenação da Produtora Cultura e atriz Fernanda Tersi Andrietta, reuniu convidados, palestrantes e público interessado em interessantes debates acerca do tema “A Industrialização da Cultura”. <span id="more-8649"></span></p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-8657" title="forum" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/forum.jpg" alt="" width="250" height="60" /></p>
<p>As principais questões levantadas ao longo do evento foram: Organização da Indústria Cultural, a qualidade dos Produtos Culturais e as Políticas Culturais, as dificuldades e as conquistas da área, frutos das metas traçadas nas edições de anos anteriores e, principalmente, as relações, possíveis e futuras, para encaminhamento das necessidades levantadas.</p>
<p>A programação completa do fórum incluiu ainda apresentações musicais e atividades artísticas de qualidade, que podem ser conferida no <a title="blog do CEMPA" href="http://www.cemjko.com.br/blog" target="_blank">blog do CEMPA</a>.</p>
<p>No primeiro dia de atividades, o diálogo entre a Professora Jurema Sampaio e o artista plástico e divulgador cultural Jeferson Ferrão da Silva, girou em torno dos aspectos relacionados ao papel do professor de arte como agente de divulgação da cultura e formador de público. A professora Jurema é carioca de nascimento, tendo morado por grande parte do Brasil, conhecendo de perto as culturas das regiões por onde passou e está radicada em Campinas/SP desde 1983. É pesquisadora e entusiasta de Arte e Cultura Popular e professora da Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Metropolitana - UNIMES Virtual, de Santos/SP. Ferrão é um reconhecido artista contemporâneo paulista, originário do Valo do Paraíba e radicado em Pouso Alegre/MG, com vasta e consistente produção própria, com temática predominantemente popular e sendo ainda o representante e incentivador inicial do já conceituado artista naïf pouso alegrense <a title="José Raimundo" href="http://www.espacovivamais.com.br/noticias/mostrar/756" target="_blank">José Raimundo</a>.</p>
<p>O destaque das discussões do dia foi a redundante necessidade de estreitamento de diálogos entre as áreas de cultura e educação, com ênfase especial à seriedade com que deve ser tratada a formação de professores, em especial os de arte, no sentido de procurar dotar os mesmos de ferramental técnico e teórico para que tomem real consciência de seu papel, primordial, na formação estética inicial de nossas crianças sendo eles, professores, os primeiros agentes de formação cultural de todos os cidadãos, e, por conseqüência, formadores de público, principalmente em relação aos valores da cultura popular e regional.</p>
<p>No mesmo dia foi apresentada, ainda, a experiência de sucesso da Cooperativa Mariense de Artesanato – COMARTE, o projeto <a title="Oficina Gente de Fibra" href="http://www.gentedefibra.com.br/" target="_blank">Oficina Gente de Fibra</a>, da cidade vizinha de Maria da Fé. O projeto, idealizado pelo artista plástico <a title="Domingos Tótora" href="http://www.domingostotora.com.br/" target="_blank">Domingos Tótora</a>, que tem como eixos norteadores a promoção da arte relacionando a reciclagem de papel e fibras à preservação do patrimônio ecológico, é a pioneira e a mais bem sucedida das atividades da cooperativa. A COMARTE é o resultado de uma parceria entre a Prefeitura Municipal da cidade mineira de Maria da Fé com o SEBRAE MG e é formada por cinqüenta e dois cooperados. Sua renda auxilia aproximadamente trinta famílias.</p>
<p>Com fibras extraídas da bananeira (matéria prima descartada da colheita da banana), papel kraft reciclado e pigmentos naturais extraídos da terra. Sob a orientação de Domingos, os artesãos produzem objetos que variam de pratos com tramas feitas de corda de fibra de bananeira até molduras pintadas à mão com pigmentos de terra. A decoração das peças é feita com temas que reproduzem os motivos dos barrados decorativos e piso da igreja matriz de Maria da Fé. A Cooperativa Com Arte mantém ainda os projetos Maria do Fuxico, Arte em Papel, Embalagens em Juta, Anjos da Terra, Terra e Luz e Arte em Fibra. O trabalho é conhecido e comercializado em várias cidades do Brasil e na Alemanha, China e Dinamarca. Vale a pena conhecer o trabalho da Cooperativa que, além do imenso valor sócio-ambiental, possui qualidade plástica e estética indiscutíveis!</p>
<p>No final do dia, o show da cantora Carla Gomes, de Belo Horizonte – MG que, com sua voz, ao mesmo tempo forte e doce, entre interpretações de obras conhecidas, de vários artistas e canções sua autoria, encantou a platéia presente à sala de espetáculos “Sarah Lúcia Requejo Amaral”.</p>
<p><a class="thickbox" rel="sulmineiro" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/edsonpedro1.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8656" title="edsonpedro1" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/edsonpedro1-80x42.jpg" alt="" width="80" height="42" /></a><br />
<em><span style="font-size: smaller;">(foto Edson Pedro)</span></em></p>
<p>No segundo dia, a mesa redonda mediada pela professora Adriane Ferreira Bazzo, juntou novamente a professora Jurema e o artista Ferrão, somando ainda a presença do escritor e crítico literário Eloésio Paulo dos Reis, Professor da Universidade Federal de Alfenas/MG, autor de vários livros, dentre eles o ótimo “Os 10 Pecados de Paulo Coelho”; de Paulo Brasileiro, diretor da EPTV Sul de Minas, afiliada da Rede Globo, e coordenador do <a title="Festival Viola de Todos os Cantos" href="http://aguarras.com.br/2007/04/23/5-festival-viola-de-todos-os-cantos/" target="_self"><em>Festival Viola de Todos os Cantos</em></a>, evento promovido anualmente pela emissora, de abrangência nacional e da atriz, diretora e produtora cultural Rita Miranda, Coordenadora do Movimento Cia. de Teatro, membro da Rede de Articuladores de Cultura do Estado de Minas Gerais e criadora e organizadora do festival “Extrema Mostra Teatro”, evento oficial do calendário da Secretaria de <a title="Estado de Turismo do Estado de Minas Gerais" href="http://www.turismo.mg.gov.br/" target="_blank">Estado de Turismo do Estado de Minas Gerais</a> e do departamento de Municipal de Turismo e Cultura da cidade de <a title="Extrema – MG" href="http://www.extrematur.com.br/" target="_blank">Extrema – MG</a>, num debate acerca da necessidade de promoção de um diálogo mais efetivo e consistente entre as ações educativas e culturais e a mídia em geral, não só na divulgação e cobertura dos eventos, mas no alcance, abrangência e responsabilidade dos veículos de comunicação na promoção da arte e cultura.</p>
<p>Ao fim do debate foram recolhidos, junto ao público presente, que participou do debate, subsídios para a redação do documento conclusivo desta edição do fórum, que servirá de norteador aos encaminhamentos das ações futuras dos grupos envolvidos em trabalhos pela arte e cultura em geral e, em especial, Sul Mineiras.</p>
<p>A terceira edição do fórum foi encerrada com um show do grupo de percussão de Belo Horizonte <em>BorTam</em>, na sala de espetáculos “Sarah Lúcia Requejo Amaral”, Auditório do Conservatório.</p>
<p><a class="thickbox" rel="sulmineiro" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/edsonpedro.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8655" title="edsonpedro" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/edsonpedro-80x62.jpg" alt="" width="80" height="62" /></a><br />
<em><span style="font-size: smaller;">(foto Edson Pedro)</span></em></p>
<p>O Fórum Sul Mineiro de Cultura, que pode ser considerado como tendo sido um sucesso, já tem sua próxima edição prevista para agosto de 2009, e já está sendo pensado para dar a devida continuidade a este trabalho de imenso valor para a arte e a cultura regional, mineira e nacional.</p>
<p>Paralelamente ao Fórum Sul Mineiro de Cultura aconteceu também na cidade de Pouso Alegre, até o dia 22 de agosto, Dia do Folclore, a 16ª edição da já tradicional “Caipirarte”. O evento regional, sobre a cultura caipira, reuniu oficinas, workshops, apresentações, comidas típicas, exposições de artesanato, a própria edição do Fórum Sul Mineiro de Cultura e a Exposição de trabalhos da Oficina Gente de Fibra, de Maria da Fé/MG. Todos com entrada franca.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/caipirarte.jpg"><img class="alignnone size-full wp-image-8653" title="caipirarte" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/caipirarte.jpg" alt="" width="250" height="73" /></a></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Comissão Organizadora:<br />
Adriane Bazzo<br />
Consuelo Gonçalves<br />
Fernanda Tersi Andrietta </em></p>
<p><strong>O CEMPA</strong></p>
<p>O <a title="Conservatório Estadual de Música Juscelino Kubitschek de Oliveira" href="http://www.cemjko.com.br/" target="_blank">Conservatório Estadual de Música Juscelino Kubitschek de Oliveira</a> tem mais de 50 anos de existência e, atualmente, é dirigido pela professora Regina Maria Franco Andere de Brito.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-8654" title="cempa" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/cempa.jpg" alt="" width="292" height="173" /></p>
<p>É um dos 12 Conservatórios de Minas Gerais, sendo um dos maiores e mais reconhecidos e atende a, aproximadamente, 3500 alunos da cidade de Pouso Alegre e das 36 cidades vizinhas, além de seis mil alunos da rede pública estadual, incluídos no Projeto Música na Escola.
</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Conservatório Estadual de Música Juscelino Kubitschek de Oliveira de Pouso Alegre<br />
Rua Francisco Salles nº 116<br />
Pouso Alegre – MG<br />
(35) 3425-2800</em></p>
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		<title>A Soma de Nós</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Aug 2008 18:32:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[A Soma de Nós, em cartaz até cinco de outubro no Teatro Vannucci, é uma adaptação, feita por Flávio Marinho, do texto &#8220;The sum of us&#8220;, do autor australiano David Stevens.
Num cenário que imita uma casa antiga precisando de reformas é representada a história que gira em torno da personagem Henrique. Viúvo desde que o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Soma de Nós, em cartaz até cinco de outubro no <a title="Teatro Vannucci" href="http://www.shoppingdagavea.com.br/teatro.asp" target="_blank">Teatro Vannucci</a>, é uma adaptação, feita por Flávio Marinho, do texto &#8220;<a title="The sum of us" href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Sum_of_Us" target="_blank">The sum of us</a>&#8220;, do autor australiano David Stevens.</p>
<p>Num cenário que imita uma casa antiga precisando de reformas é representada a história que gira em torno da personagem Henrique. Viúvo desde que o filho era pequeno, Henrique é um pai amoroso e compreensivo, que tem prazer em dividir o lar com seu filho, Jeff, um jovem assumidamente gay. O dia-a-dia de pai e filho é retratado com a máxima normalidade, é uma rotina comum. O pai logo no início nos explica que o filho é gay, os dois aceitaram isso de forma natural e continuaram vivendo juntos, que seria puro preconceito se agisse de outra forma, pois Jeff é um ótimo rapaz, trabalhador e seu melhor amigo. O diálogo entre os dois é inacreditavelmente aberto. Falam de tudo. Como amigos da mesma idade. Não há cobranças, não há barreiras. São confidentes um do outro.</p>
<p><span id="more-8646"></span>Henrique foi educado numa casa em que viu sua mãe, depois de sofrer um longo período pela morte do marido, encontrar na companheira Mary o afeto, o consolo, para continuar a vida. Henrique reconhece isso, nos conta que admirava aquele amor e seria incapaz de negar aquilo ao filho. Ele assistiu sua mãe enfrentar todos os problemas que aquela relação poderia ocasionar e só houve a separação quando ele e o irmão, percebendo que as duas já estavam muito idosas para cuidar uma da outra, resolveram separá-las, alegando que era para o bem delas. Sua mãe não questionou e morreu um tempo depois, sem nunca ter tocado no assunto. Essa mãe, sem saber, preparou o filho para ser pai de um homossexual, que tem em casa um lar onde pode ser sincero e receber todo apoio de uma pessoa que não viu na sua sexualidade um problema, não criando mais uma dificuldade além do que as que esse rapaz já iria enfrentar.</p>
<p>A peça não trata apenas de preconceito, ou de uma família atípica, trata de amor. Amor de várias formas, representados, predominantemente, por estes dois relacionamentos: um entre pai e filho, e o outro entre duas mulheres – a mãe de Henrique e sua companheira Mary. Vi ali representado um sentimento que supera tudo e transforma a vida não numa conjuntura mais fácil de ser vivida, mas em algo com mais sentido.</p>
<p>Jeff se apaixona por Greg, um jovem rapaz que, ao conhecer Henrique, revela que seu pai é bem diferente dele e é o motivo para ele não ter assumido sua sexualidade em casa. E Henrique, ao assistir essa tentativa de relacionamento do filho que não dá certo, mostra-se mais uma vez um grande amigo e incentiva Jeff a não desistir, a viver, a não se fechar para os prováveis sofrimentos e frustrações que a vida pode colocar em seu caminho. Henrique educa um filho corajoso, capaz de servir de exemplo para muitos outros.</p>
<p>O pai, que até então não tinha mostrado vontade de ter outro relacionamento depois da viuvez, resolve arriscar procurando uma agência de encontros e conhece Joyce, mulher solitária a quem o marido trocou por uma mais jovem. Joyce, quando descobre que Jeff é gay, mostra-se radicalmente preconceituosa e vai embora, perdendo a possibilidade de conviver com duas pessoas que sabem o que é o amor, abrindo mão de se relacionar com esses homens que tinham muita coisa a lhe ensinar.</p>
<p>Jeff também mostra ser o companheiro ideal do pai. É ele quem cuida de Henrique depois que este sofre um sério derrame e já não é nem mais capaz de falar, mas nem por isso deixa de participar da vida do filho. Graças ao fato de Jeff o levar para passear, eles reencontram Greg e aparentemente o desfecho é que os dois rapazes finalmente ficarão juntos.</p>
<p>O texto aborda temas profundos, mas não é pesado. Não parece ter a intenção de causar no espectador o desconforto de fortes emoções. Porém, mesmo sem essa aparente intenção, o texto nos faz refletir e comove de uma maneira suave. O espetáculo tem duração de 70 minutos e a soma dos atores deu um ótimo resultado. Infelizmente, o confortável teatro estava vazio, éramos apenas 25 espectadores. Isso quer dizer que muitas pessoas perderam a oportunidade de conferir essa encantadora peça nesta apresentação.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: David Stevens<br />
Tradução e adaptação: Flávio Marinho<br />
Direção: Eduardo Figueiredo e Cíntia Alves<br />
Elenco: Luiz Carlos de Moraes, Maurício Machado, Pedro Bosnich e Mara Manzan (participação especial)<br />
Teatro Vannucci: Shopping da Gávea - Rua Marquês de São Vicente, 52 - Gávea, Rio de Janeiro / RJ</em></p>
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		<title>TPM - Terapia Para Mulheres</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/08/15/tpm-terapia-para-mulheres/</link>
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		<pubDate>Sat, 16 Aug 2008 00:01:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Está em cartaz até 2 de novembro, no Teatro Cândido Mendes, a nova comédia da Palco Cia de Teatro, &#8220;TPM - Terapia Para Mulheres&#8221;, que faz parte da trilogia de Paula Giannini, junto com as peças “Casal TPM”, em cartaz em São Paulo, e “Tratamento para Machos”, ainda inédito.
O espaço do Teatro Cândido Mendes é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está em cartaz até 2 de novembro, no Teatro Cândido Mendes, a nova comédia da Palco Cia de Teatro, &#8220;TPM - Terapia Para Mulheres&#8221;, que faz parte da trilogia de Paula Giannini, junto com as peças “<a title="Casal TPM" href="http://casaltpm.blogspot.com/" target="_blank">Casal TPM</a>”, em cartaz em São Paulo, e “Tratamento para Machos”, ainda inédito.<span id="more-8641"></span></p>
<p>O espaço do Teatro Cândido Mendes é muito bem aproveitado. É como uma semi-arena. A entrada dá lugar ao fundo do cenário, que, neste caso, trata-se apenas de uma espécie de lona que serve como base para a projeção de algumas imagens. Isso, somado apenas a uma cadeira rosa e um poste de strip-tease, compõe o cenário que simula o ambiente de uma rave, complementado pela música e pela iluminação típica.</p>
<p>O roteiro não traz nenhuma constatação ou piada inovadora. São discursos comuns encontrados em textos que abordam situações experimentadas por mulheres que sofrem de ciúme, problemas de auto-estima, relacionamento etc. A maioria das piadas já é conhecida, ou pela circulação na internet, ou por serem antigas, aumentando a probabilidade dos espectadores já terem as escutado em algum lugar, como em comentários de amigos, ou mesmo em programas televisivos.</p>
<p>As personagens são caricatas. A primeira se chama Neusa e entra em cena bêbada, munida de várias piadinhas populares. Já Fiona, mais afetada que a primeira, é o estereótipo de uma louca surtada. Chama atenção por sua roupa ridícula e sua falação em que nos relata seus surtos esquizofrênicos que assustaram sua família e seus ataques histéricos.</p>
<p>A terceira é Marlene, uma mulher que deseja loucamente entrar nos EUA e nos dá dicas de língua inglesa, com sotaque nordestino. Sua proposta é desmistificar as palavras em inglês em apenas uma única aula, com um método que ela própria desenvolveu quando estudava para entrar no país de Jorge (George Washington?) e nos conta o trauma de ter sido barrada na imigração.</p>
<p>A outra, um ator vestido de mulher, é uma mulher idosa que aluga vagas no quarto de empregada, nesses tempos difíceis, e se apaixona por um dos inquilinos. Ela já foi também amante de 9 presidentes, 8 vices e não sei mais quantos diplomatas. Depois, mais um ator vestido de mulher, é a vez de uma personagem que só pensa em sexo, uma ninfomaníaca com medo de se relacionar com homens. Faz conclusões engraçadas sobre os vários tipos de homens e nos conta que descobriu que seu ex-namorado é o ‘taradão do dedão do pé da Baixada Fluminense’.</p>
<p>A seguinte é uma mulher que tem ‘TOC’, viciada em filas e que toda vez que lava as mãos no banheiro, antes de enxaguá-las, acaba lavando a pia, a torneira e o banheiro todo. Ela possui traumas por causa da mãe, fobia de números ímpares e medos de ursinhos de pelúcia. A seguir, entra em cena uma personagem em crise conjugal, existencial etc e nos relata um cômico episódio de um ‘banho-de-lua’. Em seguida, é a vez de uma loira com 130kg que caba de completar 40 anos e é amante da comida. Gorda, mas que aos 40 anos se livrou de um peso de 90kg, se separando do marido, nos relata o diário de uma dieta e confessa que odeia o seu médico do tratamento de emagrecimento.</p>
<p>A última é uma mulher ciumenta que vai a tal rave atrás do marido. Diz-se uma mulher apaixonada, uma mulher que ama demais. Imagina coisas, tem ciúmes da repórter Ana Paula Padrão, que ela diz ter certeza que dança para o seu marido quando ela sai da sala. Revela que examina todas as coisas do marido, vai à cartomante, instalou câmeras em casa, contratou um detetive para seguir o marido e ela mesma seguiu o detetive para verificar se ele seguia realmente seu marido.</p>
<p>São, portanto, nove personagens que entram em cena individualmente e nos relatam episódios de suas vidas que nos remetem a seus problemas psicológicos. Contam traumas, suas atitudes, sentimentos, nos permitindo entrar um pouquinho nos seus mundinhos. É uma simulação de bate-papo, um desabafo de mulheres problemáticas. Às vezes, a forma extremista como se apresentam é que as fazem engraçadas, e, às vezes, é o que tira a graça também.</p>
<p>Sabe aquele papo com estranhos em que nos surpreendemos nos perguntamos o que estamos fazendo ali, questionando se realmente somos obrigados a escutar aquilo? Sabe aquelas pessoas que vêem num estranho um ouvinte em potencial e querem resumir sua vidinha, principalmente seus problemas, em 5 minutos? A peça tem essa essência.</p>
<p>Trata-se de uma terapia mesmo, mas não para nós, para elas, que criam um espaço para falar um pouco de suas neuroses. Confesso que não achei muito engraçado. Percebi que se é difícil fazer comédia, mais difícil ainda é acertar na hora de colocá-la no palco. A simulação do ridículo por si só nem sempre faz rir, mas talvez seja só a minha TPM.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: Paula Giannini.<br />
Direção: Amauri Ernani.<br />
Elenco: Paula Giannini, Amauri Ernani, Mayra Villela, Shirley Bonani e Éris D`Souza.<br />
Teatro Cândido Mendes: rua Joana Angélica, 63 – Ipanema.</em></p>
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		<title>Misha Dacic</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/08/14/misha-dacic/</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Aug 2008 13:13:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Taam</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[música]]></category>

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		<description><![CDATA[Misha Dacic é pianista, nascido na Sérvia em 1978. Foi aluno do excelente pianista Kemal Gekic na Universidade de Novi Sad em Belgrado. Ganhou destaque internacional depois de participar do Progetto Lugano em 2003. Tocou sábado passado (dia 9) no Theatro Municipal do Rio.

É dono de um belo timbre, mas não de grande potência sonora. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Misha Dacic é pianista, nascido na Sérvia em 1978. Foi aluno do excelente pianista <a title="Kemal Gekic no Youtube" href="http://br.youtube.com/watch?v=GLXNIW6UN2c" target="_blank">Kemal Gekic</a> na Universidade de Novi Sad em Belgrado. Ganhou destaque internacional depois de participar do <a title="Progetto Lugano" href="http://www.rtsi.ch/trasm/argerich/" target="_blank">Progetto Lugano</a> em 2003. Tocou sábado passado (dia 9) no Theatro Municipal do Rio.<br />
<span id="more-8637"></span><br />
É dono de um belo timbre, mas não de grande potência sonora. A escolha do programa foi bem feita, mas a distibuição não. Pedimos bis, mas ele não deu.</p>
<p>O que faltou em Misha Dacic?</p>
<p>Misha - parêntesis: <em>Misha</em> é apelido de <em>Michael </em>em russo. Já bastou a velhinha do meu lado que adorou o concerto <em>dessa menina</em> -  é uma figura draculina: muito branco, de gestos fluidos, cabelos longos caindo no rosto. É o arquétipo ultra-romântico. Como tal, tem uma certa aparência doentia, e não me pareceu ter grande força física.</p>
<p>As peças líricas pouquíssimo tocadas de Rachmaninov foram absolutamente maravilhosas. Foram elas a &#8220;Melodia&#8221; (sem número e sem opus, no programa), o Romance Op.10 Nº6, o Prelúdio Op.32 Nº3 e a Valsa Op.10 Nº2. Duas sonatas de Scarlatti, também muitíssimo bem acabadas e bem equilibradas.</p>
<p>Fechando a parte solo, uma transcrição hipervirtuosística do Volodos. Se tivesse terminado aí, o recital seria algo estupendo, de primeira linha, raramente visto por aqui (veja bem, eu quis dizer TÃO estupendo e TÃO de primeira linha), mesmo que tenha faltado um quê de bombástico nos fortíssimos do Volodos.  Mas aí, sem intervalo nem nada, tivemos um concerto de Mozart. E um bem chato, por sinal, o Nº25, em sol maior. Não gostei da orquestra, uns metais e sopros desritmados, desencontrados, desequilibrados, e às vezes, simplesmente tocando notas erradas. Mais uma vez, a enorme dificuldade de tocar Mozart: não chega a ser difícil, só que não pode sair NADA errado. Alguém escreveu que tocar Mozart é como &#8220;carminhar nu pela quinta avenida: tem que se estar em boa forma para fazê-lo&#8221;.</p>
<p>Misha tocou muito melhor que a orquestra, me parece que as cadências foram compostas por ele. Se foram, parabéns novamente, absolutamente deliciosas. Tomou algumas liberdades, é verdade, mas foram muito bem vindas em meus ouvidos.</p>
<p>Daí um intervalo (mal posicionado!), e a Burleske. Talvez por já estar cansado da primeira parte tão longa, mas a Burleske foi chata. A despeito do andamento supra-Argerichiano que foi imprimido à peça (andamento com o qual eu concordo, visto que se tocar mais lento parece um cortejo fúnebre), não empolgou. E não havia nada de errado! Tudo muitíssimo bem acabado, muito criativo, muito bem tocado, muito bem equilibrado. Mas faltou alguma coisa. O quê?</p>
<p>Faltou um não sei o que de irracional, de visceral, de desmensurado, de impulsivo, de agressivo, de avassalador, e, em última análise, talvez de sincero e de puro. A um dado momento meus ouvidos e meu cérebro se cansaram de todo aquele <em>toucher </em>pensado, calculado, medido e bem acabado, e começaram a clamar por algo mais, que não veio. Não sei porquê, mas eu ansiava desesperadamente por algo simples e sincero, que também não veio. Não veio porque não existe (será? Prefiro acreditar que foi um mau momento!). Excelente pianista, de uma competência imensa, mas só isso.</p>
<p>Só isso.</p>
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		<title>Minha Mãe é uma Peça</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Aug 2008 13:04:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Taam</dc:creator>
		
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		<description><![CDATA[A Elvira diz, sobre stand-up comedy que &#8220;se apóia em uma situação muito simples: quanto pior a sociedade, mais papéis o indivíduo tem de desempenhar para viver dentro dela. Desmascarar esses papéis nos faz rir. Rimos quando somos pegos. Tem a ver com constrangimento (nós) ou desfaçatez (as fotos dos jornais)&#8220;.
O teatro Miguel Falabella, no [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Elvira diz, sobre <a title="stand-up comedy" href="http://aguarras.com.br/2007/11/05/comedia-em-pe/" target="_self">stand-up comedy</a> que &#8220;<em>se apóia em uma situação muito simples: quanto pior a sociedade, mais papéis o indivíduo tem de desempenhar para viver dentro dela. Desmascarar esses papéis nos faz rir. Rimos quando somos pegos. Tem a ver com constrangimento (nós) ou desfaçatez (as fotos dos jornais)</em>&#8220;.<span id="more-8635"></span></p>
<p>O <a title="teatro Miguel Falabella" href="http://www.norteshopping.com.br/lazer/teatro.asp" target="_blank">teatro Miguel Falabella</a>, no Norte Shopping é uma iniciativa interessante: com um auditório maior do que, por exemplo, o teatro do planetário da Gávea, mas ainda assim pequeno o suficiente para que todos os lugares sejam bons, é um dos poucos teatros localizados no subúrbio, com horários e preços convidativos, tanto para estudantes quanto para quem trabalha.</p>
<p>O texto de &#8220;Minha Mãe é uma Peça&#8221; é um excelente apanhado de lugares comuns e clichês, coisas que toda mãe fala, já falou ou vai falar. E muitas vezes nós -filhos – não sabemos (porque não somos mães, caspita).</p>
<p>Depois de assistir à peça, minha mãe me contou que, tal qual o ator, também fica repetindo frases como &#8220;Não vai, ah, ele pensa que vai, mas não vai. Não vai&#8230; NÃO VAI!&#8221;, sozinha em casa, na falta de alguém com quem brigar.</p>
<p>O ator, que também escreveu o texto, é fantástico. Paulo Gustavo sustenta, sozinho, com pouquíssimos recursos e um só cenário, um monólogo de duas horas sobre os dramas de uma mãe, divorciada, professora do estado aposentada, com dois filhos, uma tia chata, a nova mulher do ex-marido e as vizinhas. Nenhum deles aparece: os conhecemos através da mãe.</p>
<p>Não é uma obra prima em termos de profundidade, mas não se propõe a isso: se propõe a fazer rir, com pequenas coisas que as mães fazem e falam. E não só aos filhos, elas mesmas riem a beirar o escândalo. A frase mais sussurrada entre o público foi &#8220;É assim mesmo!&#8221;, com as variantes &#8220;Caraca, a minha mãe é assim!&#8221;, ou, mais raro &#8220;Caraca, eu falei isso hoje mesmo!&#8221;.</p>
<p>Devo dizer que saí do teatro uns vinte quilos mais leve, embora com uma leve – e agradabilíssima -  dor no abdôme.</p>
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		<title>Richard Diegues</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/08/12/richard-diegues/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 Aug 2008 13:53:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>AGUARRAS TV</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[AGUARRÁS TV]]></category>

		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

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		<description><![CDATA[Richard Diegues from Aguarrás on Vimeo.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="401" height="267"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="movie" value="http://www.vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=1508524&amp;server=www.vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" /><embed src="http://www.vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=1508524&amp;server=www.vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=00ADEF&amp;fullscreen=1" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" width="401" height="267"></embed></object><br /><a href="http://www.vimeo.com/1508524?pg=embed&amp;sec=1508524">Richard Diegues</a> from <a href="http://www.vimeo.com/aguarras?pg=embed&amp;sec=1508524">Aguarrás</a> on <a href="http://vimeo.com?pg=embed&amp;sec=1508524">Vimeo</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lampadário</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/08/11/lampadario/</link>
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		<pubDate>Tue, 12 Aug 2008 01:40:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Em Lampadário, a poeta carioca Denise Emmer, faz uma sinfonia abordando temas diversos. São poemas reluzentes. Ela, sem dúvida, usa a língua portuguesa a seu favor. Transforma luz em verbo, e faz dele poesia. As sensações que trazem, permanecem no leitor. Se a luz tem som, os sons são parecidos com estes poemas.
A poetisa explora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Em <a title="Lampadário" href="http://7letras.com.br/detalhe_livro/?id=645" target="_blank"><em>Lampadário</em></a>, a poeta carioca Denise Emmer, faz uma sinfonia abordando temas diversos. São poemas reluzentes. Ela, sem dúvida, usa a língua portuguesa a seu favor. Transforma luz em verbo, e faz dele poesia. As sensações que trazem, permanecem no leitor. Se a luz tem som, os sons são parecidos com estes poemas.<span id="more-8616"></span></p>
<p>A poetisa explora a palavra e a transforma, utilizando uma linguagem carregada de símbolos. Ela não faz poesia abordando temas comuns - como morte, solidão, amor, perda, esperança -, faz poesia quando transpõe um sentimento para o papel.</p>
<p>Um dos poemas, &#8220;Dicionário da Língua Bela&#8221; - VI, descreve muito bem seu trabalho neste livro:</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Dê-me a palavra que invento um bosque</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Pleno de repousos e grandes baobás</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Sopre-me o verbo que verso o mote</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Viagem sem norte vento de além mar</em></p>
<p>Provavelmente por sua experiência na música, a sonoridade de seus poemas é marcante. E como o trovão antes do raio, o som vem antes da luz neste livro também.</p>
<p>Denise Emmer, filha dos escritores Dias Gomes e Janete Clair, possui uma extensa produção artística. Além de poetisa, é ficcionista, graduada em Física e Música - violoncelo - e também cantora, compositora e instrumentista. Já ganhou diversos prêmios por sua obra literária. <em>Lampadário</em> é o seu décimo quarto livro.</p>
<p>Publicado pela 7 letras este ano, <em>Lampadário</em> é composto por 42 poemas, tem uma bela capa de Mariana Avillez e prefácio do poeta e editor Alexei Bueno, que também colabora com vários mecanismos de imprensa.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quintessência de Flávio Medeiros Jr.</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/08/07/quintessencia-de-flavio-medeiros-jr/</link>
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		<pubDate>Fri, 08 Aug 2008 01:43:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Decifra-me ou te devoro. É o que diz a Esfinge em seu encontro com Édipo na tragédia grega de Sófocles. Mais do que um desafio, ela é a antecipação de todo o sofrimento de Édipo no processo de auto-descoberta desencadeado ao procurar saber quem é o assassino de seu pai.  Mais do que uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Decifra-me ou te devoro. É o que diz a Esfinge em seu encontro com Édipo na tragédia grega de <a title="Sófocles" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3focles" target="_blank">Sófocles</a>. Mais do que um desafio, ela é a antecipação de todo o sofrimento de Édipo no processo de auto-descoberta desencadeado ao procurar saber quem é o assassino de seu pai.  Mais do que uma das melhores tragédias, o texto é também o nascimento do gênero investigativo que mais tarde daria origem ao gênero policial. Você pode argumentar que Édipo Rei não tem carros de polícia perseguindo o assassino de Laios, mas a essência de um gênero vai além de seus arquétipos, caracterizando-o em grande parte pela atmosfera que consegue criar e pela capacidade de externar no grande mistério da história algo intimamente ligado ao investigador, suas dores e vivências. As mudanças vêm de dentro para fora, as informações de fora para dentro. É isso que move a trama.</p>
<p>Quintessência, romance de <a title="Flávio Medeiros Jr." href="http://quintessencia2004.blogspot.com/" target="_blank">Flávio Medeiros Jr.</a>, não é uma tragédia grega. Sua história se passa milhares de anos depois, em um futuro próximo de nossos medos e distante nos avanços científicos e tecnológicos.  Ainda assim, ao manter (mesmo que por acaso) um diálogo com a busca edipiana, Flávio começa com o pé direito no universo dos romances, criando uma obra de entretenimento repleta de qualidades.<span id="more-8610"></span></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>“A história da humanidade é assim. Após milênios nada muda. As armas evoluem em tecnologia, mas a violência é a mesma. Antigamente os vigaristas perambulavam pelas estradas saltando de sombra em sombra; hoje permanecem sentados em salas com ar condicionado e correm o mundo pela via virtual. Mas a desonestidade, a ânsia de domínio sobre o semelhante, a ambição desmedida, nada muda”. </em></p>
<p><a class="thickbox" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/digitalizar0001.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8614" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Quintessência de Flávio Medeiros Jr." src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/digitalizar0001-80x116.jpg" alt="" width="80" height="116" /></a> Um dos pontos mais interessantes de Quintessência é a utilização do real na construção da projeção futurista, o que torna sua mitologia factível e palatável para o leitor, sendo quase uma brincadeira à parte traçar os paralelos entre atualidade e ficção. Exemplos? A divisão entre as polícias civil e militar que causa tanta controvérsia no Brasil finalmente acabou. A Polícia Unificada é coesa no nome e fragmentada em sua estrutura, vivendo ainda as disputas geradas pelo processo de unificação. Com o aquecimento global, o nível dos mares realmente subiu, afetando ilhas e cidades litorâneas como o Rio de Janeiro. Se você conhece a cidade, sabe que quem mora perto do mar é a classe social mais alta e no alto do morro, a parte segura, as pessoas de menor renda. A partir disso, imagine a confusão que o derretimento das geleiras causaria por lá. No quesito poluição, o grande ícone é São Paulo. A situação piorou demais e é praticamente impossível respirar sem máscaras e filtros. Belo Horizonte é um dos poucos lugares a lembrar esse mundo ‘antigo’ em que vivemos. Ainda há natureza, água, ar e shoppings, elementos básicos da sobrevivência humana. Os shoppings, entretanto, foram levados à quase extinção. Nossa inestimável Internet evoluiu para algo mais sofisticado, chamado ultranet, facilitando o comércio eletrônico e transformando os templos do consumo em peças de museu.</p>
<p>É exatamente em um desses templos ainda funcionais, o BH Shopping, que começa o romance Quintessência. Reverberando o medo atual que temos de atentados, Flávio apresenta um terrorista típico. Só descobrimos que ele existe através de sua ação. Ele surge, mata, explode e desaparece. Sem nome, passado e presente, ele nada diz. Sobram corpos e mais corpos espalhados pelo chão e a sensação de fragilidade da população.</p>
<p>Nesse cenário caótico, os leitores são apresentados a Tom Rizzatti, policial e investigador que tentará desvendar o massacre e descobrirá que as coisas são piores do que parecem (sempre são).</p>
<p>Tom Rizzatti é um personagem de apelo certeiro. Está acima dos reles mortais – já que é um policial bem treinado, tem uma arma futurista de dar inveja e um prático implante no olho – e ao mesmo tempo é humano, passível de erros e distúrbios de humor como qualquer um. É aquele sujeito com quem você toma uma cerveja no bar, mas pode contar nos momentos difíceis. São das falas de Rizatti que vêm as melhores frases do livro, geralmente ironizando os demais personagens ou fazendo referências ao universo dos HQs. “Minha merda em bytes!”, diz ele cada vez que se vê surpreso. Flávio Medeiros Jr. consegue alternar os momentos de bom-humor tanto com filosofias de porta de banheiro quanto com debates mais profundos relativos aos dilemas da ciência e às mazelas da sociedade, devidamente ampliados ou restringidos pela peculiar mentalidade futurista.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>“Às vezes fico pensando no bidê. Hoje quase ninguém mais tem bidê em casa. É um objeto obsoleto, inútil, que permanece de maneira insolente ocupando o espaço entre a pia e o vaso sanitário. O bidê existe de teimoso, e nem sequer sei direito para que ele serve. O bidê é o máximo da obsolescência e solidão. (&#8230;) Às vezes me sinto um bidê&#8230;”</em></p>
<p>Além da mitologia e da proposta de nova sociedade (com destaque para a visão do autor sobre a futura geração de adolescentes, suas novas gírias e gosto peculiar por música e hologramas), Flávio também acerta na estrutura escolhida para narrar a história. Como um bom livro policial, o Quintessência traz perseguições e tiroteios; do lado ficção, ele aproveita apetrechos e novidades tecnológicas; do toque de suspense, desconfianças e reviravoltas repentinas aquecem o relacionamento dos personagens, mas acima de tudo, a história avança à base de informações. É um erro corriqueiro entre novos autores achar que correrias e lutas impõem ritmo a um livro. Quintessência não sofre desse mal.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>“Guinei com tudo para a esquerda e meu carro descreveu um perfeito cavalo-de-pau. Parei de frente para a pista por onde tinha vindo. Acelerei, levantando uma nuvem líquida no asfalto molhado e um cheiro de plastiborracha queimada. O Black Beetle vinha bem à frente do outro carro, e vi uma luz arredondada dos dois faróis a laser se aproximando rapidamente. Não sei se o bom e velho Cabeção foi pego de surpresa ou se pretendeu por um instante de tolice bancar o ‘matcho’, porque não se desviou nem reduziu a velocidade. Vinha direto para mim!”</em></p>
<p>Pelos elementos bem dosados, Quintessência tem boas chances de agradar a públicos diversos, seja na questão dos gêneros ou da faixa etária, já que é um livro com personagens de vigor jovem que ao mesmo tempo aborda dilemas mais adultos.  Fica a torcida para que Tom Rizzatti ganhe força para aparecer em novas seqüências e que Flávio Medeiros Jr. não caia na tentação de reciclar o vilão (sim, mesmo o terror disperso tem sua cabeça pensante) ofuscando o desenvolvimento do protagonista e de seus parceiros.<br />
Alguém aí falou na informante hacker?</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Quintessência<br />
Flávio Medeiros Jr.<br />
Ed. Monções<br />
227 páginas.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Elias Fajardo</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/08/04/elias-fajardo/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Aug 2008 22:34:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Primeiro uma aulinha chata. O que é arte contemporânea, meninos?
O que é, ninguém sabe. Mas dá para citar algumas características. Uma: a banalidade. Cansadíssimo da grandiloqüência modernista, masculina e arrogante, sem agüentar mais ouvir falar de sublime perto da palavra arte, o contemporâneo existe para mostrar a impossibilidade atual de qualquer delírio autopromocional. Daí que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro uma aulinha chata. O que é arte contemporânea, meninos?</p>
<p>O que é, ninguém sabe. Mas dá para citar algumas características. Uma: a banalidade. Cansadíssimo da grandiloqüência modernista, masculina e arrogante, sem agüentar mais ouvir falar de sublime perto da palavra arte, o contemporâneo existe para mostrar a impossibilidade atual de qualquer delírio autopromocional. Daí que em vez de mármore, dá-lhe cotidiano, um pó de tijolo aqui, um caixote ali. Uma costura dessas assim, alinhavo, feita à mão. Duas: se você falar de abstrato ou figurativo perto de um contemporâneo ele vai achar que você é Múmia, Parte 25. Nada mais é abstrato ou figurativo, é tudo real.<span id="more-8600"></span></p>
<p>Aquilo lá existe. Pronto. E tem mais. Existe ali, na galeria/museu/ateliê e já existia antes, na prateleira, armário ou álbum de fotos. E aquilo - ok, obra de arte - traz, para sua existência artística, resquícios de sua realidade anterior, mais corriqueira. Então, tem às vezes um tempo duplo aí, lado a lado. Três: a política de identidade na contemporaneidade foge dessas palavras aí que eu usei e prefere falar da mesma coisa de um modo menos amplo, menos &#8220;nacional&#8221;, em localizações de gênero, de biografias pessoais que podem ou não ser verdadeiras, às vezes descambando para a invenção convicta de personagens, narrativas, autoficção. Certo, vou citar a Cindy Sherman, já que citada está, sempre, em qualquer texto sobre o assunto. É quase uma performance estática, de objeto. O objeto sendo, ele mesmo, uma ação, um desdobramento, ele mesmo contém, nele, seu ambiente.</p>
<p><a class="thickbox" rel="fajardo" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519c.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8605" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Elias Fajardo - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519c-80x55.jpg" alt="" width="80" height="55" /></a> E depois vou citar o Elias Fajardo. Não vi exposição alguma dele. Visitei o ateliê. Uma intimidade de pote de tinta, de precariedade equilibrista dos quadros grandes dependentes de paredes e pregos pequenos. Nada pomposo lá. E as pinturas - sim, são pinturas - nascem de fotos que são impressas sobre a tela ou placa, e depois pintadas e modificadas. As fotos são de ciclistas solitários que vão e voltam depois; são do Jardim Botânico onde aparece a sombra do artista, no chão, já transformado em personagem, em M. Hulot de chapéu, presente ali no que faz, modificando, e sabendo disso, o que faz com a sua presença. Nenhum delírio de poder, nenhuma ilusão de obra independente e perfeita. Nada disso. E há a série <em>O fecho do mundo</em>, sendo que o fecho, no caso, é fecho mesmo, éclair. Que o Aurélio, aquele besta, chama de fecho-relâmpago, traduzindo o galicismo ao pé da letra. Essa série é a que mais se aproxima da narrativa contemporânea que, sim, é imagética. Da mesma forma que a literatura contemporânea é, pois é, toda ela feita de cenas de filmes, de imagens. Os da série <em>Fecho do mundo</em> são uma costurinha que você abre no fecho éclair e vê outra costurinha, com a imagem de dentro se relacionando, de alguma forma no tempo, com a imagem do lado de fora. Assim, tem o barco e o barqueiro que dorme, tem a cadeira velha e a menina que espia da porta perto da cadeira. E tem a série da família de Fajardo, com três fotos sobrepostas em três estâncias costuradas. A primeira do final do século XIX, a segunda dos anos 40 do século XX e a última de agora há pouco, nos 60 anos do artista. As fotos são posadas, e o lugar é Tebas, Minas Gerais, de onde ele vem. São universais. Todos temos essa família e algum lugar parecido com Tebas de algum canto do nosso passado-presentificado por fotos (<a title="Roland Barthes" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Roland_Barthes" target="_blank">Barthes</a>: o estar ali e o ter estado ali, sobrepostos).</p>
<p style="text-align: center;"><a class="thickbox" rel="fajardo" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519b3.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8604" title="Elias Fajardo - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519b3-80x113.jpg" alt="" width="80" height="113" /></a> <a class="thickbox" rel="fajardo" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519b2.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8603" title="Elias Fajardo - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519b2-80x116.jpg" alt="" width="80" height="116" /></a> <a class="thickbox" rel="fajardo" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519b1.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8602" title="Elias Fajardo - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519b1-80x63.jpg" alt="" width="80" height="63" /></a></p>
<p>Fazendo parte de esse estar-no-mundo absolutamente contemporâneo, uma compota de manga. Como tudo que fazemos de melhor na arte hoje, essa também não era durável. Comi. Era ótima.</p>
<p style="text-align: center;"><a class="thickbox" rel="fajardo" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519d.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-8606 aligncenter" title="Elias Fajardo - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519d-80x57.jpg" alt="" width="80" height="57" /></a></p>
<p>Na série <em>Velocidade Máxima</em>, os ciclistas, lentos, passam por paisagens que Fajardo modificou. Uns pretos para que as árvores fossem mais para trás do que já estavam, um chão que dá umas voltas e volta de onde veio. Um ir sem saber para onde.</p>
<p style="text-align: center;"><a class="thickbox" rel="fajardo" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519a.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8601" title="Elias Fajardo - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0519a-80x59.jpg" alt="" width="80" height="59" /></a></p>
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		<title>Ensina-me a viver</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Aug 2008 20:46:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Essa adaptação do texto de Colin Higgins não tinha como dar errado. Texto bom, equipe boa: peça boa. Glória Menezes dispensa comentários. E não concordo que seja um texto sobre uma história de amor improvável. Qualquer um se apaixonaria por Maude. Improvável é ver algo provável ser tão bem explorado. O bom é ver uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Essa adaptação do texto de<a title="Colin Higgins" href="http://www.colinhiggins.org/" target="_blank"> Colin Higgins</a> não tinha como dar errado. Texto bom, equipe boa: peça boa. Glória Menezes dispensa comentários. E não concordo que seja um texto sobre uma história de amor improvável. Qualquer um se apaixonaria por Maude. Improvável é ver algo provável ser tão bem explorado. O bom é ver uma montagem com qualidade, que, além do esperado, ainda arruma tempo para surpreender.</p>
<p><span id="more-8598"></span>No <a title="Teatro do Leblon" href="http://www.teatros.art.br/" target="_blank">Teatro do Leblon</a>, Sala Marília Pêra, que não é das mais confortáveis, estará em cartaz, a um preço nada popular, até 26 de outubro, a peça ‘Ensina-me a viver’. Adaptada e dirigida por João Falcão, que não é só fama, ele nos mostra um trabalho impecável, o texto foi lindamente apresentado. O jovem Arlindo Lopes é um ator brilhante. O menino comprou os direitos da peça, buscou produtora e equipe e ainda representa Harold de forma excepcional. O que dizer mais?</p>
<p>Ilana Kaplan, Fernanda de Freitas e Augusto Madeira também não deixam por menos. Junto ao elenco de apoio, composto por Verônica Valentin, Guilherme Siman, Walisson de Souza e Jamil Pedro, os atores exageram na sintonia. E é exatamente nisso que o espetáculo é grandioso: sintonia.</p>
<p>O encontro entre um rapaz de 20 anos problemático com uma senhora de quase 80 anos que sabe ser feliz, ganha vida com um muito capricho. O cenário é simples, mas eficiente. A cor preta é o principal elemento que mostra como algo pode ser multifacetado. Um fundo preto e recortes de um pano preto, que são montados como cortinas, permitem uma mobilidade que constrói um jogo de cenas interessantíssimo. Trata-se de uma espécie de tela, não sei, que permite a visualização de nuances pospostos e, ao mesmo tempo, serve de base para a projeção de imagens. Isso somado a objetos de ferro, como cadeiras e esculturas, e uma iluminação inteligentíssima. São 110 minutos de espetáculo com um apelo visual cinematográfico que encanta.</p>
<p>A pergunta principal não nos deixa dúvidas do que faz alguém se sentir bem ao lado de outra pessoa: você conhece alguma coisa melhor do que rir junto com alguém? Pois é, isso é a essência da história de amor do casal e é o grande atrativo do texto também. Tiradas cômicas, tanto nos diálogos como nas armações de filme de terror das simulações dos suicídios de Harold para impressionar a mãe, fazem da apresentação algo agradável. È muito gostoso rir junto com eles.</p>
<p>Ao mesmo tempo, as cenas românticas são muito bem pensadas e encantadoras. O que era para ser drama ganha paixão, principalmente pelas interpretações. Quando Maude sai de cena dizendo a Harold que vale a pena, ela lhe garante, parece também ser um toque de uma atriz experiente para um jovem ator.</p>
<p>Comemorando 50 anos de carreira artística, Glória Menezes é suave e alegre. Arlindo Lopes, com uma carreira bem mais curta, é um ator completo que, ali no palco, mostra-nos, numa atuação impecável, que ele já sabe o que a colega está dizendo.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Adaptação e direção: João Falcão<br />
Tradução: Millôr Fernandes<br />
Elenco: Glória Menezes, Arlindo Lopes, Ilana Kaplan, Augusto Madeira, Fernanda de Freitas, Verônica Valentin, Guilherme Siman, Walisson Souza e Jamil Pedro<br />
Cenografia: Sério Marimba<br />
Iluminação: Renato Machado</em></p>
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		<title>Laerte Ramos</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Aug 2008 20:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>

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		<description><![CDATA[Não chega a ser agradável, mas pelo menos obriga você a ir para frente. Falo quando você vê alguma coisa e escuta aquela vozinha de dentro da sua cabeça dizendo, ah, isso?! Já sei. E não sabe. Por exemplo, xilogravura e cerâmica que, quando separadas já se põem no centro de um popular, de uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não chega a ser agradável, mas pelo menos obriga você a ir para frente. Falo quando você vê alguma coisa e escuta aquela vozinha de dentro da sua cabeça dizendo, ah, isso?! Já sei. E não sabe. Por exemplo, xilogravura e cerâmica que, quando separadas já se põem no centro de um popular, de uma brasilidade. Quanto mais juntas. E aí vem Laerte Ramos e você olha as xilos. Limpas, tecnológicas por assim dizer. Retas. Máquinas. E o popular e a brasilidade escoam pelo ralo. Mas claro que tem alguma coisinha por ali, sempre tem. Um olá, um eco. Você acha isso e então procura. Mas as montanhazinhas têm neve em cima, os naviozinhos são de guerra, nada a ver com a nossa história. E há uns pedacinhos que parecem quebrados mas que são, como tudo ou quase tudo, esmaltados com aquela perfeição brilhosa que só esmalte tem. Dizendo: linhas retas, universais, e agora esse brilho que também não quer saber de gestos, falhas, gambiarra alguma. <span id="more-8592"></span></p>
<p style="text-align: center;"><a class="thickbox" rel="laerte" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0520a.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8593" title="Laerte Ramos - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0520a-80x51.jpg" alt="" width="80" height="51" /></a> <a class="thickbox" rel="laerte" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0520b.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8594" title="Laerte Ramos - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0520b-80x47.jpg" alt="" width="80" height="47" /></a> <a class="thickbox" rel="laerte" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0520c.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8595" title="Laerte Ramos - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0520c-80x60.jpg" alt="" width="80" height="60" /></a> <a class="thickbox" rel="laerte" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0520d.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8596" title="Laerte Ramos - fotografia de Elvira Vigna © Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/divjorn0520d-80x60.jpg" alt="" width="80" height="60" /></a></p>
<p>Em uma última tentativa de não sair do bem-bom do déjà-vu, você se lembra da junção tecnológico-espiritual de um <a title="Anish Kapoor" href="http://www.artcyclopedia.com/artists/kapoor_anish.html" target="_blank">Anish Kapoor</a> e começa a procurar por algum indício de transcendência até tropeçar no óbvio: são séries. Não é nem imanência, essa outra palavra oriunda da filosofia. É indústria mesmo, coisa feita em vários exemplares. Mas em tudo aquilo há alguma coisa na torção de uma cerâmica, no bonequinho enfermeiro, na &#8220;logotipagem&#8221; das formas das xilos que provoca um quase-sorriso. É uma coisa meio alegre e, ó cabeça, você torna a lembrar do que não deve, os bonequinhos dos ceramistas nordestinos, também imersos em índices sociais: a situação de prestação de socorro médico, a formação naval, umas dobras que, bem, são quase aviõezinhos que seriam de papel não fossem de cerâmica.</p>
<p>Então.</p>
<p>E você lembra da performance que o artista acaba de fazer na <a title="Vermelho" href="http://www.galeriavermelho.com.br/" target="_blank">Vermelho (SP)</a>. Uma coisa muito da óbvia, mas meio engraçada: a platéia da performance sendo o que aparece em vídeo na caixa de guardar o pó aspirado pelo aspirador de pó. E que se chama <em>Do pó ao pó</em>. Coisa rápida, o vídeo. Muito lenta, a performance. E você se pega mais uma vez pensando na construção ininterrupta de uma identidade, uma das muitas que sempre existem, possíveis, concomitantes, e que é a que junta em um mesmo espaço atual você e uma coisa que não é bem que seja antiga, é só sem tempo - serializada, indefinida, de qualquer época. Simultaneidade espacial e desencontro temporal. E é, eu sei, eu sou maluca. Mas, hein? Não parece o seu dia de hoje? Ou você vai dizer que não ficou perto de alguma coisa que não fazia parte, em absoluto, do tempo que você considera ser o presente? Uma coisa, assim, típica do Brasil, arcaico e lá adiante, na frente. Ao mesmo tempo.</p>
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		<title>Geraldo Marcolini e Sidney Philocreon</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/08/01/geraldo-marcolini-e-sidney-philocreon/</link>
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		<pubDate>Fri, 01 Aug 2008 14:22:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>nota</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[acontece/blog]]></category>

		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

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		<description><![CDATA[
Geraldo Marcolini e Sidney Philocreon
amarelonegro arte contemporânea
4 a 30 de agosto de 2008
Segunda a sexta das 11 às 19h, sábado das 11 às 16h.
Rua Viscode de Pirajá, 111 loja 6
Ipanema
Rio de Janeiro RJ
Tel (21) 2247-3086
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/convite.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8589" title="Geraldo Marcolini e Sidney Philocreon" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/08/convite-80x31.jpg" alt="" width="80" height="31" /></a></p>
<p>Geraldo Marcolini e Sidney Philocreon</p>
<p><a class="thickbox" title="amarelonegro arte contemporânea" href="http://amarelonegro.com/" target="_blank">amarelonegro arte contemporânea</a></p>
<p>4 a 30 de agosto de 2008<br />
Segunda a sexta das 11 às 19h, sábado das 11 às 16h.</p>
<p>Rua Viscode de Pirajá, 111 loja 6<br />
Ipanema<br />
Rio de Janeiro RJ<br />
Tel (21) 2247-3086</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Aquarelas do Ary</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/07/31/aquarelas-do-ary/</link>
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		<pubDate>Thu, 31 Jul 2008 20:36:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Está em cartaz no teatro Maison de France o musical Aquarelas do Ary, sobre a vida e obra de Ary Barroso. O texto de Marcos França, com direção de Joana Lebreiro, é estrelado pelo próprio Marcos, pela graciosa Claudia Ventura e por Alexandre Dantas.

O cenário, em preto e branco, é composto por imensas partituras musicais, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está em cartaz no <a title="teatro Maison de France" href="http://teatromaisondefrance.com.br/" target="_blank">teatro Maison de France</a> o musical <em>Aquarelas do Ary</em>, sobre a vida e obra de <a title="Ary Barroso" href="http://www.arybarroso.com.br/" target="_blank">Ary Barroso</a>. O texto de Marcos França, com direção de Joana Lebreiro, é estrelado pelo próprio Marcos, pela graciosa Claudia Ventura e por Alexandre Dantas.<br />
<span id="more-8581"></span><br />
<a class="thickbox" rel="ary" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/ary1.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8584" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="ary1" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/ary1-80x53.jpg" alt="" width="80" height="53" /></a>O cenário, em preto e branco, é composto por imensas partituras musicais, feitas por Jacy de Mattos Madeira. Elas e um telão, no centro, formam a base para as projeções que ilustram episódios da história de Ary e nos ajudam a compor as memórias. De forma harmoniosa, com a contribuição de um belo trabalho de iluminação, todos os elementos importantes da vida do compositor estão ali retratados: a música, com o piano e as partituras, e a boêmia, com a cerveja, que os atores bebem durante as encenações.</p>
<p>Desde do início tudo é muito convidativo, as cortinas nunca se fecham e as luzes não se apagam completamente. Cada um dos atores sobe ao palco individualmente, passam uma música, e, após isso, em vez da comum campainha, eles tocam o gongo, que é usado para encenar o programa de auditório.</p>
<p><a class="thickbox" rel="ary" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/ary2.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8585" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="ary2" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/ary2-80x53.jpg" alt="" width="80" height="53" /></a>O espetáculo começa propriamente quando Claudia, que possui uma voz belíssima, faz uma apresentação poética, animada e muito descontraída, sobre o início da vida de Ary. Os atores nos contam de forma bem agradável desde as travessuras da infância do compositor até sua morte. Passam por todas as etapas da vida dele e há momentos contados de forma bem cômica.</p>
<p>Os atores não cantam as músicas simplesmente, as interpretam no máximo rigor da palavra. Seus gestos e expressões acompanham suas vozes com admirável apuro. As letras das músicas de Ary Barroso são responsáveis por boa parte do texto. São elas, organizadas de forma astuciosa, que nos contam vários episódios de sua vida. É impressionante como esse gênio conseguia fazer música dos eventos mais banais do dia-a-dia.</p>
<p><a class="thickbox" rel="ary" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/ary3.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8586" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="ary3" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/ary3-80x53.jpg" alt="" width="80" height="53" /></a>Tudo é praticamente perfeito. A única desatenção com espectador é em relação à visualização por parte do público que assiste ao espetáculo do segundo andar, onde eu estava. Algumas cenas se passam fora do palco e, simplesmente, não podem ser vistas pelos que ocupam a partir da segunda fileira de cadeiras e os da primeira precisam debruçar-se para vê-las. Restou-nos, então, ouvi-las.</p>
<p>Foram 100 minutos emocionantes e o elenco foi aplaudido de pé por uns cinco minutos. Isso alude bem o belíssimo espetáculo que assistimos. E, dependendo do lugar em que o espectador se sentar, poderá facilmente defini-lo como ‘perfeito’.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: Marcos França<br />
Direção: Joana Lebreiro<br />
Elenco: Claudia Ventura, Alexandre Dantas, Marcos França<br />
Direção musical e arranjos: Fábio Nin<br />
Sopros: Daniel Máximo<br />
Percussão: Geórgia Câmara<br />
Violão: Fábio Nin (subst. Raphael Berendt)<br />
Piano: Ana Lucia Santoro</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Anotações ínfimas</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/07/30/anotacoes-infimas/</link>
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		<pubDate>Wed, 30 Jul 2008 21:51:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswaldo Martins</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Redor. O livro, escrito por Masé Lemos e publicado pela 7 letras, se escreve em torno de um fingimento perspicaz. Ao anotar-se a si mesmo como uma poética sobre o ínfimo, trai sua própria vertigem. A simplicidade requerida, como bem anota Paula Glanadel, faz parte de suas intenções conscientes, mas é transtornada por uma outra [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Redor" href="http://www.7letras.com.br/detalhe_livro/?id=481" target="_blank">Redor</a>. O livro, escrito por Masé Lemos e publicado pela <a title="7 letras" href="http://www.7letras.com.br/" target="_blank">7 letras</a>, se escreve em torno de um fingimento perspicaz. Ao anotar-se a si mesmo como uma poética sobre o ínfimo, trai sua própria vertigem. A simplicidade requerida, como bem anota Paula Glanadel, faz parte de suas intenções conscientes, mas é transtornada por uma outra consciência, mais profunda, que sabe não ser possível a simplicidade, ou que a simplicidade faz parte deste fingimento perspicaz de se fingir simples para atingir visagens outras.<span id="more-8579"></span></p>
<p>O ser permanece enquanto vive; as coisas vividas se esboroam. A morte é um dos temas transversos, embutido contra a aparente platitude das coisas. A partir da morte - não da lamentação da morte, ou da dor causada pela morte - Masé Lemos vai dialogar com a reflexão limítrofe entre o que vive e o que se acaba. Tomem-se dois exemplos. <em>Carta para a menina morta </em>e <em>A mariposa</em>. As referências do diálogo são respectivamente o livro de <a title="Cornélio Pena" href="http://www.infopedia.pt/$cornelio-pena" target="_blank">Cornélio Pena</a> - <em>A Menina Morta </em>e o capítulo a <em>Borboleta Preta</em>, de Machado de Assis, em <em>Memórias Póstumas</em><em> de Brás Cubas</em>. A presença da reflexão sobre a morte em <em>Carta</em> se liga à reflexão sobre a escrita.</p>
<p>O livro de Cornélio Pena, autor tão pouco lido quanto pouco estudado, é uma dessas obras que demarca as fronteiras entre uma percepção literária tomada como tradição e, de dentro desta tradição, faz surgir uma nova percepção de escrita, para a qual o evento não é o fundamental. O poema de Masé Lemos anota displicentemente: &#8220;sua arte de ficção [todas as regras] recomeçara lentamente a construir um mundo e era possível segui-lo nesses passos para fazer ecoar o silvo prolongado de uma idéia, de uma palavra em mil decifrações como ventos a se perseguirem em louca agitação.&#8221; A obra se faz a partir de uma cosmogonia. Constrói-se e formaliza o mundo e lhe dá significado. Esse significado não se encontra disposto aqui nem ali - é dado pela capacidade de refletir sobre as coisas, isto é, para a poeta, de refletir sobre as palavras, metáfora abundante na última parte do livro. Mas para que os incautos não apaguem o traço revestido pela palavra, entenda-se que palavra aqui é tomada como nomeação não da coisa em si, mas das relações que as coisas, isto é, as palavras, podem construir e constroem.</p>
<p>Machado. Em a <em>Borboleta</em><em> Preta</em>, o escritor determina a morte por seus acasos. Sem o restante do livro, por mais que o capítulo seja autônomo, a reflexão se quedaria parcial ou mesmo nula, porque a arte de piparotes do autor não se faria ler. O capítulo de um livro não chega a ser uma palavra - no sentido que se toma nestes comentários. A palavra só existe enquanto palavras se posta em relação. A borboleta preta só é a borboleta preta - um significado - porque pertence a um universo que passou a existir após o livro. Assim, ao tomar o emblemático capítulo do Bruxo como referência, a autora de <em>Redor </em>pressupõe a incorporação em seu poema do capítulo e em seu livro do livro. Esta opção aponta para a percepção de que o livro de Masé deve ser lido como uma formulação fictícia, na qual os capítulos/poemas sucedem-se para montar um quadro de significações que seja como que um cosmo gerado no livro, por isso avisa: &#8220;A mariposa não sabe os perigos da madrugada.&#8221;</p>
<p>Os perigos da madrugada parecem ser de imediato um lugar comum, bem como a citação de Machado. Uma coisa simples. Entretanto o poder de driblar a citação e a simplicidade está na concepção do assombro que toda casa teve ao acordar e na necessidade de livrar-se do incômodo desta borboleta machadiana rediviva, como se a presença da bruxa significasse perigo para a simplicidade de nossas palavras cotidianas. A morte se insurge por essas brechas. A morte não como uma metafísica, mas como uma anotação sobre o ínfimo, como notação de que o ser, nada metafísico, permanece enquanto as meninas morrem, sem acontecimentos; enquanto as bruxas são jogadas do sexto andar ou enquanto as coisas se encantam em palavras.</p>
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		<title>Batman - Dark Knight</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 20:50:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>

		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

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		<description><![CDATA[Direto aos números. O que Batman Begins conseguiu no tempo total de exibição nos cinemas (~ US$372 milhões), sua seqüência Batman Dark Knight ultrapassou em dez dias (US$442 milhões). É muito dinheiro, muito sucesso. Se você não tem nenhum valor em mente para fazer a comparação, espie no texto anterior dados da Ancine sobre o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Direto aos números. O que Batman Begins conseguiu no tempo total de exibição nos cinemas (~ US$372 milhões), sua seqüência Batman Dark Knight ultrapassou em dez dias (US$442 milhões). É muito dinheiro, muito sucesso. Se você não tem nenhum valor em mente para fazer a comparação, espie no texto anterior dados da Ancine sobre o cinema nacional ou resenhas passadas sobre blockbusters. Claro que nada ocorre por acaso. O bom resultado é fruto dos elogios recebidos em Batman Begins, da intensa campanha de marketing da Warner (que deve beirar o orçamento do filme: US$185 milhões), do trabalho para lá de competente do diretor Christopher Nolan e da infeliz morte de Heath Ledger, o ator australiano que interpreta o Coringa – provavelmente o melhor vilão desde Hannibal Lecter, de Silêncio dos Inocentes. E que ninguém me fale de Jigsaw.<br />
<span id="more-8573"></span><br />
<a class="thickbox" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/wallpaper_burning_1024.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8577" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="Batman - Dark Knight" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/wallpaper_burning_1024-80x60.jpg" alt="" width="80" height="60" /></a>Para mudar o hábito, vou começar com a atuação de Heath Ledger. Na época em que foi escolhido, muita gente ficou de pé atrás porque o ator não tinha o biótipo do personagem dos HQs. Essa birra de fã passou logo que as primeiras imagens do Coringa foram divulgadas e foi enterrada de vez quando as sessões-teste começaram. Atuações e filme só recebiam elogios. O boca a boca dava conta de uma atuação estupenda, uma releitura completamente psicótica de um vilão que faz do humor negro motor para o planejamento de crimes, mutilações e assassinatos. Ledger construiu detalhe por detalhe o assassino, cheio de tiques e olhares, transformando o Coringa em um personagem factível, compatível com a proposta do diretor de fazer de Gotham City uma cidade vulnerável como outra qualquer.</p>
<p>Para atualizar o personagem, Christopher Nolan trabalhou o Coringa como um terrorista. Ninguém sabe muito bem os porquês por trás dos atos. O melhor que a polícia e o governo conseguem fazer é considerá-lo louco, já que buscar explicações não muda o fato do terror que ele espalha. Coringa representa o caos absoluto, mas um caos arquitetado peça por peça, invisível, que só mostra a cara nas conseqüências, nunca durante o processo. Não é à toa que, apesar do vilão preferir usar facas nos combates, seus ataques em massa usam sempre explosões e seus testemunhos ocorrem através de vídeos caseiros (a vantagem da gasolina e da dinamite é que são baratos, diz o personagem).</p>
<p>Na história, o crime organizado de Gotham City mudou seus hábitos graças ao Batman. Os ladrões andam acuados e mesmo os poderosos da máfia (peça importante nos HQs) preferem evitar confrontos com o herói, amargando prejuízos cada vez maiores nas bocas de tráfico. Aliado à polícia, Batman começa a rastrear com notas marcadas os bancos que guardam o dinheiro da máfia, atacando onde realmente dói: no bolso. É aí que aparece o Coringa – uma evolução natural do padrão de vilão em resposta à evolução do herói. Disposto a chamar a atenção, o palhaço assalta um banco e rouba o dinheiro dos mafiosos. Quando estão reunidos para decidir como recuperar a grana, o Coringa reaparece e faz uma proposta: me contratem para matar o Batman, como pagamento quero metade do dinheiro. Simples assim. Para sorte ou azar de Batman, sua presença não influenciou só os bandidos. Inspirado por seus atos, pessoas comuns começam a se vestir de Batman para atacar traficantes e assaltantes, mesmo correndo o risco de morrer. Quem também dá as caras é o promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), que combate ativamente o crime em Ghotam sem uma máscara no rosto, e se torna o alvo preferencial de 10 entre 10 bandidos que não gostam muito de sua honestidade. Apesar de inspirador para os cidadãos de bem, Harvey faz Batman se sentir no caminho errado por ter que esconder o rosto para agir.</p>
<p>Com a quantidade de informações no parágrafo acima, fica fácil entender porque Batman – O cavaleiro das trevas é longo, truncado e confuso. Por melhor que seja o seu resultado final, uma enxugada no roteiro e uma equipe de montagem mais atenta resolveriam boa parte dos problemas e dariam menos dor de cabeça no espectador. Concordo que a idéia seja promover o caos através da falta de origem ideológica do Coringa, mas uma composição mais ordenada das cenas ajudaria como contrapeso. De câmera nervosa basta Bruxa de Blair.</p>
<p>Ainda assim, <a href="http://wwws.br.warnerbros.com/thedarkknight/" target="blank">Batman</a> é um filmão, imperdível para qualquer fã de ação, gibis, aventura, suspense, policial e&#8230; ponha seu adjetivo aqui. Ao trazer a mitologia dos HQs para o mundo real, <a href="http://www.imdb.com/name/nm0634240/" target="blank">Chris Nolan</a> conseguiu montar o que será lembrado como o melhor retrato cinematográfico do mundo pós-11 de setembro. Sabe a paranóia que estava escondida ali na esquina, nas mãos de um sujeito comum, às vezes de terno e gravata, às vezes de barba e turbante? Finalmente dobrou a rua trazendo um largo sorriso no rosto.</p>
<p>Além do Coringa e do vilão Duas Caras (Harvey Dent após um pequeno contratempo), outros personagens clássicos que marcam presença são: O Espantalho (Cillian Murphy em rápida aparição), <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lucius_Fox" target="blank">Lucius Fox</a> (Morgan Freeman), Comissário Gordon (Gary Oldman, para variar impecável) e o mordomo Alfred (Michael Cane), um verdadeiro elenco de luxo.</p>
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		<title>As centenárias</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 19:35:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Humor de qualidade! Essa é uma das formas como posso definir a peça “As centenárias”, representada pelas simpaticíssimas e maravilhosas Andréa Beltrão e Marieta Severo, com direção de Aderbal Freire-Filho. O texto, de Newton Moreno, escrito especialmente para a dupla, além de muito bem bolado é mesmo uma celebração da amizade que as duas mantêm [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Humor de qualidade! Essa é uma das formas como posso definir a peça “As centenárias”, representada pelas simpaticíssimas e maravilhosas Andréa Beltrão e Marieta Severo, com direção de Aderbal Freire-Filho. O texto, de Newton Moreno, escrito especialmente para a dupla, além de muito bem bolado é mesmo uma celebração da amizade que as duas mantêm desde finais dos anos 80.</p>
<p>Marieta e Andréa são Socorro e Zaninha, duas carpideiras que levam a vida a prantear os mortos e a contar histórias no interior do nordeste. Amigas de longa data, as mulheres, entre histórias e cantorias (as “incelenças”, cantos fúnebres das carpideiras), acabam por enganar a Morte, representada por Sávio Moll, adiando o inevitável.</p>
<p>A peça conta com uma narrativa não-linear, que volta ao passado e retorna ao presente constantemente. Mas tudo acontece de forma muito clara, de modo que é possível compreender o jogo temporal bastando o mínimo de atenção. Diferentemente do cinema, que conta com mil recursos para marcar o tempo, o teatro depende de pequenos detalhes, como, por exemplo, a suave tremedeira de Andréa Beltrão, que em determinados momentos marca a velhice da personagem em contraponto com a não-tremedeira, que aponta para uma idade menos avançada, quando a personagem acaba de dar à luz um menino.</p>
<p>O cenário é como um picadeiro de circo, tendo como peça central um caixão. As atrizes, além de interpretarem as carpideiras, utilizam-se de marionetes, ou seja, por vezes Marieta interpreta paralelamente Lampião e Socorro, através de um fantoche com a cara da personagem. Diz o diretor: “O duelo com a morte é um clássico da cultura popular, muitas vezes cantado na literatura de cordel. Daí até as feiras é um passo. E das feiras ao circo. Fazendo esse percurso naturalmente entramos na tradição popular da paródia, da bufonaria, do palhaço. Enfim, do riso que não se intimida mesmo com a morte&#8221;.</p>
<p>Assistir Marieta Severo e Andréa Beltrão no teatro foi umas das melhores experiências que já tive. Acostumadas a vê-las apenas em novelas ou no cinema, nunca tive acesso ao verdadeiro potencial das duas. E como se dão bem no palco&#8230; Incrível! Além de atuações fantásticas, cantam bem! Afinadíssimas! E o sotaque de nordestina da Andréa Beltrão é de fazer até defunto rir. É o tipo de atuação que não precisa de piada para ser engraçada. As duas, caladas, paradas, no meio do picadeiro já são uma comédia.</p>
<p>Tudo contribui para o sucesso do espetáculo. As atuações, o cenário, o figurino e até mesmo a disposição das cadeiras do teatro. É como uma semi-arena, o que faz com que todos os lugares sejam bons! Isso é um ponto essencial para quem assiste. A menos que se sente um armário ou um poste na cadeira da frente, tudo é muito confortável. A sensação é de que se está em casa, assistindo a duas amigas brincando de teatro, tamanha é a naturalidade da dupla.</p>
<p>A peça está em cartaz no Teatro Poeira, espaço das sócias Marieta Severo e Andréa Beltrão, inaugurado há três anos num casarão tombado, na Rua São João Batista, em Botafogo, no Rio de Janeiro. No site do teatro (www.teatropoeira.com.br) é possível acompanhar toda a história da casa de espetáculos, desde a idéia de ter um espaço reservado para as artes, passando pelas obras que o casarão sofreu, até as peças que já passaram por lá.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>“As centenárias”<br />
Com Marieta Severo, Andréa Beltrão e Sávio Moll<br />
Direção: Aderbal Freire-Filho<br />
Horários: sextas e sábados às 21 horas e domingos às 20 horas<br />
Duração: 1h30<br />
Local: Teatro Poeira<br />
Endereço: Rua São João Batista, 104 - Botafogo<br />
Tel: 21 2537-8053</em></p>
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		<title>Nome próprio e o cinema comercial</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2008/07/28/nome-proprio-e-o-cinema-comercial/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 02:31:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Eric Novello</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>

		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

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		<description><![CDATA[Nome Próprio chegou aos cinemas juntamente com um manifesto de Murilo Salles: vejam o meu filme, se não conseguir um bom público no primeiro fim de semana ele sai de cartaz. É uma frase síntese para a atual situação do cinema nacional. Apesar de um filme ou outro passar da marca de 1 milhão de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a title="Nome Próprio" href="http://nomepropriofilme.blogspot.com/" target="_blank">Nome Próprio</a> chegou aos cinemas juntamente com um manifesto de Murilo Salles: vejam o meu filme, se não conseguir um bom público no primeiro fim de semana ele sai de cartaz. É uma frase síntese para a atual situação do cinema nacional. Apesar de um filme ou outro passar da marca de 1 milhão de espectadores (escolhida cabalisticamente como signo da vitória), a maioria ninguém vê. Parte não consegue ser distribuída, parte passa pelos cinemas sem qualquer relevância para o espectador e parte ainda sofre com aquele velho preconceito do não vi e não gostei. Nessa busca pelo grande público e pelo dinheiro, fomos buscar exemplo nos maiores geradores de receita mundial – os blockbusters americanos – criando certa esquizofrenia cinematográfica tupiniquim. Com orçamentos cada vez maiores para bancar o cinema-produto, onde entram os filmes pequenos nesse novo esquema de produção?<br />
<span id="more-8561"></span><br />
<a class="thickbox" rel="nomepropr" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/leandra.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8564" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="leandra" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/leandra-80x44.jpg" alt="" width="80" height="44" /></a>Em qualquer parte do mundo, o cinema americano é o vilão das bilheterias, inclusive nos Estados Unidos. As grandes produções americanas canibalizam também o espaço dos seus filmes independentes (ou quase) e são a preferência de 10 entre 10 exibidores, já que passar filmes também é um comércio e os exibidores precisam ter lucro para não fechar. Mesmo Bollywood, tida como símbolo da resistência popular, começou a perder seu público para a televisão e há algum tempo suas filas não dobram mais os quarteirões. Deixando o tópico de competição de mídias para mais tarde, vamos retomar o dilema brasileiro: levar o cinema ao público ou o público ao cinema, qual a solução?</p>
<p>Como o orçamento de blockbuster ainda é um sonho por aqui, os produtores nacionais resolveram beber pelo menos na filosofia dos grandes estúdios: o segredo do sucesso é fazer um filme popular, fácil de entender e que possa ser visto por toda a família (ou seja, uma criança de 8 anos e sua avó de 80). O público, entretanto, vem mostrando que um bom roteiro é fundamental. A Globo Filmes, por exemplo, decidiu que a equação já se encontrava respondida na TV e exportou suas séries para a tela grande. Se Os Normais e a Grande Família foram bem de bilheteria, nomes de apelo como Casseta e Planeta não fizeram o sucesso esperado, mesmo passando de 500 mil espectadores. Outra fonte de idéias foi o teatro, que se tornou basicamente um gerador de comédias. A adaptação de peças com atores famosos ajudou a alimentar o gênero no cinema, dando espaço para filmes de qualidades diversas e público mediano, mantendo a fatia de mercado do cinema nacional. Assim como a transição da linguagem teatral para a cinematográfica não foi tão fácil quanto se imaginava (vide o fiasco de Irma Vap), a adaptação da linguagem americanizada para a “nossa brasilidade” também não teve seus tropeços, mas nas mãos certas vem mostrando bons resultados de público. Exemplos fáceis são Cidade de Deus, Tropa de Elite e Meu nome não é Johnny (ação), Se eu fosse você (comédia romântica) e Dois Filhos de Francisco (drama). Todos venderam uma imagem de superprodução, apostaram no cinema de gênero, cuidaram bem da parte técnica e levaram ao espectador personagens de fácil empatia, fosse pelos atores ou pelas situações que viviam. E com esse gancho, retomo Nome Próprio.</p>
<p><a class="thickbox" rel="nomepropr" href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/leandra5.jpg"><img class="alignnone size-thumbnail wp-image-8565" style="float: left; clear: both; margin-right: 8px" title="leandra5" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2008/07/leandra5-80x44.jpg" alt="" width="80" height="44" /></a>Nome Próprio, do cineasta Murilo Salles, traz Leandra Leal no papel de Camila, uma menina que põe toda a sua vida em um blog e faz grande sucesso entre os internautas. Camila tem muitos fãs, recebe e-mails de amigos e pessoas que não conhece, mas que se identificam com seus dramas e histórias. Muitas delas contam relacionamentos amorosos e sexuais frustrados, levando a reações diversas dos que vêem seu nome por lá. Isso, segundo o filme, gera eco em outros blogs, requisito fundamental para o sucesso na rede, dando sobrevida aos projetos de Camila, que lá pelas tantas decide escrever um livro. O desejo de Camila é intenso e desordenado, aspecto reforçado pela excelente atuação de Leandra Leal, que consegue plantar flores em um chão de concreto ao desenvolver a personagem. Se não fosse por ela, Camila soaria ainda mais vazia e fútil do que é.</p>
<p>O filme foi inspirado nos livros Máquina de Pinball e Cama de Gato da Clarah Averbuck, uma pioneira da migração do blog para o papel. No ponto onde queria chegar, retomando também a questão da competição entre mídias, o que me espanta em <a href="http://nomepropriofilme.blogspot.com/">Nome Próprio</a> é sua falta de capacidade de dialogar com um público que devia ser seu alvo principal. O filme fala sobre blogs no país que mais passa tempo conectado na Internet e, curiosamente, os blogueiros pouco enxergam de si no filme, talvez pelo isolamento egoísta de Camila, talvez porque o roteiro não tenha criado personagens para isso (de fato, mal criou uma história para sustentar seu lirismo). O filme teve estratégias de divulgação bem interessantes (e baratas), com presença no myspace, youtube, flickr, twitter, facebook, etc., mostrando entrosamento com o pensamento contemporâneo, mas aposta em uma história que posiciona a Internet como ferramenta de solidão, pensamento que tinha força quinze anos atrás, mas que agora parece ir contra a verdadeira vocação da web, vide os sites de redes sociais que proliferam sem parar. Não importa mais se na vida real a pessoa é solitária (existem os solitários, só que não podemos transformá-los em um estereótipo) se quando conectada ao mundo ela tem 300 amigos na lista do Orkut e 100 e-mails para responder por dia. A nudez da personagem que se desnuda todos os dias no site é bonita liricamente, mas não combina com alguém que destrói cada relacionamento que passa por suas mãos, sem se importar com o sentimento alheio, não é real, para uma geração que se alimenta nos atuais fast-foods de informação. Parêntese: apesar de alguns espectadores terem achado a nudez e o sexo pornográficos (ô juventude careta), achei-os recatados por esconderem o nu masculino e despirem os personagens de sua sensualidade. Deite comigo e Os Sonhadores são muito mais ousados nesse sentido, o primeiro totalmente lírico, o segundo amplamente comercial.</p>
<p>Isolado de um contexto, essa resenha viria com mais elogios e críticas focadas no roteiro ralo e sem agilidade. Gosto do Murilo Salles e acho importante que alguém faça cinema para os jovens, mas em uma época em que o cinema nacional luta contra um esquema canibal para manter seu público e, quem sabe, conquistar uma nova fatia de mercado, é hora de lembrar uma frase que ouvi de Cacá Diegues em uma palestra e que na época me irritou, mas agora faz sentido: não pense no que o cinema pode fazer por você, mas no que você pode fazer pelo cinema.</p>
<p>Para encerrar, quero repetir a pergunta que começa o texto: com orçamentos cada vez maiores para bancar o cinema-produto, onde entram os filmes pequenos nesse novo esquema de produção?</p>
<p>Não entram.</p>
<p>Número de espectadores nos cinemas brasileiros de produções lançadas em 2007*:</p>
<p>Os três primeiros lugares:<br />
- Tropa de Elite: 2.417.193<br />
- A Grande Família: 2.027.385<br />
- O Primo Basílio: 838.726</p>
<p>Outros filmes com repercussão na mídia:<br />
- Cidade dos homens: 282.085<br />
- O Cheiro do Ralo: 172.696<br />
- É Proibido Proibir: 37.182<br />
- Jogo de Cena: 29.001<br />
- Ódique? 3.204</p>
<p>* dados da Ancine.</p>
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		<title>Sonhos de uma noite de São João</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Jul 2008 23:12:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
		
		<category><![CDATA[edicao_0014]]></category>

		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[O espetáculo, a céu aberto, Sonhos de uma noite de São João, inspirado na peça Sonho de uma noite de verão, de Shakespeare, foi uma boa surpresa. Adaptado e dirigido por Anderson Cunha, e com supervisão de Paulo Betti, a peça simplesmente pegou a essência da história de Shakespeare e a transportou para a nossa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O espetáculo, a céu aberto, <em>Sonhos de uma noite de São João,</em> inspirado na peça <a title="Sonho de uma noite de verão" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sonho_de_uma_Noite_de_Ver%C3%A3o" target="_blank">Sonho de uma noite de verão</a>, de Shakespeare, foi uma boa surpresa. Adaptado e dirigido por Anderson Cunha, e com supervisão de Paulo Betti, a peça simplesmente pegou a essência da história de Shakespeare e a transportou para a nossa cultura das Festas Juninas - nisso incluo todas as festinhas caipiras, julhinas, agostinas etc. Sabe aquela historinha interpretada numa boa quadrilha junina? Só que, desta vez, foi uma história baseada na de William que foi encenada. Simples, mas inacreditavelmente bem feito. <span id="more-8559"></span></p>
<p>O espetáculo tem em torno de 1hora e 15 minutos e conta com 24 atores da Oficina da <a title="Casa da Gávea" href="http://www.casadagavea.org.br/" target="_blank">Casa da Gávea</a>. Num palco montado na Praça Santos Dumont, em frente à Casa da Gávea, rodeado por cinco barracas de comidas típicas, criando um espaço bem apropriado, vemos um cenário simples, inspirado na decoração das festas juninas, mas com muito capricho, música ao vivo, um ótimo jogo de luzes e muita alegria.</p>
<p>A peça aproveita o nosso folclore para contar a história encantada dos casais, que aqui se chamam Rosinha e Bentinho, Gaspar e Margarida, a rainha das fadas, o rei dos duendes e o duende, chamado Curupira, responsável pelos feitiços, pela confusão de trocar os pares e de transformar a futura paixão encantada da rainha num ser com orelhas de burro. Aqui, também está incluída a parte do ensaio de uma peça que está no original, que, aliás, são as cenas mais engraçadas.</p>
<p>Desfeito os feitiços, todos os envolvidos acordam com a sensação de que tudo não passou de um sonho de uma noite&#8230; de São João. E, assim como em Shakespeare, a peça termina com o casamento dos casais. Entretanto, com as características e a alegria das festas juninas e com direito a encenação da peça que estava sendo ensaiada, que foi um show à parte.</p>
<p>O espetáculo ainda é seguido de show de forró, depois de um intervalo, e as barraquinhas continuam vendendo seus quitutes. Tudo muito agradável. Porém, o atraso de 40 minutos para o início do espetáculo acabou fazendo com que os últimos 15 minutos da apresentação fossem debaixo de chuva. Já preocupação de não incomodar os moradores das redondezas com o barulho fez com que o som fosse baixo, e se o espectador não se mantivesse bem junto a aglomeração não ouviria com clareza. Tive a impressão também, que o público não está preparado para esse tipo de evento. As conversas paralelas, os celulares com sons estridentes, não combinaram com o clima proposto. Mas, o texto ficou muito bom, a adaptação de um texto clássico para a linguagem popular deu em um ótimo resultado e a proposta de ser um evento ao ar livre fez diferença.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Adaptação e direção: Anderson Cunha<br />
Elenco: Oficina da Casa da Gávea<br />
Supervisão: Paulo Betti</em></p>
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		<title>Putas Assassinas</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Jul 2008 11:49:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Oswaldo Martins</dc:creator>
		
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro Putas Assassinas de Roberto Bolaño é mais que um livro, propõe ao leitor um desafio. Narrar as agruras do descrédito. Retirar da fantasmagoria em que o homem se converteu a capacidade de ainda possuir o que dizer. As experiências da dizimação, a construção de uma sociedade inexeqüível, absurda e cruel não permitem a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O livro <em>Putas Assassinas</em> de <a title="Roberto Bolaño" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roberto_Bola%C3%B1o" target="_self">Roberto Bolaño</a><em> </em>é mais que um livro, propõe ao leitor um desafio. Narrar as agruras do descrédito. Retirar da fantasmagoria em que o homem se converteu a capacidade de ainda possuir o que dizer. As experiências da dizimação, a construção de uma sociedade inexeqüível, absurda e cruel não permitem a tranqüilidade de uma sequer noite de sono. Em <a title="Tráiler Bolaño cercano" href="http://es.youtube.com/watch?v=JS1qhtH1U4U" target="_self">Bolaño</a><em> </em>essa fantasmagoria se transforma em potência - não uma potência de essencialidades críveis, mas no anverso da própria existência.<span id="more-8557"></span></p>
<p>A bruta carnificina disfarçada de sentimentos se impõe com tal força que anula os sentimentos deixando-os penetrarem como o que são. Estupro, invasão e aniquilamento. Confundem-se talvez com o amor no que amor tem de perverso e incompreensível. Os personagens em Bolaño são seres à espera do choque, da labareda, da carbonização. Não há para eles outra saída.</p>
<p>Lembra-me o Buñuel do obscuro objeto do desejo. Lembra-me Kafka dos labirintos do processo. O absurdo de existir e desejar o absurdo do desejar e existir. As putas assassinas de Bolaño são capazes de sentirem que &#8220;<em>a sensação de abandono, como se um anjo me fodesse, sem me penetrar, mas na realidade me penetrando até as tripas, é breve</em>&#8220;. Por breves momentos elucidativos nos sentimos desgraçados, mas agraciados, postos a rodar junto com a desordem do universo, consumidos pelo braseiro deste anjo infernal que nos fode e nos salva.</p>
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