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ISSN 1980-7767

ano 7
edição atual: número 35, janeiro & fevereiro de 2012

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15/11/2011

Os Casamentos de Chagall

Pode-se enumerar diversas razões para entender o porquê a obra de Marc Chagall tem tanto impacto entre seus apreciadores: o uso e a palheta de cores (muitos quentes e frios), as formas contorcidas, os corpos flutuantes e quase angélicos, além de sua inventividade sem paralelos ao combinar esses elementos. É capaz de criar empatia imediata com o realista mais empedernido.

Sua obra é o que podemos chamar de vasta, são quadros, murais, gravuras, vitrais ou qualquer coisa que ele tivesse transformado em imagem. Ilustrou a Bíblia (hoje no Musée National Marc Chagall, em Nice, há centenas de trabalhos) e as Fábulas de La Fontaine. Infelizmente, as edições atuais que podem ser encontradas com mais facilidade só tem metade das 100 litogravuras (cadê a Cosac Naify quando se precisa dela?).

Alguns historiadores da Arte tentaram situá-lo em alguma corrente moderna. Não conseguiram. Gosto de dizer que ele tem um pé no cubismo, outro no fauvismo, e um terceiro, imaginário, no surrealismo. Nenhum fora do judaísmo.

Chagall gostava de retratar eventos cotidianos e os pintava como milagres, mas um dos temas mais recorrentes – e que melhor se repetiram, se podemos falar em repetição – em sua obra era sobre jovens enamorados. Diversas de suas pinturas e gravuras foram sobre casais; algumas delas, sobre casamento. E como não existe crítica sem vivência, abaixo uma série de pinturas em ordem cronológica, não por falta de imaginação, mas para que se possa observar a evolução das composições e como elas vão ganhando um simbolismo mais e mais espiritual.


Pelas cores tradicionais e composição centralizada, seria a representação mais tradicional de todas, não fosse o afeto explícito do casal. Um anjo dança de alegria no canto do quadro.


A força da santidade do casamento em vermelho. Noivos ainda no centro da pintura. Há luz saindo pela janela e música na casa.


A noiva ganha mais destaque. O noivo cuida com ternura. Os corpos flutuam. Mais personagens entram em cena.


Os elementos simbólicos ganham tem maior peso, mas é a alvura da noiva que se destaca como elemento central. O noivo quase não tem rosto. O Sol nascendo, os músicos, os corpos flutuantes e os seres zoomórficos terminam por compor a atmosfera.


Um dos quadros mais emblemáticos de Chagall. O vermelho do anjo do segundo quadro, agora, no vestido encarnado da noiva, como se a santidade do casamento estive nela própria. Seu véu nunca foi tão evidente, e, ao contrário, a figura masculina praticamente se mistura com o fundo, como se fosse mais um dos elementos da pintura.