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	<title>Aguarras &#187; teatro</title>
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		<title>A Sacerdotisa Ruth</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Dec 2011 22:05:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Cal</dc:creator>
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		<category><![CDATA[cine-vídeo]]></category>
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		<description><![CDATA[“O artista de alta qualidade possui o dom misterioso de chegar aos demais sem qualquer explicação, mas, também, depois de todas as explicações.” (Artur da Távola) &#160; O release da exposição anunciava uma “uma retrospectiva da vida e da carreira da grande dama do teatro brasileiro, com fotografias, pinturas e objetos pessoais”. Porém, a exposição [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>“O artista de alta qualidade possui o dom misterioso de chegar aos demais sem qualquer explicação, mas, também, depois de todas as explicações.”</em> (<a href="http://www.museuafrobrasil.org.br/conteudos/pgpadrao.asp?MTU6MzI6MzB8MTU5">Artur da Távola</a>)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>O release da exposição anunciava uma “uma retrospectiva da vida e da carreira da grande dama do teatro brasileiro, com fotografias, pinturas e objetos pessoais”. Porém, a exposição <em>Ruth de Souza, a Sacerdotisa da Dramaturgia</em>, em cartaz no Salão Guarani do Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, até dezembro, é mais do que uma retrospectiva ou um tributo a <a href="http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/atores-do-brasil/biografia-de-ruth-de-souza/" target="_blank">Ruth de Souza</a>. Trata-se de um marco necessário na construção da memória e da identidade da sociedade brasileira.</p>
<p>A exposição que homenageia os 90 anos de Ruth de Souza faz parte das comemorações pelo Dia da Consciência Negra. Com curadoria do Museu Afro Brasil, de São Paulo, lugar onde estreou a exposição, apresenta uma excelente entrevista com a atriz, além de fotos de seus trabalhos, figurinos utilizados e homenagens recebidas.</p>
<p>Ruth nasceu no Rio de Janeiro em maio de 1921. Descobriu o teatro – ou o teatro a teria descoberto? – duas décadas depois, com Abdias Nascimento e Paschoal Carlos Magno, no Teatro Experimental do Negro. A partir daí, torna-se sucesso nos palcos e no cinema. Em 1954, disputa o Leão de Ouro, em Veneza. Não vence, mas vale lembrar que uma de suas concorrentes era a estrela em ascensão Katherine Hepburn.</p>
<p>Com uma carreira consolidada no cinema e no teatro, em 1969 passa a integrar o elenco da Rede Globo, tornando-se a primeira negra a protagonizar uma novela, em <em>A Cabana do Pai Tomás</em>. Desde então, participa ativamente das produções da emissora.</p>
<p>Ao visitar o Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio, além do passeio pelo centro histórico, em processo de revitalização, o expectador pode observar um trabalho bastante interessante na composição da exposição. Toda a força dramática da atriz está expressa nas fotos, não se perde o frescor e delicadeza de sua atuação, ainda que congelada na tela. O rosto da atriz, na foto, no cinema, na tv, é a representação da população brasileira, com seus sorrisos e sofrimentos.</p>
<p>Contudo, apesar do cuidado acentuado em todo o trabalho de pesquisa e exposição iconográfica, merece destaque a recordação de outro aspecto da vida de Ruth: a luta contra o racismo. Isso está presente logo ao entrar no Salão Guarani: a primeira visão é uma entrevista concedida por Ruth de Souza à revista AfroB.</p>
<p>Aparentemente, é um texto longo, que, pode-se imaginar, desestimula o visitante, interessado em observar as fotos, prêmios e figurinos. Mas, basta um olhar mais atento para perceber a importância daquelas palavras. Seja na análise sobre a forma de tratamento ao negro no Brasil, independentemente de profissão, seja na fala sobre os jovens atores negros que explodem no Brasil, como Lázaro Ramos e Thaís Araújo. Em tempos de negação constante da existência de preconceito racial, é importante a posição expressa pela atriz. Sobretudo, considerando que se trata de um evento da agenda da consciência negra na cidade.</p>
<p>Assim, a exposição <em>Ruth de Souza, a Sacerdotisa da Dramaturgia</em> marca não apenas os 90 anos de idade da atriz, mas seus 65 de carreira e uma vida de luta contra o racismo. Vivendo em um país em que, muitas vezes, as personalidades se omitem diante de questões polêmicas, Ruth deixa sua marca. Faz lembrar sua personagem na novela <em>O Bem Amado</em>, Chiquinha do Parto, esposa de Zelão das Asas, lembrando ao público que não se destrói sonhos. Mais do que isso, permanece viva e ativa, sonhando com todos nós. Em 1986, homenageando a atriz em um artigo no jornal O Globo, Artur da Távola dedicou a “Ruth de Souza, atriz de importância proporcional ao seu silêncio e discrição, o abraço comovido do fã”. Faço minhas as palavras do jornalista.</p>
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<p><em>SERVIÇO</em></p>
<p><em>Exposição: Ruth de Souza – A Sacerdotisa do Brasil</em></p>
<p><em>Local: Salão Guarani do Teatro Municipal Carlos Gomes (Rua Pedro I, nº 4 – Pça. Tiradentes, Centro)</em></p>
<p><em>Abertura: 20 de novembro, domingo, às 14h.</em></p>
<p><em>Temporada: 21 de novembro a 18 de dezembro (de terça a domingo, das 14h às 18h. Tels: 2215-0556 / 2224-3602).</em></p>
<p><em>Entrada gratuita.</em></p>
<p><em>Classificação: livre.</em></p>
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		<title>&#8220;Uma Flauta Mágica&#8221; de Peter Brook</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Nov 2011 20:09:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jayme Chaves</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0034]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma Flauta Mágica. Sequência natural de outros projetos de Brook no sentido de &#8220;limpar&#8221; o espetáculo operístico de seus &#8220;excessos&#8221;. O que não significa que Brook pretenda mudar as convenções da ópera. O artigo indefinido que precede o título consagrado deixa isso claro. Depois de retrabalhar a Carmen de Bizet em modo camerístico, visando possibilitar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.arte.tv/fr/Comprendre-le-monde/arte-journal/3541532.html">Uma Flauta Mágica</a>. Sequência natural de outros projetos de Brook no sentido de &#8220;limpar&#8221; o espetáculo operístico de seus &#8220;excessos&#8221;. O que não significa que <a href="http://www.answers.com/topic/peter-brook">Brook</a> pretenda mudar as convenções da ópera. O artigo indefinido que precede o título consagrado deixa isso claro. Depois de retrabalhar a Carmen de Bizet em modo camerístico, visando possibilitar maior variação de entonações e intenções nos cantores-atores, Brook e o músico Marius Constant reduziram <a href="http://musique.histoire.free.fr/michel-faure-musique.php?musicologue=articles&#038;article=pelleas">Pelléas et Mélisande</a> de Debussy a um ato e dois pianos. Essa ópera era perfeita para os objetivos do encenador, pois o próprio Debussy reclamava que &#8220;cantava-se demais na ópera&#8221;, e que o canto deveria ser reservado apenas para as &#8220;grandes ocasiões&#8221;. De fato, Debussy inventou uma fala cantada, às vezes sussurrada, que dá lugar ao canto operístico como estamos acostumados, o qual ressurge apenas nas grandes e breves explosões emocionais. Os &#8220;excessos&#8221; da grande ópera já eram vistos com reserva em alguns círculos musicais.</p>
<p>E os excessos do teatro? Peter Brook também é da opinião que representa-se demais no teatro. Uma lição que ele aprendeu bem jovem com um produtor de ópera alemão foi que &#8220;vitalidade e agitação não são a mesma coisa&#8221;. Lembro de ler em um de seus livros, não lembro agora qual, que nos ensaios da sua companhia internacional todos os excessos e agitações eram incentivados, para depois reduzir tudo ao essencial. E, para falar a verdade, penso que hoje faz-se tudo demais: canta-se demais, toca-se demais, atua-se demais, faz-se muita arte. Tanto excesso, tanta agitação, tão pouca vitalidade que é possível vislumbrar um paraíso contemplando-se o Branco sobre branco ao som de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/4%E2%80%B233%E2%80%B3">4&#8242; 33&#8221;</a>.</p>
<p>A simplicidade do Mozart de Brook pode parecer até constrangedora. Os gestos são mínimos. Papageno, pelas características proprias do personagem, é o que mais gesticula. As Três Damas, os Três Gênios e os Dois Sacerdotes de Sarastro são fundidos na figuras de dois atores que também preparam as mudanças cênicas. Sarastro se funde ao Orador, num golpe teatral que funciona tanto para quem conhece como para quem não conhece a ópera. A própria Flauta faz as vezes de Serpente. A escrita cênica se manifesta em poucos e precisos momentos, com destaque para as cenas em que a floresta de bambus finalmente se justifica: a da forca de Papageno e a da destruição dos poderes da Rainha da Noite. O espectador desassossegado poderia pensar: &#8220;mas é só isso?&#8221; Sim, e é muito. É o que basta. Aos 86 anos de idade, um encenador como Brook já adquiriu sabedoria suficiente para resistir a tentação de saturar suas telas de imagens. Brook deixa um espaço precioso para a imaginação do espectador. Exemplo cativante é o que, na minha opinião, foi a mais bela, simples e precisa encenação das provas iniciáticas de Tamino que já assisti. Que se inicia no estranho e solene canto dos Dois Homens Armados. Três pequenas piras são acesas. Duas mudanças de luz. Duas voltas pelo palco. Fim. Triumph! Triumph! Triunfo dos jovens príncipes, da música e do teatro.</p>
<p>Os cantores são todos excelentes e puderam se expressar com uma calma e uma intimidade que não são possíveis num grande teatro de ópera. E talvez o palco do <a href="http://www.google.com/url?sa=t&#038;rct=j&#038;q=&#038;esrc=s&#038;source=web&#038;cd=1&#038;ved=0CCQQFjAA&#038;url=http%3A%2F%2Fwww.funarte.gov.br%2Fespaco-cultural%2Fteatro-dulcina%2F&#038;ei=y8bCTuDfM6jf0QHu0dXtDg&#038;usg=AFQjCNFdBGOxbL5i7hPnEWrsCpT_MBN7QA&#038;sig2=AhN9OVqwzK0IMEKeM3XfLg">Dulcina</a> ainda seja grande demais para esse espetáculo.</p>
<p>Afinal, consegui assistir uma produção de Peter Brook. Longe da agitação de Marat-Sade ou de US. Plena de vitalidade.</p>
<p>Permito-me ainda imaginar a seguinte cena: Mozart na sala de sua casa, em seu piano, acompanhado de um grupo de cantores (um deles, autor do libreto), esboçando em modo de ensaio a sua ópera. De repente, vindo do futuro, um velhinho inglês montado no pássaro Simourg irrompe no ambiente e, para o espanto de todos, sugere sorridente: &#8220;ei, e se colocássemos uns bambus aqui no meio?&#8221;</p>
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		<title>Caminhando entre contos, palavras e amores</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2011 16:09:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Pedro Taam</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está em cartaz no Teatro Municipal Ziembinski, em frente à igreja de São Francisco Xavier, o espetáculo &#8220;Caminhando entre Contos, Palavras e Amores&#8221; todas as quartas e quintas feiras até 24/11/2011 às 20h. O espetáculo é constituído por quatro contos russos: &#8220;Do Diário de uma Jovem&#8221; e &#8220;Personalidade Enigmática&#8221;, de Anton Tchekhov, &#8220;Um Tolo&#8221; de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Está em cartaz no Teatro Municipal Ziembinski, em frente à igreja de São Francisco Xavier, o espetáculo &#8220;Caminhando entre Contos, Palavras e Amores&#8221; todas as quartas e quintas feiras até 24/11/2011 às 20h.</p>
<p>O espetáculo é constituído por quatro contos russos: &#8220;Do Diário de uma Jovem&#8221; e &#8220;Personalidade Enigmática&#8221;, de <a title="Anton Tchekhov" href="http://www.archive.org/search.php?query=mediatype%3A%28texts%29%20-contributor%3Agutenberg%20AND%20%28subject%3A%22Chekhov%2C%20Anton%20Pavlovich%2C%201860-1904%22%20OR%20creator%3A%22Chekhov%2C%20Anton%20Pavlovich%2C%201860-1904%22%20OR%20creator%3A%22Anton%20Pavlovich%20Chekhov%22%20OR%20title%3A%22Anton%20Pavlovich%20Chekhov%22%20OR%20description%3A%22Anton%20Pavlovich%20Chekhov%22%20OR%20subject%3A%22Chekhov%2C%20Anton%201860-1904%22%20OR%20creator%3A%22Chekhov%2C%20Anton%2C%201860-1904%22%20OR%20creator%3A%22Anton%20Chekhov%22%20OR%20title%3A%22Anton%20Chekhov%22%20OR%20description%3A%22Anton%20Chekhov%22%29" target="_blank">Anton Tchekhov</a>, &#8220;Um Tolo&#8221; de <a title="Nikolai Leskov" href="http://www.kirjasto.sci.fi/leskov.htm" target="_blank">Nikolai Leskov</a> e &#8220;Acontecimento&#8221; de <a title="Vsevolod Garshin" href="http://www.gutenberg.org/browse/authors/g#a5086" target="_blank">Vsevolod Garshin</a>.</p>
<p>A estrutura é bem espartana: apenas dois atores em cena, Flavia Tolledo e Gabriel Garcia. Os contos são cuidadosamente encadeados com interlúdios musicais tocados pelo violinista Alexei Henriques. O papel do violino é bem claro: distrair o espectador, seja entre os contos ou numa mudança de cena no mesmo conto.</p>
<p>É uma distração de alto nível: belos fraseados, dinâmicas interessantes e um som muito límpido e agradável, graças ao domínio do vibrato e da afinação impecável, o que de certa forma nos faz esquecer da figura tímida do violinista e prestar atenção em sua música.</p>
<p>A concepção estrutural, devida à diretora Elena Gaissionok, formada Academia Russa de Música Gnessin e pela Universidade Russa de Teatro (antigo Instituto Lunatcharskiy de Teatro), nos permite vislumbrar diferentes facetas dos atores, que no curto período de 80 minutos vão do realismo sarcástico de Tchekhov ao drama de Garshin, passando por um Leskov emotivo, piedoso, redentor.</p>
<p>Flavia Tolledo é elegante e carismática, e interpreta com igual maestria a adolescente frívola de &#8220;Do Diário de uma Jovem&#8221; e a densa prostituta de &#8220;Acontecimento&#8221;. Gabriel Garcia é charmoso e igualmente carismático, faz rir com seu personagem em &#8220;Personalidade Enigmática&#8221; e emociona com o apaixonado Ivan de &#8220;Acontecimento&#8221;.</p>
<p>É interessante a concepção de cenário: o mesmo para os quatro contos, e funciona muito bem. O figurino também é interessante, não surpreende mas é adequado a cada conto, harmônico. A única exceção é o sapato da atriz, que poderia ser trocado de forma a combinar com cada roupa, evitando a distração causada pela combinação de um sapato bruto preto com um vestido leve e gracioso branco em algumas partes do Garshin.</p>
<p>Por fim, é muito inteligente a ordem dos contos: um crescendo emocional partindo das críticas sociais e comportamentais de Tchekhov (que, aqui, teve um arrière goût de Machado de Assis), passando pelo delicioso personagem ausente de Leskov, que nos cativa sem estar no palco e culminando no clímax dramático de Garshin. Voltamos, então, para nossas casas, com aquela reminiscência de vida, amor, tragédia e morte.</p>
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		<title>Horsting &amp; Snoeren</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Aug 2011 23:38:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Velázquez</dc:creator>
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		<category><![CDATA[moda]]></category>
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		<description><![CDATA[Aos 20 anos, Viktor Horsting deixava sua Geldrop natal para estudar na Academia de Arte e Design em Armhem, também na Holanda. Obviamente, nada sei sobre suas expectativas. Contudo, sei dizer o que aconteceu: Viktor teve um encontro consigo mesmo. E não, não há nada de existencialista nisso. Ele, de fato, encontrou outro que era [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aos 20 anos, Viktor Horsting deixava sua Geldrop natal para estudar na Academia de Arte e Design em Armhem, também na Holanda. Obviamente, nada sei sobre suas expectativas. Contudo, sei dizer o que aconteceu: Viktor teve um encontro consigo mesmo. E não, não há nada de existencialista nisso. Ele, de fato, encontrou outro que era ele próprio, melhor dizendo, que era seu duplo.</p>
<p>Horsting conheceu Rolf Snoeren, que saiu de Dongen com o mesmo propósito de estudar moda em Armhem. Mas as semelhanças não param por aí. Além da nacionalidade, ambos nasceram em 1969, ambos desenhavam e pintavam desde bastante jovens e, sobretudo, têm uma semelhança física impressionante (reforçada, hoje em dia, por usarem roupas, acessórios e cortes de cabelo iguais). Aliás, não foi difícil encontrar comentários dizendo que, inclusive, um completa a frase do outro durante as entrevistas.</p>
<p>Certa vez, um deles diria: “Nossos gostos e ambições estavam no mesmo nível. Parecíamos-nos estar atraídos pela moda do mesmo jeito”. O fato foi que em 1992 veio a graduação e, em seguida, a mudança para um pequeno apartamento em Paris, a capital da moda. Lá, enfim, transformaram-se em um só: <a title="Viktor &amp; Rolf" href="http://www.viktor-rolf.com/" target="_blank">Viktor &amp; Rolf</a> (V&amp;R), dois trabalhando como um designer.</p>
<p>Em abril de 1993, a primeira coleção de <em>haute couture</em>, que lhes garantiu três prêmios (<em>Prix de la Presse</em>, <em>Prix du Jury</em> e <em>Prix de la Ville</em>) no Festival Internacional de Moda e de Fotografia de Hyères, no sudeste da França. Passados 18 anos, Horsting e Snoeren ainda causam<em> frisson</em> com suas criações, organizando, a cada temporada, desfiles concorridíssimos na concorridíssima Semana de Moda de Paris.</p>
<p>Mas, o que há de tão especial no trabalho desses holandeses? Mais fácil seria dizer o que não há. Acima, utilizei a palavra desfile, por ser o termo técnico como isso é conhecido. No caso deles, no entanto, melhor seria <em>performance</em>, espetáculo em que o artista atua com inteira liberdade. Como uma espécie teatro, cenários, iluminações, músicas e atuações são pensados para transmitir o espírito por trás da coleção, para contar uma estória. Diria o <em>The Independent</em>, da Inglaterra: “Their extravagant catwalk productions have won Viktor &amp; Rolf a reputation as fashion&#8217;s most flamboyant showmen”.</p>
<p>Assim, na passarela deles, além das modelos (claro), já passaram dançarinos de baile, a atriz Tilda Swinton (que foi a musa de uma coleção inteira – <em>One Woman Show</em>, de outono-inverno 2003/2004. Todas as modelos tinham cabelo e maquiagem feitos de modo a parecer idênticas à atriz) e os cantores Tori Amos, Rufus Wainwright, Grace Jones e Róisín Murphy. Além disso, tudo já foi posto de cabeça para baixo (<em>Upside Down</em>, de primavera/verão 2006), as roupas já foram utilizadas como <em>chroma-key</em> (<em>Bluescreen</em>, outono/inverno 2002/2003), o desfile já foi totalmente virtual e com uma modelo só, a canadense Shalom Harlow (<em>Shalom</em>, primavera/verão 2009), <em>et cetera</em>.</p>
<p>As roupas que criam, como já era de se esperar, não destoam em nada da forma de apresentação. Muitas parecem verdadeiras esculturas móveis, outras são de tamanhos deformados, muito maiores do que o normal, ainda há aquelas que possuem dúzias de camadas e inúmeras sobreposições. Quando se trata de costura, Viktor &amp; Rolf jogam com as formas das coisas e com aquilo que achamos convencional, o resultado são peças surreais. Já criaram, por exemplo: casacos com a palavra “NO” esculpida, em altíssimo relevo, no e com o próprio tecido; vestidos com a frase “I Love You” escorrendo pela roupa; roupões que parecem camas, com edredom e travesseiro acompanhando; vestidos que deveriam ser usados ao contrário; camisas com inúmeras golas e punhos; etc.</p>
<p>Na coleção apresentada em Hyères, as peças já tinham esse formato “anormal”. Sobre isso, Viktor e Rolf explicaram: &#8220;The extreme silhouettes and multiple layers, concealing and disfiguring the wearer&#8217;s body, express the alienation we felt in the city of fashion”. Portanto, para além de uma lógica unicamente sistêmica, de novidades e tendências com data de validade (a cada ida e vinda de estação), esses holandeses produzem coleções carregadas de significado, o que os faz ficar no limite entre arte, design e moda.</p>
<p>“Nós começamos mais no mundo da arte, mostrando nosso trabalho em galerias e museus, mas com a ambição de nos tornamos designers de moda. Nosso trabalho sempre foi sobre moda e, então, mudamos mais para o sistema da moda, primeiro fazendo <em>haute couture</em> e, depois, fazendo <em>ready to wear</em> [<em>prêt-à-porter</em>]. Agora, nós estamos cada vez mais infiltrados no sistema, mas, ao mesmo tempo, temos a ambição de trabalhar à margem dele, de sermos artistas, de sermos artistas de moda”.</p>
<p>Nessa lógica, inúmeras vezes já manifestaram seu descontentamento com o ritmo do <em>fashion world</em>, com a velocidade imposta ao criador, cuja criatividade fica refém do calendário. Os grandes estilistas apresentam, no mínimo, duas coleções por ano (primavera-verão/outono-inveno), além disso, muitos têm que apresentar pré-coleções, sem contar linha de acessórios, bolsas, etc. Para protestar contra essa “obrigatoriedade”, Viktor &amp; Rolf já entraram em greve, anunciada em propaganda e posta em revistas parisienses, proclamando: &#8220;Viktor &amp; Rolf on strike!&#8221;</p>
<p>Essa preocupação com o tempo e com a descartabilidade das criações, aliás, foi tema de outros desfiles da marca, como <em>Silver</em>, do outono inverno de 2006-2007. A partir da tradição holandesa de preservar sapatos de bebê cobrindo-os de prata, a V&amp;R elaborou roupas com essa inspiração. À época, explicaram: &#8220;The idea is about treasuring things you love the most, and freezing these moments or experiences. We decided to &#8216;freeze&#8217; icons of fashion, so silver is on trenches, cocktail dresses and little black dresses, which is a contradiction because fashion is nowadays all so fast”.</p>
<p>Contrariamente à velocidade, Viktor e Rolf quiseram parar o tempo. Ainda assim, a efemeridade do mundo que escolheram é implacável. Seu espetáculo dura entre 12 e 15 minutos e é apresentado uma única vez. Às vezes, nem há o tempo para palmas, a platéia escolhida sai às pressas para outro desfile no salão logo ali ao lado ou para que outro desfile seja organizado no mesmo espaço. Ainda assim, sua arte, carregada de sentimentos e expressão, jamais deixa o espectador ileso.</p>
<p align="right"><strong>+V&amp;R</strong></p>
<p align="right"><strong>1999 – Russian Doll – Outono/Inverno 1999-2000</strong></p>
<p>De <em>haute couture</em>, esse deve ser o desfile do início da carreira de Viktor &amp; Rolf que mais tem referências na internet. Havia apenas uma modelo, Maggie Rizer, posicionada sobre uma plataforma circular móvel, com um vestido bastante simples. Depois, entraram os estilistas que, a cada volta da plataforma, colocavam uma peça de roupa (cada vez mais elaborada e elegante) sobre a modelo, vestindo-a em camadas, como as famosas bonecas russas (matrioskas).</p>
<p align="right"><strong>2000 – Stars and Stripes – Outono/Inverno 2000-2001</strong></p>
<p>Trata-se da primeira coleção feminina <em>ready to wear</em> da marca, mostrando uma maior inserção no <em>fashion system</em>.</p>
<p align="right"><strong>2001 – Black Hole – Outono/Inverno 2001-2002</strong></p>
<p>Viktor &amp; Rolf sentiam-se tristes. E o resultado? Uma coleção integralmente preta. Não só nas roupas, todas as modelos estavam integralmente pintadas de preto, mesmo dentro dos ouvidos e nariz. A única coisa que se via eram os olhos. &#8220;The only part that shone was the eyes. They looked like cats.&#8221;</p>
<p align="right"><strong>2003 – Monsieur I – Outono/Inverno 2003-2004</strong></p>
<p>Primeira coleção masculina da marca. Também <em>ready to wear</em>.</p>
<p align="right"><strong>2004 – Flowerbomb</strong></p>
<p>Voltada para o público feminino, essa é a primeira fragrância da marca. A embalagem lembra uma granada de mão cor-de-rosa.</p>
<p align="right"><strong>2006 – Viktor &amp; Rolf love H&amp;M</strong></p>
<p>Seguindo os passos de Karl Lagerfeld, atualmente estilista da Chanel, os holandeses criaram uma coleção especial para a gigante H&amp;M. Para entender melhor, é similar ao que acontece com marcas como C&amp;A e Riachuelo, que selecionam alguns estilistas para elaborar coleções de <em>fast fashion</em>.</p>
<p align="right"><strong>2008 – The House of Viktor &amp; Rolf</strong></p>
<p>A galeria Barbican, de Londres, organizou uma grande retrospectiva da obra de V&amp;R. Roupas de todas as temporadas foram selecionadas e, além da apresentação em tamanho normal, foram reproduzidas, com total fidelidade, para caber em bonecas de porcelana, feitas especialmente para a mostra. As bonecas, inclusive, usavam a mesma maquiagem e o mesmo cabelo das modelos que apresentaram a roupa no desfile. Tudo era tão detalhado, que até cabelo de verdade foi utilizado.</p>
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		<title>Viktor &amp; Rolf</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Jul 2011 03:01:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Velázquez</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0032]]></category>
		<category><![CDATA[moda]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Sinceramente, com inúmeras descrições possíveis, não soube como começar o texto. Digamos assim: há penumbra. De um lado, um globo terrestre gigante, brilhante, com uns cinco, seis metros. Do outro, uma cubo enorme, sobre o qual está Róisín Murphy, ex-vocalista do Moloko. Ela veste o que parece um blazer comum, se não fosse pelo enorme [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Sinceramente, com inúmeras descrições possíveis, não soube como começar o texto. Digamos assim: há penumbra. De um lado, um globo terrestre gigante, brilhante, com uns cinco, seis metros. Do outro, uma cubo enorme, sobre o qual está Róisín Murphy, ex-vocalista do Moloko. Ela veste o que parece um <em>blazer </em>comum, se não fosse pelo enorme <em>tutu</em> cor-de-rosa que envolve toda a parte superior de seu corpo. Acontece que Róisín é só mais um detalhe. O que está por vir é o que importa. Nos próximos doze minutos, algumas dezenas de modelos entrarão com outros <em>tutus </em>de tamanhos e volumes desproporcionais. Uns, cortados no meio, com enormes buracos, outros, passando dos limites “comuns” de uma saia e fazendo parte das blusas, das pernas das calças. Aliás, calças ou saias? Embora cortados, tudo parece firme, como esculturas. Construído, em vez de costurado.</p>
<p>Ou, podia ser assim: ao fundo, há uma parede com motivos industriais. Rodas dentadas, fumaça, tudo desenhado em tons de cinza e branco. Entra uma modelo de cabelos quase brancos de tão loiros. Maquilada como um robô. Ela usa uma quantidade desproporcional de peças de roupa, tanto, que é visível sua dificuldade ao andar. A modelo se posiciona ao centro da passarela, sobre uma plataforma circular, que logo mais ficará rodando. Os estilistas entram, aproximam-se da modelo e começam a retirar as roupas dela. As demais manequins começam a entrar, como em um desfile convencional. Então, os estilistas retiram as peças da primeira modelo e vestem nas que entram. É a indústria com a linha de produção ativa.</p>
<p>Ainda: o salão está em estranha escuridão. De repente, entra a primeira modelo. Anda com dificuldade, pois usa sapatos enormes, como aqueles tamancos holandeses. No entanto, a maior dificuldade é ter que carregar, nas costas, as luzes do desfile. Sim, presos a todas as peças daquela coleção de outono-inverno, estão estruturas metálicas cheia de holofotes, que, aliás, compõe as próprias roupas. Cada peça, um desfile próprio.</p>
<p>E, quem sabe: o desfile começa de trás para frente. Os estilistas aparecem para cumprimentar o público, agradecendo pela boa recepção da coleção. As modelos, em seguida, entram em conjunto e de despedem. Então, entra a primeira (ou última) modelo usando um vestido, mas na posição invertida. Depois, ela é substituída por outra, que veste o mesmo modelo, mas na posição convencional. E assim se segue. Mangas viram pernas de calça, pernas viram mangas. Golas ficam, não no pescoço, mas nos ombros. Barras de vestido viram decotes e babados.</p>
<p>Veja. Se a idéia inicial deste texto era começar com uma descrição peculiar ou, até mesmo, chamativa para o trabalho destes holandeses, a escolha é deveras complicada. Imagine selecionar qual sonho será descrito?! Aliás, acabemos logo com esse mistério. Para o leitor que sobreviveu até aqui – cinco parágrafos que não dizem exatamente ao que vieram (um ultraje para o texto pretensamente jornalístico) –, respeito e objetividade.</p>
<p>O que se descreve? Trata-se de algumas das coleções femininas de dois estilistas holandeses, Viktor Horsting e Rolf Snoeren, que, em 1993, fundaram a <a title="Viktor &amp; Rolf" href="http://www.viktor-rolf.com/" target="_blank">Viktor &amp; Rolf</a>. Contudo, como se nota, mais que apresentar as tendências da próxima estação e muito longe de ser aquilo que você vai encontrar na loja mais perto de você, esses caras trazem verdadeiras performances. Narram histórias e apresentam delírios estéticos construídos: em vestidos que parecem camas (com direito a <a title="imagem" href="http://1.bp.blogspot.com/_dtHhA1ob8DE/TKM6pfNWXBI/AAAAAAAAA9s/LOR06Q4zI9k/s1600/viktor-bed-head.jpg" target="_blank">travesseiro</a> e tudo); em modelos vestidas apenas com <a title="imagem" href="http://1.bp.blogspot.com/_9Fu8CZK80rs/TM86hf14kUI/AAAAAAAABmY/ofriNpB1WvU/s1600/VictorAndRolf.jpg" target="_blank">gigantes laços cor-de-rosa</a>; em mulheres com roupas de alta-costura e chifres de veado na cabeça; em modelos totalmente <a title="imagem" href="http://searchingforstyle.com/wp-content/uploads/2010/03/aw2001blackhole.jpg" target="_blank">pintadas de preto</a>; em projeções sobre <a title="imagem" href="http://media.photobucket.com/image/viktor%20and%20rolf%20black%20hole/soph-khan/Scan-081209-0050.jpg" target="_blank">roupa-<em>chroma-key</em></a>; em modelos que não desfilam, mas dançam, rodam, piram na <a title="imagem" href="http://www.style.com/style/view/71/68/100086871.jpg" target="_blank">passarela/pista de dança</a>; <em>et cetera.</em></p>
<p>Li uma entrevista com Gilles Lipovetsky (filósofo francês badalado, por causa da pós-modernidade) na qual se explica como a moda e a idéia de arte se fundiram. Isso teria acontecido no século XIX, quando os grandes costureiros realmente se posicionaram como artistas, como verdadeiros criadores, afastando a idéia de simples comerciantes. No entanto, sobre a atualidade, Lipovetsky foi pessimista ao acreditar que essa figura do estilista como criador soberano não é mais tão forte. A arte estaria recuando em favor do <em>marketing</em>, por isso, não vemos mais grandes revoluções na moda.</p>
<p>Então, voltemos a Viktor &amp; Rolf. Como bons comerciantes, eles possuem roupas para o uso nas ruas, além de uma série de outros produtos de sucesso, como a concorridíssima fragrância <a title="Fragâncias Viktor &amp; Rolf" href="http://www.viktor-rolf.com/_en/_ww/fragrances.htm" target="_blank"><em>Flowerbomb</em></a>. No entanto, o que apresentam nas passarelas mostra um enorme cuidado na composição e na pesquisa. Aliás, se a palavra vanguarda não fosse tão temida (ou tão <em>démodé</em>) hoje em dia, até que eles poderiam ser isso.</p>
<p>Aí você pergunta: então, eles são uma prova contrária ao genial Lipovetsky? Bem, não é bem assim. Veja que o francês não generaliza, fala em recuo, não em extinção. Além do que, se você for refletir sobre a questão, hoje, na era da Lady Gaga, ser, estar e aparecer está intimamente ligado à idéia do “grotesco”, do “extravagante”, do “diferente”. Portanto, parecer assim é, por si só, uma grande estratégia de <em>marketing</em>. E agora, José?</p>
<p>Certa vez, o estilista brasileiro Ronaldo Fraga foi convidado para o Programa Roda Viva, da TV Cultura, no qual falou sobre seu processo criativo e toda a pesquisa que está por trás de sua obra. No entanto, para efeitos desse texto, importante mesmo foi sua explicação de como ele busca contar e resgatar histórias com seu trabalho e como deseja mostrar como a cultura e a moda estão intimamente associadas. Ou seja: quer mostrar como moda pode ser (e é) manifestação da cultura de um povo.</p>
<p>Cito essa entrevista porque foi aí que pensei, pela primeira vez, na moda como um processo criativo que, se não similar, está bem próximo de outras artes. Se não em sua totalidade, pelo menos, como diz o Gilles, na figura dos “grandes costureiros”. Exemplo, aliás, perfeitamente corporificado em Viktor &amp; Rolf que, com coleções criativas, jogando com idéias como normalidade e anormalidade, sonho e verdade, produzem um trabalho bastante autoral, cuja assinatura é fácil de reconhecer, mesmo para os pouco iniciados no “mundinho <em>fashion</em>”.</p>
<p>Artistas ou <em>marketeiros</em>? Em opinião bastante pessoal: não interessa. Damien Hirst, por exemplo, é um artista inglês bastante conceituado contemporaneamente. É, também, um dos maiores <em>marketeiros</em> de si mesmo, nem por isso, seu trabalho não é chamado de arte. O problema (e confusão), talvez, esteja na criação “exclusiva” e “intelectual” de Hirst, contra a visível produção industrial de Viktor &amp; Rolf (que servem à indústria da moda). O importante é que o trabalho desses holandeses é excitante aos olhos e de uma criatividade louvável.</p>
<p>Na dúvida entre arte ou <em>marketing</em>, veja o recente sucesso das retrospectivas sobre <a title="Alexander Mcqueen" href="http://www.metmuseum.org/now-at-the-met/events/2011/07/07/alexander-mcqueen-savage-beauty-special-morning-hours-for-members.aspx" target="_blank">Alexander Mcqueen</a>, no <em>Metropolitan Museum of Art</em>, em Nova York, e sobre <a title="Pierre Cardin" href="http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/04/pierre-cardin-lanca-exposicao-sobre-sua-carreira-em-sao-paulo.html" target="_blank">Pierre Cardin</a>, em São Paulo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Viktor &amp; Rolf, para ver:</strong></p>
<ul>
<li>Upside Down. Primavera/Verão 2006: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=6CXHbIS4hMk">http://www.youtube.com/watch?v=6CXHbIS4hMk</a></li>
<li>Cutting Edge Couture. Primavera/Verão 2010: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zq3l7l6lF4Q">http://www.youtube.com/watch?v=zq3l7l6lF4Q</a></li>
<li>Glamour Factory. Outono/Inverno 2010-2011: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ivRlYe1JeIM">http://www.youtube.com/watch?v=ivRlYe1JeIM</a></li>
<li>+ coleções: <a href="http://www.viktor-rolf.com/_en/_ww/index.htm">http://www.viktor-rolf.com/_en/_ww/index.htm</a></li>
</ul>
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		<title>um réquiem para Pina Bausch</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2011 22:40:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0030]]></category>
		<category><![CDATA[dança]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Fui ver o balé Ikiru, de Tadashi Endo, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. O que me atraiu foi o subtítulo: &#8220;um réquiem para Pina Bausch&#8221;. Vi Pina Bausch, mas vi, sobretudo, uma marca muito japonesa, de despojamento e precisão. Claro, o que também remete à Pina e à sua &#8220;limpeza&#8221; de expressão. Este [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fui ver o balé Ikiru, de <a title="Tadashi Endo" href="http://www.tadashi-endo.de/" target="_blank">Tadashi Endo</a>, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. O que me atraiu foi o subtítulo: &#8220;um réquiem para Pina Bausch&#8221;. Vi <a title="Pina Bausch" href="http://www.pina-bausch.de/" target="_blank">Pina Bausch</a>, mas vi, sobretudo, uma marca muito japonesa, de despojamento e precisão. Claro, o que também remete à Pina e à sua &#8220;limpeza&#8221; de expressão. Este o ponto de encontro: o dramático ampliado ao extremo justamente por ser tão simples.</p>
<p>São quatro movimentos no palco escuro. No primeiro, o bailarino-coreógrafo está sentado em uma cadeira. Há uma placa de alumínio. Há uma luz que o alumínio reflete. A placa está pendurada em pêndulo. À medida em que oscila e gira a luz refletida se espalha pela plateia e palco. É o sol que vem e vai e são dias, portanto, que se sucedem. É a vida daquele personagem, que passa.</p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2011/03/divjorn0803.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10634" title="Ikiru: um réquiem para Pina Bausch" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2011/03/divjorn0803-80x59.jpg" alt="Ikiru: um réquiem para Pina Bausch" width="80" height="59" /></a>No segundo movimento, Endo não mais sofre a ação do tempo, mas se abraça a ele. Ambos giram, dançarino e alumínio. Cada vez mais rápido. Ele está com suas vestes largas e soltas. Se transforma em um dínamo. Ele, abraçado ao tempo, energizado pela fonte do tempo. Há uma transcendência aqui. A cadeira, tão contingente, sumiu. E o ruído surdo e contínuo nos faz pensar em energia despegada do mundinho de cá.</p>
<p>A partir desta energia obtida na fonte do tempo, Endo começa a dançar. É o terceiro movimento do espetáculo e ele dança a Bachiana número cinco, de <a title="Museu Villa-Lobos" href="http://www.museuvillalobos.org.br/" target="_blank">Villa-Lobos</a>. Ainda está vestido. Esta sua dança-coreografia é com encontrões abruptos, movimentos repetidos e repetidos. Pequenos pedaços de movimentos que se repetem, violentamente. É a dança dos tropeções e encontrões de um cego, que se bate contra a placa-tempo, que chega a ficar com marcas. Ele também, provavelmente. É o movimento que mais me remeteu à Pina Bausch. Pina fez o papel da princesa cega no filme <a title="O navio (1983), de Fellini" href="http://www.imdb.com/title/tt0087188/" target="_blank"><em>O navio</em> (1983), de Fellini</a>. E repetiu esses movimentos repetidos e supostamente incoerentes em suas coreografias, como em <em>O Café Müller</em>, mais de vinte anos depois.</p>
<p>O quarto e último movimento do espetáculo é o de um tango, a música dos cabarés. Mais um contato com Pina Bausch &#8211; que também gostava do clima de bar e danças eróticas. Ele está nu. Esta babaquice é minha, Endo é inocente: a dança que acaba o espetáculo parece dizer que a única forma de vencer o tempo é viver. Ao expor seu corpo a sexos e prazeres, e a morrer por isso, vence-se o tempo e a morte. O movimento termina com a &#8220;morte&#8221; do dançarino, deitado em cima do tempo/placa de alumínio. Antes, no início desta dança, ele retira a placa de alumínio do gancho, ganha controle sobre ela, faz dela o que quer.</p>
<p>Depois de terminado o espetáculo, ele volta, outra vez vestido, e lê um pequeno texto. No fundo do palco, uma imagem de Pina está projetada, enorme, contra o fundo preto. Mas o que ele lê é uma homenagem não só à Pina Bausch, mas a seu velho mestre <a title="Kazuo Ohno" href="http://www.kazuoohnodancestudio.com/" target="_blank">Kazuo Ohno</a>, e também a <a title="Michael Jackson" href="http://www.michaeljackson.com/" target="_blank">Michael Jackson</a>.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>&#8220;Isto é amedrontador. A morte está se aproximando. É triste perceber que os artistas que influenciaram meu trabalho, de repente se foram para sempre. Porém, isso também me faz forte. Vida e morte estão muito próximos. Se não há vida, não há morte.&#8221;</em></p>
<p><a title="Federico Fellini" href="http://www.federicofellini.it/" target="_blank">Fellini</a> não é a única referência cinematográfica do espetáculo. O título, Ikiru, é o de um <a title="Ikiru (1952)" href="http://www.imdb.com/title/tt0044741/" target="_blank">filme de Kurosawa, de 1952</a>. Fala da explosão de beleza a partir da morte de um personagem. Este filme tem duas partes. Se considerarmos o primeiro movimento do espetáculo de Endo como uma apresentação de elementos; e o segundo movimento como uma &#8220;preparação&#8221;, uma energização, aqui também teremos duas partes. A que é dançada a partir de Villa-Lobos, e que é a da solidão, dos tropeços e da dor. E a do tango, que é a do prazer, do sexo, da vida&#8230; e da morte.</p>
<p>Tem um pequeno pedaço do espetáculo no youtube: <a title="http://www.youtube.com/watch?v=CuXPxuxKoH4" href="http://www.youtube.com/watch?v=CuXPxuxKoH4" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=CuXPxuxKoH4</a></p>
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		<title>Impressões nada imparciais sobre as Dionisíacas</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2010/09/01/impressoes-nada-imparciais-sobre-as-dionisiacas/</link>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2010 10:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Diego Velázquez</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0027]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[(ou: Quatro dias que abalaram a terra do Calypso) À frente, Dionísio. Desembarcando de seu Carro Naval, os Deuses chegaram à Belém e no ápice da liberdade e transgressão que nos ofereceram, não deixaram as pedras no lugar. Nem as pedras, nem o puritanismo, nem o moralismo, nem a vergonha&#8230; Libérrimos, a regra era o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>(ou: Quatro dias que abalaram a terra do Calypso)</strong></p>
<p>À frente, Dionísio. Desembarcando de seu Carro Naval, os Deuses chegaram à Belém e no ápice da liberdade e transgressão que nos ofereceram, não deixaram as pedras no lugar. Nem as pedras, nem o puritanismo, nem o moralismo, nem a vergonha&#8230;</p>
<p>Libérrimos, a regra era o êxtase, o delírio, o choque, o espasmo e nessas e outras, quem não esteve, perdeu um espetáculo feito para ser vivido. Tudo era intenso, a sairmos exaustos do Teatro Estádio após horas de catarse. E quando falo horas, realmente são horas: quatro horas, seis horas, com a possibilidade de se estender por um tempo impreciso.</p>
<p>Na terra do “ApoCalypso”, a Associação Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona, capitaneada por <a title="José Celso Martinez Corrêa" href="http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&amp;cd_verbete=776" target="_blank">José Celso Martinez Corrêa</a>, apresentou suas Dionisíacas. O real apocalipse para os puritanos, mas experiência estética de uma vida para os que, como eu, embarcaram em suas tragicomediorgyas musicais.</p>
<p>Se nada até agora fez sentido, é porque você não esteve em nenhuma das recentes apresentações do <a title="Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona" href="http://teatroficina.uol.com.br/" target="_blank">Teat(r)o Oficina Uzyna Uzona</a>, que, nos últimos meses, vem se apresentando por diversas cidades brasileiras, como Salvador, Recife e Belém.  Ao todo serão <a title="agenda do Teat(r)o" href="http://teatroficina.uol.com.br/agenda" target="_blank">sete cidades</a> em dez meses (até dezembro de 2010) e cada uma receberá quatro espetáculos (<em><a title="Taniko – O rito do mar" href="http://teatroficina.uol.com.br/plays/11" target="_blank">Taniko – O rito do mar</a></em>; <em><a title="Estrela Brazyleira a vagar – Cacilda!!" href="http://teatroficina.uol.com.br/plays/15" target="_blank">Estrela Brazyleira a vagar – Cacilda!!</a>; <a title="Bacantes" href="http://teatroficina.uol.com.br/plays/5" target="_blank">Bacantes</a></em>; e <em><a title="O Banquete" href="http://teatroficina.uol.com.br/plays/16" target="_blank">O Banquete</a></em>) que misturam música, dança, teatro, orgia, ritos africanos, mitologia grega, nô japonês, Círio de Nazaré, samba, bossa, rock, sexo, tradições indígenas e vinho, muito vinho.</p>
<p>O grupo em viagem é formado por 60 pessoas, entre técnicos, atores, atrizes, preparadores de corpo e voz, músicos, videógrafos, arquitetos, produtores, camareiras, contra-regras, iluminadores, sonorizadores e comunicadores.</p>
<p>Certo, mas onde está o êxtase? Em Belém, eles ficaram, aproximadamente, entre os dias 9 e 24 de agosto. Nesse tempo, armaram uma tenda gigante em uma praça localizada no centro comercial da cidade, entenda aí, bairro deserto quando o Sol se põe. Além disso, uma semana antes dos espetáculos, realizaram oficinas com atores locais que, uma vez integrados ao processo, participaram das montagens em Belém.</p>
<p>A tenda era um <a title="Teatro Estádio" href="http://www.flickr.com/photos/teatro_oficina/4892409298/" target="_blank">Teatro Estádio</a>. Com capacidade para 1.500 pessoas, não havia um limite certo entre palco e público, tudo era palco e todos, potenciais atores. Em todas as montagens, o público era convidado, estimulado e, até mesmo, impelido, a entrar em cena.</p>
<p>Os atuantes cantavam, dançavam e viviam entre os espectadores, que não raro, podiam ser abraçados, beijados, embriagados e despidos, como acontece numa das cenas mais espetaculares de <em>Bacantes</em>, na qual uma pessoa é puxada da arquibancada e levada para o centro da arena para ser posta nua, com uma máscara de touro sobre a cabeça e ao o som da música: “Ele não sabe que seu dia é hoje! Ele não sabe que seu dia é hoje!”. (Aqui sou obrigado a fazer uma interferência e dizer que durante essa cena, o público foi ao delírio, urrando, pulando, gritando, cantando e aplaudindo o voluntarismo bacante).</p>
<p>Aliás, o primeiro passo para se encarar a experiência dessas montagens é justamente se despir dos pudores sobre nudez.  Os atuantes ficam nus em boa parte do tempo, eliminando tabus sobre o corpo e a sexualidade. Homens beijam-se entre si. Mulheres beijam-se entre si. Há insinuações sexuais. Sacralização e profanação, tendo como regra única a liberdade.</p>
<p>Antes dos espetáculos nos é dado um livro chamado “Hinário” e logo na página dois, escrito em letras garrafais, há “Teatro Musical Brazyleiro”. Pois essa é a essência. As peças são cantadas, portanto, além do trabalho de interpretação, os atuantes, em sua maioria, flertam com o canto, tendo, inclusive, uma banda que toca ao vivo durante as apresentações.</p>
<p>Nesse quesito, gostaria de destacar a voz de <a title="Céllia Nascimento" href="http://www.flickr.com/photos/teatro_oficina/4912655867/in/set-72157624768933860/" target="_blank">Céllia Nascimento</a>, cuja primeira aparição (em <em>Taniko</em>) é arrebatadora. Céllia entra com seios à mostra, coberta de purpurina dourada e com alguns (poucos) adornos com contas metálicas de igual dourado, cuja beleza é potencializada pela cor da pele da atriz, que é negra. Então, entoa uma canção que deixa a todos atônitos.</p>
<p>Na verdade, todos os homens e mulheres que atuam são – sem medo de usar um termo um tanto despropositado para um jornalista – incríveis. Dos quatro espetáculos, vi três e era clara a entrega total de todos que faziam parte deles. Incorporavam o personagem de tal forma que não tenho como descrever, mas é tão intenso que resultam em cenas de grande beleza. (Abro, então, outro parêntese para falar de <a title="Anna Guilhermina" href="http://www.flickr.com/photos/teatro_oficina/4913895292/in/set-72157624658971109/" target="_blank">Anna Guilhermina</a>, que encarna Semele, mãe de Dionísio, em <em>Bacantes</em>; e Cacilda Becker, em <em>Estrela Brazyleira a vagar – Cacilda!!.</em> Destaco-a porque está é musa. Grandessíssima atriz).</p>
<p>Quando, enfim, no domingo quase segunda, as dionisíacas se encerraram em Belém, a sensação era de tristeza e vazio, típico de um pós-furacão.  Tudo que eu entendia por transgressão e libertinagem teve que ser revisto e, na minha vã impressão, vai demorar para repetir, com qualquer outra forma de arte, o delírio e o êxtase ofertados nesses quatro dias.</p>
<p>De Belém, o grupo seguiu num barco rumo à Manaus. Que se preparem os manauaras! Para quem não está lá, as peças podem ser vistas ao vivo no endereço: <a title="http://teatroficina.uol.com.br/aovivo" href="http://teatroficina.uol.com.br/aovivo" target="_blank">http://teatroficina.uol.com.br/aovivo</a></p>
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		<title>Perdoa-me por me traíres</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2010/05/23/perdoa-me-por-me-traires/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 May 2010 18:07:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0025]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Perdoa-me por me traíres (1957) estreou nesta sexta, dia 21 de maio, em Ipanema, no Rio, homenageando os 30 anos da morte de Nelson Rodrigues (1912-1980), que será completado em dezembro. A montagem dirigida por Claudio Handrey é um exemplo de teatro de qualidade que consegue revisitar um texto bem conhecido com muita competência. Cenário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><a title="Perdoa-me por me traíres" href="http://www.scribd.com/doc/7198578/Nelson-Rodrigues-PerdoaMe-Por-Me-Traires" target="_blank">Perdoa-me por me traíres</a></em> (1957) estreou nesta sexta, dia 21 de maio, em Ipanema, no Rio, homenageando os 30 anos da morte de <a title="Nelson Rodrigues" href="http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_teatro/index.cfm?fuseaction=personalidades_biografia&amp;cd_verbete=814" target="_blank">Nelson Rodrigues</a> (1912-1980), que será completado em dezembro.</p>
<p>A montagem dirigida por Claudio Handrey é um exemplo de teatro de qualidade que consegue revisitar um texto bem conhecido com muita competência. Cenário simples, ótimos atores e a escolha de um texto de Nelson que dispensa comentários geraram um espetáculo impecável.</p>
<p>São 100 minutos que nos fazem mergulhar naquele universo rodriguiano que nunca deixará de ser chocante ao apontar a hipocrisia da sociedade. A adolescente Glorinha, ao se prostituir numa casa especializada em satisfazer políticos, desperta em seu opressor tio Raul, que tomou conta dela após provocar o suicídio da mãe e a internação do pai, a vontade de revelar os segredos de família que levaram todos à ruína, em que os fins trágicos dos personagens representam o fim dos desejos reprimidos. No fim da peça, Raul tem em sua morte a vingança e a libertação da sobrinha. Peça densa, cheia de questões que nos fazem perceber o quanto o texto, do final da década de 50, foi marcante na época.</p>
<p>Nelson Rodrigues é Realista. Portanto, como é peculiar ao gênero, seu texto traz a crítica à sociedade e o erotismo em seu corpo. A peça <em>Perdoa-me por me traíres</em> – assim como <em>Os sete gatinhos</em>, <em>O beijo no asfalto</em>, <em>Bonitinha, mas ordinária</em>, entre outras – traz também o tom da tragégia grega para a sociedade carioca do século XX, surgindo, assim, o que chamamos de &#8220;tragédia carioca&#8221;.</p>
<p>Alguns pontos merecem destaque, como a trilha sonora, bem incorporada, enfatizando os momentos de tensão à moda antiga, a maquiagem em tons de preto simbolizando os rostos desesperados – aliás, as expressões paralisadas nos rostos dos atores muitas vezes parecem máscaras, aquelas velhas máscaras do teatro grego – e os tons escuros de alguns figurinos que trazem em si o lado obscuro dos personagens.</p>
<p>Essa montagem é um exemplo do valor de um clássico. Ironias, drama, dor, desejos, típicos de Nelson, estão encenados nesta peça. Vale a pena assistir aos acertos do diretor, à boa atuação do elenco e ao fôlego do texto.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: Nelson Rodrigues</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Direção: Claudio Handrey</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Elenco</em><em>: Leonardo Miggiorin, Claudio Handrey, Charles Davis, Breno Guimarães, Bianca Montanas, Andressa Lameu, Alice Motta, Patricia Ramalho, Tamires Nascimento, Fabiana Aveiro e Manuellita Lustosa</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim &#8211; Av. Vieira Souto, 176 &#8211; Ipanema / RJ</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Tempo de Comédia</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2010/05/04/tempo-de-comedia/</link>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 20:08:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rober Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0025]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[— Eu te amo! — Você não pode me amar. — Mas, por que eu não&#8230; — Por que não sou humana. Sou apenas uma actóide, uma máquina sem coração e você não pode amar uma máquina. Tempo de Comédia (Sir Alan Ayckbourn). Faz bastante tempo que a TV vem primando pela competência com que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right; padding-left: 600px;"><em>— Eu te amo!</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 600px;"><em>— Você não pode me amar.</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 600px;"><em>— Mas, por que eu não&#8230;</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 600px;"><em>— Por que não sou humana. Sou apenas uma actóide, uma máquina sem coração e você não pode amar uma máquina.</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 240px;">Tempo de Comédia (<a title="Sir Alan Ayckbourn" href="http://www.alanayckbourn.net/" target="_blank">Sir Alan Ayckbourn</a>).</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Faz bastante tempo que a TV vem primando pela competência com que exalta a mediocridade, pela capacidade quase ilimitada que tem de produzir absurdos midiáticos e inseri-los no cotidiano das pessoas. Raros são os exemplos que escapam dessa avalanche de insignificâncias e entre <em>reality shows</em> aqui e novelas de conteúdo duvidoso ali, a TV vai sobrevivendo da audiência das massas. Novelas rasas, aliás, é o que nos interessa aqui, visto que, quanto mais o tempo passa, mais iguais elas vão ficando (e olha que nem entrei no mérito dos enlatados norte-americanos ou de exemplos genéricos como os “<em>Hechos por Televisa”</em>!).</p>
<p>“Tempo de Comédia”, peça que abre a temporada 2010 de espetáculos jovens do SESI/SP, trata exatamente disso, da “inculturação” — ou seria aculturação, no sentido de negação da cultura?! — da mídia de massa e da produção de conteúdo em séries desprovidas de qualquer atributo ou originalidade. Na história, em um futuro não tão distante, robôs substituíram atores nas novelas de baixo orçamento. O jovem e idealista escritor Adam Trainsmith, numa visita à rede de TV de seu tio, conhece o famoso diretor de comédias aposentado Chandler Tate que, passada a fama, vive agora às custas de dirigir atores robóticos em novelas de quinta, os chamados “actóides”. Durante as gravações, o protagonista mecanizado comete uma série de erros que fazem com que uma actóide coadjuvante comece a rir sem parar. Mais tarde, sozinho no estúdio, Adam presencia a mesma atitude por parte do robô durante a exibição de uma comédia antiga. Temendo ser isso um defeito, a actóide tenta entender os mecanismos do humor através de exemplos práticos — num revival interessante sobre as comédias pastelões do início do cinema mudo — e Adam vê nisso uma vantagem a ser explorada. Ele a apelida de Jacie (um “erro de entendimento”, por parte dele, de seu número de ordem: JC-F31-333) e convence Chandler a criar um programa de comédias especialmente para ela. Porém, nem tudo são flores no paraíso das <em>low price comedies</em>. A diretora regional da emissora, Carla Pepperbloom, vendo seu interesse romântico se esfumaçar, decide vetar o projeto e manda apagar a memória de Jacie. Para evitar isso, Adam decide fugir e levar a actóide consigo, abrindo a história para uma série de situações inusitadas que finda com a inevitável paixão do escritor pelo robô.</p>
<p>Traduzida a partir do texto “<em>Comic Potencial</em>”, do inglês Sir Alan Ayckbourn, um dos dramaturgos mais encenados no mundo, a peça traça um paralelo interessante entre arte e realidade, neste contexto, com um pezinho também na ficção científica, levantado a questão, através de uma sátira mais do que pertinente, de qual é o papel da TV nos tempos que virão.</p>
<p>O jovem e ingênuo Adam traz em si a aura do artista em início de carreira (quem já não teve ganas de mudar o mundo através de sua arte inovadora?!), para quem tudo é possível, basta empenho e força de vontade, criando um contraponto com o já combalido diretor, cuja vida se baseia principalmente em memórias de um passado já distante e para quem o futuro, como um reflexo de suas novelas robotizadas, não apresenta nenhuma perspectiva de melhora. Através de seu entusiasmo e de sua paixão pouco comum, Adam reinventa o mito de Pigmalião (escultor que tentou reproduzir a mulher ideal e que, ao apaixonar-se por ela e ter seu desejo atendido por Afrodite, que transformou a estátua em mulher, acabou trilhando um caminho diferente daquele traçado pelos deuses), e coloca em cheque questões sobre o que nos torna humanos, nossa capacidade de se apaixonar e sobre a relação entre riso e amor.</p>
<p>Jacie, por sua vez, é o exemplo perfeito da inconstância do ser. Versão feminina e <em>low profile</em> de Andrew Martin (personagem vivido por Robin Williams no filme “O Homem Bicentenário”), ela o tempo todo tenciona a originalidade, mas o único que consegue é repetir as velhas fórmulas das novelas que já protagonizou. Quando finalmente consegue “sentir” algo inédito (que, por coincidência, é o início da <em>doença</em> chamada amor), fato não originado do banco de memórias, seus circuitos não compreendem a nova diretriz e ela, literalmente, “entra em parafuso”.</p>
<p>Outra crítica interessante que vem à tona é a questão da massificação da cultura e do sistemático processo de produção adotado pela mídia — notadamente o da TV — em que tempo conta mais do que qualidade e esta, aplicada minimamente em todas as produções, serve de alimento para as massas. Também aqui a questão do “meio agindo sobre o homem” e, neste caso, também sobre a máquina, é bem pertinente. Como numa espécie de axioma universal, a trama mostra que não importa se homem ou máquina; no final, o que vale mesmo é a estrutura de poder: manda quem pode, obedece quem tem juízo!</p>
<p>Inicialmente dividido em dois núcleos distintos — cenário da novela protagonizada pelos actóides e o <em>backstage</em>, onde diretor e técnicos coordenam a produção — e depois num sem número de fragmentos, o espetáculo consegue manter uma dinâmica interessante durante suas quase duas horas de duração (embora, no final, fique aquela sensação de que o tempo foi esticado um pouco demais), graças em grande parte ao ótimo entrosamento dos atores.</p>
<p>Com referências a Buster Keaton e a série cômica “<em>O Gordo e o Magro”</em>, o espetáculo<em> </em>aposta no tradicional esquema do roteiro de humor entrecortado por situações cômicas — temperadas aqui e ali com pinceladas de romantismo incidental —, inversões de expectativas, repetição de situações e até em clássicos da comicidade universal, como as tortas de creme que voam entre os personagens, resgatando o velho humor do cinema mudo.</p>
<p>Dirigida por Eliana Fonseca, a peça traz no elenco Julia Carrera, Eduardo Muniz (ambos, idealizadores do projeto), Malu Pessin, Ricardo Ventura, Lívia Lisboa, Sergio Rufino, Bia Borin e Livia Guerra. Aliás, vale destacar os atores Luiz Damasceno, como o diretor decadente que não se conforma em ter se tornado um simples “diretor de actóides” e Luciano Gatti que consegue roubar a cena cada vez que aparece.</p>
<p>Através de apropriações mais que oportunas de exemplos bem próximos de nós, seja de programas nacionais, músicas da moda ou menções a celebridades instantâneas, o espetáculo consegue arrancar boas risadas da plateia, além de plantar aqui e ali o germezinho da incerteza acerca de como estamos contribuindo para a disseminação dessa arte feita para as massas.</p>
<p>E a cultura? Bem, a cultura que fique em segundo, terceiro ou quiçá em quarto plano. Afinal, para os números da audiência — e o riso feliz dos patrocinadores e do público geral — o lixo sempre vai ser tratado um luxo.</p>
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		<title>Doidas e Santas</title>
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		<pubDate>Sat, 01 May 2010 12:32:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0025]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[“Doidas e Santas” estreou ontem no Rio de Janeiro, Teatro do Leblon, sala Tônia Carrero e fica até 25 de julho. A montagem é boa: uma comédia romântica de Regiana Antonini baseada em crônicas de Martha Medeiros, dois simpáticos atores, Cissa Guimarães e Giuseppe Oristanio, e uma ótima atriz que interpreta três papéis, Josie Antello, dirigida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“Doidas e Santas” estreou ontem no Rio de Janeiro, Teatro do Leblon, sala Tônia Carrero e fica até 25 de julho. A montagem é boa: uma comédia romântica de Regiana Antonini baseada em crônicas de Martha Medeiros, dois simpáticos atores, Cissa Guimarães e Giuseppe Oristanio, e uma ótima atriz que interpreta três papéis, Josie Antello, dirigida por Ernesto Piccolo.</p>
<p>O texto trata de um momento da vida da personagem Beatriz, um típico estereótipo de uma mulher chegando aos 50 anos. Insatisfação, questionamentos, problemas com o casamento, o olhar sobre o universo masculino versus o feminino, etc.</p>
<p>O cenário é simples, apenas uma representação de uma sala de estar, com sofá e estante. Os pontos mais engraçados ficam por conta das falas da mãe de Beatriz. O tom é bom e se mantém bom até o fim. Nenhum problema. Talvez tenha um público bem específico, talvez não ganhe milhões de prêmios, mas o que isso importa?</p>
<p>Enfim, cumpriram o que estava na proposta: deram conta do texto de Martha Medeiros, criando um momento de descontração, de entretenimento agradável. Tudo dentro do esperado.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><em>Texto: Regiana Antonini<br />
Direção: Ernesto Piccolo<br />
Elenco: Cissa Guimarães, Giusepe Oristanio e Josie Antello<br />
Cenário: Sérgio Marimba<br />
Direção de Produção: Maria Siman</em></p>
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		<title>Teruel y la continuidad del sueño</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Apr 2010 00:09:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rober Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0024]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[“Y lo vi alejarse, con una manzana en el bolsillo de la chaqueta y sosteniendo en la cabeza la letra U. La fruta es para que tenga algo que comer en el camino, pensé yo. Pero, ¿que le va a hacer com la U? — Esto es para que te acuerdes de que un dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right; padding-left: 390px;"><em>“Y lo vi alejarse, con una manzana en el bolsillo de la chaqueta y sosteniendo en la cabeza la letra U. La fruta es para que tenga algo que comer en el camino, pensé yo. Pero, ¿que le va a hacer com la U?</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 390px;"><em>— Esto es para que te acuerdes de que un dia hemos de volver. Unidos, volveremos a vivir en una España sin guerras — me contestó desde lejos el vendedor de frutas”.</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 390px;">Teruel y la continuidad del sueño (<a title="El Bachín Teatro" href="http://www.elbachinteatro.com.ar/" target="_blank">El Bachín Teatro</a>)</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>A <a title="Guerra Civil Espanhola" href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-01882008000200016&amp;script=sci_arttext" target="_blank">Guerra Civil Espanhola</a> (1936-1939), evento que colocou em lados apostos nacionalistas e republicanos, é tida, até hoje, como um dos episódios mais traumáticos que antecederam a 2ª Guerra Mundial.</p>
<p>Imortalizada na obra <a title="Guernica, no Vimeo" href="http://vimeo.com/2287337" target="_blank"><em>Guernica</em></a>, de Pablo Picasso, a guerra pela manutenção da II República teve de um lado as forças do nacionalismo e do fascismo, aliadas as classes e instituições tradicionais da Espanha como o Exército, a Igreja e os grandes latifundiários e, do outro, a frente popular que formava o Governo Republicano, representando os sindicatos, os partidos de esquerda e os partidários da democracia.</p>
<p>Para a direita espanhola a guerra nada mais era que uma versão moderna das antigas Cruzadas Cristãs, cuja missão era livrar o país da influência comunista e da franco-maçonaria e restabelecer os valores da Espanha tradicional, soberana e católica. Para tanto, era preciso esmagar a República que havia sido proclamada em 1931, com a queda da monarquia. Em contrapartida, para a esquerda, era preciso dar um basta ao avanço do fascismo que já havia conquistado importantes países da Europa, como a Itália (em 1922), a Alemanha (em 1933) e a Áustria (em 1934).</p>
<p>E foi justamente esse enfrentamento ideológico que fez com que a Guerra Civil Espanhola deixasse de ser apenas um acontecimento de caráter eminentemente nacional e se tornasse uma querela de poder entre forças que então disputavam a hegemonia do mundo. Nela, envolveram-se a Alemanha nazista e a Itália fascista, que apoiavam o golpe do General Franco e, na outra ponta, a União Soviética, que se solidarizava com o governo Republicano.</p>
<p>Essa pequena aula de história espanhola serve aqui como amostra do cenário que se desenhou como pano de fundo para a encenação da peça <em>Teruel y la continuidad del sueño</em>, que o grupo argentino El Bachín Teatro apresentou durante a V <a title="Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo" href="http://www.mostralatinoamericana.com.br/" target="_blank">Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo</a>, evento que aconteceu no <a title="Centro Cultural de São Paulo" href="http://www.centrocultural.sp.gov.br/" target="_blank">Centro Cultural de São Paulo</a>.</p>
<p>Mistura de elementos históricos e encenação teatral, a peça se passa em fevereiro de 1938, em <a title="Teruel, Espanha @ Google Maps" href="http://maps.google.com.br/places/es/teruel-cidade?gl=br" target="_blank">Teruel</a>, Espanha. A cidade acaba de ser recuperada pelos nacionalistas (partidários do General Franco), mas ainda restam alguns pontos de resistência republicana; tiroteios, escaramuças e combates isolados de pequena importância perduram como gesto de resignada oposição por parte daqueles que desejam livrar o país do poder opressivo do ditador Franco. Em meio a tudo isso, encontramos um casal de artista na frente de batalha dos brigadistas internacionais que se negam a abandonar a cidade, enquanto preparam um espetáculo para ser apresentado ao pintor <a title="Rafael Alberti" href="http://www.rafaelalberti.es/" target="_blank">Rafael Alberti</a>, em Madri.</p>
<p>Mais do que tratar da guerra que assolou a Espanha, o espetáculo põe em relevo o papel destacado que artistas e intelectuais de todo o mundo tiveram durante o conflito e expande a questão deixando no ar a pergunta acerca da função da arte — e, por extensão, de seus criadores — como interventora em momentos de crise. A peça, narrada por um locutor posto fora da cena principal, acontece todo o tempo na sala do casal de jovens artistas. Lá, são discutidas as ações adotadas pelos combatentes e os rumos dos combates, tanto os falados quanto os armados, o abandono forçado dos lares por parte do povo em razão dos conflitos (como o vendedor de frutas da epígrafe), revividas lembranças dos tempos em que a arte era funcional e discutido o papel que eles, enquanto artistas, deveriam desempenhar, além de esboçados sonhos de um futuro em que os caminhos novamente serão pavimentados por uma paz duradoura e livre.</p>
<p>Enquanto os jovens fazem planos de burlar a guerra e levar a peça a Madri, o locutor segue narrando a história com o distanciamento típico da profissão. Até que, em certo momento, é interpelado por ambos os lados e posto literalmente contra a parede. A peça faz uma crítica interessante sobre partidarismos e neutralidade, evidenciando que uma vez que nenhum dos lados é escolhido, involuntariamente acaba-se favorecendo aquele que tem mais chances de vencer.</p>
<p>Durante o espetáculo, os atores ficam separados do público por uma malha semitransparente, onde são projetadas fotografias e gravuras que ora explicitam os planos de guerras e “a espera de nove tanques que nunca chegam”, ora falam das personagens e suas maquinações. Este recurso confere ao espetáculo um ar de distanciamento e, ao mesmo tempo, de clausura, como se os atores, trancafiados naquela sala pequena e separados do mundo (entenda-se, público) por aquela cortina que narra fatos imagéticos e histórias estáticas, representassem toda a solidão e perda ocasionadas pela guerra. A própria musica que permeia o espetáculo evidencia essa dualidade liberdade/prisão. Todas elas remetem ao sofrimento, à consternação, como a marcha marcial que anuncia a chegada do ditador. Mas, por mais negro que seja o futuro e por mais borrado que estejam os sonhos, sempre haverá esperança e, nesta história, ela é representada pela repetição exaustiva de uma pequena melodia, cantada à capela pelos integrantes da trupe de teatro, sem qualquer arranjo ou escala que não sejam as batidas cadenciadas de seus pés, mas que soa com um alento bem-vindo em meio ao pessimismo generalizado.</p>
<p>O espetáculo, encenado pela primeira vez em 2009, celebra os dez anos da companhia composta por poetas e militantes que trazem em sua formação a verve do teatro independente argentino. Com influências de <a title="Antologia Poética de Bertolt Brecht" href="http://www.culturabrasil.pro.br/brechtantologia.htm" target="_blank">Bertolt Brecht</a>, a companhia busca, através de suas montagens, dar voz e vez aos excluídos e tomar uma posição firme frente às injustiças sociais que marcaram historicamente a América latina.</p>
<p>Um dado curioso sobre a peça: o ator, autor e diretor Manuel Santos Iñurrieta presta uma homenagem póstuma a seu tio-avô Andrés Guarido Eleno, um dos muitos soldados que morreram em solo espanhol, revivendo seu papel na peça e representando, além disso, o sonho que ele e outros tantos deixaram para as gerações futuras. Uma mostra interessante de que, não importa a época ou a situação, sempre haverá alguém disposto a ergue a voz e protestar contra os desmandos daqueles que governam.</p>
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		<title>Santiago Serrano</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Apr 2010 15:20:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0024]]></category>
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		<description><![CDATA[A peça Fronteiras tem texto de psicanalista (o argentino Santiago Serrano). Daí você ficar sem saber se se trata de fronteira geográfica ou metafórica. E daí isso não ter a menor importância. Importa é a sensação de que você pode (ou não pode) passar para o lado de lá – o lá podendo ser algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2010/04/divjorn0714.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-10062" title="Fronteiras, de Santiago Serrano - fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2010/04/divjorn0714-80x60.jpg" alt="Fronteiras, de Santiago Serrano - fotografia de Elvira Vigna para o Aguarrás" width="80" height="60" /></a>A peça <em>Fronteiras </em>tem texto de psicanalista (o argentino <a title="Santiago Serrano" href="http://santiagoserrano-teatro.blogspot.com/" target="_blank">Santiago Serrano</a>). Daí você ficar sem saber se se trata de fronteira geográfica ou metafórica. E daí isso não ter a menor importância. Importa é a sensação de que você pode (ou não pode) passar para o lado de lá – o lá podendo ser algo que você nunca fez, alguém de quem você se aproxima pela primeira vez.</p>
<p>São dois os personagens, um vivido, outro ingênuo. Esperam um trâmite burocrático, um funcionário que os faça passar de um lado da fronteira para outro. Nessa espera, sem nada para fazer e sem simpatias especiais que os unam, ocupam o tempo com histórias. É um deles que conta suas aventuras com mulheres para o outro, que no início apenas escuta. Depois pede pela repetição das narrativas. Oferece recompensas (biscoitinhos) para obter as palavras de que tanto gosta. As mesmas palavras, sempre. Pois quem conta, conta sempre do mesmo jeito. Quando não o faz, aquele que escuta reclama. Exige que o sonho de tomar para si as aventuras do outro não seja perturbado por mudanças de sintaxe. No fim, aquele que antes só escutava conta ele mesmo, de cor, as histórias que ouviu tantas vezes. Conta quase igual, mas com ênfase redobrada. O dono inicial das histórias se insurge com essa sociedade em suas memórias e diz que mentiu o tempo todo. Que a mocinha pura e virginal que a ele se entregou na verdade era uma puta e usava maquiagem pesada. Os dois brigam. Como assim? Aquele que só escutava se indigna de o primeiro denegrir a honra da moça por quem, agora, ele também é apaixonado. Conflito. E os papéis se invertem. Quem escutava agora acrescenta mais detalhes, na sua defesa da moça inventada. E quem escuta embevecido é quem de fato a conheceu. E até nos nomes, eles passam a se chamar pelos nomes trocados.</p>
<p>É essa a peça.</p>
<p>Quem escreve sabe. Se o que você fizer for bom, o leitor deverá estar presente no texto. A história será a história do leitor tanto quanto é sua. É isso escrever bem. E pintar. E, provavelmente, fazer música. Você apresenta uma maneira nova de o fruidor da tua arte entender algo que já é dele antes. Daí o encabulamento de ver o próprio nome ali, assinando aquilo que você sabe que pertence a mais gente. Daí a dificuldade em dar autógrafo, posar para foto. Se for bom, não é só seu.</p>
<p>O diretor é Guilherme Reis. O cenário é de Gustavo Magalhães e Dani Estrela e é bem clean, feito de lona de caminhão meio suja, usada. Luz de Dalton Camargos. O som eu não sei de quem é mas é bem bom. Lá pelas tantas passa um vento, passa uma música, uma revoada de patos? O que passa é um tempo, e é difícil isso, de fazer, no som, um tempo.</p>
<p>Os atores são Chico Sant’Anna (no papel de Tonito) e Sérgio Fidalgo (no de Pascual). E se você me perguntar qual dois dois é o contador original de histórias, e quem as escutava, eu não vou mais saber. Não importa. Como você vê, a peça é muito bem feita. E eu também entrei nela.</p>
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		<title>Pedro de Valdívia: La Gesta Inconclusa</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Apr 2010 14:47:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rober Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0024]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[“Los españoles no son inmortales. Bajo la armadura, solo hay carne, huesos y suciedad. Mapuches, ¡vamos a por ellos!”. Lautaro – índio Mapuche. (in Pedro de Valdívia: La Gesta Inconclusa) Falar sobre a colonização e as guerras de conquista da América hispânica sem cair na mesmice monocórdica das aulas de história ou incorrer nos erros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>“Los españoles no son inmortales.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Bajo la armadura, solo hay carne, huesos y suciedad.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Mapuches, ¡vamos a por ellos!”.</em></p>
<p style="text-align: right;">Lautaro – índio Mapuche.</p>
<p style="text-align: right;">(<em>in</em> <a title="fotos da peça Pedro de Valdívia: La Gesta Inconclusa no Centro Cultura São Paulo @ Flickr" href="http://www.flickr.com/photos/centroculturalsp/4503378302/" target="_blank">Pedro de Valdívia: La Gesta Inconclusa</a>)</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Falar sobre a colonização e as guerras de conquista da América hispânica sem cair na mesmice monocórdica das aulas de história ou incorrer nos erros costumeiros dos livros oficiais. E, acima de tudo, fazê-lo através do teatro, da música e do humor. É isso o que o <a title="Tryo Teatro Banda" href="http://www.tryoteatrobanda.cl/" target="_blank">Tryo Teatro Banda</a> buscou apresentar no palco do <a title="Centro Cultural São Paulo" href="http://www.centrocultural.sp.gov.br/" target="_blank">Centro Cultural São Paulo</a>.</p>
<p>Abrindo a <a title="Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo" href="http://www.mostralatinoamericana.com.br/" target="_blank">V Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo</a>, evento que acontece entre os dias 20 e 25 de abril, o trio chileno trouxe pela primeira vez para os palcos da capital paulista o espetáculo <em>Pedro de Valdívia: La Gesta Inconclusa</em>. Misturando artes cênicas, músicas e humor, o Tryo deu vida a uma ácida e bem-humorada versão da história de colonização do Reino do Chile pelos espanhóis.</p>
<p>A peça gira em torno da correspondência trocada entre o conquistador Pedro de Valdívia e o rei da Espanha Carlos V, durante a época de colonização chilena (1536-1553).  Nas cartas enviadas regularmente a <em>el rey</em>, o militar narra os altos e baixos de suas incursões na tentativa de dominação da população local, os índios mapuches, e solicita a ajuda da coroa espanhola para por fim aos conflitos e às duras condições impostas aos colonizadores devido ao longo enfrentamento.</p>
<p>O conquistador Valdívia, peça chave do enredo, é mostrado de forma humorística, por vezes caricata, como um empedernido servidor da coroa, mas também como um (anti) herói que carrega em si medos e dúvidas, alguém mesquinho e manipulador que não mede esforços para realizar seus objetivos. Através de esquetes tragicômicos, o trio de atores se reveza para mostrar as agruras que <em>El Gobernador</em> e seus comandados enfrentaram durante o período de revolta indígena trazendo, através do escracho e do humor, a narrativa para próximo do público. O jogo de enredos proporcionado pelo vai e vem de instrumentos, encenação e relato — além de um simpático boneco articulado que faz às vezes de conquistador — é engraçado, rápido e dinâmico, e aborda de maneira contundente temas relevantes dentro do contexto histórico, como as injustiças que os nativos sofreram, a adversidade do ambiente e o caráter fastidioso da conquista espanhola.</p>
<p>Durante toda a encenação, apresentada sob a forma de um concerto em que os atores multi-instrumentistas assumem ares de jograis (artistas populares da Idade Média que percorriam palácios e praças públicas, tocando, cantando e divertindo o povo, mas sem perder de vista o horizonte crítico de seu tempo), são intercalados relatos da fracassada aventura de conquista com melodias incidentais (algumas hilárias) e músicas da cultura local, representadas, sobretudo, por um sem número de instrumentos. Aliás, o que não falta à peça são apetrechos musicais. Instrumentos da cultura mapuche (como um interessante trombone circular), guitarrão chileno, charango, baixo, violino, violão, acordeom&#8230; Todos executados pelos três atores com uma habilidade de dar inveja, num revezamento digno dos mais sinceros aplausos.</p>
<p>Através do dinamismo narrativo e da capacidade dos atores Cézar Espinoza, Pablo Obreque e Francisco Sánchez de encher o palco, os ouvidos e os olhos dos espectadores, o espetáculo vai mergulhando aos poucos na cultura indígena, que tão bravamente resistiu em se deixar colonizar, e vai traçando um questionamento acerca de como se formou a identidade chilena. O modo como a música ao vivo (toda a sonoplastia é realizada pelos atores) se liga à performance dramática dá ao espetáculo um tom único, ao mesmo tempo ácido e engraçado, triste e instigante, criando uma sincronia perfeita entre música, história e ação.</p>
<p>Na estrada desde o ano 2000, o Tryo Teatro Banda surgiu do desejo de seus integrantes de levar espetáculos teatrais a regiões daquele país que não tinham acesso a arte e a cultura. De caráter mambembe, a peça <em>Pedro de Valdívia: La Gesta Inconclusa</em> integra uma linha de pesquisa centrada basicamente em temas ligados a formação do Chile, iniciada desde a concepção do grupo.</p>
<p>Além do Tryo Teatro Banda, a V Mostra Latino-Americana de Teatro vai reunir até domingo próximo, dia 25/04, no Centro Cultural São Paulo, outras dez companhias teatrais da América Latina, EUA e África. Entre os demais grupos que participarão do evento este ano estão cinco brasileiros (do Piauí, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina), três da América Latina (provenientes da Colômbia, Peru e Argentina), uma companhia hispânica com sede em Miami e uma de Angola.</p>
<p>Além das apresentações, o evento contará ainda com palestras e debates, cujo enfoque se dará em torno das temáticas públicas (históricas e sociais) e privadas (familiares) na cena latino-americana, eixo central da Mostra de 2010, e atividades paralelas.</p>
<p>Patrocinada pela Petrobras e com co-patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, da Caixa Econômica Federal e da Funarte/Ministério da Cultura, a V Mostra Latino-Americana de Teatro de Grupo pretende ser um espaço para a troca de experiências entre os grupos participantes, e destes com o público.</p>
<p>Todos os espetáculos, palestras e bate-papos têm entrada franca, sendo necessária a retirada dos ingressos uma hora antes de cada sessão.</p>
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		<title>NuConcreto</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2010/04/13/nuconcreto/</link>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 11:40:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rober Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0024]]></category>
		<category><![CDATA[circo]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Globalização?! Bem, a definição é simples. Vejamos: temos o glo, que pode ser do inglês to go, que significa ir, junto ao bah, uma expressão gaúcha que significa “aprovação, alegria”, e lização, que é algo como alisar. Então, globalização significa: “um gaúcho viado que vai ser alisado e vai gostar!”. NuConcreto (Circo Mínimo) O circo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right; padding-left: 480px;"><em>Globalização?! Bem, a definição é simples. Vejamos: temos o </em>glo<em>, que pode ser do inglês </em>to go,<em> que significa ir, junto ao bah, uma expressão gaúcha que significa “aprovação, alegria”, e </em>lização<em>, que é algo como alisar. Então, globalização significa: “um gaúcho viado que vai ser alisado e vai gostar!”.</em></p>
<p style="text-align: right; padding-left: 480px;">NuConcreto (Circo Mínimo)</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>O circo sempre foi um lugar de encantamento e magia, onde tudo era possível para aqueles dispostos a acreditar. Trapezistas voadores, homens que desafiavam a morte encarando bocas escancaradas de leões ou o passeio vagaroso de um elefante, palhaços dispostos a acabar com a tristeza de qualquer um, mesmo que para isso tivessem que cambalhotear até ficarem tontos&#8230;</p>
<p>Dos circos mínimos da minha infância, com suas entradas a um real e bailarinas de formas arredondadas, aos shows tecnológicos do Cirque de Soleil, que minha pobre carteira ainda não tem idade para ver, a arte circense sempre evocou essa aura lúdica, trazendo para os 3,5 metros do palco toda a magia que não podia caber no nosso cotidiano banal.</p>
<p>Mas, como tudo na vida, também a magia do circo muda e, da inocência vivida nas longínquas tardes de sábado, restou apenas o picadeiro central e cinco trapezistas palhaços que, vestidos de estereótipos, se afiguram desagradavelmente parecidos conosco.</p>
<p>A eles se incorporou o teatro e, dessa mistura, saiu um dos melhores grupos de arte cênica da atualidade, representativo de ambas as vertentes: A Cia. Circo Mínimo. Fundado em 1988 por Rodrigo Matheus, a proposta da companhia era a de extrair os conceitos básicos que perpassam as artes circenses e inseri-las dentro de um espaço cênico, voltando-se à discussão de temas atuais. Ao longo deste tempo, o <a title="Circo Mínimo" href="http://www.circominimo.com.br/" target="_blank">Circo Mínimo</a> já produziu mais de 14 espetáculos, entre eles, Prometeu (1993), Deadly (1997), Ladrão de Frutas (2002) Road Movie (2006) Miranda e a Cidade (2008) e o último, NuConcreto, apresentado em curta temporada no Espaço Caixa Cultural em comemoração aos 20 anos da companhia.</p>
<p>O espetáculo foi livremente inspirado na obra “Por uma outra Globalização — do pensamento único à consciência universal”, do geógrafo Milton Santos e traz para o palco alguns de seus principais conceitos, transformados em imagens cênicas através do uso da técnica do Mastro Chinês.</p>
<p>O espetáculo, assim como o livro, aborda três aspectos da globalização tidos pelo geógrafo como o cerne dos problemas atuais: a globalização como fábula &#8211; aquela que é “vendida” como sendo a solução para todos os problemas da sociedade contemporânea, a globalização como perversidade &#8211; aquela que de fato acontece, gerando as consequências sociais que vivemos hoje, e a terceira vertente, uma outra globalização, a do dever ser, que é deixada em aberto para o público em forma de uma pergunta que necessita de resposta urgente, resposta esta que não será dada pelo grupo, ao menos, não neste espetáculo.</p>
<p>NuConcreto é absurdamente interativo e a todo o momento a plateia é forçosamente convidada a se mover de um lado para outro para evitar aviõezinhos de papel, bombinhas jogadas ao acaso, tintas, fogo, fumaça e torres móveis que ora revelam uma personagem escondida, ora adquirem contextos totalmente novos para dar vazão às peripécias do grupo. Esta eterna movimentação cria um link interessante com a rotina diária a que estamos submetidos/acostumados, mas que soa totalmente bizarra quando apresentada em sua totalidade.</p>
<p>Na “histótia” imaginada pelo Circo Mínino, cinco atores “personificam” arquétipos comumente encontrados em qualquer esquina de uma cidade grande. Desde o poderoso empresário, que traz na mão o controle de absolutamente tudo, passando pela fútil cria da classe média gerada pelo consumismo desenfreado ao pobre que, não tendo voz ou vez, tem que se virar como pode, a trama fragmentada vai se construindo à medida que cada um tenta se situar no meio deste caos previamente orquestrado. A cada nova cena o espectador/participante é convidado a, mais do que refletir, sentir-se incluído no meio de temas que tratam da influência da cultura de massa sobre a sociedade, ou do desejo desenfreado pelo poder e pelo dinheiro. Sente nos olhos e ouvidos as consequências da desigualdade e o quanto as ações isoladas são inúteis diante da passividade da maioria. Apesar de abordar tantos assuntos problemáticos, todo o espetáculo é perpassado por uma comicidade irônica, como se, no final, tudo não passasse de metáforas poéticas, de brincadeira de circo.</p>
<p>Além do inquietante sobe-e-desce dos atores, das torres móveis que não deixam ninguém em paz e das constantes interações com a plateia, a sonoplastia é outro ponto forte do espetáculo. Músicas fragmentadas, depoimentos (como o que abre esta resenha), questionamentos e respostas enviesadas, funcionam como complemento perfeito para a colcha de retalhos que, afinal, conhecemos há tempos, e que tristemente mostra como a grande maioria das pessoas está alienada em relação ao que está acontecendo no mundo.</p>
<p>No final, ninguém escapa ileso. Rico ou pobre, fútil ou engajado, todos somos vítimas da mesma máquina que segue imperturbável rumo à construção/destruição desta perfeita sociedade capitalista.</p>
<p>Uma cena digna de nota: durante todo o espetáculo, um mesmo produto — um cavalinho de brinquedo — é oferecido como item indispensável por diferentes representantes das camadas sociais. Cada um com seu valor e sua utilidade prática, dependendo do grado social em que se encontra o negociante da vez. No final, todos surgem novamente no palco, produtos em mãos, mas apenas o cavalo do “pobre” não tem cerca que o prenda ou destino que o guie. E, este mesmo cavalinho, numa interessante brincadeira dos deuses do teatro, caiu umas quatro vezes, sendo levantado pela plateia apenas para cair de novo, numa insistente busca por um caminho que, aliás, ninguém ali sabia qual era.</p>
<p>Talvez uma prova de que a arte realmente imita a vida e que, mesmo diante de tantas quedas, o pobre seja, dentre todos os arquétipos sociais, o único que ainda tem fé em continuar.</p>
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		<title>Piedade</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2010/03/22/piedade/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 22:35:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rober Pinheiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0024]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[“Então, eu cheguei lá. Eles, sombreados na paisagem do ninho adúltero, no interior da casa simples da Estrada Real da Piedade, me esperavam&#8230; Ali, não houve piedade&#8230; Nem minha, nem de ninguém” Euclides da Cunha (in Piedade) Não é de hoje que as paixões humanas servem de matéria inspiradora para artistas, poetas e loucos. Desde [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>“Então, eu cheguei lá.<br />
</em><em>Eles, sombreados na paisagem do ninho adúltero,<br />
</em><em>no interior da casa simples da Estrada Real da Piedade,<br />
</em><em>me esperavam&#8230; Ali, não houve piedade&#8230;<br />
</em><em>Nem minha, nem de ninguém” <br />
</em><em><a title="Euclides da Cunha" href="http://www.euclidesdacunha.org.br/" target="_blank">Euclides da Cunha</a> (in Piedade)</em></p>
<p><a href="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2010/03/convite.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-9975" title="Cia. Bendita Trupe apresenta Piedade, de Euclides da Cunha" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2010/03/convite-80x61.jpg" alt="Cia. Bendita Trupe apresenta Piedade, de Euclides da Cunha" width="80" height="61" /></a>Não é de hoje que as paixões humanas servem de matéria inspiradora para artistas, poetas e loucos. Desde os dilemas existenciais clássicos, magistralmente transpostos para os palcos gregos, aos amores virtuais tão em voga nestes dias de aldeia global, os sentimentos humanos encontraram na representação encenada sua face mais verdadeira. E, dentre todos eles, a traição sempre figurou como a mais inevitável das fraquezas humanas. Seja escancarada, como o envolvimento pueril entre primo e prima, ou velada, concebível apenas na imaginação do amigo supostamente traído, ela deu margem à criação de obras memoráveis, representantes únicas de paixões efêmeras e tragédias anunciadas.</p>
<p>Assim é com Piedade, peça que comemora os 10 anos da Cia. Bendita Trupe. O espetáculo, com direção de Johana Albuquerque e dramaturgia de Antônio Rogério Toscano, apresenta o encontro póstumo das três figuras centrais do crime ocorrido em 1909 na Estrada Real da Piedade, no Rio de Janeiro, e conhecido como &#8220;A Tragédia da Piedade&#8221;: Euclides da Cunha, o famoso escritor da obra “Os Sertões”, Anna da Cunha, sua esposa, e Dilermando de Assis, o jovem amante de Anna.</p>
<p>Após retornar de uma viagem de autoexílio à longínqua Amazônia, Euclides descobre-se traído e abandonado por Anna e busca vingar sua honra indo armado ao encontro do amante, um jovem militar campeão de tiro, e da esposa. Na escaramuça, Dilermando o mata em legítima defesa, passando a ser permanentemente atacado pela opinião pública. Porém, mesmo após o escândalo da traição e da morte do escritor, Anna de Cunha, viúva, casa-se com seu amante, então absolvido do crime, gerando nova controvérsia que culmina com a morte de seu filho, Quidinho, também pela mão de Dilermando.</p>
<p>Durante o espetáculo, as três personagens ficam o tempo todo em cena, interagindo num cenário indefinido, uma espécie de limbo existencial, que ora evoca os pensamentos conflitantes de Euclides, ora traz à tona a aura de paixão proibida que envolveu os amantes. Neste lugar vazio, que é tudo e nada ao mesmo tempo, os três protagonistas se defrontam e se confrontam, Euclides buscando entender os motivos que levaram sua esposa a traí-lo; ela, lembrando-o da solidão de seu casamento, da casa vazia, de sua constante ausência e Dilermando tentando encontrar um lugar só seu, um canto vago entre os meandros da conturbada relação do casal onde possa situar sua paixão juvenil.</p>
<p>A peça vai se construindo à medida que cada um, sob um ponto de vista bastante particular, apresenta sua versão dos fatos que levaram à tragédia, num colóquio onde todos têm a chance de dizer aquilo que nunca foi dito, na tentativa de reconstruir sua imagem diante do outro. Assim, têm-se vislumbres dos momentos vividos por cada um deles, flashes de cenas, depoimentos, memórias e ressentimentos, fragmentos de cartas e diálogos que apresentam fatos e verdades que antecederam, culminaram e sucederam o famoso crime da Estrada Real da Piedade.</p>
<p>No papel de Euclides, o ator Leopoldo Pacheco abre o espetáculo apresentando o cenário geral da tragédia, suas motivações e o final trágico que o levou àquele lugar, numa espécie de inversão dos acontecimentos. Jacqueline Obrigon e Daniel Alvim, esposa e amante respectivamente, tem, em seguida, a oportunidade de também apresentar seus argumentos começando, a partir daí, um jogo de palavras em que cada um tentar mostrar para o outro a sua verdade dos fatos.</p>
<p>Enquanto Euclides para justificar-se se utiliza da desculpa do escritor atarefado que tem por obrigação apresentar o Brasil de verdade aos brasileiros que pouco ou nada conhecem dele, Anna se coloca no papel da mulher presente de um marido sempre ausente, que conhecia como ninguém “os entendimentos das letras e mapas, espírito pré-modernista que fizera os olhos de todo um povo se voltarem para o interior do país, para o homem forte até então sem voz nem vez, mas que jamais se empenhara em conhecer as linhas de seu corpo, as necessidades e anseios da própria mulher”. E Dilermando, por sua vez, questiona-se até que ponto estava errado em amar uma mulher casada, cujo marido achava-se ausente, sequer sendo lembrado por fotografias ou cartas.</p>
<p>A partir destes fragmentos, de opiniões não expressadas anteriormente e, portanto, desconhecidas antes da tragédia, o triangulo vai construindo um novo diálogo e, mais importante, vai se construindo, tecendo delicadamente uma nova relação. Aqui, as definições desaparecem; Euclides não é mais apenas um escritor, Anna, não se afigura como simples adúltera e Dilermando não é só o amante que matou com frieza. Não há julgamentos, culpados ou inocentes. Antes, há uma tentativa de compreensão, neste limbo existencial, daquilo que não pode ser perpetuado como equívoco, uma última tentativa de perdão e de entendimento entre este insólito triangulo amoroso.</p>
<p>Deste modo, cada um argumenta não para provar-se correto na atitude e obter a verdade final como prêmio de consolação, mas sim, para demonstrar uma outra vertente dos acontecimentos, livre da hipocrisia e do conservadorismo reinante da época, e apresentar possíveis novas imagens de cada um dentro desta perspectiva diversa.</p>
<p>Mais do que julgamento, a peça traz um olhar libertador sobre os acontecimentos que culminaram n’A Tragédia da Piedade, deixando para o público, cem anos depois, a tarefa de encontrar os motivos que os levaram a este fim.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Dramaturgia: Antônio Rogério Toscano<br />
</em><em>Direção: Johana Albuquerque<br />
</em><em>Cia. de Teatro Bendita Trupe</em></p>
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		<title>Kafka</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 16:17:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elvira Vigna</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0022]]></category>
		<category><![CDATA[contemporânea]]></category>
		<category><![CDATA[dança]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[O espetáculo Kafka, da Cia. Borelli de Dança, foi um dos eventos que a Livraria Cultura ofereceu em sua Virada/2009. Não pensei nisso antes. Mas nada como Kafka. Digo, em todas as artes passamos pela mesma indagação sobre o próprio processo de fazer arte. A pintura discutiu a superfície da tela, a tinta e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O espetáculo <em>Kafka</em>, da <a title="Cia. Borelli de Dança" href="http://ciaborelli.com/" target="_blank">Cia. Borelli de Dança</a>, foi um dos eventos que a Livraria Cultura ofereceu em sua Virada/2009.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-9741" title="Kafka" src="http://aguarras.com.br/wp-content/uploads/2009/11/divjorn0631.jpg" alt="Kafka" width="283" height="221" />Não pensei nisso antes. Mas nada como <a title="The Kafka Project" href="http://www.kafka.org/" target="_blank">Kafka</a>. Digo, em todas as artes passamos pela mesma indagação sobre o próprio processo de fazer arte. A pintura discutiu a superfície da tela, a tinta e o gesto. A literatura apresenta metalinguagens até hoje.O fazer artístico voltada para ele mesmo, suas questões e processos, em uma época de perda de referências, de estabilidades, foi um fenômeno meio que universal e atingiu todas as linguagens. A situação kafkiana de descobrir-se na forma de uma barata, nesse contexto, não podia ser melhor. A necessária indagação sobre o próprio corpo é, de fato, ideal para uma dança voltada, não para uma narrativa, mas para as próprias possibilidades do corpo como meio de expressão.</p>
<p>O espetáculo abre com quatro bailarinos que se espelham uns nos outros em seus movimentos, formando um corpo único. Eles se analisam. Já começa muito bom, no espanto perante braços e pernas que lhes (nos) parecem novos.</p>
<p>Às vezes tal corpo único é 3/4 barata e 1/4 resistência. Outras vezes tenta conter, todo ele, a baratice galopante. São tentativas de um andar ereto, tentativas de dignidade. Mas sempre algo &#8211; um pé que se torce incontrolável, uma perna a tremer ou os dedos da mão, nervosos &#8211; vence e retoma os movimentos frenéticos de antenas e patas. Em outras vezes a barata quatrinca explora seus novos limites &#8211; os físicos, de seu novo corpo, e os geográficos, do palco fechado.</p>
<p>O coreógrafo <a title="Sandro Borelli" href="http://ciaborelli.com/node/13" target="_blank">Sandro Borelli</a> traz, nessa obra, uma tonalidade nova e interessante para o drama kafkiano da perda da liberdade. Uma interpretação sexual. É um dos momentos, aliás, de que mais gostei. Os bailarinos, exaustos da luta contra a baratice, estão inermes no palco. Mas, pouco a pouco, vêem o movimento baratal renascer de suas mãos, postas em concha sobre o sexo. Um por um, dedos começam a se agitar qual patinhas, qual antenas. Uma hipótese que assim é lançada: aprisionado por limites sociais, econômicos e geográficos, o corpo busca a si mesmo. Uma condição de fechamento, de não alteridade, que inclui o sexo. A claustrofobia, a não-saída do corpo para além de si mesmo é o auto-erotismo. Que é, necessariamente, um homoerotismo. Nesse momento, os bailarinos se dividem, os dois homens ficam, as duas mulheres somem. Depois, isso vai se inverter. Ficam as duas mulheres, somem os dois homens. E entra uma sutileza também bonita. Os dois homens tem, a acompanhá-los, sons animais. As duas mulheres, uma espécie de canto/lamento. Na sequência, fica no palco uma das mulheres e voltam os dois homens. Eles tentam interagir com ela. São ações brutas, mas não intencionalmente brutas. Uma brutalidade de quem não se sabe bruto &#8211; ou não acha isso relevante. A brutalidade inclui tentativas canhestras de uma sexualidade desinformada. Mas não resulta. No final, a bailarina, &#8220;morta&#8221;, tem seu corpo analisado e cutucado pelos dois homens. Eles tentam deixá-la em várias posições, nenhuma satisfatória. Eles se entreolham a cada uma dessas tentativas. São eles os cúmplices, ela a estranha. Eles se unem sobre ela, cai uma saliva/esperma sobre seu rosto. É uma saliva/esperma comunal dos dois.</p>
<p>E depois ela é abandonada, inútil.</p>
<p>Há alguns pouquíssimos momentos de quase-humor no espetáculo. Sempre que vejo uma obra que parta de Kafka sinto falta de humor. Aqui, pelo menos, o humor não está ausente, em que pese a roupa preta e séria dos bailarinos, o palco minimalista, também preto. E a ausência quase total de sons ou música. Kafka, você deve saber disso, achava que estava escrevendo textos de humor. É raro alguém sacar sua enorme ironia. O personagem Gregor, depois de carregar a família inteira nas costas, trabalhando para sustentá-la, acaba virando uma barata. Mas as coisas vão se arranjando mesmo assim. A irmã leva comida. O resto das pessoas o ignora como sempre fez. O pai acaba conseguindo um novo trabalho. A vida segue. Ele continua lá. Ter se tornado, fisicamente, a barata que sempre foi não faz lá muita diferença.</p>
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		<title>Os Difamantes</title>
		<link>http://aguarras.com.br/2009/11/09/os-difamantes/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Nov 2009 19:49:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0022]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Difamantes, texto de Martha Mendonça e Nelito Fernandes, com direção de Ernesto Piccolo, traz o problema da qualidade dos programas televisivos e questiona os atributos das celebridades instantâneas. Beatriz e Maurício, representados por Maria Clara Gueiros e Emílio Orciollo Netto, nos mostram como o tédio de um casamento pode torna-se inspiração. O Pillow Talk [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Os Difamantes</em>, texto de Martha Mendonça e Nelito Fernandes, com direção de Ernesto Piccolo, traz o problema da qualidade dos programas televisivos e questiona os atributos das celebridades instantâneas.</p>
<p>Beatriz e Maurício, representados por Maria Clara Gueiros e Emílio Orciollo Netto, nos mostram como o tédio de um casamento pode torna-se inspiração. O Pillow Talk Show: mais um programa ruim na televisão que tem sucesso garantido.</p>
<p>Maurício fica obcecado pela chance de ficar famoso. Bia ainda consegue ser mais resistente. No fim, decidem não entrar para esse mundo e percebem que não há aventura mais louca do que o próprio casamento.</p>
<p>A peça não trata apenas de questões ligadas às celebridades, são narradas também histórias de relacionamentos e detalhes do comportamento de homens e mulheres, apontando a graça do cotidiano. O público se identifica com o texto e ri não somente dos atores, mas de si mesmo.</p>
<p>Ver as reclamações do casal é realmente cômico. A TPM de Beatriz é absurdamente engraçada, por exemplo. Ou a leitura comentada da revista Caras, com suas manchetes que nada dizem.</p>
<p>Os atores parecem se divertir muito durante o espetáculo. A troca entre os dois é ótima. Eles, mesmo depois de algum tempo em cartaz, ainda conseguem rir das piadas e deles próprios.</p>
<p>Maria Clara Gueiros é hilária. Capaz de contar a piada sobre português mais antiga e nos fazer rir. Já sabia que ela tinha habilidade para comédia, mas é mais do que isso. Eu poderia falar muito sobre ela, porém, reconheço que para a peça ser tão boa contou com o talento de todos os envolvidos.</p>
<p>Atores habilidosos e um texto agradável geraram um ótimo resultado. Receita simples, mas que, devido aos múltiplos acertos, conseguiu construir uma peça de qualidade.</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Texto: Martha Mendonça e Nelito Fernandes</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Direção: Ernesto Piccolo</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Elenco: Maria Clara Gueiros e Emilio Orciollo Netto</em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Temporada: Até 20 de dezembro. </em></p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro dos Grandes Atores. Shopping Barra Square. Rio de Janeiro. </em></p>
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		<title>A Geração Trianon</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Oct 2009 11:59:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Juliana Porto Fontes</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[A peça A Geração Trianon estreou no dia 22 de outubro de 2009, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema (RJ). Com direção de Luiz Antonio Pilar e Cristina Bethencourt, a produção é uma remontagem do texto de Anamaria Nunes, premiado em 1988, ano de sua primeira montagem, dirigida por Eduardo Wotzik e representada pelo Grupo Tapa. A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A peça <em>A Geração Trianon</em> estreou no dia 22 de outubro de 2009, no Teatro Laura Alvim, em Ipanema (RJ). Com direção de Luiz Antonio Pilar e Cristina Bethencourt, a produção é uma remontagem do texto de Anamaria Nunes, premiado em 1988, ano de sua primeira montagem, dirigida por Eduardo Wotzik e representada pelo Grupo Tapa.</p>
<p>A remontagem atual conta com 14 atores &#8211; Licurgo, Marília Medina, Marta Paret, Marcio Vito, Rogério Barros, Rubens Camelo, Tracy Segal, Marcos Damigo, Rodolfo Mesquita, Rael Barja, Julia Deccache, Antonio Alves, Alex Reis, André Rocha e o pianista Christian Bizotto – que dão vida às histórias dos bastidores de uma companhia teatral da década de 20, no tradicional Teatro Trianon, no Rio de Janeiro.</p>
<p>Por ser patrocinada pela Eletrobrás, a peça foi apresentada na Casa de Cultura Laura Alvim, imóvel doado (por Laura Alvim) ao Governo do Estado em meados de 1980. Como grande parte dos bens públicos é precária, gostaria de ressaltar o desconforto do balcão do teatro, cujos assentos são tão altos que deixam a pessoa mais saudável do mundo com gangrena nas pernas. Além disso, um dos ilustres espectadores da estréia era um morcego. (Isso mesmo, o mamífero voador). Outro ponto desagradável foi o atraso de 40 minutos para a abertura das portas do teatro. Sendo assim, só pude me encontrar com o morcego às 21:40, e não às 21h, como combinado. Espero que ele não tenha se chateado.</p>
<p>Voltando à peça&#8230; Foi boa. Uma peça que aborda a produção de uma peça, e a peça em si (para quem curte nomenclaturas, metateatro), é sempre interessante, ainda mais quando se trata de um texto já premiado. Horrível não poderia ser. Contudo, não passa de uma peça boa. Como pontos altos, o <em>jingle</em> da sapataria Mota (e todas as partes que o dono da sapataria Mota aparece), que merece boas risadas; e o vôo do morcego que, já impaciente, resolveu dar uma voltinha quase no final do espetáculo&#8230; Momento de muita tensão!</p>
<p style="padding-left: 30px;"><em>Teatro da Casa de Cultura Laura Alvim<br />
</em><em>Av. Vieira Souto, 176, Ipanema/RJ<br />
</em><em>Tel: 21 2332-2015<br />
</em><em>Horários: 5ª, 6ª e sábado às 21h; domingo às 20h<br />
</em><em>Temporada: até 20 de dezembro</em></p>
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		<title>O Bem do Mar</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 14:11:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jarcélen Ribeiro</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[Estreou no Teatro do Leblon, sala Fernanda Montenegro, Rio de Janeiro, neste último dia 15, o musical “O Bem do Mar”, com direção de Antonio De Bonis. São 14 atores em cena e 7 músicos interpretando 68 músicas de Dorival Caymmi. Em “O Bem do Mar”, procura-se levar ao palco elementos das letras de Caymmi, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estreou no Teatro do Leblon, sala Fernanda Montenegro, Rio de Janeiro, neste último dia 15, o musical “O Bem do Mar”, com direção de Antonio De Bonis. São 14 atores em cena e 7 músicos interpretando 68 músicas de Dorival Caymmi.</p>
<p>Em “O Bem do Mar”, procura-se levar ao palco elementos das letras de <a title="Dorival Caymmi" href="http://www.dorivalcaymmi.com.br/" target="_blank">Caymmi</a>, compondo cenas tipicamente baianas e mostrando com competência a cultura brasileira cantada por Dorival, em que o cotidiano servia de inspiração para as suas composições, retratando tudo com simplicidade e talento bem peculiares.</p>
<p>São 120 minutos de espetáculo, com 10 minutos de intervalo. Ao que deram a denominação de Bloco I – Lembranças, se comparado aos demais blocos, não é muito convidativo. Porém, nas outras partes (Bloco II – Copacabana By Night, Anos 50 e Bloco III – Histórias de Pescadores), o espetáculo melhora consideravelmente.</p>
<p>As músicas, muitas vezes compondo um pout-pourri, são bem interpretadas, a movimentação no palco também é interessante e, tranqüilamente, nos transportam para a Bahia de Dorival Caymmi. Destaco o bom jogo de luzes e os probleminhas no áudio, que, provavelmente, serão corrigidos para as próximas apresentações.</p>
<p>Os atores cantam e dançam bem. Algumas vozes, inclusive, são graciosas e há partes muito boas do musical que, com certeza, se destacam. De modo geral, não é um espetáculo impecável, mas realiza bem a proposta.  </p>
<p>Bom. Um bom espetáculo. Tudo dentro do esperado, mas nada de surpreendente.</p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p><br class="spacer_" /></p>
<p>Músicas: Dorival Caymmi                                 </p>
<p>Concepção e Direção: Antonio De Bonis</p>
<p>Roteiro: Antonio De Bonis e Douglas Dwight</p>
<p>Direção Musical e Arranjos Vocais: Ricardo Rente </p>
<p>Elenco: Ana Velloso; Dandara Mariana; Daúde; Dério Chagas; Fábio Ventura; Fael Mondego; Flavia Santana; Gabriel Tavares; Izabella Bicalho; Lilian Valeska; Marcelo Capobiango; Marcelo Vianna; Patrícia Costa e Thiago Thomé.<strong> </strong></p>
<p>Músicos:<strong> </strong>Alfredo Machado, violão; Rodrigo Villa, contrabaixo; Fernando Pereira, bateria; Firmino, percussão; Flávia Chagas, violoncelo; Luiz Flavio Alcofra, violão e Ricardo Rente, sopros.</p>
<p>Temporada: até 20 de dezembro.</p>
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		<title>O Milagre do Santinho Desconfiado (nota)</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 11:15:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Aguarrás, editoria</dc:creator>
				<category><![CDATA[edicao_0021]]></category>
		<category><![CDATA[outros registros]]></category>
		<category><![CDATA[teatro]]></category>

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		<description><![CDATA[A diretora Lucia Coelho comemora 40 anos dedicados ao teatro infantil com a estreia do premiado texto &#8220;O Milagre do Santinho Desconfiado&#8221; de Marília Gama Monteiro. ESTREIA: dia 24 de outubro (sábado), às 16h30 LOCAL: CENTRO DE REFERÊNCIA CULTURA INFÂNCIA/TEATRO MUNICIPAL DO JOCKEY Rua Mário Ribeiro, 410 / Gávea &#8211; entrada de automóveis (estacionamento gratuito) [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A diretora Lucia Coelho comemora 40 anos dedicados ao teatro infantil com a estreia do premiado texto &#8220;<em>O Milagre do Santinho Desconfiado</em>&#8221; de Marília Gama Monteiro.</p>
<p>ESTREIA: dia 24 de outubro (sábado), às 16h30</p>
<p>LOCAL: CENTRO DE REFERÊNCIA CULTURA INFÂNCIA/TEATRO MUNICIPAL DO JOCKEY</p>
<p>Rua Mário Ribeiro, 410 / Gávea &#8211; entrada de automóveis (estacionamento gratuito)</p>
<p>Rua Bartolomeu Mitre, 1110 / Gávea &#8211; entrada de pedestres</p>
<p>Tel: 21 2540.9853</p>
<p>HORÁRIOS: sábado e domingo, às 16h30</p>
<p>DURAÇÃO: 55 min</p>
<p>INGRESSOS: R$ 30,00 inteira e R$ 15,00 (meia entrada)</p>
<p>CAPACIDADE: 150 espectadores</p>
<p>CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: livre, indicada para a partir de 05 anos</p>
<p>TEMPORADA: até 29 de novembro</p>
<p>O Milagre do Santinho Desconfiado, espetáculo infantil com texto de Marília Gama Monteiro, estréia dia 24 de outubro próximo no Teatro Municipal do Jockey. A direção é da “mestra” Lucia Coelho (comemorando 40 anos dedicados ao teatro infantil), que estará também em cena, ao lado de Marcelo Dias (Prêmio Zilka Salaberry de Melhor Ator de teatro para crianças em 2007 com O Ovo de Colombo, encenado também por Lúcia Coelho), Severa de Brito, André Costa e Pedro Maia.</p>
<p>Este texto foi vencedor do Concurso Nacional de Dramaturgia do então Serviço Nacional de Teatro / SNT (atual Funarte) em 1970. Com uma dramaturgia construída em versos, O Milagre do Santinho Desconfiado revive um momento marcante da história do Brasil: a abolição da escravatura.</p>
<p>SINOPSE</p>
<p>A peça fala da escravidão e dos anseios abolicionistas através do encontro de dois personagens: um menino negro, escravo, e um menino branco, o abolicionista Euzébio de Queiroz quando criança.</p>
<p>Quem conta a história é Pai João, preto velho, narrador/testemunha do período da escravidão no Brasil. Ele é uma alegoria do negro sofredor e humilde, o “escravo que não é gente, mas que espera a sua redenção como se fosse um milagre do seu santo de fé”.</p>
<p>A história é contada em flashback, com texto enxuto e narração rítmica – sua dramaturgia é construída em versos. A história é contada através de esquetes, como uma história em quadrinhos. O quadro final, com a presença da princesa Isabel, que decreta a lei Áurea, representa o milagre maior de pai João: a princesa, como um rei medieval, o nomeia “gente”.</p>
<p>A MONTAGEM – ENCONTRO DE LINGUAGENS</p>
<p>A peça começa com uma brincadeira proposta às crianças da platéia, quando todas são convidados a confeccionar barquinhos de papel – estes barquinhos serão direcionados para um agitado mar azul de pano, representando as centenas de navios negreiros que traziam os escravos para o Brasil.</p>
<p>Além do trabalho dos atores e da música especialmente composta por Marcelo Alonso Neves, a diretora lança mão de diferentes linguagens para contar esta história &#8211; o teatro de sombras, o teatro de bonecos e o teatro de brinquedo. O primeiro entra em cena mostrando os mistérios da floresta e seus animais, e os navios em travessia pelo mar. O teatro de brinquedo, montado diante do público, é formado por personagens de papel que, manipulados pelos atores, tomam o seu lugar durante parte da narrativa.</p>
<p>E a peça segue envolvendo a plateia numa onírica viagem de luzes, cores e muita música. Os quadros de Debret foram inspiração para a escolha das cores e criação das cenas da peça.</p>
<p>A preparação vocal dos atores é de Jorge Maia, os bonecos são de Michel Sousa e Juliana Werneck, a luz é de Jorginho de Carvalho, e cenário e figurino são de Carlos Alberto Nunes.</p>
<p>FICHA TÉCNICA</p>
<p>TEXTO: Marília Gama Monteiro</p>
<p>DIREÇAO: Lucia Coelho</p>
<p>ELENCO: GRUPO NAVEGANDO</p>
<p style="padding-left: 30px;">Lúcia Coelho (Mãe preta)</p>
<p style="padding-left: 30px;">Marcelo Dias (Pai João – o ator foi eleito o Melhor Ator e ganhou o Prêmio Zilka Salaberry de teatro para crianças em 2007 com O Ovo de Colombo, encenado por</p>
<p style="padding-left: 30px;">Lúcia Coelho)</p>
<p style="padding-left: 30px;">Severa de Brito (Mãe Branca)</p>
<p style="padding-left: 30px;">André Costa (Zezé)</p>
<p style="padding-left: 30px;">apresentando Pedro Maia (João/Tição)</p>
<p>CENÁRIO E FIGURINO: Carlos Alberto Nunes</p>
<p>ADEREÇOS E PINTURA DE ARTE: Nilton Katayama e Thieny Katayama</p>
<p>ASSESSORIA TEATRO DE SOMBRAS: Magda Modesto</p>
<p>MÚSICA: Marcelo Alonso Neves</p>
<p>BONECOS: Michel Sousa e Juliana Werneck</p>
<p>ILUMINAÇÃO: Jorginho de Carvalho</p>
<p>ASSESSORIA DE BONECOS: Magda Modesto</p>
<p>PREPARAÇÃO DE VOZ: Jorge Maia</p>
<p>PREPARAÇÃO DE CORPO: Marcelo Dias</p>
<p>FOTOGRAFIA: Mário Grisolli</p>
<p>PRODUÇÃO: Lucia Coelho, Marcelo Dias e Heloiza Quaresma</p>
<p>DIREÇÃO DE PRODUÇÃO: Lena Brasil</p>
<p>ASSESSORIA DE IMPRENSA: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany</p>
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