Avaliando criticamente as críticas à Semana de Arte Moderna de 1922

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Avaliando criticamente as críticas à Semana de Arte Moderna de 1922

GARCIA JUNIOR, Colez. Avaliando criticamente as críticas à Semana de Arte Moderna de 1922. In: Aguarrás, vol. 12, n. 39. ISSN 1980-7767. São Paulo: Uva Limão, JUL/DEZ 2025. Disponível em: <https://aguarras.com.br/criticas-1922/>. Acesso em: [current_date format=d/m/Y].

 

RESUMO

No ano em que se comemora o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, vemos diferentes leituras sobre aquele evento, entre as quais aquelas que apontam para problemas presentes na organização, execução e legado da Semana. O objetivo do texto é selecionar algumas elaborações críticas e avaliar sua pertinência utilizando, para isso, de uma exposição sobre a arte e sua interdisciplinaridade construída pelo Professor Marcos Rizolli para uma disciplina a ser desenvolvida dentro da Pós-Graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no programa Educação, Arte e História da Cultura. Sendo o próprio programa de proposta interdisciplinar, esta será o fio condutor da análise a ser desenvolvida no texto.

Palavras-chave: Semana de 22. Crítica de Arte. Arte Brasileira. Arte e Interdisciplinaridade.

 

INTRODUÇÃO

Neste texto, procuro conjugar duas experiências que se relacionam com a possibilidade de uma avaliação sobre as críticas feitas à Semana de Arte Moderna de 1922.

Por um lado, em minha atuação como docente no Ensino Médio, estive envolvido em um projeto interdisciplinar na escola em que trabalho, a Escola Estadual Fioravante Zampol, em Santo André – SP, o qual objetivou tratar da Semana de 22 dentro de um projeto maior, conhecido como 3×22, reunindo o ano da Independência do Brasil – 1822, o ano de 1922, em que ocorreu a Semana de Arte e o ano atual, em que celebramos o bicentenário daquela e o centenário desta última.

Por outro lado, dentro do curso de pós-graduação da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do qual faço parte como aluno do doutorado, tive a oportunidade de cursar uma disciplina chamada Arte e Interdisciplinaridade, ministrada pelo Professor Doutor Marcos Rizolli, o qual se define a si mesmo como “artista-professor-pesquisador”, assinalando, a partir desta definição sua metodologia de trabalho, com a indispensável contribuição da Semiótica para o estudo da arte.

Nas duas experiências, pude notar como as críticas feitas à Semana de 22 continuam sendo discutidas cem anos depois, sendo que me pareceu possível, em especial a partir da disciplina acima mencionada, fazer uma espécie de avaliação sobre a pertinência de tais críticas, contribuindo assim para um aprofundamento na compreensão do que foi e do que continua sendo a Semana de 22, lembrando inclusive que, segundo alguns autores, incluindo o próprio Professor Rizolli, ela ainda não acabou…

Aliás, discutir a Semana em seu centenário atende, talvez de forma inusitada, a uma referência do escritor Manuel Bandeira. Certa vez, ao ser perguntado sobre a Semana de 22, afirmou que não havia mais nada a considerar e ele mesmo julgava já ter dito tudo o que poderia sobre o tema. Que se esperasse 2022 para que algo mais fosse dito… Bem, chegamos a 2022…

Neste ano de 2022, quando a Semana de 1922 comemora seu centenário, há, sem surpresa, número expressivo de análises sobre aquele evento. Pode-se incluir, entre estas, os trabalhos acadêmicos que se propõem a examinar diferentes aspectos da Semana de 22. Um exemplo pode ser uma tese de doutorado recente, do Maestro Parcival Módolo, que se propôs a contestar que a Semana seria, no que se refere à música, o início propriamente dito da proposta modernista, tentando voltar ao século XIX e aí localizar compositores que já apresentariam características reconhecidas do modernismo.

Também se pode mencionar o documentário O fim da beleza, da plataforma Brasil Paralelo, apresentando uma leitura crítica da arte moderna com base em uma concepção que talvez possa ser comparada ao olhar manifesto no artigo Paranoia ou Mistificação? de Monteiro Lobato, de 1917, sobre a exposição de Anita Malfatti. Acrescente-se a isso as problematizações quanto ao que seria descrito como o caráter “elitista” da Semana, levando em consideração seus principais nomes, bem como o financiamento da aristocracia cafeeira paulista para a realização do evento. Por fim, qual o legado da Semana, se é possível se falar nestes termos.

Utilizando, então, o material apresentado na disciplina Arte e Interdisciplinaridade, pelo Professor Marcos Rizolli, procura-se por uma avaliação da pertinência das elaborações críticas acima mencionadas, verificando como a própria proposta interdisciplinar pode ser um fio condutor da revisão crítica que se busca desenvolver.

Cabe, naturalmente, fazer o trabalho de contextualização da Semana de 22. Este será realizado por uma breve apresentação, envolvendo os anos 20 e, a seguir, a própria Semana de 22.

A análise, logo a seguir, será feita usando as diferentes partes do conteúdo da disciplina Arte e Interdisciplinaridade dentro da seguinte ordem: a) Para a crítica do modernismo em geral e da proposta da Semana de 22 em particular, envolvendo, especificamente, o caso de Monteiro Lobato, usaremos a alfabetização em linguagem visual e afins, buscando compreender as diferentes propostas desde o seu interior; b) Para a crítica do “caráter elitista” da Semana de 22 usaremos a relação da Arte com as Ciências Humanas; c) Para a crítica formulada sobre o legado da Semana de 22 usaremos as referências ao estudo da arte contemporânea.

Finalmente, procura-se apresentar as considerações que podem ser alcançadas diante das evidências reunidas na análise.

Recorreu-se a uma bibliografia que se constitui com os títulos que constam nas aulas da disciplina, acrescida de textos que trabalham com a Semana de 22 especificamente e, finalmente, textos específicos que apresentam as críticas a serem problematizadas.

 

Apresentando os anos 20

Talvez se possa remeter, aqui, ao autor Nick Rennison, em seu livro 1922: cenas de um ano turbulento:

A década de 1920 foi diferente. Até mesmo quem vivia naquela época sabia que era um tempo fora do comum, merecedor de um status especial. Na América, ela foi apelidada de “os estrondosos anos 1920” e “a era do jazz”; na França, ficou conhecida como “os anos loucos”. O mundo tinha acabado de sair de uma guerra que matara milhões de pessoas e de uma pandemia que dizimara outras dezenas de milhões. (…) Aqueles que chegaram à idade adulta durante esses anos e sobreviveram ao duplo trauma da guerra e da doença ficaram desorientados, completamente perdidos. Eles se tornariam, para a escritora norte-americana Gertrude Stein, a “geração perdida”. (…) De todos os anos dessa década dramática, o mais turbulento, aquele que alterou o mapa do mundo, foi 1922. (…) Na arte, as formas tradicionais provaram-se inadequadas, e escritores, músicos e pintores buscavam novos modos de expressão (RENNISON, 2021, p. 13-14).

Também podemos observar a descrição apresentada pelo professor Marcel Mendes (2022):

Nenhuma outra década cristalizou-se com tanta intensidade e fascínio no imaginário popular como a década de 1920. De fato, nela parece que irrompe toda a fecundidade da inovação e se enuncia, como nunca, o discurso do moderno repudiando a tradição, do novo que nasce do velho, mas o supera em definitivo, tal como acontece na espiral dialética.

A década de 1920 traz no seu bojo o advento da tecnologia onipresente que se materializa nas residências, instala-se nas indústrias, ingressa nos cinemas e desfila nas ruas. É nesse mesmo decênio que a monotonia do cotidiano é estilhaçada pelas ondas sonoras das celebrações e agitada pelo ritmo acelerado das danças, que tanto estreiam nas avenidas, como invadem os salões. É tempo de festejar, desfilar, cuidar do corpo, praticar esportes, celebrar a vida, acelerar a chegada do futuro… Dionísio faz sucesso e Apolo perde adeptos… É nessa época que a inédita velocidade dos automóveis atropela seres distraídos e o ruído dos aviões espanta idosos deslumbrados. (p. 1)

Em meio a turbulências sociais e políticas e dividido entre o conservadorismo e os apelos da modernidade, o Brasil vivenciava uma “Primeira República” que buscava, sem êxito, colocar a democracia em prática e, ao final, apenas mantinha de pé estruturas sociais que reforçavam desigualdades históricas.

Durante boa parte deste momento histórico, o interior do país foi deixado de lado e as principais cidades estavam no litoral.

No ambiente urbano, a industrialização engatinhava sem estruturas de trabalho justas e as favelas e os cortiços se multiplicavam. Uma obra que pode lançar luz sobre esta época é O Cortiço, de Aluísio Azevedo.

No campo, o coronelismo definia a realidade e, mesmo após a abolição da escravidão, a dinâmica mudou pouco.

Desde a constituição da Guarda Nacional, em 1831, como uma força paralela de apoio à manutenção da estrutura do poder central, os “coronéis” representavam uma força a ser considerada na construção dos destinos das comunidades. Embora a Guarda Nacional perdeu força na República, os “coronéis” continuaram, com o clientelismo e a compra de votos, envolvendo violência, intimidação, perseguição, mandonismo e filhotismo.

O período foi muito fértil para o surgimento de movimentos sociais, populares e operários e para uma nova visão crítica sobre a realidade da população. Entre 1910 e 1920, cerca de 400 greves foram realizadas. Foi fundada a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino e, em 1922, foi criado o Partido Comunista.

Figuras icônicas populares como Antônio Conselheiro e João Cândido já eram conhecidas. A geração dos modernistas teve contato com os horrores da Guerra de Canudos (1896-1897) e com os desdobramentos da Revolta da Chibata (1910) ainda jovem.

Ao mesmo tempo em que filhos e filhas da burguesia tinham cada vez mais acesso à educação no exterior e aos avanços tecnológicos, uma parte dessa juventude alinhava essas possibilidades a um interesse maior pelo Brasil e por uma identidade nacional. Segundo o filósofo Eduardo Jardim (2022), “construir uma identidade nacional é uma das tarefas a que se propõe o modernismo em sentido amplo”.

O grupo que realizou a Semana de Arte Moderna de 22 fazia parte dessa realidade. Entre os nomes por trás do evento estavam o poeta e historiador Mário de Andrade, o escritor, Oswald de Andrade, a artista plástica, Anita Malfatti e o escritor e poeta Menotti Del Picchia.

Nas expressões brasileiras, buscavam elementos para construir uma identidade cultural que conseguisse abraçar a diversidade, a mistura de raças e as manifestações populares. Ao abrir o evento, o escritor Graça Aranha resumiu esse sentimento.

 

Apresentando a “Semana de 22”

 Vale a pena revisitarmos a Semana de 22 em busca de uma visão panorâmica dela.

Diz assim o Professor Marcel Mendes (2022):

Conquanto o tema tenha merecido e continue a merecer abordagens em múltiplos contextos, é inevitável destacar, hic et nunc, a realização da famosa Semana da Arte Moderna, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, constituída de uma série de exposições, conferências, recitais, concertos e bailados no Theatro Municipal de São Paulo e em cuja linha de frente encontravam-se poetas, literatos, artistas plásticos e outras personalidades notáveis do mundo da cultura.

Geralmente as menções nominais mais salientes – incluindo os protagonistas das exposições anteriores, as de 1917 e 1919 – recaem sobre Anita Malfatti, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Mário de Andrade, Menotti del Picchia, Oswald de Andrade, Paulo Prado, Ronald de Carvalho e Victor Brecheret, dentre outros. Mais do que uma expressão ruidosa da arte contemporânea àquela época, essa mobilização trazia no seu bojo uma eloquente mensagem de protesto, um discurso veemente sobre a necessidade de mudar, um desejo incontido de redescobrir o Brasil – numa só expressão, o grito do novo! Simbolicamente, a leitura pública daquele que se tornou o mais célebre poema de Mário de Andrade – Ode ao Burguês – tornou-se a senha para desencadear o movimento modernista em São Paulo e no Brasil, que viria a ser ampliado na segunda metade da década e apresentaria incríveis desdobramentos nas suas perspectivas, alcançando a literatura, a poesia, a música, a arquitetura, isso para não dizer que a história da cultura no Brasil viveu, nessa década e nos anos subsequentes, o mais significativo “divisor de águas” de todos os tempos! (p. 5-6)

Cabe registrar que a própria expressão “divisor de águas” para a Semana de 22 vem sendo também questionada por alguns estudiosos do assunto, inclusive em busca de um olhar que procure situar apropriadamente o evento em todo o seu contexto.

Realizada no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 e 17 de fevereiro de 1922, a Semana de Arte Moderna, também conhecida como Semana de 22, constituiu-se de conferências e recitais de músicas e poemas, em que um grupo de artistas se rebelava contra padrões estéticos da arte brasileira vigentes desde o século anterior.

O evento consolidou, segundo alguns, o Movimento Modernista no Brasil. Durante o período, as pessoas tiveram a chance de visitar o saguão do teatro e conferir uma exposição de artes plásticas com obras de:

 

Anita Malfatti (1899-1964)

Pintora, desenhista, gravadora, ilustradora e professora, Anita teve o início de sua instrução artística e cultural através de sua mãe, a americana Betty Malfatti, que foi professora de pintura e de línguas. Passou a ser mais conhecida em 1917, após a segunda exposição individual como pioneira introduzindo a Arte Moderna no Brasil, causando escândalo e polêmica. No fim da década de 10, em São Paulo, frequentou o ateliê do artista plástico Pedro Alexandrino, onde conheceu Tarsila do Amaral.

Lecionou desenho na escola americana Mackenzie, na Associação Cívica Feminina e no seu próprio ateliê (frequentado por inúmeros artistas).

Em fevereiro de 1922 participou sendo homenageada com o maior destaque representativo da Semana de Arte Moderna.

 

Vicente do Rego Monteiro (1899-1970)

É entre os artistas brasileiros aquele que encarna de imediato os ideais da Semana de 22 propostos por Mário de Andrade. Desde 1920 tem linguagem contemporânea e desenvolve pesquisa da temática indígena brasileira.

Sua pintura, utiliza imagens estranhas e que se opõem, emergindo do passado mais remoto ou saltando do presente às culturas primitivas: tradição pernambucana, barroco, arte marajoara e a influência cubitizante da Escola de Paris.

Nascido no Recife, Pernambuco, família de senhores de engenho foi talento precoce em Paris onde o chamavam de jovem Rodin, por volta de 1911.

 

John Graz (1891-1980)

 Foi um pintor, ilustrador, decorador, escultor e artista gráfico.

Graz iniciou sua formação artística em 1906, na Escola de Belas Artes de Genebra. Foi um dos precursores do movimento modernista, junto com Lasar Segall, Anita Malfatti e Victor Brecheret. Além de pintar intensamente, dedicou-se paralelamente à execução de projetos de interiores e decoração de residências paulistanas.

Adepto do design total, ao projetar um ambiente, Graz criava a maior parte de seus elementos: desenhava móveis, tapeçarias, luminárias, afrescos, vitrais, maçanetas, banheiros e até jardins. Trouxe ao Brasil, na década de 1920, conceitos totalmente inovadores em design, que permanecem contemporâneos até hoje. Todos os quadros apresentados por John Graz na exposição do Municipal tinham sido realizados ainda na Europa, sendo dois dentre eles (Paisagem na Espanha) feitos no decorrer de sua bolsa de estudos.

 

Zina Aita (1900 – 1967)

Pertencia a uma família de origem italiana e, bem jovem demonstrou pendores para a pintura e o desenho.

Após organizar uma exposição de seus primeiros quadros em Belo Horizonte, viajou à Europa durante o primeiro grande conflito mundial para melhor aprimorar-se nas artes.

Fixou-se em Florença onde estudou com Galileo Chini. Com esse conhecido mestre aprendeu e adquiriu especial pendor para as artes decorativas.

Em seguida, retorna ao Brasil e trava conhecimento e amizade com vários intelectuais e artistas tais como Ronald de Carvalho, Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e através deles, com Tarsila do Amaral e Anita Malfatti.

Sob influência desses amigos, em 1922, participa da Semana de Arte Moderna.

 

Di Cavalcanti (1897-1976)

Foi um pintor modernista, desenhista, ilustrador, muralista e caricaturista brasileiro. Sua arte contribuiu significativamente para distinguir a arte brasileira de outros movimentos artísticos de sua época, através de suas reconhecidas cores vibrantes, formas sinuosas e temas tipicamente brasileiros como carnaval, mulatas e tropicalismos em geral.

Idealizou e organizou a Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo, criando, para essa ocasião, as peças promocionais do evento: catálogo e programa.

 

Wilhelm Haarberg (1891-1986)

Escultor, desenhista, restaurador e professor.

1920-25 – Residiu em São Paulo e aproximou-se do escritor e crítico de arte Mário de Andrade, que o caracterizava como um escultor da escola expressionista alemã que incorporara traços arcaizantes aos seus trabalhos; durante o período em que viveu na capital paulista, ministrou aulas de plástica para crianças na Escola Alemã.

1922 – Participou da famosa Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, quando apresentou cinco trabalhos em madeira, material de sua preferência.

1923 – Participou de uma mostra coletiva de artistas alemães radicados em São Paulo, evento que se repetiu em 1925.

A escultura Mãe e Filho, pertencente ao Instituto de Estudos Brasileiros da USP, é, possivelmente, sua única obra que permanece no Brasil.

 

Victor Brecheret (1894-1955)

Foi um escultor ítalo-brasileiro, considerado um dos mais importantes do país. É responsável pela introdução do modernismo na escultura brasileira. Sua figura ficou marcada pela boina que costumava vestir, ressaltando uma imagem tradicional do “artista”.

Participou da Semana de Arte Moderna de 1922, expondo vinte esculturas no saguão e nos corredores do Teatro Municipal de São Paulo. A partir daí manteve paralelamente uma carreira na Europa e em seu país. Expôs no Salão dos Independentes de Paris e fundou a Sociedade Pró-Arte Moderna.

Em 1922, quando da Semana de Arte Moderna, sua presença em São Paulo, foi positivamente escultórica e suas peças, ainda muito influenciadas por Mestrovic, eram revelações maravilhosas.

 

Ferrignac (1892-1958)

Ferrignac, pseudônimo de Ignácio da Costa Ferreira. Desenhista, caricaturista e ilustrador.

Seus desenhos denotam a influência do Art Déco, provavelmente com origem na sua estadia em Paris.

1916 – Tornou-se bacharel em direito pela Faculdade de São Paulo. Começou a colaborar na imprensa desde sua juventude, como na revista cultural Panóplia.

1917 e1918-20 – Morou na Europa.

1922 – Participou da Semana de Arte Moderna, São Paulo.

Publicou matérias em periódicos da capital paulistana, como A Vida Moderna, O Pirralho, A Cigarra.

1921 – Realizou Colombina, trabalho que seria incluído na 9ª Bienal de São Paulo (1971), na Sala Comemorativa dos 50 anos da Semana de 22 e que passaria a integrar o acervo do Instituto de Estudos Brasileiros da USP.

1925 – Entrou para a polícia e desapareceu do ambiente artístico.

 

Antonio Moya (1891-1949)

Moya apresentou 18 trabalhos durante a Semana de Arte Moderna de 1922.

Abusava da imaginação, fator este que fez com que nenhum de seus projetos apresentados fosse realizado. Guilherme Malfatti, sócio de Moya, dizia que o trabalho apresentado pelo arquiteto não correspondia à realidade.

“O poeta da pedra” assim foi chamado por Menotti del Picchia, em seus projetos na Semana, Moya tem como influências as arquiteturas pré-colombiana e mesopotâmica. Tinha a intenção de romper com o modelo tradicional, usava formas cúbicas e sem muitos ornamentos. Mais tarde definido como “Estilo Marajoara” como referência a arte indígena próxima a foz do Rio Amazonas. Na verdade, o geometrismo que surge em seu trabalho é resultado da influência árabe, muito forte no sul da Espanha, residências em estilo mouro, típicas da terra que ele nunca esqueceu.

Além da exposição, foram realizados saraus com apresentação de conferências, leitura de poemas, dança e música, participação dos escritores:

 

Graça Aranha (1868-1931)

Foi um dos membros fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Formado em Direito exerceu a magistratura no interior do Estado do Espírito Santo, fato que lhe iria fornecer matéria para um de seus mais notáveis trabalhos – o romance “Canaan”, publicado com grande sucesso editorial em 1902.

Na França publicou, em 1911, o drama “Malazarte”. De 1920, já no Brasil, é “A estética da vida” e, três anos mais tarde, “A correspondência de Joaquim Nabuco e Machado de Assis”.

Na Semana da Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo, Graça Aranha profere, em 13/02/1922, a conferência intitulada: “A emoção estética na arte moderna”.

 

Menotti del Picchia (1892-1988)

Viveu em Itapira, cidade do interior paulista, e aí editou “Juca Mulato”, sua obra de maior repercussão, que já teve dezenas de edições. É autor de romances, contos e crônicas, de novelas e ensaios, de peças de teatro, de estudos políticos e de obras da literatura infantil. Fundou jornais e revistas, foi fazendeiro, procurador geral do Estado de São Paulo, editor, diretor de banco e industrial. Fez pintura e escultura. Foi deputado estadual e federal. É tabelião e ocupou diversos e altos cargos administrativos. Pertenceu às Academias Paulistas e Brasileira de Letras.

Menotti del Picchia teve destacada atuação no movimento modernista. Preparou, com Oswald de Andrade, o advento da nova tendência literária e artística, sustentando a polêmica com os passadistas, antes e depois da Semana de Arte Moderna. Em seguida, foi aguerrido defensor da doutrinação “Verde e Amarelo”, opondo-se ao Oswald de Andrade de “Pau Brasil” e “Antropofagia”. Defendeu também os ideais do “Grupo da Anta”, que superavam os propósitos verdeamarelistas. Participou da Semana de Arte Moderna, sendo mesmo o seu orador oficial, apresentando, na festividade, os poetas e prosadores que exibiam, então, as produções da literatura nova. Suas crônicas no “Correio Paulistano”, de 1920 até 1930, como que constituem um “diário do modernismo”, registando, quase que quotidianamente, os entusiasmos, as raivas, as lutas e as desavenças da sua geração.

 

Guilherme de Almeida (1890-1969)

A estreia literária de Guilherme de Almeida se deu em 1916, com Mon Coeur Balance e Leur Ame (teatro), peças escritas em colaboração com Oswald de Andrade, editadas sob o título de Théatre Brésilien. Seu primeiro livro de poemas, Nós, veio a lume em 1917; ao qual se seguem A dança das horas e Messidor, ambos de 1919, e o Livro de Horas de Sóror Dolorosa, publicado em 1920. Escreveu, em 1921, o ensaio Natalika e os atos em verso Scheherazada e Narciso – A flor que foi um homem. Publicou Era uma Vez… em 1922. Nesse mesmo ano, atuou decisivamente na realização da Semana de Arte Moderna, ao lado de Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti e Menotti del Picchia, entre outros. Ajudou a fundar a revista Klaxon (porta-voz do movimento), integrando a equipe de editores; criou a capa do periódico, além de anúncios publicitários dos patrocinadores, de concepção precursora da visualidade da arte de vanguarda e da própria propaganda moderna.

Dotado de reconhecido domínio técnico, Guilherme transitou com igual competência por modelos composicionais diversos. Segundo o escritor Lêdo Ivo, em sua introdução à segunda edição de Raça, “talvez mais do que nenhum outro dos participantes da Semana de Arte Moderna, Guilherme de Almeida viveu o drama da conciliação estética do novo com o velho, da fôrma com a forma, da tradição com a invenção, da rotina e do automatismo das receitas com o clamor de criatividade”.

 

Ronald de Carvalho (1893-1935)

Com Luís de Montalvor, fundou a revista “Orfeu”, que adotava como nomes tutelares Camilo Pessanha, Verlaine e Malharmé, de um lado, e de outro, Walt Whitman, Marinetti e Picasso. Participou da Semana de Arte Moderna, tendo declamado no palco do Teatro Municipal, além dos seus versos de Manuel Bandeira e de Ribeiro Couto. O poeta dedicou-se ao ensaísmo, à crítica, aos estudos de história da literatura e dos problemas brasileiros, estéticos e políticos.

Simbolista e parnasiano, nos primeiros livros, e modernista nos subsequentes, deixou em todos a marca da cor, da luminosidade fulgurante, realizando uma poesia gráfica e nítida. Andrade Murici classificou-o como um humanista da boa tradição greco-latina. Espírito da renascença fecundado por um tropicalismo verbal, escreveu ora poemas concisos e diretos, ora peças plenas de força, dinamismo e efusão que desbordavam pelo retórico e pelo grandiloquente.

Em Ronald havia o predomínio da inteligência sobre a emoção. Sob o signo do cálculo, compôs seus versos. Daí praticar “uma poesia de supercivilizado”, como acertadamente registra Vinícius de Morais.

 

Mario de Andrade (1893-1945)

Foi um poeta, romancista, crítico de arte, musicólogo, professor universitário e ensaísta, considerado unanimidade nacional e reconhecido por críticos como o mais importante intelectual brasileiro do século XX. Notável polímata, Mário de Andrade liderou o movimento modernista no Brasil e produziu um grande impacto na renovação literária e artística do país, participando ativamente da Semana de Arte Moderna de 22, além de se envolver (de 1934 a 37) com a cultura nacional trabalhando como diretor do Departamento Municipal de Cultura de São Paulo.

Considerado o escritor mais nacionalista e múltiplo dos brasileiros, Mário construiu um caráter revolucionário na literatura brasileira, que se iniciou com Pauliceia Desvairada, onde analisa a cidade de São Paulo e todos seus elementos (provincianismo, aristocracia, burguesia, rio Tietê, Avenida Paulista). Mário também é considerado um dos primeiros musicólogos do país, e seu maior interesse era a música, particularmente os ritmos nordestinos, nos quais tentou pesquisar e valorizar, assim como fez com a Missão de Pesquisas Folclóricas, tentando criar um estudo e uma descoberta das raízes culturas do Brasil. Isso também ocorreu com seu romance mais famoso, Macunaíma, considerada uma das obras capitais da narrativa brasileira no século XX.

 

Oswald de Andrade (1890-1954)

De família abastada, Oswald, em 1909 inicia sua vida no jornalismo como redator e crítico teatral do “Diário Popular”, assinando a coluna “Teatro e Salões”. Ingressa na Faculdade de Direito.

Em 1917, conhece Mário de Andrade. Defende a pintora Anita Malfatti das críticas violentas feitas por Monteiro Lobato (“A exposição de Anita Malfatti”, no “Jornal do Comércio”, São Paulo, 11/01/1918). Participa do primeiro grupo modernista com Mário de Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Couto e Di Cavalcanti. De 1917 a 1922 escreve regularmente no “Jornal do Comércio”.

Em 1922, participa da Semana de Arte Moderna no Teatro Municipal de São Paulo. Faz conferência, em 18 de setembro, comemorativa ao centenário da Bandeira Nacional. É um dos participantes do grupo da revista “Klaxon”, onde colabora. Integra o grupo dos cinco com Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral e Menotti del Picchia. É escolhido como orador do banquete oferecido em homenagem ao escritor português Antonio Ferro, por ocasião de sua visita ao Brasil, no Automóvel Clube do Brasil (São Paulo). Publica “Os Condenados”, com capa de Anita Malfatti, primeiro romance de “A trilogia do exílio”. Viaja a negócios ao Rio. Em dezembro embarca para a Europa. Começa sua amizade com Tarsila.

 

Por fim, a execução de músicas de:

 

Ernâni Braga (1888-1948)

Ganhou uma bolsa de estudos na França onde conheceu sua esposa Eponina D’Atri. Participou da Semana de Arte Moderna de 1922, em São Paulo, ao lado de Villa Lobos, como seu intérprete.

Carioca, boêmio, mulato de olhos verdes, viajante e jogador, Braga foi bom compositor, mas será lembrado principalmente pela harmonização de canções populares. Em Pernambuco deixou importante marca no mundo musical da cidade como fundador do Conservatório de Recife. O professor e maestro Ernani Braga, liderando outros ilustres músicos da época, desenvolveu uma campanha em prol da criação do Conservatório Pernambucano de Música, como um meio de elevar o nível de ensino da música, através da educação musical. Ele não entendia como Recife, capital aberta às grandes iniciativas culturais e com muitos músicos, não tivesse um estabelecimento de ensino do gênero, dispondo de tão grande potencial docente.

 

Villa-Lobos (1887-1959)

Sua formação musical foi muito influenciada pelas noites de sábado da casa dos Villa-Lobos que recebiam grandes nomes da época para cantar e tocar até de madrugada. Sua tia Fifinha lhe apresentou os Prelúdios e Fugas do Cravo bem temperado de J. S. Bach, compositor que lhe serviu como fonte de inspiração para a criação das nove Bachianas Brasileiras.

Seus biógrafos afirmam que ele estudou no Instituto Nacional de Música, mas o próprio Villa-Lobos disse que detestava tal escola. Autodidata, viajou pelo interior do Brasil pesquisando seu folclore e entrando em contato com uma música diferente da que estava acostumado a ouvir: modas caipiras, tocadores de viola e outros tipos que mais tarde viriam a universalizar-se através de suas obras.

Villa-Lobos passa a apresentar-se oficialmente como compositor a partir de 1915, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Foi duramente criticado pela imprensa pela “modernidade de sua música”. Em fevereiro de l922, participou da Semana de Arte Moderna apresentando, dentre outras obras, as Danças características africanas.

 

Esta foi a programação da semana de 22:

 

13 de fevereiro

Abertura oficial do evento. Espalhadas pelo saguão do Theatro Municipal de São Paulo, várias pinturas e esculturas provocaram reações de espanto e repúdio por parte do público. O espetáculo teve início com a confusa conferência de Graça Aranha, intitulada ‘A emoção estética da Arte Moderna’. Tudo transcorreu com certa calma neste dia.

 

15 de fevereiro

O poeta Paulo Menotti del Picchia foi a atração da noite com uma palestra sobre arte estética.

 

17 de fevereiro

O dia mais tranquilo da Semana, com apresentações musicais de Villa-Lobos e a participação de vários músicos.

 

É importante observar que o modernismo brasileiro não nasce com o nome de ‘Moderno’. Seu primeiro nome, futurismo paulista, dado por Oswald de Andrade, foi confundido com o futurismo italiano.

 

As Críticas à Semana de 22

 

Monteiro Lobato e a degeneração da arte

Talvez um dos maiores e mais respeitados críticos do movimento modernista tenha sido o literato Monteiro Lobato, que ao conhecer obras da pintora Anita Malfatti, ainda em 1917, teria ficado escandalizado, e feito diversas observações negativas a respeito do trabalho da artista, que após voltar ao Brasil de sua viagem de estudos a exterior (Alemanha e Nova York), teria mudado complemente sua linha poética e criativa, para se adequar ao que seria o modernismo brasileiro, uma visão mais prosaica do que havia encontrado fora do país.

As críticas de Lobato obtiveram tamanha repercussão que Mário de Andrade escreve, tempos depois, uma carta aberta em defesa de Anita.

Em 1917, Monteiro Lobato faz a primeira grande crítica à exposição de Anita Malfatti, na cidade de São Paulo, gerando um grande mal-estar entre a sociedade e formando uma opinião coletiva bastante distorcida do trabalho da pintora e dos modernistas, que já vinham se movimentando em torno das modificações na arte brasileira.

Nesta época, chegou a se falar que Anita, apesar de ter estudado tanto nos Estados Unidos como na Europa, não tinha noções de cor, forma e perspectiva, pois apresentava uma representação artística diferente da que a arte clássica brasileira produzia.

Durante os quase cinco anos que se seguiram até a Semana de Arte Moderna foram feitos muitos outros artigos pelos pensadores do movimento, Oswald e Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Helios Seelinger e outros, e esses espaços jornalísticos serviam de arena para as discussões entre os dois lados. Todas as acusações, as defesas e os julgamentos eram feitos nas páginas dos jornais e revistas que circulavam.

Como grandes opositores destacam-se o veemente Cândido (pseudônimo do jornalista Galeão Coutinho – redator chefe de A Gazeta -, que debochou e diminuiu a importância da Semana pela proximidade do Carnaval); Plínio Salgado, que dizia querer pensar sozinho, mas que se colocava às vezes contra o movimento e às vezes a favor, mais tarde se tornando integralista; e Mário Pinto Serva, servindo esses três nomes como uma pequena amostra do que se vivia na oposição ao movimento.

A veia crítica foi a espinha dorsal da Semana de Arte Moderna de 1922, concebida como uma resposta às comemorações oficiais do centenário da independência no mesmo ano. A tentativa de ruptura com as estéticas do passado e de construção de uma identidade genuinamente nacional nas artes foi condenada pelos conservadores da época.

Devemos nos deter um pouco na acusação sobre a degeneração da arte. Para isso, precisamos empreender uma caminhada compreensiva.

Quando falamos em formas do conhecimento, reconhecemos que essas são aquelas maneiras pelas quais o ser humano tem procurado dar conta da realidade, interpretando-a. Ao lado de ciência, religião, filosofia e até mesmo o senso comum, encontramos a arte. Cada uma dessas formas do conhecimento se expressa através do fenômeno da linguagem. E a linguagem se apresenta com uma sintaxe própria. A fim de podermos trabalhar com a interpretação da realidade, precisamos conhecer as diferentes linguagens e suas sintaxes.

Neste sentido podemos falar das várias alfabetizações de que necessitamos em nossa experiência humana. Uma delas é justamente a alfabetização em linguagem visual que permite analisarmos com o devido cuidado diferentes propostas estéticas, inclusive quando elas buscam caminhos diversos daqueles que tradicionalmente vinham sendo trilhados.

A estranheza diante de certos padrões na produção artística reflete, assim, a ausência de uma abertura para se localizar a construção da obra de arte a partir de elementos que até determinado momento histórico não eram considerados de uma perspectiva que lhes permitisse assumir o protagonismo na expressão.

Voltando ao texto de Lobato, é interessante que ele reconhece o talento de Anita e justamente por isso se dispõe a criticar a atitude estética que ela segue naquele momento. Ele chega a caracterizar a nova proposta como uma espécie de olhar anormal sobre a natureza e equipara com as produções daqueles que têm sérios problemas em seus cérebros. Também fala dos princípios imutáveis sobre os quais a arte está sustentada, também questionando o uso do adjetivo “moderno” para a nova tendência.

Como contraponto à forma como Lobato avalia a arte moderna, podemos citar o caso de Sergio Milliet. Três relatos sobre sua obra podem ser aqui relacionados:

Este crítico despendeu um importante apoio aos propósitos modernistas, além de desempenhar, dentro da comunidade jornalística, papel fundamental na formação de uma nova “comunidade de gosto”, pois era polo de divulgação, colaborador importante na estruturação da intelectualidade artística, que tinha pouca formação cultural, e seu trabalho de favorecimento da formulação e a difusão de valores.

Milliet possuía uma tônica bastante explicativa e interpretativa, sem objetivar o acadêmico, mas fazia questão de organizar suas ideias e expô-las de forma objetiva para que nenhum artista se sentisse ofendido e “implicasse com sua criatividade”.

“Sobre as apresentações durante os três dias no palco paulista, Sérgio escreveu para sua amiga Marthe, que vivia em Paris e dividia os ideais com o crítico. Duas cartas merecem destaque: a primeira, escrita em abril de 22, destacava as obras e os artistas que tinham exposto no Teatro Municipal e lhe rendeu críticas como ‘Há apenas um ano alguns artistas trabalhavam na calma dos ateliês…Alguns artistas!…E eis que de repente, esses artistas fazer um apelo aos outros desconhecidos do Brasil: das a São Paulo, noitadas de arte moderna’.

Ainda citando as apresentações da Semana, destacou a importância dos principais artistas que ali estavam pessoalmente, um a um, com o maior rigor, para que não houvesse mal-entendidos.

Algumas passagens eternizam a impressão do crítico. ‘Penetremos juntos ao hall do Grande Teatro e admiremos um pouco esta exposição. Eis, da esquerda para a direita, John Graz, que nos apresenta telas de um colorido vigoroso e de um simbolismo místico simples, duro e ingênuo… Anita Malfatti, vigorosa e ousada, e inteligente.

A escultura admiravelmente representada pelo gênio de Brecheret, cujo estilo lembra Mestrovic, dava-nos a ocasião de apreciar as estatuetas de Haarberg, um escultor bastante jovem e a quem não falta talento…

Brecheret se revela um grande escultor, um gênio da raça latina, digno de suceder a Rodin e a Boudelle, e um admirável poeta por sua extraordinária imaginação. Marthe gostaria de lhe mostrar seu Monumento das Bandeiras que é, por assim dizer, a epopeia da arte brasileira e o mais belo canto de sua poesia.

É o quadro poderoso da conquista do Brasil pelo povo aventureiro dos paulistas, a procura do ouro e dos escravos indígenas, a ambição desmesurada e nostálgica dos descendestes dos gloriosos portugueses da grande época, a necessidade de conquistas e de dominação.

Imagina você, para traduzir esta grande ideia, um impulso formidável de corpos torcidos, de músculos, de sofrimentos, de desesperos e de entusiasmos através da floresta virgem, apesar das febres e das guerras e da natureza hostil. Tudo isso sem uma frase, sem um artifício, sem uma imagem envelhecida. Imagine isso e você terá uma ideia da arte de Brecheret’, comentou Milliet à amiga.”.

 

 

O crítico nasceu em São Paulo, em 1898, e com apenas 14 anos foi morar na Suíça, onde permaneceu até o início do ano de 1922. De volta ao Brasil, alguns anos mais tarde, já encontrara todo o cenário pronto para o acontecimento da arte brasileira. Na bagagem trouxe uma formação política ligada ao socialismo e um gosto estético apurado.

Milliet foi considerado um homem ponte para o Modernismo nacional. O primeiro motivo para ser considerado assim, era por ser o contato brasileiro na Europa, a pessoa responsável por difundir as ideias modernistas brasileiras e mostrar ao mundo o que se nas artes nacionais e os movimentos artísticos/culturais, utilizando um espaço na revista belga Lumière.

O outro motivo de ser este homem ponte foi que o crítico disseminou os propósitos modernistas para as décadas seguintes, de 1930 e 1940, em seus artigos e críticas. Aliás críticas essas que eram firmes, no entanto tendiam ao reconhecimento do propósito e do espírito do artista, antes do fazer da arte.

A sua obra mais importante são os dez volumes de ‘Diário Crítico’, pelos quais se tornou especialmente conhecido. E são esses volumes que contam a sua trajetória, já que Milliet quase não deixou arquivo pessoal.

Durante todo o trabalho que desenvolveu sobre o modernismo brasileiro, merecem destaque os esforços que o crítico despendeu para a fixação dos propósitos modernistas, assim como seu papel fundamental na formação de uma nova “comunidade de gosto”, pois era pólo de divulgação, colaborador importante na estruturação da intelectualidade artística, que tinha pouca formação cultural, e seu trabalho de favorecimento da formulação e a difusão de valores.

Além de todos os trabalhos prestados para a imprensa nacional, ainda creditamos a Sérgio Milliet a sistematização da divulgação da arte, com suas ideias que variavam de acordo com o sentimento e os estudos que desenvolvia nos diferentes momentos de sua vida.

Tinha uma tônica bastante explicativa e interpretativa, sem objetivar o acadêmico, mas fazia questão de organizar suas ideias e expô-las de forma genérica, para que nenhum artista se sentisse ofendido e embotasse sua criatividade.

Também não podemos deixar de destacar aqui que o crítico também citou outros grandes nomes como Di Cavalcanti, Zina Aita, Villa-Lobos, Ferrigna, entre outros tantos.

A literatura ganhou uma carta especial, escrita em novembro de 1922, onde frisava a importância e a qualidade da literatura produzida no país tupiniquim. O destaque ficou para os Andrades (Mário e Oswald), como segue “Oswaldo de Andrade: é um romancista. Mas é sobretudo um poeta.

Uma imaginação amazônica que do romance faz um poema, transformando os mínimos feitos psicológicos em verdadeiras tragédias íntimas… E se uma imagem basta para nos revelar um mundo de sensações e de sugestões, Mário de Andrade é um grande poeta, pois não há nas usas obras quase nenhum verso que não seja metáfora ousada e sugestiva. É o nosso futurista”, ressalta.

O crítico Sérgio Milliet desenvolveu com tamanha maestria a crítica no Brasil, que até hoje se utiliza da sistematização criada por ele para se fazer uma crítica coerente. A pesquisadora Lisbeth Rebollo Gonçalves, em seu livro “Sérgio Milliet, crítico de arte”, destaca “pode-se chegar a dizer que muito mais que uma estética, Sérgio Milliet adere a uma ética”, perfeita definição para um grande nome modernista nacional.

 

O relacionamento com esses intelectuais europeus fez de Sérgio Milliet uma referência para os jovens intelectuais brasileiros. Durante um breve retorno ao Brasil, em 1920, Milliet conviveu com intelectuais modernistas como Mario de Andrade, Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Yan de Almeida Prado, Menotti Del Picchia e outros. Dois anos mais tarde, ele teve uma participação discreta na Semana de Arte Moderna, mas começou a ganhar importância no movimento modernista a partir do lançamento da revista Klaxon. Contribuiu para o periódico em todos os números, escrevendo a coluna “Voyage” em língua francesa. Logo se reafirmou como importante conexão entre os intelectuais brasileiros do movimento modernista e a cultura europeia, sobretudo a francesa.

 

Construindo uma possível resposta, “in memoriam”, a Lobato e, a partir dela, também àqueles que prosseguem em caminho similar, Arte e Interdisciplinaridade trouxe notas importantes.

A assim chamada arte abstrata tem como propósito mostrar os elementos visuais, mostrar os efeitos que a linguagem pode determinar no expectador. Não é o propósito humanizado ou figurado, mas fala na própria estrutura. Cabe retomar o conceito de Metalinguagem, a linguagem falando dela mesma. Pode ocorrer, como no caso da Opt Art, o desconforto na percepção.

Há uma espécie de assepsia, saindo do mundo figurativo e indo para a estrutura. Admite-se “degenerar” a representação em favor da emancipação da linguagem. Picasso, por exemplo, ficou na linha tênue entre arte figurativa e arte abstrata.

É necessário reconhecer o discurso construído pela linguagem, ver a obra de arte pelo ponto de vista da sua linguagem, ver a estrutura pela estrutura, aguardando que a forma se auto justifique, observando a linguagem de dentro para fora

Os artistas trazem para o mundo da visualidade questões desconcertantes. O desejo do olhar e o desejo da moral.

Não cabe pedir à arte que não seja subversiva, pois ela é constitutivamente assim.

 

O “caráter elitista” da Semana de 22

Quatro anos após o evento, o jornal Getulino, que defendia os direitos da população preta, publicou um artigo criticando as relações entre o modernismo e a elite cafeeira. O texto cita a Semana de Arte Moderna, que foi patrocinada por barões do café.

O modernismo chegou ao Brasil pelas mãos de filhos e filhas de famílias abastadas, o que os garantia acesso à educação, viagens e informações sobre o que estava acontecendo no mundo. Fortemente influenciado pelas vanguardas europeias, se juntava ao coro por mudanças, mas vinha das elites. A própria Semana de Arte Moderna de 1922 foi financiada pela aristocracia cafeeira de São Paulo.

Posteriormente, e até hoje, o movimento foi questionado pela falta de envolvimento com o Brasil real. Ironicamente, a busca não teria se aprofundado no objeto que procurava e a leitura ainda era a da burguesia.

Segundo o filósofo Eduardo Jardim, a autocrítica que Mario de Andrade fez sobre a Semana de 22 é um marco importante:

 

A conferência “O movimento modernista” é um marco na nossa história intelectual. Nela, Mário de Andrade faz um histórico do modernismo, destacando a Semana de 22, e, em seguida, faz uma avaliação do movimento com base em três critérios. São eles: o direito permanente à pesquisa estética, a estabilização de uma consciência nacional e o que ele chama de atualização da inteligência artística brasileira. Ao se considerar o modernismo a partir dos dois primeiros critérios, o movimento foi bem-sucedido. Foi assegurado o direito permanente à pesquisa estética e promoveu-se a radicação da produção artística brasileira no solo do país. Já quanto à atualidade do movimento modernista, Mário de Andrade acredita que o modernismo é um movimento frustrado. Para Mário de Andrade a arte envolve mais coisas do que pesquisa estética. Ela deve responder aos desafios do seu tempo. Ora, o tempo em que transcorreu o movimento modernista foi sobretudo político. Por esse motivo os modernistas deveriam ter superado toda forma de abstencionismo e se dedicado ao que Mário de Andrade chama de “melhoramento político-social do homem”. Não deveriam se contentar em ver a multidão passar, mas marchar com ela. O tom dessa parte do texto é fortemente confessional. Mário de Andrade sempre pretendeu que sua obra tivesse a marca do anti-individualismo, mas agora ele observa que ficara preso a um “hiperindividualismo implacável”. Ele não se reconhecia mais no seu passado; seu passado não era mais seu companheiro. Para se compreender estas passagens é preciso considerar o contexto em que elas foram escritas. Em 1942, no plano mundial, a guerra ainda não estava decidida na Europa. No plano local, vivia-se a ditadura do Estado Novo. Também o contato de Mário de Andrade com jovens intelectuais muito politizados no período em que viveu no Rio deve ser levado em consideração. Não lembro de ter lido outros autores com um diagnóstico tão duro de sua própria obra, com uma visão tão crítica do movimento que liderara.

 

Um outro relato sobre o olhar de Mario de Andrade pode ser visto a seguir:

 

Em 1942, o próprio Mário de Andrade afirmou que o movimento do qual participou falhou em captar a realidade e não buscou “revolta” contra a situação da época. Nesse mesmo sentido, a falta de diversidade e de representação popular do encontro de artistas também foi apontada décadas depois, levantando análises até hoje. Afirmou que sua geração foi aristocrática, não captou realmente a realidade brasileira e fez pouco para mudá-la.

Para o poeta, faltou no discurso “maior angústia do tempo, maior revolta contra a vida como está”. Em vez disso, disse ele, “fomos quebrar vidros de janelas, discutir modas de passeio, ou cutucar os valores eternos, ou saciar nossa curiosidade na cultura”.

É uma visão melancólica, mas a proposta era ser realista. Mário dizia que os modernistas não deveriam ser vistos como exemplo e que o movimento não ajudou “no amelhoramento político do homem”, usando as palavras dele.

Em um apelo final, indicou o caminho para superar o distanciamento, “Se de alguma coisa pode valer o meu desgosto: façam ou se recusem a fazer arte, ciências, ofícios. Mas não fiquem apenas nisto, espiões da vida, camuflados em técnicos da vida, espiando a multidão passar. Marchem com as multidões”.

 

Ainda dentro da crítica ao caráter elitista da Semana, podemos também encontrar a referência à participação feminina:

 

Quando falamos da Semana, geralmente os nomes mais lembrados são artistas como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Heitor Villa-Lobos, Menotti del Picchia, Victor Brecheret, Sérgio Milliet e Di Cavalcanti. Mas e as artistas mulheres? Qual a participação e como elas colaboraram para a arte brasileira? Guiomar Novaes, por exemplo, uma das maiores pianistas brasileiras, se apresentou no primeiro dia da Semana de Arte Moderna de 22.

Além de Guiomar tocando Chopin no piano, artista que já era conhecida no Brasil e no exterior, mais três mulheres participaram da Semana de 22: nas artes plásticas um nome já consagrado no cenário paulistano Anita Malfatti, a pintora Zina Aita e com artes têxteis Regina Graz.

Para a professora Ana Paula Cavalcanti Simioni, do programa de pós-graduação em Culturas e Identidades Brasileiras da Universidade de São Paulo (USP), a participação das mulheres na Semana foi representativa e central para a arte brasileira.

“A participação das artistas não foi pequena. É importante lembrar que no campo das artes naquele momento essa presença dessas quatro mulheres com uma certa centralidade, não era pouco. É diferente do que acontece em outros países e sobretudo a projeção que elas tiveram. Um exemplo é o Armory Show nos Estados Unidos que é um evento que muitas vezes é comparável a Semana de Arte Moderna que tem uma participação feminina também relevante, mas muito obscurecida na historiografia posterior”, explica.

Anita Malfatti e Tarsila do Amaral se tornaram expoentes da maior revolução da arte nacional.

“Anita tem um papel crucial de não só trazer uma linguagem inovadora, porque ela aprende na sua passagem pela Alemanha e pelos Estados Unidos, especialmente o expressionismo e com o seu cromatismo livre, mas também uma maneira de aprender o corpo que é bastante inovadora, para o cenário paulistano e a consciência dessa modernidade é que a sua exposição provocou. Nos anos 20 a Tarsila do Amaral é artista que melhor consegue dar conta de uma plataforma modernista da sua geração que era um pleito dos críticos, representar uma arte modernista com uma preocupação nacional. Isso se expressa muito bem em obras como “Morro de favela” e a Negra”, comenta Cavalcanti.

Mas Anita e Tarsila não estavam sozinhas na vanguarda feminina. Cavalcanti estuda o tema das mulheres modernistas. Em 2018 fez Livre Docência sobre “Mulheres Modernistas: estratégias de consagração na arte brasileira” e em 2015, realizou a curadoria da Exposição “Mulheres Artistas: as pioneiras (1880-1930)”.

A pesquisadora ressalta que outras artistas ao longo do século XIX e XX participaram de diversas exposições em São Paulo e Rio de Janeiro, em torno de 30% dos expositores eram mulheres, mas tiveram menos reconhecimento e algumas foram esquecidas. E que esse é um trabalho ainda está por ser feito e são muitas para serem descobertas

“É o caso de Regina Liberalli que participou de diversos salões nos anos 30, 40 e 50 e hoje é mais lembrada apenas como museóloga, porque ela de fato foi museóloga no Museu Nacional de Belas Artes, mas a trajetória dela com uma artista não é muito conhecida. E outras na época que foram premiadas como a Sara Vilela e a Regina Veiga. Uma questão é esse grande sucesso da Anita e da Tarsila, que são meritórias desse lugar que elas conquistaram, mas por vezes isso sombreou a atuação de outras mulheres no circuito artístico daquele momento”, comenta a pesquisadora.

Segundo Cavalcanti, nessa época em que cabia às mulheres casar-se, cuidar da casa e ter filhos e ainda sem direito ao voto no Brasil, essas artistas lutaram pela profissionalização por meio da arte. Elas ultrapassaram a linha da educação feminina voltada apenas para o ambiente doméstico.

“Uma coisa é a mulher ter uma cultura suficiente para educar melhor seus filhos, outra era imaginar que essas mulheres vão expor seus trabalhos, vão receber críticas, vão receber dinheiro pelo que elas produzem. Digamos que tinha uma ousadia sim, era um pouco a mais do que era esperado para o papel de boa ‘mãe republicana’ que era ser uma mulher culta mas nos limites da casa, do círculo familiar ou de amigos mais restritos, então podemos ver como as mulheres de fato lutaram pela própria profissionalização no momento em que isso não era de todo bem visto”, diz Cavalcanti.

Mário de Andrade e do Manuel Bandeira são nomes conhecidos da literatura, mas o que escreviam as mulheres nessa época? Temos dificuldade para encontrar seus nomes e escritos hoje pela internet porque elas foram muitas vezes silenciadas, não tiveram repercussão na mídia, algumas obras censuradas e não foram reeditadas.

A doutora em sociologia Maria de Lourdes Eleutério escreveu um ensaio sobre as mulheres escritoras no modernismo no recém-lançado livro ‘Modernismos 1922-2022′ com organização de Gênese Andrade pela Companhia das Letras. Ela nos apresenta algumas escritoras.

“As formas que a elaboração literária modernista criou, por exemplo, o uso da fragmentação, os neologismos e a paródia não estão na obra dessas escritoras que eu vou mencionar em seguida. Mas elas constituem a meu ver uma chave possível para compreendermos a ausência de escritoras modernistas. Exemplos dessa ausência no cânone da literatura modernista são: Maria Cecília Bandeira de Melo, Gilka Machado, Hercília Nogueira e Maria Lacerda de Moura”.

Eleutério pesquisou sobre a reivindicação emancipatória por meio dessas quatro escritoras sob perspectiva sociológica. Ela fala sobre os temas que essas mulheres escreviam.

“A pauta era eminentemente política porque era acerca da emancipação da mulher, do direito ao voto e ser votada, ingressar em faculdades reservada apenas aos homens, direito ao trabalho, ao divórcio, a ser dona do seu próprio corpo erótico tudo isso está na obra dessas escritoras, mas apenas Crisânteme e Gilka foram reconhecidas no seu tempo, mas elas não são modernistas, elas são modernas. E hoje elas são pouquíssimas conhecidas”, ressalta. Um dos nomes mais conhecidos de Pagu destacou-se por meio do modernismo escrito, divulgando o movimento através de textos em jornais e livros.

 

Mesmo que se reconheça a ausência de diferentes segmentos na Semana, pode-se argumentar que, de alguma forma, ela abriu o caminho para que tais segmentos pudessem ser devidamente reconhecidos no panorama artístico nacional, o que nos leva ao legado de 22.

 

O Legado de 22

Os questionamentos não diminuem a importância e o legado da Semana para a arte e a cultura brasileiras.

A Semana de 22 teve uma importância muito grande, e a prova disso é que ainda se discute a Semana passados 100 anos. Eduardo Jardim observa, inclusive, que a distância que temos da mesma, não sendo seus contemporâneos, permite um tratamento de forma mais livre.

Quais as contribuições da Semana de 22?

As grandes contribuições da Semana seriam essa ruptura, essa questão do popular e do erudito, que você pode unir em uma coisa só. Também a antropofagia, que Antônio Cândido diz que é uma das criações mais brilhantes da dialética modernista. Aquilo de você deglutir o que vem de fora para produzir uma arte autenticamente brasileira.

Nessa busca da identidade nacional, você não precisa renegar a contribuição do estrangeiro, o que hoje em dia seria impossível. A questão do centro e da periferia. Porque não só a arte é feita por uma elite, mas também há essa grande contribuição dos movimentos que não pertencem à elite, mas têm dado sua contribuição.

Além das vaias registradas durante os dias em que esteve em cartaz, a Semana deixou importantes sementes para a cultura nacional.

“Uma das principais contribuições do evento foi unir o centro e a periferia. Foi esse processo de romper com a arte meramente elitista e considerar as produções das favelas, dos movimentos e de pessoas que não eram incluídas antes. O modernismo contribuiu para romper com uma série de paradigmas. Um deles foi estabelecer essa diferença entre nacional e estrangeiro, porque eles conseguiram mostrar que poderíamos produzir uma arte brasileira sem deixar de fora a contribuição dos europeus, por exemplo”.

Camargos aponta que o evento “fez olhar além” e pontua que as críticas acerca do evento foram propulsoras para mais desenvolvimento na arte e cultura nos anos que sucederam a Semana de 22.

 

Mesmo as falhas da Semana não diminuem o seu legado efetivo para o Brasil.

 

“No ponto de vista mais crítico, a Semana de 22 ignorou algumas produções populares que foram incorporadas logo depois pelo modernismo. Então, toda essa diversidade e esse olhar popular que não teve muito na Semana, foi incorporado ao longo da década de 20. Isso é semente do evento. As falhas da Semana de 22 não tiram a força, o impacto e o caráter revolucionário que ela teve para o Brasil”.

É possível dizer que o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 vem levantando debates e críticas que, de certa forma, rememoram alguns dos questionamentos que o evento recebeu quando foi realizado, mas acrescentam novos e importantes pontos à discussão.

Idealizado por artistas que se tornaram símbolo do modernismo brasileiro, o acontecimento ambicionava romper com a linguagem tradicional da época e retratar uma identidade genuinamente brasileira. Mas, já na época, foi muito questionado.

Da parte dos conservadores, vinham críticas à estética modernista, sendo a Semana classificada por eles como “um escândalo” e “um fracasso”. Além disso, mesmo contradições que parecem estar em pauta apenas atualmente já eram apontadas.

Para quem [ainda] está celebrando 100 anos depois, realmente fica difícil entender que, na época, ela era vista como uma coisa de grã-fino. Foram poucos os jornais que noticiaram seguidamente. Isso mudou a partir do segundo sarau, quando Oswald de Andrade teria arregimentado os estudantes de Direito do Largo São Francisco para vaiar e dar o tom do contra, porque estava achando aquilo tudo muito monótono. A partir da segunda noite, os jornais que estavam reticentes a falar sobre o evento foram obrigados a falar sobre o assunto, nem que fosse para criticar.

O mais interessante é que, apesar de os modernistas — que na época não eram conhecidos como tal, eles eram os “futuristas” — estarem buscando essa questão da identidade nacional, das raízes brasileiras e renegarem tudo o que vinha de fora, foram as revistas das comunidades alemã e italiana que fizeram as matérias mais equilibradas e ponderadas sobre a Semana de 22.

A Semana em si foi o primeiro grito público, o primeiro ato público do que viria depois a ser definido como modernismo. Ela foi o estopim desse movimento que surgiu depois, ao longo da década de 1920, através das várias revistas que surgiram, como a Klaxon, Terra Rocha e Outras Terras e todos aqueles manifestos, como Pau Brasil, da Antropofagia e mesmo o Verde e Amarelo, um movimento que era ligado aos participantes que deram uma guinada para a direita, ao contrário de outros que foram para a esquerda. Oswald de Andrade, a Tarsila do Amaral, já em 1928, abraçaram a causa dos trabalhadores e toda a questão dos movimentos operários.

O que precisa ficar bem claro é que a Semana de 22 é uma coisa, e o modernismo é outra, ele é o desdobramento deste evento que aconteceu no Teatro Municipal. Evidentemente, a Semana não teria fincado raízes, e nós não estaríamos aqui, conversando sobre ela após um século, se ela não tivesse deixado sementes, se ela não tivesse uma essência muito forte e não tivesse colaborado para uma mudança radical nos rumos das artes e da produção cultural brasileiras, tanto em termos de literatura, quanto de artes plásticas e música.

Mais do que a Semana, o modernismo contribuiu para romper com uma série de paradigmas. Um deles foi essa diferença entre nacional e estrangeiro. Eles conseguiram, através da antropofagia, mostrar e chegar à conclusão de que nós poderíamos produzir uma arte brasileira, sem deixar de fora aquelas contribuições dos europeus, por exemplo. Mesmo porque a gente precisa lembrar que, durante o ano da realização da Semana de 22, um terço da população economicamente ativa da cidade de São Paulo era formada por imigrantes.

Uma outra coisa que a Semana de 22 tinha ignorado, a produção popular, o repertório negro, foi sendo depois incorporada às produções dos próprios modernistas. Na viagem da Tarsila do Amaral ao interior de Minas gerais, ela chegou à conclusão de que aquelas cores vibrantes dos casarios não eram pejorativamente caipiras, eram cores tropicais que deveriam ser valorizadas. Então, tudo isso que esteve ausente na Semana de 22, como essa diversidade, esse olhar popular, isso tudo foi incorporado ao longo da década de 20.

 

Neste ponto cabe uma pergunta: Por que o evento ocorreu em São Paulo e não no Rio de Janeiro?

 

São Paulo recebeu essa injeção de estrangeiros quase do dia para a noite. Dentro, inclusive, daquele propósito de embranquecimento da população. De uma hora para outra, a cidade recebeu toda essa massa de imigrantes, sobretudo italianos. Nas ruas se falava uma mistura de paulista com italiano. Essa injeção cosmopolita fez com que a Semana de 22 acontecesse em São Paulo, e não no Rio de Janeiro.

Teve uma outra questão muito importante, que foi o desejo das elites de colocar São Paulo no mapa cultural do Brasil. Porque, até então, as companhias líricas faziam roteiros em Buenos Aires, Rio de Janeiro, talvez até Fortaleza e alguma outra capital do Nordeste e ignoravam solenemente São Paulo.

Então, aquilo era uma ofensa para a elite dirigente, para a elite cafeeira, que não se conformava que São Paulo, que já era o principal polo econômico do Brasil e tinha essa vocação da locomotiva do país, fosse ignorada pelas companhias. Então, eles, ao longo da década de 1910, dotaram a capital de equipamentos culturais, para que ela cumprisse sua vocação de metrópole. Um exemplo é a inauguração do Teatro Municipal. Houve realmente esse esforço dessa burguesia endinheirada de bancar esse evento para colocar São Paulo no mapa cultural do Brasil.

 

Para uma crítica atual, podemos recorrer ao escritor Ruy Castro:

 

Recentemente, o escritor Ruy Castro publicou um texto no jornal Folha de São Paulo que busca, de certa forma, desmistificar a memória sobre a Semana, dizendo que ela não era tão revolucionária como parece e que seus personagens estavam mais alinhados à política conservadora do café com leite, da primeira república ou república velha.

A história é dinâmica, precisa sempre ser vista e revisitada, mas o que o Ruy Castro se arvora a dizer como se fosse a grande novidade é coisa velha. É coisa que não apenas eu falava há vinte anos. Araci Amaral e outras e outros historiadores e estudiosos do assunto já vinham, dizendo que a Semana de 22 foi elitista, excludente.

Muito dessa mitificação em torno da Semana foi feita por grupos ligados à Universidade de São Paulo (USP), que o Ruy Castro chama, inclusive, de “a indústria da USP”. Intelectuais de muito peso, que transformaram a Semana em um divisor de águas da cultura brasileira, e nunca foi isso. Nós estamos batendo nessa tecla há anos e anos.

 

Eduardo Jardim também dialoga com Castro:

 

Recentemente, o escritor Ruy Castro afirmou que muitos autores, sobretudo do Rio de Janeiro, pré-1922, mas que já praticavam uma literatura modernista, foram relegados ao esquecimento a partir da década de 1930, e que esse esquecimento se explica pelo fato de serem jornalistas, atuantes no mercado e porque “não tiveram seus nomes martelados diariamente desde os anos 1950 pela indústria acadêmica da USP”. Você concorda com essa crítica?

Não sei de que autores Ruy Castro está falando. Acho essa colocação meio bairrista. Parece que opõe ao bairrismo paulista um bairrismo carioca. Um momento importante na fixação da Semana como marco inaugural do modernismo é a conferência de Mário de Andrade “O movimento modernista”, de 1942. Depois disso em 1952, nos trinta anos da Semana, uma outra conferência, de Mário Pedrosa, já aceita a datação fixada por Mário de Andrade. Como a de Mário de Andrade, também a de Mário Pedrosa ocorreu fora do âmbito acadêmico.

 

Alguns dados contextuais podem contrabalançar as críticas:

 

Mas, a favor da Semana de 22, a gente tem que acrescentar que ela foi um evento que aconteceu no improviso e por acaso. Não houve um planejamento de anos. Para termos uma noção concreta, tudo começou em novembro de 1921 para um evento que aconteceu em fevereiro de 1922. Nem três meses se passaram. Um evento dessa envergadura, hoje em dia, o projeto começaria um ou dois anos antes.

Então, ela foi feita de uma forma espontânea, improvisada. Por isso também houve essas ausências do repertório negro, da produção cultural popular. O violão, por exemplo, que [Heitor] Villa-Lobos já tocava tão bem, ficou de fora. Enfim, a gente pode citar várias falhas da Semana de 22, o que não lhe tira a importância, o impacto, nem a vocação revolucionária.

 

Quem são os personagens da Semana de 22 que permanecem na memória sobre o evento?

 

Os principais personagens seriam Oswald e Mário de Andrade, pela obra poética. Anita Malfatti ficou um pouco esquecida e poderia ter sido uma das grandes herdeiras do modernismo. Mas, ao contrário da Tarsila [do Amaral] — que seguiu Oswald de Andrade nos movimentos Pau Brasil, da Antropofagia e mesmo essa virada a esquerda, com aquele quadro dos operários —, Anita recuou. Ela efetuou um retorno à ordem e abandonou aquelas pinceladas vigorosas que tinham encantado seus amigos artistas.

Também Di Cavalcanti desenvolveu uma carreira importante. Vicente do Rego Monteiro, que alguns estudiosos dizem que foi um dos nomes mais criativos, revolucionários e inovadores da exposição, embora depois tenha dado uma guinada à direita, inclusive simpatizando com o próprio nazismo.

Sem esquecer também o [Victor] Brecheret, que estava ausente da Semana, mas mandou 12 peças para serem expostas. A Tarsila do Amaral não expôs na Semana de 22. Ela estava em Paris na época, preocupada em enviar uma obra para o Salão Oficial de Artistas Franceses, de um caráter bastante conservador. Mas ela se tornaria uma das musas do modernismo, justamente porque, ao lado de Oswald de Andrade, que se tornaria seu marido, fez uma carreira brilhante e inovadora, deixando uma produção belíssima.

 

Qual foi o papel da imprensa da época na divulgação e avaliação sobre a Semana de 22?

 

No início do Século XX, os jornais, revistas, cinema e folhetins eram os únicos meios de comunicação para que a população pudesse se inteirar com as notícias do mundo todo. O rádio surgiria no final do ano de 1922, ainda com uma transmissão e programações bastante precárias, e a televisão somente 30 anos depois.

Ao se tratar do evento da Semana de Arte Moderna pode-se dizer que a imprensa brasileira (nada imparcial naquele momento), voltou-se a lados opostos do movimento. A primeira visão era extremamente positiva, pois conhecia o projeto de tornar o Brasil um país independente da cultura europeia e apoiava essa primeira tentativa.

A segunda encarou a Semana de uma forma bastante negativa, por ser formada por um grupo social bastante conservador, que antes mesmo de conhecer a proposta que os Modernistas traziam, já a rotulavam como ruim. Ainda devemos destacar uma outra parcela da imprensa que simplesmente não formou sua visão sobre o modernismo, pois fechou os olhos e fingiu que nada estava acontecendo.

Dentre as críticas e elogios proferidas pela imprensa paulistana da época, o autor Oscar Pilagallo descreve no livro História da Imprensa Paulista,

 

[…] o Jornal do Comércio, onde Oswald de Andrade trabalhava como redator, A Gazeta, que franqueava espaço a Mário de Andrade, e sobretudo, o Correio Paulistano, que publicou Menotti Del Picchia, davam o devido troco à Folha da Noite, alimentando uma polêmica que lhes interessava não apenas como estratégia de divulgação, mas porque chocar sensibilidades refratárias ao novo era uma atitude que fazia parte da própria natureza do movimento.

 

Em outro momento o autor coloca que “As vaias recebidas no Teatro Municipal agradaram os artistas, mostrando que estavam no caminho certo por fazerem algo totalmente novo e diferente daquilo que o público esperava presenciar.”.

No entanto, nada tinham em comum, pois o paulista tinha como significado somente a ‘tendência para o futuro’, diferentemente do italiano que já era um movimento que estava em pleno acontecimento na Itália.

A Semana de Arte Moderna foi o momento da festa de apresentação pública do movimento que já tinha nascido por volta de 1917, com a exposição de Anita Malfatti e critica por espectadores e pelo crítico Monteiro Lobato, e só se consolidou efetivamente após 1929, quando os grupos pós semana começaram a se formar e proliferar o pensamento modernista.

Para fazer a abertura do evento no Teatro Municipal paulista foi convidado Monteiro Lobato, que não aceitou o convite, alegando motivos pessoais, dando lugar ao carioca Graça Aranha, que aceitou de pronto, pois tinha interesses culturais e particulares em São Paulo.

Todo esse movimento e os acontecimentos em torno da semana serviram para afirmar e consolidar os objetivos da Semana, que eram transformar o Brasil em um país independente na sua criação e produção artística, além de livrá-lo da influência social e da herança cultural europeias, criando assim a Renascença Paulista.

 

Mas como descrever a imprensa daquele momento histórico?

 

Durante todo esse processo de modernização cultural e artística nacional, não poderíamos deixar de destacar uma classe que tem um papel fundamental na formação de opinião da sociedade: a imprensa. O perfil da imprensa desse período, no Brasil, era muito diferente do que se conhece hoje.

Jornais, revistas, cinema e folhetins eram os únicos meios de comunicação para que a população pudesse se inteirar com as notícias do mundo todo. O rádio surgiria no final do ano de 1922, ainda com uma transmissão e programações bastante precárias, e a televisão somente 30 anos depois.

Os jornais, revistas e folhetins tinham linguagem bastante conservadora e davam bastante destaque aos acontecimentos internacionais. O conservadorismo estava presente até no projeto gráfico das publicações, que eram bastante blocadas e com uma grande massa de texto, que estavam mais próximos da literatura do que da imprensa que entendemos.

O perfil do leitor era definido por sua classe social, já que as classes mais pobres tinham alto grau de analfabetismo e ainda amargavam uma pobreza da mesma escala.

Esse conservadorismo exacerbado foi um entrave para que o modernismo paulista fosse divulgado e acompanhado por mais pessoas. Dentro da própria imprensa se tem distinções de todos os tipos. Mais especificamente sobre 22, a imprensa não estava de acordo com o que estava acontecendo. Cada veículo relatou o fato de maneira que melhor lhe convinha.

Citamos aqui alguns poucos veículos de comunicação que circulavam na época como: O Estado de SP (imparcial); Klaxon (maio de 1922 – repercussão); A Garoa; O Mundo Literário; A Gazeta Il Piccolo (internacional); Jornal do Commercio; A Cigarra; Correio Paulistano; Folha da Noite; Fanfulla; A Vila Moderna; Le Messager de São Paulo; Vida Paulista; A Careta (RJ) – contra; Revista do Brasil (RJ) – somente em 1924. As revistas Fon Fon, Revista do Brasil e O Malho não cobriram o movimento, pois achavam que seria mais uma bagunça dos ‘almofadinhas’ da época.

A Semana aconteceu em 1922 propositalmente, pois aproveitariam a oportunidade para comemorar o primeiro centenário de Independência política do País, e em alusão ao acontecimento criar também uma data para a Independência Artística.

Existem muitas dúvidas sobre o movimento, no entanto, há documentos valiosos escondidos em muitos arquivos, muitos deles de propriedade das famílias dos artistas, que podem nos contar detalhes desse período histórico nacional, desvendando muitos mistérios, quebrando tabus e quem sabe responsáveis por rescrever um momento histórico nacional de tamanha importância.

Mesmo antes da Semana, Oswald já sabia que as apresentações seriam um estardalhaço, mas tinha consciência de que era necessário e já sonhava com a calmaria que iria começar somente por volta de 1924, quando o movimento realmente passou a ser entendido e aceito pela sociedade paulista.

As críticas, as vaias e a chuva de batatas (em alusão aos legumes e frutas que realmente foram atirados no palco durante algumas apresentações modernistas no Teatro Municipal) recebidas por todos os participantes da semana já estavam sendo esquecidas, mas na memória de quem esteve lá os acontecimentos estavam ainda frescos, como afirmaria Menotti anos mais tarde: “tratam-nos como criminosos, como réus, como se tivéssemos feito algo de errado com aquele barulho todo”.

Alguns artigos publicados em jornais podem mostrar claramente esses posicionamentos tomados pela imprensa.

A favor da Semana estiveram jornais como Jornal do Commercio, Correio Paulistano e A Garoa. Em um dos artigos de Oswald de Andrade – Boxeurs na Arena, de 13 de fevereiro de 1922 -podemos perceber como ele se posicionava e como sabia, de antemão, tudo o que poderia acontecer no Teatro Municipal paulista. “…Nós, pelo acolhimento da platéia de hoje, julgaremos da cultura de nosso povo. Pois, sabemos, com Jean Cocteau, que quando uma obra de arte parece avançada sobre o seu tempo, ele é que de fato anda atrasado”, escreveu Oswald.

Assim também se posicionou Hélios em dois artigos escrito ‘A Segunda Batalha’, sobre o segundo dia de apresentações, que contava como correu a primeira noite da Semana e suas expectativas para o segundo dia da “Batalha”, que São Paulo testemunharia, e ‘O Combate’, no qual ressalta o interesse da sociedade em ver o que acontecia no Municipal e ainda a guerra e a glória da noite anterior, onde muitos aplaudiram Guiomar Novais por achar que ela tocava música clássica, no entanto muitos outros aplaudiram entendendo que a arte nova estava ali.

Mas nem tudo eram flores para os modernistas.

Muitos artigos contrários às apresentações, e principalmente às intenções da Semana, foram escritos e publicados em jornais como Folha da Noite e A Gazeta.

Um artigo que mostra esse combate ao modernismo foi escrito por O 3º Andrade (pseudônimo, como muitos desconhecidos o verdadeiro nome).

 

“Apregoa-se por aí que os gênios podem criar as belas-artes sem os estudos dos conservatórios como se as artes, para chegar ao seu apogeu, não precisassem de alguns que lhes esclarecessem os conhecimentos de sua estrutura!… Os revolucionários de hoje dizem: clássico é o que atinge a perfeição de um momento humano e o universaliza. Acadêmico, não. É cópia, é imitação, é falta de personalidade e de força própria…”, escreveu em ‘Os Futuristas e a Personalidade”, de 15 de fevereiro de 1922.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Contrapor às críticas argumentação que as questione quanto à sua pertinência permite constituir uma discussão que proponha referenciais coerentes para levantamento de questões e possíveis confrontos de diferentes olhares possíveis, não rumo a uma síntese que se propõe definitiva, mas à abertura para examinar diferentes formas de dar conta da realidade. Após fazer a análise, espera-se ter contribuído para abrir novos caminhos que possam ser percorridos na contínua discussão sobre a Arte e a interdisciplinaridade.

 

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